Pintura Arq. Eduardo Moreira Santos, Lx (28.08.1904 - 23.04.1992)

terça-feira, 25 de fevereiro de 2020

Cabo Verde – Peça de teatro “Chiquinho” do grupo Fladu Fla estreia no dia 13 de Março em Portugal



Cidade da Praia – A companhia de teatro Fladu Fla vai estrear a peça adaptada da obra de Baltasar Lopes, “Chiquinho”, no próximo dia 13 de Março no Festival Periferias, em Sintra, Portugal.

A peça, cuja apresentação em Cabo Verde está agendada para 26 de Março, é uma co-produção com o grupo de teatro Chão de Oliva, de Sintra, estabelecida em 2017 no Festival do Atlântico realizado em Cabo Verde.

Em declarações à Inforpress, depois de mais um dia em ensaio no Palácio da Cultura Ildo Lobo, na cidade da Praia, o presidente do grupo Sabino Baessa disse estão a “limar arestas” e que os actores já começaram a incorporar as personagens.

“O público que irá assistir essa peça em Portugal vai ficar satisfeito com esse trabalho porque trata-se de uma grande responsabilidade e desafio dos actores e dos produtores trabalhar a obra de Baltasar Lopes”, apontou.



Para Sabino Baessa, sendo um dos clássicos da literatura cabo-verdiana, tiveram que assumir o padrão da qualidade da obra Baltasar Lopes “que é um dos pioneiros da literatura cabo-verdiana”.

O responsável explicou que trabalhar um dos clássicos da literatura cabo-verdiana, insere-se dentro da dinâmica de sensibilizar a nova geração para a prática da leitura e promover a identidade cabo-verdiana.

A encenadora de Chão de Olíva, Suzana Gaspar informou que essa parceria tem incidido principalmente na troca de espectáculos e que a co-produção de Chiquinho pode ser o início de outros projectos.

Suzana Gaspar disse ainda que Portugal entra nessa parceria para homenagear esta obra literária que se identifica muito com o povo cabo-verdiano e também apresentar Baltasar Lopes com um autor que criou um novo registo na literatura cabo-verdiana.



“Chiquinho” é um romance de Baltasar Lopes da Silva, publicado em 1947 e está dividido em três partes: “Infância”, “São Vicente” e “As águas”.

O livro é dedicado à memória do filólogo Leite de Vasconcelos, professor do autor. In “Inforpress” – Cabo Verde

China – A cidade de Wuhan, onde epidemia começou e está isolada, começa a ficar sem comida



Na cidade chinesa de Wuhan, onde foi detectado inicialmente o coronavírus Covid-19 e que foi isolada do mundo, tudo começa a escassear, nomeadamente os alimentos, contaram alguns dos habitantes à AFP. “Temos a impressão de sermos refugiados”, admitiram alguns moradores de Wuhan em conversa telefónica ou por mensagem.

Wuhan, considerado o berço do coronavírus, está isolada do mundo há um mês. Os moradores estão confinados e lutam para se alimentar, já que as provisões são cada vez mais escassas e há restrições de compra, além de aumentos de preços sobretudo dos vegetais.

Guo Jing, uma jovem de 29 anos, vive actualmente enclausurada em casa. A sua liberdade de movimentos foi sendo gradualmente reduzida: primeiro, em 23 de janeiro, foi proibida de deixar Wuhan, que passou a estar isolada do mundo na esperança de conter a epidemia, que apareceu nesta cidade de 11 milhões de habitantes.

Passado algum tempo, as restrições foram apertadas: os residentes só podiam deixar os seus complexos residenciais ou bloco de apartamentos uma vez a cada três dias. Agora, até essa permissão desapareceu: Guo Jing já não pode pisar fora da sua porta de casa e depende totalmente de entregas ao domicílio. “Eu posso viver assim mais um mês”, afirma, referindo que as suas provisões de legumes em conserva e ovos só duram mais cerca de 30 dias.

Mas nem todos na cidade estão em tão “boa situação”. Para milhões de chineses presos em Wuhan, a proibição de deixar as suas casas levanta questões práticas alarmantes. “Quando os mantimentos que temos em casa terminarem, não faço ideia de onde vamos comprar mais”, disse Pan Hongsheng, que vive com a sua mulher e dois filhos.

Algumas comunidades ou grupos fazem pedidos de grandes quantidades nos supermercados, organizando-se através de fóruns de discussão improvisados em mensagens móveis do WeChat.

