Pintura Arq. Eduardo Moreira Santos, Lx (28.08.1904 - 23.04.1992)

quarta-feira, 28 de novembro de 2018

Brasil - As térmitas criaram no Brasil uma cidade subterrânea do tamanho da Grã-Bretanha

As térmitas 'Syntermes dirus' medem apenas um centímetro, mas durante quase quatro milénios criaram no Brasil uma rede subterrânea de túneis, cujas escavações deixaram 200 milhões de montes de terra numa superfície do tamanho da Grã-Bretanha



"É o maior exemplo conhecido de bioengenharia e construção na superfície da terra por uma só espécie (para além do ser humano), e tudo feito por um inseto de mais ou menos um centímetro de comprimento", explica à AFP Roy Funch, biólogo americano naturalizado brasileiro.

Toda esta obra de engenharia animal estende-se numa superfície de 230 000 km2, no nordeste do Brasil. Funch e outros três investigadores (dois americanos e um britânico) publicaram a sua descoberta na semana passada na revista científica Current Biology.

Eles detalham no artigo que a área escavada por estes insetos para criar uma estrutura como essa equivale a "4000 pirâmides de Gizé", no Egito, também elas milenares.

Os habitantes do lugar conhecem desde sempre como "murundus" estes montes de 2,5 metros de altura e nove metros de diâmetro, cobertos pela vegetação da 'caatinga', o bioma semiárido do nordeste brasileiro.

Mas a desflorestação por ação humana deixou mais visíveis os termiteiros, e o uso de imagens de satélite permitiu concluir a área que cobrem. Mais de 90% pertence ao estado da Bahia. "Ficou então clara a sua extensão, e a importância científica do fenómeno", acrescenta Funch.

As imagens divulgadas no estudo mostram vastas extensões de terra pontilhada por estes montes cónicos, praticamente idênticos e com uma distribuição regular, separados por cerca de 20 metros uns dos outros.

O desenho da cidade

Para determinar a antiguidade da obra, os cientistas recolheram amostras do solo de onze montes e verificaram qual foi a última vez que estiveram expostas ao sol. A amostra mais antiga tinha 3820 anos. Estas idades são comparáveis às das térmitas mais antigas do mundo, na África, diz a publicação.

Agora que foi determinado que estes termiteiros são parte de uma grande "cidade" subterrânea, a ideia dos cientistas é continuar a investigar a sua distribuição e funcionamento. Sabe-se, por exemplo, que os termiteiros têm um túnel vertical que conecta os canais subterrâneos com a superfície.

Os montes de terra que ficam na superfície são simplesmente a terra removida pelas térmitas para realizar a sua obra. "Os montes aparentemente não têm a função de abrigar os ninhos das térmitas. Servem somente como lugares de 'despejo' do material retirado dos túneis que estes animais cavam, continuamente, debaixo do chão", explica Funch.

Sabe-se também que estas estruturas subterrâneas servem para esses insetos se protegerem do "meio inóspito (e perigoso) da superfície". Segundo o estudo publicado, os túneis nunca ficam abertos ao meio ambiente exterior, de modo que não se trata de um sistema de ventilação, mas de uma via de comunicação.

À noite, quando há comida disponível, grupos de 10 a 50 'trabalhadores' e 'soldados' emergem dos montes através de tubos temporários de oito milímetros de diâmetro, escavados a partir de baixo. Depois de usados, os túneis temporários fecham-se hermeticamente.

"Não temos ideia da arquitetura das 'cidades' dos insetos. Devem ter um salão da rainha, 'berçários', espaços para guardar comida, etc., e muitos túneis a conectar tudo, mas é tudo ainda desconhecido para a ciência", acrescenta o biólogo. In “Sapo 24” - Portugal

terça-feira, 27 de novembro de 2018

A arte do azulejo em Portugal e no Brasil

                                                          I
Considerada arte menor ou apenas decorativa, a azulejaria ganha agora foro de expressão artística com o estudo Desenhadores & Azulejeiros – Ensino e Aprendizagem, Arquitetura e História (Rio de Janeiro, Synergia Editora, 2018), de Clara Emília Sanches Monteiro de Barros Malhano e Hamilton Botelho Malhano (1947-2017), que resgata a história de vida de dois artistas portugueses – José Colaço (1868-1942) e Manuel Félix Igrejas (1928) –, além de analisar o ensino das Belas Artes no Brasil, o que inclui a azulejaria, e a sua relação com a arquitetura neocolonial e modernista. Para tanto, o trabalho, segundo definição dos autores, procura entender as “técnicas artesanais, manufatureiras e industriais da produção cerâmica azulejeira luso-brasileira em relação a outras produções de azulejos enquanto arte de caráter internacional”.

