Pintura Arq. Eduardo Moreira Santos, Lx (28.08.1904 - 23.04.1992)
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domingo, 31 de março de 2024

Venezuela – Réplica do Santuário de Fátima e comunidade portuguesa recebem elogios

O Governo das ilhas Canárias elogiou o empenho da comunidade portuguesa em promover a confissão mariana na Venezuela, através da construção de uma réplica do Santuário de Fátima, que parece ser pequeno para as muitas pessoas que o procuram


“Parece-me que está a ficar pequeno. Estar aqui é renascer na fé e foi isso o que senti hoje. Chegou um momento em que me apeteceu chorar [de emoção e fé] e há muitos anos que não sentia isso. Estar aqui é estar nas mãos de Deus e de Nossa Senhora de Fátima”, disse a delegada do Governo de Canárias para a Venezuela.

Isabel Jara, que é também presidente do Conselho de Residentes Espanhóis (CRE) na Venezuela falava à agência Lusa em Carrizal (26 quilómetros a sul de Caracas), durante uma visita ao Santuário de Nossa Senhora de Fátima, uma obra construída pela comunidade portuguesa local, inaugurada em outubro de 2022.

“É a primeira vez que visito o Santuário e estou realmente encantada, maravilhada. Passei uma manhã que me elevou o espírito e estou muito grata pelo convite”, frisou.

Por outro lado, explicou que, segundo dados do Consulado de Espanha em Caracas, na Venezuela existem atualmente 167 mil espanhóis, uma comunidade que era de mais de 200 000, mas que nos últimos anos diminuiu devido à emigração, ao “regresso ao seu país, sobretudo às ilhas Canárias”.

“Represento o Governo das Ilhas Canárias na Venezuela, fui nomeada [oelo Presidente] Fernando Clavijo, mas também sou o presidente do CRE que está presente em 63 países”, disse, precisando que atualmente “a emigração abrandou e que o país [Venezuela] tem estado numa espécie de ressurgimento”.

Por outro lado, elogiou a união, quer de portugueses, quer de espanhóis, sublinhando que esse é o caminho.

“A emigração é algo que deve estar sempre unida, porque emigrar não é fácil. Estar aqui e poder unir-se é bom. Se os seres humanos soubessem o que significa a união e estar juntos, seríamos mais felizes”, frisou.

De visita ao Santuário esteve também a professora da Universidade de Carabobo (170 quilómetros a oeste de Caracas) e também conselheira das Comunidades Portuguesas na Venezuela, Maria Fátima de Pontes, que continua impressionada como “a majestosidade” do Santuário.

“Estive cá depois da tragédia de Tejerías [de outubro de 2022, em que 54 pessoas morreram num aluimento de terras, entre os quais três portugueses], e fiquei marcada pelo santuário. Vim refugiar-me depois daquela desgraça e encontrei esta majestade, uma majestade de trabalho […] que não é uma simples obra arquitetónica”, construída durante 15 anos pela comunidade portuguesa de San António de Los Teques e Caracas.

Explicou ainda que, como conselheira local das Comunidades Portuguesas, tem tido conversações com a delegação do Governo de Canárias, que têm vários programas para atenção cidadã, que acredita poderem ser propostos ao Governo português, para aplicar em benefício dos portugueses radicados na Venezuela. In “Bom dia Europa” – Luxemburgo com “Lusa”


sábado, 4 de fevereiro de 2023

Brasil – Prefeitura de Serra Negra constrói uma réplica da romana “Fontana di Trevi”

Localizada na Serra da Mantiqueira, a 150 km de São Paulo, Serra Negra (SP) foi buscar na “cidade eterna” inspiração para turbinar o turismo. Com fortes laços com a comunidade italiana, a prefeitura investiu R$ 1,6 milhão na construção de uma réplica da “Fontana di Trevi”, ícone de Roma


Fontana di Trevi original, inaugurada em 1735, é uma obra de Nicola Salvi, baseada em um projeto de Bernini, e se tornou a fonte mais célebre de Roma e uma das mais famosas e fotografadas do mundo.

A obra, em Serra Negra ocupa uma área de 370 m² e tem 11 metros de altura, a partir do espelho d’água, e 20,7 metros de largura. Apesar do tempo fechado e da chuva em um final de tarde do meio da semana, foram várias as pessoas, moradores e turistas, que pararam para observar o “monumento”.

