Pintura Arq. Eduardo Moreira Santos, Lx (28.08.1904 - 23.04.1992)

segunda-feira, 28 de outubro de 2019

Timor-Leste – "O português está a sobreviver muito mais do que se esperava”

O antigo chefe de Estado de Timor-Leste José Ramos-Horta sublinhou a "seriedade" de Portugal quando se optou pelo português como língua oficial no país, notando que a língua evoluiu muito mais do que se esperava



Numa resposta a uma pergunta durante uma "entrevista de vida" realizada no âmbito da terceira edição da Morabeza - Festa do Livro, promovido na cidade da Praia pelo Ministério da Cultura e das Indústrias Criativas de Cabo Verde, Ramos-Horta referiu que o português é um dos três pilares da identidade timorense, a par da língua nacional tétum e da religião católica.

O antigo chefe de Estado lembrou que no último ano da missão civilizadora portuguesa apenas 7% dos timorenses falavam o português, mas que essa percentagem é atualmente de 30% dos pouco mais de 1,2 milhões de pessoas.

"O português está a sobreviver muito mais do que se esperava em Timor-Leste", considerou, frisando que, nos últimos dez anos, a língua de Camões "já se infiltrou muito" no tétum, a língua nacional oral.

"O Portugal antigo, antes do 25 de abril, fez muito pouco, ou quase nada, pelo português em Timor. Se hoje o português está a expandir em Timor, é graças à seriedade com que Portugal responde à nossa decisão estratégica de utilizar o português como língua oficial", enfatizou.

Neste sentido, entendeu que a literatura e o livro podem ligar os países que falam o português, não obstante Timor-Leste estar numa fase em que a produção literária em português e em geral ainda é muito limitada.

Ramos-Horta lembrou que a embaixada de Portugal em Timor-Leste, a Fundação Oriente e o Instituto Camões têm feito iniciativas ao longo dos anos, como feiras de livros e cinema de língua portuguesa.

"Não é nada de novo que nós não tenhamos feito. E verificamos que essas iniciativas como esta que está aqui a acontecer agora é muito útil também porque os livros são de preço acessível", sustentou, indicando que o livro mais comprado em Timor é o dicionário de língua portuguesa.

"Porque é muito útil, prático para os jovens que ainda estão a aprender o português", notou.

Ramos Horta afirmou que Cabo Verde é um "grande exemplo" de democracia e de boa governação e que cada vez que visita o país fica "impressionado" com os progressos materiais, culturais e económicos.

A edição de 2019 da Morabeza arrancou na sexta-feira à noite, cidade da Praia, e conta com uma feira do livro com obras de autores internacionais e lusófonos, bem como mesas de debate, visitas a escolas, 'showcooking', sessões de literatura com crianças, pintura de murais e debates.

Na cidade da Praia, a Biblioteca Nacional de Cabo Verde foi a escolhida para receber os encontros com os autores, mas o evento estende-se à ilha do Fogo, onde a programação divide-se entre Chã das Caldeiras, Santa Catarina, São Filipe e Mosteiros.

Entre outros convidados para conversas com o público está prevista a presença na Morabeza deste ano de Abdulai Sila, escritor da Guiné-Bissau, Eurídice Monteiro, Fausto do Rosário, Germano Almeida, Manuel Veiga e Margarida Fontes, de Cabo Verde, Conceição Lima, de São Tomé e Príncipe, Mário Augusto e João Tordo, de Portugal, e Ondjaki, de Angola. In “Notícias ao Minuto” - Portugal

Bósnia Herzegovina - Cinema de animação português na BANJALUKA 2019 – International Animated Film Festival



A convite do BANJALUKA 2019 – International Animated Film Festival, o cinema de animação produzido em Avanca está em exibição na Bósnia Herzegovina.

Numa retrospetiva do cinema português de animação, o festival exibe 9 filmes que marcam diferentes momentos da criação cinematográfica que tem acontecido em Avanca. Do desenho animado à animação 3D, os filmes foram realizados por 10 realizadores entre 2008 e 2016.

Acompanhando o evento e a convite de Goran Dujaković, diretor do festival, António Costa Valente fará uma contextualização do cinema português de animação e apresentará os filmes de que foi produtor.

O festival de BANJALUKA comemora este ano a sua 12ª edição enquanto evento deste país, mas dá continuidade a outro festival de cinema de animação da ex Jugoslávia. O cinema de animação sempre teve uma forte presença nos países dos Balcãs e esta mostra é a confirmação da grande qualidade do cinema que tem sido produzido em Avanca.

