Pintura Arq. Eduardo Moreira Santos, Lx (28.08.1904 - 23.04.1992)

terça-feira, 4 de abril de 2017

Portugal - Benefícios fiscais atraem cada vez mais estrangeiros

Ilona e Renilo mudaram-se há cerca de dois anos de armas e bagagens para a cidade do Porto. Nesta cidade, encontraram aquilo que procuravam para desfrutar da reforma: uma cidade pequena com todas as acessibilidades necessárias. Além disso, a isenção fiscal concedida pelo estado português surgiu como fator adicional à sua escolha.

Por esse motivo, esperam que esta tenha sido a última mudança de país nas suas vidas, até porque não têm outro plano senão ficar.

Numa tarde cinzenta, a swissinfo.ch encontrou-se no centro da cidade do Porto para tomarmos um café e conversarmos sobre a experiência de Ilona, 71 anos, e Renilo, 75, em Portugal e, particularmente, de que forma contribuiu o estatuto de residente não habitual para deixarem França e como decorreu todo esse processo.

A partida rumo à cidade do Porto

Nos últimos 30 anos, Renilo e Ilona viveram na região da Alsácia, em França. As suas vidas profissionais continuaram na Suíça, especificamente em Basel, o que lhes proporcionou terem optado por residir em França e trabalhar na Suíça, apesar de ambos terem igualmente trabalhado em França. Quando se reformaram, permanecerem ainda por algum tempo em França. No entanto, com o passar dos anos, começaram a confrontar-se com a ideia de que “não vamos ficar em França para sempre”, mas também não tinham vontade de regressar à Suíça, “porque após 30 anos no estrangeiro, já não te sentes em casa. A Europa mudou. A Suíça permanece bastante Suíça” confidencia-nos Renilo, notando que não é uma crítica mas uma constatação.

Começaram a estudar a opção de irem para a Alemanha e, durante esse tempo, Renilo conversou com a sua irmã, que reside no Porto com o marido, e ela sempre lhe disse para ambos irem conhecer a cidade. Assim que olharam o Porto apaixonaram-se imediatamente. A comprová-lo foi a sua viagem a Lisboa, quando se disseram: “pensa se nós tivéssemos vindo para aqui. Não, impossível”.

Desde que decidiram abandonar França até se fixarem no Porto, demorou cerca de dois anos. Durante esse período, conversaram com os seus cunhados no Porto, leram informações sobre a vida na cidade, procuraram apartamentos e estudaram cada freguesia recorrendo ao Google Earth. O seu cunhado disse-lhe que, para além de gostarem da cidade, deveriam aproveitar a isenção fiscal; “francamente, não foi a razão principal mas no final foi determinante para a escolha”, conta-nos Renilo. Ele destaca que não aconselharia ninguém a mudar de país apenas pelo facto de não pagar impostos, “porque mais cedo ou mais tarde as coisas mudam”, salienta.

A burocracia portuguesa

Curiosamente, ambos não tecem muitas críticas à burocracia portuguesa. Ilona nomeia o facto de terem ido quatro vezes à Câmara Municipal do Porto para efetuarem o registo de cidadão como algo aborrecido, facto que Renilo consente, “mas sempre gentilmente”, destaca. Na Junta de Freguesia da área de residência, o processo de inscrição foi mais simples e tinha de ser feito para terem acesso a médico de família ou usufruírem do Serviço Nacional de Saúde, independentemente de terem seguros de saúde privados.

No que concerne à assistência médica, como têm os seus descontos na Suíça, a segurança social paga as despesas com saúde no sistema nacional de saúde português. No entanto, foi necessário preencher o formulário S1, carimbar nos serviços de saúde e reenviar para a Suíça. Este processo demorou cerca de um ano, normalmente necessita seis meses, e Ilona destaca que isso foi outro momento um pouco stressante. Renilo, contudo, diz que “sabemos que as coisas não são tão rápidas como na Suíça; por isso, temos de esperar”. A única ajuda que receberam, e ainda continuam a ter, foi de uma técnica oficial de contas (TOC) que lhes preenche a declaração anual de rendimentos (IRS). A única alteração neste momento é a obrigatoriedade de declarar todas as contas bancárias estrangeiras que possuam.