“Além de impulsionar o turismo, presta uma homenagem à cultura italiana, com fortes laços no município devido à massiva imigração ocorrida principalmente no século 20”, explica Tárcio Cacossi, diretor de comunicação de Serra Negra. In “Milénio Stadium” – Canadá com “G1”


sábado, 15 de outubro de 2022

Venezuela - Santuário de Nossa Senhora de Fátima é “centro da portugalidade”

O padre luso-descendente, José António da Conceição, materializou o sonho de ver construído o santuário de Nossa Senhora de Fátima, de Carrizal (sul de Caracas), que quinta-feira foi consagrado pelas autoridades religiosas venezuelanas.

Na cerimónia, de mais de três horas de duração, estiveram ainda presentes, autoridades diplomáticas venezuelanas, e políticos locais, o secretário de Estado das Comunidades Portuguesas, António Cafôfo e o presidente do Governo da Região Autónoma da Madeira, Miguel Albuquerque.

Segundo Paulo Cafôfo, trata-se de “um complexo que, além de muitas valências, que vão desde a parte cultural, a educativa ou do ensino da língua, a da arte e da criatividade é o centro da portugalidade de Portugal na Venezuela”.

“E, isso deve-se a esta comunidade, uma comunidade que, curiosamente, não subtraiu. Estamos a falar de portugueses que vieram para cá, para a Venezuela, mas que em vez de esquecerem Portugal, somaram Portugal à Venezuela”, frisou o político.

O dia da consagração, na quinta-feira, 13 de outubro, “é um dia que ficará na história, por esta obra ter sido inaugurada, num dia também tão simbólico para quem é católico e quem tem fé”.

Segundo o padre luso-descendente, para construir o santuário foi preciso “muito trabalho” e surgiram “muitas dificuldades, mas a nossa Mãe (Nossa Senhora) fez que a construção desse templo em honra dela seja uma realidade”.

José António da Conceição explicou que “em 07 de Outubro de 2006” quando “pela primeira vez viajava a Portugal, para ver a família, que vive no Norte, perto de Espinho”, baixou até Fátima (Leiria). “Na missa pedi a Nossa Senhora que me ajudasse a fazer realidade o sonho que tinha de construir uma igreja nesta localidade”.

“Não foi fácil. Houve a tentação de abandonar tudo, mas a Mãe (Nossa Senhora) sempre me consolou e ajudou-me a levantar e a continuar em frente”, frisou.

À comunidade portuguesa diz que “que tenha muito ânimo, esperança, sobretudo que fortaleça a sua fé” que Nossa Senhora de Fátima “nos empuxa para a frente, nos dá muita força e quando o desânimo nos invade, ela afasta-o para que avancemos”.

Por outro lado, o arcebispo Baltazar Porras, explicou que se trata de “uma réplica não tão pequena do Santuário de Fátima em Portugal, e daqui, a fé pode ajudar neste serviço, na promoção de tantos valores sociais, culturais, económicos, mas também com ensino e profissionalização em toda uma série de campos”.

“E depois algo mais que também é importante é que se torne um centro de divulgação dos valores portugueses. Porquê? Porque essa cultura (portuguesa) tem contribuído muito para a Venezuela”, disse, durante uma conferência de imprensa, após a consagração do santuário.

Segundo Baltazar Porras, a presença dos portugueses “tem sido mais forte nos últimos 70 anos”.

“Se incorporaram no nosso meio, criaram famílias, ensinaram muitas artes e ofícios que nós venezuelanos não tínhamos, desde a gastronomia a muitas outras formas de trabalho. Por isso só podemos estar gratos e ver que a pluralidade de culturas, o respeito e a ajuda mútua, e o que se faz com alegria e sacrifício, dá origem a estas obras”, disse.

O arcebispo sublinhou que gostaria de felicitar os lusitanos, em nome de toda a Igreja venezuelana e chamou a atenção que “há coisas que podem e têm de ser feitas, mesmo no meio de circunstâncias adversas, sobretudo na atenção aos mais necessitados, a crianças, adolescentes e anciãos”.

O novo embaixador de Portugal na Venezuela, João Pedro Fins do Lago, disse à Lusa que sentiu “que estava em Fátima” e que “sentiu Fátima já mesmo antes de hoje, na primeira vez” que visitou o santuário.