Algumas empresas vendem cestas de produtos frescos por peso, desde que os pedidos sejam agrupados no mesmo endereço.

No bairro de Guo Jing, é possível comprar 6,5 quilos de vegetais de cinco variedades, incluindo batatas e couve, mas a preços muito mais altos do que seria o normal. “Ninguém pode escolher o que gostaria de comer. Não estamos em época de olhar para as preferências pessoais”, suspira a jovem.

O sistema de compras em grupo deixa, no entanto, de fora algumas comunidades, já que os supermercados exigem um número mínimo de pedidos para fazer entregas ao domicílio.

É o caso de Pan Hongsheng, que se queixa de estar a ser abandonado e sublinha que o seu “menino de três anos já não tem mais leite em pó”. “Honestamente, não podemos fazer isto de outra maneira”, justifica Yang Nan, chefe do supermercado Laocunzhang, que impõe um mínimo de 30 pedidos agrupados. “Temos apenas quatro veículos” e uma força de trabalho reduzida, explica

Outro supermercado disse à AFP que atende apenas um máximo de mil pedidos por dia. “Tornou-se muito complicado recrutar” estafetas, refere Wang Xiuwen, funcionário do departamento de logística da loja, indicando que se sente relutante em aceitar novos funcionários por medo de contaminação. A intensidade das restrições varia, no entanto, de acordo com o bairro.

Uma jovem de 24 anos, que falou sob condição de anonimato, explicou à AFP que os moradores do seu prédio podem sair, uma pessoa por família de cada vez, e pagar directamente aos entregadores que lhes levam as compras.

Noutros bairros, os supermercados estão proibidos de vender directamente a particulares, o que significa obriga a formar e confiar em comités de bairro ou organizações de residentes capazes de comprar a granel.

É assim que funciona o condomínio onde vive David Dai, nos subúrbios de Wuhan, organizando-se para fazer pedidos de grupo, mas pagando sempre preços muito altos. “A realidade é horrível (…) Recebemos muitos tomates e cebolas já podres”, enfurece-se este pai, de 49 anos, referindo que um terço da comida entregue está pronta para ser deitada fora.

Por isso, adianta, a sua família decidiu secar cascas de nabo para adicionar nutrientes a futuras refeições. “O pior é a incerteza”, conclui Ma Chen, uma jovem de 30 anos que vive sozinha.

Sem saber quando será possível fazer um novo pedido em grupo nem quanto tempo durarão as restrições, Ma Chen admite que nunca sabe quanta comida comprar e se a quantidade chegará até à próxima entrega. E não é só a comida que se transformou num item restrito ou, muitas vezes, impossível de adquirir.

Pan Hongsheng também não consegue entregar medicamentos aos sogros, de oitenta anos, que moram noutro bairro. “Tenho a impressão de ser refugiado”, queixa-se com amargura.

Embora Wuhan já viva desta forma há mais de um mês, as autoridades apenas respondem com a necessidade de ter paciência. “O controlo rígido das comunidades incomoda um pouco a vida das pessoas, mas é inevitável”, alega o vice-secretário do Partido Comunista daquela província, Qian Yuankun.

Desde que foi detectado no final do ano passado, na China, o Covid-19 provocou mais de 2600 mortos e infectou quase 80 mil pessoas a nível mundial. A maioria dos casos ocorreu na China, em particular na província de Hubei, no centro do país, a mais afectada pela epidemia.

Além dos mortos na China continental, já houve também mortos no Irão, Japão, Hong Kong, Coreia do Sul, Itália, Filipinas, França e Taiwan.

As autoridades chinesas isolaram várias cidades da província de Hubei para tentar controlar a epidemia, medida que abrange cerca de 60 milhões de pessoas. In “Ponto Final” – Macau com “Lusa”

Internacional – Estudo revela novos dados sobre a história genética das ilhas do Mediterrâneo

Daniel Fernandes, do Centro de Investigação em Antropologia e Saúde (CIAS) da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra (FCTUC) e do Departamento de Antropologia Evolutiva da Universidade de Viena (Áustria), é o principal autor de um estudo internacional, publicado na revista Nature Ecology & Evolution, intitulado “The spread of steppe and Iranian-related ancestry in the islands of the western Mediterranean”, que apresenta novas descobertas sobre a história genética das ilhas do Mediterrâneo, mostrando que as migrações marítimas do norte de África começaram muito antes da era das civilizações marítimas do Mediterrâneo oriental e, além disso, ocorriam em várias partes do Mediterrâneo.

