Pintura Arq. Eduardo Moreira Santos, Lx (28.08.1904 - 23.04.1992)
Mostrar mensagens com a etiqueta AFA. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta AFA. Mostrar todas as mensagens

segunda-feira, 4 de janeiro de 2021

Macau - Leong Fei In e Zhang Xinjun seleccionados para intercâmbio artístico através da organização Art For All Society

Os artistas Leong Fei In e Zhang Xinjun apresentam uma exposição no Macau Art Garden, que cria uma história visual sobre uma ilha desconhecida e reúne também memórias de Macau. Durante este ano vão realizar uma residência artística e uma nova exposição conjunta



A exposição “One Plus One · Macau and Overseas Artists Exchanged Exhibition: Island”, organizada pela Art For All Society (AFA), está aberta ao público até dia 27 de Janeiro no Tak Chun Macau Art Garden. É a segunda edição de um programa de intercâmbio cultural, que conta desta vez com obras da artista local Leong Fei In, e do artista Zhang Xinjun, da China Continental.

No local da exposição nasceram nove pequenas ilhas de tamanhos e formatos distintos, construídas a partir de materiais como areia de quartzo tingida e especiarias antigas. As paredes revelam agora diferentes montanhas pintadas em cores vivas, acompanhadas de algumas palavras. Durante a visita, o público pode andar entre o trabalho.

“Leong Fei In alargou o conceito de ‘ilha’ a um sentido do corpo e visão do mundo, usando dados históricos das ilhas de Macau e do Sudeste Asiático que foram afectadas durante a era náutica, como pano de fundo para criar a história visual virtual ‘ilha desconhecida’”, comunicou a AFA.

Por sua vez, Zhang Xinjun juntou imagens relacionadas com a história, paisagens e pessoas de Macau. O artista organizou assim memórias do território, que assumem forma visual de tecido, em que os traços foram feitos através de queima de incenso. Estas imagens, explica a nota da AFA, “advieram de mal-entendidos do artista sobre o território através de informação indirecta”.

Em 2019 realizou-se pela primeira vez a exposição “one plus one”, com artistas de Macau e do exterior, em Pequim. A mostra da nova edição foi inaugurada no final de 2020, e está patente ao público entre as 11h e 19h, de segunda a sábado.

Tempo para criar

Ao longo de 2021, os dois artistas seleccionados vão realizar residências artísticas em Macau e uma nova exposição conjunta numa galeria local. O “One Plus One” é um programa de intercâmbio cultural, que pretende fortalecer as trocas artísticas e culturais entre Macau e artistas do exterior. Neste âmbito, a cada dois anos, a AFA seleciona um artista em representação de Macau e outro do exterior, cooperando com institutos artísticos da China Continental, Hong Kong ou do estrangeiro para organizar uma exposição conjunta.

Desta vez, foram Leong Fei In e Zhang Xinjun os eleitos. “Através deste projecto, a AFA espera trazer mais estímulos externos aos artistas [locais], dando-lhes uma oportunidade de ganharem mais experiências fora de Macau e obterem uma experiência criativa numa cena artística mais ampla”, indicou a entidade.

A artista Leong Fei In concluiu o mestrado em Artes Visuais na University of the Arts London, em 2016. O seu trabalho abrange técnicas como gravuras, livros, esculturas de papel e instalações, através das quais explora temas como espaço, memória e tensão. As exposições a solo incluem “In between”, em Kyoto no ano de 2017, ou “The Weight of Context” na AFA, em 2018.

O artista Zhang Xinjun nasceu em Zhengzhou, Henan. Terminou a formação na Academia de Belas Artes de Sichuan em 2005, e na Academia Central de Belas Artes em 2009. “Mine”, na Alemanha, ou “Hou Zhairen not surnamed Hou”, em Pequim, são exemplos de exposições a solo. Salomé Fernandes – Macau in “Hoje Macau”


quinta-feira, 19 de novembro de 2020

Macau - Olhar e não ver, por Alice Kok

“Como é que vemos as coisas? O que é que é verdade? O que é que é mentira? Que significado atribuímos às coisas que vemos?”. É a estas perguntas que Alice Kok quer tentar dar resposta com a exposição “A Way To Exist, Away To Exist”, que é inaugurada na AFA este sábado. A artista esconde a natureza atrás de pixéis, deixa apenas o que é fabricado pelo homem a olho nu e projecta ainda o futuro que está escondido atrás de tapumes

É inaugurada este sábado “A Way To Exist, Away To Exist”. A exposição individual de Alice Kok mantém-se no Tak Chun Macau Art Garden até ao dia 18 de Dezembro. Aqui, a presidente da Art For All Society (AFA) quer analisar a forma como aquilo que vemos altera a nossa existência.