“Senti essa fé e essa dedicação. Senti nos olhos e nas palavras das pessoas que estavam aqui empenhadas a construir este templo e todo toda a estrutura que o apoia. Senti uma grande fé”, disse à Lusa.

O diplomata sublinhou que “é essa mesma fé que se vê no Santuário de Fátima” e que “é claramente uma réplica daquilo que é a fé portuguesa, e a alma portuguesa, aqui nos Altos Mirandinos”.

“Hoje sentimo-nos portugueses com grande orgulho, com grande fé, com consciência da importância que têm as nossas raízes, de queixo levantado, com grande dignidade. E, sentimo-nos portugueses irmãos, entre os nossos irmãos venezuelanos, sentimos sobretudo uma grande comunhão”, disse.

A construção do santuário foi uma iniciativa da comunidade portuguesa local, à qual se juntaram imigrantes de outras nacionalidades, nomeadamente libaneses e italianos, bem como venezuelanos.

Na obra, de 22 mil metros quadrados, foram investidos até agora 19,5 milhões de dólares (19,9 milhões de euros), sendo necessários mais três milhões para a conclusão, habilitar os salões de aulas de português, de uso múltiplo e uma casa de retiro espiritual. Por terminar estão ainda os salões de catequeses e a iluminação do estacionamento.

Acordo com a Madeira

O secretário de Estado das Comunidades Portuguesas desafiou a Madeira a avançar com um “acordo de cooperação” em benefício dos luso-venezuelanos e o presidente do Governo regional, Miguel Albuquerque, respondeu que há condições para essa concertação.

“O que a comunidade quer é uma união e uma coesão por parte dos poderes políticos, no sentido de haver uma entreajuda que possa beneficiar estes portugueses (…) por isso espero que da parte do Governo regional e do senhor Presidente do Governo [da Madeira] possamos aqui trabalhar em conjunto”, disse.

Paulo Cafôfo falava em Caracas, na residência do embaixador de Portugal, João Pedro Fins do Lago, durante uma conferência de imprensa conjunta com Miguel Albuquerque.

“Temos aqui alguns desafios, porque a Venezuela, infelizmente, tem nos últimos anos atravessado um período conturbado do ponto de vista social e económico, que exige por parte do Estado uma intervenção para (…) valorizar a comunidade”, disse o político.

O secretário de Estado das Comunidades manifestou admiração pela comunidade luso-venezuelana, sublinhando que quem teve sucesso não se esquece dos mais vulneráveis e, portanto, a solidariedade é também uma marca desta comunidade.

“Mas a verdade é que nos últimos anos temos atravessado graves dificuldades e a conjugação de esforços é essencial”, frisou.

Por outro lado, Miguel Albuquerque sublinhou: “o Governo regional visa, em primeiro lugar, tratar dos interesses da nossa comunidade, em particular da comunidade da Venezuela, que conheço muito bem”.

“E, neste momento estão criadas as condições para criarmos essa concertação de objetivos e de trabalho”, disse.

Albuquerque aproveitou para “louvar os líderes da comunidade que trabalham voluntariamente e sobretudo um conjunto de diplomatas” que, nos consulados, fez “um trabalho excepcional nos momentos difíceis que a Venezuela atravessou”.

Albuquerque recordou as enxurradas de 1999 no estado de Vargas e os apoios às populações mais vulneráveis através de instituições como a Igreja Católica e recordou o papel do padre Alexandre Mendonça (1954-2021) e da organização Damas de Beneficência que criaram o Lar da Terceira Idade Padre Joaquim Ferreira.

“Estão criadas as condições para termos um trabalho mais assertivo e mais concertado que as instituições do Estado, no sentido de servir os interesses da nossa comunidade”, afirmou o presidente do Governo regional da Madeira.

Paulo Cafôfo explicou que propôs, em junho, “um acordo de cooperação com os governos das regiões autónomas”: “até à data ainda não tivemos oportunidade de fechar” o que espera “possa acontecer”.

Cafôfo disse que a Madeira pode contribuir em matéria de serviços, a nível dos serviços consulares, da promoção da cultura, da difusão de iniciativas, da formação técnica para funcionários da Direção Regional das Comunidades e dos Assuntos Externos.

