Pintura Arq. Eduardo Moreira Santos, Lx (28.08.1904 - 23.04.1992)

sábado, 27 de maio de 2023

Canadá - International Portuguese Music Awards 2023

Os International Portuguese Music Awards (IPMA) regressaram, na sua 11ª edição, com um espetáculo onde o palco foi preenchido de luz, música, elegância e celebração


Os IPMA tiveram lugar no sábado, dia 20 de maio, no Providence Performing Arts Centre, no estado de Rhode Island, nos Estados Unidos da América. Foi possível vibrarmos com as atuações de artistas como Diogo Piçarra, Ruby Anderson, Toy, Pedro Abrunhosa, Eratoxica, Plutónio, Marisa Liz e José Cid. Daniela Ruah e Ricardo Farias foram os anfitriões do evento. A Gala será transmitida em diversos meios de comunicação, em várias partes do mundo.

A “Pre-party”, foi abrilhantada por Ruby Anderson e Peter Serrado mostrando um pouquinho do que viria. No dia do evento, a passadeira vermelha do Providence Performing Arts Center encheu-se de sorrisos, abraços, brilho e glamour, onde os nomeados para os prémios, os artistas que iriam se apresentar e os convidados se mostraram felizes e confiantes.

Aproveitámos o momento e conversámos com alguns dos artistas que subiram ao palco da 11ª edição dos IPMA. Pedro Abrunhosa regressou aos IPMA e deixou o seu comentário “É um privilégio regressar a este evento e trazer e celebrar a cultura portuguesa, língua, esperança, a emoção e a festa. Hoje será uma partilha de emoções coletiva”. A banda Eratoxica que participou na primeira edição em 2013, também deixou algumas palavras: “Estamos felizes em estar aqui e celebrarmos mais um evento. Hoje, nós seremos a única banda dos Estados Unidos da América a subir ao palco para juntos cantarmos e celebrarmos os nossos 21 anos de banda “disse José ”Zach” Xavier, membro da banda. Toy, que participou pela primeira vez e trouxe a canção Coração não tem idade (vou beijar), realçou: “Portugal é um país pequeno com um coração grande. O que faremos hoje, é viver esta portugalidade e repartir emoções e juntos vamos cantar uma das minhas canções, que foi cantada no mundo inteiro”.

Plutónio, Marisa Liz, Diogo Piçarra que também vieram pela primeira vez aos IPMA, falaram do momento e destacaram a celebração e promoção da música portuguesa - “É uma honra! São 11 anos de celebração da música portuguesa de uma forma geral. É um prazer subir ao palco e celebrarmos a língua e a música portuguesa juntos”, disse Plutónio. Já Marisa Liz afirmou - “Estou muito feliz em estar aqui hoje e celebrar a música portuguesa entre colegas e amigos. Nós não só celebramos, também promovemos o que as nossas comunidades fazem”. Também Diogo Piçarra reafirmou o sentimento “sinto-me muito feliz por estar aqui e viver esta experiência e sentir Portugal, mesmo tão distante. Vamos viver as nossas cores, raízes e cultura e ajudar a manter a chama acesa”.

Ruby Anderson nomeada na edição anterior, desta vez foi convidada a subir ao palco para cantar e falou do momento - “Estou muito feliz e claro um pouquinho nervosa, mas o importante é estar aqui e celebrar os IPMA com a minha nova música (Saturday Night)”

Alguns dos concorrentes e vencedores também falaram à nossa reportagem antes e depois do evento, onde realçaram as conquistas, novas amizades, experiência e emoções vividas, sublinhando que tudo isso fará parte de suas vidas para sempre.

Um dos grandes momentos da noite foi o reconhecimento atribuído ao músico e compositor José Cid, com o Prémio IPMA Lifetime Achievement. Foi um reconhecimento de uma carreira sólida de mais de 60 anos e cheia de momentos memoráveis. José Cid falou deste momento marcante “Estou com o meu coração cheio de alegria. Eu recentemente recebi aqui nos Estados Unidos um Grammy Latino de Excelência Musical, este prémio IPMA tem um sentimento diferente e é um prémio muito importante porque tem a vantagem de ser atribuído por portugueses que me amam tanto como eu os amo”.

