Pintura Arq. Eduardo Moreira Santos, Lx (28.08.1904 - 23.04.1992)

terça-feira, 4 de outubro de 2022

UCCLA - Vai receber concerto de André Rio & Convidados



Os sons brasileiros vão ecoar bem alto com o concerto de André Rio & Convidados - Tour Viva Pernambuco 2022, com a participação especial de Mónica Ferraz e Luciano Magno - no dia 13 de outubro, a partir das 20 horas, no auditório da UCCLA.

Os bilhetes têm o valor de 10€ e poderão ser comprados no local. Reservas através do email carmen.frade@uccla.pt.

André Rio:

A trajetória do cantor e compositor pernambucano André Rio começou cedo. Neto, filho, sobrinho e irmão de músicos, aos 7 anos, cantava em festivais estudantis e aos 17 anos já era um intérprete consagrado dos festivais de Pernambuco. O primeiro disco chegou em 1990, com grande influência da mpb e fez muito sucesso nas rádios.

O LP "André Rio e a banda modelo do meu terno" trouxe composições próprias e de seus parceiros, revelando, assim, o talento e a veia poética do cantor. No mesmo ano, André, também, lançou o compacto de frevo "Queimando a massa" para o carnaval. Em 1994, o artista gravou seu segundo disco: "Presença", que contou com vários destaques, entre eles a música "Sou teu amor", que virou nome de bloco na semana pré-carnavalesca de 1995, trazendo como atrações André Rio e Daniela Mercury. O projeto era ousado, mas a missão foi cumprida - André levou o frevo com todas as suas nuances para cima do trio elétrico e hoje é um dos expoentes do Galo da Madrugada e do carnaval pernambucano.

A diversidade do repertório tem conquistado um público cada vez maior fora do brasil. Em 2000, 2001 e 2002, André alçou novos voos. Seguiu para a Europa com vários projetos musicais, todos voltados para a valorização e propagação da cultura pernambucana.

Conheça a biografia de André Rio através da ligação:

https://www.andrerio.com.br/biografia

Páginas:

https://www.andrerio.com.br/  

https://www.facebook.com/andre.rio.338

https://www.instagram.com/andreriooficial/


 

Portugal - Descobertos desenhos inéditos que oferecem um novo olhar sobre a construção do Jardim Botânico da Universidade de Coimbra


No ano em que se celebram os 250 anos da reforma pombalina da Universidade de Coimbra (UC), o Departamento de Ciências da Vida (DCV) da Faculdade de Ciências e Tecnologia da UC (FCTUC) dá a conhecer uma coleção de 40 desenhos do Jardim Botânico da Universidade (JBUC), 35 dos quais inéditos, abrangendo um arco temporal de 200 anos.

Os 35 desenhos inéditos da coleção, que fica hoje disponível num catálogo em formato ebook produzido pelo Departamento de Ciências da Vida da FCTUC e editado pela Imprensa da Universidade, foram descobertos em finais de 2021. Ana Margarida Dias da Silva, responsável pelo arquivo do DCV, conta que «vários rolos mal-acondicionados e com muito pó, dispostos em prateleiras no extremo do depósito da biblioteca de botânica (no sótão do edifício de S. Bento), chamaram a nossa atenção. Desenrolados com todo o cuidado, foram revelando, um após outro e perante a nossa surpresa e alegria, desenhos para nós desconhecidos e de notória antiguidade».

Após uma limpeza superficial dos achados, prossegue, «um olhar mais atento revelou plantas do Jardim Botânico, bem como plantas e alçados de muros, escadarias, gradeamentos e estufas. Intuímos do seu interesse, mas era urgente investigar datas, autorias, descobrir como tinham ido ali parar e, acima de tudo, se eram, realmente, inéditos».

Foram então consultadas as obras de referência sobre o Jardim Botânico e sobre a reforma pombalina da UC e verificou-se que, «para além dos cinco desenhos do Jardim Botânico pertencentes ao DCV e já conhecidos, não existia nenhuma referência aos desenhos descobertos», nota Ana Margarida Dias da Silva.


Segundo a responsável, a coleção agora tornada pública, e que conta com nomes como Macomboa, José do Couto, Neves e Mello e Cottinelli Telmo, fornece «um novo olhar sobre o processo de construção do JBUC, as soluções arquitetónicas projetadas e as realizadas, no diálogo entre as componentes artística e científica». Espera que «contribua para o melhor conhecimento e novas leituras sobre o que foi idealizado e/ou projetado, o que foi aprovado e o que foi, efetivamente, construído, moldando o Jardim Botânico que hoje conhecemos, simultaneamente espaço de ciência, coleção biológica e um espaço emblemático da Universidade e da cidade de Coimbra».

Os desenhos descobertos revelam ter sido «documentos de trabalho com anotações a lápis, que mostram hesitações e alterações e que ficavam guardados na “gaveta do jardineiro”. Alguns desses desenhos avulsos são reveladores de projetos nunca concretizados ou muito modificados na sua execução. Na verdade, o carácter utilitário destas peças desenhadas poderia ter ditado a sua eliminação, finda a concretização da obra ou a rejeição do projeto», finaliza a especialista da FCTUC.