Nascido no Tânger, Marrocos, Colaço, de origem aristocrata, com formação acadêmica, pensou em emigrar para o Brasil e chegou a adquirir bilhete de viagem, mas deixou de fazê-lo porque a morte o alcançou antes, já na idade madura. Deixou atrás de si uma série de trabalhos, dos quais os mais famosos são os painéis de azulejos que decoram o grande átrio da Estação de São Bento, no Porto, desde 1915, e até hoje encantam os passageiros que por lá passam pela primeira vez ou não, e a parede de uma sala na Casa do Alentejo, próxima aos Restauradores, em Lisboa, de 1918.  No Brasil, porém, é mais conhecido pelos painéis da fachada principal do Estádio de São Januário, do Clube de Regatas Vasco da Gama, no Rio de Janeiro, que produziu na década de 1930.

Caricaturista e pintor de fama à época, Colaço esteve no Brasil em 1908 para participar da Exposição Nacional Comemorativa do 1º Centenário  da Abertura dos Portos do Brasil às Nações Amigas de Portugal e Algarves, onde se encontrou com o arquiteto português Ricardo Severo (1869-1940), seu amigo, ligado ao famoso escritório Ramos de Azevedo, de Francisco de Paula Ramos de Azevedo (1851-1940), de São Paulo, responsável pela construção de muitas casas e edifícios, que haveria de indicá-lo para vários trabalhos. Estabelecido temporariamente no Brasil, Colaço haveria de realizar a azulejaria do edifício-sede da Granja Guarany, em Teresópolis, da casa César Rabelo, em Petrópolis, da varanda do palacete Ortigão, no Cosme Velho, no Rio de Janeiro, e de algumas residências em Belo Horizonte e São Paulo, algumas projetadas por Ricardo Severo e Ramos de Azevedo. A casa de Ricardo Severo, a chamada “casa lusa”, na rua Tanguá, na capital paulista, também receberia painéis do artista, bem como a sua casa de praia no Guarujá.

De volta a Portugal, haveria trabalhar na Fábrica de Cerâmica Lusitânia, em Lisboa, fazendo painéis para várias residências particulares, como a do historiador de arte e etnógrafo açoriano Luís Bernardo Leite de Ataíde (1883-1955), atual Convento de Nossa Senhora de Belém, em Ponta Delgada, na Ilha de São Miguel, nos Açores. O prédio do Aquário Vasco da Gama, no Dafundo, no município de Oeiras, próximo a Lisboa, embora tenha sido inaugurado em 1898, só em 1931 receberia no frontão um painel de Colaço, em que se vê Netuno em carro puxado por cavalos marinhos em meio ao mar.

Em 1934, Colaço haveria de ir a Pangim, em Goa, trabalhar o tema “Os Lusíadas” para a entrada do Instituto Vasco da Gama, atual Instituto Luís de Meneses Bragança. De acordo com os autores, Colaço seria também o primeiro pintor de azulejos a utilizar a técnica de serigrafia ou silk screen na decoração azulejar de um conjunto de painéis executados para uma vila no Alentejo. Seus painéis iriam também decorar residências e edifícios em Angola e Moçambique. Em 1937, o conde António Dias Garcia (1859-1940) haveria de encomendar três imensos painéis a Colaço sobre a Escola de Sagres e o infante D. Henrique (1394-1460) a fim de ofertá-los ao Liceu Literário Português, do Rio de Janeiro.

                                               II
Já Manuel Félix Igrejas, autodidata, nascido na vila de Melgaço, no Alto do Minho, Norte de Portugal, próximo à fronteira com a Galiza, província da Espanha, emigrou em 1952  para o Brasil, passando a morar no Rio de Janeiro, onde deixou uma extensa folha de serviços prestados com vários de seus trabalhos expostos nas paredes de instituições luso-brasileiras, inclusive também na antessala da diretoria do Vasco da Gama no Estádio de São Januário e no Liceu Literário Português.

Depois de comandar a direção cultural da Casa do Minho, no Rio de Janeiro, por largos anos, Igrejas mudou-se em 2015 para a cidade de Campinas, ao lado da esposa, para ficar mais próximo da filha mais velha. Infelizmente, muitas das obras azulejares de Igrejas, bem como as de Colaço, no Brasil foram destruídas não só pela incúria do tempo como pela estupidez e ganância humanas e, especialmente, por dirigentes do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), que, segundo os autores, haveriam de promover uma “caça predatória aos exemplares de arquitetura neocolonial”.

