Pintura Arq. Eduardo Moreira Santos, Lx (28.08.1904 - 23.04.1992)

sexta-feira, 4 de setembro de 2015

Internacional - Empresa portuguesa lidera consórcio europeu que vai testar tecnologia para explorar planetas

Um consórcio europeu, liderado pela multinacional portuguesa Tekever, vai testar nas ilhas Svalbard, na Noruega, uma nova tecnologia para exploração de planetas, que parte de redes de comunicação de sensores, usados para monitorizar o ambiente à sua superfície.



A Tekever, multinacional portuguesa responsável pela tecnologia de base, pretende iniciar os primeiros testes, no terreno, das redes de sensores, no fim de setembro ou no início de outubro, depois de obtidas as autorizações pedidas e se as condições meteorológicas o permitirem, disse à Lusa o administrador Ricardo Mendes.

Nas ilhas Svalbard, no Círculo Polar Ártico, “os investigadores irão encontrar condições atmosféricas próximas das existentes no espaço”, segundo a empresa.

As redes de sensores, nomeadamente térmicos e de luminosidade, permitirão, no futuro, recolher o maior número de dados possíveis da superfície de um planeta como Marte, ou mesmo da Lua, processá-los e transmiti-los para um satélite na sua órbita, que os enviará para Terra.

Na prática, a tecnologia usada propõe-se ajudar a preparar missões tripuladas a outros planetas que venham a ser calendarizadas, fornecendo o máximo de informação sobre esses planetas, de acordo com Ricardo Mendes.

O projeto, designado como SWIPE (Space Wireless sensor networks for Planetary Exploration), custou dois milhões de euros, mais de metade suportados por fundos comunitários.

O administrador da Tekever crê que, com um “custo muito mais baixo” ao de um robô como o Curiosity, que explora a superfície de Marte, o SWIPE possa ampliar o estudo do ambiente à superfície de um planeta.

Ao contrário do robô da NASA, um “equipamento com muitos sensores a bordo” que vai explorando Marte à medida que percorre a sua superfície, o SWIPE pressupõe redes de comunicação de pequenos sensores espalhados por vários pontos da superfície do planeta, explicou Ricardo Mendes.

Do consórcio europeu fazem ainda parte as universidades de Roma “La Sapienza”, em Itália, e de Leicester, no Reino Unido, assim como empresas de engenharia, telecomunicações, segurança e defesa aeroespacial de França e Espanha.

O SWIPE vai ser apresentado no 66.º Congresso Astronáutico Internacional, que se realiza de 12 a 16 de outubro de 2015, em Israel.

A Tekever já produziu, para a agência espacial europeia ESA, tecnologia que permite a comunicação entre satélites. In “Zap.aeiou” - Portugal

quinta-feira, 3 de setembro de 2015

Moçambique - Mia Couto é Honoris Causa na Universidade Politécnica

A Universidade Politécnica atribuiu ontem, quarta-feira, 2 de Setembro de 2015, o título de Doutor Honoris Causa em Humanidades, na especialidade de Literatura, ao escritor Mia Couto, o mais conhecido e premiado do País.

A atribuição deste título é feita em reconhecimento ao contributo que o escritor tem dado à literatura moçambicana, através da sua vasta obra literária e intervenção, de que resulta a sua grandeza e reconhecimento a nível nacional, continental e mundial.

Conforme explicou Lourenço do Rosário, Reitor da Universidade Politécnica, Mia Couto é um reconhecido escritor que, com o seu trabalho, projecta Moçambique além-fronteiras, elevando bem alto o nome do País. É um escritor de inestimável dimensão humana e cidadania.

A cerimónia de condecoração, que decorreu no anfiteatro da Universidade Politécnica, contou com a presença do Presidente da República, Filipe Nyusi, que na sua breve alocução destacou o papel do escritor na promoção da literatura moçambicana.

Na sua primeira aula de sapiência como Doutor Honoris Causa, Mia Couto falou da degradação do tecido moral da sociedade, sobre a qual, na sua opinião, existe um consenso nacional.

Para Mia Couto, perante esta realidade, caracterizada pela perda de valores por parte da sociedade, um dos caminhos que podem ajudar a resgatar essa moral perdida pode ser a literatura, como arte de contar e escutar histórias.

