Nova Sintra – O escritor bravense Nelson Miranda apresentou, em Nova Sintra, um livro que retrata a passagem do ciclone Beryl pela ilha Brava, na noite de 28 de Agosto em 1982, visando preservar a memória histórica do acontecimento.
Em declarações à comunicação social, o escritor explicou
que a obra surge da necessidade de perpetuar a história da ilha e evitar que
acontecimentos marcantes do passado sejam esquecidos pelas gerações vindouras.
Segundo o autor, o ciclone deixou a ilha praticamente
destruída, com um cenário de devastação que marcou profundamente a população
bravense, razão pela qual decidiu transformar esse acontecimento histórico numa
narrativa literária.
O escritor, que também se dedica à investigação
histórica, considerou que existe uma lacuna no conhecimento dos acontecimentos
do passado da ilha, sobretudo entre os mais jovens, que nem sempre demonstram
interesse em conhecer a história da Brava.
Neste sentido, alertou para a importância de registar
esses acontecimentos por escrito, tendo em conta o falecimento e a migração de
pessoas que testemunharam o temporal de 1982, o que poderá dificultar a
transmissão dessa memória no futuro.
Nelson Miranda assegurou que pretende continuar a
investigar e a dar a conhecer outras histórias da ilha através da literatura,
defendendo o livro como um instrumento importante para preservar a memória
colectiva e divulgar a cultura bravense.
Relativamente aos desafios da produção literária na ilha
Brava, o escritor apontou os elevados custos de edição e publicação como uma
das principais dificuldades enfrentadas pelos autores, considerando que a falta
de apoios financeiros compromete a produção e a comercialização das obras.
Na sua perspectiva, os valores obtidos com a venda dos
livros nem sempre permitem recuperar os investimentos feitos na produção, pelo
que defendeu a criação de subsídios e apoios por parte do Governo, da Câmara
Municipal e de outras instituições.
Para Nelson Miranda, um maior apoio à literatura
permitirá aos escritores continuar a produzir obras, preservar a história e
contribuir para a divulgação da cultura cabo-verdiana. In “Inforpress”
– Cabo Verde
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