Pintura Arq. Eduardo Moreira Santos, Lx (28.08.1904 - 23.04.1992)

quarta-feira, 2 de dezembro de 2020

China - Devolvida à China escultura em bronze saqueada por um contingente militar anglo-francês no séc. XIX

 

Uma escultura em bronze que pertencia ao Antigo Palácio de Verão, em Pequim, e que foi comprada, em 2007, pelo bilionário Stanley Ho, retornou ao local de origem, 160 anos após ter sido usurpada por um contingente militar anglo-francês, reportou a agência Lusa.

A obra, uma cabeça de cavalo esculpida em bronze, é a primeira a ser devolvida ao Antigo Palácio de Verão a partir do exterior, segundo a agência noticiosa oficial Xinhua, que lista a peça como o “último tesouro perdido” do recinto.

A peça foi desenhada pelo jesuíta italiano Giuseppe Castiglione (1688-1766), um missionário que trabalhou durante mais de meio século para a corte dos Qing, a última dinastia imperial a governar a China.

A peça foi saqueada por tropas estrangeiras até ser comprada em leilão por Stanley Ho, por um valor equivalente a cerca de 70 milhões patacas. A Administração do Património Cultural Nacional da China (NCHA) reivindicou a peça e, em 2019, Stanley Ho doou-a ao Estado chinês.

O empresário, que morreu em Maio deste ano, disse estar “honrado por ter desempenhado um papel importante” no “resgate de relíquias chinesas do exterior”.

Missão histórica

Nos últimos anos, o NCHA intensificou esforços para localizar relíquias perdidas e, a partir de 2019, recuperou cerca de 140.000 peças do exterior, através de cooperação policial, acções judiciais, negociações e doações.

Construído no início do século XVIII, o Antigo Palácio de Verão (Yuanmingyuan) era um complexo de edifícios e jardins que alternavam arquitectura tradicional chinesa com a arquitectura europeia da época, realizada por Castiglione.

O palácio foi saqueado e destruído por soldados franceses e ingleses, em 1860, no contexto da Segunda Guerra do Ópio, por ordem do vice-rei britânico na Índia, Lord Elgin, que justificou esta decisão com a tortura e execução de alguns membros da uma delegação britânica que se tinham deslocado à China para negociarem com os líderes chineses.

Nas últimas décadas, várias vozes apelaram à reconstrução do palácio, para recuperar o património imperial e impulsionar o turismo, mas as autoridades preferem mantê-lo em ruínas para que continue a ser um símbolo das invasões estrangeiras, sofridas pela China nos séculos XIX e XX. In “Hoje Macau” - Macau


Timor-Leste – Após 35 dias voltou a haver uma nova pessoa infetada com covid-19, mais um caso importado

 


Díli – O Ministério da Saúde (MS) anunciou hoje um novo caso positivo de covid-19 no país, que estava desde 15 de novembro sem casos ativos.

A Coordenadora-Geral da Comissão Executiva da Saúde do Surto de Covid-19, Odete Viegas, revelou que o infetado é um cidadão estrangeiro de 35 anos.

“Viajou, a 16 de novembro, em voos entre o Uganda e Dubai, seguindo-se, no dia seguinte, a Malásia. Chegou a 18 do mês passado a Timor-Leste juntamente com outros 63 passageiros num voo da Malásia. Efetuou a 29 de novembro o teste à covid-19 e foi informado, nos dois dias seguintes, de que o resultado deu positivo”, explicou Odete Viegas.

Recorde-se que Timor-Leste já registou 31 casos do novo coronavírus, tendo já 30 infetados recuperado. Nelia Fernandes – Timor-Leste in “Tatoli”




Macau - Universidade de Ciência e Tecnologia inaugura laboratórios de análise de amostras espaciais

As plataformas experimentais inauguradas ontem na Universidade de Ciência e Tecnologia de Macau (MUST) são únicas em todo a China e dão a Macau argumentos para receber e analisar amostras espaciais. Para André Antunes, investigador português que lidera a equipa de astrobiologia da MUST, este pode ser o primeiro passo para tornar Macau numa referência global


Pode ter sido um pequeno passo para Macau, mas é certamente um grande passo para a investigação espacial de toda a China, e não só. Quem o diz é André Antunes, investigador português que lidera a equipa de Astrobiologia da Universidade de Ciência e Tecnologia de Macau (MUST).

