Pintura Arq. Eduardo Moreira Santos, Lx (28.08.1904 - 23.04.1992)

domingo, 2 de abril de 2023

Estados Unidos da América - A portuguesa que dá cartas na bioengenharia

Susana Cerqueira trabalhou no Centro Alemão para Doenças Neurodegenerativas (Alemanha) e na Miller School of Medicine (EUA), dedicando-se aí ao estudo de lesões na medula espinal. Foi conselheira em Miami Dade para o (re)abrir de escolas na era covid, pivô local da Portuguese American Postgraduate Society e está agora na Universidade de Clemson, na Carolina do Sul


A portuguesa começou a sua carreira académica na Universidade do Minho que a entrevistou. Leia aqui a entrevista desta portuguesa que agora é investigadora na Universidade de Clemson.

O que a levou a escolher Biologia Aplicada?

O fascínio e a curiosidade em perceber como todos os processos que ocorrem na Natureza estão interligados de forma perfeita. O meu professor de Biologia no ensino secundário era um apaixonado pelo tema e contagiou-me com o seu entusiasmo. Quando comecei a ter aulas práticas e percebi como se podem manipular os sistemas biológicos, quer para compreender, quer para tentar reverter erros ou patologias, senti que queria explorar essas possibilidades no futuro. O facto de o curso de Biologia Aplicada na UMinho ter uma componente mais aplicada diferenciou-o dos tradicionais cursos de outras faculdades.

Como passou de Biologia Aplicada para o doutoramento em Engenharia de Tecidos, Medicina Regenerativa e Células Estaminais?

O que me motiva mais em investigação científica é encontrar soluções para problemas médicos. Este doutoramento do I3Bs pareceu-me ser uma boa opção para aprender e desenvolver tecnologias inovadoras, nomeadamente o uso de biomateriais multifuncionais como agentes terapêuticos e, também, como meio para direcionar medicamentos a tecidos patológicos. As tecnologias que estão a ser desenvolvidas nas áreas de engenharia de tecidos são muito promissoras!

Que momentos da vida universitária deixaram mais saudades?

As relações de amizade e a rede de apoio construída durante o percurso académico são o que deixa mais saudades. Fiz grandes amigos durante a licenciatura e o doutoramento. Continuo ligada à academia agora como mentora internacional de alunos da UMinho, o que é um privilégio. Poder contribuir na formação dos mais novos é, sem dúvida, uma retribuição pelo excelente ensino que tive em Portugal. Tenho muito gosto em estabelecer pontes através de iniciativas que aproximam os EUA e Portugal, porque me mantém ativamente ligada ao meu país de origem.

Quando não investiga, vira-se para a dança. Que outros hobbies a fazem sorrir?

A dança foi uma parte muito importante da minha formação. Surgiu de forma inocente quando os meus pais me inscreveram na Companhia de Dança Arte Total, em Braga, sem que eu quisesse. Fui um bocado forçada, na verdade, mas depois de começar nunca mais consegui parar. Até fiz o curso para professora de ballet e cheguei a dar formação vários anos. Embora não dê tantas aulas e espetáculos como quando vivia em Portugal, a dança continua comigo, onde quer que esteja, ocupando sempre espaço na minha vida. Tenho este ano alguns projetos neste âmbito, quer de estabelecimento de intercâmbios artísticos entre Portugal e os EUA, quer de planos de coreografia para uma peça de dança contemporânea em Portugal. Recentemente, comecei também a explorar um novo hobbie, a escrita criativa. Durante a pandemia participei em workshops com autores portugueses e fiquei surpreendida com a vontade que senti em descobrir a minha voz na escrita. É um interesse que continua a crescer e que também quero manter.

Gosta de morar na costa leste dos EUA?

Sim, gosto! Já considerei ir trabalhar para a Califórnia, na costa oeste, mas o facto de ser tão longe de Portugal desencantou-me. Optei por ficar deste lado e ter apenas um oceano de distância a separar-me de “casa”. A costa leste tem desde clima tropical no Sul até temperaturas mais frias na zona Norte, além de várias cidades e locais de interesse que vale a pena conhecer.

