Pintura Arq. Eduardo Moreira Santos, Lx (28.08.1904 - 23.04.1992)

quinta-feira, 27 de novembro de 2025

Brasil - Jair já foi ou já era

Não houve o milagre esperado por tantos evangélicos, apesar de tantas orações, ainda diante dos quartéis - Jair Bolsonaro está preso e não fará mais comícios monstros e nem motociatas. O verde-amarelo trajado por seus seguidores entrou em recesso e só voltará a ser usado nos mundiais de futebol, enquanto as bandeiras voltarão aos seus mastros, depois de usadas indevidamente durante alguns anos.


Flopou a última manifestação convocada por Flávio com o objetivo de permitir a fuga do pai Bolsonaro, pois Jair já tivera sua prisão domiciliar anulada, depois de tentar abrir a tornozeleira com um maçarico. Terminou quase em comédia a carreira política de quem prometia resistir e só ser preso morto. Foi cômica sua explicação de ter forçado a tornozeleira sob influência de barbitúricos, lembrando as antigas desculpas de bêbedos nas delegacias.

Rei morto rei posto, equivale a presidente preso é carta fora do baralho. Uma parte da mídia comenta o alvoroço da matilha de lobos para pegar um pedaço da força eleitoral do "imorrível" e não deixá-la só com a família, também dividida entre madrasta e filhos de Bolsonaro.

Bolsonaro, embora inelegível, acreditava num milagre pelo qual ainda poderia se candidatar e voltar a ser presidente, tomando Trump como exemplo. Por isso, não nomeou seu sucessor, nem filho, nem Michelle e nem Tarcísio. Quem lhe teria soprado no ouvido a possibilidade de tal milagre, ao qual se agarrou com tanta fé? Teria sido Silas Malafaia, o fiel divulgador da teologia do domínio, importada dos Estados Unidos, onde até agora parece funcionar com Trump, o escolhido de Deus?

Sem um sucessor escolhido antes de ser preso, o bolsonarismo poderá se esfacelar, talvez permitindo à direita abandonar a mistura político-religiosa construída pela extrema-direita, uma das hipóteses de Reinaldo Azevedo que, durante anos, combateu Bolsonaro de sua trincheira no Uol.

O fim do mito Bolsonaro permitiu aos influenciadores de talento, como Álvaro Borba, unir críticas com inteligência. Borba começa seu vídeo no canal Arvro com o rosto de uma mulher chorando desesperada e clamando que sua profecia (na verdade sua praga) contra Lula tinha caído sobre Bolsonaro. Motivo para Arvro falar da deturpação da mensagem evangélica por Bolsonaro e seus seguidores, se referindo à crente que começa a perder a fé em Deus "está difícil de ser crente", mas ainda acredita no Jair.

No Uol, o comentarista Josias de Souza, abordou o aspecto político, o que representa para o Brasil a prisão do ex-presidente, cujo processo representa o ponto mais próximo que o Brasil já chegou da sua plenitude democrática.

Também excelente a análise da carreira do militar e do político Bolsonaro, no canal Youtube do jornalista Bob Fernandes, contando como o ex-presidente defendia mesmo na tevê a tortura, a guerra civil, a morte de umas 30 mil pessoas começando pelo ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, sem que nada lhe acontecesse. Bob Fernandes enumera todos os crimes defendidos por Bolsonaro que, finalmente, serão punidos com a tentativa de golpe de Estado. Rui Martins – Suíça

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Rui Martins é jornalista, escritor, ex-CBN e ex-Estadão, exilado durante a ditadura. Criador do primeiro movimento internacional dos emigrantes, Brasileirinhos Apátridas, que levou à recuperação da nacionalidade brasileira nata dos filhos dos emigrantes com a Emenda Constitucional 54/07. Escreveu Dinheiro sujo da corrupção, sobre as contas suíças de Maluf, e o primeiro livro sobre Roberto Carlos, A rebelião romântica da Jovem Guarda, em 1966. Foi colaborador do Pasquim. Estudou no IRFED, l’Institut International de Recherche et de Formation Éducation et Développement, fez mestrado no Institut Français de Presse, em Paris, e Direito na USP. Vive na Suíça, correspondente do Expresso de Lisboa, Correio do Brasil e RFI.
 

quarta-feira, 26 de novembro de 2025

Portugal - Universidade de Coimbra testa tecnologia que traduz sinais cerebrais em movimento físico através de mão robótica e realidade virtual no pós-AVC

O projeto UpReGain, liderado por um grupo de investigadores do Instituto de Sistemas e Robótica (ISR) da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra (FCTUC), está a testar a utilização de estratégias inovadoras e personalizadas para apoiar a reabilitação de pacientes que sofreram de acidente vascular cerebral (AVC).