José Cid prometeu-nos fazer da sua atuação uma festa e quando subiu ao palco e cantou Um Grande, Grande Amor, 20 Anos, Cabana Junto à Praia e A Minha Música, o público vibrou e viajou ao som de alguns dos seus muitos sucessos.

A nossa reportagem quis saber, numa conversa com os diretores executivos dos IPMA, David Saraiva, José “Zach” Xavier e Manuel DaCosta, quais eram os sentimentos depois de mais uma Gala dos IPMA. Para David Saraiva “foi uma noite inesquecível de muita música e festa. Muitos dos cantores com quem eu cresci, ouvindo as suas músicas, estiveram hoje aqui”. José “Zach” Xavier disse-nos que, na sua opinião, “o público foi brindado com uma exibição incrível e o segredo é continuar com a qualidade que é a nossa marca”. Por fim, Manuel DaCosta acrescentou que “os IPMA são isto! Excelência e qualidade. Felizmente temos todos a mesma visão. Aproveito o momento para agradecer ao público e aos nossos patrocinadores que ajudaram a tornar tudo isso possível”.

Depois da premiação, os festejos continuaram com o 2023 IPMA “After-Party” no The Strand Ballroom e Theatre, onde tivemos mais uma vez, a oportunidade de ver Pedro Abrunhosa cantando e encantando e “partindo a loiça toda” como o próprio tinha prometido algumas horas antes.

Ouvimos e sentimos durante toda a noite, do público em geral, orgulho, alegria e satisfação e ficámos certos de que todos esperam ansiosamente pelo próximo ano.

A noite terminou com dois DJs agitando a noite.

Os Prémios Internacionais da Música Portuguesa (IPMA) reconhecem realizações de destaque na indústria da música por artistas internacionais de ascendência portuguesa.

Várias categorias de prémios homenageiam artistas excecionais pelas suas habilidades de inspirar o público em todo o mundo. Os indicados são julgados por um painel de especialistas da indústria da música. Para além da entrega dos prémios, os IPMA apresentam dois finalistas a concorrer ao vivo para a categoria “Novos Talentos” e o vencedor(a) desta categoria recebe um prémio de $2000 e a oportunidade de gravar uma música, cortesia da MDC Music em Toronto, Canadá.

Os artistas nomeados aos IPMA deste ano vieram dos seguintes continentes: África, América do Norte, Ásia e Europa. No total foram entregues 13 troféus e uma distinção, onde se inclui rock, rap, fado, pop, melhor videoclipe e novo talento.

Seguramente podemos dizer: Palco, Luz e Música. O dia 20 de maio, ficou na história dos IPMA. Francisco Pegado – Canadá in “Milénio Stadium” 




 

Portugal - Há uma escola que proibiu os telemóveis

A Escola EB 2/3 António Alves Amorim, de Santa Maria da Feira, proibiu em 2017 o uso de telemóveis em todo o recinto, levando a que os alunos socializem mais entre si e evitem situações de ‘bullying’ na internet

É por isso que a diretora desse estabelecimento de ensino, Mónica Almeida, não tem dúvidas em afirmar que restringir o uso dos referidos aparelhos ao contexto pedagógico, quando solicitado por um professor, foi “a melhor coisa” que aí se fez.

Situada na freguesia de Lourosa e frequentada por 630 alunos dessa região do distrito de Aveiro, a EB 2/3 em causa é apontada como exemplo na petição pública “Viver o recreio escolar sem ecrãs de smartphones”, que reúne mais de 3400 assinaturas apelando a que, a partir do 2.º ciclo, crianças e jovens sejam impedidos de usar telemóveis em ambiente escolar.

Os peticionários defendem que a proibição ajudará os alunos a desenvolverem as suas capacidades de socialização e comunicação oral, e também fará diminuir o ‘bullying’ ‘online’ e a difusão ilegal de imagens e vídeos com menores.

Mónica Almeida concorda. Diz que isso está demonstrado pelos últimos seis anos de experiência da escola e pela animação que se nota no recreio durante os intervalos: há grupos de alunos em altas gargalhadas, miúdas a caminhar juntas em torno de jardins bem cuidados, rapazes a jogar bola no relvado sintético e até pares românticos a beber sumo na esplanada do bar, sob as árvores.

