Pintura Arq. Eduardo Moreira Santos, Lx (28.08.1904 - 23.04.1992)

sábado, 28 de maio de 2022

Cabo Verde - Kino Cabral vai celebrar 30 anos de carreira com concerto em Assomada

O artista cabo-verdiano Kino Cabral está a preparar um grande concerto em comemoração dos seus 30 anos de carreira, que chega acompanhado, também, de um novo álbum. O palco será Assomada, no concelho que o viu nascer


O concerto, segundo a sua equipa, está marcado para o dia 16 de Julho próximo, Polivalente de Assomada, concelho de Santa Catarina, interior de Santiago.

A celebração será em dose dupla, com o artista a presentear o público com seu novo álbum. 

Para além de Kino, o concerto contará com a atuação de artistas amigos, de renome nacional e internacional. In “A Nação” – Cabo Verde


sexta-feira, 27 de maio de 2022

Macau - Lançamento do livro infantil “Luz dentro de nós”


A Fundação Rui Cunha acolhe, sábado, dia 28 de Maio de 2022, às 11h30, o lançamento do livro infantil Luz dentro de nós, da autoria de Delora Sinha e Gabriel.

Luz dentro de nós conta uma história de luzes que falam e de quatro amigos que se encontram num momento mágico do calendário chinês, num lugar onde o tempo para e onde aproveitam para conversar e também discordar, realçando os diferentes traços de personalidade, vivência, opiniões e atitudes, comprovando que cada um de nós tem uma luz dentro de si.

Através deste livro, o leitor poderá conhecer e entender a existência das diferentes emoções, reconhecendo a importância de cada ser existente no mundo, valorizando e respeitando tudo o que está à sua volta.

Missão:

O desenvolvimento de competências emocionais, particularmente do conhecimento emocional, tem vindo a ser considerado uma importante aquisição para a saúde e bem-estar e para a adaptação social e escolar.

Particularmente, o desenvolvimento que ocorre na idade pré-escolar, tendo em conta a transição e adaptação ao Jardim-de-infância, exige competências que permitam às crianças corresponder às novas exigências afectivas, sociais e cognitivas, a novas regras e limites e fundamentalmente, a iniciar as relações entre pares com toda a sua complexidade entre a individualidade e o grupo.

Acreditamos que o conhecimento sobre diferentes tipos de emoções e o autoconhecimento emocional são muito importantes para o crescimento da criança.

Edição Trilingue

Macau tem vindo a promover de forma activa e empenhada o ensino bilingue das línguas chinesa e portuguesa, contribuindo, assim, para a fusão destas duas diferentes culturas. Aproveitando esse facto, e tendo como objectivo o apoio ao desenvolvimento das crianças que têm contacto com a língua portuguesa, de famílias de matriz chinesa, a introdução ao conhecimento destes dois idiomas assume um papel fundamental no acompanhamento dos pais ao crescimento e processo de aprendizagem dos seus filhos.

Já o Patuá macaense, também chamado Crioulo macaense, é um idioma de origem portuguesa em vias de extinção (classificado pelo UNESCO), sendo apenas falado por um pequeno número dos macaenses que vivem em Macau ou no estrangeiro, na sua maioria já com uma idade avançada, razão pela qual, é de enorme importância contribuir para a sua preservação e promoção no seio das futuras gerações.

Autores:

Teresinha Tcheong Gabriel é fundadora da LEKKA, Centro de Explicações e de Educação e autora do livro lúdico Eu e… Eu sou… Eu sei…, dedicado à prática do português. Exerceu, igualmente, funções de monitora de actividades extracurriculares (Origami) no Jardim de Infância D. José da Costa Nunes.

Bilingue (em chinês e português), Teresinha Tcheong Gabriel é licenciada em Ciências Farmacêuticas pela Universidade de Lisboa, tendo sido, durante vários anos, farmacêutica e directora técnica em farmácias comunitárias e num hospital de dia.

Gabriel, engenheiro de profissão, desde muito cedo manifestou profundo interesse pela música e pela cultura macaense, especialmente o patuá. É ele quem escreve as letras das suas músicas originais tanto em português como em patuá. Neste seu último projecto, decidiu fazer algo diferente: porque não escrever um livro para crianças em três línguas?

Com uma tese de mestrado “Sketching a profile of Macanese managers”, Gabriel é, ainda, co-autor da exposição de fotografias “Fly.Time.Space” – um tema que revela a sua paixão pela cultura local.