"É muito preocupante que os nossos jovens cresçam sem referências morais. Não vejo muito interesse em preparar os nossos filhos para que sejam simplesmente boas pessoas, bons cidadãos no seu País e no mundo. Estamos empenhados em assuntos como empresas e empreendedorismo, como se todos os nossos filhos estivessem destinados a serem empresários", disse o escritor.

Mia Couto, pseudónimo de António Emílio Leite Couto, nasceu a 5 de Julho de 1955 na cidade da Beira, província de Sofala, e é considerado um dos escritores mais destacados do País, tendo sido homenageado com o Prémio Camões em 2013, o mais importante da língua portuguesa.

O seu primeiro romance, Terra Sonâmbula, publicado em 1992, ganhou o Prémio Nacional de Ficção da Associação dos Escritores Moçambicanos em 1995 e foi considerado um dos dez melhores livros africanos do século XX.

Mia Couto tem uma obra literária extensa e diversificada, incluindo poesia, contos, romance e crónicas, sendo que muitos dos seus livros foram traduzidos e publicados em mais de 30 países.

Em paralelo à atribuição do título de Doutor Honoris Causa, foi no mesmo dia lançada a obra Mia Couto: Um Moçambicano que diz Moçambique em Português, da autoria de Fernanda Cavacas, e ainda inaugurada a exposição alusiva aos 20 anos de existência da Universidade Politécnica. In “Olá Moçambique” - Moçambique

Brasil - Um pouco de otimismo

Os dados de julho da Confederação Nacional da Indústria (CNI) mostram que a indústria continua a cortar postos de trabalho, em razão de queda não só nas exportações e importações como do encolhimento do mercado interno, acossado pela crise provocada por um governo que se mostrou relapso na condução das contas públicas. Por trás de tudo, está também uma política equivocada adotada a partir de 2003, quando o novo governo se sentiu incomodado por uma possível dependência do País em relação aos Estados Unidos.

Com isso, deliberadamente, houve uma redução nas vendas de produtos industrializados e semiindustrializados para a nação norte-americana, já que o crescimento da China e sua procura desenfreada por commodities pareciam eternos. Com a desaceleração chinesa, o resultado foi estagnação não só no Brasil como em toda a América Latina, que, como à época do colonialismo, continua majoritariamente como fornecedora de matérias-primas para o mundo desenvolvido.

Segundo a CNI, o faturamento da indústria caiu 6,7% em julho em comparação com o mesmo período de 2014. O que fazer? Aparentemente, só há uma saída: aumentar a produtividade para reduzir a pressão nos custos, o que só se faz com o crescimento das vendas para o mercado externo. Cabe ao governo ajudar a reduzir a pressão nos custos. Mas, seja como for, o panorama é menos drástico do que tem sido apresentado na mídia. Até porque a Europa, mercado-alvo para os produtos industriais brasileiros, tem registrado sensível melhora. Pelo menos é que mostra o indicador Purchasing Managers’ Index (PMI) da Markit, o principal medidor mundial.

Segundo o PMI, o emprego industrial em agosto, na zona do euro, subiu em ritmo mais rápido em comparação com os últimos quatro anos, com um crescimento contínuo na Alemanha, Itália, Espanha e Holanda, enquanto Áustria, Irlanda e França crescem em ritmo menos intenso. Só a Grécia está em ritmo decrescente em razão da ausência de novas encomendas e uma queda acentuada na produção.

O PMI também mostra que o nível de empregos no setor industrial brasileiro diminuiu com o prolongamento do período de baixa. Ao atingir 45,8 em agosto, valor inferior ao recorde de baixa de 47 meses de 47,2 observados em julho, o índice PMI continuou a indicar uma piora das condições de negócios no setor como um todo.

Mas, se a indústria na Europa está em fase de retomada do crescimento, tudo indica que essa tendência será seguida em breve por sua congênere brasileira. Até porque o boletim Focus do Banco Central prevê que a balança comercial brasileira (exportações menos importações) terá saldo positivo de
US$ 8 bilhões, em 2015.