Os primeiros ensaios estão a ser realizados com pessoas saudáveis, mas dentro de pouco tempo o projeto avançará para testes com pacientes de AVC. Os resultados preliminares são promissores.

«Neste projeto combinamos uma interface cérebro-computador (BCI) – que estabelece uma ligação direta entre o cérebro e dispositivos externos, sem recorrer a músculos ou nervos –, um exoesqueleto de mão robótica, que oferece feedback físico e somatossensorial, e ambientes de realidade virtual com elementos de gamificação. Esta combinação permite aos pacientes visualizar os movimentos num avatar e executar tarefas em contexto de jogo», explica Aniana Cruz, investigadora do ISR e coordenadora do projeto UpReGain.

De acordo com a especialista, o objetivo principal é o uso da imaginação motora: ao imaginar abrir ou fechar a mão, o cérebro ativa as mesmas áreas motoras como se o movimento fosse realmente executado. Esse sinal cerebral, captado por electroencefalografia (EEG), é interpretado pelo sistema e transformado em feedback visual (mão virtual), físico (mão robótica) ou em atividades gamificadas (por exemplo: agarrar objetos, espremer frutas, encher um copo).


«O nosso objetivo é comparar abordagens distintas – imaginação motora com feedback robótico, com avatar virtual ou com jogos gamificados – e avaliar o impacto de cada uma em relação à terapia convencional. Pretendemos, também, uma reabilitação de acordo com o perfil de cada paciente e a sua evolução clínica, combinando EEG com Eletromiografia (EMG), uma técnica que regista a atividade elétrica dos músculos, em casos de movimento residual. Queremos, ainda, avaliar a viabilidade prática, nomeadamente no que diz respeito à preparação, calibração, tempo de utilização e aceitação, tanto pelos pacientes como pelos profissionais de saúde», destaca Aniana Cruz. 

O projeto UpReGain é liderado por uma equipa multidisciplinar do ISR, com investigadores especializados em BCI, realidade virtual, reabilitação e visão por computador, em colaboração com a Unidade Local de Saúde de Coimbra / Polo Centro de Medicina de Reabilitação da Região Centro – Rovisco Pais.

«O objetivo final é transferir a tecnologia BCI do laboratório para a prática clínica, contribuindo para aumentar significativamente a taxa e a qualidade da recuperação motora após um AVC», conclui. Universidade de Coimbra - Portugal


 



Macau - Visita guiada revela histórias dos bairros por ocasião dos 20 Anos do Património Mundial

No âmbito das comemorações do vigésimo aniversário da inscrição do Centro Histórico de Macau na Lista do Património Mundial, o Instituto Internacional de Macau (IIM) promove a 6 de Dezembro uma visita comunitária guiada que convida os participantes a descobrir as raízes multiculturais da cidade. A iniciativa, que conta com o apoio da Fundação Macau e a parceria da Associação dos Embaixadores do Património de Macau (MHAA), tem como objectivo principal dar a conhecer ao público, em particular aos mais jovens, as vivências e histórias dos bairros que moldaram a identidade cultural do território


O percurso, intitulado “Bairros Macaenses: Raízes de uma Cidade Multicultural”, terá início no icónico Largo do Lilau, prosseguindo pela Rua Central, Largo de Santo Agostinho e Rua da Felicidade, antes de terminar no centro de actividades Dimensões M, onde está previsto um convívio com direito a bebidas para todos os participantes. Ao longo do trajecto, os Embaixadores do Património da MHAA fornecerão explicações detalhadas sobre a importância histórica e cultural de cada local, revelando as marcas deixadas pelas diversas comunidades que habitaram estes espaços ao longo dos séculos.

A visita decorrerá em duas sessões, uma às 14h30 e outra às 16h30, com um limite de 25 participantes por sessão, totalizando 50 vagas disponíveis. As inscrições encontram-se já abertas através das redes sociais do IIM e da MHAA, requerendo registo online mediante o preenchimento de um formulário digital acessível através do cartaz promocional do evento.