Luz dentro de nós, será apresentado a todo o público interessado, este sábado, 28 de maio, pelas 11h30 da manhã, na Fundação Rui Cunha.

Para além da presença dos autores, contaremos, ainda, com a participação do psicoterapeuta Elvo Sou, bem como de António Monteiro, Presidente da Associação de Jovens Macaenses.

A sessão será realizada em português e cantonês com interpretação consecutiva.

Traga o seu filho e venha celebrar connosco o Dia Internacional da Criança!

A entrada é livre! Contamos com todos! Fundação Rui Cunha - Macau



 

Brasil - Gabinete Português de Leitura abre exposição sobre primeira travessia aérea do Atlântico Sul


No Recife, a Fundação Joaquim Nabuco e o Gabinete Português de Leitura de Pernambuco inauguraram a exposição “Travessia – 100 anos de uma epopeia nos céus do Atlântico Sul”, nesta quinta-feira (26), na sede do Gabinete, no bairro de Santo Antônio.

“A exposição celebra uma viagem que comemorou o centenário da independência do nosso país. Desde o nascimento da Fundaj, já existiam laços que nos uniam a tradição portuguesa. Fortalecer essa parceria com a comunidade lusitana é de extrema importância para a instituição, pois como Gilberto Freyre falava, o Brasil tem raízes ibéricas”, afirmou o presidente da Fundaj, Antônio Campos.

Celebrando o trajeto realizado pelos aeronautas portugueses Gago Coutinho e Sacadura Cabral, de Lisboa ao Rio de Janeiro, entre março e junho de 1922, a mostra conta com materiais do acervo do Gabinete, incluindo um cabeçote original da aeronave, fotos de jornal e uma réplica do avião, desta primeira viagem aérea que atravessou o Atlântico Sul. Também esteve presente o Vice-Cônsul de Portugal em Recife, Marco Ferreira de Melo.

Essa primeira exposição contempla o recorte recifense da viagem. Já no final do ano, a versão completa aportará na Fundação Joaquim Nabuco, de onde também seguirá para outros estados do Brasil.

“Depois de 100 anos comemorando não só o feito dos dois aeronautas, mas também o de todos os portugueses que construíram a comunidade portuguesa aqui, celebramos essa cooperação cultural. Estamos felizes, pois a gestão da Fundaj tem um olhar forte para cultura e uma sensibilidade que colabora com a nossa comunidade”, afirmou Celso Stamford, presidente do Gabinete.

“Quando eles passaram pelo Recife, havia muita espera das pessoas daqui e foram muito aclamados. O Sacadura pensou nessa viagem justamente como uma forma de estreitar os laços entre os dois países, no ano do centenário da Independência, com apoio das Marinhas do Brasil e de Portugal. Eles passaram por várias cidades e nossa coleção é complementada por peças do Rio de Janeiro e de Salvador, cada uma trazendo uma parte diferente da travessia”, conclui Maria Lencastre, diretora-cultural do Gabinete.

Mais cedo, antes da inauguração, foram depositadas flores no monumento em homenagem aos aeronautas protagonistas da exposição, localizado na Praça 17, no bairro de Santo Antônio. Além dos representantes das instituições parceiras, estavam presentes nas solenidades um grupo de 13 marinheiros de Portugal que estão recriando a primeira travessia do Atlântico.

Ao final do dia, no auditório do Gabinete, ainda foi realizada uma palestra, conduzida pelo comandante da expedição, José Mesquita, com o tema: “Salvem os Oceanos – Salvem a Humanidade”. In “Mundo Lusíada” - Brasil


 

Portugal - O envelhecimento afeta a dinâmica cerebral, mas nem todas as mudanças têm impacto no funcionamento cognitivo, revela estudo

Um estudo da Universidade de Coimbra (UC), publicado na prestigiada revista eLife, revela que nem todas as mudanças produzidas no cérebro, em resultado do envelhecimento, alteram o desempenho cognitivo. O cérebro muda de forma significativa com o envelhecimento, mas, pelo menos, parte dessas alterações poderão não ser relevantes do ponto de vista do seu funcionamento.