O mar Mediterrâneo tem sido uma rota importante para migrações marítimas, além de palco de frequentes trocas comerciais e invasões durante a pré-história, porém a história genética das ilhas do Mediterrâneo não está bem documentada, apesar dos recentes desenvolvimentos no estudo de ADN antigo.

O estudo agora publicado, que envolveu mais de meia centena de cientistas das universidades de Viena (Áustria), Harvard (EUA) e Florença (Itália), preenche as lacunas existentes com o maior estudo até hoje da história genética de populações antigas da Sicília, Sardenha e ilhas Baleares, aumentando a análise do número de indivíduos de 5 para 66.

Os resultados revelam um padrão complexo de imigração da África, Ásia e Europa, variando em trajeto e época para cada uma dessas ilhas. «Por exemplo, vimos que a expansão comercial da civilização micénica em direção ao oeste durante o Bronze Medio incluiu também eventos de imigração para a Sicília. Também identificámos movimentos de indivíduos provavelmente originários da Península Ibérica para a Sicília, levando consigo uma nova ancestralidade, com origem na estepe pôntico-cáspia (acima do Mar Morto), que poucos séculos antes por sua vez tinha sido introduzida na Península Ibérica por populações do centro da Europa. Estes movimentos originários na Península podem também ter influenciado a colonização das ilhas Baleares, visto que o indivíduo mais antigo identificado na ilha de Maiorca possuía grandes quantidades desta ancestralidade» relata Daniel Fernandes.

No caso da Sardenha, surpreendentemente, a história é diferente, diz o autor principal do artigo científico: «apesar dos intensos contactos comerciais com outros povos durante o Calcolítico (ou idade do Cobre) e a idade do Bronze, não detetámos nenhuma influência genética externa significativa, ou seja, os antigos sardenhos conservavam um perfil de ascendência neolítica predominantemente local até o final da idade do Bronze».

A exceção foi «um indivíduo do Calcolítico com ancestralidades ligadas ao norte de África, demonstrando claramente que existiram migrações marítimas pré-históricas através do mar Mediterrâneo do norte de África para locais no sul da Europa, afetando mais de 1% dos indivíduos descritos na literatura ancestral de ADN dessa região até hoje», observa.

Outra conclusão relevante do estudo é o facto de, apesar da presença de diferentes grupos a partir da idade do Ferro, «os habitantes modernos da Sardenha mantiveram entre 56% a 62% de ascendência dos primeiros agricultores neolíticos que chegaram à Europa há cerca de 8000 anos. É a percentagem mais elevada de ancestralidade neolítica identificada em qualquer população europeia», destaca Daniel Fernandes.

Para David Reich, coautor sénior da Universidade de Harvard e também investigador no Broad Institute do MIT, «uma das descobertas mais impressionantes foi sobre a chegada de ascendentes das estepes do norte dos mares Negro e Cáspio a algumas ilhas do Mediterrâneo. Embora a origem definitiva dessa ascendência tenha sido a Europa oriental, nas ilhas do Mediterrâneo a mesma chegou pelo menos em parte do oeste, principalmente da Península Ibérica».

«Provavelmente foi esse o caso das ilhas Baleares, nas quais alguns habitantes iniciais tinham provavelmente pelo menos parte da sua ascendência na Ibéria», acrescenta Daniel Fernandes.

Ainda segundo o investigador português, as conclusões deste estudo ajudam «a entender e enquadrar os movimentos de indivíduos no Mediterrâneo ocidental durante períodos de alta intensidade comercial, como foram as idades do Bronze e Ferro. Tais movimentos não envolveram apenas comércio bidirecional, mas também casos de imigração para algumas das ilhas com variadas origens».

Além disso, conclui, «o nosso artigo publicado abre caminho para futuros estudos se debruçarem em ainda maior detalhe nos movimentos dos períodos como as expansões gregas, fenícias, e mesmo romanas». Universidade de Coimbra - Portugal

segunda-feira, 24 de fevereiro de 2020

Portugal – Antigo serralheiro de Pedrógão Grande transforma ferro-velho em obras de arte

Um antigo serralheiro de Pedrógão Grande deixou a construção civil para ser escultor e conceber peças únicas com sucata, mas ainda gosta de mostrar portões de ferro que aplicou nas aldeias durante décadas



Dom Quixote e Sancho Pança, protagonistas do romance 'Dom Quixote de la Mancha', de Cervantes, Luís de Camões e Fernando Pessoa são algumas das figuras que têm inspirado o artista, de 66 anos.