“Implementámos esta medida há seis anos e o principal objetivo era que os nossos alunos pudessem socializar uns com os outros sem recurso ao telemóvel, porque achávamos que nestas idades, de formação do seu caráter, é muito importante a interação de uns com os outros e não por via dos ecrãs”, explica Mónica Almeida.

Embora já em 2017 fosse tida como arriscada, a medida foi aprovada sem dificuldade no conselho pedagógico, pelos docentes, e depois validada também pelo conselho geral, em que pais e encarregados de educação também se mostraram “muito a favor” da mudança.

“O mais difícil foi implementá-la nos alunos que já cá estavam há algum tempo, nomeadamente aqueles que usavam de forma sistemática o telemóvel. Mas depois, em reuniões de delegados [de turma], eles foram os primeiros a assumir que foi uma boa medida, porque passaram a conhecer os seus colegas muito melhor”, recorda a diretora.

Em termos práticos, os alunos da EB 2/3 de Lourosa podem levar o telemóvel para a escola, mas, na primeira aula, entregam os aparelhos ao professor, que os deposita numa caixa específica para cada turma, guardada num armário próprio da receção do edifício. Depois, independentemente da carga horária letiva de cada dia, só na última aula é que o professor em funções acede novamente à caixa, para devolver os telefones a seu dono.

Os estudantes mais cumpridores podem manter o telemóvel consigo, desde que esse nunca seja consultado. À primeira infração há um aviso; à segunda o aluno fica suspenso três dias – “ou mais”, como aconteceu durante uma semana com o estudante que gravou um professor e partilhou o vídeo nas redes sociais.

Urgências estão previstas: “Sempre que queiram dar um recado aos seus educandos, os pais ligam para a escola e nós fazemo-lo chegar ao aluno. Quando o educando quiser uma chamada para os encarregados de educação, pode sempre fazê-lo, sem nenhum custo”.

É por isso que Inês Santos, que tem 11 anos e frequenta o 5.º C, nem leva o telefone para a escola. Está habituada a prescindir dele desde a escola primária e não tem reclamações sobre a medida: “Assim temos mais tempo nos intervalos para conviver uns com os outros. Dou voltas à escola com as minhas amigas, a caminhar; falamos de como correram os testes, das coisas que fazemos ao fim-de-semana”.

Já com 14 anos, Frederico Ferreira acrescenta jogos de futebol, ténis de mesa e matrecos à lista de atividades com que substitui os ecrãs. Lamentando que noutras escolas haja “muita gente parada ao telemóvel a mandar mensagens em vez de falar com os colegas”, esse aluno do 9.º F aprecia a política da EB 2/3 António Alves Amorim e diz que os pais até tiveram nela um dos principais fatores que os levaram a matriculá-lo aí.

Quando explica essa proibição a amigos de outros estabelecimentos de ensino é que a situação se complica: “As pessoas acham um bocado estranho e a primeira reação é que ficam espantadas. ‘Como é possível uma pessoa nesta idade ‘viver’ sem o telemóvel?’. Porque, efetivamente, isto é uma realidade muito diferente da do resto das escolas”.

A confirmá-lo está Camila Oliveira, professora de Matemática e Ciências que, lecionando na EB 2/3 de Lourosa apenas há cinco anos, mal conseguiu conter o entusiasmo ao saber que a proibição de uso de telemóveis nesse estabelecimento de ensino ia ser tema de notícia e dar-lhe oportunidade de traçar a comparação com o local onde trabalhava antes.

“Venho de uma escola onde os miúdos, mal saíam das aulas, escorregavam pela parede abaixo com o telemóvel e ficavam ali agarrados àquilo. Não havia convívio como há aqui e por isso é que achei isto magnífico. Todas as escolas deviam seguir este exemplo”, declara.

Realçando “a coragem da direção” ao decidir que os telemóveis seriam proibidos em todo o recinto escolar e não apenas nas salas de aulas (como estipula o Estatuto do Aluno, ao proibir aparelhos informáticos “nos locais onde decorram aulas ou outras atividades formativas”), Camila Oliveira acrescenta: “Estamos na era das comunicações, mas a nossa sociedade está a ficar doente por causa da falta de comunicação física, presencial. Acho esta medida importantíssima, pela saúde dos nossos filhos – principalmente a mental”.

