Pintura Arq. Eduardo Moreira Santos, Lx (28.08.1904 - 23.04.1992)

quarta-feira, 2 de junho de 2021

Macau - Inscrições para concurso de tradução Chinês-Português abertas até 10 de Junho


As inscrições para a 5ª Edição do Concurso Mundial de Tradução Chinês-Português, co-organizado pela Direcção dos Serviços de Educação e de Desenvolvimento da Juventude da RAEM e pelo Instituto Politécnico de Macau, terminam no dia 10 de Junho.

O concurso está aberto à participação de concorrentes qualificados de todo o mundo. O objectivo da iniciativa é reforçar o intercâmbio entre os estudantes das instituições de ensino superior de todo o mundo em termos das técnicas de tradução entre chinês e português, “formar talentos de tradução nas duas línguas, bem como promover a aplicação dos resultados mais recentes do ensino e da investigação na tradução” em Macau, no Interior da China e nos países lusófonos abrangidos pela iniciativa “Uma Faixa, Uma Rota”.

Este é “o maior concurso de tradução entre as línguas chinesa e portuguesa a nível mundial, com o maior número de participantes, realizado com sucesso durante quatro anos consecutivos”, tendo atraído, desde 2017, quase 600 equipas e mais de 1000 professores e estudantes. In “Jornal Tribuna de Macau” - Macau


 

Brasil - Exposição “Di Cavalcanti, Muralista” já está em cartaz no Instituto Tomie Ohtake


Esta exposição inédita organizada pelo Instituto Tomie Ohtake, com curadoria de Ivo Mesquita, busca enfatizar a produção de murais e painéis de Emiliano Augusto Cavalcanti de Albuquerque Melo, (Rio de Janeiro, 06.09.1897 — Rio de Janeiro, 26.10.1976) dedicada à gente brasileira, como toda a sua obra. A brasilidade moderna de Di Cavalcanti está impressa nos 23 trabalhos dispostos em ordem cronológica “de 1925 a 1950” e “de 1950 a 1976”, nos quais pode-se perceber como vai sendo construída a sua figuração, as estratégias no implante das composições, as elaborações formais da sua plástica para essa arte.

A mostra traz os painéis ProBel Trabalhadores (óleo sobre tela, 1955) e Brasil em 4 fases (óleo sobre tela, 1965) e mais 19 pinturas (óleo sobre tela) em grandes dimensões que aludem à mesma técnica e temas utilizados pelo artista para a composição de murais e painéis. Entre as pinturas exibidas estão Serenata e Devaneio, ambas de 1927, que preconizaram o primeiro mural modernista brasileiro, criado por Di em 1929 para o Teatro João Caetano, o díptico Samba e Carnaval, representado na mostra por duas reproduções em vinil na mesma escala. Para que o público possa identificar essa produção, quase impossível de ser transportada, a exposição conta com uma linha do tempo que recupera datas e locais em que as peças foram instaladas.

Conforme a pesquisa de Mesquita, após os murais para o Teatro João Caetano – que ainda permanecem lá -, Di Cavalcanti realiza mais três outros na década de 1930: no Cassino do Quartel do Derby, no Recife, na Escola Chile, no Rio de Janeiro, ambos em 1934 e pintados diretamente na parede, e o painel para o Pavilhão da Cia. Franco-Brasileira de Cafés na Exposição Internacional de Artes e Técnicas na Vida Moderna, em Paris. Este último parece estar desaparecido, mas ganhou medalha de ouro no evento enquanto o do Cassino do Derby foi destruído pelos militares em 1937, período em que o artista depois de preso, exilou-se na França (1936 e 1940). A grande produção dessa arte por Di Cavalcanti se desenvolve no início da década de 1950, após a Segunda Guerra Mundial (1939-1945), com a rápida industrialização do país e a construção de um Brasil moderno e democrático.

Como aponta o curador, Di Cavalcanti no lugar da retórica dramática de outros muralistas seus contemporâneos, privilegiou narrativas líricas e sensuais, em formas e cores exuberantes. “Sejam esses murais paisagens com mulheres, pescadores, operários, malandros ou candangos, em situação de festa ou trabalho, transmitem sempre certa leveza em levar a vida, a despeito da realidade social que evocam. É o artista inserido no coletivo, reconhecendo-se como parte dele. Di Cavalcanti foi um grande vocal da gente das ruas, dos mercadores e trabalhadores urbanos – incluindo as prostitutas –, de suas famílias, pequenas alegrias, afetos, tragédias e desejos.”


