Pintura Arq. Eduardo Moreira Santos, Lx (28.08.1904 - 23.04.1992)
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terça-feira, 23 de dezembro de 2025

Portugal – Universidade de Coimbra integra projeto que visa transformar a forma com a natureza é compreendida, planeada e vivida nas cidades

O Centro de Ecologia Funcional (CFE) da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra (FCTUC) lidera uma iniciativa pioneira que desafia perspetivas antropocêntricas tradicionais e propõe um novo paradigma onde a natureza é vista como agente ativo dos ecossistemas urbanos, integrando ciência, emoções, cultura e participação comunitária na construção de cidades mais resilientes, inclusivas e criativas.


O projeto RESIGNIFY, em parceria com a Universidade Aberta, pretende transformar a forma como a natureza é compreendida, planeada e vivida nas cidades.

«Nesta investigação procuramos reconhecer os significados atribuídos à natureza urbana através da sua compreensão e das ligações emocionais das populações aos elementos naturais, para a cocriação de soluções baseadas nos imaginários e narrativas das comunidades e para o desenvolvimento de modelos regenerativos que combinam investigação científica, vivências quotidianas, criatividade e experimentação prática», explica, Fátima Alves, investigadora responsável do projeto CFE/FCTUC e professora da Universidade Aberta.

Para alcançar estes objetivos, serão utilizadas metodologias inovadoras integrando revisão científica aprofundada, análise espacial suportada por mapeamento GIS (Sistema de Informação Geográfica), envolvimento comunitário através de inquéritos, grupos focais, workshops e atividades criativas, além da produção de um documentário que dará visibilidade às narrativas humanas e não humanas presentes na cidade.

O projeto inclui, ainda, a criação de um Curso Online Aberto Massivo (MOOC, sigla em inglês) internacional desenvolvido em colaboração com o LE@D – Laboratório de Educação a Distância e E-learning, da Universidade Aberta, dedicado ao planeamento regenerativo e ao envolvimento público em processos urbanos, coordenado pelas professoras Luísa Aires e Marta Abelha.

«Num contexto em que as cidades enfrentam desafios crescentes e cumulativos — como alterações climáticas, perda de biodiversidade, desigualdade no acesso à natureza e crescente afastamento emocional dos ecossistemas — o RESIGNIFY surge como uma resposta essencial», considera Diogo Guedes Vidal, investigador do CFE/FCTUC e professor da Universidade Aberta.

«Trata-se de uma investigação pioneira, que integra emoções e narrativas no planeamento urbano regenerativo, ampliando a participação pública, valorizando saberes culturais e locais, para o desenvolvimento de conhecimento que pode informar atuação dos municípios, ao nível arquitetónico, social e urbanístico, contribuindo para a saúde e o bem-estar das populações», destaca Rosário Rosa, investigadora do CFE/FCTUC e professora da Universidade Aberta.

De acordo com os investigadores, a produção do documentário e do MOOC reforça o impacto social do projeto, garantindo que o conhecimento gerado chega também a públicos não académicos e a profissionais em formação. «O RESIGNIFY tem também potencial para influenciar estratégias de planeamento do espaço público, Planos Diretores Municipais, políticas de infraestruturas verdes, projetos de regeneração urbana baseados na diversidade da natureza e novas práticas de participação cidadã centradas em imaginários e emoções», concluem.

O projeto, que decorre de 2025 a 2028, é financiado pela Fundação para a Ciência e a Tecnologia e conta com uma equipa multidisciplinar composta por investigadores do CFE/FCTUC e da sua Extensão na Universidade Aberta, do LE@D da Universidade Aberta, do Instituto Superior de Ciências Sociais e Políticas da Universidade de Lisboa (ISCSP) e da Universidade Fernando Pessoa. Universidade de Coimbra - Portugal


quinta-feira, 18 de julho de 2019

CPLP – Segundo diretor-geral da FAO, Portugal e Brasil devem "ajudar mais" os outros países da Organização



Lisboa - O diretor-geral da Organização das Nações Unidas para a Agricultura e a Alimentação (FAO) afirmou que Portugal e Brasil devem "ajudar mais" a comunidade lusófona no cumprimento do acordo assinado entre as organizações em 2014.

"Os países não conseguem andar mais rápido por si só. São países pobres (...), e pelo número de vezes que se troca de governo nesses países, percebemos que enfrentam crises sistémicas", disse hoje José Graziano da Silva, em Lisboa, acrescentando que "parte dessa crise sistémica é a falta de recursos disponíveis".

"Então esses países precisam de ajuda. Portugal e Brasil precisam de ajudar mais a CPLP".

As declarações de José Graziano da Silva surgiram no contexto de um balanço do Programa de Cooperação Técnica (PCT) entre a FAO e a CPLP, assinado em 2014.

O diretor-geral da FAO considera que o PCT "caminhou mais devagar" que o esperado, mas que a transformação do escritório da agência da ONU em Portugal num "escritório de Portugal e de apoio à CPLP" é "uma grande contribuição" para ter "condições para andar mais rápido".

O acordo assinado em março de 2014 entre FAO e CPLP pretendia a formação de produtores agrícolas de países africanos lusófonos e de Timor-Leste para a segurança alimentar e nutricional.

Na ocasião, o então secretário-executivo da CPLP, Murade Murargy, explicou que o objetivo era "capacitar os países e as instituições em matéria de produção agrícola" e a FAO contribuiria com 500 mil dólares (445 300 dólares ao câmbio atual).

José Graziano da Silva, cujo mandato à frente da FAO está no último ano, abordou também os desastres climáticos nos países lusófonos, em particular a seca no sul de Angola e os ciclones em Moçambique.

"Essa seca em Angola é recorrente, já não é o primeiro ano, e o mesmo se passa com o ciclone em Moçambique. Tem-se repetido nos últimos três/quatro anos", estimou.

"A diretriz maior da nossa atuação, além de acudir quando ocorrem os desastres climáticos, é promover a resiliência das populações, a capacidade de resistirem a esse impacto. Porque infelizmente essa é a nova realidade. Isso vai repetir-se cada vez mais", lamentou o responsável da FAO.

Nesse sentido, Graziano da Silva explicou que a atuação da FAO tem sido dirigida para a substituição de culturas "mais resistentes à seca", como cultivos. Já em Moçambique, o responsável indicou as "culturas perenes, que podem resistir a essas inundações" como uma alternativa.

José Graziano da Silva falou aos jornalistas em Lisboa, à margem da assinatura de um protocolo de cooperação entre a agência das Nações Unidas e a Universidade Aberta (UAB).

Esta parceria vai levar técnicos da FAO a aulas, palestras e conferências do mestrado de Ciências do Consumo Alimentar da UAB e vai permitir a integração de estágios de alunos nas Nações Unidas.

Com a parceria, as duas instituições pretendem reforçar as relações de cooperação e intercâmbio na área da formação.

"Considero que é um privilégio podermos trabalhar neste programa conjunto, que será depois um modelo de ação com envolvimento dos especialistas da FAO (...), em especial com o mestrado de Ciências do Consumo Alimentar , assim como poderá também permitir aos nossos alunos um contacto muito mais aproximado (...) levando-os a ter uma participação intensa e serem, inclusive, meios de apoio às políticas da FAO nos vários territórios", considerou o reitor da UAB, Paulo Silva Dias, após a assinatura do acordo de cooperação. In “Sapo Timor-Leste” com “Lusa”