Portugal é uma paragem obrigatória quando está de férias? Pretende regressar de vez?

Absolutamente! Aliás, nem tenho explorado outros destinos turísticos recentemente, uma vez que dedico as minhas férias a visitar Portugal e as minhas pessoas queridas que por lá vivem. Não há nenhum outro sítio no mundo onde me sinta mais confortável e à vontade como em Portugal. Em relação ao regresso, talvez possa acontecer, mas penso que não será em breve. Neste momento da minha vida, faz sentido para mim continuar nos EUA. In “Bom dia Europa” – Luxemburgo com “Universidade do Minho”

 


Espanha - Zamora vai ter estátua do rei Afonso Henriques

Afonso Henriques, o primeiro Rei de Portugal, vai ter uma estátua em Zamora, Espanha, numa homenagem que vai decorrer a 29 e 30 de abril, revelou a Grã Ordem Afonsina

“Afonso Henriques é uma figura emblemática que não só é reconhecido em Portugal como muito acarinhada em Espanha, nomeadamente em Zamora, onde ele próprio se foi armar cavaleiro, aos 14 anos. Por isso, nós e os espanhóis estamos umbilicalmente ligados por factos históricos do seu percurso e é isso que vamos celebrar”, explica Abel Cardoso, autor do projeto da estátua e vice-presidente da Grã Ordem Afonsina.

Em declarações à Lusa, revelou que o monumento, talhado pelo escultor vimaranense Dinis Ribeiro, pesa cerca de 15 toneladas e tem quase seis metros e meio de altura, sendo uma caracterização de Afonso Henriques com 14 anos, agarrado a uma espada, refletindo a sua investidura como cavaleiro, um momento histórico documentado.

“Será uma escultura que irá recrear o preciso momento que antecedeu o gesto da sua própria investidura como cavaleiro. Quando a sua tomada de consciência se torna absoluta e cuja profundidade terá contornos irreversíveis na história dessa nação preste a emergir, Portugal”, explica o autor do projeto.

Abel Cardoso anuncia uma estátua “quase do tamanho” do adolescente que segura a espada de guerra a duas mãos, “não só devido peso da peça em si, mas também como sinal de alguém que, por força indómita, antevê no reflexo desta longa lâmina o seu futuro e se prende a ele sem hesitação reclamando-o seu como por direito”.

“Uma figura do jovem infante, adolescente, mas esclarecido. De rosto miúdo, porém, determinado que na cidade de Zamora, no Pentecostes de 1125, se prepara para ajoelhar como criança para posteriormente se erguer enquanto homem”, exalta.

A investidura de D. Afonso Henriques como cavaleiro é um facto histórico tradicionalmente assinalado na cidade espanhola no dia de Pentecostes de cada ano, com manifestações promovidas pelo Centro de Iniciativas Turísticas de Zamora, uma associação que envolve mais 26 municípios limítrofes.

A ideia da estátua de Afonso Henriques foi partilhada pela Grã Ordem Afonsina com vários organismos espanhóis que “logo acolheram o projeto”, nomeadamente a  Fundación Rei Afonso Henriques, o Cabido da Catedral de Zamora, a autarquia local e o Centro de Iniciativas Turísticas de Zamora e Municípios Limítrofes.

“Esta iniciativa será um marco importante no desenvolvimento das relações de amizade e cooperação entre entidades e coletividades portuguesas e espanholas interessadas em aprofundar o conhecimento histórico sobre o primeiro Rei de Portugal, em especial aquelas que se situam em locais que foram palco dos principais factos históricos por ele protagonizados”, sublinha Abel Cardoso.

Além da estátua, que será “única de um monarca português em Espanha”, está prevista a celebração litúrgica na Catedral de Zamora, que poderá a vir a ter transmissão online, e uma peça de teatro de recriação histórica dedicada a Afonso Henriques.

