Pintura Arq. Eduardo Moreira Santos, Lx (28.08.1904 - 23.04.1992)
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sábado, 6 de junho de 2026

Moçambique - Casa de Ferro da cidade de Maputo procura nova vida a chegar aos 135 anos

A icónica Casa de Ferro, instalada em 1892 na transição da primeira capital moçambicana, no período colonial, procura reinventar-se com nova vida, prevendo a função museológica para retratar a história e memória de Maputo.


Na Avenida Samora Machel, onde o pulsar da cidade cruza passado e presente entre edifícios que guardam memórias, a casa, em ferro como o nome, ergue-se como marco incontornável, entre as estátuas de Samora Machel – primeiro Presidente de Moçambique – e o fluxo constante da vida urbana, afirmando-se como memória viva da história da cidade de Maputo.

“A Casa de Ferro foi fabricada na Bélgica e, sendo uma casa pré-fabricada, foi trazida para esta cidade, chamada Lourenço Marques, em 1892”, começa por explicar à Lusa António Macandza, gestor da infra-estrutura, diante do imponente edifício, hoje referência incontornável do património arquitectónico da capital e que ao longo de quase 135 anos já conheceu diferentes localizações e funções.

Organizada em vários compartimentos distribuídos por três pisos, ligados por escadas e corredores estreitos, numa lógica funcional típica das residências coloniais da época, foi idealizada para albergar o então governador-geral de Moçambique, Rafael de Andrade, no contexto da transferência da capital da Ilha de Moçambique, na actual província de Nampula, para a então Lourenço Marques, hoje Maputo.

“No momento em que esta cidade era construída, toda ela era de madeira e zinco, tinha que se trazer um palácio para albergar o governador-geral de Moçambique e o governador não podia habitar numa casa semelhante a um cidadão pacato. Daí que foi importada esta casa, para dizer que a casa tem uma grande representação, um grande significado, porque não é uma casa qualquer, é, acima de tudo, uma relíquia”, afirma Macandza.

Apesar da imponência do edifício, com divisões que, embora simples, revelam uma adaptação engenhosa do ferro como elemento estrutural e decorativo, o gestor sublinha que Rafael de Andrade nunca chegou a habitá-lo, devido às condições climáticas de Lourenço Marques: “No Verão esta casa é extremamente quente, no Inverno a casa é extremamente fria, razão pela qual Rafael de Andrade, governador-geral de Moçambique, que estava a ser transferido da Ilha de Moçambique para Lourenço Marques, quando visitou a casa, viu que esta representava um atentado à sua saúde”.

Décadas depois da sua chegada a Maputo e de usos diversos ao longo do tempo, a Casa de Ferro seria reconhecida pelo seu valor simbólico e histórico, classificada desde 1972. Consolidou-se a partir daí como um dos principais marcos da memória urbana da capital, atravessando gerações como testemunho vivo de uma época e das transformações da cidade.

Hoje ponto turístico, a Casa de Ferro, associado às oficinas do francês Gustave Eiffel, atrai sobretudo visitantes estrangeiros que, intrigados pela estrutura metálica no coração de Maputo, aproximam-se para conhecer a história, num interesse partilhado por escolas, que recorrem ao edifício para transmitir às novas gerações o passado da capital.

“É internacionalmente conhecida, mais conhecida fora na Europa do que localmente. Então, o maior visitante turista tem sido o turista estrangeiro – europeu, americano -. [entre] os nacionais, temos recebido muitas escolas a visitar”, conta, lamentando, entretanto, que poucos “cidadãos adultos” visitam o edifício, por não conhecer o seu significado.

“Mas não é só a Casa de Ferro, são os monumentos de museus em Moçambique. Os nossos cidadãos não vão para esses sítios, apenas os alunos é que vão, porque os professores lá nas suas disciplinas de história percebem o impacto desses monumentos”, explica.

Após a última requalificação realizada em 2013, a Casa de Ferro necessita agora de uma “manutenção profunda”, uma vez que alguns compartimentos carecem de pintura para prevenir a ferrugem, enquanto o soalho de madeira exige intervenções de restauro. Para o gestor, esta reabilitação insere-se também no esforço de conferir uma nova vida e dinâmica ao edifício.

“De facto, a nossa maior luta neste momento é a atribuição de uma nova funcionalidade à Casa de Ferro, em que deixará de ser apenas um monumento protegido pela lei 10/88, passará também a albergar uma exposição museológica que deve retratar a história da transferência da capital da ilha de Moçambique para Lourenço Marques”, explica.

Além das exposições artísticas que a infra-estrutura acolhe pontualmente, prevê-se, segundo Macandza, a criação de bancas para venda de arte, “onde artesãos poderão expor e comercializar as suas obras”, bem como a instalação de espaços de convívio, como um café, “para que os visitantes da Casa de Ferro tenham um sítio de lazer”. Lina Cebola – Agência Lusa in “Jornal Tribuna de Macau”


terça-feira, 26 de dezembro de 2023

“Meu Dostoiévski: Os Minutos Finais” obra que vai além da biografia (*)

                                                                           I

Esta é uma biografia que vai muito além dos estreitos limites do gênero. Em suas páginas, constata-se que é resultado de uma admiração que já passou de meio século por Fiodor Mikháilovitch Dostoiévski (1821-1881), o romancista e contista russo que, hoje, ombreia com grandes autores universais, como Dante Alighieri (1265-1321) e Miguel de Cervantes (1547-1616), ou outros gigantes da literatura russa, como Nicolai Gogol (1809-1852) e Alexandre Pushkin (1799-1837), ou o nosso Machado de Assis (1839-1908).


Talvez impedido por muitos obstáculos – que incluiria a distância dos arquivos russos –, em vez de construir uma extensa biografia semelhante à que o norte-americano Joseph Frank (1918-2013) fez, que resultou em quatro volumes e mais de três mil páginas, o autor desta obra, o romancista, contista e cronista Edson Amâncio (1948), preferiu, em muitos momentos, recorrer à ficção para tentar traçar alguns ângulos da personalidade de Dostoiévski e daqueles que conviveram com ele, além de documentar o percurso de sua paixão literária, que teve início em 1962 quando se deparou na biblioteca pública de sua cidade natal, Sacramento, no interior de Minas Gerais, com Recordação da Casa dos Mortos, obra basilar do currículo dostoievskiano. 

Essa admiração pelo escritor russo aumentou quando o autor, já então estudante de Medicina, passou a ouvir os professores de neurologia citarem Dostoiévski, que sofria de epilepsia e que, por isso mesmo, criou vários personagens que padeciam do mesmo mal, cujo exemplo mais significativo é o príncipe Michkin, do romance O idiota (1869). Depois, já formado, conheceu uma biografia de Dostoiévski e, desde então, nunca deixou de ler os livros do autor russo e ensaios, artigos e outras obras que se referiam a ele.

