Pintura Arq. Eduardo Moreira Santos, Lx (28.08.1904 - 23.04.1992)

sábado, 7 de janeiro de 2017

Brasil - O país não pode parar

SÃO PAULO – Com a capacidade dos Estados completamente comprometida – com algumas exceções, como Goiás, que fez a lição de casa em 2014, promovendo os ajustes necessários para ficar com as contas em dia –, a saída para a atual crise brasileira passa pela atração de mais investimentos privados. Mas a atração desses investimentos só será possível num ambiente livre de incertezas porque, afinal, nenhum empresário investe numa situação em que não sabe se o amanhã será de caos.

Seja como for, neste começo de 2017, o horizonte para o País já não surge tão nebuloso como no início de 2016, quando se avizinhava a crise política que acabaria por defenestrar do poder a presidente eleita e seus ministros. Hoje, embora alguns Estados, como Rio de Janeiro, Minas Gerais e Rio Grande do Sul, não ofereçam condições de sustentabilidade fiscal nem estabilidade econômica, é de se admitir que o governo federal já apresenta alguns resultados positivos para quem costuma analisar bem a conjuntura econômica antes de fazer seus investimentos.  Entre esses resultados, está a queda da inflação e dos juros, aspecto importante para a análise de qualquer investidor. Diante disso, alguns setores começam a acreditar em crescimento dentro de um ou dois anos. Já não é pouco.

Obviamente, se as taxas de juros praticadas atualmente no País descerem a níveis civilizados, a perspectiva de crescimento voltará, especialmente na área de comércio exterior, um dos pilares da economia. Para tanto, é necessário também que o governo federal encontre meios de fazer investimentos em infraestrutura, duplicando rodovias e ampliando a rede ferroviária, especialmente com a conclusão da Ferrovia Norte-Sul, sem deixar de aumentar a capacidade de atuação de portos e aeroportos.

Neste último caso, é preciso que o programa de concessão de portos, aeroportos, rodovias, armazenagem e de energia elétrica passe por uma revisão, deixando para a iniciativa privada o que o Estado já deixou claro que não tem condições de fazer. Sem contar que essa saída também livra o País da peste da corrupção que avançou celeremente, nos últimos anos, na maioria das empresas estatais.

Sem investir nesses setores, o País continuará a patinar por muitos anos, pois de pouco adiantará tentar ampliar as relações econômicas com outras nações e blocos, se os exportadores e importadores não puderem oferecer seus produtos a preços competitivos, o que inclui o segmento agrário, já que boas estradas são fundamentais para que a produção agropecuária seja escoada. Enfim, para se colocar o País nos trilhos, não se pode deixar também de procurar simplificar a abertura e fechamento de empresas e o pagamento de tributos.

Se boa parte dessas recomendações sair do papel em 2017, o Brasil voltará a crescer, especialmente se seus homens públicos seguirem o exemplo de países mais civilizados em que as denúncias de corrupção são apuradas e os culpados punidos, sem que para tanto as obras públicas envolvidas nos processos sejam paralisadas. Ou seja, o País não pode parar à espera dos resultados do trabalho da Justiça. Milton Lourenço - Brasil

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Milton Lourenço é presidente da Fiorde Logística Internacional e diretor do Sindicato dos Comissários de Despachos, Agentes de Cargas e Logística do Estado de São Paulo (Sindicomis) e da Associação Nacional dos Comissários de Despachos, Agentes de Cargas e Logística (ACTC). E-mail: fiorde@fiorde.com.br. Site: www.fiorde.com.br

sexta-feira, 6 de janeiro de 2017

Internacional - De onde vêm as misteriosas explosões de rádio no Universo?

Não, ao olhar para o céu, por mais limpo que esteja, não conseguimos detectar as rápidas explosões de luz de que vamos falar. Foi preciso usar muitos telescópios ligados entre si para descobrir de que sítio vêm do Universo. Nas revistas Nature e The Astrophysical Journal Letters, uma equipa internacional de cientistas revela agora que estas explosões de luz na frequência de rádio tiveram origem fora da nossa galáxia (a Via Láctea), mais exactamente numa galáxia anã muito longe de nós, a 3000 milhões de anos-luz de distância. 