Com isso, entrarão no País mais recursos através dos ganhos das exportações do que os recursos que saem pelo pagamento de importações, o que equivale a dizer que os produtores nacionais e a economia em geral terão maiores recursos para realizar e desenvolver novas atividades, acelerando o crescimento. Um pouco de otimismo é o que se pede nesta hora. Adelto Gonçalves – Brasil

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Adelto Gonçalves, jornalista especializado em comércio exterior, é doutor em Letras pela Universidade de São Paulo (USP) e autor de Direito e Justiça em Terras d´El-Rei na São Paulo Colonial (Imprensa Oficial do Estado de São Paulo, 2015), entre outros. E-mail: marilizadelto@uol.com.br

Galiza – Na vanguarda das energias do mar

Ponta Langosteira servirá para obter eletricidade das ondas. Indústria inaugura uma base de pesquisa de 3 quilômetros quadrados para testar protótipos de energia ondimotriz

O novo porto exterior da Corunha em Ponta Langosteira servirá para obter energia da força do mar. A Secretaria da Indústria inaugurou a base experimental, de quase três quilómetros quadrados, que servirá para testar os equipamentos mais avançados de tecnologia maremotriz, que utiliza as marés, e ondimotriz, que utiliza as ondas. Calcula-se que a Galiza é a maior potência em Espanha para explorar estas fontes de energia, com 35% dos 20 Xigawatios que poderiam produzir as ondas em todo o litoral espanhol.

O conselheiro de Economia e Indústria, Francisco Conde, conheceu, acompanhado pelo presidente da Autoridade Portuária da Corunha, Enrique Losada, a nova zona experimental que começou a funcionar em Ponta Langosteira e que, segundo salientou, situa a Galiza "na vanguarda da Europa" na investigação deste tipo de energia.

Conde disse que esta área enquadra-se no contexto do projecto europeu Energy Mare, que está a liderar o Conselho, através do Inega, e que se centra na análise das possibilidades que oferecem as energias renováveis ​​marinhas. A área permitirá testar protótipos em condições de funcionamento reais, facilitando validar projetos, componentes e materiais para avaliar a sua viabilidade.

O titular de Economia e Indústria apontou as características do litoral, o seu potencial energético, a adequada interligação eléctrica e a proximidade de parques empresariais como fatores que levaram a escolher uma área da qual, na Europa, apenas a Escócia e o País Basco oferecem alternativas semelhantes.

Conde ressaltou que a nova área, que soma 2,6 km2 de superfície, o equivalente a 370 campos de futebol, abre importantes oportunidades às empresas, universidades e centros tecnológicos, promovendo o emprego de um recurso autóctone que a Galiza tem um grande potencial. A Galiza é a comunidade com maior potencial de desenvolvimento de energia ondimotriz, pois de acordo com cálculos do Conselho, de 20 GW de potencial de energia das ondas em Espanha, a Galiza soma 35%.

O projeto Energy Mare permitirá, em linha com o primeiro desafio que persegue a Estratégia de Especialização Inteligente da Galiza - RIS3, aproveitar esta oportunidade, avançando no estudo e emprego da energia do mar. Um recurso que, como sublinhou, tem no caso galego capacidade para gerar uma completa cadeia de valor, impulsionando novas tecnologias e aproveitando as sinergias de outros setores estratégicos como o naval ou o energético. Em Vigo, o projeto Magalhães trabalha numa linha similar, ao fabricar diretamente uma máquina flutuante que possa obter eletricidade das marés. In “Ciencia Galega” - Galiza

quarta-feira, 2 de setembro de 2015

Internacional - CSCL prestes a encomendar 11 navios de 20 000 TEU

A China Shipping Container Lines (CSCL), que Pequim quer fundir com a Cosco, estará em vias de fechar uma encomenda de 11 porta-contentores de 20 000 TEU.


A CSCL, que já este ano recebeu cinco navios de 19 000 TEU e encomendou oito de 13 500 TEU, estará na iminência de investir mais 1,8 mil milhões de dólares na compra de 11 gigantes, para serem entregues em 2018.

Os contratos deverão ser formalizados com os estaleiros chineses da China State Shipbuilding Corporation e da China Shipbuilding Industry.

Ao longo do primeiro semestre a CSCL aumentou em cerca de 20% a capacidade da sua frota de porta-contentores, para a casa dos 909 mil TEU, beneficiando dos apoios do governo chinês à renovação de frotas (com os navios mais antigos a serem desmantelados).