Normalmente procuram diversificar os locais onde vão. Reúnem-se nos clubes suíço, francês e italiano. Dizem que o clube suíço do Porto não tem muitas atividades como os restantes, que todos os dias têm eventos. Particularmente no clube francês, todas as semanas chegam novos reformados. O próprio clube disponibiliza um serviço em que as pessoas são ajudadas com todo o processo burocrático de aquisição da residência não habitual.

Após cerca de dois anos, não se arrependem da mudança e estão felizes. Costumam frequentar as salas de cinema e os concertos da Casa da Música, para além das caminhadas que realizam junto à praia que são “as mais bonitas de Portugal, apesar de não se poder ir ao banho”, sorri Ilona. O único problema que assumem ter é a barreira linguística, “que soa muito bem mas é muito difícil”, ri-se Renilo. A sua irmã tinha-o avisado para essa questão que ele percebe que seja um problema, mas, simultaneamente, a gentileza que encontra facilita a compreensão.

Na opinião de ambos, Portugal, com esta medida, pode estar a ser vítima do seu próprio sucesso porque “os preços das casas estão a subir demasiado e muitas vezes os portugueses não conseguem pagar esses preços”. Contudo, alerta as pessoas que possam ter vontade de se mudar para que “vão visitar a cidade e entrem em contacto com pessoas que já passaram pela experiência para que fiquem bem informadas” sublinham os dois.

A isenção de impostos ainda vai durar alguns anos. No entanto, o seu projeto de vida será na cidade e ambos assumem que vieram para Portugal para ficar. Por isso, “mesmo que tenhamos de pagar impostos, iremos pagar”, dizem-nos Renilo e Ilona felizes pela sua decisão.

Regime fiscal para o residente não habitual

Desde 2009 que o estado português concede um regime fiscal especial para trabalhadores estrangeiros que desempenhem funções de elevado valor acrescentado em áreas científicas, tecnológicas e artísticas (a lista que especifica as diferentes profissões é extensa), numa tentativa de atrair “cérebros” e know-how relevante para Portugal. Em 2013, após clarificação acerca da isenção de tributação das pensões de reforma obtidas no estrangeiro, o número de pedidos de reformados de diversos países europeus, para mudarem a sua residência fiscal para Portugal, aumentou exponencialmente. Segundo dados fornecidos pelo Ministério das Finanças à imprensa portuguesa, em 2015 havia um total de 5653 a quem foi concedido este estatuto de residente não habitual. Do total de pessoas abrangidas por esse estatuto, 3474 são reformados estrangeiros.

Não foi possível aferir especificamente o número de reformados suíços que requereram este estatuto. No entanto, segundo dados fornecidos pela embaixada suíça em Portugal, havia em 2015 um total de 3425 suíços a viver em Portugal, tendo aumentado para 3723 em 2016. A larga maioria encontra-se em idade ativa, entre os 18 e 65 anos. O número de cidadãos suíços com mais de 65 anos registados em Portugal, no ano de 2016, era de 814.

Para requerer este estatuto junto da Autoridade Tributária e Aduaneira, é necessário não ter tido residência em Portugal nos cinco anos anteriores ao ano em que se candidata. As pessoas adquirem um regime fiscal especial, o que significa que todos os trabalhadores abrangidos têm uma taxa de 20% de impostos e os reformados que recebem as suas reformas de outro país estão isentos de impostos. Em ambos os casos, o regime fiscal especial é aplicado durante 10 anos. Filipe Carvalho – Suíça in “swissinfo.ch”

Mercosul-UE: acordo à vista

SÃO PAULO – Depois de quase 18 anos de tratativas que pouco ou quase nada avançaram, Mercosul e União Europeia (UE) parecem cada vez mais próximos da formalização de um acordo que, se sair, virá num momento em que Estados Unidos e outros países elevaram o tom protecionista de suas políticas comerciais. Depois do encontro ao final de março do ministro da Economia e Finanças da França, Michel Sapin, com o ministro brasileiro da Indústria, Comércio Exterior e Serviços, Marcos Pereira, em Brasília, ficou claro que muito se avançou na última rodada de negociações realizada dias antes em Buenos Aires entre os negociadores dos dois blocos.

