Pintura Arq. Eduardo Moreira Santos, Lx (28.08.1904 - 23.04.1992)

terça-feira, 4 de dezembro de 2018

Portugal – Acordo de entendimento com a China liga porto de Sines ao projecto “Rota da Seda”

Portugal vai assinar um acordo de entendimento com a China para ligar o porto de Sines ao denominado mega projecto de integração internacional promovido por Pequim – “Uma Faixa, Uma Rota”, designado por muitos como a nova “Rota da Seda”, que continua a fazer desconfiar” a Europa, apesar dos países que mais contestam serem os que detêm mais investimentos chineses



Não é propriamente uma novidade. Desde há alguns anos que a posição geográfica e as boas condições do porto de Sines estavam sinalizadas pelo interesse do Estado chinês, o que, por outro lado, coincide com a vontade do Governo de Lisboa de dinamizar uma estrutura portuária que tem capacidade de desenvolvimento muito para além das existentes actualmente.

Fontes do governo português recordaram ao JTM que as manifestações de interesse entre os dois países sobre o porto de Sines já vêm do governo de Passos Coelho, mas ganharam maior dinâmica a partir da entrada em funções do executivo de António Costa, que, pela parte portuguesa, cometeu o dossier ao secretário para a Internacionalização, que por várias vezes se deslocou a Pequim com o assunto no topo da agenda das relações económicas bilaterais.

A novidade actual é que, a antecipar a visita de Xi Jinping a Portugal, o acordo de entendimento foi já anunciado pelo Primeiro-Ministro, António Costa, num encontro com correspondentes estrangeiros. “Queremos assinar um memorando na próxima semana para a integração do porto de Sines à Rota da Seda”, afirmou salientando que quer transformar o local num “elemento importante” da parte europeia da denominada “Uma Faixa, Uma Rota”.

“O porto tem a melhor capacidade disponível, é de águas profundas, e tem uma localização óptima para receber e servir as rotas transatlânticas, mediterrâneas e as do Cabo”, explicou. Situado a 160 quilómetros a sul de Lisboa, o terminal de contentores de Sines é gerido por Singapura e por ali passa um terço do gás liquefeito exportado pelos EUA para a Europa, sendo um dos poucos portos europeus com a capacidade de armazenamento. A verdade é que Sines é um dos raros portos de águas profundas europeus na confluência entre continentes, onde os grandes navios contentores podem acostar.

Por isso, de acordo com o Primeiro-Ministro português, Sines poderá ser uma importante interface da Europa com o restante do mundo e o governo de Portugal acredita que ele é bastante relevante para o desenvolvimento das relações entre o continente europeu, a Ásia e as Américas justificando a utilização do novo Canal do Panamá pela China como a via mais rápida e mais barata de atingir os mercados atlânticos.

Espanha diz não mas também disse sim

A postura do Primeiro-Ministro de Portugal difere da manifestada pela Espanha na semana anterior. O Presidente do governo espanhol, Pedro Sánchez, recebeu Xi na terça-feira da última semana e negou integrar o país neste projecto chinês, mas também assinou um “memorando de entendimento” entre o porto de Algeciras e o porto de Ningbo (a antiga Liampó, onde os portugueses aportaram antes de se fixarem em Macau), o maior porto do mundo em volume de actividade.

“Há uma manobra geopolítica de tentar manter relações internacionais num momento complicado para a China”, explicou à AFP Ángel Saz Carranza, director do centro de geopolítica e empresas ESADEGeo considerando que a “guerra comercial em curso com os Estados Unidos” (já temporariamente suspensa à margem da reunião do G20) se pode estender à Europa cujos Estados-membros se pronunciarão em Dezembro sobre o controlo dos investimentos estrangeiros, incluindo os chineses, a fim de proteger sectores-chave como a energia.

Foi nesse contexto que Xi prometeu na quarta-feira no Senado espanhol “agilizar o acesso ao mercado chinês” e “aumentar a protecção à propriedade intelectual”, o que para o analista mais não é que uma prova que “para Pequim é “o momento de fazer declarações públicas para tentar abrandar a opinião europeia”.

Jean-François Di Meglio, presidente do “think tank” Asia Centre, com sede em Paris disse à AFP que nesta viagem ibérica, Pequim tenta “encontrar caminhos fáceis de acesso para os investimentos chineses na Europa, e consolidar o que foi conseguido” nesses países apesar das reticências de outros governos europeus.

França, Alemanha e Itália pedem há anos uma legislação europeia que permita filtrar certos investimentos. Esses países preocupam-se que grupos estrangeiros, em particular chineses, assumam o controlo de tecnologias-chave, comprando empresas europeias de uma maneira consideram desleal.

Madrid e Lisboa têm sido mais receptivos, embora “em números absolutos, os investimentos chineses sejam mais significativos no Reino Unido e na Alemanha, mas em percentagem em relação ao PIB são maiores na Espanha e em Portugal”, frisou. 

