Pintura Arq. Eduardo Moreira Santos, Lx (28.08.1904 - 23.04.1992)
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sábado, 5 de outubro de 2019

Brasil – Utiliza 30% dos rios para transporte comercial, diz CNT



Um estudo da Confederação Nacional do Transporte (CNT) mostra que o Brasil utiliza um terço dos 63 mil quilômetros navegáveis dos rios. Atualmente, o país utiliza 19 mil km, ou seja, 30,9% da malha hidroviária para o transporte comercial (de cargas e passageiros). Com isso, apenas 5% da movimentação de cargas é feita pelos rios.

De acordo com a entidade, o Brasil dispõe de 2,3 km de vias interiores economicamente utilizáveis para cada 1 mil km² de área, enquanto países como China e Estados Unidos, possuem, respectivamente, 11,5 km e 4,2 km por 1 mil km² de área. Caso o país aproveitasse todo o potencial desse modelo de transporte, a densidade aumentaria para 7,4 km por 1 mil km² de área

Ainda de acordo com a CNT, outro motivo é a ausência de hidrovias no país, sendo o transporte feito devido a características naturais dos rios que facilita a navegabilidade. O único sistema que se aproxima de uma hidrovia, de acordo com o estudo, é o sistema Tietê-Paraná.

No Brasil, as maiores extensões navegáveis estão localizadas nas regiões hidrográficas Amazônica (cerca de 16 mil km) e Tocantins/Araguaia (aproximadamente 1,4 mil km). Embora seja bastante utilizadas, elas estão longe de atingir seu potencial de transporte.

“Em relação ao transporte de passageiros, em 2017 (última informação disponível) foi estimado um total de 9,8 milhões de passageiros transportados na Amazônia (nos estados do Amapá, Amazonas, Pará e Rondônia). Em algumas localidades, os rios são o principal meio de transporte, sendo cruciais para o deslocamento e o abastecimento das comunidades ribeirinhas”, diz o estudo.

Investimentos

A entidade aponta como causas do baixo uso da matriz fluvial entraves de infraestrutura, a burocracia, a pouca atenção dada ao segmento nas políticas públicas e também o reduzido volume de recursos investidos no setor ao longo dos anos.

Segundo o estudo, entre 2011 e 2018, os investimentos na navegação interior do país representaram, em média, 10,6% do valor estimado nos principais planos de governo para o setor no âmbito federal.

Ainda, de acordo com a CNT, além do baixo investimento, o valor efetivamente aplicado é baixo também quando comparado ao montante autorizado. Segundo o estudo, 52,9%, em média, do orçamento autorizado para a navegação interior foi executado de 2001 a 2018.

“Na análise dos recursos investidos em hidrovias, de 2001 a 2018, o valor máximo foi aplicado em 2009: R$ 831,79 milhões (em valores atualizados pelo IPCA para jun/2018). Mas, de 2009 a 2018, houve uma queda, e o investimento efetivamente pago diminuiu quase 80%. Em 2018, chegou a R$ 173,70 milhões”, diz o estudo.



Volume de cargas

A CNT diz, que apesar dos poucos recursos investidos, o volume de cargas transportadas pelo modal hidroviário cresceu 34,8% entre 2010 e 2018, passando de 75,3 milhões de toneladas para cerca de 101,5 milhões de toneladas. O levantamento diz que o volume pode ser maior, uma vez que a Agência Nacional de Transporte Aquático (Antaq) não contabiliza a movimentação da totalidade das instalações portuárias.

Segundo a CNT, o aumento na capacidade do transporte fluvial reduziria a pressão existente sobre as rodovias, responsáveis pela maior parte do transporte de carga no país. A medida também reduziria o custo do transporte, uma vez que um comboio de barcaças é capaz de transportar carga equivalente ao carregado por 172 carretas, fazendo com que a estimativa de preço do frete hidroviário seja 60% menor que o rodoviário.

“O transporte hidroviário possui grande capacidade de movimentação de carga, baixo custo da tonelada transportada e reduzidas emissões de poluentes que, entre outros, fazem dele um modal muito adequado à movimentação de grandes volumes de mercadorias de baixo valor agregado (commodities) por grandes distâncias”, diz o estudo.