Por seu lado, o diretor do Departamento de Ciências da Vida, Miguel Pardal, afirma que, «ciente do valor e importância da coleção, o DCV assumiu, desde o primeiro momento, o financiamento do restauro e da digitalização dos desenhos, de forma a garantir a sua preservação e disponibilização para estudos futuros».

O “Catálogo dos desenhos do Jardim Botânico da Universidade de Coimbra. Coleção do Departamento de Ciências da Vida (séculos XVIII a XX)” reúne a totalidade dos desenhos do JBUC pertencentes ao DCV, incluindo os cinco já conhecidos e 35 inéditos (três desenhos do século XVIII, 27 do século XIX e 10 do século XX). As autoras da obra, Ana Margarida Dias da Silva e Maria Teresa Gonçalves, pretendem também disponibilizar online, em acesso aberto, fontes iconográficas essenciais para o estudo da construção e das soluções arquitetónicas escolhidas para o Jardim Botânico. Universidade de Coimbra - Portugal




 

segunda-feira, 3 de outubro de 2022

Portugal - Nova biografia no centenário de Saramago revela episódios inéditos do Nobel

No ano do centenário de José Saramago, chega às livrarias uma nova biografia do escritor, que revela episódios inéditos da vida do serralheiro que assumiu um compromisso com o ofício da escrita e chegou a Prémio Nobel da Literatura.

“As 7 vidas de José Saramago” é o título desta monumental biografia, de 752 páginas, escrita pelo ensaísta Miguel Real e a encenadora Filomena Oliveira, com trabalho feito sobre obras saramaguianas, que “mergulharam nos arquivos do escritor” para contar a sua história de vida, revela a editora Companhia das Letras.

O resultado é, nas palavras da editora, um relato empolgante, rigoroso e com muitas histórias inéditas, da vida íntima de um “homem universal”, que na juventude pediu um empréstimo de 300 escudos para comprar livros e, como não tinha estante em casa, guardou-os num armário da cozinha.

Este é um dos episódios pouco conhecidos da vida de José Saramago que são contados nesta biografia, que percorre as “7 vidas de José Saramago”, desde a infância na Azinhaga à consagração em Estocolmo, e descreve como o Nobel da Literatura português começou como um “menino pobre numa Lisboa hostil de que se sentia excluído em todos os aspetos”, e decidiu derrubar todas as suas muralhas, criando a “Josephville”, cidade ideal que o escritor descreveu numa crónica em 1968, por contraposição à cidade real.

Da sua infância fica também a saber-se que o nome Saramago, com que se consagraria, resulta de um engano do funcionário do Registo Civil (que o escritor retrataria como um bêbado), que o registou com o apelido pelo qual a família era conhecida na Golegã e na Azinhaga – os Saramago – em vez de Sousa.

Só quando foi matriculado na escola é que os pais descobriram, o que obrigou o pai a mudar o próprio nome para corresponder ao do filho.

Foi também na infância, após a morte do irmão Francisco, que viveu a experiência traumática de ser abusado sexualmente por um grupo de rapazes, um episódio relatado na biografia, através das próprias palavras do escritor.

Ancorados nessa Josephville criada por Saramago, Miguel Real e Filomena Oliveira contam simultaneamente a história de José Saramago e de um outro século XX português: torna-se serralheiro e autodidata, será escritor, encontrará formas de ocupar o espaço social, cultural e político que lhe permitirá operar a revolução que idealizou e em que crê obstinadamente, o que levará a criar obras como “Memorial do Convento”, “O evangelho segundo Jesus Cristo”, e “Ensaio sobre a cegueira”.

De 1992 para 1998, ano em que foi distinguido pela academia sueca, Saramago vê a sua “almejada Josephville transformar-se num mundo que o celebra e ao seu trabalho”.

Em 1994 – este é outro dos episódios reproduzidos na biografia -, Saramago fez um pacto com o escritor brasileiro Jorge Amado: dos dois, o que ganhasse o Prémio Nobel convidaria o outro para a cerimónia oficial. O autor brasileiro escreveu a Saramago dizendo que tinha informação fidedigna de que António Lobo Antunes seria o vencedor nesse ano, mas, afinal, a distinção acabaria atribuída ao japonês Kenzaburō Ōe.

A miséria do campo, a migração para a capital, a sujeição social a que a pobreza obriga, o percurso profissional e ideológico, o compromisso com a escrita, o autodidatismo, a vida amorosa, o fracasso do primeiro romance, a direção do DN e o episódio do saneamento de jornalistas, a censura ao “Evangelho segundo Jesus Cristo”, a ida para Lanzarote e o Nobel são alguns dos momentos chave relatados nesta obra.