Um megaprojecto internacional

“Uma Faixa, Uma Rota” é um megaprojecto internacional de infras-estruturas para ligar a China com os seus vizinhos na Ásia e os demais continentes e na verdade é constituído por várias rotas, tendo como pano de fundo a globalização comercial e o desenvolvimento dos países de forma a tornar menos evidente a diferença entre países ricos e pobres, como se prova com a sua extensão à África.

Desde o início, o plano dividiu a União Europeia entre os que apoiam a iniciativa, como a Grécia, Polónia e Portugal, e outros países que observam a proposta com receio, como Alemanha e França. A posição portuguesa é bastante compreensível pois várias empresas chinesas já possuem grandes investimentos em sectores estratégicos de Portugal, controlando, por exemplo, 28,25% do grupo Energias de Portugal (EDP).

Segundo a imprensa portuguesa, porém, o Governo de Lisboa não irá propriamente integrar o plano “Uma faixa, Uma rota”, mas sim, tal como Espanha vai assinar apenas um “memorando de entendimento” para estabelecer a “cooperação entre Portugal e a Rota da Seda”, de acordo com uma fonte diplomática portuguesa. Portugal quer que o investimento industrial chinês suba um novo degrau – da compra de empresas para a construção de raiz” acentuava o “Público”.

O caso do Porto de Sines é um exemplo. Vai abrir um concurso público para a construção do novo terminal, já baptizado como Vasco da Gama, e Portugal veria com interesse que a China fizesse o terminal de raiz, com naturais benefícios de gestão do projecto durante um período de tempo. A imprensa portuguesa refere que há conversações entre as duas partes, mas o Governo de Lisboa não deixa de acentuar que “aberto o concurso público internacional ganhará quem fizer a melhor oferta.”

Uma nota oficial, distribuída em Portugal, refere ainda que no dia e meio da visita do Presidente Xi Jinping “está prevista a assinatura de um total de 19 instrumentos legais que culminam um processo de intensa negociação bilateral em áreas que vão da cultura à ciência e da agro-indústria ao comércio”.

O Governo de António Costa espera que dos contactos a manter (a delegação chinesa integra vários ministros) haja uma mútua abertura dos mercados garantindo, desde logo o aumento das exportações para o mercado chinês, mas a abertura de uma nova rota aérea directa entre Lisboa e Pequim (muito possivelmente com a nacional Air China em vez da privada Capital Airlines que já deteve a rota e a suspendeu recentemente).

Outra questão, que existe de há muito e talvez possa ter alguns desenvolvimento é o da exportação da carne de porco portuguesa que a China não tem aceite alegando “questões de saúde pública” e naturalmente a cooperação no âmbito dos países africanos de expressão oficial portuguesa que Pequim cometeu a Macau através do Fórum Macau.

A cooperação científica e tecnológica pode igualmente ter desenvolvimentos em especial na troca de estudantes e investigadores. Ricardo Jorge – Portugal in “Jornal Tribuna de Macau”

segunda-feira, 3 de dezembro de 2018

Quénia - Mar ameaça herança de Vasco da Gama

O mar que Vasco da Gama venceu na épica viagem de descoberta do caminho marítimo até à Índia ameaça agora os vestígios da sua passagem por terras africanas



Na costa sul do Quénia, monumentos como o Forte Jesus de Mombaça e o padrão de Melinde sentem os efeitos do tempo agravados pela erosão marítima e as dificuldades de financiamento vão adiando as necessárias intervenções.

“As fundações do Forte Jesus foram construídas em rocha coralífera, mas o mar vai escavando a base e vão ficando degradadas”, explica Raphael Igombo, responsável do departamento educativo do National Museums of Kenya (Museus Nacionais do Quénia, NMK na sigla inglesa) em Mombaça, mostrando o desgaste sofrido pelo pesado maciço que sustenta o Forte Jesus há mais de 500 anos.

As paredes de coral suportam as muralhas do histórico forte, construído em 1593 pelos portugueses e classificado como património mundial pela UNESCO desde 2011.

“As condições climáticas estão a afetar o forte que sofre os efeitos das ondas a embater na muralha, da água salgada e da humidade. O mar está mesmo ao lado da muralha”, aponta o mesmo responsável.

O governo queniano está a promover a construção de um muro de contenção para atenuar o impacto das ondas e os efeitos da erosão (tal como fizeram anteriormente os portugueses com uma muralha exterior, hoje praticamente desaparecida), mas a obra, que arrancou há cerca de dois anos, tarda em chegar ao fim.

“A construção tem sido faseada, não só por causa da água, mas porque dependemos das verbas disponíveis”, disse Raphael Igombo, estimando que a ensecadeira (uma proteção para conter a água) possa ser concluída até ao final deste ano, se os fundos “forem libertados”.

O muro artificial onde o governo queniano investiu cerca de 500 milhões de xelins (4,3 milhões de euros), está colocado a seis metros da muralha e vai ajudar a travar a força das ondas, protegendo o forte “por mais 500 anos, antes de ser construída outra parede”, espera Raphel Igombo.


“As pessoas de Mombaça valorizam este património. Consideram-no seu e estão orgulhosos do potencial turístico e económico do forte. Podem não conhecer toda a história, mas sabem que os seus antepassados interagiram com os portugueses nalguma altura e valorizam isso porque faz tudo parte da construção do Quénia”, refere o especialista.