Debruçado sobre a obra de Di Cavalcanti, Mesquita em seu ensaio para a exposição reflete, entre vários aspectos, sobre a relação do artista com os muralistas mexicanos, Diego Rivera, Orosco e Siqueiros, iniciada em 1922 no Rio Janeiro, um ano antes de sua primeira viagem à Paris, assim como com seu contemporâneo Portinari. “Portinari configura o pintor heroico, solitário, militante, comprometido com a gente humilde e despossuída, narrador eloquente da injustiça e da desigualdade, que morre envenenado pelo chumbo de suas tintas. Di Cavalcanti, por sua vez, foi um artista boêmio, o pintor das mulatas, do samba, do carnaval e das festas populares, num mundo de formas sensuais, perverso, que, a seu modo, provocava o maniqueísmo moralista das normas e regras sociais. Dono de uma alma brejeira, hedonista, é o trovador da mestiçagem, o pintor que dá visibilidade à vida dos invisíveis, à força de trabalho suburbana na base da sempre desigual sociedade brasileira.”

Segundo o crítico ainda, o caráter figurativo da produção de Di Cavalcanti destinada aos edifícios e espaços públicos, com base no programa do Muralismo histórico, representava um esforço contrário aos programas da arquitetura moderna, racional e funcionalista, que se desenvolveu no Brasil sobretudo a partir da Segunda Guerra Mundial, e que se associava a uma arte abstrata, autônoma, sem narrativas, que se integrasse à lógica da forma e do espaço. “Daí que, talvez por conta disso, entre o final dos anos 1940 e a década de 1960, seus painéis e murais tenham sido mais encomendados para projetos em edifícios particulares do que da administração pública”, completa. In “Vá de Cultura” – Brasil

 

Exposição: Di Cavalcanti, Muralista

Preço: Gratuito

Patrocínio: Bradesco

Data: 02/jun - 17/out

Horário: Terça a domingo, das 12h às 17h

Instituto Tomie Ohtake

Av. Brigadeiro Faria Lima, 201, Pinheiros





 

Marize Castro e a poesia da libertação feminina

                                                          I

“Uma das fortes vozes femininas da poesia brasileira contemporânea”, na definição de Nelly Novaes Coelho (1922-2017), a poeta Marize Castro (1962) acaba de lançar o seu décimo livro, Jorro (Natal, Editora Una, 2020), o oitavo de poesia, consolidando uma carreira que começou em 1984 com a publicação de  Marrons Crepons Marfins, “que surpreendeu crítica e público pela força e originalidade de sua palavra”, conforme escreveu aquela mestra, ex-professora da Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras de Marília (de 1961 a 1972) e da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (FFLCH) da Universidade de São Paulo (de 1981 a 1992), em seu Dicionário crítico de escritoras brasileiras – 1711-2001 (São Paulo, Editora Escrituras, 2002). 

Como bem observou o pesquisador da literatura potiguar Thiago Gonzaga, Marize Castro faz parte de uma geração que renovou a tradição poética do Rio Grande do Norte, ao lado de Socorro Trindad (1950) e Diva Cunha (1947), tornando-se uma respeitável expressão da poesia brasileira dos últimos anos. Vale dizer que foi esse trio de poetas que conseguiu alçar a sua voz num meio em que sempre predominou a visão machista em todos os setores, inclusive na área da literatura, abrindo espaço para falar dos desejos, dos anseios e, principalmente, dos direitos da mulher na sociedade, como assinalou Gonzaga.

Este Jorro vem para confirmar essa brilhante trajetória da poeta, cujo trabalho tem sido publicado, de maneira esparsa, em jornais de todo o País, como o Caderno 2 de O Estado de S. Paulo e o extinto Jornal do Brasil, e em revistas de cultura, como Exu, de Salvador, Nicolau, de Curitiba, Revista do Escritor Brasileiro, de Brasília, e Poesia Sempre, do Rio de Janeiro. Seus versos já foram vertidos para o inglês pelo professor e crítico literário Steven White e publicados nas revistas The American Voice e International Poetry Review, dos Estados Unidos.

