Pintura Arq. Eduardo Moreira Santos, Lx (28.08.1904 - 23.04.1992)
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quinta-feira, 27 de agosto de 2026

Malawi - Um cientista da Universidade de Lilongwe afirma que 80% dos pais que se submetem a testes de DNA não são os pais biológicos

A especialista explicou que muitas suspeitas surgem depois que os homens descobrem mensagens comprometedoras em telemóveis e redes sociais, especialmente no WhatsApp. "Eles vêm me procurar para verificar se a criança em questão é deles", observou Kwapata


O aumento das suspeitas de infidelidade e o uso de telemóveis e redes sociais impulsionaram a procura por testes de paternidade no Malawi. Especialistas consultados estimam que cerca de 80% dos casos envolvendo suposta infidelidade confirmam que o homem que cria a criança não é o pai biológico.

Segundo Kwapata, cientista genético da Universidade de Agricultura e Recursos Naturais de Lilongwe (LUANAR), o aumento nos testes de paternidade está amplamente relacionado a homens que investigam possíveis infidelidades por parte das suas parceiras.

A especialista explicou que muitas dessas suspeitas surgem depois que os homens descobrem mensagens comprometedoras em telemóveis e redes sociais, especialmente no WhatsApp. "Eles vêm me procurar para verificar se a criança em questão é deles", observou Kwapata.

Segundo os dados, cerca de 80% dos casos de paternidade relacionados a suposta infidelidade são iniciados por homens e, em aproximadamente 80% desses casos, as suspeitas confirmaram-se.

Kwapata processa mais de 30 casos de paternidade por mês, quase 400 por ano, com uma taxa de resultados negativos em torno de 80%. O custo médio de um teste é de 400.000 kwachas (aproximadamente 128.000 XAF), enquanto a instalação de laboratórios especializados pode chegar a mil milhões de kwachas (aproximadamente 321 milhões de XAF).

A procura também aumentou nas clínicas privadas. Phillip Mwanza, CEO da Attestation, afirmou que os seus centros recebem cerca de 20 clientes por mês e registam uma taxa de não paternidade próxima dos 80%.

“Os testes de paternidade estão-se a tornar comuns em processos de divórcio”, afirmou Mwanza. Ela explicou que, além das questões relacionadas a bens e herança, alguns homens procuram evitar os custos com educação, assistência médica e pensão alimentícia para filhos que descobrem não serem biologicamente seus.

Nas clínicas deles, os exames custam entre 600 mil e um milhão de kwachas, e os resultados são processados ​​em aproximadamente dez dias.

Mwanza acrescentou que a sua clínica também colabora com a polícia para realizar testes de DNA gratuitos em vítimas de estupro e agressão sexual, com o objetivo de fornecer evidências que possam contribuir para os processos judiciais.

O aumento nos testes de paternidade também coincide com o aumento nos pedidos de divórcio no Malawi. Ruth Mputeni, porta-voz do judiciário, confirmou que houve um aumento nos casos, embora os dados oficiais mais recentes ainda estejam sendo compilados manualmente a partir de registos nacionais.

Dados históricos dos tribunais indicam que 90% dos divórcios envolvem casais entre 20 e 35 anos. Os pedidos aumentaram de 1170 em 2020 para 2504 em 2022.

O bispo Gilford Matonga, porta-voz do Comitê de Assuntos Públicos (PAC), acredita que estes números refletem um problema mais amplo relacionado à infidelidade e à deterioração dos relacionamentos conjugais.

Matonga enfatizou que a infidelidade não afeta apenas as mulheres, observando a existência de relacionamentos entre homens solteiros e mulheres casadas. Na sua visão, esse fenómeno reflete um preocupante "declínio moral" na sociedade. Juan Nka – Guiné Equatorial in “Real Equatorial Guinea”


segunda-feira, 2 de junho de 2014

Divórcio

Um casal amigo português divorciou-se, uma situação banal nos dias que correm, mas este caso chamou-me a particular atenção.

Eram um casal muito feliz com uma vivência desafogada que os permitia gozar o dia-a-dia com um sorriso nos lábios, até que chegou a crise e começaram a sentir os problemas diários de contenção nos gastos, para fazer face aos aumentos sucessivos de preços e a uma congelação dos seus rendimentos.

Ele trabalhava numa empresa privada, com uma excelente carteira de clientes e com um trabalho de equipa exemplar, ela, uma funcionária pública dedicada, irrepreensível na qualidade de trabalho apresentado e sempre elogiada pelas chefias.

A partir de um dado momento, os clientes da empresa privada começaram a atrasar os pagamentos e chegou a haver casos em que nunca o pagamento aconteceu, levando a situações que coube ao tribunal decidir.

Essas dificuldades da empresa transmitiram-se no pagamento do ordenado aos empregados da mesma e o meu amigo começou a ter uma nova vida nada compatível com o desafogo anterior. A contagem do dinheiro passou a ser uma constante para fazer equilibrar o orçamento familiar e tentar respeitar os compromissos entretanto assumidos durante a época em que viviam confortavelmente.

Os problemas no casal começaram a aparecer, embora auferirem-se ordenados idênticos, o atraso do recebimento do ordenado dele, levava-os a uma ginástica que ia resistindo até ao dia do recebimento do mesmo.

O problema agudizou-se quando ela, funcionária pública começou a ter cortes no ordenado, diminuindo o seu rendimento no conjunto do casal. Antigamente quando havia uma crise, desvalorizava-se a moeda, aumentava-se os preços e era um todo nacional, a responder perante a crise que alguns construíram, agora são grupos profissionais ou sociais que aguentam numa responsabilidade que cabe a todos.

Nesse momento tudo se desmoronou, o meu amigo pegou nas malas, pediu o divórcio e saiu do país, procurando novas oportunidades num país totalmente desconhecido para ele.

Ela ficou, as despesas conjuntas passaram a uma despesa individual e vai resistindo, com visitas regulares ao médico, para debelar uma depressão que entretanto desenvolveu.

Esta história veio-me ontem à memória quando o Tribunal Constitucional chumbou as medidas do governo de Portugal quanto às reduções impostas aos ordenados dos funcionários públicos e às pensões dos reformados e pensionistas, por não respeitar a igualdade entre cidadãos. Chegou tarde. Baía da Lusofonia