Segundo o investigador, as plataformas experimentais de Astrobiologia e Cosmoquímica inauguradas ontem na MUST através do Laboratório Estatal de Referência das Ciências Lunares e Planetárias (State Key Lab) é único em toda a China e tem, por isso, o condão de fazer de Macau “um centro e referência global” e “o ponto focal para este tipo de actividades para toda a China”.

“Macau tem estado muito envolvido nas missões à Lua e tido algum envolvimento nas missões a Marte. A abertura destas plataformas experimentais é mais um passo nesta direcção, ou seja, de aumentar o contributo que Macau dá para a exploração espacial chinesa”, começou por dizer André Antunes.

Para o também coordenador das plataformas de Astrobiologia e Cosmoquímica da MUST, os dois novos laboratórios permitem que o contributo que Macau dá à investigação espacial deixe de ser apenas ligado “à análise e dados e modelação”, mas também à “componente experimental”.

“O facto de criarmos estas plataformas experimentais permite-nos ter outro tipo de dinâmica e aceder a outro tipo de áreas. Criámos aqui a capacidade laboratorial para receber e analisar amostras, fazer trabalho com elas e dar contributos mais relevantes para a ciência”, acrescentou.

Universo é o limite

Do lado da Astrobiologia, os novos equipamentos que habitam agora na MUST irão permitir, através do estudo de ambientes na Terra que partilham semelhanças com Marte ou com luas do Sistema Solar, “recolher informação vital para planear futuras missões chinesas”, destinadas, por exemplo, a recolher amostras de Marte. O objectivo último passa, eventualmente, por conseguir “detectar a presença de vida”, através do estudo das amostras.

“Os estudos que fazemos no nosso planeta irão ser úteis para condicionar parcialmente que sítios serão apropriados para recolher amostras no futuro e isso é importante, não só para a agência espacial chinesa, mas também para o mundo da investigação em geral”, apontou André Antunes.

À margem da inauguração dos novos espaços que contou com a presença, entre outros, do presidente da MUST, Liu Liang, e do subdirector da Direcção dos Serviços do Ensino Superior (DSES), Che Weng Keong, o investigador português afirmou esperar que o contributo que os novos laboratórios vão dar a futuras missões a Marte irá aumentar.

Isto, tendo em conta que a missão chinesa a Marte, Tianwen-1, que já se encontra em curso, conta apenas “com alguns componentes” que ficaram a cargo da unidade da MUST. Sobre a missão propriamente dita, que não deverá chegar a Marte antes de Junho de 2021, André Antunes diz que “está a correr tudo bem”.

Também à margem da inauguração, Shaolin Li, investigador que lidera a área da Cosmoquímica da MUST, apontou que os três novos equipamentos do laboratório do seu departamento irão permitir armazenar, analisar e interagir com amostras, sobretudo lunares, que não podem entrar em contacto com o ar, pois “correriam o risco de ver as suas características físicas e químicas alteradas”. Pedro Arede – Macau in “Hoje Macau”


Pedro Arede - Jornalista com 31 anos de idade. Começou na área de economia mas escreve sobretudo sobre política, cultura e sociedade. Tem experiência em produção audiovisual e é atleta de alta competição na modalidade de esgrima.




terça-feira, 1 de dezembro de 2020

São Tomé e Príncipe - Agostinho Fernandes lança o livro “Os 12 D’s do Sucesso”

 

São Tomé – O Jurista são-tomense Agostinho Fernandes lançou, na Cidade de São Tomé, no último fim-de-semana, o seu livro intitulado “Os 12 D’s do Sucesso”.

A obra literária lançada nas instalações do Palácio dos Congressos, na Cidade de São Tomé é composta por 334 páginas, que no geral apontam pistas para qualquer cidadão são-tomense obter sucesso nos seus objectivos.

“O livro, em resumo, destina-se a todas as pessoas que na sua mente desejam conquistar o sucesso e que gostariam de conhecer o caminho mais simples para lá chegar”, resumiu o autor da obra, Agostinho Fernandes.

Agostinho Fernandes, formado em Direito em França é mestre em Economia e foi além de ministro da Economia, Administrador de uma das mais bem conhecidas instituições financeiras de São Tomé e Príncipe.

O livro que também foi lançado em Setembro último em Portugal, país onde foi impresso, além de São Tomé e Príncipe, o autor pretende em breve lançá-lo no Brasil.