Decorria 2007 quando o radiotelescópio Parkes, na Austrália, detectou umas misteriosas explosões de rádio. Este fenómeno veio a ser designado por “explosões de rádio rápidas 121102”. E, em Novembro de 2012, detectou-se o primeiro e único conjunto consecutivo de explosões, na constelação de Auriga, com o radiotelescópio de Arecibo, em Porto Rico.

Mas permanecia a questão: de onde vinham afinal estas explosões, que duravam fracções de segundo mas eram muito energéticas? Sabemos agora que vieram de uma velha galáxia anã a mais de 3000 milhões de anos-luz da Terra. Fazendo contas, o Universo surgiu há 13.800 milhões de anos e a luz destas explosões levou 3000 milhões de anos a chegar até nós. O que significa que o Universo tinha então 10.800 milhões de anos desde o Big Bang – nessa altura, estavam a surgir no nosso planeta as primeiras células.

Para identificar a localização destas explosões foi preciso realizar observações em radiotelescópios de grandes dimensões, ao longo de 83 horas, distribuídas por seis meses em 2016. Primeiro, o radiotelescópio Very Large Array (VLA), no Novo México, nos EUA, detectou nove explosões de rádio isoladas.

Estas observações permitiram determinar a localização no céu das explosões e, em seguida, os cientistas apontaram para aí o telescópio Gemini Norte, no Havai, para obter uma imagem da luz visível (aquela que os nossos olhos vêem) do que se encontrava nessa região – e foi assim que identificaram uma galáxia anã muito ténue.

Depois, a equipa usou vários radiotelescópios espalhados pela Europa, Ásia, África do Sul, Estados Unidos e Austrália, ligados pela técnica da interferometria. Através destas redes de radiotelescópios os cientistas conseguiram localizar, por fim, a posição das explosões de rádio com uma precisão cerca de dez vezes superior à das observações anteriores. “Com este nível de precisão, obtivemos provas fortes de que a origem das explosões está fisicamente relacionada com uma fonte persistente de emissões de rádio”, afirma Benito Marcote, um dos autores da descoberta, em comunicado da Faculdade para Investigação da Astronomia da Holanda.

Até agora, descobriram-se 18 explosões de rádio rápidas. Caracterizam-se por serem altamente energéticas, mas têm uma duração extremamente curta, de um a cinco milissegundos. Esperava-se que viessem de grandes galáxias, tanto com grande número de estrelas como de estrelas de neutrões (os restos mortais de estrelas maciças que explodem como supernovas e ejectam materiais para o cosmos).

Contudo, a galáxia anã onde ocorreram as explosões de rádio rápidas tem apenas 1% da massa da Via Láctea e poucas estrelas. Além disso, as suas estrelas nascem e morrem a grande velocidade, o que sugere que as explosões de rádio rápidas provêm de estrelas neutrões jovens.

Mas qual será a origem destas explosões? Podem ter sido estrelas de neutrões extremamente magnéticas (ou magneto-estrelas). Ou um buraco negro supermaciço activo no centro da galáxia, com emissões de rádio nas suas redondezas. E existem ainda outras hipóteses: explosões de longa duração de raios gama; e supernovas superluminosas, que ocorrem frequentemente em galáxias anãs.

“Há ainda muito trabalho até se desvendarem os contornos misteriosos das explosões de rádio rápidas”, diz a física Victoria Kaspi, também autora do estudo e da Universidade de Montreal, do Canadá. “Mas ter identificado a galáxia em que se localizam estas explosões já é um grande passo para resolver o puzzle.”