Maior capacidade de socialização, desenvoltura argumentativa, segurança no discurso em público e empatia são algumas das competências que as duas professoras dizem favorecidas pelo menor contacto com telemóveis. Além disso, a proibição liberta a escola de “um sem-número de problemas, nomeadamente alguns crimes que se cometem nos estabelecimentos de ensino sem que os alunos tenham sequer consciência disso”, refere.

Mónica Almeida dá apenas dois exemplos, entre os mais frequentes: a captação ilegal de imagens de alunos, na maioria dos casos em circunstâncias normais de socialização, mas, às vezes, também em situações de ‘bullying’, ‘body shaming’ e exposição sexual; e a filmagem de professores em contexto da sala de aula, num crime agravado pela difusão desses conteúdos nas redes sociais.

“Esses comportamentos são da responsabilidade dos pais e nós aqui não temos esse problema. Não usando telemóveis, não compete à escola supervisionar essas questões”, conclui. In “Bom dia Europa” - Luxemburgo


Luxemburgo - Escultura “Sodade” do artista cabo-verdiano Silvério Delgado inaugurada na Praça do Parque de Bonnevoie

A escultura “Sodade” (saudade) do artista cabo-verdiano Silvério Delgado foi inaugurada na Praça do Parque de Bonnevoie, no Luxemburgo, na presença do Presidente da República, José Maria Neves, e vários elementos da comunidade cabo-verdiana


A escultura foi oferecida pela cidade de Luxemburgo à comunidade cabo-verdiana para assinalar os 60 anos da emigração cabo-verdiana nesse país europeu, segundo a presidente da Câmara Municipal de Luxemburgo, Lydie Polfer, que elogiou os cabo-verdianos, considerando que os mesmos estão “muito bem” integrados, numa cerimónia que contou com a presença do grão-duque Henri de Luxemburgo.

Por sua vez, Silvério Delgado explicou que a estátua “é simbólica”, começando com as estrelas que representam as ilhas de Cabo Verde e o tambor que mostra uma tocatina que faz com que pessoas se sintam em festa.

“Realmente, quando vemos esta estátua, parece uma mulher crioula, mas o nome ‘sodade’ é porque quando vemos uma crioula ficamos com saudades, quando trabalhamos no campo e um cavaquinho e o pau de ‘pilon’ que representam a cultura, também traz saudades e tudo isso faz parte da nossa cultura e da nossa identidade”, disse, sublinhando que é tudo um conjunto de figuras que juntos dá essa estátua ‘sodade’.

“Estátua é simples”, mas simbólica e com “sentido profundo da nossa cultura e identidade”

Silvério Delgado considerou que a “estátua é simples”, mas simbólica e com “sentido profundo da nossa cultura e identidade”, contando que o seu desejo é que no futuro possa levar este projecto “muito mais além”, com exposição de pinturas para descrever a referida estátua, como uma forma de “enaltecer” a identidade cabo-verdiana.

O Presidente da República, por seu lado, disse sentir-se emocionado por ter cabido a ele, enquanto chefe de Estado cabo-verdiano, retribuir a visita que o grão-duque Henri fez a Cabo Verde em 2015, tendo agradecido a autarca luxemburguesa “pelo apoio” e pelo gesto de ter trazido mais este símbolo de Cabo Verde para a cidade.

“É cintilante. Esses gestos acabam por tocar-nos profundamente. Mostram que as nossas relações e a nossa amizade vão para além das palavras, porque temos actos concretos que traduzem essa ideia de aproximação. Esta estátua é mais Cabo Verde que está aqui presente, porque soube traduzir muito bem o País”, sustentou.

“Mulher cabo-verdiana é tão forte que a sua resiliência representa Cabo Verde”

Na opinião de José Maria Neves, a “mulher cabo-verdiana é tão forte” que a sua resiliência representa Cabo Verde, acrescentando que ela representa “tudo o que de melhor existe em Cabo Verde”, ou seja, representa a “bravura” de todos os cabo-verdianos e que é “esta mulher cabo-verdiana que representa o futuro de Cabo Verde”.