Também o governo português afirma estar empenhado na valorização deste património depois de ter empreendido um processo de aproximação entre os dois países e retomar a representação diplomática no Quénia, após um interregno de alguns anos como destaca a encarregada de negócios no país, Luísa Fragoso.

“Prosseguimos uma tradição de parceria que tem dado bons frutos e que pretendemos renovar conjuntamente, oferecendo o nosso know-how na área da recuperação e da preservação do património e reconhecendo o trabalho que o governo queniano tem desenvolvido nos edifícios históricos, como o Forte Jesus em Mombaça, onde realizou obras importantes para a sua preservação estrutural, no início deste ano”, destacou a diplomata.

Luísa Fragoso acrescentou que prosseguem os contactos para “definir novos programas de cooperação que vão ao encontro do interesse mútuo de perpetuar a história” que une os dois países.

O forte Jesus, que mudou nove vezes de mãos entre os séculos XVII e XIX, espelha a diversidade de Mombaça nos vestígios dos diferentes povos que por ali passaram : as ruínas da antiga capela portuguesa estão lado a lado com a casa dos árabes omani e os seus vários edifícios revelam os usos distintos que a fortaleza foi tendo, incluindo prisão, até chegar aos dias de hoje como atração turística.

O monumento perpetua na pedra os cem anos de presença portuguesa em Mombaça, lembrando as escaramuças com os árabes e outros povos que competiam pelo domínio da cidade, um importante entreposto comercial na rota das especiarias e comércio de escravos.

Ali chegaram a viver 400 soldados, adianta Raphael Igombo, salientando que o forte era um local “estratégico” que permitia avistar “cada navio que passasse por Mombaça”.

A epopeia da memória continua em Melinde, 100 quilómetros a norte, no local onde Vasco da Gama encontrou refúgio depois de uma receção hostil em Mombaça.

O pilar que o navegador português mandou construir para celebrar a amizade com o rei muçulmano de Melinde, ergue-se branco, solitário e vigilante, sobre um rochedo de coral, testemunho da passagem dos milhares de navios carregados de especiarias que despertavam a cobiça dos navegadores portugueses.

Hoje assiste ao corrupio dos turistas que costumam abundar junto deste monumento, um dos mais emblemáticos do Quénia.

Jimbi Katana, investigador do NMK, aponta para uma fenda que avança no maciço coralífero denunciando os efeitos da erosão e os estragos do mar sobre um dos monumentos mais antigos dos portugueses na África austral, construído ainda antes do Forte Jesus, em 1498.

“O mar está a subir e quando as ondas estão altas chega até aqui. Este é o risco que enfrentamos. Temos de garantir que esta área fica a salvo das marés e das correntes”, indica o responsável do NMK.

A base de coral onde está implantado o padrão revela a ameaça da subida dos mares que as pequenas estruturas de pedra que tentam atenuar a força das ondas não conseguem travar.

“As fundações estão a ser minadas pelas correntes. Parte da rocha onde nos encontramos colapsou e estamos a ver como podemos encontrar soluções para que o pilar não seja varrido pelo oceano”, diz Jimbi Katana, acrescentando que também é preciso financiamento.

A reabilitação envolve “a estabilização da rocha”, atravessada por um túnel, substituindo as vigas já oxidadas e desgastadas e a construção de um quebra-mar para minimizar o impacto das ondas, um projeto estimado em mais de 50 milhões de xelins (cerca de 500 mil euros).

“Queremos preservar este monumento que é uma paragem obrigatória em Melinde. É uma herança partilhada entre portugueses e quenianos”, destaca Jimbi Katana.

Portugal apoia as intenções quenianas garante Luísa Fragoso, que visitou o local este ano. “A cooperação na área do património não deixará de ter em conta os projetos definidos pelas autoridades quenianas para o investimento na revitalização dos monumentos e das áreas envolventes”, salientou.

Portugal está "disponível" para ajudar a preservar monumentos no Quénia

A reabilitação e conservação manutenção dos monumentos ligados à história portuguesa no Quénia compete ao governo queniano, mas Portugal está “disponível” para colaborar, segundo a secretária de Estado dos Negócios Estrangeiros e da Cooperação.

Património histórico, como Forte Jesus em Mombaça ou o padrão de Vasco da Gama e a igreja portuguesa de Melinde enfrentam diversos riscos, desde a erosão provocada pelo mar ao desgaste da passagem do tempo, mas a sua conservação está fortemente condicionada pelas dificuldades de financiamento.

Reconhecendo que estes são “três importantíssimos exemplos de património português em África”, Teresa Ribeiro assinalou que Portugal “está disponível para colaborar”, mas sublinhou que a recuperação do património e responsabilidades quanto à conservação desse património pertencem inteiramente ao Quénia.

“Nós [Portugal] ajudaremos sem nenhuma hesitação, mas o património está no Quénia, pertence ao Quénia e deve ser devidamente zelado pelo Quénia, ainda que possa mobilizar apoios internacionais e ainda que Portugal tenha um especial apreço pela conservação desse património e esteja disponível para ajudar à sua manutenção nas melhores condições”, afirmou a governante.

