Pintura Arq. Eduardo Moreira Santos, Lx (28.08.1904 - 23.04.1992)

sábado, 2 de dezembro de 2023

Um grande poeta não morre

Alberto da Costa e Silva falece aos 92 anos, mas seus versos e livros ficam para sempre

                                                                                                    

                                                                    I

A um tempo em que a carreira diplomática atraía muitos homens de letras e de alta cultura, Alberto da Costa e Silva (1931-2023), que nos deixou há poucos dias, foi um símbolo dessa época. Poeta de fina sensibilidade, ensaísta, memorialista e historiador, notabilizou-se especialmente como africanólogo, depois do lançamento de A Enxada e a Lança: a África antes dos portugueses (Rio de Janeiro, Nova Fronteira, 1992), livro fundamental para quem quiser conhecer a história daquele continente, em que descreve povos e etnias, técnicas agrícolas e de navegação, expressões religiosas e artísticas, reinos extintos, cidades desaparecidas, costumes e crenças, línguas e dialetos, construindo “uma obra que já nasceu clássica”, na definição do crítico Wilson Martins (1921-2010).


A sua paixão pelo continente africano, porém, deu-se muitos anos antes, ao longo da primeira etapa de sua carreira diplomática, com a publicação de artigos em revistas e jornais do Rio de Janeiro, São Paulo, Brasília, Recife, Teresina, Lisboa e Madri, cinco dos quais compõem a parte inicial de O Vício da África e outros vícios (Lisboa, Edições João Sá da Costa, 1989), obra que reúne também resenhas de livros e textos sobre pintores e escultores e ainda sobre suas viagens e experiências vividas em sua vida cigana, de embaixada em embaixada.

A nossa aproximação deu-se há exatamente trinta anos, à época em que ele estava encerrando sua passagem por Bogotá como embaixador, depois de sua nomeação para a Embaixada em Assunção. À época, eu havia publicado em A Tribuna, de Santos, uma recensão de A Enxada e a Lança, que, em boa hora, tive a ideia de lhe enviar em forma de fotocópia pelo correio para a Embaixada na Colômbia. Eu estava prestes a seguir para Portugal, com bolsa de doutoramento do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) e da Fundação Calouste Gulbenkian, de Lisboa, a fim de pesquisar e preparar uma tese sobre o poeta Tomás Antônio Gonzaga (1744-1810), e ele, com destino a Assunção, fez questão de parar em São Paulo para que almoçássemos num restaurante e me oferecer alguns exemplares de seus livros (com as devidas dedicatórias). Aproveitou a ocasião para me passar alguns contatos importantes, já que, de 1986 a 1990, havia dirigido a Embaixada em Lisboa.

 

                                                                   II

Desde então, mantivemos esporádicos contatos por correspondência, até porque a Internet nem havia ainda chegado por aqui. Então, à época da defesa de minha tese de doutoramento na Universidade de São Paulo (USP), sugeri ao meu orientador, o professor Massaud Moisés (1928-2018), que o convidasse para fazer parte da banca. De início, modesto, ele relutou em aceitar o convite, alegando que não dispunha de titulação acadêmica, além da graduação em 1957 pelo Instituto Rio Branco, que desde 1945 forma os diplomatas brasileiros, embora tivesse recebido o título de doutor honoris causa em Letras pela Universidade Obafemi Awolowo, na Nigéria, em 1986. Foi, então, que Massaud Moisés lhe respondeu que a Universidade levava em conta principalmente o seu “notório saber”.

Assim, numa tarde de outubro de 1997, Costa e Silva participou da banca, ao lado de Massaud Moisés, do escritor e crítico Fábio Lucas e dos professores Francisco Maciel Silveira (1947-2019) e Lênia Márcia de Medeiros Mongelli, que fora quem me indicara àquele que seria o meu orientador. Mas o ponto alto da defesa de tese foi mesmo a sua participação, com uma oração que encantou por sua fluência aos poucos que tiveram a oportunidade de estar presentes, confirmando a sua fama de orador e declamador impetuoso e erudito.

Entusiasmado, não só aceitou escrever o prefácio como ainda convenceu a Editora Nova Fronteira, do Rio de Janeiro, a publicar, em 1999, a tese, que “não só é uma biografia do autor de Marília de Dirceu, a coleção de poemas líricos mais popular da literatura de língua portuguesa”, mas “um instigante ensaio de história social das Minas Gerais e do Moçambique da segunda metade do século XVIII”, como observou. Por fim, considerou que Gonzaga, um Poeta do Iluminismo, “um livro escrito com o gosto de um jornalista pelo ineditismo e pela surpresa, assenta-se na aplicação e no rigor de um scholar”.

