Pintura Arq. Eduardo Moreira Santos, Lx (28.08.1904 - 23.04.1992)
Mostrar mensagens com a etiqueta Bruno Sarmento. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Bruno Sarmento. Mostrar todas as mensagens

segunda-feira, 22 de junho de 2026

Portugal - Instituto de Investigação e Inovação em Saúde lidera projeto para inovar no tratamento do glioblastoma

Projeto para desenvolver nanomedicinas ativadas por ultrassons recebeu financiamento de 150 mil euros do Programa UT Austin Portugal


Uma equipa de investigadores do Instituto de Investigação e Inovação em Saúde (i3S) da Universidade do Porto recebeu financiamento do Programa UT Austin Portugal para desenvolver um projeto orientado para o «Tratamento do glioblastoma através de nanoterapias baseadas em estruturas orgânicas ligadas por pontes de hidrogénio para libertação local de bevacizumab ativada por ultrassons». Este projeto foi um dos selecionados pela Fundação para a Ciência e a Tecnologia (FCT) no âmbito de uma iniciativa de colaboração internacional com a University of Texas at Austin (UT Austin).

Com um financiamento total de 150 mil euros, dos quais 50 mil euros são assegurados pela FCT e 100 mil euros pela UT Austin, o projeto resulta de uma colaboração entre o grupo de investigação Nanomedicines & Translational Drug Delivery do i3S e o Department of Biomedical Engineering da universidade norte-americana, sendo coordenado em Portugal por Bruno Sarmento e, nos EUA, pelo investigador e professor Huiliang Wang.

“O projeto pretende desenvolver uma nova geração de nanomedicinas inteligentes para o tratamento do glioblastoma, um dos tumores cerebrais mais agressivos e difíceis de tratar”, explica Ana Catarina Pacheco, investigadora do i3S.

A estratégia combina nanopartículas inovadoras com ultrassons direcionados para permitir a libertação localizada e controlada de bevacizumab. Este medicamento reduz a formação de vasos sanguíneos que alimentam o tumor e promovem o seu crescimento.

A equipa vai recorrer a estruturas orgânicas ligadas por pontes de hidrogénio (Hydrogen-bonded Organic Frameworks, HOF), materiais supramoleculares altamente biocompatíveis capazes de encapsular proteínas terapêuticas e responder a estímulos externos. Quando expostas a ultrassons direcionados, estas nanopartículas sofrem alterações estruturais que desencadeiam a libertação do fármaco apenas na região do tumor.

“Esta abordagem permite separar a distribuição sistémica do medicamento da sua ativação terapêutica”, acrescenta a investigadora do i3S Cláudia Martins.

“O bevacizumab circula encapsulado e inativo no organismo, sendo libertado apenas no local pretendido através da aplicação de ultrassons. Desta forma, espera-se reduzir significativamente os efeitos adversos associados à terapêutica convencional e aumentar a eficácia do tratamento”, conclui.

Combater o glioblastoma com “maior precisão terapêutica”

O glioblastoma caracteriza-se por uma elevada vascularização e por uma grande resistência aos tratamentos atualmente disponíveis. Embora o bevacizumab seja utilizado na prática clínica para controlar a progressão da doença, a sua administração sistémica pode provocar várias complicações, incluindo hipertensão, formação de coágulos sanguíneos e hemorragias. Além disso, o cérebro possui uma barreira protetora que limita a quantidade de medicamento que chega ao tumor.

Para ultrapassar estes desafios, os investigadores vão desenvolver e otimizar nanopartículas capazes de transportar o fármaco de forma segura até ao cérebro e libertá-lo apenas depois de ativado por ultrassons. O projeto inclui estudos em modelos celulares 3D e em modelos animais de glioblastoma, permitindo avaliar a eficácia terapêutica, a segurança sistémica e o impacto da estratégia na progressão tumoral e na sobrevivência.

Segundo Bruno Sarmento, este financiamento representa também uma oportunidade para consolidar uma linha de investigação que o grupo tem vindo a desenvolver nos últimos anos na área da nanomedicina para o tratamento de tumores cerebrais.

“Este projeto permitirá dar continuidade ao trabalho que temos realizado no desenvolvimento de sistemas avançados de libertação de fármacos para o glioblastoma, explorando agora uma abordagem inovadora que combina nanotecnologia e ultrassons para alcançar uma maior precisão terapêutica”, explica o líder do grupo de investigação.