Em Jorro, percebe-se que a lima horaciana da poeta está cada vez mais afiada, pois seus versos mostram a lucidez que a maturidade traz, confirmando o que dela disse o poeta e tradutor Haroldo de Campos (1929-2003): “Em seus versos há algo de fundamental, algo entre o belo e o verum, a verdade em beleza, um cuidado especial com a síntese, um encontro com a poesia”. É de se lembrar que verum, expressão do latim, quer aqui significar o verdadeiro. Eis um bom exemplo:

          Enterro a morte com a lentidão dos seres da terra / Aqui não há carro fúnebre, o cortejo se faz a pé / entre rostos estranhos e curiosos / Abrigada em meio a musselinas, persevero / Lá dentro, ouço vozes de topázio: aposte tudo na vida / suas cartas / suas joias / seu destino / Entorpecida bebo a mim mesma / Celebro meu corpo que envelhece / prenunciando o início de seu silêncio / Também corto meu cabelo com afiado ferro / Não mais vocifero, amo (...).

                                                         II

Adepta do verso livre, em que dispensa o uso de pontos e vírgulas, Marize Castro destaca-se por sua linguagem fluente, mas rica e variada, que atrai o leitor que toma contacto com sua poesia pela primeira vez, surpreendendo-se pela maneira como passa para o papel suas vivências e sua maneira de olhar o mundo. Nestes versos, ela faz referência a duas mulheres que foram vítimas do arbítrio do poder oficial e do poder paralelo.

A primeira é a poeta, pintora e fotógrafa chinesa Liu Xia (1960), cujo marido, o crítico, escritor e professor Liu Xiaobo (1955-2017), ganhou o Prêmio Nobel da Paz de 2010, sem que tivesse sido liberado pelo governo chinês para receber o galardão em Oslo, pois estava condenado a 11 anos de prisão, acusado de “perturbar a ordem pública” por criticar o Partido Comunista Chinês e defender os direitos humanos. Liu Xia também seria impedida de representar o marido na premiação em Oslo e ficaria em prisão domiciliar até julho de 2018, época em que o marido já havia falecido em função de um câncer hepático.

A segunda mulher homenageada é a socióloga brasileira Marielle Franco (1979-2018), vereadora no Rio de Janeiro, que defendia os direitos humanos e denunciara vários casos de abuso de autoridade por policiais e milicianos contra moradores de comunidades carentes. Foi assassinada a tiros, juntamente com o motorista do veículo em que estava, segundo a Polícia, por um ex-policial militar e um militar, sem que até hoje a Justiça tenha apontado o mandante (ou mandantes) do crime. Eis um excerto do poema:   

          (...) Há um longo caminho a percorrer / Melhor abraçar a flor / esculpir um jardim onde a beleza pousa e ecoa / Ser mais e mais humana / trajar-se de mulher-esfera / e não obedecer / e não obedecer / e não obedecer / Depois procurar o céu e exigir uma saída / para este país de sol e morte / Eis que com a tempestade a delicadeza surge / e guarda em cântaros de aço palavras como / pélago, guirlanda, alabastro / À noite lembro que a poeta Liu Xia / continua presa e seu homem amado está morto / lembro que Marielle está morta / e permanece senso assassinada / – nove balas não são suficientes – Monstros nos gabinetes ordenam: / destruam o êxtase e a verdade / São eles os inimigos, gritam os atrozes.

                                                         III

Marize Castro, nascida em Natal, é jornalista, formada em Comunicação Social pela Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN). Tem mestrado em Educação e doutorado (2015) em Estudos da Linguagem pelo Centro de Ciências Humanas, Letras e Artes da UFRN, com a tese “Areia sob os pés da alma: uma leitura da vida e da obra de Oswaldo Lamartine de Faria”. Escritor e sertanista, Oswaldo Lamartine (1919-2007) deixou vasta bibliografia acerca do cotidiano no sertão nordestino e, entre suas publicações, estão: A caça nos sertões do Seridó, Encouramento e arreios do vaqueiro do Seridó e Os açudes dos sertões do Seridó

De 1988 a 1990, Marize Castro foi editora do jornal cultural O Galo, da Fundação José Augusto, de Natal, que circulou com regularidade nas principais cidades brasileiras, reunindo em suas páginas o que de melhor e mais significativo havia nas letras norte-rio-grandenses e nacionais. Nos anos 1990, editou Odisseia, revista multidisciplinar do Centro de Ciências Humanas, Letras e Artes da UFRN, da qual foi a idealizadora e primeira editora.

É autora ainda dos livros Rito de poesia (1993); poço. festim. mosaico (1996); Esperado ouro (2005); Lábios-espelhos (2009); Habitat teu nome (2011) e A mesma fome (2016). Edita seus livros por sua própria editora, a Una, que define “como deliciosa e desamparada viagem”.