Por iniciativa de Costa e Silva, a Academia Brasileira de Letras (ABL) e a Imprensa Oficial do Estado de São Paulo (Imesp) publicaram, em 2012, Tomás Antônio Gonzaga, estudo biográfico-crítico que escrevi e saiu na coleção Série Essencial, em homenagem ao patrono da cadeira 37 da ABL. De certa forma, graças a Costa e Silva, este livro abriu-me as portas da Imesp e acabei por publicar por aquela editora Direito de Justiça em Terras d´El Rei na São Paulo Colonial (2015), O Reino, a Colônia e o Poder: o governo Lorena na capitania de São Paulo - 1788-1797 (2019) e a edição brasileira de Bocage: o Perfil Perdido (2021). Aliás, por decisão extemporânea de um governador de pouca cultura, essa obra, infelizmente, marcaria o encerramento da Imesp como editora de livros impressos.

 

                                                        III

Nascido na cidade de São Paulo, mas de origem nordestina, tendo passado a infância em Sobral, no Ceará, e a adolescência e juventude no Rio de Janeiro, filho de (Antônio Francisco) Da Costa e Silva (1885-1950), um dos mais importantes poetas brasileiros do início do século XX e nome representativo da Belle Epoque nacional, Costa e Silva, desde menino, sempre foi um exímio orador, que declamava poemas de seu pai e de outros, além de alguns já de sua própria lavra, como recordou o crítico Antônio Carlos Villaça (1928-2005), seu contemporâneo de curso colegial, amigo desde então, no prefácio que escreveu paras As Linhas da Mão (Rio de Janeiro/São Paulo, Difel, 1978). Villaça recordou que, em 1956, no Rio de Janeiro, foram ambos visitar o poeta Manuel Bandeira (1886-1968) em seu apartamento no edifício São Miguel, na avenida Beira-Mar, no bairro da Glória. E que já a essa época Costa e Silva impressionava a todos como declamador.

Como recordou Villaça, o seu livro de estreia foi O Parque, de 1953, que marca o seu retorno depois de uma temporada em Campos do Jordão, onde se recuperara de uma pneumonia e da perda precoce do pai, que morrera em 1950, após vários anos acamado, destino que marcaria sua obra poética para sempre. Dessa época, são os versos do poema “Canção às moças tísicas” em que diz: (...) Ó jovens que caminhais tristonhas como se chorásseis, / ide recolher a inocência das manhãs e das rosas, / antes que soprem do sul os ventos desordenados! Depois desse livro, viriam Alberto carda, fia, doba e cresce (1962), O Tecelão (1962) e Livro de Linhagem (1966), que seriam reunidos em As Linhas da Mão, com cinco sonetos rurais. 

De As Linhas da Mão, é “O Menino a Cavalo”, considerado pelo poeta e crítico José Paulo Paes (1926-1998) “um dos poemas mais bem logrados, jamais escritos em seu gênero, na língua portuguesa”, em que o poeta evoca o pai doente:

A mão do meu pai sobre o papel desenha, / quase num só traço, o menino a cavalo. / Sai de sua mão a mão com que lhe aceno, / e vai sobre o papel o menino a cavalo. (...) / O rosto longo, e só, rasgado pelas rugas, / o olhar a rever o que perpétuo tinha, / e que nunca me disse, em seu pensar cortado / do dia em que vivia (no seu convívio raro / com a cadeira de braços, o pijama, os seus pássaros, / a cinza e a rotina de estar morto, acordado), / no papel ele unia a mão que desenhava / à mão com que acenava ao menino a cavalo, / neste adeus em que estou, desde então, ao seu lado, / o menino que volta, a chorar, a cavalo.

Em seguida, viriam A Roupa no Estendal, o Muro, os Pombos (1981), edição de autor, Consoada (1993), publicado em Bogotá, também edição de autor, Ao lado de Vera (Rio de Janeiro, Nova Fronteira, 1997), Poemas Reunidos (Rio de Janeiro, Nova Fronteira, 2000) e Alberto da Costa e Silva: melhores poemas (São Paulo, Global, 2007), com seleção e o prefácio “A memória acesa como um círio”, de André Seffrin, republicado em O demônio da inquietude (Santarém-Portugal, Rosmarinho Editora de Arte, 2023).

Dessa safra, são ainda Le linee dela mano, tradução italiana de Adelina Aletti e Giuliano Macchi, com estudo da professora Luciana Stegagno Pecchio, publicado em Milão por All´Insegna del Pesce D´Oro, em 1986, e Poemas de Da Costa e Silva e Alberto da Costa e Silva, tradução castelhana e ensaios de Carlos Germán Belli, publicado em Lima pela editora Tierra Brasileña, em 1986.