O Concurso de Projetos Exploratórios 2025 dos programas UT Austin Portugal financiou um total de oito projetos, de 41 candidaturas, correspondendo a um investimento global de quase 400 mil euros, integralmente financiado pela FCT. Universidade do Porto - Portugal


segunda-feira, 16 de março de 2026

Portugal - Investigador do Instituto de Investigação e Inovação em Saúde entre os especialistas mais influentes da engenharia biomédica

Bruno Sarmento foi eleito para o «College of Fellows» do prestigiado American Institute for Medical and Biological Engineering (AIMBE)


Bruno Sarmento, investigador do Instituto de Investigação e Inovação em Saúde da Universidade do Porto (i3S), foi eleito para o College of Fellows do American Institute for Medical and Biological Engineering (AIMBE), uma das distinções internacionais mais relevantes na área da engenharia biomédica.

Esta eleição reconhece contribuições científicas de elevado impacto no desenvolvimento de nanotecnologias terapêuticas, sistemas avançados de libertação de fármacos e abordagens translacionais inovadoras para a administração de biomoléculas.

A cerimónia de investidura terá lugar durante o AIMBE Annual Event, que decorrerá entre 11 e 13 de abril , em Washington, D.C. (EUA), ocasião em que Bruno Sarmento passará a integrar formalmente o College of Fellows, composto por cerca de 3000 líderes científicos, engenheiros, empreendedores e inovadores que se distinguiram por avanços significativos na engenharia médica e biológica.

“Ser eleito Fellow do AIMBE constitui um reconhecimento de grande relevância na minha carreira”, afirma o investigador.

“Este resultado só foi possível graças ao trabalho extraordinário dos membros do meu grupo de investigação, Nanomedicines & Translational Drug Delivery, que contribuem diariamente para manter um nível de excelência científica muito elevado. É também um reconhecimento que partilho integralmente com a minha família, cujo apoio incondicional é essencial para coordenar a atividade científica com a vida familiar”, acrescenta Bruno Sarmento.

Potenciar o impacto estratégico do AIMBE

O AIMBE, fundado em 1991, promove políticas públicas baseadas em evidência científica, estimula inovação biomédica e fornece recomendações estratégicas ao ecossistema norteamericano de investigação e saúde.

A integração de Bruno Sarmento neste colégio reforça a presença da investigação portuguesa em debates internacionais críticos para o futuro da bioengenharia e da medicina translacional, sendo o terceiro português a integrar este grupo restrito e criando oportunidades de colaboração institucional, científica e tecnológica.

O reforço das ligações científicas entre Portugal e os EUA será uma das prioridades do investigador. “Temos uma comunidade científica altamente qualificada e infraestruturas de excelência, e os EUA apresentam um ecossistema biomédico robusto e orientado para a inovação translacional”, refere.

“A AIMBE é o espaço ideal para fortalecer estas ligações, especialmente neste momento de desafios acrescidos para a comunidade científica americana”, conclui o investigador.

Um ano de afirmação internacional

A eleição para o AIMBE ocorre num período especialmente significativo para o cientista do i3S e para o seu grupo de investigação, que tem demonstrado indicadores científicos de inovação e de captação de financiamento altamente competitivos.

O desempenho científico do grupo Nanomedicines & Translational Drug Delivery tem sido amplamente reconhecido a nível internacional, consolidando o i3S como uma referência emergente no campo da nanomedicina e dos sistemas de entrega de fármacos.

Este momento de afirmação coincide com um outro marco importante na carreira de Bruno Sarmento. Em julho de 2026, durante o congresso anual da Controlled Release Society (CRS) que terá lugar em Lisboa, iniciará o seu mandato como Presidente da sociedade, uma das mais influentes organizações mundiais dedicadas às tecnologias de libertação controlada de fármacos. Universidade do Porto - Portugal


segunda-feira, 7 de julho de 2025

Internacional - Instituto de Investigação e Inovação em Saúde em consórcio para criar vacina contra vírus transmitidos por mosquitos

Trata-se de uma vacina de largo espectro contra dengue, Zika, febre amarela, vírus do Nilo Ocidental e outros flavivírus que causam mais de 100 mil mortes anualmente


Especialistas de virologia, imunologia, biotecnologia e saúde pública de dez instituições de sete países europeus e dos Estados Unidos juntaram-se para, nos próximos três anos, desenvolverem uma vacina inovadora, designada Flavivaccine, contra flavivírus transmitidos por mosquitos com potencial epidémico, como o dengue, o Zika, a febre amarela e o vírus do Nilo Ocidental.

