Pintura Arq. Eduardo Moreira Santos, Lx (28.08.1904 - 23.04.1992)

sábado, 15 de fevereiro de 2014

Jardim-de-infância

As obras de construção do primeiro jardim-de-infância da Vila da Madalena, foram lançadas pelo Presidente da Câmara de Mé-Zochi Nelson Carvalho, em parceria com a Santa Casa da Misericórdia de São Tomé. As duas instituições deram as mãos, para dar carinho às crianças da freguesia da Madalena.


Dentro de 4 meses a Vila da Madalena, terá o seu primeiro jardim-de-infância. Um projecto idealizado pela autarquia de Mé-Zochi, que na falta de meios financeiros para realizar o sonho das crianças da freguesia da Madalena, encontrou parceria na Santa Casa da Misericórdia de São Tomé. ´

A Santa Casa da Misericórdia investe 63 mil euros, fundo cedido pelo Governo japonês, e a Câmara Distrital de Mé-Zochi concedeu o terreno e aplica 22 mil euros. Um total de 85 mil euros, que vão melhorar a qualidade de vida das famílias da Vila da Madalena e arredores.

Nelson Carvalho, Presidente da Autarquia de Mé-Zochi, agradeceu à Santa Casa da Misericórdia pelo sucesso na parceria de grande impacto social. «Com a unidade tudo é possível e todos juntos somos capazes de resolver os problemas que nos afligem», afirmou Nelson Carvalho.

A primeira pedra foi lançada esta semana, as obras começaram e Madalena vai ter mais uma infraestrutura educacional, importante na preparação do homem de amanhã, como tem sido há tantos anos, a escola primária local, Albertina Matos. Abel Veiga – São Tomé e Príncipe in “Téla Nón”

sexta-feira, 14 de fevereiro de 2014

As tres almas de Galicia

De onde somos? Pois de aquí e de alá. Somos europeos por imperativo xeopolítico, pero iso non quer dicir que un non poida sentir mais afinidade con un caboverdiano e ata cun arxentino, sobre todo en momentos de silencio, ca con un sueco ou un teutón. Isto non supón que ser europeo e sentírmonos europeos sexa un problema, senón que a lingua, a historia, e ata a ideoloxía, entre outros, conforman patróns de conduta persoal e colectiva que se superpoñen ás simplezas do tipo común e reducionistas que se derivan da aplicación mecánica da xeografía. Hai case un século, a Galicia máis avanzada estaba á vangarda do europeísmo cando na península, mesmo en boa parte da intelectualidade, predominaba a caverna.

As virtudes e riquezas de Galicia nese contexto son incomparables, a non ser que entendamos como “problema”, como os ruíns, que ser de aquí e de alá é un inconveniente insuperable que dispersa as nosas enerxías. Debe haber poucos países no mundo onde proliferen tantos bizantinismos que nos deixan esgotados. Pero vese que non hai bebedoiro milagroso contra iso. En tempos híbridos como os que vivimos, pola contra, esas almas “dispersas” que nos habitan permítennos tirar proveito, se actuamos con intelixencia e operatividade, dun capital relacional que vale o seu peso en ouro.

Obviamente, somos parte de Europa. Non hai jangada de pedra, a non ser literaria. E a nosa economía e o noso comercio impoñen unha realidade contra a que non só non debemos revirarnos senón que debemos explorar e explotar en propio beneficio. Na práctica, esas magnitudes empíricas fóronse superpoñendo claramente ao que algúns cualifican de sentimentalismo e que renegan de afán algún da vena celtista. Non entro na discusión científica, pero é unha renuncia absurda produto dun exceso de purismo. Hai elos comúns que nos afinan cos pobos célticos en maior medida ca con moitos outros pobos europeos.

Polo demais, esas mesmas almas explican que nos sintamos mais próximos dun cubano ou dun ecuatoriano ca dun holandés. Ou ata dun angolano se nos comparamos cun flamenco por mais que as realidades sexan tan distantes e dispares. Pouco poden dicirnos algunhas Europas onde podemos sentirnos mais estraños que en Montevideo.

