Pintura Arq. Eduardo Moreira Santos, Lx (28.08.1904 - 23.04.1992)

domingo, 25 de novembro de 2018

Contos que exalam perfume

                                   
                                                           I
Depois de ambientar os seus dois primeiros romances – A última adolescência (Bom Texto, 2004) e Ladeira do Tempo-Foi (Synergia Editora, 2017) –  no tradicional bairro de São Cristóvão, no Rio de Janeiro, o escritor Helio Brasil retorna aos contos, gênero em que fez sua estreia tardia na literatura, aos 64 anos de idade, com a publicação de O anjo de bronze e outros contos (Oficina do Livro, 1994). Desta vez, em O perfume que roubam de ti... e outras histórias (Synergia Editora, 2018), título assumidamente inspirado nos versos da famosa canção “As rosas não falam”, dos compositores cariocas Angenor de Oliveira, o Cartola (1908-1980), e Guilherme de Brito (1922-2006), reúne 26 contos que retratam personagens de diversos momentos da vida brasileira, desde  o Brasil Colônia até os dias atuais.

Aparentemente, estas histórias são o resultado de uma vida inteira dedicada ao vício da literatura, amor escondido a sete chaves até que, já na idade madura, o autor, arquiteto de talento reconhecido por suas obras no Rio de Janeiro e também celebrado como professor universitário, resolveu deixar o excesso de modéstia de lado e transformar-se também em escritor. Ganhou a literatura de Língua Portuguesa, pois, desde então, o autor passou a fazer parte de um seleto grupo de escritores cujas carreiras começaram tardiamente, o que não os impediu de alcançar a fama e o reconhecimento literário, de que bons exemplos são José Saramago (1922-2010),  Pedro Nava (1903-1984) e Cora Coralina (1889-1985).

Agora, Helio Brasil decidiu revirar o baú para dar a público histórias inéditas que reúnem todos os sentimentos humanos, os bons e os maus, como amor, violência, solidão, preconceito, heroísmo, conspirações, desejo, fé, traição, intrigas, sedução, mistério e outros. Ao mesmo tempo, reedita alguns contos que já haviam sido publicados anteriormente em coletâneas.

São narrativas que podem ter como cenário um trem lotado no subúrbio carioca ou os salões do palácio real ou ainda os quartos e salas de casas modestas ou apartamentos grã-finos do Rio de Janeiro. Assim, figuras históricas como o holandês Maurício de Nassau (1604-1679), Estácio de Sá (1520-1567), dom João VI (1767-1826) e Domitila de Castro Canto e Melo (1797-1867), amante de dom Pedro I (1798-1834), primeiro imperador do Brasil, são recriadas por Helio Brasil em alguns destes contos, que trazem também personagens populares como uma faxineira, “agridoce rosa suburbana”, que é assediada por um empresário, seu patrão, um padre às voltas com a volúpia carnal, um empreiteiro que enriquece com a construção de Brasília, participando do jogo sujo do poder, ou  um escritor ghost writer endividado e atormentado pela necessidade de entregar um livro a ser assinado por algum endinheirado.

                                               II
Em outros contos, o leitor vai encontrar as peripécias da vida de uma amazona de um circo decadente, um jovem assediado e atormentado pela atração física que lhe produz sua suposta tia, ou ainda uma viúva cinquentona “esquecida por Deus”, moradora numa casa de cômodos no  decadente bairro do Catumbi, que, de repente, é descoberta e escolhida por um jovem interessado apenas em alguns minutos de prazer.

Para se ter uma ideia do estilo conciso e direto, que, de certa maneira, lembra o de outro escritor carioca famoso, Machado de Assis (1839-1908), segue um trecho do conto “Um alguidar cheio de frutas”, que conta a história daquela viúva, que nunca imaginaria que um rapaz ainda pudesse querer se aproximar dela apenas pelo deleite carnal, sem nenhuma má-intenção :

(...) Ziza percebeu que o medo não chegava aos olhos. Espanto. Não era o medo que lhe acelerava o peito. Suspendeu a respiração ao sentir os lábios do rapaz sobre os seus, enquanto o corpo forte a prendia contra o colchão. A mulher enlaçou-o com os braços e as pernas. Entre estranhas névoas de desejo, entregou-se inteira.