Premiado esta semana num novo festival do Faial, Açores, com o prémio de melhor animação, o filme realizado por Raquel Felgueiras “Sendas” é um dos filmes que será exibido.

Também de realizadoras, serão exibidos os filmes “A Minha Casinha” de Maria Raquel Atalaia e “Foi o Fio” de Patrícia Figueiredo. Ambas as realizadoras têm um percurso entre o cinema de animação e a ilustração.

De Cláudio Jordão será exibido o seu filme “15 Bilhões de Fatias de (-t)+Deus”, obra produzida em tempo de crise e sem qualquer apoio apesar de o seu filme anterior ter sido o mais premiado da animação produzida em Portugal. Esse filme, “Conto do Vento” que realizou com Nelson Martins, também irá ser exibido. Recorde-se que Nelson Martins escreveu o argumento desta obra como resultado de um workshop num dos festivais de cinema AVANCA.

O Acidente” de André Marques e Carlos Silva traz-nos uma comunicação de um singular acidente à companhia de seguros. Um filme que afirma o desenho e a animação como se o filme não tivesse sido acabado.

Lágrimas de um Palhaço” é o primeiro filme sem palavras de Cláudio Sá, um dos cineastas mais novo e mais prolifero da animação portuguesa

Um Gato sem Nome” de Carlos Cruz (que assina como Charlie Blue), é uma adaptação de uma obra da escritora Natércia Rocha e conta com música de Nick Phelps.

Por último o filme “A Ria, a Água, o Homem” de Manuel Matos Barbosa, um cineasta com um longo e significativo percurso no cinema, sobretudo na animação e no documentário. Este filme é uma adaptação de textos de Raul Brandão e conta com a voz do ator Joaquim de Almeida.

“São nove filmes que demonstram a diversidade e qualidade da animação portuguesa, permitindo abrir janelas e provocar um novo encontro com o cinema que se tem feito em Avanca e Portugal”, afirma António Valente. In “Bom dia Europa” - Luxemburgo

Suíça – Mosquito tigre-asiático descoberto no cantão de Valais


O mosquito tigre-asiático é um dos transmissores da dengue e coloca em risco a saúde de 2,5 a 3 mil milhões de pessoas que habitam as regiões urbanas e suburbanas de 100 países das regiões tropicais e subtropicais de todo o mundo



O mosquito tigre-asiático, uma espécie invasiva originária da Ásia e vetor do vírus da dengue, foi descoberto recentemente pela primeira vez numa área ao sudoeste do cantão do Valais.

Cientistas confirmaram a presença do inseto no vilarejo de Monthey e iniciaram uma busca para descobrir se há larvas, como informaram as autoridades cantonais na passada quarta-feira (16.10). Também foram iniciadas ações específicas para destruir possíveis colónias do mosquito.

O inseto descoberto em Monthey não significa que a espécie passou a viver no cantão, apesar de indicar o risco de uma possível colonização.

Originário do sudeste asiático, o mosquito-tigre tem se espalhado por toda a Europa. Ele foi visualizado pela primeira vez na Suíça no sul do cantão do Ticino em 2003. Depois foi descoberto ao norte dos Alpes em 2007. A sua presença também foi confirmada em diversas outras partes do país, mais recentemente em Genebra.

Noutras partes do globo o mosquito é transmissor de doenças tropicais como a Zika, dengue ou Chikungunya. Porém o exemplar encontrado na Suíça não continha o vírus ou protozoários como o "Plasmodium", que transmite a malária, explicam as autoridades. "Por isso consideramos que a sua picada ainda não representa um perigo para a população." In “Swissinfo” - Suíça

França - Quadro de 24 milhões de euros passou anos pendurado numa cozinha



Da parede de uma cozinha até um leilão que superou as melhores expectativas com uma venda de 24 milhões de euros, um quadro muito raro do pintor italiano Cimabue, anterior ao período renascentista, fez multimilionária a sua proprietária.

O quadro, que retrata uma cena em que um grupo de homens faz troça de Cristo na rua, é atribuído ao pintor italiano pré-renascentista Cimabue, do século XIII, e foi descoberto no início deste ano, pendurado numa parede na cozinha de uma mulher que vive em Compiègne, no norte de França, que ignorava o valor da obra e o seu autor até que em junho um leiloeiro a aconselhou a levar o quadro a ser avaliado por especialistas.

Tornou-se agora multimilionária, uma vez que vai ficar com grande parte do valor de venda do quadro.