Se Galicia virase a súa mirada con maior frecuencia e con un horizonte amplo cara fóra, capaz de transcender a política ou a economía, non soamente relativizaría os seus dramas, tantas veces tan incriblemente desconcertantes, senón que recoñecería a súa propia versatilidade como característica nacional. A cultura ten aquí unha gran función a desempeñar.

Esa forma de ser e de estar só pode xerar admiración alá onde se manifeste entre quen ignora, sen prexuízos, o que somos. Hai motivo para agradecer e exhibir con orgullo esa rica ambigüidade que nos define e na que radica a nosa forza. A teima de nos querer facer só dun sitio, con límites espesos, renega disto. E por iso, desvalendo a complexidade en lugar de potenciala, tanto empeño en que só sexamos de aquí ou de alá. Xulio Ríos – Galiza in “Palavra Comum”

quinta-feira, 13 de fevereiro de 2014

Liberdade de imprensa

Cabo Verde continua a ser o país lusófono melhor classificado na lista de nações do relatório “2014 World Press Freedom Index” sobre liberdade de imprensa elaborado pela organização Repórteres Sem Fronteiras.

Numa classificação onde estão registados sete dos oito países da Comunidade de Países de Língua Portuguesa (CPLP), assinala-se a ausência de São Tomé e Príncipe, Cabo Verde está no 24º lugar, com 14,32 pontos, no segundo grupo de países, os que têm uma situação satisfatória, subiu um lugar, face ao ano de 2012.

Neste mesmo grupo encontra-se Portugal, no 30º posto, piorou dois lugares em relação ao ano anterior, com 17,73 numa pontuação que varia entre o zero e cem, representando o zero o total respeito pela liberdade de imprensa. A Espanha, vizinha de Portugal, está no 35º lugar com 20,63 pontos.

O relatório, construído através de questionários enviados a jornalistas de todo o mundo com perguntas diversas, entre elas, eventuais violações feitas à liberdade de imprensa nos seus respectivos países, a propriedade dos meios de comunicação, as formas de regulação e a ética profissional.

No primeiro grupo de países, os que têm uma boa situação, estão classificados os primeiros 23 estados, 18 são europeus, estando novamente a Finlândia no primeiro lugar, 6,40 pontos, seguida da Holanda, Noruega, Luxemburgo, Andorra, sendo a Nova Zelândia na 9ª posição, o primeiro país não europeu. Destaque para a Namíbia, que pretende candidatar-se a membro observador associado da CPLP, no 22º lugar, primeiro país africano, com 12,50 pontos.

No terceiro grupo de países, aqueles que são considerados que têm problemas sensíveis, encontramos Timor Leste no 77º lugar, 29,04 pontos, melhorou treze lugares em relação ao ano transacto, Moçambique, 79º posto, 29,26 pontos, baixou seis lugares, a Guiné Bissau na 86ª posição, 30,05 pontos subiu seis postos e o Brasil no 111º lugar, desceu 3 posições, tem actualmente 34,03 pontos. Os vizinhos a sul do Brasil, o Uruguai está no 26º lugar (16,08), a Argentina no 55º (25,27) e o Paraguai no 105º (31,81), todos eles melhores classificados que o Brasil.

O último país lusófono classificado, Angola, está no quarto e penúltimo grupo de países, os considerados em situação difícil, quanto à liberdade de imprensa. Angola está no 124º lugar, melhorou seis posições e tem 36,50 pontos, numa classificação com 180 países avaliados, estando nos últimos três lugares, o Turquemenistão, a Coreia do Norte e a Eritreia.

Dos países observadores associados da CPLP, o Senegal está no 62º lugar, a Ilha Maurícia, no 70º posto e a Guiné Equatorial na 168ª posição, encontrando-se no último grupo, considerados os países com uma situação muito grave, no que concerne à liberdade de imprensa.

Em 2013, um jornalista faleceu em serviço, três outros profissionais, classificados como cidadãos-jornalistas foram assassinados, foram feitos prisioneiros 177 jornalistas e 164 cidadãos-jornalistas. Poderá aceder ao relatório dos Repórteres Sem Fronteiras aqui. Baía da Lusofonia

Para aceder ao texto publicado pelo Baía da Lusofonia no ano passado clique aqui no título: Imprensa


quarta-feira, 12 de fevereiro de 2014

Ligação ferroviária Angola - Zâmbia

A Zâmbia vai construir uma linha ferroviária que ligará Chingola, no coração da antiga província de Copperbelt, na Zâmbia, à fronteira de Angola e à linha de Benguela.