No comentário ao artigo científico publicado também na Nature, Heino Falcke (do Instituto para a Matemática, Astrofísica e Física de Partículas, da Universidade de Nijmegen, na Holanda) escreve que estas explosões são “espectacularmente diferentes” porque vêm de um Universo muito distante. “As explosões de rádio rápidas são os sinais de rádio mais distantes de que temos conhecimento no Universo”, sublinha. “Foi uma surpresa, quando, quase uma década depois [em 2016], flashes de rádio aparentemente isolados foram descobertos com uma duração de poucos milissegundos.”

Mas este é apenas um começo na investigação das explosões de rádio rápidas no Universo. Continuarão a ser estudadas com telescópios capazes de ver na banda dos raios gama, dos raios X ou na luz visível, salienta a equipa. Para já, Laura Spitler, do Instituto Max Planck para a Radioastronomia, na Alemanha, dá um exemplo do que se pode desvendar: “Se conseguirmos encontrar uma periodicidade para a chegada das explosões, então teremos provas fortes de que são originadas pela rotação de estrelas de neutrões.” Teresa Serafim – Portugal in "Jornal Público"

quinta-feira, 5 de janeiro de 2017

Brasil – Balança Comercial com maior saldo positivo em 2016

A balança comercial brasileira teve o maior superávit da história em 2016, ao fechar o ano com um saldo positivo de US$ 47,692 bilhões. O Ministério da Indústria, Comércio Exterior e Serviços (Mdic) projeta que o resultado de 2017 deve "ficar no mesmo patamar, com aumento nas exportações e nas importações", de acordo com o secretário de Comércio Exterior, Abrão Neto.

O resultado do último ano se deve a US$ 185,244 bilhões em exportações e US$$ 137,552 bilhões em importações. Assim o desempenho histórico da balança comercial em 2016 se deve a uma queda menor nas exportações do que nas importações. Na comparação entre os dois últimos anos, as exportações caíram 3,5% na média diária enquanto as importações recuaram 20,1%.

Embora o superávit seja importante para as contas externas, a queda das exportações e importações, ressaltam analistas, fez encolher, pelo terceiro ano consecutivo, a corrente de comércio. Os embarques e desembarques brasileiros em 2016 somaram US$ 322,79 bilhões, a pior corrente de comércio desde 2009, quando esse resultado foi de US$ 280,72 bilhões.

A corrente de comércio, explica Rafael Bistafa, economista da Rosenberg & Associados, é importante indicador do dinamismo do comércio e da economia doméstica. A expectativa para este ano é de início de recuperação desse resultado. O superávit de US$ 47,69 bilhões de 2016, diz ele, veio dentro da expectativa da consultoria.

Para este ano, afirma Bistafa, as projeções da consultoria indicam saldo positivo de US$ 40 bilhões, com alta de 7,5% nas importações e de 3% nas exportações. As estimativas levam em conta um crescimento de 1% do PIB e dólar a R$ 3,50 ao fim deste ano. Realizando­se as projeções, diz o economista, teremos em 2017 o primeiro ano com elevação de exportações desde 2011 e o início da recuperação da corrente de comércio.

Para o secretário de Comércio Exterior, o superávit de 2016 foi muito positivo pela contribuição às contas externas. Segundo ele, a queda nas exportações se deve à redução de 6,2% nos preços dos produtos vendidos ao exterior pelo Brasil, já que "houve aumento das quantidades exportadas em 2,9%".

Nas importações, afirma Abrão Neto, o comportamento é diferente. "Há queda tanto em preços ­ de 9%, que se explica por contexto internacional ­ quanto na quantidade, de 12,2%, que se explica em parte por conta da desaceleração da economia". A conta­petróleo teve resultado positivo pela primeira vez em duas décadas e foi crucial para engordar o superávit recorde da balança em 2016. A conta­petróleo considera apenas as exportações e importações do hidrocarboneto e seus derivados. O comércio desses produtos terminou 2015 com superávit de US$ 410 milhões para o Brasil. A queda de 43,1% na importação de combustíveis e lubrificantes puxou a melhoria da conta.