Em entrevista com o pintor de azulejos, a professora Clara Emília pôde reconstituir com maiores detalhes a sua trajetória, desde a infância na vila de Melgaço, onde o pequeno Manuel se punha a imitar o irmão António Eduardo, oito anos mais velho, que já gostava de desenhar. Ambos se valiam de um espólio de esboços, pinturas e desenhos deixado por um irmão, Ventura (1906-1928), primogênito, que, aos 16 anos, deixara a pequena localidade por sentir que ali não haveria muito futuro para si e sua arte. Seguiria para a África e, dois anos mais tarde, iria para Belém do Pará, onde morreria ainda muito jovem.

Da infância, Igrejas recorda de abrir com sofreguidão um suplemento de desenhos coloridos intitulado Mickey, baseado no personagem do criador norte-americano Walt Disney (1901-1966), que saía encartado no diário O Primeiro de Janeiro, do Porto, o que era possível porque um de seus tios fazia a assinatura do jornal. Da adolescência, lembra de quando, aos 14 anos de idade, fez a sua primeira exposição mostrando trabalhos executados a carvão e a pastel. Aos 19 anos, já fazia cartazes para o cinema da vila.

Sem perspectivas, Igrejas, em meados de 1952, decidiu aceitar uma passagem sem volta para o Rio de Janeiro oferecida por um tio. Chegaria ao Brasil no começo de setembro e procuraria outro tio que era atacadista e tinha uma loja de casimiras no centro da cidade e morava no Catumbi. Lá, o azulejista viveria até 1954, quando haveria de se casar. Teve vários empregos até que conheceu um empresário do ramo, para quem passou a trabalhar num atelier que produzia ornamentos em louças e azulejos.

A partir de então, a carreira de Igrejas como azulejista foi rápida e em ascensão. Logo estaria fazendo painéis para o salão do Clube Carnavalesco Fenianos, na Lapa. Na mesma época, faria quatro painéis de grande porte para um hotel em Assunção, no Paraguai. Imagens de santos da Igreja Católica, da Sagrada Família e dos meninos Cosme e Damião, entre outras, povoariam os seus azulejos, sem contar os painéis votivos de maior monta, “além de figuras de baianas na lavagem da escadaria do Senhor do Bonfim”. Segundo os autores, a sua pintura reproduz efeitos de aquarelas, pastéis e óleos, “utilizando-se de todas as técnicas acadêmicas”.

Enfim, como observa o arquiteto e historiador Nireu Cavalcanti, doutor em História pelo Instituto de Filosofia e Ciências Sociais (IFCS) da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), no prefácio que escreveu para este livro, a partir da trajetória desses dois profissionais diferenciados, Clara Emilia e seu marido Hamilton Malhano construíram uma obra de grande importância para a história da arquitetura e da cidade do Rio de Janeiro. De fato, daqui para frente, esta obra torna-se referência incontornável para quem quiser estudar a arte da azulejaria em Portugal e no Brasil.

                                               III
Clara Emília Sanches Monteiro de Barros Malhano obteve título de doutora em História Social pelo IFCS/UFRJ, assim como o de mestre em História e Antropologia da Arte pela Escola de Belas Artes da mesma Universidade. Foi pesquisadora do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional e do Arquivo Público do Estado do Rio de Janeiro.

É autora dos livros: Aldeamento de São Fidélis; o sentido do espaço na iconografia (Ministério da Cultura-MinC/Iphan, 1995); e Da materialização à legitimação do passado: a monumentalidade como metáfora do Estado - 1920-1945 (Lucerna/Faperj, 2002). Escreveu e organizou outros livros em co-edição e publicou vários artigos em revistas especializadas. Em 2013, publicou o livro Sobragy dos Baronetes e da Saudade, obra sobre a produção de café na Zona da Mata Mineira no período de 1850 a 1950. Com Hamilton Botelho Malhano, escreveu também São Januário-Arquitetura e História (Mauad/Faperj, 2002).
Hamilton Botelho Malhano obteve os títulos de mestre em História e Antropologia da Arte pela Escola de Belas Artes da UFRJ e de doutor em História Social pelo IFCS/UFRJ. Etnólogo, atuou em áreas indígenas e realizou estudos e pesquisas na área de museologia e museografia. Publicou o projeto “Construção do espaço de morar entre os Karaja do Araguaia: aldeia, casa, cemitério” no Boletim do Museu Nacional, nº 55, de 1986. Foi autor de verbetes para a Encyclopedia of Vernacular Architecture of the World, publicada pela Cambridge University Press, em 1997. Com o falecimento de seu esposo, a professora Clara Emília Malhano é responsável agora pela Encyclopedia of Vernacular Architecture of the World, que está sendo reeditada e atualizada pelo escritório VMSA (Victor Mestre e Sophia Aleixo), de Lisboa. A nova edição será bilingue (português- inglês). Adelto Gonçalves - Brasil