De fato, naquela reunião, Mercosul e UE chegaram a um animador consenso na parte normativa do acordo, nos temas ligados a comércio, diálogo político e cooperação birregional. As equipes concluíram ainda o capítulo sobre concorrência e acertaram a estrutura de um texto-base comum sobre propriedade intelectual. Já não é pouco. Agora, a expectativa fica para as reuniões marcadas para julho, em Bruxelas, e novembro, em Brasília. Se tudo der certo, as partes acreditam que será possível concluir o acordo a nível político e anunciá-lo, em Genebra, durante reunião ministerial da Organização Mundial do Comércio (OMC), marcada para dezembro. Ou o mais tardar no começo de 2018.

Obviamente, só foi possível trilhar esse caminho porque tanto o Brasil como a Argentina se livraram de governos populistas que, nos últimos anos, haviam transformado o Mercosul num fórum de debates político-ideológicos, em vez de um bloco focado apenas no incremento do comércio. Com a exclusão da Venezuela – que vive um momento de ruptura da ordem constitucional –, formalizada no começo de dezembro, o Mercosul reúne amplas condições para continuar uníssono nas negociações com a UE.

Do lado brasileiro, é de se destacar que o País tem cumprido o seu papel no fortalecimento do multilateralismo defendido pela OMC, em oposição à nova orientação que emana de Washington, que vem afetando o Brasil, pois começa a provocar um deslocamento considerável de capital financeiro hoje investido aqui para aquele país. Além disso, os dados oficiais mostram que o comércio bilateral entre Estados Unidos e Brasil tem caído bastante desde 2014, quando ultrapassou U$ 60 bilhões. Em 2016, o fluxo foi pouco superior a U$ 40 bilhões, com as exportações para os Estados Unidos caindo 25% e as importações, 10%. E nada aponta para uma recuperação nos próximos anos. Pelo contrário.

Diante disso, só resta apostar na aproximação do Brasil (e do Mercosul) com outras nações e blocos que seguem as orientações da OMC. Um exemplo desse novo entendimento é o recente lançamento do Novo Processo de Exportações pelo Ministério da Indústria, Comércio Exterior e Serviços (MDIC), que segue recomendação da OMC e constitui uma das mudanças implementadas pelo Portal Único de Comércio Exterior, que procura desburocratizar e facilitar o comércio exterior. Milton Lourenço - Brasil

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Milton Lourenço é presidente da Fiorde Logística Internacional e diretor do Sindicato dos Comissários de Despachos, Agentes de Cargas e Logística do Estado de São Paulo (Sindicomis) e da Associação Nacional dos Comissários de Despachos, Agentes de Cargas e Logística (ACTC). E-mail: fiorde@fiorde.com.br. Site: www.fiorde.com.br

segunda-feira, 3 de abril de 2017

Galiza – Eficiência na combinação das energias eólica e das ondas

Uma tese do Campus Terra mostra que estes parques mistos no mar são os mais eficazes

O uso e aproveitamento conjunto de duas energias renováveis como o são a eólica e a energia das ondas reduz para metade os custos de produção, de acordo com a conclusão da engenheira luguesa formada no Campus Terra da USC Sharay Astariz na tese de doutoramento intitulada "Combined wave and wind energy: Synergie and Implementation", uma pesquisa conduzida pelos professores Gregorio Iglesias e Rodrigo Carvalho que vêm defendendo na Escola Politécnica Superior de Lugo.