Na inauguração da estátua “Sodade” estavam também presentes os elementos da delegação cabo-verdiana que acompanha o Presidente nesta visita de Estado de três dias ao Luxemburgo e que hoje termina, como o ministro dos Negócios Estrangeiros, Cooperação e Integração Regional, Rui de Figueiredo Soares, o ministro das Comunidades, Jorge Santos, e o ministro da Indústria, Comércio e Energia, Alexandre Monteiro.

Depois da inauguração, o Presidente da República participou num encontro com a comunidade cabo-verdiana no Luxemburgo. In “A Nação” – Cabo Verde com “Inforpress”


Cabo Verde – A cantora Sandra Horta apresenta o vídeo-single “Majumpintor”

Cidade da Praia – A cantora Sandra Horta anunciou que já tem disponível nas plataformas digitais o primeiro vídeo-single “Majumpintor”, do projecto “Shintim Praia”, que é a segunda fase de um projecto maior denominado “Shintim Cabo Verde”.


Em declarações à Inforpress, Sandra Horta, mentora do projecto “Shintim Cabo Verde”, disse que o objectivo é apoiar na promoção turística e cultural de Cabo Verde, através de concertos filmados ao vivo em cidades ou localidades do País, intercalados com imagens em locais de interesse histórico, cultural ou turístico, com artistas convidados locais.

A cantora recordou que o projecto piloto foi “Shintim Tarrafal”, lançado em Março deste ano, no qual por questões de orçamento e logística foi feito um concerto único, mas com maior dimensão, e na Praia por ser uma cidade maior com menos desafios orçamentais será produzido videoclipes em diferentes zonas.

“Majumpintor” (mais um pintor em português) é o primeiro dos três episódios do “Shintim Praia”, gravado no bairro Achada Grande frente com a artista pintora Juseila Tavares que durante a actuação pintava, aliando assim as duas artes.

“A ideia é ir mostrando estes cantinhos da Praia e vai ter três episódios, já começámos com esta, e o desafio é conseguir passar nestes vídeos a beleza da diversidade de pessoas de culturas vibrantes que a Cidade da Praia tem”, enfatizou.

Segundo Sandra Horta, o projecto “Shintim Cabo Verde” tem tido um feedback positivo que ultrapassou as expectativas tendo surgido mais convites para estender este conceito a outras regiões do arquipélago.

“Os projectos de Shintim Cabo Verde precisam de uma preparação prévia desde as condições climatéricas no dia de ensaio logístico, portanto todo o orçamento varia de acordo com o local escolhido, então ainda não sabemos qual será a próxima cidade”, mencionou.

Entretanto, a cantora adiantou que o objectivo é chegar a todos os concelhos do País, pois para ela este projecto é como uma viagem a Cabo Verde através da música.

O projecto “Shintim Praia” conta com o apoio da Câmara Municipal da Praia, através do Edital de apoio à cultura, estando previstos lançamentos de outros vídeos nos próximos meses.

Sandra Horta iniciou o seu percurso musical ainda na infância e foi-se desenvolvendo através da participação em vários projectos e em concertos de conceituados artistas em vários países.

Nos últimos anos, lançou três singles – Seca, Talvez e Wake Up Now e em 2022 lançou o EP Primavera, com os temas Amor Amor Amor, Dispidida e Carta di Contratado. In “Inforpress” – Cabo Verde


sexta-feira, 26 de maio de 2023

Unesco - Documentos da primeira viagem de circum-navegação entram no Registo da Memória do Mundo

Documentos sobre a primeira viagem de circum-navegação, de Fernão de Magalhães, entraram para o Registo da Memória do Mundo da Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura (UNESCO), anunciou esta entidade.


A primeira viagem de circum-navegação, que aconteceu entre 1519 e 1522, consta da lista das 64 novas coleções inscritas no Registo da Memória, divulgada pela UNESCO. Com a inscrição de mais 64 coleções, o Registo da Memória do Mundo passa a ter 494 coleções registadas.