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Desenhadores & Azulejeiros: Ensino e Aprendizagem, Arquitetura e História, de Clara Emília Sanches Monteiro de Barros Malhano e Hamilton Botelho Malhano, com prefácio de Nireu Cavalcanti. Rio de Janeiro: Synergia Editora, 1ª edição, 494 páginas, R$ 80,00, 2018. E-mail: comercial@synergiaeditora.com.br   Site: www.synergiaeditora.com.br
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Adelto Gonçalves é doutor em Letras na área de Literatura Portuguesa pela Universidade de São Paulo e autor de Gonzaga, um Poeta do Iluminismo (Rio de Janeiro, Nova Fronteira, 1999), Barcelona Brasileira (Lisboa, Nova Arrancada, 1999; São Paulo, Publisher Brasil, 2002), Bocage – o Perfil Perdido (Lisboa, Caminho, 2003), Tomás Antônio Gonzaga (Imprensa Oficial do Estado de São Paulo/Academia Brasileira de Letras, 2012),  Direito e Justiça em Terras d´El-Rei na São Paulo Colonial (Imprensa Oficial do Estado de São Paulo, 2015) e Os Vira-latas da Madrugada (Rio de Janeiro, Livraria José Olympio Editora, 1981; Taubaté-SP, Letra Selvagem, 2015), entre outros. E-mail: marilizadelto@uol.com.br

Brasil - Porto de Santos em expansão, apesar de tudo

SÃO PAULO – Levantamento estatístico da Companhia Docas do Estado de São Paulo (Codesp) mostra que o porto de Santos, apesar do abalo provocado pelos desdobramentos da operação da Polícia Federal que apura suspeitas de fraude em licitação e corrupção em contratos da estatal de R$ 37 milhões nas áreas de tecnologia da informação, dragagem e consultoria, segue em ritmo célere de crescimento, tendo o complexo portuário ultrapassado, pela primeira vez, a marca histórica de 100 milhões de toneladas de cargas movimentadas entre janeiro e setembro de 2018. Foram 100,3 milhões de toneladas, ou seja, 2,8% a mais, em comparação com os nove primeiros meses de 2017, quando o porto movimentou 97,6 milhões.

Entre as cargas de maior destaque, está a de soja, cuja movimentação atingiu 24,2 milhões de toneladas, quando somadas as variedades em grãos e farelo do produto. O crescimento é de 19,8% em relação à movimentação registrada entre janeiro e setembro do ano passado. Entre as importações, o adubo foi a carga de maior destaque. Até setembro, 2,8 milhões de toneladas entraram pelo porto. Apesar de expressivo, o movimento foi apenas 0,5% maior do que o registrado em 2017.

Só nos embarques de açúcar é que houve um decréscimo (26%). Já a movimentação de contêineres atingiu a marca de 3 milhões de TEUs (unidade equivalente a um contêiner de 20 pés), com uma evolução de 9,4% em relação a 2017. Nesse período, o fluxo de navios foi de 3.646, um aumento de 0,3% em relação aos três primeiros trimestres de 2017.

Tudo isso mostra que a diretoria que substituiu aquela que foi afastada depois das investigações da Polícia Federal terá muito trabalho pela frente para colocar o complexo portuário em condições de atender a uma demanda que cresce a cada ano. Dentro desse contexto, são de fundamental importância as obras da nova entrada da cidade de Santos, que neste ano tiveram grandes avanços com o prosseguimento das intervenções de responsabilidade da Prefeitura municipal e o início das que competem ao governo do Estado. Agora, a expectativa é que o governo federal, que assume a partir do dia 1º de janeiro de 2019, comprometa-se com o avanço da obra e também dê início à parte de revitalização que é de responsabilidade da União.