Teresa Ribeiro adiantou que Portugal está disponível para apoiar o Quénia sobretudo na elaboração dos estudos técnicos, para os quais conta também com o apoio da Fundação Gulbenkian “que tem dado um contributo inestimável na identificação do património e realização de estudos técnicos com vista à sua recuperação”.

Atualmente, o Quénia tem em curso intervenções no Forte Jesus, em Mombaça, monumento classificado pela UNESCO como património mundial e datado do século XVI e pretende avançar com a construção de um quebra-mar para atenuar os efeitos da ondulação sobre o padrão de Vasco da Gama, construído em 1498, em Melinde. In “Sapo 24” - Portugal

Madeira - A foca mais rara à face da Terra encontra-se no arquipélago

Em trinta anos, a investigação com o mais esquivo mamífero marinho do território português avançou extraordinariamente. As focas-monge são agora um tesouro bem mais conhecido



Navegando nas águas envolventes de uma ilha paradisiacamente florestada, a tripulação da caravela que se encontrava sob comando de João Gonçalves Zarco, Tristão Vaz Teixeira e Bartolomeu Perestrelo, os melhores navegadores e cartógrafos portugueses do início do século XV, mostrou-se perplexa. O som intenso e assustador semelhante a uivos de lobos que provinha daquelas margens rochosas despertava um misto de emoções. Repletos de medo, mas movidos pela curiosidade, estes marinheiros foram ao encontro do que seria o primeiro contacto do povo lusitano com uma população de lobos-marinhos.

Pouco tempo foi necessário para perceberem que estes seres estranhos, monstruosos e assustadores, tinham afinal de contas características bastante dóceis. Com a descoberta de um novo recurso de fácil exploração, iniciou-se um massacre que levou uma comunidade com cerca de dois mil animais à beira da extinção. Procurado pela sua pele que fornecia um excelente couro e pela gordura, usada nos sistemas de iluminação e cosmética, o lobo-marinho foi um dos primeiros produtos obtido e comercializado do Novo Atlântico para a Europa.

A foca-monge do Mediterrâneo (Monachus monachus), aqui também conhecida como lobo-marinho, é a foca mais rara à face da Terra. No ano de 1996, foi classificada pela União Internacional para a Conservação da Natureza como espécie ameaçada em Perigo Crítico e, desde 2015, passou a Ameaçada. É protegida por diversas convenções internacionais, por legislação nacional e regional.

Outrora abundante e dispersa por toda a bacia do Mediterrâneo, mar Negro, costa atlântica africana, arquipélagos das Canárias, Açores e Madeira, a espécie terá actualmente cerca de quinhentos indivíduos confinados em escassas regiões, como alguns países do Mediterrâneo, a Mauritânia e o arquipélago da Madeira. Lamentavelmente, hoje restam apenas alguns sobreviventes nas Desertas e mesmo na Madeira.

Este mamífero marinho de porte imponente, um dos maiores da família dos focídeos, pode atingir três metros de comprimento e pesar trezentos quilogramas. Uma constituição física assim requer alimento em abundância e se há aspecto com que os lobos-marinhos não brincam são as suas refeições. Apneístas exímios, mergulham por mais de quinze minutos em fundos rochosos e baixios próximos da costa, de forma a garantir peixe variado, cefalópodes e alguns crustáceos no seu cardápio. Quando esgotados das suas caçadas, estes seres admiráveis podem desfrutar de longas sestas no fundo marinho, retomando pontualmente o fôlego à superfície, sem acordar.

Vivem 20 a 25 anos solitários, o limite da sua longevidade, mas tornam-se mais gregários na época de criação. Durante esta fase, procuram praias abrigadas no interior de grutas ou mesmo praias abertas para acompanharem as suas crias durante quatro meses.

À semelhança dos humanos, o período de gestação é de nove meses. A fecundação ocorre quando os machos, sorrateiramente, tentam a sua sorte na fase mais receptiva das fêmeas. Ou seja, durante as brincadeiras e ensinamentos das progenitoras com os seus descendentes no mundo subaquático.

As gotas de humidade formadas pela condensação caíam no chão, marcando o compasso daquilo que parecia ser um filme de suspense. Passo a passo, Rosa Pires, bióloga do Instituto das Florestas e Conservação da Natureza, IP-RAM e coordenadora do projecto LIFE para esta espécie, e o vigilante da natureza Sérgio Pereira, mergulhados na escuridão de um covil, avançavam cautelosamente para não acordarem o seu morador de garras e dentes afiados. Sem que ninguém desse conta, de cada vez que a bióloga pousava na rocha uma caixa estanque com equipamento, gerava-se ruído. “Pára tudo, olha!”, sussurrou Sérgio, enquanto deu uma cotovelada à bióloga. Naquele instante, o corpo da investigadora foi dominado por arrependimento dos pés à cabeça.

As intempéries constantes que se fizeram sentir na Primavera do ano 2018 levaram a uma quebra de protocolo necessária em prol do estudo dos animais mais emblemáticos da região. Sem lanternas e sabendo da existência de um lobo-marinho no interior daquela gruta, os dois conservacionistas decidiram prosseguir com a operação, acreditando que não iriam perturbar o animal. Não podiam estar mais enganados!