A ideia da exposição tem a ver “com a forma como vemos a realidade, a forma como existimos dentro da nossa própria realidade”, explicou Alice Kok ao Ponto Final. O foco de “A Way To Exist, Away To Exist” recai sobre três perguntas: “Como é que vemos as coisas? O que é que é verdade? O que é que é mentira? Que significado atribuímos às coisas que vemos?”.

Para tentar dar uma resposta às questões, a artista apresenta fotografias que conjugam elementos humanos ou produzidos pelo homem e elementos de natureza. Mas com uma nuance: os elementos de natureza aparecem censurados e pixelizados. “É olhar sem ver”, resume.

Mas a exposição não vive apenas de imagens pixelizadas. Na AFA, Alice mostra também uma série de fotografias de locais em construção tapados por tapumes e onde é apresentada uma previsão daquilo que será possível ver depois de terminadas as obras. “É projectado um futuro na comunidade e no espectador. É-nos dado a ver que supostamente ficará melhor”, assinala.

Para esta série, a ideia veio directamente do Tibete, território ao qual Alice Kok também tem ligação. “No ano passado, eu já sabia que ia ter esta exposição, então, quando estava no Tibete, comecei a tirar fotografias que também vão ser mostradas aqui na exposição em forma de postais”, indica, acrescentando: “Normalmente, as pessoas vão ao Tibete pelas paisagens lindas, tiram fotografias e já está. Mas, quando estava no Tibete, vi que as paisagens lindas estavam a ser transformadas em estruturas criadas pelo homem, como hotéis, infraestruturas ou locais de exploração de recursos naturais”. “Eles cercam um lago para que haja uma intervenção, depois imprimem uma imagem do lago e colam no tapume. Não vemos o lago, mas vemos uma imagem do lado”, descreve.

Essa transformação da paisagem tibetana fez Alice Kok olhar também para Macau. “Claro que em Macau também há muito disso, até porque Macau é a terra em construção. Eu fui aos sítios onde estão a ser construídos casinos e hotéis e eles também põem os tapumes e mostram imagens de pessoas em centros comerciais, às compras e a comer em restaurantes finos”, exemplifica, notando: “Esta é a realidade que é dada às pessoas de Macau. Nós esperamos que esse seja o nosso futuro ou até o presente”.

Na exposição que vai estar na AFA, Alice mostra as imagens da realidade tapada e do futuro projectado nos tapumes “para revelar o absurdo daquilo que nos está a ser apresentado, as coisas para as quais olhamos mas não vemos”.

A exposição conta ainda com uma instalação em vídeo. A artista explica: “Construímos uma sala com um espelho bidireccional. Quando entramos nesta sala, vemos o grande espelho. E, da parte de fora da sala, as pessoas podem observar o que está lá dentro, mas, quando estamos lá dentro, não vemos para fora”. “A ideia é a de uma sala de interrogatório. Quando estamos lá dentro sentimos que estamos a ser observados de fora”, diz.

No interior da sala, Alice Kok colocou um trabalho em vídeo que mostra confissões anónimas de sonhos: “Convidei pessoas que conheço para virem ao meu estúdio e para me contarem algum sonho que tenham tido ou um sonho recorrente. Então, eu faço entrevistas com essas pessoas, e pixelizo as imagens, como numa reportagem, para que elas se mantenham anónimos”. Não só a imagem está censurada, como a voz está descaracterizada. Lá dentro, é possível ver os vídeos das descrições dos sonhos, mas o que vê está também a ser visto. Através de uma câmara de videovigilância, as imagens das pessoas na sala são também transmitidas para o exterior. André Vinagre – Macau in “Jornal Tribuna de Macau”

 

andrevinagre.pontofinal@gmail.com