A pesquisa desenvolvida por Sharay Astariz ao abrigo do programa de doutoramento da USC "Energias renováveis e Sustentabilidade Energética” revela-se como um estudo que reforça o potencial das energias renováveis , em especial as energias marinhas como o são a produzida pelas ondas e a energia eólica offshore. A energia marinha é uma das alternativas mais promissoras para o uso dos combustíveis fósseis, devido, pelo menos em parte, à grande quantidade de recursos disponíveis.

As dificuldades que depara o aproveitamento deste tipo de energia e o elevado custo que este processo implica, devido, em parte, às duras condições do meio marinho e ao elevado custo de produção, em parte devido ao incipiente desenvolvimento da tecnologia que é necessária, são fatores que estão a questionar o aproveitamento dessas fontes de energia.

Frente a esta realidade e por razões de fomentar a competitividade dessas energias e o seu desenvolvimento, a pesquisadora luguesa propõe como alternativa o aproveitamento conjunto destas energias, pois, esta combinação depara com uma utilização mais racional do recurso disponível e melhora a sustentabilidade. Por um lado, diz Sharay Astariz, a combinação destes sistemas oferece a possibilidade de reduzir os custos da energia tendo em conta as sinergias tecnológicas que ocorrem entre as renováveis.

A pesquisa de doutoramento que Sharay Astariz está a presentar na Escola Politécnica Superior do Campus Terra da USC analisa, de um modo pormenorizado, através de simulação numérica, os benefícios que podem advir do uso de parques combinados de energia eólica e das ondas. Os resultados das pesquisas realizadas neste sentido são expressas em termos económicos, a fim de quantificar o impacto que têm estas sinergias no custo da energia.

Os resultados obtidos permitem afirmar que o custo de produção da energia poderia ser reduzido pela metade através do uso de parques combinados, em relação ao custo registado independentemente em parques eólicos e de ondas. Estes custos mais reduzidos dos processos de obtenção e produção coloca as energias marinhas em valores muito mais próximos das outras energias renováveis muito mais consolidadas, o que confirma as múltiplas possibilidades e a viabilidade económica do aproveitamento conjunto destas renováveis.

O professor titular do Departamento de Engenharia Naval e Oceânica da Universidade da Corunha, Luis Carral Couce, presidiu ao júri encarregado de avaliar a tese de doutoramento apresentada por Sharay Astariz Núñez. O pesquisador do Instituto Geológico do Reino Unido Andrés Payo Garcia e professora do Departamento de Engenharia Agro-florestal da USC Montserrat Valcárcel, que atuou como secretária, completaram o elenco de membros. In “GCiência” - Galiza

domingo, 2 de abril de 2017

Manhã de Carnaval














Vamos aprender português, cantando


Manhã tão bonita manhã
de um dia feliz que chegou
um sonho seu surgiu
e em cada cor brilhou

Por todo sonho então
ao coração

Depois deste dia feliz
não sei se outro dia haverá
é nossa manhã tão bela afinal
manhã de carnaval

Manhã tão bonita manhã
não sei se outro dia haverá
é nossa manhã tão bela afinal
manhã de carnaval

Canta o meu coração
a alegria voltou
tão feliz
a manhã desse amor

Miriam Makeba – África do Sul


Música e Letra - Luís Bonfá e Antônio Maria

Moçambique – Brasileira Vale vende activos à japonesa Mitsui

Vale deverá encaixar 733 milhões de dólares no pagamento inicial da venda de participações em activos à Mitsui

O grupo brasileiro Vale concluiu a venda de participações em activos em Moçambique ao grupo japonês Mitsui, devendo receber um pagamento inicial de 733 milhões de dólares, anunciou o grupo mineiro em comunicado divulgado esta semana na sua página de internet.