Desde então, sempre que pôde, não deixou de tentar reconstituir o périplo de Dostoiévski pelo mundo, procurando rastros do autor em Paris, Londres, Basel, Dresden, Genebra, Vevey, Florença, Milão, Moscou, São Petersburgo e outros lugares. Viagens que incluíram não só uma visita ao túmulo de Dostoiévski como um encontro com um tataraneto do escritor no Museu Literário-Memorial F. M. Dostoiévski, em São Petersburgo, dia em que, a caminho daquele local, sofreu um acidente no metrô que quase lhe custou a perda da perna direita, que ficara presa entre o vagão e a plataforma, depois de uma queda provocada por um atropelo de uma multidão de usuários. Desse tataraneto de Dostoiévski, Dmitri, o biógrafo-itinerante receberia algumas cópias da correspondência inédita que o escritor trocara com o poeta Apollon Máikov (1821-1897), seu fiel amigo.

 

                                                                II

Na obra, além de passagens registradas ao longo dessa busca de possíveis rastros deixados por Dostoiévski, obviamente, há muitas referências à permanência do escritor na Fortaleza de Omsk, na Sibéria, por uma década, ou seja, quatro anos como preso carregando grilhões de cinco quilos de ferro, por delito político de conspiração contra o czar, e outros seis como soldado forçado do exército russo.

No Museu Dostoiévski, que está instalado exatamente no prédio em que o escritor passou a última etapa de sua vida e escreveu o seu derradeiro romance – Os Irmãos Karamazov (1879) – e o célebre Discurso sobre Pushkin (1880), Edson Amâncio teve também a oportunidade, a convite dos diretores da instituição, de ler sua versão para “O crocodilo”, o conto inacabado de Dostoiévski.

O Museu fica no cruzamento da rua Kuznetchny com a rua Dostoievskogo, antiga Iamskaïa que teve o nome alterado em sua homenagem, não muito distante da igreja do Ícone de Nossa Senhora de Vladimir. Lá o escritor morou, sempre de aluguel, primeiro, por um curto período, na década de 1840, e, depois, com a família, de outubro de 1878 até o dia de sua morte, em 1881.

Foi naquele apartamento que Dostoiévski, quando ainda solteiro, escreveu Gente Pobre (Biédnie Liúdi), que ganhou nova edição em português, em 2011, em tradução de Luís Avelima, pela editora Letra Selvagem. É de se lembrar que, publicado em 1846, este romance epistolar, gênero que teve seu auge no século XVIII, mas que já declinava à época, foi recebido de maneira entusiástica por Vissarion Belinsky (1811-1848), renomado crítico literário russo, que previu com acerto que o seu autor, então com 25 anos de idade, seria um dos gigantes da literatura russa.

Mas que espécie de homem foi Dostoiévski? O homem da mansarda, como se autodefinia? Soturno, raivoso, perverso, de poucas palavras e gestos comedidos? Ou um homem cercado de familiares e amigos, que sempre tinha uma palavra de encorajamento a quem o procurava? Por este livro de Edson Amâncio, o leitor vai perceber que Dostoiévski, se foi tudo isso, foi também homem de muitas mulheres, pois, depois de Maria Dmitirevna (1824-?), sua primeira esposa, casou-se com Anna Grigórievna Sinitkin (1846-1918). Em São Petersburgo, obrigado a sustentar também a família do irmão falecido, Mikhail, acabou por ditar o romance O Jogador para sua secretária, Anna, com quem acabaria por se casar, embora ela fosse 25 anos mais jovem. Mas antes de se casar com Anna teve como amante Appolinaria Súslova, contista também conhecida como Polina Súslova (1839-1918).

 

                                                               III

Se este prefaciador pode acrescentar algo a uma obra tão bem imaginada e delineada, é para recordar a visita que fez, em 2011, ao Museu Dostoiévski. Trata-se de um típico prédio de apartamentos da São Petersburgo oitocentista, simples e ordinário, sem nenhum mérito arquitetônico em particular, que começou a ser restaurado em 1968 já com o objetivo de se preservar e reconstruir o apartamento de Dostoiévski. Hoje, todos os dias, exceto nas segundas-feiras, quando está fechado, o apartamento-museu atrai turistas e estudiosos de todas as partes do mundo, sendo um dos locais mais visitados de São Petersburgo, cidade que pode ser definida como um museu a céu aberto. E todo dia 2 de julho, desde 2010, em frente ao apartamento-museu, é comemorado o Dia de Dostoiévski, com encenações que rememoram personagens da obra do escritor.

Entra-se no Museu por um hall no rés do chão em que estão um boxe para a venda de livros de Dostoiévski e souvenires e um reservado de cabides em que todos os visitantes são obrigados a deixar os seus sobretudos em dias de inverno, o que é comum durante pelo menos dez meses do ano. Depois, sobe-se por uma escada de poucos degraus para o espaço onde ficavam a sala de visitas e, provavelmente, a cozinha. Acima, estão os quartos, hoje todos transformados em espaço dedicado à memória do escritor. O museu comporta ainda uma exposição literária consagrada à vida e à obra do autor.

O apartamento foi restaurado não só com base em documentos de arquivo e anotações deixadas por contemporâneos do escritor como nas memórias deixadas por sua segunda esposa, Anna Grigórievna, autora de Meu Marido Dostoievski (Editora Mauad, 1999, tradução de Zoia Prestes), além de fotografias que foram tiradas um mês depois da morte de Dostoiévski.  Logo à entrada do apartamento, chama a atenção um sinete que funcionaria como campainha para anunciar a chegada de visitas. Se não é o original da casa, é exatamente o sinete que se usava à época.

No primeiro andar, pode-se ver a mesa de trabalho do escritor em cima da qual, dentro de uma redoma de vidro, está a pena de metal que ele costumava usar para escrever suas obras. Há ainda fotocópias de manuscritos dostoievskianos. No segundo andar, formado por seis quartos, depois do hall de entrada, há a biblioteca e uma cozinha. Sete janelas dão para a rua Kuznetchny.  De uma delas, é possível contemplar a cúpula da igreja de Vladimir.

No quarto que teria sido do casal, vê-se igualmente dentro de uma redoma de vidro uma receita médica que lista os medicamentos que o epiléptico Dostoiévski usou para combater o mal que o atacou nos últimos dias. Detalhe: a receita médica tem a data exata do dia em que o escritor morreu. No quarto está ainda a cama, acima da qual há uma fotografia do quadro A Madona Sistina, de Raphael (1483-1520/21), pintado em 1513, símbolo da cidade de Dresden, capital da Saxônia, na Alemanha, onde Dostoiévski viveu um período de sua vida. Numa pequena mesa próxima à janela, um relógio marca o dia e a hora da morte do escritor (28 de janeiro de 1881, 8h36).

