Pintura Arq. Eduardo Moreira Santos, Lx (28.08.1904 - 23.04.1992)

terça-feira, 26 de abril de 2022

Portugal - Empresas chinesas enfrentam “problemas”, diz embaixador da China

O embaixador da China em Lisboa, Zhao Bentang, disse que as empresas chinesas ou portuguesas de capitais chineses estão a enfrentar “problemas” em Portugal, nomeadamente longas esperas por procedimentos burocráticos. Segundo um comunicado divulgado pela embaixada, o diplomata mencionou ainda obstáculos relacionados com tributação, “políticas estáveis” e o princípio do tratamento igual para produtos e serviços estrangeiros.


O diplomata falava durante um encontro com o novo secretário de Estado da Internacionalização, Bernardo Ivo Cruz, que terá prometido “estudar cuidadosamente as questões levantadas”.

Bernardo Cruz pediu “mais apoio” da China para as empresas portuguesas interessadas em explorar o mercado chinês e “melhores condições” para o seu crescimento. O secretário de Estado defendeu ainda mudanças para tornar o Fundo de Cooperação e Desenvolvimento China-Países de Língua Portuguesa “mais efetivo”.

Em causa está um fundo de cooperação de quase mil milhões de euros criado pelo Banco de Desenvolvimento da China e pelo Fundo de Desenvolvimento Industrial e Comercial de Macau.

Segundo o Fórum para a Cooperação Económica e Comercial entre a China e os Países de Língua Portuguesa (Fórum de Macau), o fundo, com quase dez anos de vida, apoiou um investimento total de mais de quatro mil milhões de dólares de empresas chinesas em países de língua portuguesa.

Apesar do impacto da pandemia de covid-19, o comércio bilateral entre os dois países cresceu mais de dois mil milhões de dólares em comparação com 2019, disse Zhao Bentang.

O investimento acumulado chinês em Portugal atingiu 10,6 mil milhões de euros, enquanto o investimento português na China ultrapassou 40 milhões de euros, acrescentou o embaixador. O diplomata apelou para a assinatura de acordos bilaterais para facilitar o investimento em áreas como a economia digital e o desenvolvimento ‘verde’, assim como o investimento conjunto em outros países. In “Ponto Final” - Macau

 

segunda-feira, 25 de abril de 2022

Lusofonia - Património do século XX está ameaçado, avisa presidente dos arquitetos lusófonos

O presidente do Conselho Internacional dos Arquitetos de Língua Portuguesa (CIALP), Rui Leão, alertou que o património construído no século XX nos países lusófonos “está em grande risco de vir a desaparecer em massa.

“Em Portugal menos, mas nos outros países – incluindo em Macau – o património está muito mal protegido, porque não existe enquadramento suficiente, estudo contínuo e força política também”, disse à Lusa o arquiteto radicado em Macau.

“Já tem desaparecido património muito bom” em Angola, lamentou o presidente do CIALP, e também em Moçambique e Cabo Verde há a “tentação” de demolir edifícios do século XX “porque dá jeito em termos políticos ter mais dois ou três andares”.

Rui Leão lembrou ainda o caso do Palácio Gustavo Capanema, “das peças mais essenciais do património do século XX brasileiro”, que foi colocado pelo governo numa lista de imóveis a serem leiloados.

Em fevereiro, um tribunal do Rio de Janeiro deu razão ao Ministério Público Federal e proibiu o governo de aceitar qualquer proposta de compra do palácio, “o que poderia levar a alterações indesejadas”.

O Conselho de Ministros da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP) vai discutir na primeira semana de maio uma proposta do CIALP para estabelecer uma listagem de “património notável” do século 20, revelou Rui Leão.

Há dois anos que um grupo de trabalho do CIALP tem vindo a discutir os critérios para cada país, disse o arquiteto.

Apesar da listagem não ter um caráter vinculativo, se for adotada pela CPLP, “vai-nos permitir trabalhar mais a fundo, aí já com equipa de pesquisa e universidades associadas”, acrescentou Rui Leão.

O presidente do CIALP diz ter esperança de que a Comissão do Património Cultural da CPLP, criada em 2017, possa ser um “interlocutor” na proteção do património arquitetónico lusófono.