O comunicado acrescenta que o grupo Vale receberá um adicional de 37 milhões de dólares, quando o financiamento para o projecto carbonífero de Moatize, na província de Tete, ficar concluído, dispondo o grupo japonês da opção de devolver a participação caso tal não aconteça até Dezembro próximo.

Após cerca de três anos de negociações, o grupo Mitsui concordou em comprar 15% da participação de 95% detida pelo grupo brasileiro na mina de carvão de Moatize (os 5% restantes são propriedade do Estado moçambicano) e metade da participação de 50% do grupo Vale no Corredor Logístico de Nacala, que compreende uma linha de caminho-de-ferro entre Moatize e Nacala e instalações portuárias.

Em comunicado divulgado em Setembro de 2016, o grupo Vale havia anunciado esperar vir a receber 768 milhões de dólares com a venda, à japonesa Mitsui, de participações na mina de carvão de Moatize e no Corredor Logístico de Nacala, em Moçambique, ao abrigo do novos termos do acordo originalmente assinado em 2014. Entretanto, o grupo Vale nomeou um novo presidente executivo, Fabio Schvartsman, que sucede na condução dos negócios a Murilo Ferreira.

A 15 de Março corrente, A Vale disse ter concluído a transacção de equity antes da assinatura do project finance, sendo um grande marco para o Corredor Logístico de Nacala, já que demonstra confiança no avanço do project finance, cuja conclusão é esperada para acontecer ao longo de 2017. Se a assinatura do project finance não for concluída até o final de Dezembro de 2017, a Mitsui tem a opção de transferir, de volta para a Vale, a sua participação na mina de carvão de Moatize e no Corredor Logístico de Nacala.

Mais-valias à vista

Sem dúvidas que estarão longe dos impostos de Mais-Valias conseguidos na operação de venda de acções da ENI à Exxon Mobil, mas tratar-se-ião de somas significativas para a tesouraria do Estado, tendo em conta que a escassez de recursos que se regista com o facto dos parceiros de apoio ao orçamento terem cancelado as doações a Moçambique. Em 2016, a empresa Vale extraiu da sua mina de Moatize, na província de Tete, cerca de 5.5 milhões de toneladas métricas de carvão mineral, depois de no ano anterior, 2015, ter produzido cinco milhões de toneladas métricas, o equivalente a cinco biliões de quilogramas. A empresa mineira explica que o aumento de produção resulta de uma melhoria do projecto Moatize I e arranque de um novo, denominado Moatize II. Nos últimos três meses de 2016, a produção de carvão da mineira atingiu 1.6 milhões de toneladas, ficando 9.7% abaixo do recorde atingido no terceiro trimestre do mesmo ano. In “O País” - Moçambique

sábado, 1 de abril de 2017

Macau – São Tomé e Príncipe membro oficial do Fórum Macau


São Tomé e Príncipe é desde a última quarta-feira, 29 de Março de 2019, membro de pleno direito do Secretariado Permanente do Fórum para a Cooperação Económica e Comercial entre a China e os Países de Língua Portuguesa, cujos membros aprovaram a adesão do país após o restabelecimento de reações diplomáticas entre São Tomé e Príncipe e Pequim.

O coordenador do Gabinete do ministro dos Negócios Estrangeiros e Comunidades de São Tomé e Príncipe, Djazalde dos Santos Aguiar, foi o representante convidado à oficialização da adesão que ocorre depois de o país africano ter renunciado às relações diplomáticas com Taiwan no final do ano passado. O responsável de São Tomé não prestou quaisquer declarações à imprensa, numa altura em que está por nomear o delegado do país na organização.

“É um convidado especial que participou na reunião ordinária. No futuro, será decisão do Governo de São Tomé e Príncipe indicar um delegado”, explicou Xu Yingzhen, secretária-geral da estrutura local do Fórum de Cooperação. A responsável afirmou porém que, sendo já membro oficial da estrutura, o país poderá integrar todas as atividades desta – inclusivamente, candidaturas a financiamento junto do Fundo para a Cooperação Económica e Comercial entre a China e os Países de Língua Portuguesa. Mas ressalvou que a estrutura funciona de forma multilateral e implica decisões tomadas por todos.