A viagem, liderada por Fernão de Magalhães e concluída por Sebastian Elcano, é “um marco na História da Humanidade por várias razões”. “A mais evidente é que os homens que concluíram esta jornada foram os primeiros a dar uma volta completa à Terra”, lê-se no comunicado da UNESCO hoje divulgado.

A UNESCO destaca que a primeira viagem de circum-navegação “teve um impacto significativo no conhecimento geral da Humanidade, visto que tornou possível perceber a vastidão da América do Sul e do Oceano Pacífico, abrindo caminho para uma nova e mais concreta noção da dimensão da Terra”.

Os documentos, cuja candidatura foi feita em conjunto por Portugal e Espanha, “mostram a preparação da viagem, a relação complementar entre portugueses e espanhóis, bem como os primeiros testemunhos dessas descobertas”.

Criado em 1992, o programa da UNESCO Memória do Mundo pretende “prevenir a perda irreparável de herança documental – documentos ou coleções de documentos de valor significativo e duradouro, em papel, audiovisual, digital ou qualquer outro suporte”.

Através deste programa, a UNESCO “visa salvaguardar este património e torná-lo mais acessível ao público em geral”.

A inscrição de coleções no Registo de Memória do Mundo tinha sido suspensa em 2017, “devido a divergências entre os estados envolvidos no processo de nomeação”.

“Um importante esforço coletivo permitiu que o procedimento fosse redesenhado e as nomeações foram ‘relançadas’ em 2021. Em 24 de maio de 2023 resultaram na decisão unânime da direção executiva da UNESCO de inscrever 64 novas coleções documentais”, lê-se no comunicado hoje divulgado.

Entre as 64 coleções agora inscritas no registo, constam também o legado da bióloga, congressista e feminista brasileira Bertha Lutz, “Feminismo, Ciência e Política”, candidatado pelo Brasil, e os arquivos e manuscritos do Templo Kong Tac Lam de Macau.

Bertha Lutz (1894-1976) foi uma das fundadoras da Federação Brasileira pelo Progresso Feminino, criada em 1922, que “lutou por direitos iguais para homens e mulheres, pelo acesso das mulheres à educação e ao mercado de trabalho, e contribuiu para a conquista do voto feminino, garantido na Constituição de 1934”.

Já a coleção relacionada com o Templo Kong Tac Lam, “datada do final da Dinastia Ming até meados do século XX”, cuja candidatura foi submetida pela Região Especial Administrativa de Macau, na China, “inclui mais 6600 volumes de arquivos e manuscritos em 2300 títulos, livros raros, Escritura Bayeux, fotos antigas e pinturas”.

A lista hoje divulgada inclui ainda, entre outros novos registos na Memória do Mundo, os posters de cinema cubano, apontamentos escritos à mão e notas do escritor russo Fiódor Dostoievski (1821-1881), a coleção de obras do compositor arménio Komitas Vardapet (1869-1935) e o arquivo do compositor checo Antonin Dvorák (1841–1904), o arquivo fotográfico do jornal El Popular, órgão oficial do Partido Comunista do Uruguai, ativo entre 1957 e 1973, e os arquivos da escritora suíça Johanna Spyri (1827-1901), sobre a personagem Heidi, mais tarde popularizada numa série de animação com o mesmo nome.

Documentação sobre a vida de pessoas feitas escravas, nas antigas colónias francesas e holandesas, em diferentes registos, os materiais e o negativo do longo documentário “Shoah”, de Claude Lanzmann, sobre o Holocausto, e testemunhos da “Heritage of Babyn Yar”, sobre a ocupação nazi de Kiev, durante a II Guerra Mundial, e o massacre de mais de 30 mil pessoas, sobretudo de origem judia, nessa ravina da capital ucraniana, foram também incluídos agora no Registo da Memória do Mundo da UNESCO.