O coração da bióloga palpitava com mais força à medida que o volume de calor apresentado pelo monitor do sensor térmico que segurava na mão aumentava e se deslocava na sua direcção.

“Ficámos completamente paralisados, quando a escassos centímetros de nós, sentimos um respirar pesado, com hálito semelhante ao odor de uma tonelada de peixe podre”, contou. Felizmente, a única intenção desta foca incomodada pelo barulho, foi a de abandonar o local. Sem mais demoras, Sérgio Pereira e Rosa Pires apressaram-se a concluir a instalação de um sistema pioneiro para monitorizar esta espécie. 

No ano crítico de 1988, quando restavam apenas oito focas-monge no território português, foi criado um Programa de Conservação pelo Serviço do Parque Natural da Madeira, com o objectivo de proteger esta espécie e o seu habitat. Ao longo das últimas três décadas, superando todas as expectativas, os trabalhos de monitorização e acções de educação e sensibilização ambiental tornaram a recuperação desta população uma verdadeira história de sucesso internacionais. “São seres extremamente resilientes que têm vindo a concretizar os nossos desejos mais ambiciosos”, explicou a bióloga, sorridente e orgulhosa.

Durante os primeiros anos, a equipa do projeto, consciente da árdua missão que tinha pela frente, dizia com frequência, em tom de brincadeira, que um dia avistariam lobos-marinhos em terra firme ou que estes haveriam de regressar das Desertas à Madeira. Afinal, essa presença chegou a ser numerosa. O próprio topónimo de Câmara de Lobos remete para uma época em que estas focas se banhavam nas praias da Madeira.

Por vezes, os sonhos tornam-se realidade. Aquilo que um dia não passava de ilusão, hoje sucede apesar de a espécie continuar a lutar pela sobrevivência. A interacção de lobos-marinhos com actividades piscatórias da região provocou a sua mortalidade acidental e intencional. Mais recentemente, a pesca ilegal é o maior factor de ameaça.

Longos foram os dias a percorrer a reserva marinha “Costa de las Focas”, na península de Cabo Branco, enquanto acompanhavam os trabalhos de campo da Fundação CBD-Habitat. Rosa Pires e a sua equipa estavam absolutamente maravilhados com os métodos inovadores que esta organização não-governamental desenvolvera para a proteção da foca-monge na Mauritânia. Perceberam de imediato que era imprescindível replicar tais operações na população madeirense. Após discutido o assunto, foi ali, em terras áridas do Noroeste africano que nasceu a ideia do que viria a tornar-se em 2014, o projeto LIFE Madeira Lobo-marinho, cofinanciado pelo instrumento financeiro do programa LIFE da União Europeia: uma parceria entre o IFCN, IP-RAM e a Fundação CBD-Habitat.

Na génese, o Projecto Life pretendia apurar de forma eficaz o estado de conservação da espécie M. monachus. Os conservacionistas, porém, estavam longe de imaginar as descobertas incríveis que este estudo viria a revelar ao mundo. Tratando-se de uma espécie com um efeito populacional reduzido devido à acção humana, os novos sistemas de monitorização não invasivos implicam a utilização de câmaras fotográficas automáticas e um sistema de rastreamento por GPS via satélite.

No primeiro caso, os aparelhos foram instalados nos abrigos mais frequentados por estes animais: quatro grutas e uma praia nas Desertas e duas grutas na ilha da Madeira. Uma vez que as grutas se encontram em escuridão total (o ambiente escolhido pelos lobos-marinhos), são disparados flashes infravermelhos de forma a captar imagens sem incomodar quem ali descansa. Para eliminar os resíduos de sal que se vão acumulando nas lentes, é utilizado um sistema de limpeza composto por tanques de água e um programador de rega. Com uma autonomia de largos meses, estes dispositivos são visitados apenas pontualmente para a recolha de imagens e possível manutenção.

Outro método implica a colocação de uma pulseira para recolha de informação sobre os movimentos dos animais no mar. Na verdade, é um jogo de paciência. Pela calada e com mestria de arte ninja, biólogos e vigilantes da natureza colocam pulseiras de cabedal num dos membros posteriores dos animais. Fixados a estas pulseiras, encontram-se dispositivos de GPS e TDR que registam dados de localização, tempo e profundidade. Quando chega a altura certa, as pulseiras são recolhidas da mesma forma que foram instaladas.

Deliciados com os resultados apurados, os investigadores tentavam controlar as suas emoções para não transformarem o escritório num salão de festas. Todas as conjecturas, baseadas nos trabalhos com métodos mais simples como a monitorização através da observação directa destes animais, ao longo de três décadas, estavam agora confirmadas cientificamente. “Valeram a pena todos os segundos das incontáveis horas, sentada naquele rochedo e de binóculo a olhar o mar”, conta Rosa Pires, com alguma nostalgia. Não existe espaço para dúvidas. Uma população que quase desapareceu do nosso planeta, hoje, embora ainda muito frágil, conta com exactamente 25 indivíduos.