Como observa o escritor, lexicólogo e tradutor Ivo Korytowski na apresentação que escreveu para este livro, a nova obra de Helio Brasil exala um metafórico cheiro que faz lembrar de O perfume (1985), romance de sucesso internacional do alemão Patrick Süskind. Diz: Além do “perfume que roubam de ti”, perpassam pelas narinas do leitor “o perfume forte dos abacaxis, das laranjas e o odor sensual dos pêssegos”, “o perfume do jasmin”, “o perfume de tia Celeste” e “a suave e perfumada mão de Dorothy”. Para Korytowski, desde o livro de Süskind, “não se escrevia uma obra literária tão... perfumosa!”. Pois bem, depois desta apresentação, não resta ao leitor outra alternativa que não seja a de abrir bem as narinas e sair à procura deste novo livro de Helio Brasil. Não irá se arrepender.

                                               III
Nascido no Rio de Janeiro em 1931, Helio Brasil, formado em 1955 em Arquitetura pela Faculdade Nacional de Arquitetura da Universidade do Brasil, hoje Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), trabalhou no Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico (BNDE), atual BNDES, de 1955 a 1984, tendo supervisionado o projeto de construção da nova sede da entidade, inaugurada em 1982. Projetou em equipe edifícios residenciais, comerciais e industriais no Rio de Janeiro e em outros Estados. Lecionou durante 20 anos a disciplina Projeto de Arquitetura na Universidade Santa Úrsula e foi professor-visitante na UFRJ e na Universidade Federal Fluminense (UFF).

Depois que se aposentou pelo BNDES, passou a se dedicar à literatura, tornando-se um dos mais importantes ficcionistas brasileiros da atualidade. Dedica-se à escrita ficcional desde 1958, tendo obtido menções em concursos de contos. Frequentou a Oficina Literária do professor e escritor Ivan Cavalcanti Proença, editor da Livraria José Olympio Editora, do Rio de Janeiro, na década de 1980, pela qual teve trabalhos publicados em coletâneas. 

Sobre o bairro de São Cristóvão escreveu uma trilogia, composta de um livro de não-ficção – São Cristóvão: memória e esperança (Prefeitura do Rio de Janeiro, 2004) – e dois romances: A última adolescência e Ladeira do Tempo-Foi, romance dramático que tem como fulcro uma ladeira imaginária do bairro de São Cristóvão, à época da redemocratização pós-Estado Novo (1937-1946).

É autor também de O Solar da Fazenda do Rochedo e Cataguases (Synergia Editora, 2016), em co-autoria com José Rezende Reis; Cadernos (quase) esquecidos (2016), edição artesanal; Tesouro: O Palácio da Fazenda, da Era Vargas aos 450 anos do Rio de Janeiro (Editora Pébola, 2015), em co-autoria com Nireu Cavalcanti; e Pentagrama acidental, novelas (Editora Ponteiro, 2014).

Participou também das coletâneas de contos Doze autores e suas histórias (2003); A Marquesa de Santos (2004); Tempos de Nassau (2005); Ásperos e Macios (2010); O feitiço do boêmio 2010 (comemorando 100 anos de Noel Rosa), publicadas pela Editora Bom Texto; e O Rei, o Rio e suas histórias (2013), publicada pela Editora 7 Letras. Adelto Gonçalves - Brasil