   

                                                        IV

De espírito incansável, foi extensa a sua obra também como historiador. Além do citado A Enxada e a Lança, que teve reedições em 1996 e 2006, publicou As Relações entre o Brasil e a África Negra, de 1822 à primeira guerra mundial, que, depois de publicado em O Vício da África, saiu em Luanda pela editora Cadernos do Museu Nacional da Escravatura (1996),  A Manilha e o Libambo: a África e a Escravidão, de 1500 a 1700 (Rio de Janeiro, Nova Fronteira, 2002), Um Rio chamado Atlântico: a África no Brasil e o Brasil na África (Rio de Janeiro, Nova Fronteira, 2003), Francisco Félix de Souza, mercador de escravos(Rio de Janeiro, Nova Fronteira, 2004-2012), Das mãos do oleiro (Rio de Janeiro, Nova Fronteira, 2005), Imagens da África: da Antiguidade ao Século XIX, organização e notas (São Paulo, Companhia das Letras, 2012), Um passeio pela África (Rio de Janeiro, Nova Fronteira, 2006), A África explicada aos meus filhos (Rio de Janeiro, Nova Fronteira, 2008-2013) e, por fim, A África e os africanos na história e nos mitos (Rio de Janeiro, Nova Fronteira, 2021).

Como ensaísta nas áreas de História e Literatura, além do citado O Vício da África, publicou Guimarães Rosa, poeta, tradução castelhana de Nora  Ronderos, Bogotá, Centro Colombo-Americano (1992), Mestre Dezinho de Valença do Piauí (Teresina, Fundação Cultural Monsenhor Chaves, 1998), O Pardal na Janela (Rio de Janeiro, Academia Brasileira de Letras, 2002), Castro Alves: um poeta sempre jovem (São Paulo, Companhia das Letras, 2006-2008) e O quadrado amarelo (São Paulo, Imesp, 2009).

No ensaio “As relações entre o Brasil e a África Negra, de 1822 à primeira guerra mundial”, que consta de O Vício da África, o leitor irá encontrar uma defesa do processo de miscigenação e uma exaltação ao “Brasil mulato e tropical”, numa contestação ao conde de Gobineau, ministro da França no Rio de Janeiro entre 1869 e 1870, que condenava as uniões carnais entre brancos, indígenas e negros, que produziriam “nas classes baixas, como nas altas, uma degenerescência do mais triste aspecto”.

Em resposta, diz o ensaísta: “Bem podemos imaginar os desgostos que o diplomata francês experimentaria, ao ter de lidar com os políticos do Império do Brasil, pois alguns dentre eles, e dos mais eminentes, tinham ascendência africana, como o visconde de Jequitinhonha, o visconde de Inhomirim e o barão de Cotegipe, um mestiço que foi chefe de governo, na monarquia, como seriam presidentes da República o caboclo Floriano Peixoto e os mulatos Nilo Peçanha e, se não mentem as fotografias, Campos Sales, Rodrigues Alves e Washington Luiz”.

 

                                                        V

Como memorialista, Costa e Silva publicou Espelho do Príncipe: ficções da memória (Rio de Janeiro, Nova Fronteira, 1994), Invenção do Desenho (Rio de Janeiro, Nova Fronteira, 2007), e O Pai do Menino (edição de autor, 2008), extrato dos dois livros anteriores, com tiragem de 100 exemplares. Organizou e participou de várias antologias.

Por tão extensa obra, merecidamente conquistou o Prêmio Camões de 2014. Já afastado da carreira diplomática e vivendo no Rio de Janeiro, foi eleito para a cadeira de número 9 da Academia Brasileira de Letras, em 27 de julho de 2000, tendo sido presidente de entidade de 2002 a 2003. Em 2004, foi escolhido pela União Brasileira de Escritores (UBE) e pelo jornal Folha de S. Paulo como o Intelectual do Ano, recebendo o Prêmio Juca Pato. Foi também sócio correspondente da Academia das Ciências de Lisboa.

Como diplomata, ocupou relevantes funções em Brasília, tendo servido inicialmente nas embaixadas em Lisboa, Washington, Caracas, Madri e Roma, antes de ser embaixador na Nigéria (1979-1983) e cumulativamente em Cotou, Benin (1981-1983), em Portugal (1986-1990), na Colômbia (1990-1993) e no Paraguai (1993-1995). Em nota a propósito de seu falecimento, o Ministério das Relações Exteriores destacou a sua valiosa e extensa contribuição diplomática que o tornou “um dos artífices da política externa brasileira para a África”.