“Sempre mantemos a porta aberta para que São Tomé e Príncipe possa apresentar-nos propostas e ideias, mas é necessária a discussão de todos para decidir quais as atividades que vamos desenvolver. As atividades são para o bem de todos”, afirmou Xu Yingzhen, quando questionada sobre a possibilidade de a China suprir por via do Fórum de Macau os apoios ao desenvolvimento de São Tomé e Príncipe antes angariados pelo país junto de Taiwan.

O Governo de São Tomé e Príncipe anunciou a 21 de Dezembro do ano passado o fim do reconhecimento diplomático do Governo de Taipé, retomando as relações diplomáticas com a China, interrompidas 1997.

Apesar de só no final do ano passado terem sido restabelecidas as relações diplomáticas entre a República Popular da China e São Tomé e Príncipe, Pequim mantém desde 2013 uma missão comercial no país, sendo também a China um dos principais mercados das importações são-tomenses. São Tomé e Príncipe tem também vindo a tomar parte em algumas reuniões de nível ministerial do Fórum de Macau na qualidade de observador convidado.

A partir de agora, passará também oficialmente a integrar o conjunto dos países de língua portuguesa com assento na estrutura para-diplomática que tem sede em Macau e que, regularmente, organiza missões comerciais e ações de formação. Os países-delegados do Fórum tem também a possibilidade de apresentar projetos de investimento ao Fundo para a Cooperação Económica e Comercial entre a China e os Países de Língua Portuguesa, atualmente localizado em Pequim, mas que em breve passará a ter sede em Macau.

A secretária-geral Xu Yingzhen indicou ontem que a transferência da sede do fundo deverá acontecer durante os próximos três meses. “O fundo é gerido pelo Banco Chinês de Desenvolvimento. O Secretariado está a acompanhar os passos. Segundo fomos informados, o Banco Chinês de Desenvolvimento está em conversações com o Governo da RAEM para acelerar a transferência da sede. Julgo que na primeira metade deste ano já estará aqui”, informou. Maria Caetano – Macau in “Plataforma Macau”

Macau - IPIM promove produtos lusófonos na China

O Instituto de Promoção do Comércio e do Investimento de Macau juntou 15 empresas do território e lusófonas para sessões de promoção de produtos alimentares dos países de língua portuguesa em Zhuhai, Jiangmen e Zhongshan

Aproveitando a posição estratégica de Macau como plataforma de serviços para a cooperação comercial entre a China e os países de língua portuguesa, o Instituto de Promoção do Comércio e do Investimento de Macau (IPIM) realizou uma série de actividades de apresentação de produtos dos países lusófonos em Zhuhai, Zhongshan e Jiangmen.

A primeira sessão deste ciclo de bolsas de contacto foi realizada no passado dia 27 de Março de 2017, em Zhuhai, onde participaram 15 empresas fornecedoras da RAEM e dos países lusófonos vocacionadas para os produtos alimentares. Os expositores instalaram stands, exibindo principalmente os produtos alimentares provenientes de Portugal e do Brasil, tais como enlatados, compota, vinagre de fruta, sumos, azeite, bebidas alcoólicas”, referiu o organismo.

No mesmo dia, a iniciativa estendeu-se a Jiangmen, onde foram expostos e apresentados produtos alimentares lusófonos. No dia 28, a sessão de bolsas de contacto decorreu em Zhongshan, “tendo muitos compradores degustado os vinhos, sumos, chocolate, sal marinho do Brasil e de Portugal, identificando várias oportunidades de negócio no mundo lusófono”, segundo sublinha o IPIM.

As três sessões, realizadas em dois dias, conseguiram atrair “com sucesso” a participação de mais de 150 compradores e fornecedores para bolsas de contacto e negociações. In “Jornal Tribuna de Macau” - Macau