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O perfume que roubam de ti... e outras histórias, de Helio Brasil, com apresentação de Ivo Korytowski. Rio de Janeiro: Synergia Editora, 1ª edição, 220 páginas, R$ 40,00, 2018. E-mail:comercial@synergiaeditora.com.br 
Site: www.synergiaeditora.com.br
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Adelto Gonçalves é doutor em Letras na área de Literatura Portuguesa pela Universidade de São Paulo e autor de Gonzaga, um Poeta do Iluminismo (Rio de Janeiro, Nova Fronteira, 1999), Barcelona Brasileira (Lisboa, Nova Arrancada, 1999; São Paulo, Publisher Brasil, 2002), Bocage – o Perfil Perdido (Lisboa, Caminho, 2003), Tomás Antônio Gonzaga (Imprensa Oficial do Estado de São Paulo/Academia Brasileira de Letras, 2012),  Direito e Justiça em Terras d´El-Rei na São Paulo Colonial (Imprensa Oficial do Estado de São Paulo, 2015) e Os Vira-latas da Madrugada (Rio de Janeiro, Livraria José Olympio Editora, 1981; Taubaté-SP, Letra Selvagem, 2015), entre outros. E-mail: marilizadelto@uol.com.br

UCCLA - Apresentação do livro “Quo Vadis Angola?” de Fernando dos Santos Neves


A UCCLA vai acolher a apresentação do livro “Quo Vadis Angola? - Socio-Tecnologias Teo-Sociologias 1967-2018” de Fernando dos Santos Neves, no dia 26 de novembro, às 18h30.


Na ocasião haverá intervenções do autor, do professor Esaú Dinis e do Secretário-Geral da UCCLA, Vitor Ramalho, que prefaciou o livro.



Biografia:

Fernando dos Santos Neves é natural de Foz do Sousa - Gondomar-Porto (1932), é doutor em Filosofia/Teologia e Ciências Sociais Aplicadas/Pensamento Contemporâneo pela Universidade Gregoriana de Roma, pela Universidade de Salamanca e pela Universidade Nova de Lisboa. É fundador e 1º Reitor do Instituto Superior Católico de Angola (1967), da Universidade Lusófona de Humanidades e Tecnologias de Lisboa (1991-2006) e da Universidade Lusófona do Porto (2007-2012); foi Professor de Ciências Políticas na Universidade de Paris VIII (Vincennes), vindo a criar a 1ª Licenciatura de Ciência Política em Portugal (1991) bem como a 1ª Licenciatura de Ciência das Religiões (1998) e o 1º Mestrado em Espaço Lusófono: Cultura, Economia e Política; estruturou nas Universidades Portuguesas a transversalíssima unidade curricular “Introdução ao Pensamento Contemporâneo” (IPC) e a 1ª Unidade de Estudos e Investigação “Ciência, Tecnologia e Sociedade” (UEICTS); lançou as “Semanas Portuguesas de Teologia” (1962), as “Semanas Sociológicas” (1989), a “Sociedade Africanológica de Língua Portuguesa” (SALP/1991), a “Associação dos Cientistas Sociais do Espaço Lusófono” (ACSEL/1994), a “Editorial Colóquios” (Angola, 1968), as “Edições ETC” (Paris, 1973), as “Edições Universitárias Lusófonas” (Lisboa, 1992), a “Editorial Clérigos” (Porto, 2014), a “Kairologia Editora” (Lisboa, 2015) e a K Editora (2017) bem como as “Revistas Lusófonas” de “Humanidades e Tecnologias” (ULHT, Grupo Lusófona), de “Ciência Política e Relações Internacionais” (RES-PUBLICA), de “Ciências Sociais” (CAMPUS SOCIAL), de “Estudos Africanos“ (AFRICANOLOGIA) e do “Pensamento Contemporâneo” (KAIRÓS); em homenagem à famosa 11ª Tese de Marx: “Até aqui os filósofos têm-se contentado em interpretar o mundo de diversas maneiras, mas importa também transformá-lo!”, é autor de várias “ONZE TESES… sobre o Ensino Superior, a Lusofonia, a Regionalização, o Novo Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa, etc.”; é considerado o pai teórico da “Lusofonia” (cuja palavra terá feito entrar no vocabulário da Língua Portuguesa) e é autor da “Declaração de Luanda” (Abril 2002) para a criação do “Espaço Lusófono do Ensino Superior” (ELES), á imagem e semelhança da “Declaração de Bolonha” e do “Espaço Europeu de Ensino Superior” (EEES), de que foi, em Portugal, um dos mais destacados pioneiros; proposto ao “Prémio Pessoa” em 1994, 1998 e 2017; “Medalha de Ouro para Portugal” do “American Biographical Institute” em 2008; anunciou, em 2016, a abertura do omnitotidimensional “Espaço Cultural Livros Etcetera”. Desde os anos 60 do século XX que, com os novos termos “Kairologia”, “Refontalização” e “Aggiornamento” vem chamando a atenção para as “Horas Certas” das inadiáveis modernizações das Igrejas e das Sociedades Lusófonas (Concílio Vaticano II, Ecumenismo, Maio 1968, Descolonização, 25 Abril 1974, 10 novembro 2015, “União Europeia”, “CPLP/Comunidade Lusófona”, “Alter-Globalização” etc.). E também desde há anos que desafia a CPLP a instituir o “PRÉMIO LUSOFONIA”, a atribuir anualmente a Personalidades ou Instituições que se hajam notabilizado, em qualquer dos aspetos da atividade humana, na construção efetiva da realidade socio-economico-político-cultural da Comunidade Lusófona. Um velho jornalista português em França publicitou há pouco (2017) um provocador escrito intitulado “Já leu Fernando dos Santos Neves? Se ainda não leu, então leia”!