Naquele andar, dois quartos são dedicados à mulher do escritor. Entre o mobiliário, há uma escrivaninha que lhe pertencia, além da sala de jantar em que se reunia toda a família todas as noites. Em lugar de destaque, uma curiosidade: uma pequena caixa de latão em que o escritor, fumante inveterado, costumava acondicionar o tabaco.

 

                                                               IV

O Museu dispõe de uma vasta coleção de gráficos e objetos de arte e decoração, além de um fundo considerável de fotografias de São Petersburgo da época em que viveu Dostoiévski. Na sala de fotografias, pode-se ainda ver a máscara mortuária de Dostoiévski. Por ali, o visitante pode imaginar as ruas de edifícios baixos e regulares que o escritor costumava percorrer até chegar a sua casa. Mais adiante, há um chapéu de feltro negro que seria aquele com o qual Dostoiévski costumava enfrentar as noites frias de São Petersburgo.

O Museu comporta igualmente uma coleção de cartazes de teatro, programas de adaptações de obras do escritor e um fundo de manuscritos. Boa parte do material foi fornecido por uma sobrinha de Dostoiévski, filha de seu irmão mais velho Mikhail (1820-1864), contista e crítico literário. Além disso, há uma biblioteca que guarda mais de 24 mil volumes, reunindo não só edições em russo dos livros do escritor como outras publicadas em numerosas línguas, inclusive Gente Pobre, edição da Letra Selvagem.

Ao lado do apartamento, está o Teatro Dostoiévski, que constitui uma parte independente do Museu e costuma levar à cena, durante o ano, várias adaptações de obras de Dostoiévski, que, aliás, era grande amante da arte cênica, tendo sido amigo de diretores, atores e atrizes. Nicolai Gogol, Henrik Ibsen (1828-1906) e outros contemporâneos de Dostoiévski também já tiveram suas obras ali encenadas.

Antes da Revolução Russa (1917), artigos apareceram em jornais defendendo a necessidade de se abrir um museu em homenagem à memória de Dostoiévski em São Petersburgo. Mas o máximo que se fez foi a colocação de uma placa comemorativa no prédio, já em 1956. O primeiro Museu Dostoiévski surgiu em Moscou em 1928, num prédio que abrigara o Hospital Mariinsky, onde Dostoiévski nascera e passara boa parte da infância, já que seu pai, o médico Mikhail Andreevich Dostoiévski (1788-1839), ali clinicava. 

Durante os anos de regime soviético, pouco se fez em São Petersburgo, então Leningrado, porque as convicções religiosas e a ficção psicológica de Dostoiévski seriam incompatíveis com a ideologia do marxismo-leninismo. Mesmo assim, muitos escritores e estudiosos de sua obra não hesitaram em defender a criação de um museu na cidade onde ele havia passado a maior parte de sua vida.

Por recordar tudo isso e muito mais, este livro, antes de uma biografia como tantas que já foram escritas sobre o autor russo, é uma reconstituição da trajetória do seu autor em busca do perfil perdido de Dostoiévski. Em outras palavras: é uma biografia reinventada, pois constitui também um exercício de ficção, como o relato de Pavel Issáiev, enteado de Dostoiévski, filho de Maria Dmitirevna, ou a imaginada viagem do escritor russo a Índia.

Sem contar que, como é um renomado médico e neurocirurgião, com mestrado e doutoramento na Escola Paulista de Medicina da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), o seu autor conhece à exaustão o que provoca um ataque de epilepsia, a sensação de conviver com a morte iminente, como deixou claro em seu recente livro Experiências de Quase Morte (EQMs): Ciência, Mente e Cérebro (Summus Editorial, 2021).

Por tudo isso, o que o leitor vai encontrar aqui não é mais uma biografia de Dostoiévski, mas, como o título da obra já anuncia, é o Dostoiévski, que a partir de muitos fatos verídicos, saiu da imaginação de Edson Amâncio. Seja como for, o mais importante aqui é o conhecimento que se ganha do ser humano, ou seja, de seus sentimentos, suas expectativas de vida, suas alegrias e suas tristezas. Adelto Gonçalves - Brasil

(*) Prefácio do livro Meu Dostoiévski: Os Minutos Finais, de Edson Amâncio.

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Meu Dostoiévski: Os Minutos Finais, de Edson Amâncio, com prefácio de Adelto Gonçalves e texto de apresentação de Aurora Bernardini. Taubaté-SP, Editora Letra Selvagem, 256 páginas, R$ 80,00, 2023. Sites: www.letraselvagem.com.br  www.livrariaselvagemcom.br  

E-mail: editoraelivrarialetraselvagem@gmail.com

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Adelto Gonçalves, jornalista, é mestre em Língua Espanhola e Literaturas Espanhola e Hispano-americana e doutor em Letras na área de Literatura Portuguesa pela Universidade de São Paulo (USP) e autor de Gonzaga, um Poeta do Iluminismo (Rio de Janeiro, Nova Fronteira, 1999), Barcelona Brasileira (Lisboa, Nova Arrancada, 1999; São Paulo, Publisher Brasil, 2002), Fernando Pessoa: a Voz de Deus (Santos, Editora da Unisanta, 1997); Bocage – o Perfil Perdido (Lisboa, Editorial Caminho, 2003; São Paulo, Imprensa Oficial do Estado de São Paulo – Imesp, 2021), Tomás Antônio Gonzaga (Imesp/Academia Brasileira de Letras, 2012),  Direito e Justiça em Terras d´El-Rei na São Paulo Colonial (Imesp, 2015), Os Vira-latas da Madrugada (Rio de Janeiro, José Olympio Editora, 1981; Taubaté-SP, Letra Selvagem, 2015) e O Reino a Colônia e o Poder: o governo Lorena na capitania de São Paulo – 1788-1797 (Imesp, 2019), entre outros.



sábado, 30 de setembro de 2023

Portugal - Museu do Terramoto de Lisboa vence prémio internacional e é a “Nova Atração Líder da Europa”

O Quake – Museu do Terramoto de Lisboa esteve entre os vencedores dos World Travel Awards do presente ano. A mostra ganhou o prémio de “Nova Atração Turística Líder da Europa de 2023”


“Vencer um prémio dos World Travel Awards é extremamente gratificante e motiva-nos a reforçar a importância desta missão de consciencialização sísmica da população. Prometemos entreter, ensinar e ajudar a proteger”, afirma Ricardo Clemente, um dos fundadores do Quake ao saber do galardão arrecadado, o de “Nova Atração Turística Líder da Europa de 2023”.

Considerados os “Óscares do Turismo”, os World Travel Awards premeiam atrações e destinos turísticos em diversas categorias e reconhecem o trabalho desenvolvido na indústria a nível global, de modo a estimular a competitividade e a qualidade da oferta.