Viúvo, deixou três filhos, todos vinculados ao Itamaraty – a embaixatriz Elza Maria, casada com embaixador João André Dias Lima, e os embaixadores Antônio Francisco e Pedro Miguel –, sete netos e uma bisneta. Foi casado com Vera Queiroz da Costa e Silva, falecida em 2011, premiada pela tradução de O Mundo se Despedaça (São Paulo, Companhia das Letras, 2009), romance de estreia do nigeriano Chinua Achebe (1930-2013), um dos mais importantes da literatura africana do século XX. A ela, dedicou os versos de Ao lado de Vera. Adelto Gonçalves - Brasil

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Adelto Gonçalves, mestre em Língua Espanhola e Literaturas Espanhola e Hispano-americana e doutor em Letras na área de Literatura Portuguesa pela Universidade de São Paulo (USP), é autor de Gonzaga, um Poeta do Iluminismo (Rio de Janeiro, Nova Fronteira, 1999), Barcelona Brasileira (Lisboa, Nova Arrancada, 1999; São Paulo, Publisher Brasil, 2002), Fernando Pessoa: a Voz de Deus (Santos, Editora da Unisanta, 1997); Bocage – o Perfil Perdido (Lisboa, Editorial Caminho, 2003; São Paulo, Imprensa Oficial do Estado de São Paulo – Imesp, 2021), Tomás Antônio Gonzaga (Imesp/Academia Brasileira de Letras, 2012),  Direito e Justiça em Terras d´El-Rei na São Paulo Colonial (Imesp, 2015), Os Vira-latas da Madrugada (Rio de Janeiro, Livraria José Olympio Editora, 1981; Taubaté-SP, Letra Selvagem, 2015), e O Reino a Colônia e o Poder: o governo Lorena na capitania de São Paulo – 1788-1797 (Imesp, 2019), entre outros. E-mail: marilizadelto@uol.com.br

 


Nações Unidas - Brasil e Timor-Leste avançam no combate à malária, segundo relatório global

Angola, Guiné-Bissau e Moçambique estão entre nações onde se observam altas de casos em comparação com o período pré-pandemia. A publicação anual da OMS sobre a doença alerta sobre crescente ameaça das alterações climáticas

Eventos climáticos extremos impulsionaram a alta significativa no número de casos de malária em todo o mundo no ano passado, segundo a Organização Mundial da Saúde, OMS.

Em nível global foram registados 249 milhões de casos da doença durante o período, em comparação com 244 milhões em 2021. Os dados são do Relatório Mundial sobre a Malária de 2023, lançado nesta quinta-feira em Genebra.

Países de língua portuguesa

A análise destaca que esse total está 16 milhões acima das notificações registadas em 2012, antes da Covid. A África concentra cerca de 94% dos 233 milhões de casos e 95% das 608 mil mortes provocadas pela malária.

No caso dos países lusófonos, o relatório revela que Angola superou em 25% o total de casos e mortes em relação ao período anterior à Covid-19.

O Brasil reduziu a incidência de malária em cerca de 25%, um decréscimo considerado substancial. Foram menos 28 mil casos em comparação com o período pré-pandemia.

A Guiné-Bissau teve um aumento de cerca de 5% em casos. Na mesma região, São Tome e Príncipe atingiu uma taxa de pacientes de malária acima de 55% em relação ao pré-Covid.

Total global de óbitos

Moçambique registou quase 4,2% dos casos em nível global, estando entre os quatro países que juntos concentram quase metade de pacientes de malária no mundo. Já Timor-Leste não registou casos de malária pelo segundo ano consecutivo.

O número global de óbitos no período em análise teve uma queda em comparação com os 610 mil registados em 2021. Os totais ainda superam as 576 mil mortes registadas em 2019.

A OMS apela aos países para que aumentem ações de combate às alterações do clima. A agência aponta as inundações e o aumento da temperatura como razões para uma “tempestade perfeita” de mosquitos, que aumentam os casos de malária.

A publicação que examina a ligação entre as alterações climáticas e a malária revela que as mudanças na temperatura, a humidade e a precipitação influenciaram o comportamento e a sobrevivência do mosquito Anopheles, que transmite a doença.

Redução do acesso aos serviços essenciais

Para o diretor-geral da OMS, Tedros Ghebreyesus, as alterações do clima representam um risco substancial para os progressos no combate à malária, especialmente em regiões vulneráveis.

O chefe da agência da ONU destaca que mais do que nunca é preciso que as respostas sejam sustentáveis e resilientes, juntamente com ações urgentes para abrandar o ritmo do aquecimento global e reduzir os seus efeitos.

Com as variações do clima, esperam-se efeitos indiretos nas tendências da malária como redução do acesso aos serviços essenciais contra a doença e perturbações na cadeia de abastecimento de redes tratadas com inseticida, medicamentos e vacinas.

O relatório destaca que o deslocamento da população devido a fatores induzidos pelo clima também pode levar a uma alta de casos da malária, à medida que pessoas sem imunidade migrem para áreas endêmicas.

Vacinas contra a malária recomendadas pela OMS

O relatório também cita realizações tais como a implementação faseada em três países africanos da primeira vacina contra a malária recomendada pela OMS, a Rts,s/AS01.