Segundo Abrão Neto, também houve redução na exportação de petróleo em bruto, mas em ritmo bem inferior (­14,8%). "O saldo positivo se explica primeiro pela redução no preço do petróleo, o menor desde 2004. O Brasil é importador líquido de petróleo e derivados e portanto redução de preços influência de forma mais significativa o lado das importações."

Além disso, houve um "aumento na quantidade das exportações de petróleo, decorrente, entre outros fatores, do aumento da produção brasileira", disse o secretário. A atividade econômica em queda no Brasil também contribuiu para diminuir a importações desses produtos. "O superávit de 2016 é conjuntural e não estrutural [da conta­petróleo]. Apesar dos aumentos consecutivos de produção de petróleo, a tendência é que, no curto e médio-prazos, o Brasil continue sendo importador líquido de petróleo e derivados."

Para 2017, o ministério projeta desempenho semelhante a 2016, mas não estabeleceu um número preciso. Esse movimento deve ser o resultado de um crescimento tanto nas importações quanto nas exportações, disse o secretário. Ele listou uma série de eventos que influenciarão esse resultado.

O aumento da safra de grãos será determinante, disse ele, embora os preços sejam um fator de incerteza por conta da expectativa de alta na produção mundial de soja e milho. "Há também uma expectativa de melhora dos preços das commodities minerais. Teve aumento nos últimos três meses do preço de petróleo e nos últimos quatro meses do minério doe ferro. Essa melhora influencia nas exportações e importações", apontou. Além disso, Abrão Neto apontou expectativa de crescimento da economia e comércio mundial em patamares superiores a 2016, embora ainda de forma lenta.

As importações também devem ser impactadas pela "retomada do crescimento da economia", o que leva a uma alta nos desembarques. Já a taxa de câmbio, avaliou, deve permanecer no mesmo nível de 2016. Lucas Marchesini e Daniel Rittner – Brasil in “Valor Econômico”

quarta-feira, 4 de janeiro de 2017

Internacional - Idiomas são uma barreira significativa para a ciência mundial, alerta estudo

Em janeiro de 2004, quando alguns vírus perigosos da gripe aviária reapareceram de maneira generalizada no planeta, cientistas chineses descobriram que uma das cepas, a H5N1, havia infectado porcos. Era uma novidade alarmante, porque alguns especialistas acreditam que foram os suínos que serviram de trampolim para o homem na pandemia de gripe de 1918, que matou mais de 40 milhões de pessoas em todo o mundo. Mas poucos estudiosos ficaram sabendo dessa descoberta inquietante, estava em chinês.

Os cientistas do Instituto de Pesquisa Veterinária de Harbin, no nordeste da China, publicaram seus resultados naquele mesmo mês de janeiro em uma revista especializada chinesa. A Organização Mundial de Saúde (OMS) e a Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO) só souberam do anúncio mais de seis meses depois, segundo alertou mais tarde a revista Nature. A humanidade esteve sob maior risco por causa das barreiras linguísticas.

“Trata-se de um exemplo clássico”, afirma o biólogo espanhol Juan Pedro González Varo, atualmente na Universidade de Cambridge (Reino Unido). A sua equipa acaba de mostrar que os idiomas continuam sendo “um obstáculo significativo” para a ciência mundial. Os pesquisadores procuraram no Google Académico todos os documentos científicos — estudos, livros, relatórios e teses — relacionados com a preservação do meio ambiente, publicados em 2014 nos 16 principais idiomas do mundo. O resultado foi “bastante surpreendente”, nas suas próprias palavras: dos mais de 75000 documentos, apenas 64% estavam em inglês, a língua franca da ciência. O restante aparecia em espanhol (13%), português (10%), chinês (6%) e francês (3%), principalmente.

“Em tese, concentrar-se apenas na ciência escrita em inglês poderia omitir 36% do conhecimento existente”, advertem os autores no seu estudo, publicado na revista PLOS Biology. E, por outro lado, o desconhecimento do inglês é um impedimento para se ter acesso à ciência de ponta. Uma pesquisa realizada pelos mesmos autores junto de 24 diretores de reservas naturais na Espanha revelou que 54% identificaram o idioma como um obstáculo na hora em empregar os últimos conhecimentos científicos no manejo de seus territórios.

