Pintura Arq. Eduardo Moreira Santos, Lx (28.08.1904 - 23.04.1992)

terça-feira, 24 de abril de 2018

Brasil - Porto de Santos: difícil acesso

SÃO PAULO – Embora seja responsável por 27% da movimentação do comércio exterior brasileiro, o porto de Santos não tem recebido por parte do governo federal, em termos de investimentos de infraestrutura, a retribuição que sempre mereceu, até porque investir no complexo portuário santista significa fortalecer a economia nacional. Basta ver que, depois de assinar em 2013 convênio com o município para fazer a remodelação da entrada da cidade e criar novos acessos ao cais, o governo federal só agora começa a se movimentar para cumpri-lo.

Já o governo do Estado acaba de liberar verbas para as intervenções que de sua parte são necessárias para remodelar a entrada da cidade. Como se viu recentemente por ocasião da temporada de chuvas de verão, a região fica completamente alagada, ocasionando congestionamentos quilométricos que vão até o alto da Serra.

A execução dos trabalhos estará a cargo da Ecovias, concessionária do Sistema Anchieta-Imigrantes (SAI), que, em troca, terá ampliado o tempo do seu contrato para cuidar das rodovias. O investimento previsto é de R$ 250 milhões. Do projeto, constam a construção de um acesso entre as marginais da via Anchieta, no bairro Piratininga, com a implantação de uma saída no viaduto da Alemoa (no sentido Planalto), e a retificação da pista sul da Anchieta, com a interligação das  marginais, sob um novo viaduto no quilômetro 65.

Como se sabe, esse trabalho de modernização do acesso a partir da via Anchieta também se tornou necessário e inadiável, já que os caminhões e ônibus estão impedidos de trafegar a pista descendente da rodovia dos Imigrantes em direção ao porto. Isto porque, na década de 1970, à época do início da construção da Imigrantes, os engenheiros não foram capazes de imaginar que um declive tão acentuado acabaria por impossibilitar o acesso de veículos pesados, embora a obra, à época do regime militar (1964-1985), tenha sido anunciada exatamente como uma solução para os problemas viários no acesso ao porto. Obviamente, este erro de cálculo nada edifica a engenharia brasileira.

É de se lembrar ainda que a Rumo Logística, depois de sua fusão com a América Latina Logística (ALL), como concessionária ferroviária do porto, também vem investindo para equacionar os vários conflitos que existem na região do Valongo, responsáveis por provocar grandes congestionamentos também à entrada da cidade, como aqueles que se vê diariamente na área do antigo Armazém 1, hoje desativado. Com a MRS, que detém a concessão na área de Cubatão, a Rumo pretende construir um retropátio à entrada do porto, que permitirá operações mais disciplinadas na rede.

Bem encaminhada a solução para a questão ferroviária, o que se espera é que haja vontade política para se procurar sanar a questão do acesso rodoviário ao porto, hoje dependente de um viaduto de acesso, pois, na verdade, até agora, a obra de remodelação da entrada da cidade pela via Anchieta só não saiu do papel por culpa da União. Milton Lourenço - Brasil


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Milton Lourenço é presidente da Fiorde Logística Internacional e diretor do Sindicato dos Comissários de Despachos, Agentes de Cargas e Logística do Estado de São Paulo (Sindicomis) e da Associação Nacional dos Comissários de Despachos, Agentes de Cargas e Logística (ACTC). E-mail: fiorde@fiorde.com.br. Site: www.fiorde.com.br

segunda-feira, 23 de abril de 2018

Angola - Paulo Flores com novo álbum, ″kandongueiro Voador″

Paulo Flores, a comemorar 30 anos de carreira, tem um novo álbum que vai apresentar em Portugal no fim deste mês



"Kandongueiro Voador" é o título do novo trabalho do músico angolano que sobe ao palco da Aula Magna da Universidade de Lisboa, no dia 28 de Abril.

Composto por 12 faixas, maioritariamente da autoria - letra e música - de Paulo Flores, um álbum que resultou de um "laboratório criativo", segundo as suas próprias palavras, gravado nos intervalos entre os vários concertos do músico em Luanda.