“As 7 vidas de José Saramago” está dividida em sete capítulos que descrevem as diferentes fases da vida do escritor, a primeira das quais centrada no “camponês urbano”, que veio para Lisboa aos dois anos, e cuja personalidade ficou mais marcada pelas memórias da infância e adolescência na Azinhaga e na casa dos avós maternos, com a lezíria, os animais e os pequenos hábitos domésticos, do que no ambiente citadino e mais rigoroso, com a severidade do pai, o pouco afeto da mãe e as casas repartidas.

A “segunda vida” é a de “pequeno burguês realizado e escritor falhado” e versa sobre a totalidade das décadas de 1940 e 1950, de aluno na Escola Industrial a serralheiro no Hospital de São José e empregado de escritório em duas Caixas de Previdência, buscando uma ascensão social (sai de casa dos pais, casa e tem uma filha) e estética (com a descoberta de Pessoa e a obsessão pela escrita). Este período é marcado pelos seus primeiros fracassos editoriais.

A “terceira vida” é a de editor, corresponde à década de 1960 e versa sobre o trabalho de Saramago como editor na Editorial Estúdios Cor, tornando o seu nome publicamente conhecido do meio intelectual, enquanto a “quarta vida” é a de “Saramago jornalista”, e abrange os primeiros anos de 1970, quando é convidado a escrever crónicas no jornal A Capital, se divorcia de Ilda Reis, se apaixona por Isabel da Nóbrega, despede-se conflitualmente da Estúdios Cor, prossegue as traduções e sente-se feliz, porque pela primeira vez na sua vida, com 50 anos, tem tempo para escrever.

A “quinta vida”, a de escritor português, aborda a década de 1980 e, no todo do seu percurso, corresponde à conquista da “cidade” – a realização plena como escritor português e o lançamento da sua obra ao nível internacional, o que conduz à sua “sexta vida”, a de escritor internacional, estatuto que assume a partir de 1991, abandonando as temáticas portuguesas e centrando-se na análise da natureza humana, numa altura em que já estava com Pilar del Rio e em que se muda para Lanzarote.

O último capítulo da biografia, correspondente à “sétima vida” do escritor, debruça-se sobre “Saramago, ele próprio” e acompanha a sua vida desde 1998, ano em que recebe o Nobel e em que se sente plenamente realizado como escritor e cidadão do mundo, até 2010, ano da sua morte.

José Saramago nasceu a 16 de novembro de 1922. In “Mundo Lusíada” – Brasil com “Lusa”


Macau - Os problemas de identidade e as fragilidades das comunidades macaense e portuguesa

As rápidas alterações que têm ocorrido em Macau nos últimos anos estão a fazer com que as comunidades macaense e portuguesa estejam a sofrer crises de identidade, dizem Carlos Piteira e Vanessa Amaro. Os dois investigadores vão participar num seminário organizado pela Universidade de São José e o Instituto do Oriente do ISCSP-ULisboa. Carlos Piteira, que se foca na comunidade macaense, diz que “Macau está fragilizada e, se Macau está fragilizada, os macaenses também estão fragilizados”. Vanessa Amaro aborda “a crise” dos portugueses, que encaram as mudanças em Macau com “uma certa mágoa”.

Confrontadas com as rápidas alterações que têm ocorrido em Macau nos últimos anos, as comunidades portuguesa e macaense parecem estar a sofrer de uma crise de identidade. A ideia é partilhada por Carlos Piteira e Vanessa Amaro, que vão participar num seminário da série “Bridges” (pontes, na tradução para português), do Xavier Research Centre for Memory and Identity, da Universidade de São José (USJ), organizado em conjunto com o Instituto do Oriente do ISCSP-ULisboa.

O objectivo da iniciativa é “estimular o intercâmbio intelectual entre académicos em Macau (China) e Portugal sobre temas relacionados com a sustentabilidade cultural”, diz a organização, acrescentando que este ano as sessões centram-se em três conceitos-chave: identidade, transições e poder.

Vanessa Amaro vai abordar os problemas da comunidade portuguesa ao longo dos últimos dez anos, com uma intervenção que tem como título “O que se segue para a nossa ‘mobília’? Revisitando o papel da comunidade portuguesa na RAEM na última década”. Já Carlos Piteira vai focar a sua intervenção na comunidade macaense, com uma intervenção intitulada “Fragilidades da Identidade Macaense: Reflexão sobre o tema”.

O desalento sentido pela comunidade portuguesa

Vanessa Amaro, investigadora e professora do Centro de Estudos Portugueses da Universidade Politécnica de Macau (UPM), fala sobre a “mobília” de Macau, metáfora usada para falar sobre a comunidade portuguesa no território. Na sua intervenção, irá actualizar os dados recolhidos entre 2012 e 2015 no âmbito da sua tese de doutoramento, quando falou com 60 portugueses a viver em Macau para perceber quais os desejos e aspirações da comunidade na região.