“Pretendemos levar uma réplica da espada de D. Afonso Henriques, que faz parte do espólio do Museu Militar do Porto, para ser benzida durante a celebração”, acrescenta o responsável, que gostava de a ver novamente exposta em Guimarães.

Criada em Guimarães, o berço da nacionalidade, a Grã Ordem Afonsina foi constituída em 2019 “com o único propósito de estudo e divulgação do património material e imaterial de D. Afonso Henriques”, juntando atualmente cerca de 100 membros. A estátua em Zamora “permite o culto a uma figura que outrora nos dividiu, mas que hoje pode ser entendido como elo fundamental de ligação entre portugueses e espanhóis”, concluiu. In “Bom dia Europa” - Luxemburgo


Saudade é pouco


 









Vamos aprender português, cantando

 

Saudade é pouco

 

Saudade é pouco

pra tudo que sai

dentro do meu peito

calor que me trás

 

Saudade é pouco

palavra fugaz

mistério desejo

a falta que faz

 

Saudade eu sinto

de sentir esse seu cheiro

esperar o dia inteiro

pra poder te encontrar

 

A labareda

vem beijando bem ligeiro

e não tem nenhum bombeiro

que consiga apagar

 

Saudade é pouco,

um som que reluz

que só não traduz

a luz do teu olhar.

 

Pra poder te dizer

tudo o que eu queria de vez

precisaria talvez

de umas dez ou mais

 

E até que sabe

inventar outra palavra

que saudade só não basta

pra dizer o que é preciso.

 

Uma palavra

que tivesse a sua cara,

sua pele, sua alma,

sua paz e seu sorriso

 

Saudade é o vento

que soprou na ribanceira,

atiçando essa fogueira

que chegou pra encandear

 

Saudade é flor

desabrochando no cabelo,

ponta solta do novelo

que ninguém sabe onde está.

 

Saudade eu sinto

de sentir esse seu cheiro

esperar o dia inteiro

pra poder te encontrar

 

A labareda

vem beijando bem ligeiro

e não tem nenhum bombeiro

que consiga apagar

 

Saudade é pouco,

um som que reluz

que só não traduz

a luz do teu olhar.

 

Pra poder te dizer

tudo o que eu queria de vez

precisaria talvez

de umas dez ou mais

 

Anna Setton - Brasil


sábado, 1 de abril de 2023

Angola - Fome no sul do país das “piores do mundo” em 2022

A insegurança alimentar nas províncias angolanas do Cunene, Huíla e Namibe em 2022 foi das “piores do mundo”, alertou esta terça-feira (28) a Amnistia Internacional (AI), sublinhando que o historial de Angola quanto a direitos humanos continua a ser “terrível”


No relatório sobre o estado dos direitos humanos no mundo em 2022, a AI denuncia que a fome afetou “cerca de 1,58 milhões de pessoas” naquelas províncias do sul de Angola, sem que houvesse a intervenção necessária do Governo.

“Milhares de pessoas caminharam para a Namíbia a pé, sem comida e água, algumas delas doentes e desnutridas; muitas morreram durante a viagem”, relata a organização de defesa dos direitos humanos.

“O governo da Namíbia e a Cruz Vermelha fizeram esforços visíveis para fornecer ajuda aos refugiados” enquanto do lado angolano “havia pouco alívio governamental para os que permaneceram em Angola”, de tal forma que “a fome obrigou muitos dos que tinham sido repatriados a regressar” ao país vizinho.

Cerca de 400 mil crianças foram classificadas como “gravemente desnutridas” em 2022, de acordo com o fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF).

A Amnistia Internacional acusa também as autoridades angolanas de repressão do direito à reunião pacífica e ao protesto, detenção e tortura de ativistas, sobretudo nos períodos, “mergulhados” em violações dos direitos humanos, pré e pós-eleições, realizadas a 24 de agosto.

Embora não tenham sido comunicadas violações dos direitos humanos nas mesas de voto no dia das eleições, as situações sucederam-se antes e depois e “os agentes de segurança ficarem impunes por estes crimes”, refere a Amnistia Internacional.