A redução de casos foi substancial e a queda nas mortes chegou a 13% na primeira infância em todas as causas nas áreas onde a vacina foi administrada em comparação com áreas onde não houve o tipo de imunização.

Os avanços no combate à malária estenderam-se às áreas onde foram implementadas intervenções como distribuição de redes, pulverização com inseticidas dentro das casas e outras medidas relacionadas à saúde infantil.

Em outubro, a OMS adotou a vacina R21/Matrix-M. a expectativa é que a aplicação dos dois imunizantes aumente a oferta e seja possível alargar a distribuição na África.

No total, 34 países reportaram menos de mil casos de malária, em comparação com apenas 13 nações no ano 2000. O total revela avanços na eliminação. Este ano, Azerbaijão, Belize e Tajiquistão foram declarados livres da malária. ONU News – Nações Unidas


Cabo Verde - June Freedom acaba de lançar novo álbum “7 SEAS”

O artista afropop alternativo June Freedom acaba de lançar, nas plataformas digitais, o seu mais novo álbum “7 SEAS”. Com este lançamento, o artista tem agendado um tour em Janeiro de 2024, pela Europa

O artista estará em Portugal, em Fevereiro de 2024, para concertos em Lisboa e no Porto. Recentemente esteve em Portugal, com uma participação especial no concerto de Kriol Kings (Nelson Freitas & Djodje), a 8 de Abril de 2023, no Campo Pequeno, em Lisboa.

Nascido nos Estados Unidos e com raízes cabo-verdianas, o músico prepara este trabalho com o selo da Empire, editora com quem assinou recentemente.

A editora promete uma revolução sonora com este álbum de June Freedom. “Preparem-se para um momento sísmico que promete incendiar o cenário musical global com a estrela da fusão afro, June Freedom”.

Conforme a mesma fonte, hoje em dia, June Freedom já não é apenas um nome. É um fenómeno que ecoa nos corredores dos principais meios de comunicação, incluindo Rolling Stone, Billboard, Audiomack e Time Out.

Nascido no coração pulsante de Boston e criado nos ritmos vibrantes de Cabo Verde, o talento artístico e visionário sonoro de June Freedom acumulou impressionantes 1,6 milhões de ouvintes mensais apenas no Spotify.

A sua trajetória de sucesso atinge novos patamares, coroados pela sua capa digital no Tidal Rising, solidificando a sua posição como uma força a ser reconhecida no cenário internacional. Recém-saído da tournée americana da estrela global Tiwa Savage, June Freedom está preparado para conquistar o mundo.

Álbum

Conforme a editora, o álbum é um clássico inovador em formação, que faz uma fusão magistral de alta estima da moda e espírito rebelde que promete ressoar globalmente, transcendendo géneros e cativando os corações dos entusiastas da música em todo o mundo.

“É uma declaração de liberdade artística e um apelo para abraçar a riqueza da diversidade cultural com a sua mistura inerente de formas musicais americanas e afro-latinas. Neste disco, June Freedom liberta-se das restrições da indústria, fundindo Alt-Pop, Worldbeat, Zouk/Kizomba, R&B e Afro-soul, ao mesmo tempo que extrai notas influentes e inspiração da sua herança cabo-verdiana”, indica.

A mesma fonte acrescentou que mergulhando nas profundezas sonoras de “7 SEAS”, June Freedom colaborou com uma linha excepcional de produtores, cada um maestro por direito próprio, daqueles que já trabalharam com as maiores estrelas da música a nível mundial.

Música global

A editora frisou que o modo desinibido e inovador como o artista canta realça a mistura cultural que tem absorvido ao longo dos anos. Nascido em Boston, viveu na Ilha do Fogo a maior parte da sua juventude, momento que o próprio define como uma experiência incomparável de amadurecimento, entre a natural comunhão com a natureza e o vigor que advém de viver numa ilha vulcânica.

June é então um artista multicultural e multilingue – cantando em inglês, português, espanhol e crioulo. June emergiu em 2021 como o principal artista inovador do ano em Cabo Verde. A fusão única de sons mundanos de June levou-o ao sucesso com o seu primeiro álbum “Anchor Baby”.

O conjunto da obra foi aclamado pela crítica e evocado pelos cabo-verdianos, em todo o mundo, como um clássico inegável em formação. Ganhar dois Cabo Verde Music Awards na 11ª edição da cerimónia anual exemplificou ainda mais este sentimento intemporal.

June Freedom já conquistou mais de 1,5 milhões de ouvintes mensais do Spotify e mais de 100 milhões de streams em todas as plataformas, um feito que actualmente a marca como artista cabo-verdiano mais ouvido em 2023.