“Tenho feito uma retrospectiva, tenho revisto os dados recolhidos naquele período e agora estou a voltar a falar com as pessoas e a perguntar o que é que aconteceu com elas nos últimos dez anos, o que aconteceu em Macau, etc”, explica a investigadora em declarações ao Ponto Final, acrescentando que a ideia é “tentar situar qual o lugar da comunidade portuguesa em Macau”. Até porque este “é um momento crítico de transformação da comunidade; há um certo esvaziamento na comunidade e é altura de reflexão sobre o futuro, sobre qual o papel dos portugueses, sobre o que é que podem fazer”.

A primeira constatação a que chegou depois de tentar contactar aqueles que tinha contactado há dez anos foi de que cerca de 60% das pessoas já não vivem em Macau. Vanessa Amaro dá o exemplo de um dos entrevistados que, em 2014 tinha garantido que não iria sair de Macau nem depois de se reformar. Porém, hoje já não vive no território.

Além disso, há um sentimento de mágoa e desalento: “O mais comum é as pessoas que foram embora dizerem que viraram a página. Encerraram, não querem falar sobre Macau e nem sequer sentem saudades, porque a Macau de que eles têm saudades já não existe e não vai voltar a existir nunca mais”. Por outro lado, há um sentimento de perda de influência por parte da comunidade portuguesa em Macau, menos apoio das autoridades, menos médicos portugueses, por exemplo. “Há uma certa mágoa”, sublinha Vanessa Amaro. A investigadora assinala que alguns dos portugueses que abandonaram a região sentiram-se “empurrados” dadas as transformações no território.

Outra característica em comum entre os portugueses que saíram da região nos últimos anos é a dificuldade de ajustamento a uma outra realidade. “Tendem a formar grupos de amigos e de pessoas que viveram em algum momento em Macau. As pessoas saem de Macau, mas Macau não sai delas”, frisa.

Estará a comunidade a sentir uma crise identitária? “Acho que sim. Tem tudo a ver com essas condicionantes, estas pequenas relações com o poder que se vão perdendo, deve-se ao facto de os portugueses não saberem qual é que deve ser o seu papel em Macau neste momento”, responde a investigadora, concluindo que “este esvaziamento da comunidade traz muita fragilidade”.

As fragilidades da comunidade macaense

É precisamente sobre fragilidades que Carlos Piteira vai falar neste seminário. Neste caso, as fragilidades da comunidade macaense que acompanham as fragilidades e as novas configurações de Macau. Mas “fragilidade é diferente de fraqueza”, ressalva o antropólogo e investigador do Instituto do Oriente do ISCSP-ULisboa.

“Esse conceito de fragilidade da comunidade e do grupo étnico dos macaenses tem a ver com a própria fragilidade de Macau. Macau é que se encontra num processo de fragilização relativamente àquilo que quer ser no futuro. Macau está à procura do seu enquadramento nesta nova realidade que é a RAEM e das dinâmicas do seu processo de integração na República Popular da China, nomeadamente com os grandes desafios da Grande Baía, Faixa e Rota, e os pressupostos que isso traz no reenquadramento do papel de Macau enquanto núcleo dessa abordagem”, explica o investigador ao Ponto Final.

“O processo [de integração de Macau na República Popular da China] era para ser lento, gradual, integrativo e se calhar com menos convulsões até 2049. Não tem sido assim. Essa é a questão central, um ponto de ruptura que leva Macau a estar também fragilizado”, nota.

Assim, diz, esta fragilidade é também transportada para a comunidade macaense enquanto etnia. “A fragilidade da identidade dos macaenses está inserida na própria fragilidade da identidade da Macau do futuro”, sublinha. “O que é que Macau vai ser? Qual o seu modo de vida? Aqui é que Macau está fragilizada e, se Macau está fragilizada, os macaenses também estão fragilizados. Vão ter de se reinventar neste novo processo”, aponta o investigador.

“Como é que acha que os macaenses se vão integrar numa nova configuração? Há factores que vão pesar”, diz, dando o exemplo do modo de vida: “O modo de vida da RAEM não é o mesmo que o modo de vida de Macau, durante a governação portuguesa e com aspectos de ligação muito mais directa das lógicas de relacionamento”. Outro aspecto que poderá alterar o futuro de Macau, e consequentemente dos macaenses, é a estrutura populacional da região. “Cada vez menos portugueses, cada vez menos macaenses e cada vez mais chineses”, aponta.

Finalmente, há as mudanças na “ligação da comunidade à portugalidade”. “Há os macaenses que nasceram em Macau até 74, em território português sob administração portuguesa; de 74 a 99 nasceram em território chinês sob administração portuguesa; e depois de 99 nascem em território chinês sob administração chinesa. Os nossos futuros filhos de macaenses vão nascer numa condição territorial, política, jurídica, diferente daquela que foi o nosso processo anterior. Isto é um facto inevitável e isso vai-lhes dar um enquadramento do ponto de vista político-jurídico completamente diferente do que foi a das gerações anteriores”.