A linha ferroviária será construída numa parceria entre os sul-africanos da Grindrod e os zambianos da Northwest Rail Company. Terá duas fases: uma primeira, que irá estender-se desde Chingola até às minas de Kansanshi, Lumwana e Kalumbila (uma via de 290 km); a segunda ligará à linha de Benguela na fronteira da Zâmbia com Angola, perto do Jimbe.

O objetivo passa por ajudar o tráfego de minérios existentes e de cobre acabado, abrindo um corredor direto até ao Lobito, o qual irá permitir que a Zâmbia, um país sem costa marítima, importe petróleo directamente de Angola, e estimulando ainda uma maior actividade mineira na região de Copperbelt Ocidental.

A construção, operação e manutenção foram concedidos à NWR, uma empresa zambiana, pelo Governo da Zâmbia em Julho de 2006.

O investimento rondará os USD 1000 milhões, com a primeira fase a custar USD 489 milhões. A construção terá início este ano de 2014.

"Tenho desenvolvido este projecto durante uma série de anos e as sinergias com as empresas da Divisão Ferroviária da Grindrod tornam a Grindrod o parceiro ideal no empreendimento conjunto, o que significa que seremos capazes que iniciar a construção deste projecto no mais curto espaço de tempo possível", referiu Enoch Kavindele, um antigo Vice-Presidente da Zâmbia e fundador/proprietário da NWR. Cargo Edições - Portugal

Goa e Mário Miranda

Uma Goa antes e depois de Mário Miranda

Cartoonista morreu há dois anos e é uma referência da Índia

Falar de Goa e não falar de Mário de Miranda é uma incongruência. O cartoonista, nascido em Damão, faz parte de todo um imaginário da história das ex-colónias portuguesas na Índia, antes e depois da invasão da União Indiana em 1961. E não só. Mário, como assinou grande parte do seu trabalho, também retratou a Índia toda, em especial a sua cidade adoptiva Bombaim, Portugal, Macau, China, Japão, Estados Unidos, Alemanha, Espanha e muitos outros locais espalhados pelo mundo.

Mário João Carlos do Rosário de Brito Miranda, filho de católicos de origem brâmane, foi descendente de uma família de nome Sardessai que se converteu ao catolicismo em 1750. Cedo mostrou apetência para o desenho e prosseguiu os estudos em Bangalore e em Bombaim.

Mas como a arte de desenhar era a sua grande paixão, acabou por começar a estudar arquitectura, curso que não terminou. Por essa altura, o seu talento foi notado e os seus amigos encorajaram-no a fazer cartões postais e desenhar para eles, o que lhe valeu algum dinheiro extra.

Daí em diante foi subir a pulso. Começou por trabalhar num estúdio de publicidade, onde esteve durante quatro anos, antes de assumir o cartoonismo a tempo inteiro no The Illustred Weekly, na Índia.

O seu trabalho começou a ter alguma notoriedade no meio indiano e, de seguida, começou a publicar na revista Current. Daí até chegar ao jornal mais importante da Índia foi um tiro. Passado um ano, Mário de Miranda começava a publicar no The Times of India e noutros jornais importantes de Bombaim como o The Economic Times ou na revista Femina.

Por essa altura, e ainda com Goa, Damão e Diu na posse do Estado Português, Mário obteve uma bolsa da Fundação Calouste Gulbenkian, o que permitiu ao cartoonista ficar em Portugal durante um ano. Como dominava a língua portuguesa, a experiência só podia ter corrido bem. Ampliou os seus horizontes e fez um trabalho digno de referência à mais larga escala.

Depois disso seguiu-se a Inglaterra, onde residiu cinco anos, e um pouco por toda a Europa, onde bebeu conhecimento com a interacção com outros cartoonistas. Colaborou com diversos jornais e revistas durante a sua estadia europeia, e até fez animação para televisão.

De volta à Índia fez parelha, no The Times of India, com o notável RK Laxman. Uma dupla de grande sucesso que mudou completamente a restante carreira de Mário de Miranda. Por essa altura conheceu Habiba Hydari, com quem casou, tendo tido dois filhos: Raul e Rishaad.