Conduzido por Maria Ribeiro e Miguel Castelo-Branco, investigadores do Centro de Imagem Biomédica e Investigação Translacional (CIBIT), ICNAS, e da Faculdade de Medicina da UC (FMUC), o estudo demonstra «que o cérebro mais velho apresenta uma dinâmica de atividade cerebral marcadamente diferente do cérebro jovem com uma diminuição das flutuações espontâneas de atividade neuronal, mas esta diferença não está associada a uma perda cognitiva».

«O nosso cérebro nunca para. Mesmo quando estamos em repouso, a nossa atividade cerebral mostra grandes flutuações. Períodos de grande atividade cerebral são seguidos de períodos de atividade mais baixa, alternando de uma região ou rede neuronal para outra, em constante movimento. Chamamos a esta atividade cerebral, atividade espontânea», sublinham os dois autores do estudo.

Ou seja, esclarecem Maria Ribeiro e Miguel Castelo-Branco, «com o envelhecimento, a nossa atividade cerebral espontânea tende a tornar-se mais estável. O padrão de atividade cerebral das pessoas mais velhas sugere flutuações de atividade neuronal de menor amplitude e uma redução da ativação espontânea das redes neuronais que abrangem regiões distantes do cérebro. Por outro lado, do ponto de vista comportamental, as pessoas mais velhas têm mais dificuldade em manter o desempenho constante, isto é, quando repetem a mesma tarefa ao longo do tempo as respostas são mais variáveis. Este aspeto parece estar associado a um pior desempenho cognitivo e é um preditor do declínio cognitivo e de patologia cerebral associada à demência». 

Como é que a atividade cerebral mais estável nas pessoas mais velhas pode estar associada a um desempenho comportamental mais variável? Este foi o dilema abordado no estudo. Os cientistas da UC compararam os padrões de atividade cerebral de pessoas mais velhas com os padrões cerebrais de jovens adultos e estudaram a «associação entre a atividade cerebral espontânea e as respostas neuronais quando os participantes executavam tarefas cognitivas».

Foi então que observaram, explicam, «uma dissociação entre a atividade cerebral espontânea, que serve de pano de fundo para tudo o que acontece no cérebro, e a atividade cerebral que é induzida durante o desempenho cognitivo. Apesar de as pessoas mais velhas terem uma atividade cerebral espontânea menos variável, a sua atividade cerebral associada ao desempenho cognitivo mostra o mesmo nível de variabilidade dos jovens adultos». Universidade de Coimbra - Portugal


África - Pena de morte aumentou 22% em 2021 na África subsaariana, alerta Amnistia internacional

Pelo menos 373 novas sentenças de morte foram proferidas em 19 países, um aumento de 22% em relação a 2020. República Democrática do Congo e Mauritânia entre os países que mais aumentaram



A aplicação da pena capital na África subsaariana, em 2021, aumentou 22% relativamente ao período homólogo, com 373 novas execuções, revelou esta semana a Amnistia Internacional (AI) no seu relatório sobre a pena de morte em 2021.

“Pelo menos 373 novas sentenças de morte foram proferidas em 19 países, um aumento de 22%, devido aos fortes aumentos na República Democrática do Congo e na Mauritânia, e apesar de uma queda significativa na Zâmbia”, destaca o documento. “O número de execuções, registado no Botsuana, Somália e Sudão do Sul mais do que duplicou para 33”, acrescenta.

Do lado das boas notícias, a organização não-governamental (ONG) salienta que em julho, o parlamento da Serra Leoa adotou por unanimidade uma lei que abole a pena de morte para todos os crimes e na República Centro-Africana e no Gana, os processos legislativos para abolir a pena de morte foram iniciados e continuam em andamento. A AI refere que registou comutações ou indultos de sentenças de morte em 19 países, entre os quais seis da África subsaariana: Botsuana, República Democrática do Congo, Serra Leoa, Sudão do Sul, Zâmbia e Zimbabué.

A ONG de defesa dos direitos humanos registou sete libertações de pessoas condenadas à morte em quatro países, três das quais na Zâmbia e uma no Quénia.

A Etiópia, a Tanzânia e o Uganda proferiram sentenças de morte não o tendo feito em 2020, enquanto o inverso ocorreu nas Comores e no Níger.

“No final de 2021, pelo menos 28670 pessoas estavam sob sentença de morte. Nove países detinham 82% dos totais conhecidos”, dois dos quais, Nigéria (pelo menos 3036) e Argélia (1000) fazem parte da África subsaariana.