O património do século 20 será o tema de uma das duas mesas redondas que o CIALP vai coorganizar em Luanda, entre 3 e 5 de maio, no âmbito da terceira edição da Capital da Cultura da CPLP.

A iniciativa, que irá celebrar o dia mundial da língua portuguesa, 5 de maio, vai decorrer na capital de Angola, que exerce atualmente a presidência rotativa da CPLP.

O CIALP tem como membros as ordens ou organismos profissionais de arquitetos de Angola, Brasil, Cabo Verde, Goa, Guiné-Bissau, Macau, Moçambique, Portugal, São Tomé e Príncipe e Timor-Leste.

A organização não-governamental representa “mais de 230 mil arquitetos”, o que corresponde “a 18% dos arquitetos mundiais”, disse à Lusa em julho Rui Leão.

O CIALP, fundado em 1991, é uma associação de direito privado sem fins lucrativos, com sede em Lisboa, é parceiro institucional da União Internacional dos Arquitetos (UIA) e observador consultivo da CPLP. In “Mundo Lusíada” – Brasil com “Lusa”

 

Islândia - Centro comunitário será desenhado por portugueses

O escritório de arquitetura português SaStudio venceu o concurso internacional de projeto para um centro comunitário em Hornafjörður, na Islândia. É o segundo concurso ganho pelo atelier na ilha atlântica, depois do concurso para um parque infantil


O projeto para o centro comunitário foi uma colaboração portuguesa com o estúdio islandês Hjark e a firma Landmotun. Será um edifício que subirá o nível do solo até ao topo do centro comunitário. Torna-se num espaço pedonal com um novo ponto de vista sobre a ilha, a comunidade e o mar.

O edifício terá 500 metros quadrados e contará com café, serviços de aluguer de caiaques e bicicletas, e ainda espaços que poderão servir para apoio às escolas, creches, ou um espaço de cinema. Houve ainda a proposta de recuperar um aterro que lá havia para fazer uma pequena lagoa no verão e um ringue de hóquei no inverno.

Na equipa de projeto do escritório Sastudio estão os portugueses Tiago Sá, Rodolfo Coelho, Francisco Calado e Clara Lobo. In “Bom dia Europa” - Luxemburgo



Portugal - Biblioteca de Coimbra abre as portas da sua coleção de 22 mil discos de vinil

A Biblioteca Municipal de Coimbra vai abrir as portas da sua coleção de 22 mil discos de vinil e permitir a qualquer pessoa a escuta de álbuns e ‘singles’, que vão da Canção de Coimbra ao rock progressivo.

A iniciativa chama-se “Regresso ao Vinil” e representa um novo serviço da Biblioteca Municipal de Coimbra, que passa a permitir a audição de discos do seu fundo fonográfico, que poderá ser feita às quartas-feiras, na segunda e quarta semana de cada mês mediante marcação prévia em:

biblioteca.servicodeaudiovisuais@cm-coimbra.pt ou pelo telefone 239702630.

No fundo discográfico municipal, com 22 mil discos, a maioria veio de uma doação feita pela RDP Centro em 2003, mas a chefe de Divisão de Bibliotecas e Arquivos, Lurdes Branco, destacou também a doação de um particular, Arménio Nogueira, com cerca de 700 discos de música portuguesa, alguns de Canção de Coimbra, onde se apresentam vários discos de 78 rotações.

“É muito procurada por investigadores”, notou.

Mas apesar de um acervo relevante nessa área, a coleção tem discos para todos os gostos, desde clássicos da pop e do rock, passando por bandas sonoras de filmes, jazz, música brasileira ou clássica.

Pelo meio, encontram-se raridades, como a banda portuguesa de rock progressivo Petrus Castrus, o álbum “Changri-Lá”, de Carlos Alberto Vidal, antes de o músico se assumir como Avô Cantigas, ou o disco de estreia da Banda do Casaco, de 1974, passando pelo avant-garde dos Telectu, que juntou Vítor Rua e Jorge Lima Barreto, ou as gravações nos anos 1960 de Fernando Lopes Graça e Michel Giacometti em Trás-os-Montes.