Carlos Piteira abordou a proposta de Lok Po, representante de Macau na Assembleia Popular Nacional que defendeu que a comunidade macaense deveria ser integrada na família de etnias chinesas. O antropólogo diz que a proposta “não faz sentido do ponto de vista da essência da comunidade macaense”, já que a comunidade “é um grupo distinto de origem miscigenada e com todo um processo em que basicamente se afirmaram como luso-asiáticos”. André Vinagre – Macau in “Ponto Final”

 

Portugal - Investigação do i3S sobre cancro da mama metastático vence bolsa LPCC/Ausonia

Projeto a desenvolver no quadro do Porto Comprehensive Cancer Center Raquel Seruca visa melhorar o diagnóstico, tratamento e prevenção da doença metastática


A Liga Portuguesa Contra o Cancro (LPCC), em conjunto com a Ausonia, distinguiu recentemente, com uma bolsa de 13.500 euros, um projeto em cancro da mama metastático liderado pela investigadora Joana Paredes, do Instituto de Investigação e Inovação em Saúde da Universidade do Porto (i3S).

O projeto, que será realizado através de uma colaboração entre equipas de investigação do i3S e do IPO-Porto, no contexto do Porto Comprehensive Cancer Center Raquel Seruca (P.CCC), tem como principais objetivos encontrar novas formas de diagnóstico precoce da doença metastática, aplicar terapias personalizadas e conseguir prever recidivas.

Nas biópsias líquidas (sangue) de doentes com cancro da mama avançado e com mau prognóstico encontram-se pequenos agregados de células tumorais circulantes (CTCs), que têm um grande potencial metastático. O isolamento destes agregados a partir do sangue de doentes e o seu estudo aprofundado, torna-se, por isso, absolutamente crucial para investigar a progressão da doença e dar infomação útil para o tratamento personalizado das doentes.

Com este financiamento, explica Joana Paredes, líder do grupo «Cancer Metastasis» do i3S, “pretendemos desenvolver um método confiável e eficaz para a captura e análise de agregados de CTCs em biópsias líquidas de doentes com cancro da mama metastático”. Para isso, acrescenta, “vamos utilizar uma tecnologia de classificação automática de células baseada em imagem, que combina microeletrónica e microfluídica numa plataforma altamente automatizada”.

“O nosso objetivo é desenvolver e otimizar uma pipeline para capturar CTCs (isoladas ou em agregados) de amostras de sangue humano e, posteriormente, avaliar sua adequação para ensaios de caracterização molecular e de alta resolução”, adianta ainda a investigadora.

Esta proposta, sublinha Joana Paredes, “terá um impacto científico, tecnológico e clínico notável: permitirá melhorar a nossa compreensão de como os tumores de mama disseminam e metastatizam, acelerar o desenvolvimento de novas ferramentas de diagnóstico e prognóstico precoce, identificar biomarcadores de agregados de CTCs e estabelecer as bases para encontrar potenciais abordagens terapêuticas inovadoras para os agregados de CTCs”.

Para além da investigadora que lidera o projeto, fazem também parte da equipa as investigadoras do i3S Sofia Fernandes e Bárbara Sousa. Do lado do IPO-Porto, a equipa é constituída por Carmen Jerónimo, diretora do Centro de Investigação do IPO-Porto (CI-IPOP), pela estudante de doutoramento Carina Carvalho Maia e pelo patologista e investigador Nuno Coimbra.

A bolsa atribuída à equipa do i3S foi uma das duas atribuídas no âmbito da 4.º edição das Bolsas de Investigação em Oncologia LPCC/Ausonia Cancro da Mama, uma iniciativa da Liga Portuguesa Contra o Cancro (LPCC) com o apoio da Ausonia, que visa apoiar e promover projetos de investigação desenvolvidos em Portugal, na área da oncologia em Cancro da Mama. Universidade do Porto - Portugal


Saga de um menino de Itararé: romance de esperança

Nova obra de Silas Corrêa Leite reconstitui a trajetória de um adolescente em busca dos pais perdidos

                                                                   I

Um menino de Itararé, criado pelos avós, que, quando chega à idade do entendimento, aos 15 anos, sai de casa em busca da mãe, que sumira quando ele nascera e estaria perdida nos cafundós do Mato Grosso do Sul, perto da fronteira com a Bolívia, e virara missionária. Em breves palavras, este é o enredo do novo livro de Silas Corrêa Leite (1952), O menino que queria ser super-herói (Lisboa/São Paulo, Editora Primeiro Capítulo, 2022), romance infantojuvenil que vem se juntar a uma obra já extensa que inclui publicações em outros gêneros (poesia, prosa poética, contos e romances).

Inteligente, precoce, muito ativo e sensível, o menino sabe que o sótão de sua casa guarda um segredo e o porão também esconde coisas do passado de seus familiares. Fã de desenhos animados, de histórias em quadrinhos e de personagens de gibis, como Super-Homem, Batman, o Homem Invisível e o Capitão Marvel, o menino, que tem o nome de Ben-Hur, precisa visitar aqueles lugares recônditos, para conhecer os mistérios de sua vida e descobrir segredos, como saber que seu pai ainda vive em Itararé, mítica cidade localizada no Estado de São Paulo “fincada às barrancas do vizinho Estado do Paraná”, famosa depois da chamada Revolução de 1930, que constituiu mais um golpe civil-militar em que, desta vez, as elites dos demais Estados derrubaram as tradicionais elites paulistas e mineiras.