O Quake – Museu do Terramoto de Lisboa oferece uma experiência imersiva que convida os seus visitantes a embarcarem numa viagem no tempo, até 1755, e a reviverem o evento mais dramático e transformador da cidade – o Grande Terramoto de Lisboa. O museu utiliza simuladores, video-mapping e tecnologia 4D interativa, para recriar da forma mais realista possível o ambiente do dia 1 de novembro, o próprio terramoto e a cidade depois do desastre. Os visitantes têm a oportunidade de passear pelas ruas da capital tal como eram no século XVIII e de se sentirem dentro de uma Lisboa diferente da atual.

Além de ser um programa lúdico para toda a família, a visita ao Quake é um momento educacional importante, que mostra a dimensão da catástrofe, ensina o que fazer para se preparar e como se deve proteger enquanto cidadão, para outro eventual terramoto com a mesma magnitude.

Desde a sua abertura, em abril de 2022, o Quake já recebeu mais de 150 mil visitantes portugueses e de outras nacionalidades. O museu já foi reconhecido com outros prémios como os THEA Awards (categoria Outstanding Achievement - Historical Experience) ou os Remarkable Venue Awards (categoria Most Innovative Venue). In “Sapo Lifestyle” - Portugal

segunda-feira, 10 de abril de 2023

Portugal - Garrafa com cinco séculos guarda o início da história do país com Macau

Uma garrafa de porcelana com cinco séculos e a última bandeira hasteada na transferência da administração de Macau são alguns dos objetos que contam a relação entre Portugal e a região no Centro Científico e Cultural de Macau, em Lisboa.


Estas são apenas duas das cerca de 4 mil peças patentes no espaço museológico do Centro Científico e Cultural de Macau (CCCM) e que pretendem “dar uma ideia de 5000 anos de história e arte chinesa, que vai desde o período neolítico até ao início do século XX”, como explicou o diretor do museu, Rui Dantas.

Neste espaço, os visitantes podem perceber “como Macau foi criado e as relações que se estabeleceram entre a Europa e a Ásia, a partir de Macau”.

O acervo conta com exemplares das primeiras cerâmicas neolíticas, até terracotas funerárias, bronzes, cerâmica song, objetos para o fumo do ópio, pinturas, pratas e leques, entre outros.

Um dos objetos em destaque é uma garrafa decorada que foi encomendada, em 1522, por Jorge Álvares, um mercador abastado de Freixo Espada à Cinta que teve como sócio Fernão Mendes Pinto e foi um dos pioneiros portugueses no negócio da porcelana.

A obra assinala o início do comércio da porcelana, sendo uma das primeiras peças de encomenda no arranque de um vasto percurso de trocas comerciais, explicou o diretor do Museu de Macau.

Outra peça em destaque é um Buda assinado pelo artista cerâmico Pun Yu Shu, discípulo do célebre mestre da cerâmica de Shek Wan, e que foi encomendada pelo colecionador Silva Mendes, o primeiro europeu a colecionar pelas de qualidade com as características da cerâmica de Shek Wan.

O espaço conta com um apontamento sobre a transferência (da administração do território de Portugal para a China), tendo exposta a última bandeira a ser arreada nas cerimônias oficiais da transferência da administração de Macau, em 1999.

Foi precisamente esse o ano em que o CCCM foi criado, com o objetivo de “promover o conhecimento das relações entre a Europa e a Ásia”, propósitos que se mantêm, com uma forte componente na formação, segundo a presidente do Centro, Cármen Mendes.

Nesta área, destacou o curso de Cultura e Língua Chinesa, recordando que o Centro foi “a primeira instituição a lecionar este curso em Portugal”.

Segundo Cármen Mendes, este é um centro “vivo”, com a passagem de muitos investigadores, doutorandos, bolseiros e pessoas interessadas nas relações entre Portugal e a Ásia, e outras que simplesmente não resistem a ofertas de formação como, por exemplo, sobre o patuá (crioulo de Macau) ou o guzheng (instrumento de música tradicional chinesa), administradas neste espaço.

“Temos cada vez mais visitantes, não só na nossa biblioteca – que é a melhor biblioteca com obras sobre a Ásia em Portugal, que reúne investigadores e outros interessados na Ásia -, o nosso museu e os cursos de formação que vamos lecionando para especialistas, acadêmicos e também a sociedade civil e o público em geral”, indicou à Lusa.

Ao nível da investigação, sublinhou, “o centro tem tido um papel pioneiro na ligação de todos os académicos que trabalham sobre a Ásia em Portugal, alguns portugueses no estrangeiro e alguns estrangeiros com fortes ligações à academia portuguesa”.

Destacou ainda as Conferências da Primavera, que reúne cerca de 180 oradores e a atribuição de bolsas de doutoramento anuais, financiadas pela Fundação para a Ciência e Tecnologia (FCT), que tutela o Centro, a estudantes de doutoramento que fazem investigação sobre a Ásia.

O CCCM conta com 25 bolseiros de doutoramento, voluntários que neste espaço conseguem uma grande proximidade com a Ásia.

“Temos aqui pessoas das mais diversas áreas disciplinares – da arte, religião, língua, cultura, também história e economia, mas há algo que as une: A paixão pela Ásia”, afirmou

Cármen Mendes mostra-se entusiasmada com a criação de uma incubadora científica e acadêmica, que “vai permitir investigadores, empresários e até artistas terem esta ligação a Macau, através da Universidade de São José, a Universidade Católica de Macau”.

Em relação à biblioteca, a chefe da divisão de Informação e Documentação do CCCM, Helena Dias Coelho, apresenta-a como primeiramente “vocacionada para o estudo das relações entre Portugal e Macau” e, mais tarde, alargado a toda a Ásia.

“Somos sobretudo procurados por estudantes de estudos asiáticos, investigadores, muito por jovens estudantes de ensino superior, doutorandos e a nossa documentação responde a este tipo de procura”, disse à Lusa.

Nessa biblioteca, as obras mais procuradas são as gerais da história da Ásia, mas também os espólios, nomeadamente do monsenhor Manuel Teixeira, um historiador que viveu em Macau, onde publicou mais de uma centena de livros e centenas de artigos na imprensa.

Foi o próprio que doou o seu espólio ao CCCM, estando o mesmo devidamente tratado e consultável, repartido entre livros, fotografias, textos e pequenas notas.

Nos arquivos desta biblioteca está ainda uma coleção de microfilmes constituída por cerca de 7000 microfilmes, com mais de 50000 documentos essenciais para o estudo de Macau e das suas instituições, entre o início do século XVII e meados do século XX. In “Mundo Lusíada” – Brasil com “Lusa”


segunda-feira, 13 de fevereiro de 2023

Macau - Novo espaço cultural mostra antiga fábrica e raro património industrial da Região

O polo cultural que está a ser desenvolvido nas antigas ruínas da fábrica Iec Long, na Taipa, resgata um “vestígio muito completo” da história da produção de panchões em Macau e um raro exemplar do património industrial local


Os portões trancados da antiga fábrica de panchões Iec Long são há muito imagem presente para quem percorre a rua Fernão Mendes Pinto, na vila da Taipa, e sinalizam um episódio da história de Macau muitas vezes esquecido.