De grande importância também seriam as obras de dragagem, que tiveram início já ao final do atual governo e abrangem os quatro trechos que compõem o canal de navegação, da Barra até a Alemoa, numa extensão de 24 quilômetros, mais as bacias de evolução e os trechos de acesso aos berços de atracação. A previsão era que um total de até 4,3 milhões de metros cúbicos de sedimentos seriam retirados do fundo do canal. Com isso, esperava-se que os calados máximos de operação (13,2 metros) fossem restabelecidos, o que permitiria que o porto voltasse a operar sem restrições, proporcionando mais produtividade à principal zona portuária a serviço do comércio exterior e da economia nacional. No entanto, agora, diante das irregularidades constatadas pela Polícia Federal, já não se sabe se esse trabalho de dragagem terá continuidade.

Aliás, como esse trabalho equivale mais a encher um saco sem fundo, pois a sedimentação sempre volta em pouco tempo, melhor seria se o novo governo federal estudasse a possibilidade da construção de novas plataformas operacionais no porto de Santos, até mesmo offshore (longe da praia), que permitissem a atracação de navios post panamax, ainda que essa iniciativa tenha de ser entregue a uma empresa estrangeira com tecnologia e suporte financeiro para suportar tamanho empreendimento. Com isso, com certeza, em pouco tempo, seriam triplicados os atuais números da movimentação de cargas no porto santista. Milton Lourenço - Brasil


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Milton Lourenço é presidente da Fiorde Logística Internacional e diretor do Sindicato dos Comissários de Despachos, Agentes de Cargas e Logística do Estado de São Paulo (Sindicomis) e da Associação Nacional dos Comissários de Despachos, Agentes de Cargas e Logística (ACTC). E-mail: fiorde@fiorde.com.br. Site: www.fiorde.com.br

segunda-feira, 26 de novembro de 2018

Alemanha - Organização alemã (DASP) quer potenciar negócios com países africanos de língua portuguesa

Berlim – A Sociedade Alemã para os Países Africanos de Língua Portuguesa (DASP) trabalha há mais de trinta anos na divulgação de informação e no fortalecimento das relações entre a Alemanha e países como Angola ou Moçambique.

Helmut Siepmann, presidente da DASP desde 1998, admite que, na Alemanha, “há pouco conhecimento sobre os países africanos de língua portuguesa, e ainda há pouca gente envolvida em negócios com eles”. Os que existem, acrescenta, “ainda não estão bem relacionados com o público geral”.

“O que fazemos na DASP é convidar estas pessoas do comércio, do negócio e da política a contactar com o público. Por isso fazemos publicações, colóquios e conferências em várias cidades alemãs, não só em Berlim, mas também em Colónia ou Aachen”, revela o também professor universitário de românicas, com especialização em literatura portuguesa, da Universidade Técnica da Renânia do Norte-Vestefália em Aachen.

A Sociedade Alemã para os Países Africanos de Língua Portuguesa nasceu há mais de três décadas.

“Foi fundada porque tínhamos pouca informação sobre as antigas colónias portuguesas em África, tivemos a nossa necessidade de informar o público alemão sobre o que acontece e acontecia nestes países. Tentamos procurar informação desde várias vias”, esclarece Helmut Siepmann.

Além de um a dois colóquios por anos, e de várias conferências em diferentes universidades do país, a DASP produz quatro publicações por ano, disponíveis online ou em papel.

“Para cada país africano de língua portuguesa (PALOP) temos uma crónica alfabeticamente organizada e, em cada número, damos os acontecimentos de um período de três a quatro meses que são interessantes para o público, na Alemanha. Acompanhamos estas crónicas com publicações sobre política, comércio, indústria, medicina, nos diversos países”, revela o presidente da associação.

Cada publicação é distribuída pelos membros da sociedade, em algumas livrarias e também em instituições alemãs e de países como a Holanda, Áustria ou Suíça.

“Desta forma temos a possibilidade de multiplicação das nossas ideias, das nossas informações e atingimos um público muito vasto, até a diplomacia alemã. O Ministério dos Negócios Estrangeiros recebe continuamente as nossas publicações”, explica Helmut Siepmann.

O presidente da DASP realça a importância do desenvolvimento dos negócios e dos contactos com África, sendo para isso necessário “diversas reflexões e estudos”.

“A melhor possibilidade de desenvolver e multiplicar os contactos, seria começar naturalmente um comércio geral com estes países, que possuem as riquezas do petróleo, por exemplo. Nós temos o conhecimento da técnica e da otimização dos meios naturais que existem em África. Combinar estes dois aspetos seria o melhor”, concluiu o presidente da Sociedade Alemã para os Países Africanos de Língua Portuguesa.