Para a editora, o público de June está a expandir-se sobretudo na Europa e nas Américas. A faixa de destaque “YSL” continua a ser amplificada pelas playlists algorítmicas do Spotify, diversificando amplamente a sua base de fãs nas culturas inglesa, latina e francesa. Dulcina Mendes – Cabo Verde in “Expresso das Ilhas”


sexta-feira, 1 de dezembro de 2023

Brasil - Em busca de biomarcadores para diagnosticar malária placentária

Formas mais eficientes de diagnosticar a doença em gestantes podem ajudar a evitar abortos, partos prematuros e baixo peso ao nascer


Um projeto desenvolvido no Instituto de Ciências Biomédicas (ICB) da USP tem o objetivo de buscar marcadores para o diagnóstico da malária placentária, forma específica de infecção em que o parasita causador da doença se aloja na placenta da gestante. A malária é uma doença parasitária causada pelos protozoários Plasmodium vivax e P. falciparum. É transmitida aos seres humanos através da picada da fêmea infectada do mosquito Anopheles. Porém, ao nascer, os mosquitos não carregam em si os plasmódios. Eles se infectam ao picar uma pessoa já infectada e que não está em tratamento.

A pesquisa é desenvolvida pela pós-doutoranda do ICB Jamille Gregório Dombrowski, bolsista da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp). Segundo ela, o trabalho surgiu da necessidade de busca de formas mais eficientes de diagnosticar a doença em grávidas. “Quando o parasita infecta a gestante e atinge a placenta, o diagnóstico para malária placentária só poderá ser feito no momento do parto. Quando chega a esse ponto, não há muita margem para ação: o bebê já nasceu com baixo peso, ou a mulher teve um aborto, ou um parto prematuro”, explica a pesquisadora. Dessa forma, a pesquisa é focada em identificar novos biomarcadores para diagnosticar a doença ainda durante a gestação.

O projeto Identification of Predictive Biomarkers of Placental Dysfunction in Malaria é desenvolvido junto ao Programa de Pós-Graduação em Biologia da Relação Patógeno-Hospedeiro, sob supervisão do professor Claudio Marinho, do Departamento de Parasitologia do ICB. Durante a última edição do Congresso de Pós-doutorandos da USP, que ocorreu nos dias 17, 18 e 19 de outubro, a pesquisadora recebeu menção honrosa no Prêmio Pós-Doc USP, na categoria Ciências da Saúde. O projeto premiado é fruto de trabalhos anteriores da pesquisadora com a malária durante a gravidez.

Uma consequência adversa grave da malária gestacional, a malária placentária ocorre quando o protozoário causador da doença deixa de circular apenas no sangue periférico e se aloja na placenta da gestante, atingindo também esse órgão. Apesar de não representar todos os casos, a infecção é frequente — estudos mostram que ela pode afetar mais de 50% das gestantes infectadas.

A pós-doutoranda explica a diferença entre os parasitas. O Plasmodium vivax, prevalente aqui no Brasil, não adere ao tecido placentário, ao contrário do Plasmodium falciparum, espécie que gera manifestações mais graves. “O parasita fica aderido ao tecido placentário, o que dificulta a sua eliminação e pode causar um intenso processo inflamatório, o principal motivo dos efeitos adversos que nós observamos nesses quadros.”

Sobre a incidência atual da malária no Brasil, Jamile Dombrowski menciona um estudo publicado pelo grupo na revista Lancet Americas, que apresenta um levantamento realizado entre 2004 e 2018, o qual demonstra que a grande maioria dos casos de malária gestacional no Brasil se concentra na região amazônica. “Sabemos que é uma região com poucos recursos e, apesar de já termos o diagnóstico e o tratamento de forma precoce nas infecções convencionais, estamos observando que ainda há esses efeitos adversos nas gestantes, que representam cerca de 5,8% dos casos de malária entre as mulheres em idade fértil no Brasil”, esclarece.

O diagnóstico funciona de duas maneiras. No caso da malária gestacional, o exame é idêntico ao das pessoas em geral: por microscopia (gota espessa – padrão ouro) através da coleta de sangue por punção digital da paciente. No caso da malária placentária, o exame é feito com a coleta do sangue placentário para análise por microscopia e confirmado por histologia — análise do tecido afetado —, e necessita de um profissional altamente qualificado para realizar a coleta adequada de uma amostra da placenta logo após o parto, conservá-la e analisá-la em laboratório. Há também a opção de diagnóstico por biologia molecular. Esta alternativa, contudo, é inviável nas regiões mais afetadas pela doença, por ser uma técnica de alto custo, que necessita de infraestrutura especializada.