Entre outros casos, refere o ocorrido em março, quando agentes do Serviço de Investigação Criminal (SIC) detiveram e “submeteram a tortura durante a detenção“, 10 ativistas cívicos por planearem um seminário sobre desenvolvimento regional sustentável na escola Agostinho Neto, na província de Malanje.

As sucessivas detenções de António Tuma, adjunto para a informação do Movimento Independentista de Cabinda (MIC) e outros ativistas desta estrutura são também denunciadas no relatório, que documenta com vários casos como as autoridades “reforçaram o controlo sobre o direito à liberdade de associação, impedindo reuniões da sociedade civil antes das eleições”.

Após a eleição, “procederam a detenções em massa”, acrescenta a AI, recordando, entre outros, os casos no Lobito, a 26 de agosto, quando a polícia nacional dispersou uma manifestação e deteve oito ativistas e 11 outras pessoas, e mais 20 no dia seguinte, durante um protesto em que contestavam o resultado das eleições.

A organização de defesa dos direitos humanos relata ainda outras violações, como a expropriação de pastagens comunais, agravando a já difícil situação destas comunidades, para pecuária comercial no sul de Angola.

Em outubro, exemplifica, a polícia incendiou 16 casas e objetos pessoais numa operação para expulsar a comunidade Mucubai das suas terras, na província do Namibe. In “Milénio Stadium” - Canadá


Brasil - Feira de negócios com delegações e Câmaras Portuguesas é sucesso em Florianópolis

Representantes do comércio português estiveram representados desde terça-feira na cidade de Florianópolis, sul do Brasil, numa ação que culminou na sexta-feira com o encerramento da 10.ª Reunião Mundial anual das Câmaras de Comercio portuguesas.


“Representantes das câmaras de comércio, representantes das câmaras municipais portuguesas, representantes de empresas portuguesas, brasileiras” e até representantes de empresas moçambicanas, resumiu assim à Lusa o secretário de Estado da Internacionalização, Bernardo Ivo Cruz, enfatizando o espírito de negócios que se viveu na Feira Internacional de Negócios em Florianópolis – FIN.

Organizada pela Câmara de Comércio Brasil Portugal de Santa Catarina, Instituto Jovem Exportador e Associação de Jovens Empresários Portugal/China (AJEPC) arrancou na terça-feira e terminou no passado dia 29, com 350 expositores, e com o objetivo de estabelecer uma rede de cooperação entre empresas da Europa, Ásia, América e África.

O evento atraiu à Capital de Santa Catarina missões empresariais de países-membros da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP), como Portugal, Angola, Cabo Verde e Moçambique, além de missões de Hong Kong, Alemanha, Estados Unidos, Reino Unido, China e diversos países latino-americanos, além das 19 Câmaras portuguesas no Brasil e mais de três dezenas de entidades governamentais e civis de Portugal e África.

Bernardo Ivo ainda participou de reunião também com a Vice-Governadora de Santa Catarina, Marilisa Boehm. Já em São Paulo, na sexta-feira, o Secretário da Internacionalização manteve encontros com o meio empresarial e acadêmico, incluindo a participação na sessão de encerramento da imersão empresarial “Portugal Brasil”, na Câmara de Comércio de São Paulo.

Na quinta-feira, arrancou a 10.ª Reunião Mundial anual das Câmaras de Comercio portuguesas,  com a presença de dezenas de câmaras de comércio portuguesas espalhadas pelo mundo, do embaixador de Portugal no Brasil, Luís Faro Ramos, do conselheiro Econômico e delegado da AICEP no Brasil, Francisco Saião Costa, do secretário de Estado da Internacionalização, entre outros.

“Cada vez mais o Governo português vê as câmaras como parceiros na sua atividade econômica”, afirmou à Lusa o presidente da Federação das Câmaras Portuguesas de Comércio no Brasil, Armando Abreu, enfatizando ainda para o fato de cada vez mais existir uma parceria e uma ação complementar entre as embaixadas, o AICEP e as 65 câmaras de comércio portuguesas espalhadas pelo mundo.