“Há muitas e variadas pérolas, quer na Biblioteca Municipal, quer no arquivo e, muitas vezes, a cidade não conhece estas preciosidades enormes”, disse à agência Lusa o vereador com a pasta das bibliotecas, Francisco Queirós.

Segundo o responsável, esta iniciativa permite “dar a conhecer aos cidadãos” algo que normalmente estaria reservado a estudiosos e especialistas da área.

“No caso do vinil, sendo um material sensível e que precisa de sensibilidade no manuseio, não é possível levar para casa. Mas qualquer pessoa pode ouvi-los cá”, explicou Lurdes Branco.

Segundo a chefe de divisão, há muito que havia esta intenção de abrir a coleção ao público, ainda para mais numa altura em que “o vinil entrou na moda”.

Cláudia Lemos, funcionária do serviço audiovisual da Biblioteca Municipal, ainda se recorda de quando veio o grosso da coleção, com a doação de mais de dez mil discos da RDP, em caixotes.

Andou um ano só para dividir em gêneros musicais, salientou.

Dos 22163 discos que têm na coleção, 15834 estão já catalogados e tratados, sendo possível qualquer pessoa pesquisar o catálogo no ‘site’ da Biblioteca Municipal, podendo depois ouvir o discos na própria Biblioteca.

“Espero que seja um sucesso”, comentou Cláudia Lemos, dizendo acreditar que os discos não serão apenas escutados por um público mais velho, mas também pelos jovens que por ali passam para estudar e que dão uma atenção ao vinil que se perdeu com a chegada dos CD.

“O vinil está de volta. E eu percebo isso até lá em casa. Tenho uma filha de 14 anos e que quando passa na Fnac pede para comprar vinil”, salientou a funcionária, admitindo que não esperava este ressurgimento do vinil, ainda para mais numa geração que cresce a ouvir música através da internet.

Lurdes Branco assumiu “uma emoção” por abrir as portas do fundo, à espera que ouvidos, novos e velhos, deem uma nova atenção às preciosidades que aquele fundo preserva.

“As bibliotecas existem para a divulgação da cultura. É essa abertura que estamos a tentar imprimir o mais possível”, afirmou Francisco Queirós, salientando que essa intenção não passa apenas pela abertura da coleção de vinis, mas também por outras medidas, como a digitalização de documentos do arquivo ou abrir a biblioteca ao Jardim da Sereia.

“Queremos que, especialmente na primavera e no verão, os cidadãos possam usufruir da biblioteca no Jardim. Queremos levar a biblioteca aos cidadãos. Nada importa, nada interessa em ter as coisas fechadas apenas para especialistas”, vincou o vereador. In “Mundo Lusíada” – Brasil com “Lusa”

 

Brasil - Portos inteligentes: um novo mundo

São Paulo – O transporte marítimo é utilizado desde a Antiguidade, pois se sabe que egípcios, gregos e fenícios foram os primeiros povos a construir embarcações comerciais e outras para as guerras de conquista. Os egípcios, por exemplo, há cerca de 2.500 anos, começaram a fazer barcos em cana de papiro para, depois, construírem embarcações de madeira, desafiando as distâncias pelas águas do rio Nilo. Depois, surgiram os barcos a vela e a vapor. Desde então, o transporte marítimo só evoluiu, especialmente depois da Primeira Guerra Mundial (1914-1918), quando ocorreram muitas inovações tecnológicas, a ponto de hoje constituir o modal mais importante da sociedade moderna, sendo responsável por carregar mais de 80% de todas as cargas que circulam no planeta.

Para se adequar a essas necessidades, os portos precisaram passar também por revoluções tecnológicas, ampliando suas infraestruturas com amplos centros de armazenagem e modernos equipamentos. Hoje, Roterdã, na Holanda, é o porto que apresenta maior fluxo de mercadorias no mundo, com números superiores em movimentação à de outros portos de grande relevância, como os de Hamburgo, na Alemanha, New Orleans, Nova York, Los Angeles e San Diego, nos Estados Unidos, Xangai e Shenzhen, na China, e Cingapura, todos considerados portos inteligentes, com projetos de digitalização em andamento.

