Pintura Arq. Eduardo Moreira Santos, Lx (28.08.1904 - 23.04.1992)
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terça-feira, 8 de abril de 2025

Moçambique - Catalogus revela “Todas as Coisas Visíveis” em prosa

Na verdade, “Todas as Coisas Visíveis – Antologia de Mulheres em Prosa” é o título do livro de contos de autoria de 14 escritoras moçambicanas, editado pela Catalogus, com apoio da Embaixada da Espanha em Moçambique.



A obra literária será lançada no dia 10 deste mês às 17h30, no Centro Cultural Moçambicano-Alemão, na Cidade de Maputo.

“Em cada um dos 14 contos que compõem esta colectânea, é possível sentir a voz singular das personagens, a sensibilidade e a força das autoras, que, por meio da palavra, deixam uma marca indelével na literatura moçambicana. As autoras não se limitam a narrar histórias, revelam, com destreza e coragem, a resiliência, a luta e o poder da escrita para fazer um retrato da sociedade, os dramas existenciais e as aflições do quotidiano”, adianta a nota de imprensa da organização.

A Catalogus, ao reunir escritoras, na sua maioria ainda sem livro publicado, pretende contribuir para que as mulheres possam ocupar o espaço cultural, constituído com o melhor do seu talento. “A palavra torna-se, então, o fio condutor que transforma o ideal, o caótico, o bruto e o suave em uma realidade tangível e imortal. Cada página de “Todas as Coisas Visíveis” ressoa como um manifesto, uma declaração de resistência, e uma celebração das mulheres que, com suas narrativas, constroem um mundo novo e vibrante”.

“Todas as Coisas Visíveis – Antologia de Mulheres em Prosa” é um complemento da oficina de escrita criativa “A vez das mulheres”, realizada pela Catalogus, em conjunto com a Embaixada da Espanha, tendo contado com a orientação da editora e escritora Teresa Noronha, do escritor Lucílio Manjate e do poeta Álvaro Taruma, em Setembro de 2024.

As autoras que fazem parte de “Todas as Coisas Visíveis” sao: Anastácia Sigodo, Anchura Mires, Carina Mulieca, Deizy Joane, Edna Tuaira Aníbal, Edna Matavel, Felismina Guetsa, Jade Ferreira, Julieta Panguene, Happy Taimo, Fernanda da Lena Hermano, Iraneta Campos, Natércia Chicane e Sonisa Bavá.

O escritor e docente universitário, Lucílio Manjate, vai apresentar a obra, numa noite que será também feita de conversa com as autoras, com mediação da actriz e apresentadora Anabela Adrianopoulos. In “O País” - Moçambique


terça-feira, 26 de novembro de 2024

Moçambique - Xavier Bila vence Concurso de Curta-Metragem com “18 de Março”

O filme “18 de Março”, de Xavier Bila, é o grande vencedor do Concurso de Curta-Metragem, organizado pelo Centro Cultural Moçambicano-Alemão 2024. “Tristânia”, dirigido por Lutergado Lampião, ficou em segundo lugar na oitava edição do concurso.



De acordo com uma nota de imprensa do Centro Cultural Moçambicano-Alemão, Elisio Bajane, Ivandro Mahocha e Stélio António, membros do corpo de júri, deliberaram que a película “18 de Março” merece classificação de “Melhor filme” e o “Melhor argumento”, ocupando, dessa forma, a primeira e a terceira posição. “Tristânia” arrecadou a segunda posição, na categoria de “Melhor Realizador”.

No concurso, estiveram em avaliação “Narrativa e Argumento”, “Aspectos Técnicos”, “Actuação”, “Realização”, “Criatividade e Inovação”, “Aderência ao Tema”, “Tempo e Ritmo”, “Relevância Cultural ou Social” e “Impacto Geral”.

A classificação, com efeito, foi de 775 para o “Melhor filme”, 769 “Melhor Realização” e 752 pontos para o “Melhor Argumento”.

De acordo com a sinopse, o filme de Xavier Bila retrata uma história baseada em factos reais, na qual, “no seu regresso da missão de contenção de uma marcha pública, onde ele e seus colegas agiram com violência contra os manifestantes”.

Um agente da polícia, prossegue o resumo da película, é confrontado pela sua filha com uma revelação chocante, que toma o centro da narrativa.

Por sua vez, a proposta de Lutergado Lampião é um enredo que decorre num vale perdido chamado Tristânia, governado por um tirano implacável chamado Lord Mafuta, sob o seu domínio, o exercício de cidadania era um conceito desconhecido.

“A população vivia constantemente sob o peso do medo e opressão, neste regime qualquer sinal de revolta era rapidamente esmagado, a constante presença dos seus soldados nas ruas era lembrança da sua força brutal, no meio a este caos, Nhembete, uma jovem determinada e seus dois parceiros Muzila e Luana decidem despertar a população e começar uma revolução”, lê-se na sinopse.

Após a submissão de candidaturas através de sinopses, de 10 a 28 de Junho, a Afrocinemakers, produtora parceira da presente edição, orientou, na Galeria do CCMA workshops técnicos, para os 35 candidatos que tinham sido admitidos ao concurso na presente edição.

Na sequência, os participantes produziram e enviaram os vinte filmes que foram objecto de avaliação para que se encontrasse o vencedor deste concurso que já premiou mais de 20 cineastas moçambicanos.

O contributo deste concurso é notável, de tal modo que vários produtores que tiveram neste a primeira oportunidade de mostrar o seu trabalho ao grande público e, na sequência, passaram a grandes produções, tal é o caso, por exemplo, dos Afrocinemakers e Gigliola Zacara.

A novidade deste ano é que os filmes produzidos no contexto do Concurso de Curta-Metragem estarão disponíveis na plataforma de streaming moçambicana NetKanema. Já lá estão disponíveis as curtas desde a 4ª edição, não apenas os vencedores.

Com efeito, a tónica generalizada dos filmes é de uma abordagem holística, que transcende a discussão imediatamente política das temáticas “Democracia e cidadania”, o que reflecte uma percepção mais aberta sobre os assuntos supracitados.

O CCMA justifica as temáticas pelo facto de, 2024, ter sido amplamente reconhecido como o maior ano eleitoral dos últimos 50 anos, e possivelmente de toda a história moderna. Pois, mais de 70 países realizarão eleições nacionais ao longo do ano.

Só a nível regional, para além de Moçambique, a África do Sul e Botswana que já foram as urnas, Namíbia irá no próximo 27 de Novembro. A nível internacional, destacam-se algumas das nações mais populosas do mundo, como Índia, Estados Unidos, Rússia e México.

E à luz deste facto, o CCMA, que igualmente compreende que a arte tem uma função reflexiva, acredita que desta forma contribui para uma participação mais consciente nestes processos. Assim como, possibilita a visibilidade de novos cineastas e propostas estéticas para a cena moçambicana. In “O País” - Moçambique