“Muita da política, seja de internacionalização de empresas, seja de captação de investimento para Portugal é complementado e feito em paralelo com as ações das câmaras de comércio pelo mundo inteiro”, frisou.

O objetivo para o futuro, explicou Armando Abreu, passa pela formulação dos estatutos da Rede Mundial das Câmaras.

Bernardo Ivo Cruz foi incisivo relativamente à importância das câmaras de comércio portuguesas e o papel que têm entre o Estado e o privado: “já trabalhamos, mas queremos trabalhar ainda mais”.

“Reconhecemos a crescente importância das câmaras de comércio portuguesas no mundo como instrumento de apoio e de promoção das empresas portuguesas que já estão nesses países, mas também como instrumento de apoio à entrada de novas empresas portuguesas”, frisou.

O secretário de Estado da Internacionalização espera por isso uma colaboração com o AICEP e o reforço “numa relação cada vez mais íntima, mais próxima, que permita que as câmaras possam prestar apoio às empresas portuguesas, mas que possam prestar também apoio às empresas portuguesas que querem ir para onde essas câmaras estão”. In “Mundo Lusíada” – Brasil com “Lusa”


Brasil - Ganha 72 km² de território com recálculo de fronteiras

O território brasileiro aumentou em 72,2 quilômetros quadrados (km²) em 2022. A constatação é de levantamento do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), divulgado nesta quarta-feira (29), no Rio de Janeiro. O estudo ajustou o total da área do país para 8 510 417,771 km².


Segundo o IBGE, o aumento do território deve-se a novos delineamentos de fronteira internacional em trechos do Amazonas, Rondônia, Mato Grosso e Mato Grosso do Sul.

O aprimoramento, complementa o IBGE, decorre da realidade física dos rios da região e está em conformidade com dados fornecidos pelas Comissões Demarcadoras de Limite do Ministério da Relações Exteriores.

Municípios

O IBGE também divulgou mapas atualizados com os novos limites de 174 municípios brasileiros. As mudanças na divisão político-administrativa dessas cidades aconteceram entre 1º de maio de 2021 e 31 de julho de 2022.

Segundo o instituto, as atualizações resultam da publicação de nova legislação, decisão judicial e relatórios/pareceres técnicos confeccionados pelos órgãos estaduais responsáveis pela divisão político-administrativa de cada estado e encaminhados ao IBGE.

O estado com maior número de mudanças nos limites municipais foi o Rio Grande do Sul (61 municípios), seguido por Pernambuco (50) e Paraná (47).

Também houve alterações em Mato Grosso (seis), Maranhão e Rio Grande do Norte (três em cada), além de Tocantins e Goiás (dois em cada).

“As atualizações acontecem a partir da publicação de nova legislação, decisão judicial e relatórios/pareceres técnicos confeccionados pelos respectivos órgãos estaduais responsáveis pela divisão político-administrativa de cada estado e encaminhados ao IBGE”, explica Roberto Tavares, coordenador de Estruturas Territoriais, da Diretoria de Geociências do IBGE. In “Mundo Lusíada” – Brasil com “EBC”


Cabo Verde - Loony Johnson regressa á cidade da Praia

O artista, filho de pais cabo-verdianos, encontra-se na capital do país para o lançamento oficial do quarto álbum “Mocinho”, um projeto versátil e tradicional constituído por 15 faixas


Depois de quatro anos sem atuar na cidade da Praia, o artista e produtor musical Loony Johnson está na capital do país para apresentar hoje, sábado, 01, o quarto álbum “Mocinho”, que traz um tema dedicado ao falecido pai.