Um dos temas, "Cise nos Rainha", é uma homenagem a Cesária Évora. Foi composto por Paulo Flores em 2016, cinco anos após a morte da "diva dos pés descalços".

O tema conta com o cavaquinho e bandolim de Edu Miranda e o clarinete de Ricardo Toscano.

O álbum, uma edição de autor, conta ainda com a participação de Roberto Mendes, Capiman, Armando Gobliss, Sérgio Beleira e DJ Satelite.

A acompanhar Paulo Flores no concerto da Aula Magna estarão os músicos Armando Gobliss, nas teclas, Chico Santos e Joãozinho Morgado, na percussão, Edu Miranda, no violão, cavaquinho e bandolim, Hélio Cruz, na bateria, Manecas Costa, na guitarra, e Mayo, no baixo. In “Novo Jornal” - Angola

Cabo Verde - Organização satisfeita com a oitava edição do Encontro de Escritores de Língua Portuguesa

Cidade da Praia – O vereador da Cultura da Câmara Municipal da Praia manifestou a sua satisfação com a realização do VIII Encontro de Escritores de Língua Portuguesa, que, ao seu ver, contribuiu para projecção da cidade em termos da literatura.



Esta oitava edição, que vinha decorrendo desde quarta-feira, 19, na Cidade da Praia, sob o tema “A cidade e a literatura: conexões entre cidadania, criatividade e juventude”, terminou com os objectivos alcançados, segundo António Lopes da Silva.

Segundo o vereador, que falava à imprensa em jeito de balanço, o evento correu “de forma normal” e contou com a presença de todos os escritores lusófonos inscritos, com execepção do autor Nuno Rebocho, que devido a problemas de saúde, não foi possível participar no certame.

“Estamos satisfeitos e pensamos que o principal objectivo foi alcançado, que é colocar a Cidade da Praia no centro das atenções a nível da literatura, aspecto esse que irá marcar e ficará na história”, precisou, sublinhando que o evento contribuiu também para lançar as bases para uma maior projecção da capital do país em termos literários e de desenvolvimento.

Numa alusão ao tema principal do evento, “A cidade e a literatura: conexões entre cidadania, criatividade e juventude”, António Lopes da Silva disse que a escolha da temática contribuiu, também, para envolver pessoas de outras áreas em todo o processo.

“Hoje Praia é muito mais do que construções de ruas, de casas, são pessoas com vivência, uma história”, disse anunciando que a Cidade da Praia vai ter, brevemente, uma biblioteca municipal com o nome de Jaime de Figueiredo, o homenageado desta edição.

Promovido pela União das Cidades Capitais de Língua Portuguesa (UCCLA), em parceria com a Câmara Municipal da Praia, Academia de Letras, Uni-CV e Biblioteca Nacional, o encontro reuniu vários escritores da língua portuguesa e teve por objectivo a partilha, troca de experiências e a promoção da literatura dos países que falam o português.

A edição deste ano associou-se à celebração dos 160 anos da Cidade da Praia e homenageou um “grande homem da cultura” do país, Jaime de Figueiredo, que foi conservador da Biblioteca Municipal, ensaísta, crítico, dramaturgo e artista plástico.

Ao longo dessas edições, já participaram mais de 100 escritores, entre os quais escritores consagrados pelos principais prémios literários das literaturas escritas em Língua Portuguesa – incluindo cinco prémios Camões: Arménio Vieira, Eduardo Lourenço, João Ubaldo Ribeiro, Pepetela e Mia Couto, mas também escritoras de diferentes gerações e tradições literárias. In “Inforpress” – Cabo Verde

domingo, 22 de abril de 2018

Alvorada
















Vamos aprender português, cantando


Meu amor tão transparente
meu reverso de loucura
tens o dom de olhar em frente
para além da desventura.

Ancorei na voz que canta
esse teu olhar profundo
cada nó desta garganta
plantou flores pelo mundo.

Queria ficar mais um pouco
mas chegou a alvorada
quem dera que fosse
para sempre madrugada.