Ainda criança, António Manuel Henriques abalou para Lisboa, onde teve vários empregos, o último dos quais durante uma década numa empresa metalomecânica.

«Antigamente, fazia portões, portas, gradeamentos e latadas, mas ninguém me ensinou», afirma à agência Lusa, na oficina dos Troviscais, município de Pedrógão Grande e distrito de Leiria.

Tinha 24 anos quando regressou à terra.

Pretendia trabalhar como torneiro mecânico na Sertã, distrito de Castelo Branco, tendo acabado por refazer a vida em serralharias do concelho natal, nos lugares de Mosteiro e Valongo.

«Nem sequer sabia soldar. Por minha conta é que comecei a aplicar-me», recorda António Henriques, junto às principais figuras de um presépio original: José, Maria e Menino Jesus.

Da iconografia cristã, passa para a astronomia e a simbologia maçónica, exibindo uma esfera armilar e um "olho que tudo vê", respetivamente, os dois de grandes dimensões.

«Estou na fase de fazer as coisas de que gosto», refere o escultor, que só há poucos anos enveredou pela arte.

Idealiza e concretiza as obras em função das sucatas disponíveis, que tanto podem ser correntes, martelos, marretas, picaretas, tesouras, forquilhas e enxadas, por exemplo, como peças de automóveis, máquinas e eletrodomésticos.

«São coisas que faço por gosto», congratula-se, enquanto discute inovações e técnicas de construção com o vizinho Aires Henriques, fundador do Museu da República e da Maçonaria, nos Troviscais, que encerrou as portas ao público no ano passado.

Na vila de Pedrógão Grande, António possui uma loja onde os clientes podem apreciar os trabalhos já acabados.

«Nada morre, tudo se transforma», lê-se no cartaz de uma exposição realizada na Castanheira de Pera, numa alusão à lei enunciada por Lavoisier no século XVIII: "Na natureza nada se cria, nada se perde, tudo se transforma".

Sempre que pode, o homem vasculha depósitos de ferro-velho dos doadores.

Por vezes, quando encontra a peça ideal para determinado projeto, opta pela sua aquisição.

"Compro algumas na feira das velharias. Olho para elas e verifico que dão para isto ou para aquilo", explica.

Tem clientes nacionais e de outros países.

«Um casal holandês, sempre que vem de férias a Portugal, em geral leva uma peça», segundo António Henriques.

Vende algumas obras a 50 euros, enquanto outras, que «levam semanas a fazer», podem custar 2500 euros.

Nas povoações de Mosteiro e Troviscais, o artista, que se define como "curioso e autodidata", consegue identificar trabalhos que fez quando era serralheiro, incluindo latadas e gradeamentos.

No Mosteiro, que integra a rede turística Aldeias do Xisto, existem portões de ferro de todo o século XX.

António vai descobrindo detalhes artísticos e métodos de produção anteriores à soldadura.

Há portões de diferentes anos com as iniciais dos donos, quando as ruas não estavam identificadas e as casas não tinham número, o que aconteceu mais tarde numa ação das autarquias concertada com os Correios.

«As pessoas querem hoje mais discrição», sintetiza o artesão.

Admite desenvolver atualmente uma atividade "mais desenraizada" da concreta vida comunitária.

Continua a trabalhar o ferro, agora como criador e sem a habitual pressão dos clientes de portões e demais obras utilitárias.

«Isto está a ficar deserto. Trabalho por gosto e também para a minha sobrevivência», acentua.

O economista Aires Henriques tem incentivado o amigo a prosseguir a aposta na arte do ferro.

«Ele percebeu que o mercado se alterou e que tinha de dar um novo sentido à sua vida», testemunha o estudioso e divulgador do património cultural de Pedrógão Grande.

A escada de pedra que dá acesso à sua Torre da Princesa Peralta, nos Troviscais, tem a marca de António Henriques, que concebeu um corrimão a representar uma cobra e um bode.

«A grande imaginação acaba por ser dele. Num meio tão carente do ponto de vista cultural, este artista merece ser acarinhado», defende.