Também por influência directa de Pequim, a CSCL e a Cosco, ambas empresas cotadas em Bolsas, estarão a negociar uma operação de fusão, que a acontecer poderá ter vastas implicações no mercado internacional.

A CSCL divulgou há dias os resultados do primeiro semestre, com uma redução de 8% no volume de negócios e de 97% nos resultados líquidos. Os volumes transportados cresceram apenas 1% para cerca dos 4 milhões de TEU. In “Transportes & Negócios” - Portugal

Brasil – Delegação chinesa visita Porto de Vitória

Presidente da Codesa, Clovis Lascosque, mostrou as potencialidades de negócios do porto capixaba e apresentou projetos que ampliarão capacidade do porto

A visita do cônsul chinês Song Yang ao Porto de Vitória na última sexta-feira, 28 de Agosto de 2015, foi importante para que ele pudesse constatar que a localização estratégica do terminal poderá fortalecer as relações comerciais entre Brasil e China.

Na visita realizada ao complexo portuário, o presidente da Codesa, Clovis Lascosque, mostrou as potencialidades de negócios do porto capixaba. Ele apresentou os projetos que visam à expansão e aumento da capacidade do porto e a busca por parcerias.

Além do diplomata chinês que tem a jurisdição no Espírito Santo, Rio de Janeiro, Minas Gerais e Bahia, a comitiva chinesa contou com a participação do cônsul Econômico e Comercial, Sr. Bai Chunhui, do representante do China Development Bank, Sr. Su Bin, entre outros.

Entre os executivos do Porto de Vitória, também participaram o diretor de Planejamento e Desenvolvimento da Codesa, Danilo Queiroz, o superintendente Marcus Breciani; a subsecretária de Estado de Estrutura Logística, Mayhara Monteiro Pereira Chaves e o diretor-executivo da Câmara de Comércio Brasil-China no Espírito Santo, Carlos Eiras.

Pela primeira vez no Espírito Santo, o cônsul se mostrou impressionado com a estrutura portuária capixaba. "A localização do Espírito Santo é estratégica para o fortalecimento das relações bilaterais com o Brasil. Hoje a China busca investir em setores como energia, ciência e tecnologia, infraestrutura, entre outras. Nossa meta é, em 10 anos, triplicarmos ou quadruplicarmos o comércio entre os dois países. Temos que aumentar a nossa capacidade em todas as áreas de infraestrutura”, avaliou Song Yang.

E Lascoque não poupou elogios ao complexo capixaba. Segundo ele, a perspectiva de projetos é boa.

“O Espírito Santo possui o maior complexo portuário da América Latina, em uma posição privilegiada, movimentando em média 170 milhões de toneladas em cargas por ano, capitaneadas pelo minério de ferro. Temos uma carteira de projetos e promessas de investimentos que estão acontecendo ou já estão em estudo para acontecer”, salientou o presidente da Codesa.

No mês passado o superintendente da Codesa, Marcus Breciani, visitou a China, o que facilitou na avaliação sobre a possibilidade de parceria entre os dois países.

“Temos uma linha dedicada de navegação entre o Porto de Vitória e a cidade chinesa de Zhuhai, além do acordo de renovação da cooperação econômica entre as duas cidades”.

E acrescentou: “O Porto de Vitória está localizado estrategicamente entre os grandes centros consumidores do país e realiza projetos visando aumentar sua competitividade, como as obras de dragagem do canal, que vão possibilitar a navegação de embarcações maiores, melhorando o fluxo de importações e exportações pelo Porto de Vitória”. In “Folha Vitória” - Brasil

terça-feira, 1 de setembro de 2015

Portugal – Restauro do Palácio Nacional de Queluz

O Palácio Nacional de Queluz é cor-de-rosa há pelo menos 100 anos. Agora um projecto de restauro da Parques de Sintra está a começar a devolver-lhe o azul cobalto original. O paço vai continuar aberto para obras.

Foi em 1987 que apareceram os primeiros vestígios de azul. Foram encontrados por trás de um dos bustos das fachadas interiores, viradas para os jardins que fazem de Queluz um palácio lúdico, cenográfico. Estavam muito sumidos e foi preciso que o Laboratório Nacional de Engenharia Civil os analisasse para identificar vidro moído de cor azul nessas amostras de reboco antigo que escaparam ao cor-de-rosa que reveste o edifício há pelo menos 100 anos.