Segundo a AI os métodos de execução usados em 2021 nos países que aplicam a pena de morte incluem a decapitação, enforcamento, injeção letal e tiro.

Quanto a condenações proferidas em casos judiciais que não seguiram os padrões internacionais de julgamento justo, a ONG identifica na África subsaariana processos realizados na Argélia, Camarões, Nigéria e Somália. A Gâmbia continuou a observar as moratórias oficiais das execuções, destaca a Amnistia Internacional.

Finalmente, segundo a classificação da AI, o Burkina Faso é o único país da África subsaariana que é considerado “abolicionista unicamente para crimes comuns”.

A Argélia, Camarões, Eritreia, Essuatíni, Gana, Libéria, Malawi, Maldivas, Mali, Mauritânia, Níger, Quénia, República Centro-Africana, Serra Leoa, Tanzânia, Tunísia e Zâmbia figuram na lista de países “abolicionistas na prática”.

“Trata-se de países que mantêm a pena de morte para crimes comuns, como assassínio, mas podem ser considerados abolicionistas na prática, pois não executaram ninguém nos últimos 10 anos ou mais e acredita-se que tenham uma política ou prática estabelecida de não realizar execuções”, explica a AI.

Na lista de países “retentivos”, ou seja, que mantêm a pena de morte somente para crimes comuns, a organização identifica o Botsuana, Comores, Etiópia, Gâmbia, Lesoto, Nigéria, República Democrática do Congo, Somália, Sudão, Sudão do Sul, Uganda e Zimbabué.

“A minoria de países que ainda mantêm a pena de morte está em alerta: um mundo sem assassínios sancionados pelo Estado não é apenas imaginável, está ao nosso alcance e continuaremos a lutar por isso. Continuaremos a expor a arbitrariedade, discriminação e crueldade inerentes a essa punição até que ninguém seja deixado sob sua sombra. Já é hora de a punição final cruel, desumana e degradante ser consignada aos livros de história”, escreve no relatório a secretária-geral da AI, Agnès Callamard.

A dirigente salienta que a organização “registou 579 execuções em 18 países em 2021, um aumento de 20% em relação às 483 registadas em 2020”.

“Esse número representa o segundo menor número de execuções registado pela Amnistia Internacional desde pelo menos 2010”, concluiu. In “Milénio Stadium” - Canadá

 


quinta-feira, 26 de maio de 2022

Reino Unido - Milhares de emigrantes portugueses em risco de expulsão

De acordo com o Ministério do Interior britânico, até 31 de março entraram no Sistema de Registo de cidadãos da União Europeia [EU Settlement Scheme, EUSS] 444490 candidaturas de cidadãos portugueses, das quais 431130 foram processadas. Destas, 241320 receberam o estatuto permanente, 160750 o título provisório e 29060 foram rejeitadas, invalidadas ou consideradas nulas

Até 31 de março de 2022, apenas 24960 portugueses residentes no Reino Unido tinham passado de estatuto provisório (‘pre-settled status’) para estatuto permanente (‘settled status’), atribuído após cinco anos de residência contínua no país.

Esta mudança deve ser feita antes de o estatuto provisório caducar, logo que o período de cinco anos for atingido, e implica repetir o método de candidatura feito antes, juntamente com prova de “residência contínua” ou justificação para ausências prolongadas.

O processo é obrigatório para quem deseje manter o direito de viver, trabalhar ou estudar no país, mas algumas organizações receiam que muitos se esqueçam ou não estejam consciencializados para a sua importância.

Um estudo do Observatório da Migração da Universidade de Oxford publicado em março alertava para os obstáculos na atualização do estatuto de residência britânica pós-‘Brexit’ porque exige mais informação.

“Fornecer provas é mais difícil para alguns grupos que não têm relações regulares com órgãos públicos, como por exemplo sem-abrigo, trabalhadores informais ou algumas mulheres não-trabalhadoras que tomam conta de crianças”, vinca o documento.

Pessoas vulneráveis, como idosos, menores nos serviços sociais, presidiários, enfrentam desafios adicionais devido à falta de informação, competências digitais ou barreira linguística.

Um europeu ou familiar pode perder o estatuto de residente provisório se passar mais de seis meses fora do Reino Unido num espaço de 12 meses, mas as autoridades britânicas abriram exceções, como questões de saúde, educação, profissionais ou relacionadas com a pandemia de covid-19.