Aires Henriques quer aprimorar a subida aos aposentos da filha do lendário rei Arunce.

«Aquilo ainda não está acabado. Quero um lagarto a saltar para fora da escada», revela.

A cabeça do chibo sugere um dragão a cuspir lume, de acordo com o investigador.

Na forja, a ferro e fogo, o homónimo Henriques dará vida ao sardão acossado pela serpente. In “Revista Port.Com” - Portugal

Uruguai – Navio-escola Sagres reproduz navegação que batizou o “Monte Vidi”, atual Montevidéu




O navio-escola “Sagres” vai reconstruir, com 30 convidados especiais, o histórico percurso da epopeia de Fernão de Magalhães que deu nome ao “Monte Vidi”, o morro ao redor do qual cresceu Montevidéu, capital do Uruguai. A “Sagres” zarpará da baía de Maldonado, em frente a Punta del Este, rumo a Montevidéu, reproduzindo a travessia com o cenário de 500 anos, quando a expedição do navegador avistou um curioso morro com forma de chapéu no centro de uma planície arenosa.

Durante a navegação, o navio-escola português será acompanhado pelo seu par uruguaio, a escuna Capitán Miranda.  A bordo da “Sagres”, um grupo de 30 convidados entre embaixadores, académicos, historiadores e autoridades locais.

Um desses convidados é o escritor uruguaio e investigador de História, Juan Antonio Varese, autor do mais recente livro sobre a saga de Fernão de Magalhães, único livro no mundo que põe a lupa sobre o capítulo Rio da Prata da histórica viagem de circum-navegação.

“Vou ter a imensa honra de ver o ‘Monte Vidi’ com os meus próprios olhos, como viram os descobridores”, exclama emocionado, Juan Antonio Varese, em entrevista à Lusa.

O livro “A Expedição de Magalhães no Rio da Prata” foi publicado em dezembro e apresentado em 10 de janeiro passado, exatamente 500 anos depois do dia em que Fernão de Magalhães entrou no rio de Solis, atual Rio da Prata, para tentar encontrar uma saída ao Mar do Sul, que seria rebatizado pelo próprio como Pacífico.



A partir do Rio da Prata, a viagem de Magalhães cruzaria uma fronteira desconhecida, nunca antes navegada, sem referências de nomes nem de mapas.

O piloto da nau Trindade, Francisco Albo, escreveu no seu diário de bordo naquela terça-feira, 10 de janeiro de 1520, após cruzar o Cabo de Santa Maria, atual Punta del Este:

“Dali para a frente corre a costa Leste-Oeste e a terra é arenosa. Direto do cabo há uma montanha feita como um chapéu ao qual pusemos o nome de Monte Vidi”, descreve Francisco Albo. No documento, aparece, entre parênteses, uma frase posteriormente acrescentada: “corruptamente chamam agora de Santovidio”. Do latim, Monte Vidi seria “Eu vi Monte”.

Entre as várias versões para Montevidéu (em espanhol, Montevideo), aparece uma influência do português. Um desconhecido marujo, que vigiava do alto do mastro de observação, teria exclamado ao ver o monte: “Monte vide eu”.

O siciliano Ovídio viveu em Portugal, onde foi venerado. Foi o terceiro bispo de Bracara Augusta, atual Braga. Do seu nome, o Monte Santo Ovídio seria Monte Ovídio ou Monte Vídio.

Já a versão em espanhol diz que nos mapas de navegação o sexto monte de Leste a Oeste no território uruguaio era lido como “Monte VI de E-O” (“Monte Sexto de Este a Oeste).

“Mas a única versão que está documentada é a de Magalhães. É essa a expedição que dá nome ao Monte”, indica Juan Antonio Varese, que ilustrou a capa do seu livro justamente com a frota de Magalhães tendo o “Monte Vidi” ao fundo na paisagem. O nome resistiria por mais de 200 anos até à fundação de Montevidéu entre 1726.

“Depois de vir do Brasil com frondosa vegetação e montanhas, nada lhes chamou a atenção na costa uruguaia que descreveram sempre como plana e arenosa. Por isso, chamou-lhes tanto a atenção um monte”, compara Juan Antonio Varese, quem também é membro da Academia de Marinha de Portugal.

A “Sagres” ficará em Montevidéu até o dia 27, quando parte para Buenos Aires na outra margem do Rio da Prata. Esses dias na capital uruguaia poderiam ter um correlato com o roteiro de Magalhães há 500 anos.