“Para mim, Mocinho foi o álbum mais difícil de produzir por causa da gestão dos sentimentos. (…) Nunca tinha perdido alguém tão próximo e foi complicado lidar com esse sentimento. Estava na fase de produção de Mocinho, afastei-me do estúdio e foi a música que dediquei ao meu pai que me deu ânimo para continuar a trabalhar porque o single ‘Sodadi Txeu Dimas’ foi um desabafo. (…) O meu pai faleceu quando estava a produzir o tema ‘Só Si Ka Da’ que fiz com Vado Más Ki Ás e que era para sair na altura, acabei por adiá-lo e lancei ‘Jóia’, que é um tema que aproveitei para dedicar à família. Depois de um longo período fiz o single dedicado ao meu pai. Foi como se fosse uma biografia dele”, conta visivelmente emotivo.

No tema “Sodadi Txeu Dimas”, Loony Johnson conta com a colaboração do irmão Hugo Miranda. “Normalmente, o meu irmão canta mais hip hop e nunca tínhamos pensado em gravar algo em conjunto. Nessa música senti a necessidade de juntos homenagearmos o nosso pai. A voz da minha mãe aparece no início da música, ela nem percebeu que estava a ser gravada e depois ficou emocionada.”

O artista diz que sempre quis homenagear o pai, mas que lhe faltava inspiração e lamenta fazê-lo depois do seu desaparecimento físico. “É uma pena, o meu pai nunca vai escutar essa música. Sempre quis dedicar-lhe um single e nunca tive inspiração para o homenagear em vida. No meu primeiro álbum fiz uma música para a minha mãe e sempre questionei porquê que nunca fiz algo para o meu pai e foi doloroso ver que a inspiração e o desabafo certo só apareceram depois do seu falecimento. (…) Espero que onde quer que o meu pai esteja ele possa sentir essa energia.”

A música tem sido uma terapia e desde a pandemia começou a aprender a tocar piano, algo que desde criança tinha vontade de “aprender e aprofundar”. “A música ajuda-me a me libertar e a pensar melhor.”

Segundo Loony Johnson, o feedback do público em relação ao álbum ‘Mocinho’, que foi lançado em outubro de 2022, está a ser “incrível”.

“O meu penúltimo CD foi em 2016 e depois desse tempo sem lançar as pessoas acarinharam ‘Mocinho’ de uma forma tão positiva que para mim é uma satisfação enorme. Depois de tudo o que passei e que não estava preparado, produzi um álbum e o público retribuiu com muito carinho, amor, respeito e com mensagens que dá até vontade de chorar. (…) Então, fico muito contente quando sinto o reconhecimento do público.”

Recentemente, o artista apresentou o álbum em Nice (França) e hoje, sábado, 01, será a vez do espaço Hangar 7, na cidade da Praia, acolher o concerto.

“Tenho preparado um repertório de algumas músicas antigas, mas principalmente a apresentação de ‘Mocinho’. Estou ansioso para ver pessoalmente como o público vai vibrar, aceitar e cantar. (…) Até agora tenho recebido bons feedbacks, o que aumenta cada vez mais a minha ansiedade. Vou contar com alguns convidados que vão fazer a noite ainda mais especial. Acho que tenho todos os ingredientes para ser uma noite bem conseguida onde as pessoas vão divertir-se e esquecer um pouco as dificuldades do dia-a-dia. (…) O público pode esperar boas energias.”

Loony Johnson vai partilhar o palco com Zeca di Nha Reinalda, Dynamo e SOS Mucci, artistas com os quais já trabalhou junto. Gravar com Zeca di Nha Reinalda, bem como Princezito, foi histórico na vida do artista que reside em Portugal. “A música ‘Homi Grandi’ foi um prémio que ganhei. (…) Não estou a discriminar a nova geração, mas há sempre mais respeito para os artistas mais antigos. (…) Nem sei onde estava quando o Zeca di Nha Reinalda começou no grupo Bulimundo (risos), então, para mim é histórico. Homi Grandi fez história e Zeca abraça essa música de uma forma incrível quando canta nos seus shows. (…) Ganhei um pai. Para mim Zeca di Nha Reinalda é um Homi Grandi. Depois da gravação da música ele liga-me sempre. Então, ganhei um pai nessa indústria da música”, diz orgulhoso.