Trabalhadores sazonais e outros migrantes temporários com estatuto provisório correm maior risco de não cumprir os requisitos, e penas de prisão também interrompem a contagem dos cinco anos necessários.

O EUSS foi aberto em 2019 na sequência da saída do Reino Unido da União Europeia para garantir o estatuto de residência a cidadãos dos países a UE, da Islândia, Suíça, Noruega e Liechtenstein e respetivos familiares próximos de países terceiros.

Os residentes permanentes podem passar até cinco anos contínuos fora antes de perder o direito a viver no Reino Unido.

No total, o Ministério do Interior britânico recebeu até ao momento quase 6,6 milhões de candidaturas de europeus e familiares no âmbito do EUSS, estando 268,1 mil por concluir.

Apesar de o prazo oficial ter acabado em 30 de junho de 2021, o Governo britânico continua a aceitar inscrições desde que sejam apresentados “motivos atendíveis” para o atraso, prometendo uma abordagem “pragmática e flexível”.

Sem prova de estatuto, ou certificado de candidatura, os imigrantes europeus ou respetivos familiares perdem os direitos de residência e trabalho e acesso a serviços de saúde, educação e apoios sociais no Reino Unido. In “Bom dia Europa” - Luxemburgo


Macau – Plataforma da Universidade de São José “Português à Vista” visa fomentar compreensão oral da língua

A Universidade de São José apresenta na segunda-feira o projecto “Português à Vista”, uma plataforma de conteúdos audiovisuais, com cerca de 100 vídeos e muitos exercícios para que os alunos possam desenvolver melhor uma das capacidades mais difíceis para quem aprende um idioma estrangeiro: a compreensão oral. A plataforma pode também ser usada por professores de português língua estrangeira das várias instituições de ensino no território

Chama-se “Português à Vista” e é o mais recente projecto audiovisual a pensar nos alunos e professores que trabalham com o ensino da língua portuguesa não materna. Lançado já na próxima segunda-feira, 30, e desenvolvido pelo Departamento de Línguas e Cultura da Faculdade de Artes e Humanidades da Universidade de São José (USJ), este é um projecto que pretende fomentar a compreensão oral do aluno, mas sobretudo a sua autonomia na aprendizagem da língua. “Português à Vista” conta com financiamento do Fundo do Ensino Superior e poderá ser usado por qualquer aluno e docente de língua portuguesa em Macau, ainda que tenha funcionalidades específicas para professores e estudantes da USJ.

À frente desta iniciativa, está o professor João Paulo Pereira, que há dois anos trabalha no projecto. A ideia surgiu “na sequência da experiência no ensino como professor de português como língua estrangeira, e da necessidade de termos mais materiais audiovisuais para trabalhar aquela que é uma das competências mais difíceis para quem aprende português, que é a compreensão de textos orais”, contou ao HM.

Com cerca de uma centena de vídeos, que incluem documentários, notícias ou curta-metragens, entre outro tipo de conteúdos legendados, “Português à Vista” inclui também um conjunto diverso de exercícios. “Esta é uma plataforma criada de raiz para que os alunos possam trabalhar esta competência da compreensão oral, mas também aquelas que estão associadas às novas formas de comunicação, como é o caso do vídeo digital ou literacia visual”, contou o docente.

João Paulo Pereira destacou ainda o facto de serem conteúdos reais transmitidos no dia-a-dia “e que são necessários para um contexto de aprendizagem do português como língua segunda”.

Os exercícios associados a estes conteúdos apresentam ainda uma abordagem diferente, pois pretende-se que o estudante “reflicta sobre as estratégias que utiliza para a compreensão dos textos orais”.

Tratam-se de “actividades meta-cognitivas, como questionários de auto-reflexão, por exemplo” e que são diferenciadoras face ao que existe actualmente em Macau em termos de materiais auto-didácticos.

“Há também um diagrama de ansiedade, em que o aluno manifesta o grau de ansiedade que sentiu ao fazer cada sequência da actividade. Há um algoritmo que faz a análise do desempenho do aluno tendo em conta os resultados que obteve nos exercícios e que tem também em conta esta parte cognitiva. Nesse sentido, é uma proposta inovadora e que tira partido das funcionalidades da tecnologia”, acrescentou João Paulo Pereira.