Ganhou os Prêmio de Poesia FJA (1983) e o Prêmio Othoniel Menezes (1998). Grande difusora da literatura potiguar, é também autora de O silencioso exercício de semear bibliotecas (2011), sobre o trabalho da poeta e bibliotecária Zila Mamede, e de Além do nome (2008), livro que reúne entrevistas com os mais expressivos nomes da literatura escrita no Rio Grande do Norte. Alguns de seus poemas podem também ser lidos na Internet na Germina – revista de literatura & arte (www.germinaliteratura.com.br), na Vallejo and company (https://www.vallejoandcompany.com/esa-sombra-minima-13-poemas-de-marize-castro/); e na Ruído Manifesto (http://ruidomanifesto.org/nove-poemas-de-marize-castro), entre outros sites. Adelto Gonçalves - Brasil

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Jorro, de Marize Castro. Natal: Editora Una, 64 págs., R$ 20,00, 2020. E-mail: unanatal@gmail.com

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Adelto Gonçalves, jornalista, mestre em Língua Espanhola e Literaturas Espanhola e Hispano-americana e doutor em Letras na área de Literatura Portuguesa pela Universidade de São Paulo (USP), é autor de Gonzaga, um poeta do Iluminismo (Nova Fronteira, 1999), Barcelona brasileira (Lisboa, Nova Arrancada, 1999; Publisher Brasil, 2002), Bocage – o perfil perdido (Lisboa, Editorial Caminho, 2003), Tomás Antônio Gonzaga (Imprensa Oficial do Estado de São Paulo (Imesp)/Academia Brasileira de Letras, 2012),  Direito e Justiça em terras d´el-rei na São Paulo Colonial (Imesp, 2015), Os vira-latas da madrugada (José Olympio Editora, 1981; Letra Selvagem, 2015) e O reino, a colônia e o poder: o governo Lorena na capitania de São Paulo 1788-1797 (Imesp, 2019), entre outros. E-mail: marilizadelto@uol.com.br


terça-feira, 1 de junho de 2021

Casamansa - Círculo de Intelectuais e Universitários na Europa do Movimento das Forças Democráticas de Casamansa denunciam bombardeio do exército senegalês


Na série de provocações que já dura há mais de 5 meses, o exército de ocupação senegalês, com o seu novo Comandante do Estado Maior na região, bombardeou o principal eixo rodoviário da cidade de Nyassia que a liga a Ziguinchor, chegando a reivindicar que atacara as forças do MFDC. Isto, depois de ter alardeado por toda a parte que teria destruído as suas bases durante as suas operações em fevereiro de 2021.

O Círculo de Intelectuais e Universitários na Europa do MFDC denuncia estes bombardeios que em nada afetam as posições do MFDC, mas sim as populações civis, o meio ambiente, a economia da região. O Círculo condena os efeitos colaterais dos bombardeios das tropas coloniais geralmente indiscriminados.

Ao mesmo tempo, na floresta de Elinkine, bem como na de Diouloulou, ocorreram confrontos entre a guarda florestal ocupante e as forças do MFDC, causando algumas vítimas. O que está em jogo aqui é o controlo dos recursos florestais. A riqueza da Casamansa deve ir primeiro para a Casamansa.

Tornou-se cada vez mais evidente que o exército de ocupação está numa posição ofensiva total quase implacável, instalando assim a guerra no coração das aldeias. Durante este tempo, conclaves iniciados por vários fazedores da paz são realizados aqui e ali, troçando da gravidade da situação, da provocação das tropas coloniais contra o MFDC, dos efeitos do nervosismo e da tensão que essas operações podem causar nas populações inocentes.

Tudo se passa para demarcar o terreno para a próxima visita, dita económica, de Macky Sall a Casamansa, para que esta visita nos atulhe da sua demagogia quanto ao processo de resolução política do conflito na Casamansa. O chefe do exército senegalês parece estar com medo de tomar o eixo que as suas tropas estão atualmente a atacar.

Não resolvemos a questão da Casamansa com comunicações militares ou bombardeios, muito menos com espectáculo militar esporádico, principalmente para salvar o seu miserável ego. Pelo contrário, resolvemos politicamente a questão da Casamansa, detendo as ofensivas e provocações em curso há 5 meses, com vista a atos políticos fortes e dignos da categoria democrática que o Estado conspiratório do Senegal dolorosamente reclama.