Osvaldo Abreu, ministro são-tomense das Infra-estruturas, Recursos Naturais e Ambiente, um dos muitos espectadores que assistiram ao acto, afirmou que “trata-se de uma importante obra, nomeadamente no plano de realização de negócios, as quais, sim, convido aos são-tomenses a ler na perspectiva de obtenção do seu sucesso pessoal”.

Na óptica do governante e como sugestão, sustenta que “o autor deveria complementar a obra com elementos específicos a um cidadão ilhéu relativamente a um outro que vive num país com plataforma continental”.

Agostinho Fernandes, protagonizou a liderança de uma das duas alas da Acção Democrática Independente (ADI), hoje na Oposição e a qual Patrice Trovoada, ex-Primeiro-ministro viu-se reeleito presidente da direcção mas cuja aprovação foi rejeitada recentemente pelo Tribunal Constitucional (TC), que evoca discrepâncias entre elementos internos do tal congresso e os Estatutos do mesmo partido depositados neste órgão judicial do Estado de São Tomé e Príncipe. Manuel Dênde – São Tomé e Príncipe in “STP Press”

Sinopse

O que fazem as pessoas bem-sucedidas e que a maioria das pessoas ainda não faz?

Este livro destina-se a todas as pessoas que, na sua mente, desejam conquistar o sucesso e que gostariam de conhecer o caminho mais simples para lá chegar.

Os 12 D’s do Sucesso é mais do que uma simples obra de desenvolvimento pessoal. Trata-se, pois, de uma verdadeira receita, teórica e prática, do sucesso, em qualquer área da vida. Neste livro, irá compreender exatamente que o sucesso está ao alcance de todos os seres humanos, quaisquer que sejam as circunstâncias à sua volta. Irá perceber também a razão por que apenas uma minoria dos seres humanos atinge o sucesso na vida e o que está por trás do fracasso da maioria.

Mais do que qualquer outra coisa, acredito que são as nossas decisões, não as condições da nossa vida, que determinam o nosso destino. Anthony Robbins

Quem melhor do que Tony Robbins para comprovar, na teoria e na prática, o que é e do que depende o sucesso? Como seguidor dos seus ensinamentos, o autor desta obra não procurou reinventar a roda, mas apenas torná-la acessível a todos quanto aspiram conquistar o sucesso nas suas vidas.



Cabo Verde - Albino Sequeira lança “Do silêncio da alma”

 

Cidade da Praia – O escritor Albino Sequeira já tem disponível no mercado literário a obra “Do silêncio da alma”, que reflecte a importância do silêncio para a alma e opção de leitura para as pessoas no contexto da covid-19.

À Inforpress, Albino Sequeira, natural de São Nicolau, revelou que o seu segundo livro contém 182 páginas, e está organizado em quatro partes.

A primeira inclui frases e pensamentos, na segunda encontra-se os sonetos, que retratam diversos temas, acrescentando que os poemas de dragoeiro dão nome à terceira parte e que as quadras correspondem à parte final da obra.

Ao todo, prosseguiu o autor, o livro possui 77 poesias, repartidas por 15 sonetos, 55 poemas normais e 11 quadras e contém na sua estrutura mais 62 frases, sublinhando que o que o inspirou a escrever a obra foi o facto de “ser uma pessoa que prefere o silêncio ao invés do barulho”.

“Durante um período da minha vida, percebi que tudo aquilo que é o reflexo do ser humano está a volta do bem intangível mais precioso da humanidade, que é o silêncio, esta palavra é o propósito da existência da paz e da tranquilidade. Ninguém encontra a si mesmo em barulho, alguém só pode sentir a sua presença e perceber a essência das coisas, quando está envolto no silêncio”, reflectiu.

A obra contempla os mais “diversos sentimentos” que norteiam a vida humana, nomeadamente, o amor, a paixão, a saudade, o carinho, a felicidade e a tristeza.

O ser humano, no entender do autor, precisa dedicar mais tempo estando em silêncio, pois, sustentou, é nele que se consegue organizar as ideias, os planos e cuidar dos sonhos, revelando que foi com base nestes valores que surgiu “Do silêncio da alma”.

“Este é um trabalho que resulta do fruto do silêncio, tudo aquilo que escrevemos provém dessa fénix inspiradora. Inspiramos por meio do silêncio e transcrevemos por uma alma que dá vida ao corpo”, reforçou, o também autor da obra poética “Versos da minha vida”.