“Calcula-se que a expedição de Magalhães tenha ficado alguns dias em Montevidéu. Não está documentado. Acredita-se que tenham subido o Monte Vidi como forma de ver o horizonte. Fazia-se sempre, especialmente nesse monte com apenas 145 metros”, analisa Varese.

Mas antes de Magalhães já tinha passado por esta costa Américo Vespúcio em 1501, João de Lisboa e Estevão Fróis em 1514 e João Dias de Solis 1516.

Para chegar até ao Rio da Prata, canal que acreditava ser a passagem para o Pacífico, Fernão de Magalhães contou com os conhecimentos de outro português integrante na sua expedição: o piloto João Lopes de Carvalho.

Era Carvalho que sabia o caminho. Tinha recebido referências de João de Lisboa e de Francisco Torres, que tinham estado na expedição de Solis. Carvalho sabia que era preciso encontrar o Cabo de Santa Maria (Punta del Este), como referência de entrada para o Rio de Solis (Rio da Prata).

“Eles vinham à procura do Cabo de Santa Maria porque tinham notícia da prévia expedição de Solis, mas havia um deles que conhecia bem a localização. Esse era João Lopes de Carvalho, que explicava que, para se saber onde estava o Rio de Solis, era preciso chegar ao Cabo Santa Maria”, conta Juan Domingo Varese.

Foi exatamente esse caminho que a ‘Sagres’ fez hoje ao chegar a Punta del Este, onde parou antes de continuar a Montevidéu, exatamente como Fernão de Magalhães há 500 anos. In “Mundo Português” – Portugal com “Lusa”

Macau – Cruz Vermelha, com todas as precauções, continua a prestar os serviços habituais

A Cruz Vermelha de Macau continua a prestar os serviços habituais à população do território estando a tomar “todas as precauções” para evitar pôr em perigo os seus funcionários. O secretário do Conselho Geral, João Manuel Ambrósio, assegura que a instituição está a ser cautelosa com a utilização de materiais, como máscaras, porque não se sabe “quando é que a epidemia vai acabar”



Desde o início da propagação do COVID-19, a Cruz Vermelha de Macau tem mantido a sua actividade regular, no entanto, tendo em conta que não se sabe quando a epidemia poderá chegar ao fim, tem tomado algumas precauções, explicou o secretário do Conselho Geral da instituição ao Jornal Tribuna de Macau.

“Levamos pessoas ao hospital e a outros consultórios para hemodiálise e outros tratamentos. Continuamos a prestar o nosso serviço à população de Macau. Temos já mais ou menos um número fixo de pacientes que precisam de ir constantemente ao hospital receber tratamento. Esse número não tem aumentado ou reduzido significativamente, não obstante a epidemia que estamos a enfrentar”, começou por referir João Manuel Ambrósio.

No entanto, “estamos a tomar todas as precauções”. “Todo o nosso pessoal está a fazer limpeza e há todo o equipamento necessário para evitar contágio pela doença durante o transporte de pacientes ou mesmo na área do hospital”. Este serviço de acompanhamento de pessoas ao hospital e de volta a casa é um dos principais disponibilizados pela Cruz Vermelha, até tendo em conta que vários outros da mesma índole estão a cargo do Corpo de Bombeiros.

A Cruz Vermelha transporta, diariamente, cerca de 60 pessoas até ao Centro Hospitalar Conde de São Januário. O serviço esteve suspenso “por alguns dias” devido à interrupção temporária de consultas externas no hospital público, porém, já foi reactivado.

“Estamos também muito cuidadosos com o uso dos materiais porque não sabemos quando é que a epidemia vai acabar e o material que temos em ‘stock’ é suficiente para um futuro muito próximo. Estamos a falar de uma reserva para cerca de um mês, mas estamos muito cautelosos com a questão dos materiais e equipamentos”, frisou o secretário do Conselho Geral acrescentando que, de qualquer forma, estão em contacto permanente com o Executivo.

“O Governo também percebe a nossa situação e ao delinear uma política global sobre os materiais tem em consideração as necessidades e uso dos materiais por parte da Cruz Vermelha de Macau”, garante João Manuel Ambrósio.