Com base na experiência desses portos, está claro que o porto do futuro será totalmente automatizado. E que esses grandes portos terão sistemas independentes, mas, ao mesmo tempo, conectados a outros complexos marítimos. A esse novo mundo que se aproxima já se deu o nome de Porto 4.0, pois incorpora os conceitos da chamada Quarta Revolução Industrial, ou seja, inteligência artificial, internet das coisas (IoT), automação, big data e tecnologia blockchain, um livro-razão compartilhado e imutável usado para registrar transações e rastrear ativos.

No caso dos grandes países exportadores e importadores, através dessas tecnologias digitais, será possível integrar os segmentos industriais aos terminais portuários.  No Brasil, hoje, alguns portos já têm certo nível de automação e transformação digital, mas suas infraestruturas, em geral, estão defasadas e terão de passar por muitos melhoramentos para se adequarem ao conceito 4.0.

Obviamente, essas funções, que dependerão da participação de poucos funcionários especializados, irão melhorar o desempenho e a eficiência do setor de envio e recebimento de mercadorias, o que facilitará o atendimento de embarcações cada vez maiores e   totalmente carregadas. Para tanto, será necessário também que esses portos automatizados estejam instalados em regiões de águas profundas que permitam o acesso desses novos gigantes dos mares.

Essas tecnologias, com certeza, vão minimizar o tempo em que os navios permanecem atracados nos portos, em razão da melhoria no fluxo de carga e desembaraço aduaneiro mais rápido. Sem contar que, além de garantir eficiência e confiabilidade, contribuem para que os custos sejam mais baixos tanto para os operadores marítimos como para as próprias autoridades do porto.

Nesse sentido, não se pode deixar de registrar que o Ministério da Infraestrutura já lançou o programa Futuro do Setor Portuário, coordenado pela Secretaria Nacional de Portos e Transportes Aquaviários (SNPTA), que engloba uma série de iniciativas para aprimorar a gestão e modernizar os terminais portuários, com medidas de desburocratização dos procedimentos e investimentos em tecnologia. Como os portos são peças-chave no desenvolvimento do País, o que se espera é que essas iniciativas se tornem logo realidade, pois ajudarão sensivelmente no crescimento da economia e na geração de empregos. Liana Martinelli - Brasil

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Liana Lourenço Martinelli, advogada, pós-graduada em Gestão de Negócios e Comércio Internacional, é gerente de Governança Ambiental, Social e Corporativa (ESG) do Grupo Fiorde, constituído pelas empresas Fiorde Logística Internacional, FTA Transportes e Armazéns Gerais e Barter Comércio Internacional. E-mail: lianalourenco@fiorde.com.br. Site: www.fiorde.com.br

 

domingo, 24 de abril de 2022

África - Português descobriu fósseis raros

O paleontólogo português Ricardo Araújo integra uma equipa internacional que encontrou pela primeira vez em Moçambique e na Zâmbia fósseis do Dicinodon angielczyki, um ancestral dos mamíferos


“Até agora só se conhecia a sua presença na Tanzânia, mas começamos a expandir a sua distribuição e é a primeira vez que descobrimos esta espécie em Moçambique e na Zâmbia”, afirmou Ricardo Araújo à agência Lusa. Os fósseis daquela espécie de dicinodonte, um ancestral dos mamíferos, foram encontrados no âmbito de uma expedição realizada em 2019 em Graben Metangula, na província moçambicana do Niassa, e são importantes para a comunidade científica.

“Conseguimos agora perceber, com muito mais certeza, as idades entre as várias bacias sedimentares do leste africano, nomeadamente as bacias de Moçambique, Tanzânia e Zâmbia”, disse o investigador do Instituto de Plasmas e Fusão Nuclear do Instituto Superior Técnico.

Para o paleontólogo, os cientistas apontam para a hipótese de ser uma “espécie restrita ao Leste africano, porque não só não está reportada noutros sítios, como também tem uma característica distintiva ao nível do crânio que não é encontrada noutras espécies e que é derivada do tipo de alimentos que ingeriam” nessa região.