O leitor, precisou Albino Sequeira, no decorrer da sua leitura terá nas mãos uma obra “bem estruturada, com palavras belas e atraentes suportada pelos diversos recursos linguísticos para enriquecer as poesias à dimensão que um pintor faz com as suas telas, adiantando que o livro expressa um “certo romantismo e uma certa musicalidade de tudo aquilo que vai à alma do autor”.

Instado sobre as expectativas relativas ao livro, Albino Sequeira ressaltou que “são sempre as melhores”, sublinhando que o mesmo representa uma solução para os leitores neste momento “difícil” devido a pandemia da covid-19, pois, a obra é composta por poesias que, na sua opinião, servem para ajudar os leitores a superarem esta fase.

A obra “Do silêncio da alma” é editada e publicada pelo Chiado Books, de Portugal, e já se encontra à venda no ‘sítio’ da editora. In “Inforpress” – Cabo Verde


Macau - Equipas portuguesas vencem competição de arquitectura destinada a parque de Mong Há

Uma competição de arquitectura para um projecto do circuito pedonal sem barreiras do parque municipal da Colina de Mong Há contou com cinco primeiros prémios, dois dos quais liderados por equipas compostas por portugueses. O concurso, concebido pelo Instituto para os Assuntos Municipais (IAM) e a Associação dos Arquitectos de Macau (AAM), contou com 39 candidaturas


No sábado realizou-se a entrega de prémios da competição de Arquitectura para o Projecto do Circuito Pedonal sem Barreiras do parque Municipal da Colina de Mong Há, iniciativa que contou com 39 candidaturas. “A colina de Mong Há é um pequeno morro localizado no Norte da Península de Macau, no cimo do qual existe um parque equipado com diversas instalações de lazer e de serviços municipais destinados ao uso público. No entanto, a falta de conveniência na utilização dos transportes públicos e de sistema pedonal afecta a apetência dos cidadãos pela subida a colina usando as instalações do parque”, pode ler-se no catálogo das obras da competição.

Neste âmbito, vista a necessidade de melhorar as vias de acesso pedonal desta colina, o Instituto para os Assuntos Municipais (IAM) desafiou a Associação dos Arquitectos de Macau (AAM) a organizar em conjunto esta competição, “permitindo a participação de indivíduos ou equipas de desenho da arquitectura, no sentido de proporcionar fundamentos e orientações para o reordenamento da Colina de Mong Há com a adição do sistema pedonal sem barreiras”.

Ao Ponto Final, Ricardo Santos Meireles, que cabeceou um das equipas vencedoras do primeiro prémio juntamente com Nuno Alves e Bruno Malés, explicou um pouco mais sobre o projecto. “Normalmente, quem consegue ir lá tem muitas dificuldades em percorrer o próprio espaço da colina. O projecto em si explora dois pontos específicos à volta da colina, e um dos pontos importantes a apontar é de ser sem barreiras e de ser acessível a pessoas que tenham dificuldades motoras. Portanto, é de providenciar a conexão do ponto A ao ponto B, atravessando o ponto B e C que está estipulado no concurso, e em dois pontos específicos do projecto. É, no fundo, ligar dois espaços da colina entre si de maneira que as pessoas de ambos os lados tivessem menos dificuldades de acesso porque a colina é muito íngreme”, explicou.

Este concurso esteve aberto a todos os profissionais da arquitectura e, no caso desta equipa vencedora, foram três arquitectos portugueses que trabalham em três gabinetes diferentes, unidos pela amizade e na vontade de participar e de desenvolverem uma proposta juntos. Entre os vencedores esteve também a dupla liderada pelo português Rogério de Oliveira, com Laura de Juan.

Em termos de requisitos à participação, este concurso exigia um máximo de quatro pessoas e que pelo menos uma delas teria de estar registada na Direcção dos Serviços de Solos, Obras Públicas e Transportes (DSSOPT). “Este projecto em si é um concurso de ideias. Primeiro, é conceptual, que pode dar providência à continuidade. Essa é a nossa expectativa e esperamos que isto vá para a frente, portanto, que este concurso aborde a questão de uma maior abrangência de prémios. Aqui houve cinco primeiros prémios e cinco menções honrosas, que faz no total 10 prémios”, acrescenta Ricardo Santos Meireles.