Itararé, antiga terra dos índios guaianases e, depois, no século XVIII, ponto de descanso dos tropeiros que levavam animais do Sul para a feira de Sorocaba, ficaria famosa porque, quando Getúlio Vargas (1882-1954) partiu de trem rumo ao Rio de Janeiro, então capital federal, esperava-se que ocorresse lá uma grande batalha, que não houve porque a cidade acolheu o futuro ditador na estação ferroviária, permitindo sua entrada no Estado de São Paulo, e os militares depuseram o presidente Washington Luís (1869-1957) em 24 de outubro daquele ano e impediram a posse do presidente eleito Júlio Prestes (1882-1946).

 

                                                        II

Neste momento, com a violência política de novo ameaçando tomar o palco iluminado do País, não deixa de ser curioso que esse pequeno herói seja oriundo daquela mítica cidade. Escrevendo em tom coloquial, o autor, embora poeta, ao optar por recuperar o passado através da prosa, precisou trilhar o caminho contrário ao da poesia, colocando o seu “eu” para fora, pois os focos de atração são os outros, ou seja, o “não-eu”, formado dos demais “eus” e da Natureza, como observou o professor Massaud Mosés (1928-2018) em A criação literária. Poesia (São Paulo, Editora Cultrix, 2003, pp. 94-95).

Dessa maneira, acompanha-se a trajetória de vida do menino que pretendia se tornar um super-herói, tal como aqueles que conhecera em sua infância, heróis de gibis, como Tarzan, Flecha Ligeira, Zorro, Batman, Homem-Aranha, Super-Homem, Príncipe Valente, Mandrake, Durango Kid, Búfalo Bill e outros. E que, afinal, tem a oportunidade de conhecer seu pai biológico, que o teria negado em seu nascimento, já que foram seus avós aqueles que assumiram legalmente a sua paternidade.

Esse encontro ocorreria numa noite, num baile à fantasia, quando ele fora ao banheiro “tirar água do joelho”, e lá deu de cara com um sujeito fantasiado de pirata Capitão Caveira, “um falso olho de vidro e uma falsa perna de pau”, que se apresentou como seu pai. Exatamente o contrário da figura que idealizara, ou seja, um paspalhão. “Que xarope, o velho. Que tipo! Claro, não era o pai ideal que esperava, tipo o Homem de Ferro, o Professor Pardal, muito menos ali, fantasia molhada de suor, nervoso, querendo falar muito mais com as mãos do que com a boca, tropeçando em verbos, errando orações, desculpas, etc. e tal (...)”.

Com isso, o leitor brasileiro mais maduro, acompanhando a narração, acaba por reencontrar também um mundo que teria sido o seu da infância e da adolescência e juventude, tropeçando em frases como estas: “Cara de pau, fazendo o que não gostava, cor de burro quando foge, Ben-Hur teve que mentir e na verdade não gostava muito disso. Mas achava que era mentirinha sem maldades, vá saber. Mas, ao mesmo tempo, tinha medo de que o nariz crescesse como o do Pinóquio...”

Mais adiante, descobre-se que a verdadeira mãe do jovem, Yasmine Maruska, teria sido uma agitadora, “da pá virada, uma líder nata (...), filhinha de classe média, branquela como mandioca vassourinha descascada, que queria ser freira, que sonhava ser enfermeira no exterior, na África, num país pobre, como uma missão de ser útil, fazer o bem, servir”. Conheceria, porém, aquele tipo vulgar, “da periferia sociedade anônima, pobre aprendiz de marceneiro”, e, por descuido, acabaria ficando grávida. Sete meses depois, operada às pressas, imaginando que perdera o bebê, sem o apoio dos pais conservadores, enfrentando a depressão pós-parto, decidira fugir, aliás, sumir, ir embora de Itararé, sem destino.

O clímax do enredo já ocorre em nossos dias, tempos de facebook, blogs, sites, twitter, Orkut, redes sociais, quando o menino sai sozinho em busca da mãe nos cafundós do Brasil, numa aldeia de índios carijós, onde uma missionária de codinome de fé Brisa Maria fora vista. Lá, finalmente, encontra uma “irmã de Jesus” das Missões, sua verdadeira mãe, alguém que “conversava com as plantas, com as fronteiras das florestas”.

Por aqui se vê que este, portanto, é romance de esperança, que conta a história de um quase adolescente que busca reencontrar suas origens, numa narrativa que faz o leitor brasileiro, especialmente aqueles que hoje beiram os 60 ou 70 anos, reviver passagens,  momentos, situações e personagens que ficaram lá atrás, entre eles, cantores e compositores como Caetano Veloso, Gilberto Gil, Geraldo Vandré, Taiguara, Lobão, Gonzaguinha, Antônio Cícero, Marina Lima e Nelson Cavaquinho, e poetas como Manuel Bandeira, Fernando Pessoa, Pablo Neruda, García Lorca e Walt Whitman, que povoaram os sonhos daquela geração.