Para além da componente educativa e cultural, o IIM distribuirá durante a visita publicações da sua autoria relacionadas com a temática dos bairros históricos de Macau, procurando simultaneamente promover o hábito da leitura entre os participantes. Esta iniciativa representa um dos vários projectos que o IIM pretende desenvolver no futuro, com o objectivo de despertar o interesse do público jovem pelo conhecimento da identidade cultural de Macau e pela preservação do património histórico da cidade. In “Ponto Final” – Macau


Angola - Fabrimetal aumenta capacidade para 25 000 toneladas/mês

Comemoração do 15.º aniversário coincide com a entrada em funcionamento de uma nova unidade no início do próximo ano que vai permitir à Fabrimetal aumentar em 67% a sua produção actual


A Fabrimetal vai elevar a sua capacidade produtiva de 15.000 para 25.000 toneladas de aço por mês, graças a um novo investimento que marca a entrada da empresa numa fase de expansão acelerada. O anúncio coincide com a celebração dos 15 anos da empresa, reforçando o seu papel estratégico na redução das importações, no fortalecimento da cadeia industrial e na diversificação económica de Angola.

Numa cerimónia realizada no espaço Marenostrum, na Ilha de Luanda, colaboradores, parceiros e representantes do sector industrial revisitaram o percurso da empresa, numa altura em que a expansão da produção surge como o ponto mais importante da sua evolução recente.

Criada em 2010, a Fabrimetal iniciou operações com uma produção "modesta" de cerca de 2000 toneladas mensais, orientada sobretudo para o mercado informal. A partir de 2015, uma nova estratégia conduziu a empresa a um processo de restruturação que permitiu a migração para o mercado formal, com investimentos focados em qualidade, eficiência e modernização tecnológica. Quinze anos depois, a capacidade atingiu 15.000 toneladas/mês - sete vezes mais do que no início - e prepara-se agora para aumentar em mais 10.000 toneladas.

O reforço permitirá consolidar o seu peso no mercado nacional e contribuir para a diminuição da dependência externa de aço, num contexto em que a produção local ganha relevância para a estabilidade cambial e para a competitividade dos sectores da construção e das infraestruturas.

Este crescimento tem reflexo directo no emprego: a empresa conta hoje com cerca de 860 trabalhadores, 85% dos quais são nacionais, num modelo que promove transferência de competências e industrialização inclusiva. Durante a cerimónia, o director-geral, Luís Diogo, afirmou que os 15 anos da empresa representam "uma história feita de coragem, de pessoas e de aço", reforçando que a expansão produtiva é também um contributo para o desenvolvimento da economia angolana.

A aposta da Fabrimetal estende-se à sustentabilidade, com a utilização de sucata ferrosa adquirida localmente, prática que alimenta a economia circular e reduz resíduos. Desde 2016, a empresa desenvolve iniciativas sociais nas comunidades vizinhas, especialmente nas áreas da educação e da saúde. Num ambiente industrial marcado por volatilidade económica e desafios estruturais, Luís Diogo destacou a resiliência da equipa, sublinhando que "o aço que sai das nossas linhas é forte - mas a nossa equipa é ainda mais forte". In “Expansão” – Angola


Timor-Leste – Revolução portuguesa de Abril no país deixou “memórias difíceis”, diz investigadora

A investigadora do Centro de Ciências Sociais da Universidade de Coimbra Marisa Ramos Gonçalves considerou que a revolução de Abril em Timor-Leste deixou “memórias difíceis “e que a reconciliação é fundamental para a “coesão nacional”

“Quando falamos do 25 de Abril em Timor sabemos que estamos a falar sobre memórias difíceis que deixaram marcas até hoje devido ao conflito interno e da violação dos direitos humanos durante a ocupação”, afirmou à Lusa Marisa Ramos Gonçalves, que se encontra atualmente a fazer um estudo sobre aquele período no país.

Marisa Ramos Gonçalves é também membro do Conselho Consultivo Internacional do Centro Nacional Chega (em Timor-Leste), que, entre outras atividades, documenta a história do conflito de Timor-Leste entre 1974 e 1999.

A investigadora explicou à Lusa que o objetivo é perceber o outro lado da história a “partir das experiências e vivências dos timorenses do 25 de Abril e deste período de transição, que dá origem a uma proclamação da independência, mas que é muito curta relativamente à ocupação”. “Esta memória coletiva dos timorenses é indissociável, quer do conflito interno, quer da tragédia humana que é a invasão e ocupação indonésia”, salientou Marisa Ramos Gonçalves.

A proclamação unilateral da independência de Timor-Leste, em 28 de novembro de 1975, aconteceu após um período marcado por confrontos entre os timorenses e já sob a sombra da possibilidade da ocupação do território pela Indonésia, o que se concretizou em 7 de dezembro de 1975.

Questionada sobre a reconciliação entre timorenses, a investigadora disse que o “assunto tem estado em cima da mesa”. “É preciso fazer a reconciliação entre timorenses que estiveram em lados opostos durante o conflito civil com opções diferentes para o futuro de Timor. Na altura, a UDT queria uma associação a Portugal durante mais alguns anos antes da independência, a Fretilin queria uma independência imediata, e a Apodeti, que queria uma integração na indonésia e todos são timorenses”, afirmou.