E voltarmos a fazer tudo outra vez

Cada marca do meu corpo
vejo eu que te não pesa
cada dia é um dia novo
cada beijo uma reza.

Alvorada amor ardente
soube bem velar teu sono
já esquecemos tanta gente
ainda nem é o outono.

Queria ficar mais um pouco
mas chegou a alvorada
quem dera que fosse
para sempre madrugada.

E voltarmos a fazer tudo outra vez

O amor fica diferente
quando chega a alvorada
mas já se reaprende
quando for de madrugada.

E voltarmos a fazer tudo outra vez

Cristina Branco – Portugal

Luís Severo (Letra e Música) - Portugal

sábado, 21 de abril de 2018

Macau – Declamar poesia para melhorar o português

O Instituto Politécnico organizou a 13ª edição do Concurso de Declamação de Poesia em Português para Instituições de Ensino Superior da China que contou este ano com estudantes de quatro universidades locais e oito do Continente. Os alunos encaram o concurso como uma forma de melhorar o seu conhecimento de Português



Trinta estudantes de quatro instituições de ensino superior locais e oito do Interior da China estiveram no Instituto Politécnico de Macau (IPM) para participar na 13ª edição do Concurso de Declamação de Poesia em Português para Instituições de Ensino Superior da China.

Joshua Aslarona concorreu pela primeira vez. Tem 20 anos e está a frequentar o segundo ano da Licenciatura em Estudos Portugueses da Universidade de Macau. “Gosto de declamar poesia mas nunca tive oportunidade o fazer. É a primeira vez que participo num concurso de poesia, mas já não sou amador em termos de concursos de falar em público”, contou.

O jovem, que nasceu nas Filipinas mas cresceu em Macau, escolheu declamar o poema “Mãe” de Eugénio de Andrade. “Identifiquei-me muito [com o poema] porque estou numa fase de transição da minha vida em que tenho cada vez menos tempo para a minha família, para a minha mãe”, sublinhou, acrescentando que só agora começa a conhecer poesia de autores portugueses.

A decisão de estudar Português prende-se com o facto de lhe dar a possibilidade de trabalhar em várias áreas. “Posso ser jornalista, posso estudar direito ou ser tradutor-intérprete, se aprender chinês também, que já estou a aprender, mas é um pouco difícil”. Por agora, assegura, ainda não tem a certeza do que se segue ao fim da Licenciatura.

Verónica Ruan também ainda não sabe o que fará quando terminar os estudos. “Estou a estudar português na Universidade de Estudos Internacionais de Pequim, no segundo ano. Vou interpretar ‘Cântico Negro’, de José Régio. É um poema muito intenso, tem muita emoção e eu gosto muito desse tipo de poesia”, sublinhou antes da competição a jovem de 23 anos que também aprecia textos de Fernando Pessoa.

A decisão de estudar Português foi fácil. “Gosto muito de línguas. Quando estava na escola secundária estudava muito bem inglês. As línguas são um talento meu. Portugal é um país muito bonito, tem uma cultura maravilhosa e uma história muito longa. Gosto muito da história dos descobrimentos”, destacou.

Quando terminar o curso admite a possibilidade de trabalhar tanto no estrangeiro como na China. “A minha língua é uma vantagem muito grande para trabalhar em Portugal, no Brasil ou na China como tradutora, intérprete ou jornalista”, apontou.

A aprendizagem do Português não tem sido difícil. “Gosto muito da gramática e de conversar com outras pessoas e acho que os portugueses são muito simpáticos. Este ano vou para a Universidade do Minho, em Braga, e vai ser um período muito interessante”, destaca.

Ao contrário das outras duas estudantes, Chu Xiaorui já sabe o que quer fazer quando terminar os estudos: investigação. Para o concurso do IPM escolheu interpretar um poema de Fernando Pessoa. “Gosto de Fernando Pessoa porque tem muitas perspectivas diferentes. É muito diversificado mas muito difícil. Estou no segundo ano, estou a aprender Português pouco a pouco, mas tenho algumas dificuldades. Em primeiro lugar, a linguagem, porque depende dos heterónimos”, sublinhou o jovem de 21 anos que estuda Língua e Literatura Portuguesa na Universidade de Pequim.