Biomarcadores

Uma possibilidade, investigada pela pesquisadora no trabalho premiado, seria buscar no próprio sangue periférico das gestantes proteínas que indiquem alterações, causadas pela infecção, na formação e desenvolvimento da placenta. O estudo acompanhou 600 mulheres durante todo o período gestacional, concentrando-se na primeira infecção, quando esta ocorre no primeiro ou no segundo trimestre da gravidez. Após coletado o sangue, foi feita a separação do plasma, que foi analisado utilizando técnicas diversas para detecção de biomarcadores. “A ideia, ao final, é encontrar e padronizar um conjunto de biomarcadores que possam ser facilmente mensurados durante os exames de pré-natal, utilizando os equipamentos encontrados na rede pública de saúde, para o diagnóstico precoce das alterações ou lesões placentárias associadas à infecção na gestação”, explica.

Do painel de 30 biomarcadores, já foram obtidos os resultados de 15. O objetivo é reduzir o escopo a uma combinação de até cinco, com base em parâmetros diversificados de alterações e lesões placentárias, e por fim utilizá-los no diagnóstico. A mensuração deve ser concluída até o fim deste ano, e o estudo, até maio do ano que vem.

A pesquisadora destaca a importância das atividades do congresso, que viu como uma oportunidade para “sair da bolha” e conhecer o que outros pós-doutorandos estão fazendo. Sobre as atividades, ela ressalta as que tiveram como tema o financiamento de pesquisa e a mobilidade na carreira. “Foi muito bom ter entendido que a nossa carreira pode seguir por diversos caminhos. Também gostei das apresentações sobre as formas de financiamento de pesquisa no Brasil, e da oportunidade de ouvir, num mesmo ambiente, representantes das principais agências de fomento e canais de financiamento da ciência.” Felipe Parlato – Brasil in “Jornal da Universidade de São Paulo”


China - Oferece documentário sobre a arte arquitectónica chinesa aos canais de televisão dos países de língua portuguesa

Após a entrega no ano passado de três documentários sobre a cultura chinesa, o Comissariado do Ministério dos Negócios Estrangeiros (MNE) da República Popular da China na RAEM voltou a oferecer aos países lusófonos uma produção audiovisual sobre a arte arquitectónica chinesa. Liu Xianfa, comissário do MNE, salientou a sua esperança de partilhar com o público dos países de língua portuguesa a experiência da construção de 40 projectos, incluindo a Ponte do Delta, para reforçar a cooperação sino-lusófona


O Comissariado do Ministério dos Negócios Estrangeiros da República Popular da China na RAEM ofereceu ontem às estações de televisão dos países de língua portuguesa mais um documentário, intitulado “Construção Extraordinária” (1.ª série), na expectativa de “aproveitar melhor a função de Macau enquanto Plataforma Sino-Lusófona” e “acrescentar novas oportunidades à cooperação entre a China e os países de língua portuguesa”.

O documentário “Construção Extraordinária” foi produzido pela China Media Group e pela China State Construction Engineering Corporation, compreendendo seis episódios sobre a construção de infraestruturas na China, bem como a sua arte arquitectónica e a técnica e a tecnologia de construção.

Liu Xianfa, comissário do Ministério dos Negócios Estrangeiros (MNE) da China em Macau, destacou que a selecção este ano do documentário teve como objectivo “partilhar com os telespectadores dos países de língua portuguesa o processo e a experiência da construção de 40 projectos de novos marcos chineses”, incluindo a Ponte Hong Kong-Zhuhai-Macau, que foi inaugurada em 2018, e a Ponte Shenzhen-Zhongshan, cuja construção da linha principal foi concluída ontem, entrando em serviço em Junho do próximo ano.

“Essas grandes obras são o epítome do rápido desenvolvimento da China”, assinalou o comissário, apontando que as construções estabeleceram também “uma sólida base técnica, material e espiritual” para a promoção da cooperação sino-lusófona.

Liu Xianfa destacou ainda que Macau é um lugar onde as culturas chinesa e ocidental se encontram e se misturam, sendo que “as suas vantagens históricas, culturais e linguísticas únicas tornam Macau uma ponte natural entre a China e os países de língua portuguesa”, pelo que o Comissariado continuará a apoiar o intercâmbio e cooperação entre os meios de comunicação social lusófonos e de Macau.

Realizou-se ontem no Estúdio da TDM a respectiva cerimónia de oferta do documentário, sob o tema “Construir em Conjunto um Mundo Moderno através da Divulgação do Espírito de Artesão”, onde Liu Xianfa, comissário do MNE da RPC na RAEM, e Elsie Ao Leong, secretária para os Assuntos Sociais e Cultura, procederam à entrega do documentário, ao Cônsul-Geral da República de Angola na RAEM, Eduardo Velasco Galiano, e ao Cônsul-Geral da República de Moçambique na RAEM, Rafael Custódio Marques.