À medida que os computadores descodificavam informação, a equipa surpreendia-se mais. “Foi pura magia ver pela primeira vez aquelas crias com apenas algumas horas de vida, no interior das grutas”, confessou a investigadora. Através da utilização destas câmaras, é agora possível acompanhar o número de nascimentos de forma mais precisa.

Sabia-se que as focas-monge tinham regressado recentemente à Madeira, após décadas de isolamento nas Desertas. Contudo, através do sistema GPS, foi possível constatar que estes animais batem recordes de maratonas aquáticas. No espaço de apenas um mês, são capazes de realizar dezenas de viagens entre as ilhas.

A cereja no topo do bolo deste projecto foi a revelação de comportamentos de mergulho que se encontravam guardados como segredos de deuses. Até aqui, acreditava-se que não passariam de 120 metros de profundidade. Agora, sabe-se que nadam com regularidade pelos fundos, a 200 e a 300 metros, atingindo a incrível profundidade máxima de 394 metros, o maior registo apurado para esta espécie.

O lobo-marinho é um predador que está no topo da cadeia alimentar. A sua presença indica que estamos perante um habitat bem preservado. Com o tempo, a luta pela sua conservação tem vindo a mudar mentalidades e os madeirenses hoje reconhecem-se nesta história de sucesso, motivo de orgulho para a ciência local e um verdadeiro ícone do território.

Numa época em que o turismo de natureza é visto como uma estratégia eficaz para o desenvolvimento económico, a protecção de pérolas do património natural português, como as focas que uivam como lobos, é fundamental. João Rodrigues – Portugal in “Sapo” com "National Geographic"

domingo, 2 de dezembro de 2018

Na língua de Camões











Vamos aprender português, cantando


Eu sei que deveria, deveria muito mais
compor na língua de Camões
escrever em português, oh não é nada fácil
vou pedir ajuda ao Carlos Tê

Rosinha Lobato o que você faria
para não rimar paixão com coração
o Ary dos Santos com escrita inteligente
foi uma esperança para a gente

Na arte de letrista não sou um virtuoso
e como posso fugir ao piroso? (piroso)
Queria ser Pessoa e escrever como Aquilino
e como Du Bocage ser menino (sadino)

Eu sei que deveria e poderia muito mais
compor na língua de Camões
escrever em português, com imaginação
que saudade do Carlos Paião

Rosinha Lobato o que você faria
para não rimar beijo com desejo
e o perseguido Zeca na clandestinidade
perseguia a liberdade

Não sou Sérgio Godinho, pois não sou virtuoso
e como posso fugir ao piroso? (piroso)
Mestre Mourão Ferreira eu quero o seu ensino
mas como Du Bocage ser menino (rabino)

The Lucky Duckies – Portugal

Letra e Música – Marco António Ramos Fernandes


sábado, 1 de dezembro de 2018

Lusofonia - Constituída em Braga Rede da GaliLusofonia



No passado sábado, 24 de Novembro, celebrou-se, na Biblioteca Lúcio Craveiro da Silva de Braga, a reunião de constituição da Rede da GaliLusofonia.

O presidente da Câmara Municipal de Braga, Ricardo Rio, inaugurou esta reunião, quem viu “com bons olhos este estreitar de laços entre as populações dos dois lados da fronteira, reforçando a identidade comum e as tradições da região, de forma a potenciar o talento que a mesma contém”. Também encorajou os assistentes a participarem ativamente na programação de Braga Capital Cultural do Eixo Atlântico 2020 e anunciou a geminação, aprovada no dia anterior, com Santiago de Compostela.

Continuou a reunião com uma ronda de apresentações onde se introduziu um breve debate sobre a língua portuguesa e as diferentes expressões que serviu para clarificar que, ainda que alguns a escrevam de forma diferente, é a mesma e isso é o que nos une.

Houve, também, uma visita guiada, com a Diretora da Biblioteca, que nos explicou as características documentais e as diversas funções sociais e educativas que desenvolve. Destacou um nutrido apartado de livros galegos fruto de doações oficiais, e que não está inserido na seção de livros estrangeiros.

O almoço, oferecido pela Câmara de Braga, no restaurante taberna Migaitas, foi muito cultural no gastronómico e nas parcerias que ali começaram a construir-se.

Na parte da tarde discutiram-se os aspectos puramente organizativos, nomeando uma gestora para esclarecer algumas questões legais sobre a melhor forma jurídica e também para fazer a redação dos estatutos, e a possibilidade de constituir a rede como Associação Internacional más ficou a dúvida do reconhecimento jurídico pleno nos dois estados. A gestora vai falar com um par de deputados europeus para esclarecer algumas dúvidas.

Criaram-se já algumas comissões (Difusão e Parcerias; Subsídios; Comunicação; Publicações) para ir avançando na elaboração dum plano de ação e atividades a curto, médio e longo prazo.

O Concelho de Cedeira propus celebrar lá uma reunião com motivo do Festival ‘Traz outro amigo também’, no segundo fim de semana de junho de 2019, mas antes deve celebrar-se a Assembleia para constituir formalmente a Rede.