                                                                  III

Nascido em Monte Alegre, hoje Telêmaco Borba, no Paraná, mas tendo vivido até a juventude em Itararé, Silas Corrêa Leite é poeta, romancista, letrista, professor aposentado, bibliotecário, desenhista, jornalista, resenhista, ensaísta, conselheiro diplomado em Direitos Humanos e membro da União Brasileira de Escritores (UBE), além de blogueiro e ciberpoeta.

De origem humilde, foi aprendiz de marceneiro, tendo começado a escrever aos 16 anos, época em que também começou sua vida profissional como garçom, tendo sido engraxate, boia-fria e vendedor de doce de groselha. Foi aprovado num concurso para locutor na Rádio Clube de Itararé e escreveu croniquetas para o jornal O Guarani, daquela cidade.

Em 1970, migrou para São Paulo, onde morou em pensões, cortiços, passou fome e dormiu na rua. Já empregado, formou-se em Direito e Geografia, sendo especialista em Educação pela Universidade Presbiteriana Mackenzie, além de ter cursado extensões e pós-graduações nas áreas de Educação, Filosofia, Inteligência Emocional, Jornalismo Comunitário e Literatura na Comunicação, curso este que fez na Escola de Comunicações e Artes (ECA) da Universidade de São Paulo (USP).

Nos últimos tempos, o romancista lançou também Gute-Gute, barriga experimental de repertório (Rio de Janeiro, Editora Autografia, 2015); Goto, a lenda do reino encantado do barqueiro noturno do rio Itararé (Florianópolis, Clube de Autores Editora, 2013), romance pós-moderno, considerado a sua melhor obra; Tibete, de quando você não quiser ser gente, romance (Rio de Janeiro, Editora Jaguatirica, 2017); O lixeiro e o presidente (Curitiba, Kotter Editorial, 2019), romance social; Ele está no meio de nós (Curitiba, Kotter Editorial, 2018); Transpenumbra do Armagedon (São Paulo, Desconcertos Editora, 2021); Cavalos selvagens, romance imaginativo (Curitiba/Taubaté: Editora Kotter  e Letra Selvagem, 2021); A coisa: muito além do coração selvagem da vida (São Paulo, Editora Cajuína, 2021), romance infantojuvenil; Lampejos (Belo Horizonte, Sangre Editorial, 2019), e Favela stories (Cotia-SP: Editora Cajuína, 2022).

Em 2018, publicou Planeta Bola – futebolices, catecismo corinthiano & acontecências (Porto Alegre, Editora Simplíssimo), que reúne croniquetas, comentários, poemas e homenagens a antigos atletas do Sport Clube Corinthians Paulista, de São Paulo. Como poeta e ficcionista, consta de mais de cem antologias, inclusive no exterior, como na Antologia Multilingue de Letteratura Contemporanea, de Treton, Itália, Christmas Anthology, de Ohio, Estados Unidos, e Revista Poesia Sempre, da Fundação Biblioteca Nacional do Rio de Janeiro. Seu texto “O estatuto do poeta” foi vertido para o espanhol, inglês, francês e russo.  

Foi vencedor do Primeiro Salão Nacional de Causos de Pescadores/USP/Jornal da Tarde/Estadão/Parceiros do Tietê; premiado no Concurso Lygia Fagundes Telles para professor e escritor/Secretaria Estadual de Educação de São Paulo; Prêmio Biblioteca Mário de Andrade (Poesia sobre São Paulo)/Secretaria de Cultura de São Paulo, Prêmio Fundação Petrobrás de Contos, curadoria Heloísa Buarque de Holanda; Prêmio Simetria (Microconto) e Prêmio Instituto Piaget (Cancioneiro infantojuvenil), ambos em Portugal.

É autor do primeiro livro interativo da Internet, o e-book O rinoceronte de Clarice, que reúne onze ficções, cada uma com três finais, um feliz, um de tragédia e um terceiro politicamente incorreto, que virou tema de tese de mestrado na Universidade de Brasília (UnB) e de doutoramento na Universidade Federal de Alagoas (UFAL). Foi finalista do Prêmio Telecom, em Portugal, em 2007.