Elemento típico da cultura chinesa, o panchão, cartucho de pólvora revestido a papel vermelho e queimado em ocasiões festivas, como no ano novo lunar, alimentou, entre os séculos XIX e XX, uma das indústrias mais robustas de Macau. E a Iec Long, desativada em 1984 e tomada pelo tempo e pelo arvoredo, conserva até hoje a memória mais completa da produção de panchões no território, além de ser um dos escassos exemplares do património industrial local.

“É um vestígio muito completo, uma janela para o passado de uma fase muito importante para a subsistência da população e o desenvolvimento económico da cidade”, nota Carla Figueiredo, do departamento do património do Instituto Cultural (IC), que acompanha a Lusa numa visita ao espaço, aberto ao público em finais de dezembro após a conclusão da primeira fase de reabilitação.

Às dez de manhã de quinta-feira, o novo passadiço de teca, que percorre as antigas unidades de produção, como a câmara de fabrico de pavios ou a sala de entalhe de panchões, ao longo de um percurso de mais de 400 metros, está praticamente desocupado. Raízes aéreas de uma figueira-de-bengala avançam sobre velhas estruturas. Uma árvore de cânfora, com mais de 260 anos, é a espécie mais antiga do recinto de 25 mil metros quadrados. “Algumas das unidades de produção estão rodeadas de paredes francamente espessas, para proteger das antigas funções. São indicativos das unidades mais perigosas”, aponta a arquitecta.

O manuseamento de produtos químicos para a preparação dos panchões representava uma ameaça à segurança de quem trabalhava na manufatura e ditou, no início do século XX, a transferência de fábricas da península de Macau para a Taipa, área menos povoada, e, a partir dos anos 1970, o declínio da atividade, com a generalização das restrições ao uso destes foguetes chineses.

Com isso, o papel social do panchão e “a ligação afetiva às próprias cerimónias” também mudou, lembra Carla Figueiredo. “Fazia parte das próprias festividades para afastar maus espíritos, portanto está muito integrado na filosofia de geomancia e de energias – afastar as más energias com os sons, com os ‘flashes’ dos panchões a rebentar e a poeira que ficava. Tudo isto são rituais simbólicos. Eram talvez mais mitológicos no início e hoje em dia são talvez mais celebratórios”, reforça.

Também o ‘feng shui’, prática que procura o equilíbrio entre o indivíduo e o espaço, “muito importante para qualquer planeamento urbano ou arquitectónico de edifícios chineses”, determinou a localização da unidade fabril, com a colina na parte traseira e o rio “que simboliza dinheiro e prosperidade” a correr pela frente.

A Iec Long, estabelecida em 1925 por Tang Bick Tong, empresário de Nanhai, cidade da província chinesa de Guangdong, foi a fábrica de panchões que mais tempo esteve em funcionamento no território, chegando a empregar entre 400 a 500 funcionários, incluindo crianças, que montavam diariamente dois mil discos de panchões.

Porém, este ramo de atividade, exclusivo da comunidade chinesa, estreou-se em Macau quase 60 anos antes, chegando a ser um dos principais empregadores do território. O produto, exportado para as várias comunidades chinesas além-fronteiras, projetou a “imagem de Macau e da China para o mundo”. “Haver uma linha de montagem para produzir algo que era tão crucial para a exportação local é de facto pioneiro em Macau e esta linha de montagem está perfeitamente reflectida nas estruturas que ainda existem”, diz a arquitecta. E lembra ainda outra função: “A própria fábrica de panchões tinha uma pequena quinta, com gado, com ovelhas, com galinhas e era quase autossuficiente. Na altura da guerra de resistência contra os japoneses [1937-1945], a quinta da Iec Long foi importante para dar alimentos aos trabalhadores e até para venda nos mercados”.

Esse ambiente bucólico, que a intervenção do IC optou por preservar, é um “apelo à calma” e uma oportunidade para “fugir ao ritmo acelerado da vida”, num projeto que tem como propósito “diversificar o turismo cultural e descongestionar o centro histórico de Macau, com espaços alternativos de interesse cultural”.

Para já, além do passadiço e do mobiliário urbano, o novo espaço integra ainda uma loja de lembranças e a exposição interativa ‘Eco de panchões’, que evoca a história na génese desta estrutura quase centenária, estando já prevista a organização de programas culturais, como oficinas sobre chá ou pintura ou a atuação de músicos no local. Entre os planos para uma próxima fase, projetam-se intervenções nas antigas unidades de produção, mantendo sempre “a memória da função do espaço”. “Não está com aqueles cuidados clínicos, que seria tudo demasiado limpo e que tiraria a característica do sitio”, refere Carla Figueiredo, que realça a opção da equipa de arquitectos em “mostrar a verdade dos materiais”. “Não estamos a fazer nada que não seja irreversível, portanto há aqui um princípio básico no nosso restauro que é o princípio de reversibilidade: é sempre possível tirar o passadiço e podermos pensar noutros usos”. In “Ponto Final” - Macau

terça-feira, 27 de dezembro de 2022

Brasil - Pedra em que Dom Pedro II teria escorregado é preservada no Santuário do Caraça


O Santuário do Caraça (Estrada do Caraça, Km 9 – entre os municípios de Catas Altas e Santa Bárbara) guarda consigo histórias marcantes que vão muito além da sua fundação pelo Irmão Lourenço e dos seminaristas que passaram por ali. Uma curiosidade histórica é que Dom Pedro II esteve no local no ano de 1881, acompanhado por sua esposa, a imperatriz Teresa Cristina, para conhecer as belezas do local, que foram registradas em seu diário. E foi nesta ocasião que a famosa frase do imperador: “Só o Caraça paga toda a viagem a Minas” ficou marcada para sempre. Além do relato do monarca, outra situação chama a atenção: um suposto escorregão que teria feito o imperador cair de costas, originando a Pedra do Tombo de Dom Pedro II, que se tornou uma atração à parte no destino turístico.

De acordo com a Gerente de Hospedagem do Santuário do Caraça, Lucélia Valadares, mesmo tendo sido um acidente desconfortante para Dom Pedro II, a situação mostrou que o imperador tinha bom humor, já que, de acordo com a história oral, ele quase se machucou, mas mesmo assim, continuou sua saga no Caraça. “O tombo que ele teria sofrido na ladeira das Sampaias, no ano de 1881, acabou se tornando algo marcante, já que, por causa deste fato, a pedra foi datada e demarcada para que o a situação inusitada não fosse esquecida, se tornando mais uma atração no Santuário do Caraça. Mesmo tendo sido uma queda constrangedora, pelos relatos da época, o imperador manteve o humor e continuou sua caminhada e prova do seu encantamento, foi que ele ficou impressionado com a beleza do Caraça, dizendo para a comitiva que o acompanhava: Só o Caraça paga toda a Viagem a Minas”, explica.