Portugal está presente neste registo desde 2005, com a inscrição da Carta de Pero Vaz de Caminha, tendo-se seguido, mais tarde, entre outros documentos, o Tratado de Tordesilhas (numa candidatura com Espanha), manuscritos das Descobertas, o roteiro da primeira viagem de Vasco da Gama à Índia, a documentação do primeiro voo Atlântico Sul, os manuscritos de comentário ao Livro do Apocalipse do Lorvão e de Alcobaça, o Códice Calixtinus (em conjunto com Espanha), e os livros de vistos concedidos pelo cônsul português em Bordéus, Aristides de Sousa Mendes (1939-1940), que permitiram a fuga de judeus da perseguição nazi, na França ocupada pelas forças de Hitler. In “Mundo Lusíada” - Brasil

Macau e Portugal assinam protocolo de cooperação no domínio dos arquivos

Macau e Portugal comprometeram-se a divulgar a coleção das “Chapas Sínicas”, um conjunto de documentos em língua chinesa classificadas como Memória do Mundo da UNESCO, no âmbito de um protocolo no domínio dos arquivos assinado esta quinta-feira em Lisboa


As “Chapas Sínicas” são compostas por mais de 3600 documentos, incluindo mais de 1500 ofícios escritos em língua chinesa, cinco livros de cópias traduzidas para português das cartas mantidas pelo Leal Senado de Macau e quatro volumes de documentos diversos.

Encontram-se na coleção Documentos em Chinês, constituída por documentos oficiais e privados datados a partir de meados do século XVIII até meados do século XIX.

Promover e divulgar “de forma mais abrangente” esta coleção em Macau, Portugal e na China é uma das áreas de cooperação contemplada no memorando de entendimento assinado hoje entre o Ministério da Cultura português e o Instituto Cultural do Governo da Região Administrativa Especial de Macau da República Popular da China no domínio dos arquivos.

Trata-se de um documento que pretende “contribuir de forma eficaz para o reforço e o desenvolvimento da cooperação cultural e científica” entre Macau e Portugal.

Entre as várias áreas abrangidas está a “promoção recíproca de exposições sobre laços históricos, patrimoniais e culturais, numa base não lucrativa, constantes dos acervos arquivísticos detidos pelos arquivos sob a égide de cada um dos signatários”, bem como a “troca de informação, estudos e publicações em áreas afins à arquivística”.

Está igualmente contemplada, entre outras iniciativas, o aprofundamento da “investigação sobre documentação relativa a Macau posterior a 1886”.

O diretor-geral do Livro, dos Arquivos e das Biblioteca, Silvestre Lacerda, um dos signatários do memorando, assinado na Torre do Tombo, sublinhou o trabalho que juntou Macau e Portugal na candidatura das “Chapas Sínicas” à Memória do Mundo da UNESCO, que resultaria nesta classificação em 2017, como um bom exemplo da cooperação nesta área.

Por seu lado, a presidente do Instituto Cultural de Macau, Leong Wai Man, também identificou os “bons resultados” das “boas relações” entre Macau e Portugal no domínio dos arquivos.

A presidir à assinatura do memorando, a secretária de Estado da Cultura portuguesa, Isabel Cordeiro, recordou “a história de alianças e de relações de cooperação” entre Portugal, a China e Macau.

“Há uma edificação do património [físico], mas também de amizade”, indicou.

Para Isabel Cordeiro, as obras e os projetos evidenciam o “espírito de diálogo e cooperação” entre Macau e Portugal. In “Bom dia Europa” - Luxemburgo


Angola - A CPLP e a narrativa da mobilidade

A mobilidade foi uma das bandeiras que Angola herdou da presidência de Cabo Verde e assumiu também como uma das grandes prioridades da presidência rotativa da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP), que termina agora em Julho

Essa tem sido uma questão central entre Angola e Portugal, que certamente será discutida durante a visita que o primeiro-ministro português, António Costa, efectua ao País na primeira semana de Junho.

Também é uma questão que estará sobre a mesa durante a visita do PR brasileiro, Lula da Silva, em Agosto próximo. Certo é que Lisboa e Brasília chegaram hoje à mesma conclusão e afirmam que Luanda pouco ou nada tem feito para acelerar ou desburocratizar o processo de mobilidade durante a presidência rotativa da CPLP.

Essa é uma das questões centrais da relação Angola-Portugal e um ponto de estrangulamento nas relações entre os dois países. Portugal fez alterações à Lei dos Estrangeiros para acelerar o processo da mobilidade a nível da CPLP. Angola e Portugal ratificaram o acordo de mobilidade. Portugal alega que, do seu lado, a situação evoluiu e procura dar mostras disso.