Em 1974, viajou para os Estados Unidos da América e conheceu grandes nomes do cartoonismo como Charles M. Schulz e Herblock.

Em 1988 foi agraciado com o Padma Shri e em 2002 com o Padma Bhushan. O rei Juan Carlos de Espanha também o agraciou com a ordem civil de “La Cruz de Isabel la Católica”, em 2009. O Presidente da República Portuguesa, Cavaco Silva tornou-o comendador da Ordem do Infante Dom Henrique.

Mário Miranda faleceu a 11 de Dezembro de 2011, em Goa, e foi postumamente condecorado pelas autoridades indianas com a segunda mais alta condecoração civil do país – Padma Vibhushan – a 4 de Abril de 2012.

Realizou exposições individuais em mais de 22 países, incluindo os EUA, Japão, Brasil, Austrália, Singapura, França, Sérvia e Portugal. Hoje em dia os cartoons de Mário de Miranda podem ser vistos em diversas paredes dos lugares mais famosos de Bombaim e Goa. Além de livros próprios, ilustrou obras de Dom Moraes, Manohar Malgaonkar, Mário Cabral e Sá, entre outros. Lobo Pinheiro – Macau in “Hoje Macau”

terça-feira, 11 de fevereiro de 2014

Património arquitectónico ameaçado

A antiga roça Rio do Ouro em São Tomé e Príncipe, situada na parte norte da ilha de São Tomé, dista 10 quilómetros da capital, fica situada no distrito de Lobata, próximo da cidade de Guadalupe.

Fundada em 1865 pelo Dr. Gabriel de Bustamante, foi explorada a partir de 1877, por José Luís Constantino Dias, futuro Marquês de Vale Flor, que se tornou proprietário de várias roças, dedicando-se à exploração do cacau.

Um dos edifícios emblemáticos da roça do Rio de Ouro era o seu edifício hospital, que na sua época deslumbrava quando um visitante o avistava pela primeira vez, tendo a propriedade uma área de mil e seiscentos hectares.

A empresa agrícola foi nacionalizada a 30 de Setembro de 1975, tendo mais tarde passado a chamar-se roça Agostinho Neto que a visitou em Abril de 1976.

Em 1980, a roça mudou o nome para "Empresa Estatal Agro-Pecuária Dr. António Agostinho Neto", perpetuando o nome do homem que proclamou a independência de Angola, na madrugada do dia 11 de Novembro de 1975.

Durante a década de oitenta o edifício hospitalar foi a maternidade central de São Tomé, onde nasceu grande parte da população jovem da ilha. Na década noventa foi um centro hospitalar, um projecto financiado por Portugal.

Depois veio o abandono, o roubo de estruturas bases para a manutenção do edifício e uma boa parte da ala esquerda do edifício hospital não aguentou os maus tratos e ruiu na passada semana, a 06 de Fevereiro de 2014.

O futuro só se constrói com a preservação do património e o centenário edifício hospitalar, se houver um apoio atempado para a sua recuperação ainda terá um outro amanhã para as gerações vindouras são-tomenses. Baía da Lusofonia



Fatura

“…eu hoje exijo sempre fatura numa compra comercial. Desde um simples café a uma aquisição de livros ou gasolina. Lamento muito o encargo que o fisco hoje representa para profissionais do comércio que têm uma vida difícil, mas não tenho o direito de ser eu a escolher aqueles a quem "ajudo" a fugir à legalidade que é respeitada pelos outros. Mas porque assim procedo, e porque entendo que todos assim deveriam proceder, a coerência obriga-me a apoiar medidas que estimulem a que outros procedam da mesma forma. E se uma sociedade como a portuguesa não tem, imbuído em si mesma, o espírito de solidariedade cívica que leva a que a todos se empenhem numa igualdade de direitos e deveres, acho perfeitamente normal que possa haver estímulos para que muito mais cidadãos sejam levados a adotar essa linha de comportamento, mesmo que, infelizmente, isso tenha de ser feito por uma via menos curial, como é a dos bizarros sorteios.” Seixas da Costa – Portugal in “duas ou três coisas”