Historiadores de arte, arquitectos e conservadores começaram aí à procura de documentação escrita e iconográfica que corroborasse a teoria de que o edifício era, originalmente, azul cobalto. Foram precisos quase 30 anos para que a conclusão a que chegaram se transformasse em tinta e mudasse a imagem que temos deste monumento nacional, que durante décadas recebeu os chefes de Estado estrangeiros que visitavam o país, isto depois de por lá terem passado D. Pedro III e D. Maria I, ou D. João VI e D. Carlota Joaquina, que fizeram do palácio a sua residência permanente antes de se verem obrigados a fugir para o Brasil pelas tropas de Junot.

“Só quem conhecia Queluz antes, naquele rosa que vemos por toda a parte, pode apreciar verdadeiramente o impacto que tem esta mudança de cor sobre o conjunto”, diz Inês Ferro, directora deste palácio nacional entre 1992 e 1998 e desde 2012, lembrando que Queluz só se revela quando o visitante entra: “Todo o esforço decorativo de Queluz é feito no interior – nas salas e quartos, mas também nos jardins que não vemos da rua. Quem fica do lado de fora vê um palácio que parece muito mais tímido do que é. Quem entra sente que ali pode ter havido festa – e houve muita, com D. Pedro e D. Maria -, animais exóticos, gôndolas, orquestras, crianças a brincar e jogos galantes.”

É precisamente para devolver a Queluz parte do esplendor que conheceu enquanto palácio de Verão deste casal fundador – é D. Pedro III que transforma a vila que ali havia e que pertenceu ao marquês de Castelo Rodrigo numa autêntica residência real quando sabe que vai casar com a sobrinha, a rainha D. Maria, filha de D. José I – que a Parques de Sintra – Monte da Lua está a implementar um ambicioso projecto de requalificação, cuja conclusão não tem ainda data marcada.

O projecto desta empresa de capitais públicos criada para gerir a paisagem de Sintra classificada como património mundial, que desde finais de 2012 tem a seu cargo o Palácio Nacional de Queluz, não passa apenas pela pintura exterior do edifício. Explica Carlos Marques, conservador restaurador, que esta intervenção, com um custo global estimado de 2,8 milhões de euros, envolve a recuperação de coberturas e de janelas e caixilharias, a limpeza de cantarias, o restauro da emblemática cascata, a reconstituição do Jardim Botânico e a intervenção no de Malta, a revisão do sistema de águas e das infraestruturas de energia e de comunicações, e um novo esquema de iluminação. E isto sem esquecer o icónico Pavilhão Robillion, fechado ao público desde a reconstrução que se seguiu ao incêndio de 1934, que o deixou praticamente destruído. É neste pavilhão, assim chamado por ter sido projectado pelo francês Jean-Baptiste Robillion, no século XVIII, que nascerá a nova cafetaria do palácio, salas de conferência e um auditório.

“Quando a Parques de Sintra recebeu o palácio [antes estava dependente da Direcção-Geral do Património Cultural] estava a precisar de uma grande intervenção, porque, salvo as esculturas [de chumbo, o maior e mais bem conservado conjunto do importante escultor inglês John Cheere em todo o mundo], pouco se tinha feito nos últimos anos”, diz Carlos Marques.

Depois de resolvidos os problemas no exterior – a área total do complexo de Queluz ascende a 16 hectares – a Parques de Sintra planeia começar a intervir no interior, onde há muito a fazer, garante Vanessa Ferreira, outra das técnicas da empresa. “Num edifício histórico como este há sempre trabalho a fazer porque as exigências são muitas e muito diversas”, diz esta engenheira, sublinhando que o acompanhamento permanente impede a “degradação séria” a que se assistia em Queluz. Carlos Marques acrescenta: “A Parques de Sintra tem procedido assim em todos os seus monumentos. É a filosofia do ‘Aberto para Obras’, que permite ao visitante ficar a saber como se intervém em património.” Uma atitude pedagógica que não descura as receitas do monumento que, neste caso, recebeu no primeiro semestre deste ano, já com obras em curso, 65 mil visitantes.