De qualquer modo, a organização está à procura, “em todo o mundo” mas especialmente junto dos chineses ultramarinos, de fornecedores que possam enviar este tipo de materiais para a RAEM. “Estamos a encontrar uma fonte para o material de que precisamos, tendo em conta que a própria China, que produz a maior parte do equipamento, também tem enfrentado dificuldades em fornecer a si própria e a fazer a exportação para Macau”, sublinhou.

Ressalvando que, ainda assim, “a situação não está tão difícil”, a Cruz Vermelha continua a “envidar os melhores esforços para que o stock se mantenha num nível que possa satisfazer o futuro próximo”.

Por outro lado, João Manuel Ambrósio referiu que a Cruz Vermelha tem funcionários a fazer a medição da temperatura nas fronteiras. “Todos os postos fronteiriços têm pessoal da Cruz Vermelha para fazer a medição da temperatura. No Aeroporto também temos um serviço de urgência, um posto de socorro, mas também a procura não é muita porque muitos voos foram cancelados e há menos gente a viajar”.

Além disso, assegurou, a Cruz Vermelha não tem tido dificuldade ao nível das ambulâncias. Inês Almeida – Macau in “Jornal Tribuna de Macau”

domingo, 23 de fevereiro de 2020

Moçambique – Cooperação na área da segurança marítima com a França

Na sexta-feira, a França comprometeu-se a tratar de assuntos de segurança marítima com Moçambique “numa lógica de vizinhos”, segundo o ministro francês para a Europa e Negócios Estrangeiros, Jean-Yves Le Drian.

A vizinhança diz respeito à jurisdição francesa sobre diversas ilhas do canal de Moçambique, no oceano Índico, que fazem da segurança um dos “desafios comuns”, como referiu o governante.

Os ataques armados em Cabo Delgado, Norte do país, onde a petrolífera francesa Total constrói um megaprojeto de exploração de gás natural, também foram abordados no encontro que manteve esta tarde com o Presidente moçambicano, Filipe Nyusi.

Mas Jean-Yves Le Drian não entrou em detalhes e os jornalistas não tiveram direito a perguntas no final de uma declaração conjunta com a ministra dos Negócios Estrangeiros e Cooperação moçambicana, Verónica Macamo – logo após o encontro com Nyusi.

Segundo Macamo, na reunião, o ministro francês ficou a saber que “o povo vive dias maus” em Cabo Delgado, para onde são necessárias “outras soluções” que não passem pelo recurso às armas para devolver a paz à província.

Em causa, os ataques de grupos armados – reivindicados pelo Estado Islâmico, mas cuja origem permanece obscura – que desde 2017 já provocaram, pelo menos, 350 mortos e afetaram 156 400 pessoas.

Seja como for, Jean-Yves Le Drian frisou que a França está empenhada em “apoiar o processo de paz” sustentado pelo acordo de paz assinado entre o Governo e a Resistência Nacional Moçambicana (Renamo), principal partido da oposição, em agosto de 2019.

A par da paz, há um compromisso com o desenvolvimento económico, assinalou.

Neste último dossiê, o país já soma 60 empresas e 12 mil postos de trabalho criados em Moçambique, sobretudo nos setores agroalimentar, das pescas e energias renováveis, referiu, números aos quais se poderão juntar 14 mil empregos no complexo industrial de exploração de gás natural de Afungi.

Ou seja, é um megaprojeto em que os dois países saem a ganhar, destacou.

O ministro francês disse que os temas abordados voltarão a estar em cima da mesa em junho, quando o Presidente moçambicano participar na cimeira África-França sobre o tema dos territórios e cidades sustentáveis, na cidade francesa de Bordéus.

Filipe Nyusi já foi convidado pelo seu homólogo a estender a visita a França para lá do programa da cimeira e retribuiu fazendo o convite para Emmanuel Macron se deslocar a Moçambique no final do ano ou início de 2021.

Jean-Yves Le Drian aterrou dia 20 em Maputo depois de um périplo pelas ilhas Maurícias e Madagáscar, seguindo de Moçambique com destino a França.

O programa de sábado na capital lusófona incluiu uma visita ao navio militar francês Champlain, que fez uma escala no porto de Maputo e onde Le Drian manteve conversações com o ministro da Defesa, Jaime Bessa Neto.

Parte das águas do canal de Moçambique pertencem a ilhas habitadas e ilhéus desertos que fazem parte dos territórios ultramarinos franceses, tornando frequente a presença da Marinha de França. In “Mundo Lusíada” - Brasil