A Rede vai estar presente no Festival Culturgal numa banca compartilhada com algumas destas organizações.

A AGAL esteve representada no encontro de Ponte Vedra polo seu vice-presidente, Carlos Quiroga, e em Braga polo secretário, Eliseu Mera.

A Rede da Galilusofonia, tem como objetivo juntar esforços, coordenar-se e cooperar na difusão de iniciativas encaminhadas a fomentar a nossa língua e cultura comuns no seu espaço natural, a Lusofonia, com grande potencial noutros campos como o económico e o institucional.

O projeto nasceu em Ponte Vedra, em Outubro passado, e é impulsionado por diferentes entidades galegas e portuguesas que partilham o objetivo comum de difundir a música e as artes e aproximar a língua e a cultura galegas da Lusofonia.

A Rede pretende concretizar os objetivos gerais em ações como estabelecimento de parcerias, o trabalho no reconhecimento e autenticação da língua e cultura comuns de forma multidirecional em todos os territórios, a inclusão de conteúdos curriculares em todos os sistemas educativos dos países de língua comum que evidenciem a história, língua e cultura comuns ou a recuperação, difusão e promoção do património cultural comum.

Nesta iniciativa estão presentes entidades galegas como a Associaçom Galega da Língua (AGAL), Escola Oficial de Idiomas de Santiago, Academia Galega da Língua Portuguesa, A Mesa pola normalización lingüística, Concelho de Ponte Areias, Concelho de Cedeira, Ponte nas Ondas ou Cantos na Maré. Na parte portuguesa participam TIN.BRA-Academia de Teatro (Braga), Associação José Afonso Portugal, Freguesia de Nogeiró, Castro Galaico Festival de Nogueiró, Livraria Traga Mundos ou Cantos d’Aqui. In “Portal Galego da Língua” - Galiza

África do Sul - Alunos universitários veem o português como uma língua de futuro profissional



A língua portuguesa é ensinada nas três mais importantes universidades da África do Sul, estando ainda prevista a introdução do português em outras duas instituições de ensino superior sul-africanas.

Na Universidade de Witwatersrand (Wits) estão atualmente inscritos 46 alunos, entre os quais oito alunos inscritos para o honours em 2019. A Universidade de Pretória teve, no segundo semestre deste ano, 45 alunos inscritos. A Universidade do Cabo teve um total de 78 alunos no ano letivo que agora termina, quatro dos quais concluíram este ano o major em Português. Há ainda seis novos alunos inscritos para 2019. “Tenciona-se introduzir o ensino de português nas Universidades do Free State, de Mpumalanga – em instalação, tendo sido aprovada este ano pelo Ministério do Ensino Superior a Faculdade de Humanidades – e do Kwazulu Natal. A concretizar-se, ficarão cobertas cinco das nove principais províncias da África do Sul”, revela Carlos Gomes da Silva.

Um grupo heterogéneo

No geral, na África do Sul os alunos a nível universitário formam um grupo heterogéneo, mais visível na Universidade de Witwatersrand onde há alunos sul-africanos, lusodescendentes, lusófonos e de outras nacionalidades a estudar a língua portuguesa. “Uma larga maioria dos alunos são sul-africanos que começam a aprender português pela primeira vez na universidade, no entanto, são os alunos lusodescendentes e lusófonos, que chegam ao ensino universitário com conhecimento prévio da língua, que completam o programa de major”, sublinha o coordenador do EPE no país.

Também na Universidade do Cabo o perfil dos alunos é variado. No primeiro ano, muitos escolhem português como disciplina de opção. São, em grande parte, alunos dos cursos de engenharia que pretendem, no futuro, trabalhar em Moçambique. Há ainda um considerável número de alunos que têm pais ou avós portugueses, angolanos ou moçambicanos e outros com motivações diversas, “desde curiosidade, visitas feitas a Moçambique sobretudo, e desejo de conhecer mais a cultura lusófona”, conta Carlos Gomes da Silva.

Já na Universidade de Pretória, de uma forma geral, os alunos aprendem português por razões familiares “ou por verem na língua portuguesa uma forma de maior empregabilidade”, completa.

A Coordenação do EPE na África do Sul tutela ainda o ensino em outros países da região sul do continente africano. A nível universitário, na Universidade da Namíbia a adjunta de coordenação assegurou a continuidade do programa de bolsas para a formação de professores de português e na Universidade do Botsuana os cursos de português para adultos chegam atualmente a 70 alunos. Neste país, a docente colabora ainda com o Secretariado da SADC (Comunidade de Desenvolvimento da África Austral), onde leciona um curso de língua para os funcionários daquela organização internacional.

Na Universidade da Suazilândia, a leitora está a preparar os programas e currículo para serem incluídos na licenciatura com a variante de Português (‘Portuguese Bachelor Education Programme’) e colabora ainda com o National Curriculum Centre (NCC), no desenvolvimento dos currículos de português para o ensino básico e secundário. E na Universidade do Zimbabué – onde há um leitor moçambicano ao abrigo de um protocolo de cooperação do Camões, I.P. com as universidades Eduardo Mondlane e do Zimbabué – o programa de português inclui cursos livres, major e honours, frequentados por 51 alunos.