A pintura a óleo, uma obra-prima, segundo os especialistas, que a datam de cerca de 1280 e que mede 25 por 20 centímetros. Acreditam ser parte de um díptico que Cimabue terá pintado, com oito painéis a representar cenas da Paixão de Cristo, e do qual são conhecidos dois painéis, expostos na Frick Collection, em Nova Iorque, e na National Gallery, em Londres.

Dominique Le Coent, da leiloeira Actéon, que vendeu a obra a um comprador anónimo de Chantilly, a norte de Paris, disse à Associated Press (AP) que a venda representa “um recorde para uma pintura antiga ou pré-renascentista”.

“É uma pintura única, esplêndida e monumental. Cimabue foi o precursor do Renascimento. Mas esta venda vai para lá dos nossos sonhos”, disse Le Coent à AP.

O preço de venda esperado era de entre quatro milhões a seis milhões de euros, segundo a leiloeira.

Como nunca nenhum quadro de Cimabue havia sido leiloado, os especialistas não sabiam o que esperar, não havendo qualquer referência anterior que pudesse indicar o valor que poderia atingir, explicou o leiloeiro à AP.

A descoberta do quadro deixou o mundo da arte em êxtase.

Cimabue ensinou o mestre italiano Giotto e muitos consideram que lançou as bases do Renascimento, ao quebrar com o estilo bizantino da idade média, começando a incorporar nas obras elementos de movimento e perspetiva.

Cimabue terá nascido em 1240 e morreu em 1302, estando ativo desde 1272 até à sua morte. In “Bom dia Europa” - Luxemburgo

domingo, 27 de outubro de 2019

Canadá - Barreira linguística afeta idosos portugueses


A barreira linguística é um dos maiores problemas que afeta os idosos portugueses que residem na Greater Toronto Area (GTA). O Abrigo Centre e o First Portuguese Centre, duas das instituições mais antigas da comunidade a trabalhar com a terceira idade, dizem que faz falta um espaço onde os utentes se sintam menos isolados



O Abrigo Centre tem quase 250 idosos inscritos no seu centro de dia e as idades variam entre os 62 e os 93 anos. Em entrevista ao Milénio Stadium, a técnica do Abrigo contou-nos que a grande maioria não domina a língua inglesa. “Muitos dos nossos idosos vivem isolados nesta cidade e o dinheiro não chega para virem sempre ao centro. A reforma é pequena para pagar os $4 de transporte e não dá para comprar fruta e vegetais, por isso é normal que apareçam doenças associadas à carência de vitaminas”, informou.

Ao nosso jornal a técnica adiantou que também existem alguns casos de abuso financeiro familiar, uma vez que “alguns dos idosos têm contas conjuntas com os filhos” e lamenta que outros “tenham que cortar o pacote de canais portugueses que às vezes é uma das poucas companhias que têm quando estão sozinhos em casa o dia todo”.

A técnica reitera que um projeto como o  Magellan Community Charities iria fazer toda a diferença. “Colocar um idoso num lar muitas vezes é um mal necessário para as famílias. Uma instituição onde eles tenham funcionários e técnicos que falem a sua língua materna vai tornar a mudança mais fácil. Já visitei lares onde os idosos não falam com ninguém porque não sabem inglês, o Magellan seria a sua casa fora de casa”, avançou.

Um espaço com programas que estimulem a terceira idade e minimizem as saudades de Portugal seria uma mais-valia. “As refeições à moda de Portugal, um filme em português ou uma sala de informática com internet são coisas simples que podem fazer a diferença na vida destas pessoas”, exemplificou.

O Centro de dia do First Portuguese tem cerca de 50 idosos e as idades vão dos 70 aos 90 anos.

Carina Parabela, presidente da instituição, aponta os problemas financeiros e a solidão como dois dos maiores problemas desta faixa etária.

“Os filhos trabalham o dia inteiro e alguns têm família em Portugal, se eles não vêm até ao First acabam por passar o dia inteiro sozinhos em casa. O custo de vida na GTA está cada vez mais caro e temos casos em que 90% da reforma vai diretamente para a renda, é assustador”, alertou.

O facto de não dominarem o inglês impede-os até de denunciar problemas mentais. “Eles sentem-se pouco à vontade para sair à rua ou ir ao médico e muitos pedem-nos ajuda com a bula dos medicamentos. A nível de problemas mentais também é complicado porque eles sentem-se mais confiantes quando podem falar em português com o especialista”, avançou.