O nosso povo tem sofrido tanto nestes 40 anos com a negação ou a violação dos seus direitos políticos, com a militarização na abordagem da resolução como na ocupação do seu território.

Bem-vindo a Macky Sall nesta Casamansa, sufocada sob as bombas, que, neste aspecto e consequentemente, não precisa das suas receitas de desenvolvimento, mas de paz política a favor de um verdadeiro processo de negociações que traça os contornos institucionais de Casamansa, finalmente Livre e Independente! Círculo de Intelectuais e Universitários na Europa do Movimento das Forças Democráticas de Casamansa


 

México – Professor catedrático português integra o Mecanismo Extraordinário de Identificação Forense de pessoas desaparecidas

Duarte Nuno Vieira, professor catedrático da Faculdade de Medicina da Universidade de Coimbra (FMUC), foi escolhido para integrar o Mecanismo Extraordinário de Identificação Forense (MEIF) de pessoas desaparecidas no México.

Este organismo, constituído por reputados especialistas mundiais, em representação de diversas organizações, e também das famílias dos desaparecidos, tem por missão a busca e identificação de pessoas desaparecidas no México e a sua restituição às respetivas famílias.

O MEIF surgiu de um esforço coordenado entre autoridades estatais, famílias de pessoas desaparecidas e organizações de direitos humanos especializadas em desaparecimentos forçados. A sua atuação decorre sob a observação de entidades internacionais de direitos humanos, como a Comissão Interamericana de Direitos Humanos.

O especialista da UC, que foi escolhido pelas famílias mexicanas como seu representante neste Mecanismo Extraordinário, sublinha a importância da missão do organismo, lembrando que «mais de 82000 pessoas desapareceram no México entre 2006 e 2021 e os casos continuam a aumentar».

A crise humanitária decorrente do desaparecimento de cidadãos nacionais foi reconhecida pelo Estado mexicano no final de 2019, altura em que foi aprovado um acordo de criação de um Mecanismo Extraordinário de Identificação Forense (MEIF) de pessoas desaparecidas, agora concretizado.

Duarte Nuno Vieira, que atualmente preside à Rede Ibero-americana de Instituições de Medicina Legal e Ciências Forenses e ao Conselho Científico Consultivo do Tribunal Penal Internacional, tem realizado múltiplas intervenções no México, no âmbito da chamada Ação Humanitária Forense, por solicitação de entidades diversas, nomeadamente da Amnistia Internacional, Nações Unidas e Comité Internacional da Cruz Vermelha. Universidade de Coimbra - Portugal

 

Baía da Lusofonia – 9º Aniversário

Quando há mais de nove anos um doutorado português afirmava que não conseguia raciocinar em língua portuguesa, estava criado o momento que viria a despoletar a criação deste blogue, o “Baía da Lusofonia”.

No ano passado, os três países de língua oficial portuguesa com mais visitantes, Portugal, Brasil e Moçambique, correspondiam a 9,3% do total de visitas ao blogue, hoje baixou para 9%, correspondendo as remanescentes visitas, que se aproximam de um milhão, dos restantes países e territórios espalhados pelo mundo.

Desses outros países e territórios sobressaem-se na Europa, a Alemanha, Bélgica, Bulgária, Espanha, França, Itália, Países Baixos, Polónia, Reino Unido, Roménia, Rússia, Suécia e Ucrânia. Na Ásia salientam-se a China, Coreia do Sul, Emiratos Árabes Unidos, Hong-Kong, Índia, Indonésia, Japão, Macau e Timor-Leste. Em África destacam-se a África do Sul, Angola, Benim, Cabo Verde, Guiné-Bissau e Togo. Na América evidenciam-se a Argentina, Canadá, Equador, Estados Unidos da América e Peru.

Quem acompanhou nestes últimos nove anos a comunicação lusófona assistiu a intervenções múltiplas de responsáveis dos países africanos de língua oficial portuguesa e de Timor-Leste a afirmarem que era urgente a língua portuguesa tornar-se uma língua de ciência. Na realidade os principais países, Portugal e Brasil, pouco têm avançado para que a língua portuguesa evolua para uma língua de ciência, quando as universidades e organismos públicos publicam estudos, investigações em língua estrangeira sem a preocupação de apresentar uma tradução em português.