Projecto inovador

João Paulo Pereira não tem dúvidas de que estamos perante “um projecto novo e diferente” que acrescenta uma diversidade de materiais didácticos e permite “trabalhar também outras competências”. A legendagem dos conteúdos revela-se fundamental, tendo em conta que no território, apesar de existir um canal de rádio e televisão em português, os conteúdos programáticos e noticiosos não estão legendados.

“Tal facilita a compreensão a esses apoios textuais e visuais. Isso é também muito necessário, porque apesar de existirem muitos recursos audiovisuais em Macau, como o canal português da TDM, os alunos acabam por não recorrer a esses meios porque não compreendem o que ouvem, e desistem. Em grande parte, porque os vídeos não são legendados e não existe este apoio didáctico. É uma proposta que não existia em Macau.”

Acima de tudo, pretende-se promover “a autonomia do aluno na sua aprendizagem, porque esta abordagem meta cognitiva potencia isso, faz com que o aluno pense nas estratégias que deve usar para desenvolver a sua própria aprendizagem”.

Uma outra das funcionalidades da plataforma “Português à Vista” permite que os estudantes “criem os seus próprios exercícios”. “É o chamado auto-exercício, e para isso o aluno só precisa de ter a transcrição da letra de uma canção, por exemplo, e a plataforma gera automaticamente um exercício para trabalhar a compreensão oral”, frisou o docente.

Agarrados ao livro

Questionado sobre a capacidade dos alunos de português como língua não materna de procurarem conteúdos fora da sala de aula e da alçada do professor, João Paulo Pereira concluiu que há ainda uma grande necessidade de recorrer ao livro.

“No universo da USJ, e no âmbito deste projecto, foi feito um grupo de foco com turmas da licenciatura de estudos de tradução português-chinês, do primeiro ao quarto ano, e nesse âmbito percebemos que os alunos ainda estão muito dependentes das orientações do professor e daquilo que ele lhes propõe em termos de materiais. Há ainda muito a ideia de que o manual é o principal instrumento didáctico, e os materiais audiovisuais não são ainda muito utilizados por parte dos alunos de forma autónoma. Neste sentido, esta plataforma pretende ir ao encontro dessas dificuldades.”

Nesta fase foram testados os materiais disponíveis na plataforma, tendo sido feitas entrevistas aos professores, que também experimentaram a funcionalidade dos conteúdos.

Acima de tudo, “Português à Vista” poderá ser utilizado por todas as instituições de ensino do território. “Qualquer aluno de português e professor pode aceder aos conteúdos da plataforma. Algumas funcionalidades estão reservadas aos alunos e docentes da USJ, como é o caso da criação de turmas. A plataforma pode ser usada em Macau por qualquer aluno e professor, e este pode criar os seus exercícios. Pode ser utilizada numa lógica de sala de aula ou como complemento às aprendizagens”, rematou João Paulo Pereira. O lançamento de “Português à Vista” será feito no campus da USJ e conta ainda com a presença de Carlos Sena Caires, director da Faculdade de Artes e Humanidades da USJ.

Docente e investigador

João Paulo Pereira é professor da Faculdade de Artes e Humanidades da Universidade de São José. Detém um mestrado em Ensino do Português como Língua Segunda e Estrangeira, pela Universidade Nova de Lisboa, e encontra-se a fazer o doutoramento em Didática das Línguas – Multilinguismo e Educação para a Cidadania Global.

É investigador no CHAM – Centro de Humanidades da Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa. Além de Macau, conta com uma vasta experiência profissional em vários países da Europa e de África, tendo leccionado em instituições de ensino superior e não superior. Tem centrado a sua investigação nas áreas da Aquisição de Língua Segunda, do Desenvolvimento de Materiais Didáticos e dos Estudos Interculturais.

Tem vários artigos científicos publicados nestas áreas, assim como materiais didáticos para o ensino do Português como Língua Estrangeira (manual Dar à Língua, IPOR, 2017). Na área do desenvolvimento de materiais didáticos digitais, participou, como revisor científico, nos projectos “Escola Virtual”, da Porto Editora, e “Português mais perto”, da Porto Editora/ Instituto Camões. É ainda autor de um repositório de recursos digitais para alunos e professores de PL2/PLE, intitulado “ARELP – Árvore de Recursos da Língua Portuguesa”. Também se tem dedicado à formação de professores, contando com acções em Macau e em países da Ásia-Pacífico, como o Vietname e a Austrália. Andreia Silva – Macau in “Hoje Macau”