Mobilidade na CPLP não é só visto de entrada, de permanência ou de residência. Não! Mobilidade é também o acesso à educação, saúde, segurança social, justiça, actividade profissional e formação profissional, porque esses são também elementos fundamentais da mobilidade entre os nossos povos.

Outra situação que tem sido abordada e que os Estados precisam de divulgar junto dos seus cidadãos por via da comunicação social e plataformas digitais é que estas autorizações emitidas pelo Governo português valem apenas para o País e para o grupo de Nações que integram a CPLP, dentro do acordo de mobilidade e não para o Espaço Schengen.

Na realidade, não houve mudanças significativas, e a mobilidade na CPLP é vista pela maior parte dos cidadãos apenas num sentido: PALOP-PORTUGAL! Na III Sessão Plenária da Comissão Mista Intergovernamental entre Angola e Portugal, realizada no início de Maio, um dos pontos da agenda foi a Implementação do Acordo de Mobilidade na CPLP, e percebeu-se de que Portugal pediu de forma subtil que Angola acelerasse o processo, que tomasse uma postura mais dinâmica e que mostrasse interesse, de facto, na implementação do acordo.

A relação entre Portugal e os PALOP é madura, especial e específica com cada um deles. A forma como Portugal se relaciona ou aborda Angola é diferente da que faz com Cabo Verde, Moçambique, Guiné ou São Tomé e Príncipe. Na questão da mobilidade na CPLP, há um lado da equação que existe mais do que o outro. Na maior parte dos PALOP, a questão da mobilidade é vista de forma unidireccional, ou seja, só se explica num sentido, o PALOP- PORTUGAL, como já avancei anteriormente.

O outro sentido é pouco abordado e valorizado, sendo um dos pontos que as autoridades portuguesas, empresários e cidadãos reclamam na relação entre Estados. Portugal sente que não há reciprocidade, empenho e iniciativa por parte de Angola, e é isso que António Costa vai procurar abordar de forma subtil, perspicaz e inteligente com João Lourenço nos próximos dias.

A questão dos vistos entre Angola e Portugal é uma situação sensível, melindrosa e que coloca em choque ambos os Estados. É uma matéria que provoca muitos ruídos e mexe com muitos interesses dos dois lados. Lisboa sabe que Luanda é casmurra, é emotiva e não gosta de ser chamada à razão, reagindo, muitas vezes, de forma intempestiva, portanto vai tendo algum tacto e paciência no tratamento do assunto.

Também percebe que Luanda mostra ter outras prioridades aqui bem perto com a pacificação dos Grandes Lagos e sabe que João Lourenço leva muito a peito o título de Campeão da Paz em África e, como já disse, o Prémio da CPLP (não coloco em causa o seu mérito) vai pressioná-lo a ter um novo olhar sobre a questão da mobilidade na CPLP e até mudar narrativas. Urge mudar narrativas em torno do assunto. Também é importante perceber que, em Angola, a realidade administrativa, recursos humanos e coordenação interministerial são um grande handicap. A dificuldade que existe em fazer articulação entre dois ou mais ministérios é evidente, há uma máquina muito obsoleta e burocrática. Há realidades que não saem do papel.

A Cidade Alta, as embaixadas e consulados, bem como as agências de promoção de investimentos têm um discurso lá para fora, mas aqui dentro a realidade é outra. Existem outras estruturas que intervêm no processo e que não estão alinhadas com o discurso que está nos papéis e que é passado para atrair investimentos do exterior.

Não há soluções prontas e acabadas. Há dúvidas, incertezas, desconfianças, perguntas que estão por fazer e respostas que estão por dar. Espero que António Costa e João Lourenço abordem o assunto da mobilidade na CPLP com os jornalistas e esclareçam os cidadãos. Que Angola e Portugal superem os equívocos das relações humanas, contrariem burocracias. E que mudem a narrativa da mobilidade.

A CPLP tem de ser a comunidade que valoriza a diversidade, respeita a individualidade, promove a inclusão, reconhece e combate as desigualdades. Na próxima edição, escreverei sobre a mobilidade Angola- Brasil. Armindo Laureano – Angola in “Novo Jornal”