O mais importante da língua portuguesa, uma das línguas coloniais, foi o permitir a criação de Estados que têm todos um estatuto de unidade, pois é a única língua que não extravasa as respectivas fronteiras, o que não acontece com as outras línguas coloniais, mas esses países têm a obrigação de manter vivas as suas línguas maternas.

O blogue “Baía da Lusofonia” é um espaço aberto a publicações de artigos em língua portuguesa. Baía da Lusofonia

 

Macau - Literatura portuguesa como manual para estudantes do ensino superior

Ana Maria Saldanha é professora adjunta do Instituto Politécnico de Macau e prepara-se para fazer a apresentação do seu mais recente livro “Literatura, Arte e Sociedade em Portugal: da Modernidade à Contemporaneidade”, nas instalações da Fundação Rui Cunha. O livro, que pretende ser um manual para estudantes do ensino superior, debruça-se sobre a literatura ficcional em prosa portuguesa do século XX


Amanhã, pelas 18h30, a Fundação Rui Cunha acolherá a apresentação do livro “Literatura, Arte e Sociedade em Portugal: da Modernidade à Contemporaneidade”, da professora adjunta convidada do Instituto Politécnico de Macau (IPM), Ana Maria Saldanha. O livro conta com dois prefácios, de uma professora da Universidade do Porto, Isabel Pires de Lima, e de outra da universidade de Brasília, Deane Costa. Foca-se no tema da produção literária durante os 48 anos de ditadura (1926-1974) e àquela que foi produzida logo depois da Revolução do 25 de Abril de 1974.

A professora de literatura, a residir em Macau desde 2017, falou ao Ponto Final acerca deste trabalho. “Esta obra pretende ser um manual para estudantes do ensino superior, quer ao nível de licenciatura, quer de mestrado, e quer de doutoramento”, começa por explicar. “É uma obra que se debruça sobre a literatura portuguesa do século XX, muito em particular a literatura portuguesa que foi produzida entre 1926 e 1974, portanto, durante o fascismo português e também a literatura que foi produzida depois da Revolução de Abril, aproximadamente até a década de 80”, acrescentou.

A professora refere também que este não é o seu primeiro livro. “Eu tenho já um livro de crónica, portanto, de literatura, que não é de âmbito académico, que se chama ‘Sentir geografias breves. Crónicas do espaço amazónico e Caribenho’”. Tem também já dois outros livros publicados, um sobre a literatura do Brasil, igualmente publicado pelo Instituto Politécnico de Macau, e outro sobre a literatura portuguesa e brasileira, que foi um estudo comparativo, na primeira metade do século XX, que é dedicada à questão agrária e à literatura produzida em Portugal e no Brasil, e que foi publicado pela editora ‘Expressão Popular’ no Brasil.

Em relação ao que a levou a escrever o livro, a escritora responde: “Isto foi uma proposta minha, pois todos os anos o Gabinete do Ensino Superior abre uma espécie de concurso e basicamente financia obras que sejam feitas por instituições de ensino superior em Macau. Apresentei um projecto ao Instituto Politécnico de Macau e eles depois aprovaram o meu projecto, que depois é apresentado ao Gabinete de Apoio ao Ensino Superior (GAES), que depois decide se financia ou não este livro”.

Doutorada em estudos literários comparados, tendo estudado no Brasil e em França, Ana Maria Saldanha tem um pós-doutoramento na Universidade Estadual de São Paulo, de onde veio antes de chegar a Macau. “Tenho sempre vindo a trabalhar com literatura, com sociologia da literatura, ou seja, eu tento sempre cruzado a matéria literária com outros domínios e expressões artísticas, como a música, o cinema, a pintura, aliás, essa vertente está muito presente neste livro que eu vou apresentar, e portanto tenho sempre trabalhado ao longo dos anos”, refere a autora. “Há mais de 20 anos que trabalho com literatura, tendo publicado artigos, livros, e isso vai um pouco na sequência de trabalhos que eu já tinha realizado. Muito do que aqui está também parte já de estudos anteriores que eu tinha realizado, quer em relação à literatura, ao cinema, à canção de intervenção, à arte moralista, e portanto acaba por ser um pouco o culminar de uma série de estudos, de artigos, publicações que eu tenho feito ao longo dos anos”, concluiu.

O evento contará com uma apresentação feita por Carlos Morais José e será também transmitido em directo em Portugal, com a apresentação da professora Isabel Pires de Lima. O livro encontra-se disponível na Livraria Portuguesa. Joana Chantre – Macau in “Ponto Final”

Joanachantre.pontofinal@gmail.com