González Varo traz mais exemplos. A Fundação para a Preservação e o Uso Sustentável das Zonas Úmidas, da Argentina, produziu um relatório abrangente sobre o papel das turfeiras na mitigação das mudanças climáticas. Mas, segundo lamenta o biólogo, só está disponível em espanhol. “Essa informação é muito valiosa, mas poderia ser perdida se um cientista escocês, por exemplo, fizer uma compilação das informações disponíveis”.

Outro autor do novo estudo, o japonês Tatsuya Amano, também da Universidade de Cambridge, destaca que o Ministério do Meio Ambiente do Japão possui uma base de dados de biodiversidade com um milhão de registros de espécies, disponível apenas em japonês.

Na opinião de González Varo e seus colegas, “as barreiras linguísticas são um problema particularmente grave nas ciências ambientais”. Os autores alertam para o possível surgimento de preconceitos. Os resultados positivos, como as estratégicas de preservação bem-sucedidas, são publicadas com maior facilidade nas revistas científicas de maior impacto, em inglês. Mas se forem apenas buscados resultados neste idioma, muitos fracassos podem passar despercebidos, por exemplo. Pode haver uma super-representação dos êxitos.

“Queremos enfatizar que as revistas científicas devem envolver-se”, diz o biólogo espanhol, que até 2015 trabalhou na Estação Biológica de Doñana, na Andaluzia. A sua equipa propõe que as revistas especializadas publiquem em seus sítios resumos promocionais traduzidos para os principais idiomas, sobretudo dos artigos com resultados relevantes para a gestão de reservas naturais. “Traduzir custa dinheiro. As revistas podem pedir esse dinheiro aos autores ou oferecer o serviço para eles, se demonstrarem que não têm recursos suficientes”, sugere González Varo. Os autores reconhecem que não se trata de um objetivo fácil, mas atingi-lo trará “amplos benefícios” na hora de enfrentarmos os problemas ambientais. Manuel Ansede – Espanha in “brasil.elpais.com”

terça-feira, 3 de janeiro de 2017

Internacional - Turbina inovadora gera energia barata com ondas do mar


Energia das ondas

Começou, no litoral da Espanha, o teste de mais uma tecnologia objetivando gerar eletricidade limpa e sustentável explorando as ondas do mar.

O projeto Opera, financiado pela União Europeia, lançou ao mar o primeiro protótipo do gerador Marmok, um novo tipo de gerador cujas turbinas podem gerar até 30 kW cada uma. O segundo protótipo deverá ser ancorado no mesmo local em 2017.

O dispositivo é descrito por seus idealizadores como um "absorvedor pontual" baseado no princípio da coluna de água oscilante - a força vem das ondas do mar, mas as turbinas são giradas por ar.

Trata-se de uma grande boia flutuante, com 5 metros de diâmetro, 42 metros de comprimento e 80 toneladas de peso. A boia, que acomoda duas turbinas com capacidade nominal de 30 kW, fica quase inteiramente submersa.


As ondas capturadas criam uma coluna de água dentro da estrutura central da boia, estrutura esta que se move como um pistão pelo movimento de ida e volta das ondas, comprimindo e descomprimindo o ar em uma câmara na parte superior do dispositivo.

O ar é então expelido pelo topo, onde é aproveitado por uma ou mais turbinas, cuja rotação aciona o gerador de eletricidade.

"Este projeto colaborativo europeu de demonstração da energia das ondas irá produzir dados importantes, que permitirão a próxima fase de comercialização da produção de energia a partir do oceano," disse Lars Johanning, da Universidade de Exeter e principal pesquisador do projeto.


A propósito, um dos grandes argumentos da equipa é que este dispositivo deverá produzir eletricidade a um custo muito baixo - eventualmente o menor custo dentre os vários projetos de geração de energia no mar atualmente em testes na Europa, envolvendo exploração das ondas, das marés e das correntes oceânicas.