E também em questões relacionadas com os gabinetes de apoio aos emigrantes, sendo para tal necessário que “o Governo regional pudesse adaptar a Lei n.º50 de 2018, no sentido da descentralização possibilitar que os municípios da RAM [Região Autónoma da Madeira], à semelhança dos do território continental, pudessem ver criado estes gabinetes de apoio aos emigrantes”.

Fundamental também a criação de condições para incentivar ainda mais os investimentos na Madeira, através do Programa Nacional de Apoio ao Investimento da Diáspora. In “Mundo Lusíada” – Brasil com “Lusa”

 

domingo, 4 de setembro de 2022

Venezuela - Réplica do Santuário de Nossa de Fátima vai ser inaugurado em outubro em Los Teques


Em outubro, Miguel Albuquerque vai dedicar cinco dias à comunidade madeirense na Venezuela, associando-se ao momento histórico da inauguração da réplica do Santuário de Fátima, em Los Teques.

O presidente do Governo Regional da Madeira participa primeiro nas celebrações religiosas, na quinta-feira 13 de outubro, voltando a subir no domingo a Los Teques, no município de Los Altos Mirandinos, para o grande arraial popular em honra de Nossa Senhora de Fátima.

Mais de 10 anos

O Santuário de Fátima construído em Los Altos Mirandinos é um projeto da comunidade portuguesa que se fixou na Venezuela. Vários empresários e instituições da comunidade têm trabalhado arduamente para a conclusão da obra, cuja ‘primeira pedra’ foi lançada e apoiada pelo Governo Regional da Madeira, na altura presidido por Alberto João Jardim.

Cerca de 12 anos depois, Miguel Albuquerque faz questão de marcar presença nas cerimónias de abertura daquele emblemático espaço religioso e social da comunidade luso-venezuelano em Los Teques.

Albuquerque chega a Caracas no dia 12 de outubro, véspera das cerimónias religiosas que assinalam a inauguração da réplica do Santuário de Nossa de Fátima – onde foi colocada uma imagem da Virgem com mais de 20 metros.

O governante madeirense e sua comitiva participam nas cerimónias religiosas no Santuário nessa quinta-feira. Três dias mais tarde, no domingo 16 de maio, após a missa, terá lugar um grande arraial madeirense, em torno do qual está gerada uma grande expetativa e entusiasmo.

Barquisimeto, dia 14

A presença de Miguel Albuquerque na Venezuela não se resume a Caracas e a Los Teques. No intervalo das celebrações em torno do Santuário de Fátima, o governante madeirense desloca-se a Barquisimeto, no Estado Lara, a cerca de cinco horas da capital venezuelana.

Ali reside um importante núcleo imigratório da Madeira, com muita atividade em torno de dois grandes importantes instituições: Centro Luso Larense e o Atlântico Madeira Club. Um pouco mais distante, há também o Centro Social Luso Venezulano, em Acaricua.

Instituições que Miguel Albuquerque vai visitar na sexta-feira, 14 de outubro, culminando com um jantar congregador e que terá o peixe espada preto e o arroz de lapas – enviados expressamente da Madeira pelo Grupo Vidinha – como grandes protagonistas de uma jornada que será memorável.

Miguel Pires anima

A comitiva da Madeira integra o trio musical Miguel Pires. O artista madeirense tem preparado um repertório adaptado às características das atuações esperadas, numa mistura de música internacional, portuguesa em geral e madeirense em particular.

Miguel Pires e seus músicos vão atuar em Barquisimeto, mas antes já terão passado por Caracas, onde estão agendados dois grandes momentos, o primeiro numa grande festa da Madeira no Centro Português (Macaracuay), na noite de 13 de outubro, e outro no sábado 15 de outubro, no Salão Gales (CCT Caracas) na reedição das grandes noites do City Hall, dos anos 80.

Ainda em relação à grande festa da Madeira em Caracas – na noite de 13 de outubro no CP – a componente gastronomia também gira à volta do peixe espada preto e do arroz de lapas, numa parceria entre o Grupo Vidinha e as várias instituições que servem a comunidade portuguesa. Neste caso específico, a junção de esforços apadrinhada por Miguel Albuquerque vai resultar numa ajuda substancial para o Lar Pe. Joaquim Ferreira e para as obras no Santuário em Los Teques.

Voo especial da Madeira?