Quando questionado sobre se estava à espera de ganhar, o arquitecto que reside em Macau há 9 anos, conta: “Ganhar foi uma surpresa. Tínhamos a expectativa só da participação, quando soubemos da notícia sentimos que foi algo gratificante porque estivemos sempre a trabalhar depois do horário de trabalho, durante várias semanas, até às 3 ou 4 da manhã. Ainda por cima, como cada um tem o seu horário, foi difícil”, acrescentou o arquitecto. “Nós estamos na expectativa de receber então o convite para a segunda fase do projecto e está estipulado que o IAM vai entrar em contacto para os primeiros cinco vencedores para que possamos então aprofundar um pouco mais o projecto. Portanto, nós como os outros, estamos agora numa ‘shortlist’ para dar procedimento a isto”, explicou Ricardo Meireles.

No sábado, além da entrega de prémios, foi também a inauguração da exposição onde se podem ver as propostas dos vencedores, e também dos restantes, na Ecohouse de Mong Há. Ricardo Meireles reitera que houve uma grande disputa para os lugares vencedores. “Foi gratificante para todos nós porque acaba também por impulsionar um pouco a maneira como os arquitectos em Macau também conseguem viver o espaço em Macau, integrarem-se na cultura local, e é um pouco o perceber que existe o ‘fairplay’ ainda neste tipo de concursos em que houve uma disputa muito grande. Normalmente existe uma separação ainda muito grande entre os arquitectos locais que são de língua chinesa e os de língua portuguesa. Percebemos que o júri olhou mesmo para as propostas em concreto e foi gratificante perceber que o que nos propusemos vai ao encontro do expectável da parte do júri, pois o júri também é de várias áreas especificas, e foi bom perceber isso”, apontou o arquitecto português.

Sobre a forma como vê a arquitectura actualmente no território, Ricardo Meireles diz que é uma “pergunta difícil”, e assinala que a arquitectura actualmente ainda está em impulsão em Macau. “Ainda existe muito a arquitectura dos arquitectos dos gabinetes locais, que estão bem presentes em Macau, e existe outra versão nova, mais recente, de arquitectos a abrir novos gabinetes, mais pequenos, e que estão a tentar, de certa maneira, ter algum impulso em Macau, e ainda se vê um pouco aquela dificuldade em conseguir novos projectos”, lamentou.

O arquitecto refere que há gabinetes que têm os seus contactos e muitas vezes recebem convites para entrar em concursos em Macau porque já têm currículo na área específica. Por outro lado, há gabinetes de arquitectura mais recentes que não conseguem entrar muito no mercado sem ser através de outros gabinetes que já estão mais presentes em Macau, o que “dificulta um pouco a situação”. “Acho que para melhorar a situação, começaria tudo por uma abertura um pouco maior ao âmbito da arquitectura e o que a arquitectura significa para Macau. O que nós podemos dar mais à cidade é criar uma nova dinâmica em cruzamento com a cidade velha e com a cidade nova que está aberta ao mundo, como é Macau. Não se pode ficar apenas por aquele conceito mais antigo que Macau”, frisou.

No entender do arquitecto, muitas vezes há partes da cidade que estão desconexas e “não comunicam umas com as outras”, devendo ser feita uma leitura mais urbana para projectar edifícios. “Temos de projectar as ligações, as comunicações, não só visuais, mas físicas também, e é um pouco através de um conjunto de ideias mais urbanas que podemos que podemos encontrar o nosso ponto de partida”, concluiu. Joana Chantre – Macau in “Ponto Final”

 Joanachantre.pontofinal@gmail.com



Portugal – Eduardo Lourenço (1923 – 2020)


Professor, filósofo, escritor, crítico literário, ensaísta, interventor cívico, várias vezes galardoado e distinguido, Eduardo Lourenço foi um dos pensadores mais proeminentes da cultura portuguesa, escrevendo várias obras sobre a sociedade e identidade portuguesa. O Labirinto da Saudade (“discurso crítico sobre as imagens que de nós próprios temos forjado”, nas palavras do autor)​, Fernando, Rei da Nossa Baviera, Os Militares e o Poder são algumas das suas principais obras.

Eduardo Lourenço Faria nasceu em 23 de Maio de 1923, em S. Pedro do Rio Seco, no concelho de Almeida, na Beira Alta. O mais velho de sete irmãos, e filho de um militar do exército, frequentou a escola primária da aldeia onde nasceu e matriculou-se, posteriormente, no Colégio Militar, em Lisboa, onde concluiu o curso em 1940.

