Pintura Arq. Eduardo Moreira Santos, Lx (28.08.1904 - 23.04.1992)

sábado, 1 de junho de 2024

UCCLA - Lançamento do livro “Cantagalo” vencedor do Prémio Revelação Literária

Terá lugar, no dia 7 de junho, às 18 horas, o lançamento do livro “Cantagalo” da autora brasileira Fernanda Teixeira Ribeiro - vencedora da 9.ª edição do “Prémio Revelação Literária UCCLA-CMLisboa - Novos Talentos, Novas Obras em Língua Portuguesa” -, no Auditório Sul da Feira do Livro de Lisboa, no Parque Eduardo VII.


A apresentação do livro será feita por António Carlos Cortez e contará com a presença da autora, que se deslocará propositadamente do Brasil.

De acordo com o júri, “Cantagalo” é “um romance de família, com Praxedes, nome obtuso, como centro da ficção. História de peripécias rápidas, diálogos vivos, o que atravessa este livro como rio subterrâneo é não só a condição feminina e a questão da escrita, mas a própria condição do Livro como possibilidade de escapar a uma vida vazia, concreta, feita de cenas sem sentido nesse lugar - Cantagalo - que é alegoria de todo o Brasil. Tudo numa dicção autêntica, um modo de pôr as personagens a falar que lembra, de facto, um outro mundo.”

Mais informações sobre a 9.ª edição do “Prémio Revelação Literária UCCLA-CMLisboa - Novos Talentos, Novas Obras em Língua Portuguesa” na ligação:

https://www.uccla.pt/noticias/fernanda-ribeiro-vence-premio-de-revelacao-literaria-uccla-cmlisboa

Internacional - Estudo da Science alerta para a necessidade de redução do impacto humano nos ecossistemas aquáticos

Um estudo publicado na Revista Science, em que participa a Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra (FCTUC), alerta para a necessidade de redução do impacto humano nos ecossistemas aquáticos.


Esta investigação contou com a participação de mais de 150 investigadores de 40 países, incluindo Portugal, representado por Cristina Canhoto, professora do Departamento de Ciências da Vida (DCV) e investigadora no Centro de Ecologia Funcional (CFE), Manuel Graça, professor do DCV e investigador do Centro de Ciências do Mar e do Ambiente (MARE) e Verónica Ferreira, investigadora do DCV/MARE.

O estudo estima as taxas de decomposição de matéria orgânica em ecossistemas de água doce (uma fonte de emissões de carbono) a nível global. A decomposição de matéria orgânica produzida pela floresta que ladeia os cursos de água é um processo fundamental nos ribeiros florestados, estando na base das teias alimentares aquáticas.

O trabalho de campo decorreu em 550 rios de todo o mundo, onde os cientistas levaram a cabo um ensaio padronizado para avaliar a taxa de decomposição de pequenos pedaços de tecidos de algodão (constituído maioritariamente por celulose, um composto vegetal muito abundante na Terra). Com base nestes testes, foram, posteriormente, utilizados modelos preditivos e algoritmos de machine learning para estimar as taxas de decomposição de celulose e de folhas de várias espécies para várias áreas do globo.

A nível global, este trabalho lança um alerta para a necessidade de redução dos impactos humanos nos cursos de água, o que permitirá evitar a libertação de CO2 para a atmosfera e contribuir para o controlo das alterações climáticas. «Precisamos de minimizar os impactos humanos nas águas doces para gerir de forma mais eficaz o ciclo global de carbono», alertam os investigadores da FCTUC.

Os resultados deste trabalho mostraram maiores taxas de decomposição em áreas agrícolas densamente povoadas (Estados Unidos, Europa e Sudeste Asiático). O que resulta do escoamento agrícola e urbano é um dos principais contribuidores para o aumento das emissões de carbono responsáveis pelas alterações climáticas.

«Quando pensamos em emissões de gases de efeito estufa, tendemos a associar às emissões dos automóveis e da indústria, mas os ecossistemas aquáticos também libertam dióxido de carbono (CO2) e metano, em resultado dos processos naturais que lá ocorrem», revela Verónica Ferreira.