Conforme tem sido noticiado, ainda está de pé a possibilidade da companhia aérea EuroAtlantico vir a realizar alguns voos com ligação direta entre a Madeira e a Venezuela, apenas durante este ano.

Se a operação chegar a bom termo, algumas centenas de madeirenses (ou luso-venezuelanos a residirem na Madeira) poderão ter a oportunidade de acompanhar o Governo da RAM e associarem-se ao grande momento em Los Teques, saindo da Madeira a 11 de outubro e regressando de Caracas quatro dias depois, contornando as tarifas proibitivas da TAP.

Dois dias no Curaçao

Miguel Albuquerque visita a Venezuela de 12 a 17 de outubro, para a inauguração do Santuário de Nossa Senhora de Fátima (Loa Teques), mas nos dois dias anteriores passará pelo Curaçao, onde a Madeira mantém ativa uma importante comunidade.

O presidente do Governo Regional da Madeira aterra na tarde da segunda-feira 10 de outubro no Curaçao. Para o dia seguinte está a ser preparado um grande encontro com um número significativo de conterrâneos oriundos da Madeira.

O jantar com a comunidade madeirense também vai ter animação da Madeira: Miguel Pires e os dois músicos vão estrear-se na emigração convidando os conterrâneos a reviverem músicas de outros tempos em Portugal, em particular na Madeira. Agostinho Silva - Portugal In “Notícias da Diáspora”


 

segunda-feira, 7 de março de 2022

África do Sul - Escuteiros portugueses resgatam réplica do Padrão dos Descobrimentos na cidade de Joanesburgo

Um grupo de escuteiros portugueses em Joanesburgo resgatou um Padrão dos Descobrimentos com 40 anos, abandonado num jardim municipal, devido à elevada insegurança e degradação que afeta o bairro de La Rochelle, mas as autoridades negam ter conhecimento da iniciativa


“Aconteceu porque está abandonado e desprezado, e desde 2012 nós temos estado em conversas com o City Council [Câmara Municipal] para removê-lo, e deram-nos a autorização agora e mudámo-lo”, declarou à Lusa Amândio Cordeiro, presidente do 1º Grupo de Escuteiros de São Jorge.

“O Padrão vai ser renovado, vamos repor as placas e vamos pô-lo lá nas nossas instalações onde está bem guardado”, vincou.

Amândio Cordeiro explicou à Lusa que a estrutura está agora na sede dos escuteiros na coletividade Luso África, em Germiston, a cerca de 20 quilómetros do parque municipal onde foi erguido pela comunidade em 1982.

A mesma fonte referiu que a remoção do monumento histórico, considerado pela imprensa comunitária local como “o símbolo de portugalidade na Cidade do Ouro”, foi autorizada por escrito “há duas semanas” pela autarquia de Joanesburgo, sem avançar mais detalhes.

“Nós falamos com o consulado [Consulado-Geral de Portugal em Joanesburgo] há anos e nada foi feito”, frisou ainda o líder dos escuteiros lusodescendente, acrescentando que “o consulado disse que era melhor removê-lo para lugar mais seguro, mas acabou aí, nada mais foi feito e nada mais foi dito”.

Desde 2012, referiu Amândio Cordeiro, os escuteiros “têm tentado remover o Padrão, obter as autorizações do Governo”, acrescentando: “Falámos com vários clubes, com os líderes lusos, com muita gente, tudo isto começou com o meu antecessor”.

Segundo Amândio Cordeiro, a “única” pessoa que zelava pelo Padrão no parque municipal em La Rochelle “era o senhor Braga, que o colocou, e que já faleceu”.

“Nós falámos com o filho do senhor Braga e ele deu-nos a autorização de removê-lo. O nome dele era Miguel e faleceu há dois anos”, adiantou.

Questionado pela Lusa se a direção do Luso África autorizou receber o monumento histórico no seu recinto, o líder dos escuteiros salientou: “Isso foi pedido, mas a direção não sabe quando é que o padrão foi retirado”.

Todavia, à Lusa, o dirigente associativo do Luso África, Joaquim Melo, escusou-se a comentar a iniciativa dos escuteiros, afirmando: “Para mim também é notícia”.

A cônsul-geral, Graça Fonseca, referiu à Lusa que “o Consulado-Geral em Joanesburgo não deu autorização ao agrupamento de escuteiros 1 São Jorge para remover a dita réplica do Padrão dos Descobrimentos que se encontrava no Parque Portugal, em La Rochelle”, sem avançar detalhes.