“Vindo de uma pequena aldeia e de uma família conservadora, encontrou em Coimbra um ambiente mais aberto e propício a uma reflexão cultural que sempre haveria de prosseguir”, refere o Dicionário Cronológico de Autores Portugueses”, editado em 1998. Frequentou o curso de Histórico-Filosóficas na Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra, onde foi depois professor assistente. Emigrou para França em 1949, ano em que é publicado o seu livro de estreia, Heterodoxia I – “um dos mais nobres e perturbantes discursos ensaísticos de toda a nossa história literária”, classificou o professor e ensaísta Eugénio Lisboa.

Foi leitor de Língua e Cultura Portuguesa nas Universidades de Hamburgo e Heidelberg, na Alemanha, e Montpellier, na França, depois professor de filosofia na Universidade Federal da Bahia, no Brasil. Também foi leitor a cargo do Governo francês nas Universidades de Grenoble e de Nice.

Na juventude escreveu poesia e narrativa, mas passou para uma literatura mais ensaística. “Em relação à ficção – com a minha falta de sentido do concreto – muito cedo pensei que não teria capacidade de me tornar naquilo que eu mais queria ser: um romancista, um ficcionista”, disse à revista Ler, em 2008.

Conhecia Dostoievsky, Kafka e Camus, mas o primeiro encantamento literário foi com Júlio Dinis, ainda criança. Husserl, Kierkegaard, Nietzsche, Heidegger e Sartre estavam nas suas primeiras leituras. Apesar destas referências, “a sua mundividência foi associada à de um certo existencialismo, sobretudo por volta dos anos 50, altura em que colaborou na Árvore e se tornou amigo de Vergílio Ferreira”, descreve o Dicionário Cronológico de Autores Portugueses. “Eduardo Lourenço nunca se deixou enfeudar, todavia, a qualquer escola de pensamento, já que, embora favorável a ideias de esquerda, nunca abandonou uma atitude crítica perante essa esquerda, facto sobejamente explícito em opiniões manifestadas no conturbado período pós-revolucionário”.

Apaixonado pela literatura, referia-se aos livros como “filhos” e dizia que “estar-se sem livros é já ter morrido”. Em 2008, nessa conversa com a Ler, dizia que “dificilmente” conseguiria imaginar o mundo sem livros em papel. “Bom, de qualquer modo os livros ainda estarão aí. Estarão aí, mas como museu. Em vez de termos uma biblioteca, que é uma floresta viva da memória humana, os livros estarão lá como espectros. Mas, enfim, podem ser ressuscitados pela leitura de cada um. Isso modifica a nossa relação com o mundo. Porque o relacionamento com os livros – que vem de todos os livros que a gente lê quando é jovem – torna-os bocados de nós próprios. São as tábuas privadas das nossas leis. As escritas e as não escritas. Faltará qualquer coisa quando a nossa relação com eles for puramente electrónica.”

E completava: “No livro a gente pode voltar atrás, andar para frente. Também podemos fazer isso com a imagem, provavelmente, mas há sobretudo esse tempo que é transportado fisicamente pelo livro. Esse pó que fica nos livros. O pó do tempo. Nos novos instrumentos não haverá pó. É só o que lhes falta. Esse pó quer dizer o tempo, quer dizer a própria essência da nossa vida.”

Entre as várias distinções que Eduardo Lourenço recebeu estão o Prémio Casa da Imprensa (1974), o Prémio Jacinto do Prado Coelho (1986), o Prémio Europeu de Ensaio Charles Veillon (1988), o Prémio Camões (1996), o Prémio Pessoa (2011), e o Prix du Rayonnement de la Langue et de la Littérature Françaises da Academia Francesa (2016). Em França, recebeu também a condecoração de Officier de l’Ordre de Mérite, Chevalier de L’Ordre des Arts et des Lettres; em Espanha, a Encomienda de Numero de la Orden del Mérito Civil. Em Portugal, era Grande Oficial da Ordem Militar de Sant'Iago da Espada, de que também possuía a Grã-Cruz, assim como da Ordem do Infante D. Henrique e da Ordem da Liberdade. Era também Oficial da Ordem Nacional do Mérito, Cavaleiro da Ordem das Artes e das Letras e da Legião de Honra de França.

A missa de corpo presente decorre na quarta-feira, no Mosteiro dos Jerónimos, em Lisboa, às 12h, sendo celebrada pelo cardeal-patriarca de Lisboa, Manuel Clemente, e pelo cardeal e bibliotecário da Santa Sé, Tolentino Mendonça, referiu fonte da Presidência da República à Lusa. In “Público” – Portugal com “Lusa”