A decisão de estudar Português derivou da curiosidade que tinha em relação ao mundo lusófono. “Portugal e o mundo da Língua Portuguesa são pouco conhecidos no contexto da China, são pouco estudados. Gosto de Luís de Camões porque estou a estudar filósofos da Grécia Antiga e Luís de Camões tem um pouco a ver com eles. Queria estudar e descobrir mais sobre os poemas de Luís de Camões”, disse o aluno, que acabou por conquistar o primeiro prémio no concurso de ontem.

Voltar aos valores originais

Chu Xiaorui destaca ainda a importância de regressarmos aos valores originais. “Hoje em dia o mundo avança muito depressa. Todos os dias as pessoas trabalham, comem, mas os corações estão vazios. Os valores estão a perder-se eles podem ser encontrados nos filósofos gregos. Gostava de devolver estes valores às pessoas. Camões também destaca os seus sentimentos em relação à Pátria e Fernando Pessoa diz que é importante construir uma cultura nova, de futuro. Ambos os autores estão a tentar criar novos valores”, defendeu o jovem.

Quando terminar o curso, Chu Xiaorui gostava de prosseguir os seus estudos na área da Sociologia ou Filosofia, nos EUA. Posteriormente, gostaria de enveredar pelo ramo da investigação. “Gostava de voltar à Universidade de Pequim e fazer investigação usando fontes em Língua Portuguesa, que é uma língua que adoro”, sublinhou.

O concurso resulta na entrega de nove prémios, três em cada nível – elementar, intermédio e avançado. O segundo prémio, que foi atribuído a Liu Xingyu (Estrela), contou com o patrocínio pela Fundação Rui Cunha. Houve ainda um prémio especial, da responsabilidade da Fundação Oriente, para reconhecer a melhor declamação de poema relacionado com o Oriente, seja devido ao tema, seja pelo autor.

IPM ajuda Fundação da EPM a levar Português a Zhuhai e Hengqin

O Instituto Politécnico de Macau (IPM) está a cooperar com a Fundação Escola Portuguesa de Macau (FEPM) para implementar aulas de Português em duas escolas no Interior da China. “O que temos feito é ajudar a desbravar caminho porque o IPM conhece melhor a situação da China”, explicou Carlos André. “Foi através do IPM que a FEPM chegou a uma escola em Zhuhai, privada, que vai abrir a partir de Setembro e projecta-se já uma ou mais turmas e um centro de línguas onde haverá língua portuguesa. A segunda escola, não estive envolvido porque foi mais institucional, por parte do governador de Hengqin”, disse o director do Centro Pedagógico e Científico da Língua Portuguesa do IPM. Carlos André acredita que a colaboração do IPM pode ser útil ao nível do recrutamento de docentes por já ter conhecimento da situação em mais de 30 universidades chinesas. “É mais fácil para nós fazer o recrutamento de bilingues e temos em carteira vários candidatos nativos, portugueses, para posições de ensino no Interior da China”. Além disso, o IPM produz materiais de ensino, recordou. Inês Almeida – Macau in “Jornal Tribuna de Macau”

sexta-feira, 20 de abril de 2018

CPLP - Cabo Verde acolhe I Seminário da CPLP sobre a Dopagem no Desporto



A República de Cabo Verde acolhe um seminário dedicado ao tema da luta contra o doping no desporto e a viciação de resultados desportivos na Comunidade de Países de Língua Portuguesa (CPLP), entre 20 e 22 de maio de 2018, no Estádio Nacional cabo-verdiano.

O evento é enquadrado no Plano de Ação da Ministerial da Juventude e Desportos da CPLP para o período 2015-2017 e é organizado em conjunto pelas Organização Nacional Antidopagem (ONAD) e Direção Geral dos Desportos (DGD) de Cabo Verde.

O seminário ambiciona debater a dopagem no desporto nos países da CPLP e consensualizar a criação de um perfil de competências a desenvolver na luta contra a dopagem.