sábado, 24 de novembro de 2018

Brasil - Economia cresce 1% no terceiro trimestre de 2018, diz FGV

A economia brasileira cresceu 1% do segundo para o terceiro trimestre deste ano. A informação é do Monitor do PIB (Produto Interno Bruto, que é a soma de todos os bens e serviços produzidos no país), da Fundação Getúlio Vargas (FGV).

De acordo com a pesquisa, divulgada hoje no Rio de Janeiro, o PIB se expandiu 1,7% na comparação com o terceiro trimestre do ano passado, e acumula alta de 1,6% em 12 meses.



Considerando-se apenas setembro, houve avanços de 0,4% na comparação com agosto deste ano e de 1,1% em relação a setembro de 2017.

O crescimento de 1% do segundo para o terceiro trimestre foi seguido pelos três grandes setores produtivos: serviços (0,7%), indústria (0,7%) e agropecuária (2,4%). Entre os segmentos da indústria, a maior alta foi anotada na construção (1,5%).

Também teve crescimento a indústria da transformação (0,7%).

No entanto, tiveram queda a indústria extrativa mineral (-0,7%) e a geração de eletricidade (-0,4%).

Entre os serviços, as maiores altas foram observadas nos segmentos de transportes (2,5%) e comércio (1,3%). Apenas o setor de outros serviços teve queda, de 0,1%.

Demanda

Sob a ótica da demanda, a alta foi puxada principalmente pela formação bruta de capital fixo, que são os investimentos. 

O setor cresceu 7% de um trimestre para outro. O consumo das famílias também aumentou, mas de forma mais moderada: 0,7%. O consumo do governo, por outro lado, caiu 0,1%.

No setor externo, observou-se um avanço de 8,6% nas exportações entre o segundo e o terceiro trimestre. As importações, no entanto, tiveram um crescimento mais expressivo no período: 11%. Vitor Abdala – Brasil in “Agência Brasil”

Macau – Governo quer selar acordo judiciário com Portugal

O Governo da RAEM quer chegar a um consenso com Portugal relativamente ao “Acordo sobre a Entrega de Infractores em Fuga e ao Acordo de Cooperação Judiciária em Matéria Penal”. O objectivo foi apresentado pela Secretária para a Administração e Justiça, Sónia Chan, na apresentação das Linhas de Acção Governativa (LAG) da sua tutela para o ano financeiro de 2019.

A par deste processo, o Governo vai acompanhar as negociações com Timor-Leste, Cabo Verde e Angola sobre os três acordos de cooperação judiciária em material penal. Além disso, mostrou vontade de negociar com o Brasil em matérias judiciárias e penais.