«A decomposição de detritos vegetais é um processo fundamental nos ecossistemas de água doce, mas quando as atividades humanas adicionam nutrientes (como fertilizantes), elevam a temperatura dos cursos de água e as taxas de decomposição também aumentam, levando à libertação de mais CO2 para a atmosfera», complementa Cristina Canhoto.

O estudo aponta, de forma inequívoca, para o impacto determinante que os seres humanos estão a ter nas taxas de decomposição da matéria orgânica nos rios à escala global. Esta descoberta está ilustrada pelos mapas apresentados no artigo, de acesso gratuito através de um sítio construído pelos autores.

«Esta ferramenta de mapeamento online permite que qualquer pessoa perceba com que rapidez os diferentes tipos de folhas se podem decompor nos rios locais», explica Manuel Graça, acrescentando que «a sua utilização permite obter uma estimativa das taxas de decomposição foliar mesmo em rios que não tenham sido alvo de investigação prévia». 

Scott Tiegs (Universidade de Oakland, EUA), Krista Capps (Universidade da Geórgia, EUA) e David Costello (Universidade Estadual de Kent, EUA) são os coautores principais do estudo “Human activites shape global patterns of decompositions rates in rivers”. Universidade de Coimbra - Portugal


Macau - Lusofonia acredita no potencial da Região

Diplomatas lusófonos querem e vêem potencial para aumentar a presença dos Países de Língua Portuguesa em Macau. Alexandre Leitão, Cônsul-Geral de Portugal em Macau e Hong Kong, e Danilo Henriques, Secretário-Adjunto do Fórum de Macau, discutiram as oportunidades na Grande Baía, a partir da RAEM


Alexandre Leitão, Cônsul-Geral de Portugal em Macau e Hong Kong, e Danilo Henriques, Secretário-Adjunto do Fórum Macau, foram os convidados que fecharam o ciclo de debates do Plataforma Talks, que de 27 a 30 de maio, foram realizados na Fundação Rui Cunha. À margem da sessão Internacionalizar Macau: Redes Diplomáticas, os oradores falaram com o nosso jornal, expressando a sua vontade de colaborar mais com Macau para trazer empresas, pessoas e produtos da Lusofonia.

Nesse sentido, o Cônsul-Geral sublinhou a importância de Portugal utilizar melhor a sua presença histórica e cultural na Região. “Portugal deve aproveitar mais Macau. Temos uma convicção de que as trocas comerciais, as parcerias empresariais e os investimentos cruzados estão aquém do nível desejável.” Alexandre Leitão considerou não haver razão para as exportações portuguesas não serem maiores, e indicou existir um grande potencial inexplorado. “Não nos conformamos; Portugal tem aqui uma presença histórica, uma comunidade grande e uma gastronomia macaense com fortíssima inspiração portuguesa. Portanto, não faz sentido que não consigamos exportar mais para cá e atrair mais investimento.”

O responsável também destacou as ações do Consulado, em colaboração com a AICEP, para promover Portugal na região. “O Consulado faz variadíssimas coisas com a AICEP todos os dias, desde ações promocionais até à emissão de vistos de forma rápida. Todos os dias empreendemos, sentamo-nos com pessoas, não fazemos muita publicidade disso porque a diplomacia é, por definição, discreta”, explica.

Danilo Henriques, que assumiu as suas funções como Secretário-Adjunto do Fórum de Macau em março de 2023, destacou a importância de coordenar atividades e melhorar a ligação com as embaixadas dos países lusófonos. “Os primeiros objetivos foram a realização da Conferência Ministerial e a boa coordenação com os embaixadores sobre os próximos passos. Estamos a programar e agendar visitas para os países lusófonos que não realizamos há muito tempo devido à Covid-19,” diz.