Uma aguarela decisiva

Inês Ferro reconhece que o actual projecto era urgente e que as fachadas azuis, com umas faixas em amarelo – actualmente estão pintadas apenas as que dão para os jardins superiores “à francesa” (o Pênsil e o de Malta) - serão a sua face mais visível. Segue-se a pintura das que dão para a rua (a partir de Janeiro), onde não foi ainda encontrado qualquer rasto do azul cobalto, cor que, muito provavelmente, terá sido escolhida pelo próprio D. Pedro III. “Não acredito que as fachadas viradas à rua fossem de outra cor, mas vamos esperar para ver”, diz a directora.

“Esta cor, a que em linguagem corrente se chama azul de esmalte, era feita com um pigmento mineral muito caro na altura”, explica o restaurador Carlos Marques. Não era, por isso, só uma cor – “era uma declaração de status, de poder”.

Identificar a cor original exigiu, além de novas análises laboratoriais, uma pesquisa profunda em bibliotecas e arquivos. Analisaram-se postais e fotografias a preto-e-branco – “mesmo no preto-e-branco é possível tirar indícios em relação à cor”, precisa a directora do palácio -, facturas, encomendas e outros documentos. Em nenhum, em todo o caso, é feita qualquer referência à cor que o palácio teria nas suas várias fases de construção.

“Sabemos que a dada altura foram contratadas três mulheres para o caiar, sabemos a partir de um documento espanhol que chegou a ter um tom pardacento [quando se degrada o pigmento azul fica acinzentado], mas nunca sabemos de que cor era efectivamente”, diz ainda Inês Ferro, garantindo que uma das fontes decisivas é uma aguarela da Torre do Tombo, de 1836, de um autor desconhecido, em que se vê claramente as fachas de cerimónia (as que dão para os jardins de aparato, o Pênsil e o de Malta) em azul e com painéis amarelos.

Foi preciso correlacionar inúmeros elementos e cruzar registos para que técnicos e historiadores se decidissem pelo azul cobalto. As fachadas foram renovadas seguindo métodos tradicionais, “na medida do possível próximos dos usados na época”, diz Carlos Marques. É por isso que das 100 janelas desses alçados interiores, só três foram integralmente substituídas.

“A intervenção em edifícios históricos só pode ser feita assim”, acrescenta Vanessa Ferreira, para que não se comprometa “a leitura global do conjunto”. Uma leitura global que aqui assume particular importância, sublinha a directora do palácio, porque em Queluz casa e jardins são um só. “Há uma simbiose perfeita entre arquitectura e paisagem, com esculturas a animar os eixos principais dos jardins, com interiores sumptuosos”, que reflectem o gosto da corte nos séculos XVIII e XIX, período marcado, na arte e na arquitectura, primeiro pelo barroco, e depois pelo rococó e o neoclassicismo.

“Este azul é próprio dos palácios barrocos europeus. É muito provável que D. Pedro soubesse disso, através das cartas que trocava com os embaixadores portugueses noutras cortes”, acrescenta Ferro, admitindo que não se sabe por que razão, algures no tempo, alguém decidiu que Queluz, como tantas outras residências apalaçadas espalhadas pelo país, ficaria melhor cor-de-rosa.

A primeira referência a esta cor aparece nos arquivos da extinta Direcção-Geral dos Edifícios e Monumentos Nacionais, em 1937, três anos após o incêndio, mas não se sabe de que cor estaria pintado antes. O que é importante agora, defende a directora, é que o palácio seja integralmente recuperado, para que o visitante possa facilmente imaginar ali uma corte, há mais de 250 anos.

Foi em Queluz, lembra, que D. Carlota Joaquina, sempre fiel ao “seu filho preferido, D. Miguel”, ficou como que em “prisão domiciliária”, depois de se ter recusado a jurar a constituição de 1820. Foi em Queluz que D. Pedro IV, o seu “ filho preterido”, nasceu e morreu. “D. Pedro IV está ligado a este palácio e ao quarto D. Quixote. Com a sua morte tudo muda no país e em Queluz. Acaba o Antigo Regime, entra-se numa nova ordem. Este palácio conheceu muitas mudanças.” O regresso do azul às fachadas é apenas mais uma. Lucinda Canelas – Portugal in”Jornal Público” / Centro Nacional de Cultura