Parabela garante que faz falta um Magellan Community Charities. “Acho que é um excelente projeto e espero de facto que vá para a frente. A nossa comunidade precisava disto há muito tempo. Os idosos vão ser os grandes beneficiários se poderem usufruir de atendimento especializado na sua própria língua materna”, referiu. Joana Leal – Canadá in “Milénio Stadium”

Canadá - Comunidade portuguesa em Toronto vai ter centro para idosos

A comunidade portuguesa vai contar, dentro de três anos, com um centro para idosos, um projeto há muito ambicionado pelos emigrantes na maior cidade canadiana, segundo um dos promotores



A Magellen Community Charities (Instituição de Caridade Comunitária Magalhães), organização sem fins lucrativos, em homenagem ao navegador português, pretende inaugurar o centro para 320 idosos em 2022, altura em que se assinalam os 500 anos da viagem de circum-navegação de Fernão de Magalhães.

“É um sonho de 20 anos, em que vários membros da comunidade já pensavam num centro para idosos, mas não existiam licenças disponíveis. Quando estava no governo trabalhei nesse sentido”, começou por afirmar Charles Sousa, diretor da instituição.

O antigo ministro das Finanças do Ontário explicou ainda que o projeto faz parte do orçamento provincial.

“A licença foi atribuída ao Centro de Cuidados Comunitários Magalhães na vertente cultural, de propósito para a comunidade. Vão ainda ser incluídas 60 camas com cuidados e apartamentos de vida assistida, não para aqueles que necessitam de cuidado a longo termo, mas que necessitam de independência. A parte principal do edifício será destinado à comunidade em geral”, sublinhou.

Charles Sousa realçou ainda que o edifício funcionará com uma verdadeira “Casa de Portugal”, mostrando que a comunidade portuguesa “está envolvida e está a contribuir para a cidade de Toronto e para a província do Ontário”.

O projeto de 85 milhões de dólares canadianos (58 milhões de euros) será financiado através de doações e empréstimos de instituições financeiras, e por apoios dos governos (federal, provincial e municipal).

Em abril de 2018, o ministério de Saúde e de Cuidados de Longo Termo do Ontário atribuiu ao Centro de Caridade Magalhães a licença de 256 camas de longo termo.

Cerca de um ano depois, a Câmara de Toronto anunciou a cedência para o projeto do terreno de um acre, localizado no número 640 da Lansdowne Avenue, iniciativa também inserida no programa de habitações a preços acessíveis do município.

O terreno municipal foi cedido por um período de 99 anos com o custo simbólico de um dólar por ano, ficando isento do imposto predial, sendo uma “parceria inédita da autarquia”.

“Fazemos várias parcerias em termos de habitações a preços acessíveis, mas com uma casa para idosos, é o primeiro. É um projeto de importância para a cidade e para a comunidade local, e muito significativo para a comunidade luso-canadiana que não tem nenhuma infraestrutura neste sentido e que há muitos anos sente a necessidade de uma casa para idosos”, disse a vice-presidente da Câmara de Toronto Ana Bailão.

A autarquia vai ainda ser responsável pela construção no terreno de uma “zona verde e por unidades de habitação a preços acessíveis”.

É importante que a comunidade portuguesa esteja envolvida no projeto pela “oportunidade único”, apelou o empresário e diretor da Magellan Community Charities, Manuel da Costa.

“É importante estamos todos envolvidos, se não vamos perder uma oportunidade que não termos num futuro próximo. Estamos empenhados para que tenha sucesso e para que toda a comunidade se envolva. Não é só para nós (direção), mas para toda a comunidade”, concluiu. In “Mundo Português” - Portugal

Tudo que se quer















Vamos aprender português, cantando


Olha nos meus olhos
esquece o que passou
aqui neste momento
silêncio e sentimento
sou o teu poeta
eu sou o teu cantor
teu rei e teu escravo
teu rio e tua estrada

Vem comigo, meu amado amigo
nessa noite clara de verão!
seja sempre o meu melhor presente
seja tudo sempre como é
é tudo que se quer
leve como o vento
quente como o sol
em paz na claridade
sem medo e sem saudade

Livre como o sonho
alegre como a luz
desejo e fantasia
em plena harmonia

Eu sou teu homem
sou teu pai, teu filho
sou aquele que te tem amor
sou teu par, o teu melhor amigo
vou contigo, seja aonde for
onde estiver estou

Vem comigo meu amado amigo
sou teu barco neste mar de amor
sou a vela que te leva longe
da tristeza, eu sei, eu vou!
e onde estiver estou

E onde estiver estou

Emílio Santiago - Brasil