O Instituto de Investigação e Inovação em Saúde da Universidade do Porto (i3S) é o parceiro português deste consórcio internacional, coordenado por Julien Pompon, do Instituto de Investigação para o Desenvolvimento (IRD), de Montpellier, França, no âmbito de um projeto financiado com mais de oito milhões de euros pela União Europeia através do programa HORIZON-RIA – Research and Innovation Actions.

O i3S foi convidado a juntar-se como «membro de excelência» na sequência do concurso “HopON” da Comissão Europeia, devido à experiência do grupo liderado por Joana Tavares em infeções transmitidas por mosquitos, e irá receber 540 mil euros para desenvolver a sua participação.

Nesta altura, estima-se que estas doenças (dengue, Zika, febre amarela e vírus do Nilo Ocidental) afetem anualmente cerca de 500 mil pessoas e causem mais de 100 mil mortes em todo o mundo. Mas, devido ao aquecimento global, os habitats dos mosquitos vetores (Aedes e Culex) estão a expandir-se para a Europa e para a América do Norte e o risco de surtos e epidemias de flavivírus tem vindo a aumentar de forma significativa. Quase toda a população humana está em risco de infeção por flavivírus, pelo que é urgente agir preventivamente e antecipar estratégias de vacinação, antes que as epidemias sejam cada vez maiores e mais frequentes e evoluam para pandemias.

«Atualmente não existem vacinas eficazes contra vários flavivírus transmitidos por mosquitos com potencial pandémico e, nos casos em que estas existem (como a vacina contra o dengue), têm muitas vezes limitações em termos de segurança, eficácia ou acessibilidade», explica a investigadora do i3S e Professora Auxiliar do ICBAS, Joana Tavares, que vai liderar a equipa portuguesa. O Flavivaccine, garante, «tem potencial para resolver estas questões, proporcionando uma plataforma segura, eficaz, flexível e de rápida aplicação».

Segundo Joana Tavares, esta proposta de vacina é de largo espetro e oferece uma abordagem preventiva alargada e mais segura, atuando na fase inicial da infeção resultante do contacto com o mosquito. O Flavivaccine tem como alvo componentes da saliva do mosquito. No final do projeto, garante a Investigadora, «pretendemos ter uma vacina candidata pronta para entrar em desenvolvimento clínico».

Além dos flavivírus já conhecidos, o consórcio internacional vai acompanhar de perto o potencial de emergência de novos vírus ainda não caracterizados, que podem representar futuras ameaças à saúde pública. «O nosso projeto centra-se no combate à ameaça global dos flavivírus, nomeadamente a dengue, a febre amarela, o Zika e o Nilo Ocidental, mas a vacina também tem potencial para proteger contra outros flavivírus, incluindo a encefalite japonesa», sublinha a investigadora.

Além disso, acrescenta Joana Tavares, «os flavivírus são particularmente propensos a mutações, o que aumenta a sua capacidade de saltar de uma espécie hospedeira para outra. Esta particularidade, combinada com os extensos reservatórios animais e os habitats em expansão dos seus vetores (como os mosquitos e as carraças), criam as condições ideais para o aparecimento de novos flavivírus, pelo que é necessário monitorizar todos os que conhecemos e que têm potencial para causar surtos e desenhar uma estratégia de vacinação capaz de se adaptar a um vasto número de vírus que ainda não conhecemos, mas que podem rapidamente emergir e conduzir a epidemias».

A consolidação de esforços numa única vacina contra múltiplos flavivírus transmitidos por mosquitos com potencial epidémico não só racionaliza a proteção das populações e reduz o número de hospitalizações, como alivia a pressão sobre os sistemas de saúde, diminuindo o impacto económico e social das doenças transmitidas por mosquitos, cujo custo anual ultrapassa os nove mil milhões de euros a nível global.

O i3S faz parte deste consórcio com uma equipa que integra três grupos de investigação: «Host-Parasite Interactions», liderado por Joana Tavares, «Gene Regulation», liderado por Alexandra Moreira, e «Nanomedicines & Translational Drug Delivery», liderado por Bruno Sarmento. Universidade do Porto - Portugal