É autor ainda, entre outros, de Porta-lapsos, poemas (São Paulo, Editora All-Print, 2005) e Campo de trigo com corvos, contos (Joinville-SC, Editora Design, 2005), obra finalista do prêmio Telecom, Portugal 2007, e O homem que virou cerveja, crônicas hilárias de um poeta boêmio (São Paulo, Giz Editorial, 2009), livro ganhador do Prêmio Valdeck Almeida de Jesus, Salvador-Bahia, 2009. Adelto Gonçalves - Brasil

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O menino que queria ser super-herói, de Silas Corrêa Leite. Lisboa/São Paulo: Editora Primeiro Capítulo, 148 páginas, 2022. E-mail: geral@primeirocapitulo.com Site do autor: poetasilascorrealeite.com.br E-mail do autor: poesilas@terra.com.br

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Adelto Gonçalves, jornalista, mestre em Língua Espanhola e Literaturas Espanhola e Hispano-americana e doutor em Letras na área de Literatura Portuguesa pela Universidade de São Paulo (USP), é autor de Gonzaga, um poeta do Iluminismo (Rio de Janeiro, Nova Fronteira, 1999), Barcelona brasileira (Lisboa, Nova Arrancada, 1999; Publisher Brasil, 2002), Bocage – o perfil perdido (Lisboa, Editorial Caminho, 2003; Imprensa Oficial do Estado de São Paulo – Imesp, 2021), Tomás Antônio Gonzaga (Imesp/Academia Brasileira de Letras, 2012),  Direito e Justiça em terras d´el-rei na São Paulo Colonial (Imesp, 2015), Os vira-latas da madrugada (José Olympio Editora, 1981; Letra Selvagem, 2015) e O reino, a colônia e o poder: o governo Lorena na capitania de São Paulo 1788-1797 (Imesp, 2019), entre outros. E-mail: marilizadelto@uol.com.br




domingo, 2 de outubro de 2022

França - Tiago Martins lança livro de gastronomia portuguesa com receitas de ‘chefs’ da diáspora


O livro “L’histoire du Portugal dans mon asiette” chega em outubro às livrarias em França, com mais de 60 receitas e factos históricos sobre a gastronomia portuguesa compilados por Tiago Martins, um franco-português que faz sensação nas redes sociais.

“Já no Instagram eu falava de gastronomia e de história de Portugal. Com a pandemia e a popularidade crescente da minha conta, conheci pessoas, conheci a editora Cadamoste e começaram a surgir algumas ideias, resolvemos então escrever este livro há dois anos. Houve muita pesquisa, fui muito a Portugal, do Norte ao Sul, fui a restaurantes, mas o mais difícil foi coordenar os mais de 60 ‘chefs’ que estão no livro”, disse Tiago Martins em declarações à Lusa.

Tiago Martins é o criador da conta ‘Portuguese Facts’ no Instagram, nasceu em França, mas os pais são da aldeia da Barrenta, perto de Leiria, tendo tido sempre um interesse pela história e geografia de Portugal.

A conta de Instagram foi crescendo, tendo agora mais de 14 mil seguidores. Sem formação em cozinha, este franco-português recorreu então a ‘chefs’ em Portugal e fora do país para reunir cerca de 60 receitas de pratos tradicionais portugueses.

“Eu sei cozinhar, mas eu não tenho legitimidade para escrever uma receita. O que eu queria era um livro colaborativo, gosto muito dessa ideia por sermos uma diáspora solidária. Assim, cada receita tem um chefe diferente porque cada um tem uma ideia diferente da cozinha portuguesa”, explicou.

Assim, no livro “L’histoire du Portugal dans mon asiette”, ou “a História de Portugal no meu prato”, pode-se encontrar a receita de orelha de porco com ovos ou polvo à lagareiro acompanhado por húmus, pratos tradicionais, muitas vezes reinventados por ‘chefs’ com origens portugueses em França, Suíça, Alemanha, Angola, Macau, Áustria, Canadá, Estados Unidos da América, entre outros.

Mas Tiago Martins lembra que este é mais do que um livro de receitas portuguesas em francês. “O livro não tem só receitas. Tem também anedotas históricas e curiosidades, alguns pratos mais estranhos. Mas falo também dos produtos portugueses, da fruta portuguesa, como o ananás dos Açores, e também dos vinhos espirituosos”, explicou.

Assim, todos os pratos são acompanhados de factos históricos e das suas origens como a sopa do vidreiro, da Marinha Grande, ou a chanfana. Tiago Martins também incluiu episódios das suas viagens sempre que se deparou com lendas que dão vida a estes pratos típicos.

O jovem franco-português não gosta só de escrever sobre a gastronomia, gosta também de a provar e tem os seus pratos preferidos. “É um prato preferido de muita gente, mas adoro bacalhau à Brás. Adoro quando os ovos não estão muito cozidos. Mas também adoro o bacalhau à Gomes de Sá, mas esse não me atrevo a cozinhar porque o da minha mãe é muito bom. No livro, temos uma receita do bacalhau à Gomes de Sá de um ‘chef’ alemão, que é muito diferente, mas a essência está lá”, indicou.

O livro estará nas livrarias francesas a partir de 13 de outubro, com uma tiragem de 4000 exemplares, e Tiago Martins tem já pedidos de outros pontos do mundo, como Estados Unidos, para uma tradução em inglês, pensando também na possibilidade de traduzir o livro em português. Catarina Falcão – Agência Lusa – França in “LusoJornal”