Henriques afirma que há vontade de Pequim e da RAEM para utilizar o Fórum de Macau como uma plataforma de cooperação, e o aumento das áreas em que essa cooperação pode ter lugar. “Cada vez vemos mais áreas de cooperação, como a economia azul, a economia digital e a segurança alimentar, que são assuntos críticos para vários países”, afirma. Henriques mencionou também a necessidade de maior flexibilidade e transparência no Fundo de Cooperação e Desenvolvimento China-Países de Língua Portuguesa, destacando uma recente abertura positiva nesse sentido. Nelson Moura - Macau In “Plataforma”


Cabo Verde - “Caçadores” de nevoeiro recolhem até 700 litros de água por dia

Uma associação cabo-verdiana da ilha da Brava está a recolher até 700 litros de água a partir da condensação de nevoeiro, utilizando-a na criação de gado, disse à Lusa o líder da iniciativa.

“Há um mês, fizemos a instalação do sistema de captação de água no nevoeiro e agora estamos a monitorizar os resultados”, referiu à Lusa Carlos Bango, membro da associação Biflores, avançando que os painéis esticados nos pontos altos recolhem “entre 500 a 700 litros por dia”.

A chuva é rara no arquipélago e três membros da associação viajaram há sete meses até às ilhas Canárias para aperfeiçoar a técnica de “caçar” o nevoeiro, para captar água.

Na altura, a expectativa era captar até 400 litros de água por dia, mas depois de ter instalado três captadores e conseguir quase o dobro, a associação de conservação da biodiversidade ficou ainda mais motivada com a ideia.

“Estamos a ter grandes resultados. Ficávamos contentes com um bidão de água por dia, mas agora enchemos três bidões, todos os dias”, realçou.

A Biflores está a mobilizar parcerias para instalar mais captadores.

Enquanto isso, armazena água em bidões e num reservatório de duas toneladas.

“Na semana passada, havia condições e conseguimos encher o tanque de duas toneladas”, descreveu.

A comunidade “está muito contente” porque recebe água para criação de gado e até a associação vai passar a alimentar um sistema de rega gota-a-gota para a restauração ecológica de área fruteiras e forrageiras endémicas.

“Vamos também remover espécies invasoras, que consomem muita água e que matam outras plantas endémicas”, acrescentou.

Nesta fase inicial da experiência, sem precisar o número de beneficiários, o líder do projeto explicou que não haverá um limite de distribuição da água: o valor dependerá da necessidade de cada pessoa.

O projeto de captação implementado na ilha surge como resposta às secas severas sofridas pelos cabo-verdianos e que têm afetado sobretudo os agricultores e a conservação das espécies endémicas da ilha.

A ilha da Brava, a mais pequena das nove ilhas habitadas de Cabo Verde, é a que está situada mais a sul e conta com cerca de 5600 habitantes. In “Green Savers” – Portugal com “Lusa”


Portugal – Vila do Redondo celebra os 500 anos de Camões: Sonetos do poeta adornam a vila

No âmbito das comemorações dos 500 anos do nascimento do ilustre poeta e dramaturgo português Luís Vaz de Camões, a Biblioteca Municipal de Redondo promove a iniciativa “Camões – Da Biblioteca para a Comunidade”.


Considerado uma das figuras mais importantes da literatura portuguesa, Camões deixou um legado imensurável, sendo aclamado como autor da célebre obra “Os Lusíadas” e reconhecido como uma das principais vozes da literatura épica mundial.

Entre os dias 4 e 30 de junho, a biblioteca realizará a colocação de suportes tipo banner e a impressão em tela grande de alguns sonetos de Camões. Estes serão expostos em diversos locais da comunidade, como o átrio da Biblioteca, CMR (Câmara Municipal de Redondo), CCR (Centro Cultural de Redondo), Centro de Saúde e CAME (Centro de Apoio Médico e Educativo).

Esta iniciativa visa não só homenagear o legado literário de Camões, mas também aproximar a obra do poeta da comunidade local, promovendo assim a valorização da cultura e da literatura portuguesa. In “O Digital” - Portugal


Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades

 

Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades,

muda-se o ser, muda-se a confiança:

Todo o mundo é composto de mudança,

tomando sempre novas qualidades.

 

Continuamente vemos novidades,

diferentes em tudo da esperança:

Do mal ficam as mágoas na lembrança,

e do bem (se algum houve) as saudades.

 

O tempo cobre o chão de verde manto,

que já coberto foi de neve fria,

e em mim converte em choro o doce canto.