Na agenda da tutela da Secretária para 2019 encontra-se também abrangida a continuidade dos trabalhos para a assinatura do acordo de cooperação judiciária em material civil e comercial com a Mongólia. Na mesma linha, o Governo da RAEM “procurará iniciar negociações com a Malásia, a Indonésia e a Tailândia sobre a assinatura do acordo da cooperação judiciária em matéria penal”. Vão ainda ser desenvolvidos trabalhos de prevenção e combate à criminalidade transfronteiriça.

Ao longo do corrente ano, a RAEM assinou com a República Federal da Nigéria o Acordo de Transferência de Pessoas Condenadas, tendo procedido também a negociações de cooperação judiciária com a Mongólia, Filipinas, Vietname, Coreia do Sul, Portugal, Brasil, Timor-Leste, Cabo Verde e Angola.

Num âmbito diferente, o Governo definiu como prioridade a negociação com “países americanos”, não especificados, para a isenção recíproca de vistos de entrada para efeitos de turismo.

Cooperação regional na arbitragem

No âmbito do aprofundamento da cooperação jurídica inter-regional, “será fortalecida a coordenação da cooperação entre as suas instituições de arbitragem e promovida activamente a formação de árbitros locais”. A nível jurídico local, o sistema de arbitragem tem sido promovido em Macau como uma alternativa aos tribunais, para diminuir a pressão sob estes organismos. Apesar da proposta de lei sobre mediação em análise na 1ª Comissão da Assembleia Legislativa ser a nível comercial e civil, o Governo mostrou abertura durante o debate de ontem para fazer alterações que permitam aos contratos administrativos usarem este método de resolução de disputas.

Na dimensão regional, vai ainda ser realizado um estudo em 2019 sobre a implementação de um mecanismo de troca de informações jurídicas. Esta medida visa permitir a partilha de informações jurídicas de Guangdong, Hong Kong e Macau, respeitantes nomeadamente a diplomas legais e sentenças dos tribunais. Paralelamente, será estudada a criação de um mecanismo de divulgação jurídica mútua para a divulgação jurídica mútua das três regiões desenhada para investidores.

Durante o debate, a deputada Wong Kit Cheng mostrou-se preocupada com a cooperação a nível judiciário na Grande Baía, indicando esperar “que a Direcção dos Serviços de Assuntos de Justiça possa dialogar com as entidades congéneres”. Salomé Fernandes – Macau in “Jornal Tribuna de Macau”

Moçambique - III Congresso Nacional de Nutrição

O III Congresso Nacional de Nutrição e Encontro de Nutricionistas foi marcado, nesta quinta-feira, 22 de Novembro, por apresentações de diversas temáticas relacionadas com nutrição, como forma de, em conjunto, debater políticas nutricionais para ultrapassar diversas dificuldades sociais, relacionadas com a desnutrição crónica, dificuldade de acesso, por parte de muitas comunidades, aos alimentos e alimentos saudáveis.

Lucinda Manjana, do Ministério da Saúde (MISAU), ao apresentar o tema “Implementação do Programa de Reabilitação Nutricional”, fez uma viagem aos factores legais e sociais ligados à nutrição para, de certa forma, problematiza-los, propondo soluções sustentáveis como forma de ultrapassar este problema que continua dizimando muitos cidadãos ao nível nacional.

Por outro lado, Carla Domingues, da Agha Khan, apresentou dados sobre os diferentes níveis sociais relativos à nutrição, olhando para a comunidade como seu foco. Em seguida, baseando-se no seu tema “Projecto de Nutrição baseado na comunidade”, defendeu ser necessário que políticas e respectivos actores estejam cada vez mais envolvidos na resolução desses problemas.