A grande diferença é que trata-se de um projeto público, com dados compartilhados entre pesquisadores de várias universidades, enquanto a maioria dos outros testes são empreendimentos privados, o que torna virtualmente impossível dispor de dados confiáveis que permitam comparar as diversas tecnologias e traçar planos de longo prazo para a geração sustentável de energia.


No geral, o projeto Opera pretende desenvolver tecnologias que permitam uma redução de 50% nos custos operacionais em mar aberto, acelerando assim o estabelecimento de padrões internacionais e reduzindo as incertezas tecnológicas e os riscos técnicos e empresariais para adoção da tecnologia em larga escala. In “Inovação Tecnológica” - Brasil

segunda-feira, 2 de janeiro de 2017

Angola - Porto de Cabinda movimentou 16,7 mil contentores

O porto de Cabinda, em Angola, movimentou cerca de 16,7 mil contentores em 2016, informou o presidente da Empresa Portuária de Cabinda, a sociedade gestora do porto. A carga contentorizada recuou 46% face a 2015.

Manuel Nazareth Neto disse que o porto movimentou 301,6 mil toneladas de carga diversa e registou um tráfego de 486 navios de longo curso, de cabotagem e petroleiros.

Em 2017, prevê-se que o porto de Cabinda processe 315,8 mil toneladas de carga geral, em resultado de um tráfego de 536 navios.

A sociedade gestora pretende continuar em 2017 as obras de construção do novo porto de águas profundas, na região do Caio Litoral, bem como a edificação do quebra-mar e do terminal de passageiros.

A lista de projectos para 2017 inclui ainda o reforço dos efectivos de segurança, a formação dos recursos humanos e aquisição de novos equipamentos de movimentação vertical/horizontal de cargas. In “Transportes & Negócios” - Portugal

domingo, 1 de janeiro de 2017

Vampiros















Vamos aprender português, cantando


No céu cinzento
sob o astro mudo
batendo as asas
pela noite calada
vem em bandos
com pés veludo
chupar o sangue
fresco da manada

Eles comem tudo
eles comem tudo
eles comem tudo
e não deixam nada

Eles comem tudo
eles comem tudo
eles comem tudo
e não deixam nada

A toda a parte
chegam os vampiros
poisam nos prédios
poisam nas calçadas
trazem no ventre
despojos antigos
mas nada os prende
às vidas acabadas

Eles comem tudo
eles comem tudo
eles comem tudo
e não deixam nada

Eles comem tudo
eles comem tudo
eles comem tudo
e não deixam nada

Se alguém se engana
com seu ar sisudo
e lhes franqueia
as portas à chegada

Eles comem tudo
eles comem tudo
eles comem tudo
e não deixam nada

Eles comem tudo
eles comem tudo
eles comem tudo
e não deixam nada

No chão do medo
tombam os vencidos
ouvem-se os gritos
na noite abafada
jazem nos fossos
vítimas dum credo
e não se esgota
o sangue da manada

Eles comem tudo
eles comem tudo
eles comem tudo
e não deixam nada

Eles comem tudo
eles comem tudo
eles comem tudo
e não deixam nada

São os mordomos
do universo todo
senhores à força
mandadores sem lei
enchem as tulhas
bebem vinho novo
dançam a ronda
no pinhal do rei

Eles comem tudo
eles comem tudo
eles comem tudo
e não deixam nada

Eles comem tudo
eles comem tudo
eles comem tudo
e não deixam nada

Se alguém se engana
com o seu ar sisudo
e lhes franqueia
as portas à chegada

Eles comem tudo
eles comem tudo
eles comem tudo
e não deixam nada

Eles comem tudo
eles comem tudo
eles comem tudo
e não deixam nada

Eles comem tudo
eles comem tudo
eles comem tudo
e não deixam nada

Eles comem tudo
eles comem tudo
eles comem tudo
e não deixam nada

José Afonso - Portugal