Mais informação aqui

Austrália - Obra de teatro mostra espionagem australiana em Timor-Leste nas negociações de fronteiras

A acção de um grupo de agentes australianos que em 2004 aproveitou um suposto programa de assistência humanitária para colocar um sistema de espionagem no Palácio do Governo em Timor-Leste é o mote de uma nova peça de teatro australiana



“Greater Sunrise” – que é também o nome de um projecto petrolífero no Mar de Timor – foi escrita por Zoe Hogan, que viveu e trabalhou em Timor-Leste entre 2011 e 2012 (no âmbito de um programa de voluntários do Governo australiano).

O escândalo da espionagem foi o mote para uma história que começou por ser uma tentativa de escrever sobre a vida de um estrangeiro em Díli e acabou a mostrar “como a Austrália tem lidado com Timor-Leste, especialmente depois da independência”.

Os antecedentes, explicou Hogan, em entrevista telefónica a partir de Sydney, “são chocantes” e representam “uma violação óbvia pela Austrália da lei internacional”, apesar de na prática serem “triste e previsivelmente decepcionantes” e mais um exemplo “de um grande a aproveitar-se do vizinho mais pequeno”.

O caso, que só foi descoberto em 2013, causou um dos momentos de maior tensão diplomática entre Díli e Camberra, especialmente porque a espionagem foi feita quando os dois países negociavam as fronteiras marítimas.

O homem que denunciou a espionagem, conhecido apenas como Testemunha K, continua sem passaporte, na Austrália, impedido de sair do país.

Camberra recusava aceitar a linha mediana de fronteiras e insistia numa divisão de receitas do Mar de Timor de recursos que estavam do lado timorense, postura a que só cedeu com a assinatura, este ano, de um novo tratado.

Esse tratado, assinado a 6 de Março em Nova Iorque, colocou a linha onde Timor-Leste sempre reivindicou, o que implica que os poços explorados, cujas receitas teve que dividir com Camberra, são totalmente timorenses.

Estima-se que cerca de cinco mil milhões de dólares de receitas timorenses referentes a esses poços tenham ido para os cofres australianos.

Com experiência em cinema e no palco – foi um dos atores nos dois maiores filmes feitos em Timor-Leste (Balibo e A Guerra de Beatriz) – o único actor timorense da peça, José da Costa, destaca o facto de a peça mostrar um assunto que é desconhecido para muitos na Austrália.

“Parece estar algo escondido. Há muitos que depois da peça pedem mais informação. A obra é historicamente baseada em factos reais mas depois é preciso explicar mais”, disse.

O mesmo ocorre com muitos dos jovens em Timor-Leste que podem não conhecer as dimensões de um assunto complexo, pelo que “era importante mostrar também esta peça” em Timor-Leste.

Hogan rejeita a posição dos que, no Governo australiano, defendem que Timor-Leste deve estar agradecido pelo apoio que a Austrália tem dado ao país, insistindo que a questão é muito mais ampla.

“Isto é uma questão de justiça e não sobre caridade ou generosidade”, disse.

Ainda que tenha conhecido muitos activistas timorenses envolvidos no caso de Timor-Leste, Hogan admite que junto do público em geral possa haver muito desconhecimento sobre este caso e sobre a realidade timorense.

Ainda que inspirado em eventos reais, o autor insiste que a história é essencialmente de ficção, sem ser baseada na vida de ninguém em concreto. Especialmente positivo é o facto de no palco estar um actor timorense, disse.

“Não teríamos produzido a peça se não tivéssemos um actor timorense. A peça tem muito tétum, é particularmente bonito ouvir tétum num palco em Sidney, onde muito do público nunca sequer ouviu a língua”, explicou.

“Penso que é a primeira vez que numa produção num palco em Sydney temos o tétum. É muito importante poder promover a nossa língua num espectáculo com tanto público. Nas conversas com o público, depois, muitos dizem que gostaram de ouvir a língua”, sublinha José da Costa.

O objectivo agora é levar a peça a outras cidades australianas, nomeadamente Melbourne e Darwin, mas também até Timor-Leste. A peça está em cena no Belvoir Theatre até 21 de Abril. In “Ponto Final” – Macau com “Lusa”