Num dia em que foram feitas treze apresentações, resultantes de pesquisas, houve espaço para discussão em torno das práticas de alimentação infantil, assim como das Estratégias de alimentação saudável e questões ligadas à segurança nutricional, olhando para os refugiados em Moçambique. In “Olá Moçambique” - Moçambique

sexta-feira, 23 de novembro de 2018

Angola - Língua portuguesa ocupa uma posição privilegiada no curriculum académico do Uruguai

Mais de 200 mil uruguaios falam fluentemente o português, devido à presença da língua de Camões em todo o sistema de educação naquele país da América do Sul

Javier Geymonat


Segundo o especialista em ensino da Língua Portuguesa, Javier Geymonat, durante a palestra “Ensino de português no Uruguai: estado da arte”, realizada pela Embaixada da República Oriental do Uruguai na Universidade Gregório Semedo em Luanda, «a língua portuguesa ocupa uma posição privilegiada no curriculum académico, estando entre os três idiomas com maior presença no ensino público.»

O português está no mundo académico uruguaio desde o Tratado do Mercosul, em 1991. É lecionado de forma obrigatória em 93 escolas do ensino primário, no ensino médio em 22 centros escolares de línguas estrangeiras, onde é feita por opção, durante três horas por semana, e em cursos ligados à hotelaria, imobiliária, seguro, tecnologia, logística, secretariado e agricultura.

Em relação ao ensino universitário, disse o docente, frequentam anualmente as aulas de português mais de dois mil estudantes, através da Universidade Pública, de Conselhos de Formação e Educação e Centros de Línguas Estrangeiras.

Javier Geymonat, uruguaio, referiu que os professores de língua portuguesa fazem atualização regular em centros de formação públicos e privados.

De acordo com o especialista em ensino de língua portuguesa, a realidade torna o povo uruguaio mais próximo da Comunidade dos Países de Língua Oficial Portuguesa (CPLP), organismo do qual é observador. In “Revista Port. Com” – Portugal com “Javier Geymonat”



Estados Unidos da América – Aprendizagem de português nas escolas da Califórnia

A aprendizagem da língua portuguesa na Califórnia ganhou fôlego no novo ano letivo, com «melhoria» do número de alunos e «muito mais interesse» nas escolas secundárias



De acordo com a presidente da Portuguese Education Foundation, Eduina Azevedo, «a fundação entregou 62 bolsas de estudo com o objetivo de «incentivar os alunos lusodescendentes a continuarem a sua educação e atingir um nível superior», atribuição que decorreu durante o 27.º banquete anual da organização em Turlock, cidade na Califórnia.

Para a responsável, que é professora do ensino secundário em Hilmar e docente na universidade estadual do condado de Stanislau, o aumento do número de estudantes da língua está ligado a uma maior divulgação da cultura portuguesa e ao «interesse dos alunos de terceira geração».

«Vejo isso na sala de aula», explicou Eduina Azevedo à Agência Lusa, afirmando que «o interesse está a voltar» e muitas vezes começa nas Festas do Espírito Santo que a diáspora lusa, em especial açoriana, continua a organizar por toda a Califórnia. Em 2019, a professora vai levar um grupo de alunos a Lisboa e aos Açores.

Segundo os dados da Luso-American Education Foundation (LAEF), o número de alunos de português aumentou 18% no ano letivo 2018/2019 e foram abertos vários novos cursos, incluindo um programa de ensino de português em duas escolas secundárias em Ceres, condado de Stanislaus.

«O espanhol é praticamente língua universal neste Estado e há uma procura por algo diferente», explicou a presidente da Portuguese Education Foundation, cuja missão passa por «incentivar o desenvolvimento e a educação da comunidade portuguesa».

Todos os alunos que receberam os incentivos monetários de até 600 dólares são lusodescendentes envolvidos na comunidade portuguesa, um critério essencial para a atribuição das bolsas para as quais se podem candidatar todos os anos até à conclusão dos estudos.

O banquete é o evento anual mais importante para angariação de fundos na Portuguese Education Foundation e acontece desde 1992. Reuniu centenas de pessoas ligadas à comunidade em Turlock, onde 7,4% da população é de origem portuguesa, de acordo com o censo de 2010. In “Revista Port. Com” – Portugal com “Lusa”