Na ocasião, Elsie Ao Leong disse esperar que, através do documentário, se exibam “as brilhantes realizações da construção chinesa na nova era”, e “o contributo notável da construção de uma grande nação para a melhoria da qualidade de vida da população e o avanço do bem-estar da civilização humana”.

Já Rafael Custódio Marques saudou a oferta da produção audiovisual e sublinhou que a partilha do conhecimento sobre a China e Moçambique vai contribuir para o aprofundamento do intercâmbio e a compreensão mútua, estando convicto no impulso ainda maior no intercâmbio entre a China e os países de língua portuguesa.

António José de Freitas, presidente do Conselho de Administração da TDM, por sua vez, disse acreditar que a transmissão dos documentários nos países de língua portuguesa “vai certamente permitir-lhes conhecer duma forma mais ampla e profunda o esforço e a luta das autoridades chinesas para o seu desenvolvimento em alta qualidade”, impulsionando activamente o intercâmbio cultural. In “Ponto Final” - Macau


Macau - Praia Grande Edições sem concorrência na Livraria Portuguesa

O Instituto Português do Oriente (IPOR) recebeu apenas uma proposta no concurso para a concessão da Livraria Portuguesa, um número que ficou “aquém das expectativas”, segundo disse a directora, Patrícia Ribeiro, ao Jornal Tribuna de Macau.


Ricardo Pinto, actual gestor do espaço, confirmou que a Praia Grande Edições entregou uma proposta. “Desconheço ainda [que tenha havido apenas uma proposta]. Obviamente, manifestámos interesse em continuar a fazer a gestão da Livraria, o que temos vindo a fazer já há 12 anos e com enorme prazer, e, entretanto, se de facto se confirmar que existe apenas uma proposta e que é a nossa, diria que ficamos muito contentes por poder continuar a prestar esse serviço e a ter o prazer -que é mesmo um prazer para nós – de fazer a gestão da Livraria”, afirmou Ricardo Pinto, em declarações a este jornal.

O actual contrato, celebrado em Abril de 2011 com a Praia Grande Edições, termina a 31 de Março de 2024, depois de em 2021 ter sido prolongado por dois anos, devido à pandemia. Desejando manter a Livraria num regime semelhante, o IPOR pretendia, com o concurso, “encontrar um parceiro que, compreendendo os objectivos da Livraria Portuguesa, não só os cumpra plenamente, como desenvolva estratégias de projecção da língua e da leitura na Região”. In “Jornal Tribuna de Macau” - Macau


UCCLA - Lançamento do livro “A Revolução Angolana no Século XXI” de Ruy Blanes

Um estudo sobre o estado da democracia em Angola pós-independência e em particular no pós-guerra é o que nos apresenta o antropólogo Rui Blanes na sua obra “A Revolução Angolana no Século XXI”, que será lançada no dia 6 de dezembro, às 18h30, no auditório da UCCLA.

A obra tem a chancela da Tinta-da-china e será apresentada por Sedrick de Carvalho.


O lançamento será transmitido, em direto, através da página do Facebook da UCCLA em:

https://www.facebook.com/UniaodasCidadesCapitaisLinguaPortuguesa

Sinopse:

A Revolução Angolana no Século XXI é um estudo sobre o estado da democracia na Angola pós independência e em particular pós-guerra, a partir da trajectória que a ideia de «revolução» teve no país, da implantação de uma República Popular em Novembro de 1975 à passagem para uma «democracia social» na década de 1990, e posterior transição para o pós guerra. Questiona-se a “extensão” da democracia através da (im)possibilidade de existência de dissidências políticas cívicas.

O eixo central desta análise é a emergência, em 2011, do movimento conhecido em Angola como «Revú», que testou a reacção do regime do MPLA à mobilização da sociedade civil, culminando no chamado «Processo 15+2», em que um grupo de activistas foi detido e acusado de tentativa de golpe de Estado. Através da história dos revús em Angola, o livro também procura entender e dar voz à dissidência política dos últimos anos, num quadro de reflexão sobre práxis política e democracia efectiva e/ou simulada nos dias de hoje.

Biografia do autor:

Ruy Llera Blanes é um antropólogo com vasta trajectória de investigação em Angola, onde pesquisou e escreveu sobre movimentos religiosos, memória e património, ambiente e crise climática, e mais recentemente sobre sociedade civil, activismos políticos e direitos humanos no país. É autor do livro A Prophetic Trajectory (2014), sobre a chamada Igreja Tokoista. Actualmente, é investigador do CRIA – Centro em Rede de Investigação em Antropologia, no ISCTE IUL, e do laboratório In2Past. Foi investigador e professor no Instituto de Ciências Sociais (Portugal), na Universidade de Bergen (Noruega), no Instituto de Ciências do Património do CSIC (Espanha) e na Escola de Estudos Globais da Universidade de Gotemburgo (Suécia).