Publicado esta semana na revista Journal of Vertebrate Paleontology, o artigo científico é ainda subscrito pelos norte-americanos Christian Kammerer (Museu de Ciências Naturais da Carolina do Norte) e Kenneth Angielczyk (Museu de História Natural de Chicago) e pelos moçambicanos Keila Cumbane e Zanildo Macungo, do Museu Nacional de Geologia de Moçambique. O projeto é financiado pela Fundação para a Ciência e a Tecnologia, em parceria com a Fundação Aga Khan. In “Bom dia Europa” – Luxemburgo com “Lusa”


Portugal - A emigração portuguesa para o Luxemburgo em 2021 foi maioritariamente jovem e do sexo masculino

Em 2020, primeiro ano da pandemia, o número de portugueses a emigrar para o Grão-Ducado e países vizinhos baixou. Mas um ano depois voltou a subir, com 3885 portugueses a entrarem em território luxemburguês, o valor mais alto desde 2013

A emigração portuguesa para o Luxemburgo registou um aumento em 2021, depois de uma descida no primeiro ano da pandemia e essa subida foi superior à que se registou com as entradas de portugueses em países vizinhos do Grão-Ducado, como a Alemanha.

A conclusão é do Observatório de Emigração, que analisa os números do Portail des Statistiques du Luxembourg, num artigo publicado esta semana no site daquele instituto.

O observatório refere, no artigo assinado pela investigadora Inês Vidigal, que depois de em 2020, o primeiro ano da pandemia de covid-19, se ter registado uma descida no número de entradas de portugueses em território luxemburguês, em 2021 verificou-se um aumento, tendo-se atingindo o valor mais alto de entradas desde 2013.

Em 2020, entraram no país 3286 emigrantes de origem portuguesa, - 12,4% que no ano anterior.  Um ano depois esse número subiu para 3885, num total de 25335 entradas de estrangeiros em território luxemburguês, com os portugueses a representarem 15,3% desse total.

A descida que se verificou no primeiro ano da pandemia no que se refere à emigração portuguesa não foi exclusiva do Grão-Ducado, como explica ao Contacto Inês Vidigal.

"Dos dados que já temos de 2020 a emigração desceu" em todos os estados fronteiriços do Luxemburgo, onde existe também forte presença portuguesa. Contudo, o país ganha na comparação com a vizinha Alemanha, por exemplo. "Em 2021, e ainda só tendo dados do Luxemburgo e da Alemanha, houve um pequeno crescimento neste último, mas muito menor que o do Luxemburgo", diz a investigadora.

Inês Vidigal atribui esta subida à reabertura relativa das sociedades após o primeiro impacto da crise sanitária. "Depois de um ano de pandemia em que houve muitas restrições e em que as pessoas tiveram mais receio, no ano seguinte as coisas já estiveram mais seguras, as pessoas já se sentiram mais confortáveis e houve menos restrições na mobilidade".

A investigadora recorda que "antes da pandemia a emigração para o Luxemburgo estava a crescer" e que o ano seguinte provavelmente "foi uma retoma do que já estava a acontecer".  

Jovens e do sexo masculino: o perfil dos portugueses que chegam ao Grão-Ducado

O aumento de entradas registado em 2021 correspondeu ao valor mais alto observado desde 2013. Entre 2000 e 2021, o número de portugueses a chegar a território luxemburguês atingiu o seu valor mínimo em 2000 (2193 entradas) e o máximo em 2012 (5193 entradas), sinaliza o artigo do observatório.

De acordo com Inês Vidigal, o perfil dos portugueses que escolheram o Grão-Ducado para viver era maioritariamente masculino e jovem: "58% dos emigrantes portugueses que foram para o Luxemburgo em 2021 eram do sexo masculino, sendo que 57% tinha entre 15 e 39 anos".

Apesar do crescimento registado em 2021, a perda da importância relativa da imigração portuguesa no Luxemburgo continua a acentuar-se. Segundo a análise do Observatório da Emigração, entre 2003 e 2021, as entradas de portugueses no país passaram de mais de 29% das entradas totais de migrantes estrangeiros para 15%.

Ainda assim, os dados mais recentes do Statec mostram que em janeiro deste ano os portugueses eram a maior comunidade estrangeira no Grão-Ducado. Entre os 47,1% estrangeiros a residir no país, os portugueses representam a maior fatia, correspondendo a 14,5%. Ana Tomás – Luxemburgo in “Contacto”