Contactada pela Lusa, a Câmara Municipal de Joanesburgo mostrou-se surpreendida com a mudança do Padrão português do parque municipal de La Rochelle.

“É a primeira vez que ouvimos sobre a mudança do monumento”, disse o diretor adjunto do departamento das Artes, Cultura e Património da autarquia sul-africana, Eric Itzkin, em reposta a um pedido de esclarecimento da Lusa.

“Não foi recebido um pedido de realocação do 1º Grupo Escuteiros de São Jorge, e a mudança não foi aprovada ou autorizada pelo nosso departamento”, salientou.

Eric Itzkin, que é o responsável pelo Património Imovível no município de Joanesburgo, a capital económica do país, sublinhou que “também não foi concedida autorização pelo Johannesburg City Parks [entidade responsável pela manutenção dos jardins e parques públicos]”.

Por seu lado, o conselheiro português na área consular de Joanesburgo, Vasco Pinto de Abreu, referiu à Lusa que a iniciativa dos escuteiros reflete a necessidade “urgente” de a comunidade portuguesa salvaguardar a memória coletiva e o seu património na África do Sul. In “Bom dia Europa” – Luxemburgo com “Lusa”  



quinta-feira, 12 de novembro de 2020

Brasil - Réplica de Nau de Colombo construída em Santa Catarina parte para o Caribe

 


Uma réplica da Nau Santa Maria, que trouxe Cristóvão Colombo às Américas em 1492, agora fará passeios turísticos pelas praias do Caribe, depois de 4 anos sendo construída.

Com 28 metros de comprimento e mais de oito metros de largura, ela ostenta os brasões espanhóis, e traz uma estrutura mais moderna para a segurança dos tripulantes. A reprodução da primeira caravela que trouxe Colombo às Américas foi feita no Brasil, em Santa Catarina.

O responsável pelos trâmites de exportação e importação de materiais usados na construção do barco, assim como o processo que habilitou a viagem rumo ao seu destino, o diretor da empresa H.ace (Hosang – Assessoria em Comércio Exterior), Jorge Irineu Hosang, diz que o projeto contará com outras embarcações.

“Fizemos uma pesquisa e identificamos que seria economicamente mais viável que a embarcação fosse navegando do que transportada por algum navio. A previsão é de que a viagem possa levar entre 30 e 40 dias para ser concluída, levando em conta as paradas para abastecimento”, contou.

No dia 30, a embarcação saiu de Itajaí e seguiu navegando pela costa brasileira, com paradas na Bahia, no último dia 09, e depois Rio Grande do Norte, antes de chegar à ilha de Curaçau/Antilhas Holandesas, no mar do Caribe.

Tradicionalmente reconhecidas pelo grande potencial na construção naval, as cidades de Itajaí e Navegantes, no litoral norte catarinense, se destacam pela produção de barcos de pesca, iates de alto luxo, até imensos navios. A construção desta réplica foi realizada em estaleiros localizados nos dois municípios e levou 4 anos para ser concluída.

O investidor do projeto, o argentino Miguel Pedro Sheppard, explica que a construção do barco veio precedida de um extenso trabalho de pesquisa histórica, combinado a uma engenharia moderna, para oferecer mais conforto e segurança aos tripulantes. Segundo o empresário, apenas na execução desta primeira embarcação foram investidos três milhões de dólares, incluindo todos os custos com estudos.

Mas este foi apenas o primeiro barco de uma série de 10 embarcações idênticas que devem ser construídas nos próximos anos na região e que serão empregadas na exploração turística nas diversas ilhas caribenhas.

Além da reprodução da “NAU Santa Maria”, também estão previstas a construção de quatro réplicas da embarcação “Pérola Negra”, que estrelou a famosa série de filmes “Piratas do Caribe” e de dois “La Venganza de La Reina Ana”, o galeão mais moderno do século XVIII, roubado e transformado em navio pirata por Barba Ruiva.

Segundo Hosang, as próximas embarcações devem ser construídas de duas em duas, de modo a acelerar a entrega. “Acreditamos que as próximas construções gerem em torno de 800 empregos, diretos e indiretos na região, num contrato que deve chegar próximo dos 50 milhões de dólares” adianta. In “Mundo Lusíada” - Brasil