De acordo com a entidade, um modelo ideal de matriz de transporte para um país com as dimensões do Brasil deve considerar um maior equilíbrio dos modos disponíveis. “Só assim seria possível aumentar a eficiência e a competitividade nas movimentações. E o transporte fluvial – em um sistema integrado – tem a capacidade de reduzir a pressão sobre as rodovias”, diz o estudo. Luciano Nascimento – Brasil in “Agência Brasil”

quarta-feira, 9 de abril de 2014

Brasil e China - Negócios e parcerias

Para estreitar as relações entre Brasil e China, incentivando o maior desenvolvimento econômico, começa a funcionar neste mês de abril, em Pequim, o primeiro Escritório Avançado da CNT (Confederação Nacional do Transporte). O objetivo maior dessa iniciativa, conforme o presidente da CNT, senador Clésio Andrade, “é atrair investimentos em infraestrutura de transporte para o Brasil”.

Inicialmente, o foco principal serão ferrovias, portos e aeroportos. Mas rodovias, hidrovias e outras áreas do transporte que precisam de uma atenção urgente são alvo da medida. Segundo Clésio Andrade, o papel da CNT é despertar o interesse dos investidores chineses, buscando novas tecnologias e oferecendo suporte em negócios e parcerias. “A Confederação está expandindo suas ações e será uma ponte entre os empresários dos dois países para criar oportunidades que estimulem a economia brasileira, com a melhoria da infraestrutura de transporte.”

O Brasil precisa de fortes investimentos em todos os modais. No rodoviário, são necessários mais de R$ 350 bilhões. As ferrovias precisam de aproximadamente R$ 200 bilhões. E, para a infraestrutura portuária, hidroviária e aeroportuária, tem de investir cerca de R$ 100 bilhões. As obras de mobilidade urbana também necessitam de um investimento de mais de R$ 200 bilhões.

O governo não tem a capacidade de investimento que o Brasil precisa. Com isso, torna-se mais fundamental a participação da iniciativa privada, e os investidores estrangeiros representam uma boa alternativa para o desenvolvimento da infraestrutura brasileira, por meio de PPPs (Parcerias Público-Privadas) ou concessões.

Conforme Clésio Andrade, “os inúmeros entraves da logística fazem com que o Brasil perca competitividade, reduzindo o estímulo ao comércio exterior, tornando os produtos mais caros, além de haver muitas vezes um comprometimento da segurança”.

Uma das primeiras ações previstas é a realização de um workshop no Brasil. Investidores chineses e empresários brasileiros serão convidados para o evento, que deve ocorrer na sede da CNT, em Brasília (DF). Posteriormente, outro workshop deve ser realizado na China. “Esse intercâmbio será importante para que os chineses conheçam as inúmeras possibilidades do Brasil. E os empresários brasileiros poderão conhecer melhor como a China desenvolveu seus sistemas de transporte, tanto de cargas como de passageiros”, diz Clésio Andrade.

A transferência de tecnologia poderá ser muito útil para o desenvolvimento dos projetos no Brasil. “A China é o país que mais investiu em infraestrutura de transporte nos últimos anos. Os portos e aeroportos estão entre os melhores do mundo. É impressionante a capacidade para o desenvolvimento de projetos sobre trilhos”, afirma o senador Clésio Andrade.

A equipe do Escritório Avançado da CNT na China está preparando um material elencando obras prioritárias em relação aos diferentes modais. Um documento será entregue ao presidente Xi Jinping, durante uma visita ao Brasil programada para ocorrer na Copa do Mundo.

A administração do Escritório Avançado na China é uma das principais atribuições da Diretoria de Assuntos Internacionais da CNT, coordenada pelo diretor Harley Andrade. Em Pequim, o executivo José Mario Antunes estará à frente do escritório. Foram contratados consultores renomados para auxiliar no trabalho e facilitar o contato com as autoridades chinesas: Clodoaldo Hugueney Filho, ex-embaixador do Brasil na China; Sérgio Amaral, presidente do Conselho Empresarial Brasil-China; e Marcos Caramuru, ex-cônsul-geral do Brasil em Xangai e ex-embaixador na Malásia. NetMarinha - Brasil