O encantamento de Dom Pedro II foi tão grande, que ele acabou registrando tudo em seu diário. Para os turistas que visitam o Caraça, um prato cheio de muito conhecimento, já que no local, além da pedra onde o imperador escorregou, os objetos do quarto que foi preparado para ele e para sua esposa se hospedarem, estão no museu. “Ele se encantou com o que viu no Caraça e por isso, fez questão de detalhar tudo em seu diário, desde a serra, as cascatas e outras belezas. Com isso, ficou claro que a visita agradou o imperador, tanto que ele ordenou que fosse encomendado da França um belíssimo vitral e o presenteou à Igreja de Nossa Senhora Mãe dos Homens, cuja construção estava terminando. Para o turista sentir o clima histórico, móveis e objetos, como as camas em que ele e dona Teresa Cristina dormiram, ou o penico imperial, estão no museu. Vale a pena conhecer, pois faz parte da nossa história”, conclui Lucélia Valadares.

Gastronomia

A gastronomia do Caraça é um ponto que merece atenção especial dos visitantes. Além da experiência de comer no refeitório histórico, com toda a simplicidade e variedade de sabores da comida mineira, há uma adega no local onde dá para ver o processo de produção dos vinhos de uva e jabuticaba do hidromel. Há também a padaria, que fabrica pães, bolos e biscoitos, e a doçaria, para doces, geleias e compotas. O queijo minas artesanal, cujo processo de fabricação existiu há mais de 200 anos e foi resgatado, é uma das delícias mais procuradas no Santuário e é matéria prima de vários pratos da região em concursos e festivais gastronômicos.

Fonte de conhecimento

O complexo é tombado como Patrimônio Histórico e Artístico Nacional e Estadual. Foi escolhido como uma das Sete Maravilhas da Estrada Real. Conta com um amplo Conjunto Arquitetônico onde estão a primeira igreja de estilo neogótico do Brasil, o prédio do antigo Colégio (hoje Museu e Biblioteca), o hotel com 57 apartamentos e quartos, com capacidade para até 230 pessoas, e a Fazenda do Engenho, com 26 apartamentos. O Complexo do Caraça possui enorme diversidade de fauna e flora, com raridades de animais e plantas no meio ambiente. Na ampla diversidade de sua fauna, há 386 espécies de aves, 42 espécies de répteis, 12 espécies de peixes e 76 espécies de mamíferos.

A Reserva Particular do Patrimônio Natural do Santuário do Caraça faz parte de duas importantes reservas ecológicas, as Reservas da Biosfera da Serra do Espinhaço Sul e a da Mata Atlântica, onde há diversas espécies de flora e fauna, algumas encontradas somente no Complexo do Santuário do Caraça, que fica na transição entre Mata Atlântica e Cerrado, onde também há campos rupestres. Em suas serras há nascentes, ribeirões e lagos que possuem águas de coloração escura, que carreiam material orgânico em suspensão.

Seu solo é rico em minérios, explorados nos séculos anteriores, e com grande concentração de quartzito ou rocha metamórfica. Desde 2011, passou a ser preservado contra exploração comercial. O clima tem baixas temperaturas e elevada umidade do ar, comuns em ambientes de mata. O território do Complexo do Caraça integra a Área de Proteção Ambiental ao Sul da Região Metropolitana de BH, onde começam duas grandes bacias hidrográficas, a do rio São Francisco e a do rio Doce, que abastecem aproximadamente 70% da população de Belo Horizonte e 50% da população de sua região metropolitana.


Biblioteca

A Biblioteca hoje está instalada no prédio onde funcionava o célebre Colégio, que hoje abriga também o Museu, o Arquivo e um Centro de Convenções

Museu

O museu, montado a partir de mobiliário e artefatos diversos de uso diário, pertencentes ao próprio Caraça e com algumas peças remanescentes de séculos passados, constitui um interessante lugar de visitação, diariamente procurado pelos hóspedes e visitantes, através de percursos guiados pelos monitores ou por conta própria.

Igreja Neogótica

O Santuário do Caraça é a primeira igreja neogótica do Brasil, construída sem mão-de-obra escrava e toda com material regional: pedra-sabão (retirada de perto da Cascatona), mármore (das proximidades de Mariana e Itabirito, Gandarela) e quartzito (da região do Caraça e vizinhanças), unidas com produtos de base de cal, pó de pedra e óleo.

Serviço

Santuário do Caraça

Local: Estrada do Caraça, Km 9 – Entre os municípios de Catas Altas e Santa

Bárbara – CEP 35960-000

Fácil acesso pelas rodovias BR 381 e MG 436, além do da possibilidade de ir por trem (Estação Dois Irmãos – Barão de Cocais)

Taxa entrada:

R$ 20 (em dias de semana)

Finais de semana, feriados e datas comemorativas:

R$30 (por pessoa)

Idosos: 50% de desconto

Moradores de Barão de Cocais, Catas Altas e Santa Bárbara

R$10 por pessoa (qualquer dia)

Entrada gratuita na 1ª quarta-feira de cada mês (mediante agendamento)

Sítio com opções de hospedagens: www.santuariodocaraca.com.br




 

sábado, 10 de setembro de 2022

Cabo Verde – Arrancaram em Cidade Velha obras para transformar Ruínas da Igreja de Nossa Senhora da Conceição num Museu/Praça

A Cidade Velha, Património Mundial da Humanidade, vai contar, daqui a três meses, com um novo museu, anunciou o Ministério da Cultura e das Indústrias Criativas


Conforme avançou a tutela na sua página oficial do Facebook, o projeto de musealização, que irá transformar as Ruínas da Igreja de Nossa Senhora da Conceição num Museu/Praça, arrancou no final do mês de agosto.

O projecto conta já com um financiamento de 15 mil euros garantido a 100% (50% através do Fundo do Turismo e 50% através da Cooperação Portuguesa), segundo a mesma fonte.

Abraão Vicente visita a obra

Inclusive, Abraão Vicente, realizou por esses dias, uma visita às obras, perto do Convento de São Francisco.

“A ideia é torná-lo um museu/praça onde com quatro placares a explicar a importância desta igreja para a construção posterior da cidade de Ribeira Grande. Teremos, também, vários serviços de apoio e todos os elementos para que tanto os ribeira-grandenses, outros visitantes e os turistas percebam a sua importância”, explicou o governante.

Processo de (re)construção

O processo de musealização vai contar com a construção das partes dos muros em falta e dos degraus à semelhança dos existentes.