Na próxima semana, Loony Johnson vai animar as festividades da Páscoa em Paul, Santo Antão. De seguida, regressa para a cidade da Praia onde vai participar numa palestra no âmbito do Atlantic Music Expo (AME). No mês de maio, o músico vai participar nas festividades de Nhô São Filipe, na ilha do Fogo. “Tenho outros shows programados em Miami (EUA), Luxemburgo, França, Holanda, etc.”

Show no Coliseu dos Recreios, um grande desafio

Depois de participar em inúmeros shows de colegas no Coliseu dos Recreios em Lisboa, no dia 20 de outubro, o artista vai realizar neste palco o concerto mais desafiante da sua vida.

“Estava a sonhar com o dia em que ia pisar este palco em nome próprio, porque sempre atuei no Coliseu como convidado, o que dá sempre uma certa tranquilidade, agora realizar o próprio show tem uma responsabilidade e um sabor especial. (…) Ainda estou a pensar se realmente sou Homi Grandi ou Mocinho porque não é qualquer um que tem o nome, a presença para encher esta sala. (…) Estou a apostar todas as fichas e no meu ponto de vista vai ser um dos melhores shows que vou fazer até agora. (…) Vai ser o meu primeiro show e tenho muitas expectativas”, diz o músico que começou a dar os primeiros passos na música em 1997 como DJ a animar as festas lisboetas.

Além das músicas do novo álbum, o artista adianta que vai interpretar temas antigos, mas atualizados. “Tem toda uma programação nova, não vão ficar diferente do que tem por hábito escutar, mas vão sentir a atualização na sonoridade.”

Questionado sobre quais foram os momentos mais marcantes ao longo da sua trajetória artística que já dura há mais de duas décadas, Loony Johnson nomeia; o falecimento do pai, o videoclipe do single Jóia que fez com a sua família e a participação na última edição do Festival Baía das Gatas, no Mindelo.

“Fiz a música Jóia antes do falecimento do meu pai, mas gravei o videoclipe depois, porque senti que a música tinha tudo a ver e no final há uma pequena dedicatória para ele. Não é uma música triste, comparado com a que fiz para o meu pai, mas é com uma energia mais de família. (…) Jóia teve um impacto diferente na vida das pessoas, mas todas com um conceito de família. Para mim foi como se fosse um presente para os meus filhos. Senti como se fosse um álbum de fotografia em vídeo que fiz para os meus filhos, porque quando perdi o meu pai quis ter esses conteúdos para agarrar neles, mas não tinha nada. (…) Então, decidi fazer esse vídeo para os meus filhos caso um dia eu não esteja presente.”

O balanço desses anos de carreira é “positivo” e de muita “evolução”. “Em cada ano houve muitas coisas que tive que melhorar e examinar. Quando lancei o meu primeiro álbum em 2006 era muito inexperiente, não tinha noção das coisas mesmo na parte profissional, emocional e postura”, diz e acrescenta que não tinha ninguém com experiência para o orientar e que aprendeu com a vida.

No que tange a projetos, Loony Johnson pretende ainda este ano lançar outra versão do álbum Mocinho com mais cinco músicas. “A ideia é lançá-lo até setembro, mas ainda o projeto existe só no pensamento. Simplesmente estou focado no show no Coliseu dos Recreios em Lisboa, logo ainda não tive tempo para programá-las e ver qual dimensão vão tomar e muito menos se vai ter alguma colaboração”, diz e assevera que se houver participação especial nesses temas vão surgir naturalmente como aconteceu nos outros. “Não tem que ser algo forçado, mas sim com um propósito. (…) Não é porque o artista está a fazer sucesso que tenho que gravar algo. Tenho que conviver com o artista. (…) Estive várias semanas com o Dynamo. Nunca chamei o Princezito, com a Elida Almeida e o Djodje foi a mesma coisa.” Aline Oliveira – Cabo Verde in “Balai Cabo Verde”

Cabo Verde - Mocinho, quarto álbum de Loony Johnson