Novidades em 2019

Para o próximo ano letivo, que começa no início de 2019, há várias novidades. Na Universidade de Witwatersrand vai começar a pós-graduação em Estudos Portugueses, que inclui uma componente de ensino de português como língua estrangeira, e está também pré-aprovado o mestrado para o ano de 2020, revela Carlos Gomes da Silva. Na Universidade da Namíbia, a licenciatura em ‘Estudos Portugueses’ foi renovada, “garantindo-se também a continuidade do estudo de português como opção na maior parte das licenciaturas da faculdade”.

Na Universidade do Botsuana o currículo da licenciatura em ‘Português e Estudos Lusófonos’ e respetivos programas foram revistos pela atual docente. Foi submetida para a aprovação do Senado “e esperamos que os primeiros cursos sejam lançados no próximo ano-letivo”, informa ainda.

Outra aposta do Camões, I.P. é o estabelecimento de protocolos entre universidades portuguesas e sul-africanas. A Universidade de Pretória tem já protocolos de cooperação com universidades portuguesas, de que é exemplo a Universidade do Porto, bem como com a Universidade Eduardo Mondlane, em Moçambique. Há neste momento um processo de negociações para a concretização destes protocolos, “que poderão passar por investigação conjunta e/ou intercâmbio de alunos e professores”, explica o coordenador do EPE.

Já este mês, na sequência da visita da Secretária de Estado dos Negócios Estrangeiros, Teresa Ribeiro, e do Presidente do Camões, I.P., Luís Faro Ramos, à África do Sul, vão ser iniciados contatos entre a Universidade de Witwatersrand e algumas instituições universitárias portuguesas, intermediados pelo Camões, I.P., para o estabelecimento de protocolos de cooperação que têm por objetivo o intercâmbios entre estudantes e docentes dos dois países.

Cursos b-learning: uma aposta a manter

A Coordenação do EPE tem apostado ainda nos cursos b-learning, modalidade de ensino que combina a formação à distância e a formação presencial, e é reconhecida como projeto-piloto para as restantes línguas não oficiais na Universidade de Witwatersrand.

Os programas b-learning permitem “racionalizar os recursos e custos”, sublinha o coordenador, sendo desenvolvidos em vários cursos dos programas de português, nomeadamente língua, cultura, literatura e cinema dos países de língua portuguesa, nas plataformas das instituições universitárias.

Carlos Gomes da Silva refere que a Universidade de Witwatersrand tem atualmente o programa curricular de português mais completo, “oferecendo desde janeiro de 2017 todos os cursos de língua, cultura e literatura dos países de língua portuguesa em modelo b-learning – 50% presencial, 50% online”. A modalidade é desenvolvida pela leitora e um docente do ensino secundário da rede EPE, em estreita colaboração com a Coordenação de Ensino, o que permite oferecer todos os cursos do programa de major e honours.

“Na discussão desta modalidade, garantimos que as componentes dos cursos online poderiam ser partilhadas pelas restantes universidades anglófonas da sub-região. As Universidades de Pretória, do Cabo, do Botsuana e do Zimbabué foram abordadas durante a segunda metade de 2016, tendo todas, manifestado interesse pela adoção do b-learning”, sublinha o responsável.
Cabe aos leitores e docentes das várias universidades, monitorizarem as componentes online, num processo que, segundo Carlos Gomes da Silva, representa uma redução de mais de 40% da carga horária de cada um deles, “tornando o processo de ensino e de aprendizagem mais económico e interativo”. Ana Grácio – Portugal in “Mundo Português”

Portugal - “Uma História de Assombro”: Exposição que evoca a relação entre Portugal e Japão



A mostra, inaugurada na Galeria do Rei D. Luís do Palácio Nacional da Ajuda, narra a história do encontro e reencontro entre Portugal e o Japão, ao longo de cinco séculos. A iniciativa prevê o lançamento de um catálogo de 173 páginas, com textos científicos, cronologia e imagens a cores.

Através de biombos, lacas, cartografia e armaduras, entre outros objetos raros, alguns expostos pela primeira vez ao público, a exposição narra uma história marcada pelo espanto e maravilhamento, mas também pela desconfiança, com momentos de aproximação, de contendas, corte de relações e diplomacia.

“Uma história que se conta tanto pela documentação escrita, como pela cultura material, a língua, a troca do conhecimento científico, a arte e a religião”, sublinha a organização, em comunicado.

“Uma História de Assombro. Portugal-Japão Séculos XVI-XX” é composta por peças de colecionadores particulares, de instituições públicas e privadas, portuguesas e japonesas.

Comissariada por Alexandra Curvelo e Ana Fernandes Pinto (Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa), e organizada pelo Palácio Nacional da Ajuda/Direção-Geral do Património Cultural e pelo Instituto Diplomático/Ministério dos Negócios Estrangeiros, a exposição contou com o apoio mecenático da Fujitsu e da Japan Foundation e o alto patrocínio do Presidente da República. In “Mundo Português” - Portugal