Calcetamento de todo o piso ao redor da ruína; fornecimento e assentamento do corrimão em pilaretes de madeira, dos bancos, das lixeiras, das escadas em madeira mognos e estrutura metálica e da jorra; execução, ligação e montagem de toda a instalação e rede elétrica incluindo os candeeiros, das sinalécticas e dos painéis informativos, estão também incluídos.

Nova abordagem local

O MCIC acredita que a musealização das ruínas da capela dará uma nova abordagem na gestão da Cidade Velha Património Mundial, seguindo as recomendações da UNESCO, segundo a qual, é desejável um melhor equilíbrio entre a conservação do património histórico e o desenvolvimento urbano.

Isto, além da valorização do espaço natural e ambiental, com vista a contribuir para melhorar a qualidade de vida e sentido de “pertença” dos residentes e visitantes.

Conservação dos vestígios

Igualmente, o projeto irá permitir a conservação dos vestígios localmente, permitindo assim uma compreensão fidedigna da história e do sítio arqueológico na sua íntegra, bem como inovar as infra-estruturas culturais do sítio histórico, gerar empregos através de espaços de qualidade como um produto turístico de excelência. Romice Monteiro – Cabo Verde in “A Nação”



terça-feira, 12 de julho de 2022

China - Chongqing dá um importante salto na preservação de relíquias culturais


Um Museu de preservação de relíquias culturais no sudoeste da China despertou grande curiosidade entre as pessoas sobre os esforços de restauração altamente sofisticados com o uso de tecnologias de realidade virtual (VR).

Os visitantes encheram a denominada “Base de Preservação de Ciência e Tecnologia das Relíquias Culturais de Três Gargantas”, localizada num Museu no município de Chongqing, depois da Base de preservação ter introduzido as tecnologias no seu salão de exposições. Eles podem apreciar uma experiência imersiva com realidade virtual, realidade aumentada e outras tecnologias emergentes, disponíveis no salão de exposições

Por exemplo, os visitantes que usam óculos de realidade virtual podem experimentar o processo mágico da restauração de “Guqin”, um instrumento musical chinês de sete cordas na primeira perspectiva de técnicos de reparação de relíquias culturais.

Podem primeiramente diagnosticar o Guqin danificado e identificar as causas dos danos. Com a ajuda de comandos de texto e voz em termos virtuais, os visitantes podem alternar entre diferentes ferramentas para concluir as etapas de limpeza, reforço, polimento, pintura e ajuste de cordas. Finalmente, acabam por consertar o Guqin danificado.

O Museu também abriu as suas salas de restauro ao público. Através de uma janela de vidro, as pessoas podem ver de perto como os especialistas de casacos brancos estão a utilizar uma variedade de ferramentas para restaurar as relíquias culturais, fazendo com que voltem a brilhar obras de caligrafia danificadas, pinturas e utensílios de bronze.

“Tal abordagem das obras de restauração ganhará mais atenção do público. Também planeamos realizar actividades de pesquisa direccionadas sobre conservação cultural para jovens”, disse Li Min, funcionário da Base.

Para Liu Liya, uma visitante de 40 anos do distrito de Nan’an, em Chongqing, esta foi a primeira vez que viu obras de restauração de relíquias culturais tão de perto. “Fiquei impressionada com as excelentes técnicas de restauração”, disse Liu, acrescentando que nunca havia visto tais esforços de restauração antes.

O município realizou uma iniciativa de conservação de relíquias culturais na área do Reservatório de Três Gargantas de 1997 a 2010, descobrindo 130000 conjuntos de relíquias culturais.

“A Base atenderá às necessidades da posterior conservação e restauração de relíquias culturais desenterradas na área e melhorará as condições de infraestrutura para restauração em Chongqing”, disse Liu.

No futuro, esta Base de preservação planeará mais exposições para divulgar informações relevantes sobre a proteção de relíquias culturais e destacar a sua importância e necessidade, acrescentou. In “Jornal Tribuna de Macau” – Macau com “Agências Internacionais”


 

quarta-feira, 25 de maio de 2022

Cabo Verde - Degrada-se casa de Amílcar Cabral à espera de se transformar em museu


Amílcar Cabral viveu parte da infância numa casa em Santa Catarina, na ilha cabo-verdiana de Santiago, mas os donos estão a exagerar no preço da moradia, que está a degradar-se, adiando um Museu e um Centro de Investigação.

“O processo é um pouco difícil”. É assim que o vereador da Cultura da Câmara Municipal de Santa Catarina de Santiago, Péricles Brito, começou por classificar à Lusa a situação da casa em Achada Falcão onde Amílcar Cabral viveu entre 1932 e 1933/34 um ano da sua infância, à distância de cerca de 50 metros da estrada principal que dá acesso ao Tarrafal, na mesma ilha.

O vereador disse que a autarquia tem um projecto para transformar o local num Museu da Resistência do pai das nacionalidades cabo-verdiana e guineense, com parceria inclusive de instituições portuguesas, mas o que está a emperrar o processo é a inflexibilidade dos herdeiros, que estão a pedir valores elevados pelo imóvel.

“O que está a atrasar mais é a compra do edifício”, explicou o autarca, pedindo aos donos para se entenderem entre si e facilitar um acordo para a venda da residência, construída ainda em tempo colonial, mas que os pais venderam.

Péricles Brito disse que a autarquia vai consciencializar os herdeiros para importância de requalificar o edifício, que retrata a memória de Cabral, e que poderá levar muitos benefícios para o concelho, como o aumento de visitantes e turistas.

“A família tem de despertar essa consciência patriota para levar esse projecto para a frente”, insistiu, dando conta que a Câmara já tentou construir uma nova casa para acolher a família, para depois colocar a actual na rota do turismo histórico e cultural do município.

A casa é a única no meio de um enorme campo agrícola em Achada Falcão, tendo à volta algumas árvores, que emprestam um pouco de cor verde à paisagem, que é predominantemente de cor castanha da terra seca e do milheiral, também seco, e boa parte caído no chão.

Depois da estrada asfaltada, para lá chegar – a pé ou de carro – percorre-se um trilho de terra batida e à medida que se vai aproximando o cenário fica mais desolador, com a casa numa degradação que avança a cada dia, com portas e janelas de madeira velhas e partidas, paredes com fissuras e telhado com buracos.

Na parte frontal, não há sinal de moradores, e há uns ramos de árvores de espinhos nas escadas de acesso ao alpendre como que para afugentar qualquer visitante mais curioso ao espaço, onde ao longo dos tempos os investimentos foram poucos, apressando o desgaste, o que segundo o vereador vai exigir agora um esforço financeiro maior das autoridades para a recuperação.

Um púlpito já sem qualquer inscrição parece uma estátua à frente do edifício, que tem afixado em cada um dos lados da porta principal uma placa, sendo a mais visível com a seguinte inscrição: “Nesta casa viveu Amílcar Cabral parte da sua infância”.