Segundo Marisa Gonçalves, o Centro Nacional Chega quer que “isso comece a estar em cima da mesa, porque não foi fácil até agora para os timorenses que sofreram torturas ou que foram perseguidos durante o período do conflito interno falar abertamente”. “Mas já se começa a ver essa possibilidade a falar da violência e da tortura, que existiu num período muito curto em 1975, mas que deixou marcas fortes. Existe também uma reconciliação ao nível da liderança política que está por fazer e penso que essa também é complicada. É uma reconciliação de toda a sociedade”, afirmou Marisa Ramos Gonçalves.

Considerando a reconciliação entre timorenses como fundamental para a coesão social, a investigadora destaca, por outro lado, que as novas gerações formadas no período indonésio e as mais jovens “estão completamente preparadas para essa reconciliação”. “Não estão tão presas a conflitos anteriores e eles querem mesmo reconciliar-se e, portanto, acho que já estão a olhar para esse futuro, já pensam que todas as pessoas fazem parte da Nação timorense, inclusivamente os timorenses que estão em Timor Ocidental”, onde há uma comunidade de cerca de 80.000 pessoas, salientou. “É importante também que a geração mais velha se reconcilie, até porque continua a ser uma geração, a chamada geração de 75, que continua no poder. Seria também interessante que eles tomassem a iniciativa de se aproximar”, acrescentou.

Sobre o estudo que está a realizar, Marisa Ramos Gonçalves disse que há falta de investigação histórica em Timor-Leste e que é bom perceber as expetativas que as pessoas tinham não só em relação ao 25 de Abril, mas como também em relação à transição política. “É conhecer as narrativas, as experiências, as memórias dos timorenses de várias origens geográficas, ocupações profissionais e filiações partidárias sobre o mesmo momento histórico”, explicou, salientando que a reconciliação também se faz via escrita da história. In “Ponto Final” – Macau com “Lusa”


terça-feira, 25 de novembro de 2025

Moçambique - Recebe encontro sino-lusófono de empresários em 2026

A edição de 2026 do Encontro de Empresários para a Cooperação Económica e Comercial entre a China e os Países de Língua Portuguesa vai decorrer em Moçambique.


“O encontro será realizado em Moçambique no próximo ano”, disse o presidente do Instituto de Promoção do Comércio e do Investimento (IPIM), Che Weng Keong. Este ano, o encontro empresarial da China e dos países de língua portuguesa decorreu pela primeira vez em Malabo, capital da Guiné Equatorial, durante três dias, no final de Julho.

O evento anual tem sido realizado de forma rotativa nos países lusófonos desde 2005, tendo, no entanto, sido suspenso durante quatro anos, durante a pandemia. O encontro regressou em 2024, tendo decorrido em Macau e coincidindo com a sexta conferência ministerial do Fórum de Macau, que incluiu a assinatura do plano de acção do organismo até 2027.

Che Weng Keong defendeu ainda a actuação do Fundo de Cooperação e Desenvolvimento China-Países de Língua Portuguesa, dizendo que “tem encorajado empresas [chinesas] a desenvolver operações nesses países”. Ontem, durante a sessão da tarde, a deputada Song Pek Kei sublinhou que os países lusófonos “são uma base para que Macau possa desempenhar o papel de plataforma de ligação”.

    “Temos de reforçar a nossa atitude proactiva”, defendeu a deputada, acrescentando: “Será que podemos comunicar mais com os países de língua portuguesa para que tenham maior vontade de se instalar em Macau?”. Song Pek Kei observou ainda que, no território, há consulados de diversos países lusófonos e pediu que isso seja também uma realidade em Hengqin. Na réplica, o Secretário para a Economia e Finanças, Tai Kin Ip, disse que irá “trabalhar” sobre essa matéria, mas ressalvou que “depende também da vontade dos consulados”. In “Jornal Tribuna de Macau” - Macau


 

Macau - 22 imóveis patrimoniais foram restaurados ou revitalizados em 2024

O Instituto Cultural restaurou ou revitalizou 22 edifícios patrimoniais no ano passado, envolvendo um total de 26 projectos. Além disso, segundo o relatório anual do organismo, a Universidade de Macau já pode estudar os dados obtidos pelo Centro de Monitorização do Património Mundial para analisar as mudanças gerais nas construções patrimoniais, ao abrigo de um acordo de cooperação bilateral


No ano passado, o Instituto Cultural (IC) concluiu 26 projectos de restauro ou revitalização de 22 construções patrimoniais, indica o último relatório anual do organismo. Segundo o documento consultado pelo Jornal Tribuna de Macau, 16 projectos envolveram trabalhos de restauro, incluindo a reparação das paredes exteriores do edifício do Clube Militar e do Farol da Guia, reparação das portas e janelas de madeira do Albergue da Santa Casa da Misericórdia, restauro parcial de instalações do Teatro Dom Pedro V, das Antigas Muralhas junto à Estrada de São Francisco e das paredes exteriores e da superfície do telhado da sede da Fundação Oriente.