 

E afora este mudar-se cada dia,

outra mudança faz de mor espanto,

que não se muda já como soía.

 

Luiz Vaz de Camões


Cabo Verde - Michel Montrond lança disco “Mas um dia”

O cantor e compositor foguense Michel Montrond lançou no dia 31 de Maio, o seu segundo disco intitulado “Mas um dia”. O disco chegou a todas as plataformas digitais e conta também com edição física, que estará brevemente no mercado

“Mas um dia” conta com a produção do Hernani Almeida, no La Villa Studio, com chancela Harmonia.

Segundo uma nota da Harmonia, o disco marca um novo tempo e um novo caminho na carreira de Michel Montrond, este faz um percurso entre vitórias e derrotas, com novos encontros, novas sonoridades e novas parcerias.

“O disco aborda temas à volta do quotidiano cabo-verdiano, e faz homenagem a todos os músicos e compositores, que têm contribuído e enriquecido a música de Cabo Verde, e da ilha do Fogo em particular”, explica.

O disco conta com 10 faixas, com predominância do Talaia Baxu, género musical que caracteriza o artista. “Uma simbiose perfeita entre o lírico e a melodia, onde o uso de expressões próprias do quotidiano foguense, enaltecem a cultura da ilha do Fogo”

A mesma fonte realça que “Mas um dia” traz uma sonoridade especial, em que o artista se inspirou no simples bater do leite para obter a manteiga, para criar este tema em homenagem aos homens do campo.

Este novo trabalho surge após onze anos do primeiro disco de Michel Montrond, “Kamin di Bedju”, que inclui o single galardoado em 2013 como Música do Ano nos Cabo Verde Music Awards (CVMA), “Mi so ki fica li”. Dulcina Mendes – Cabo Verde in “Expresso das Ilhas”


Baía da Lusofonia – 12.º aniversário

O Secretário-geral das Nações Unidas António Guterres quando falava no Dia Mundial da Língua Portuguesa, afirmava, referindo-se à língua comum dos povos lusófonos “…E essa diversidade é tão mais rica quanto mais intensa é a colaboração entre os países de língua portuguesa, em áreas como a educação, a cultura, a ciência e a investigação…” Amílcar Cabral proferia que “a língua portuguesa é uma das melhores coisas que os portugueses nos deixaram.”

Os responsáveis políticos dos Países Africanos de Língua Oficial Portuguesa (PALOP) continuam a apelar para que a língua portuguesa seja uma língua de ciência e investigação, mas na realidade os países mais desenvolvidos, Brasil e Portugal continuam a utilizar a língua inglesa nos seus estudos, deixando a língua portuguesa para meras sinopses, sendo estas muito procuradas em países como os Estados Unidos e a Itália.

A Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP) bem podia ter o papel agregador dos trabalhos científicos em língua portuguesa e publicá-los dentro do seu sítio, num espaço que todos os países tenham acesso à publicação.

O blogue “Baía da Lusofonia” tem ao longo destes doze anos levado a língua portuguesa a mais de duzentos países e territórios em temas como a ciência, a investigação, a cultura, a história, o ambiente, a saúde, a arte, a arqueologia e tem numerosos países com visitas regulares, na Oceânia temos a Austrália, na Ásia, China, Coreia do Sul, Hong Kong, Indonésia, Irão, Israel, Japão, Macau, Singapura e Turquia, na África, África do Sul, Angola, Cabo Verde e Moçambique, na América, Canadá e Estados Unidos da América a norte, Argentina e Brasil a sul e, na Europa, Alemanha, Chéquia, Espanha, Finlândia, França, Itália, Países Baixos, Portugal, Reino Unido, Rússia, Suécia, Suíça e Ucrânia.

Desde o início da actividade do blogue, três países lusófonos evidenciam-se nas visitas, Brasil, Moçambique e Portugal, mas correspondem apenas a 6% do total dos visitantes, 2% nos últimos 12 meses, uma demonstração da universalidade da língua portuguesa, a única língua colonial que garante a unidade territorial de todos os países que a falam, países que têm como património nacional várias línguas maternas que têm de as manter vivas. Baía da Lusofonia