Mas há outra, mais pequena e menos nítida, que recorda que foi transformada no Núcleo Museológico Casa Amílcar Cabral, inaugurado em 20 de Janeiro de 2015 pelo então primeiro-ministro, José Maria Neves, actual Presidente da República de Cabo Verde.

Na altura, o acto contou com as presenças do então ministro da Cultura, Mário Lúcio Sousa, e do estão presidente da Câmara Municipal, Francisco Tavares, e o núcleo foi criado no âmbito do projetco Rede Nacional de Museus, mas actualmente é apenas recordação.

E para se saber que há moradores na casa é preciso contorná-la e ir pelas traseiras, por um portão lateral do alpendre, de onde se vê trabalhadores a construir moradias que, apurou a Lusa, deverão acolher os residentes e evitar que fiquem mais tempo debaixo da “casa grande”.

Além do museu, o vereador disse que a Câmara quer transformar a casa num centro de investigação dos marcos históricos do concelho, como a luta contra a escravatura, a luta dos rendeiros e as revoltas de Ribeirão Manuel, Achada Galego, Achada Falcão e Engenhos.

O presidente da Fundação Amílcar Cabral, Pedro Pires, também recordou à Lusa que a tentativa de compra da casa é um “processo antigo”, que ele mesmo discutiu com dois dos herdeiros enquanto foi primeiro-ministro de Cabo Verde (1975 a 1991), mas estes faleceram.

Em todas as tentativas de negociar, o antigo Presidente de Cabo Verde (2001 – 2011) recorda que os herdeiros pediram um “valor exorbitante” e o negócio caiu, tendo sido retomado mais tarde pela Câmara Municipal de Santa Catarina de Santiago, que enfrentou a mesma rigidez dos donos.

Sem precisar os valores sugeridos pelos herdeiros, Pedro Pires, que recentemente efectuou uma visita à presidente da Câmara, Jassira Monteiro, fez questão de sublinhar que a Fundação que leva o nome do seu patrono não tem recursos para comprar qualquer prédio.

“Nós temos recursos financeiros limitados e temos outras prioridades, que é a consolidação da fundação e do seu museu”, explicou o dirigente, esperando ter ‘fumo branco’ por altura das comemorações do centenário do nascimento de Amílcar Cabral, em Setembro de 2024.

Quando à designação do projecto que a autarquia tem para o espaço, Pedro Pires considerou que deve ser negociada, “ouvir uns e outros”, por entender que a residência não quer concorrer com o antigo campo de concentração do Tarrafal de Santiago, actual Museu da Resistência.

“Essa questão da designação é importante, mas devemos negociar, ver o que melhor interessa, ver aquilo que tem mais impacto, mais valor, e ver se será Museu Amílcar Cabral, se será museu da Resistência ou outro”, reforçou. Ricardino Pedro (Agência Lusa) – Cabo Verde in “Jornal Tribuna de Macau”



 

terça-feira, 20 de abril de 2021

Estados Unidos da América - Galeria Nacional de Arte comemora 80 anos, fechada pela pandemia


Há oito décadas, quando a Segunda Guerra Mundial assolava a Europa, o presidente Franklin D. Roosevelt fez o discurso de inauguração da “National Gallery of Art”, que chamou de um “presente para a nação” que permitiria ao público ver permanentemente em Washington as principais obras de arte. Entre os artistas cujas obras estariam expostas no museu naquela época estavam – e estão – Rafael, Rembrandt, Velazquez, Botticelli e a única peça de Leonardo da Vinci então nos EUA.

Tudo isso graças à doação do ex-secretário do Tesouro (de 1921 a 1932) Andrew Mellon, um dos americanos mais ricos, cuja fortuna englobava bancos, petroleiras e empresas de alumínio e que morreu em 1937, poucos anos antes de realizar o sonho de ver uma Galeria Nacional de Arte estabelecida no país.

“A dedicação desta Galeria a um passado vivo e a um futuro de vida maior e mais rico é a medida da seriedade de nossa intenção: que a liberdade do espírito humano continue”, disse Roosevelt na inauguração do museu, a 17 de Março de 1941.

A respeito de Mellon, o presidente comentou que combinou a vultosa doação com a modéstia de seu espírito, estipulando que a galeria não levasse o seu nome, mas sim o da nação. Um dia depois, a 18 de Março, o museu abriu as portas ao público.

Houve apenas dois períodos durante os quais as operações diárias do museu foram ajustadas. Em 1942, foi parcialmente fechado e uma parte das suas obras mais valiosas foi transferida para a Carolina do Norte para protecção durante a guerra, e em 2020 e até agora em 2021 foi fechada ao público devido à pandemia do coronavírus.

Desde a fundação, o museu tornou-se a segunda instituição do género mais visitada nos EUA, superado apenas pelo “Metropolitan Museum of Art” de Nova Iorque.

“Oitenta anos é grande, mas não é o Prado ou outras instituições europeias. Acho que o marco é sobre o serviço público”, disse o director do museu Kaywin Feldman numa conversa com a EFE.

“Acho impressionante que, quando inaugurámos em 194, em poucos meses, recebemos um milhão de visitantes e tínhamos muito poucas obras de arte. A nossa colecção inicial era de cerca de 150 objectos e todos esses anos depois, antes da pandemia, recebíamos, normalmente, em média quatro ou cinco milhões de visitantes por ano”, acrescentou. Actualmente, a colecção soma mais de 150.000 obras.

Feldman acrescentou que o grande desafio agora é para a instituição se adaptar à realidade social e cultural em mudança nos EUA. Salienta que a questão é descobrir o que significa pertencer à nação e a todos os americanos num momento em que os EUA se estão a transformar de forma significativa, com 40% da população sendo afro-americanos, latinos e asiáticos.

Feldman disse que o museu foi fundado como uma instituição europeia e apesar de ter uma colecção de arte norte-americana, o coração da instituição é a Europa e o museu orgulha-se disso. No entanto, o museu quer abraçar o espectro mais amplo possível do que os EUA são hoje.

Infelizmente, o museu não poderá comemorar totalmente o seu 80º aniversário por causa da pandemia.

Em Julho passado, reabriu as portas, mas teve de fechar novamente a 21 de Novembro por causa do novo surto de infecções por COVID-19 na área metropolitana de Washington.

Feldman enfatizou que a galeria desenvolveu notavelmente os seus pontos fortes na produção digital para ser capaz de trazer o museu para as casas das pessoas, mas reconheceu que não é a “mesma experiência” de estar diante de um Caravaggio ou Cézanne e contemplá-lo.

Actualmente, o jardim de esculturas do museu está aberto e a instituição espera poder reabrir totalmente nos próximos dois meses. In “Jornal Tribuna de Macau” – Macau com “Agências Internacionais”