No âmbito da revitalização, os 10 projectos visaram a Antiga Fábrica de Panchões Iec Long, Zona da Barra no entorno da Doca D. Carlos I, Rua da Felicidade, Fortaleza do Monte, pontes-cais 23º e 25º do Porto Interior e Centro Ecuménico Kun Iam.

O IC saliente que, em 2024, continuou a recorrer ao Centro de Monitorização do Património Mundial para supervisionar, de forma geral, as mudanças nas estruturas dos imóveis patrimoniais e no seu ambiente circundante, tendo gerido de forma centralizada e analisado de modo abrangente os dados de monitorização. “O objectivo é analisar mais precisamente as tendências de mudança estrutural física nas respectivas construções, por forma a tomar decisões científicas e adoptar medidas de protecção adequadas e atempadas, aperfeiçoando ainda mais a monitorização e a protecção do Património Mundial”, sublinha o relatório.

Nessa vertente, recorda que, com o intuito de aproveitar de melhor forma os dados de monitorização, o IC e a Universidade de Macau (UM) celebraram no ano passado um acordo de cooperação. No âmbito dessa colaboração, a UM já pode estudar os dados obtidos pelo Centro de Monitorização para analisar as mudanças gerais nas construções patrimoniais.

Ao longo do ano transacto, o IC promoveu inspecções de segurança a 165 imóveis classificados, envolvendo mais de 600 construções patrimoniais, bem como levou a cabo 231 acções de fiscalização aos templos, no âmbito da prevenção de incêndios.


No mesmo ano, instalou o sistema de prevenção e monitorização de térmitas em 68 locais patrimoniais e encarregou o Laboratório de Engenharia Civil de Macau de efectuar a monitorização da segurança estrutural em 10 locais patrimoniais, incluindo as Ruínas de São Paulo, Fortaleza do Monte, Casa do Mandarim, Teatro Dom Pedro V, Capela de Nossa Senhora de Penha e Igreja de Santo Agostinho. A par disso, foi analisada a situação de mudança na Casa de Retiros da Ilhas Verde, entre outros espaços patrimoniais, através da digitalização 3D e fotografia aérea.

Também na esfera da protecção do património cultural, o IC emitiu 891 pareceres em 2024, principalmente relacionados com projectos de construção e placas publicitárias.

No que respeita ao património cultural intangível (PCI), o documento revela que o IC concluiu, no ano passado, investigações sobre 20 itens, que servirão de referência para a actualização do Inventário do PCI no futuro. Paralelamente, o organismo fotografou e filmou 14 itens, tendo concluído a produção de vídeos promocionais sobre seis itens de PCI.

Menos visitantes nas Ruínas de São Paulo

O relatório também aponta que, entre as construções patrimoniais que servem de pontos turísticos, as Ruínas de São Paulo, o Museu de Arte Sacra e Cripta e a Igreja de S. Domingos foram as mais visitadas no ano passado, registando 4,05 milhões, 2,09 milhões e 1,56 milhões de visitantes, respectivamente. O Museu de Arte Sacra e Cripta registou um aumento expressivo de 2,47 vezes no número de visitantes, face ao ano anterior, enquanto as Ruínas de São Paulo ilustraram uma descida de 10,3% nesse capítulo.

A Casa de Lou Kau, Fortaleza da Guia, Sala de Exposições do Templo de Na Tcha, Biblioteca Sir Robert Ho Tung e Antiga Fábrica de Panchões Iec Leong também se revelaram populares em 2024, com 420 mil, 197 mil, 190 mil, 174 mil e 171 mil visitantes, respectivamente. No contexto da histórica bilheteira do filme de animação chinês “Nezha 2”, projectado no ano passado, a Sala de Exposições do Templo de Na Tcha registou também um aumento notório de 48,8% no fluxo de visitantes.

No ano passado, foram projectados 582 filmes/vezes na Cinemateca Paixão, atraindo um total de 22.736 espectadores. In “Jornal Tribuna de Macau” - Macau