A DASP tem cerca de meia centena de membros e organiza nos próximos dias 28 e 29 um colóquio com o tema “a condição das mulheres nos países da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa”. In “Inforpress” – Cabo Verde com “Lusa”

Estados Unidos da América - Baterias de lítio quase prontas para serem impressas



Bateria por impressão 3D

A maioria das baterias de lítio no mercado vem em formas cilíndricas ou retangulares.

Por isso, quando um fabricante está projetando um produto - como um telefone celular - é necessário dedicar um certo tamanho e forma à bateria, o que nem sempre permite uma otimização do espaço ou a liberdade de design que os projetistas gostam.

A boa notícia é que está sendo desenvolvido um método para imprimir baterias de íons de lítio em 3D, permitindo que elas tenham praticamente qualquer formato.

Teoricamente, as tecnologias de impressão 3D podem fabricar um dispositivo inteiro, incluindo a bateria e componentes estruturais e eletrônicos, em praticamente qualquer formato. Na prática, contudo, os polímeros usados para impressão 3D, como o poli-ácido lático (PLA), não são condutores iônicos, criando um grande obstáculo para a impressão de baterias.

Christopher Reyes e seus colegas da Universidade Duke, nos EUA, conseguiram agora desenvolver um processo para imprimir baterias de íons de lítio completas e usando apenas uma impressora 3D barata.

Condutividades elétrica e iônica

Reyes aumentou a condutividade iônica do PLA infundindo o polímero com uma solução eletrolítica. Além disso, ele aumentou a condutividade elétrica da bateria, incorporando grafeno e nanotubos de carbono de paredes múltiplas no anodo e no catodo, respectivamente.

Para demonstrar o potencial da bateria impressa, a equipe imprimiu uma pulseira de LEDs e óculos de LCD com baterias de íons de lítio integradas - eles fabricaram tanto baterias planares, quanto circulares, do tipo botão.

Segundo Reyes, mantidas as devidas proporções volumétricas - a bateria impressa é muito fina -, a capacidade de sua primeira geração de baterias de lítio impressa em 3D é cerca de duas ordens de magnitude menor que a das baterias comerciais, o que ainda é muito baixo para um uso mais amplo.

No entanto, ele afirma já ter várias ideias para aumentar a capacidade, como substituir os materiais baseados em PLA por polímeros imprimíveis em 3D. In “Inovação Tecnológica” – Brasil


Bibliografia:

Three-Dimensional Printing of a Complete Lithium Ion Battery with Fused Filament Fabrication
Christopher Reyes, Rita Somogyi, Sibo Niu, Mutya A. Cruz, Feichen Yang, Matthew J. Catenacci, Christopher P. Rhodes, Benjamin J. Wiley
Applied Energy Materials
DOI: 10.1021/acsaem.8b00885


domingo, 25 de novembro de 2018

Fácil














Vamos aprender português, cantando


Tudo é tão bom e azul
calmo como sempre
os olhos piscaram de repente
um sonho

As coisas são assim
assim quando se está amando
as bocas não se deixam
e o segundo não tem fim

E um dia feliz
às vezes é muito raro
falar é complicado
quero uma canção

Fácil, extremamente fácil
pra você, e eu e todo mundo cantar junto
fácil, extremamente fácil
pra você, e eu e todo mundo cantar junto

Tudo se torna claro, claro
pateticamente pálido
o meu coração disparado
quando eu vejo o teu carro

A vida é tão simples, é tão simples
e dá medo de tocar
as mãos se procuram sós
como a gente mesmo quis
como a gente mesmo quis

E um dia feliz
às vezes é muito raro
falar é complicado
quero uma canção

Fácil, extremamente fácil
pra você, e eu e todo mundo cantar junto
fácil, extremamente fácil
pra você, e eu e todo mundo cantar junto.

Diz fácil, extremamente fácil
fácil, extremamente fácil
pra você, e eu e todo mundo cantar sempre junto

Jota Quest - Brasil


Contos que exalam perfume

                                   
                                                           I
Depois de ambientar os seus dois primeiros romances – A última adolescência (Bom Texto, 2004) e Ladeira do Tempo-Foi (Synergia Editora, 2017) –  no tradicional bairro de São Cristóvão, no Rio de Janeiro, o escritor Helio Brasil retorna aos contos, gênero em que fez sua estreia tardia na literatura, aos 64 anos de idade, com a publicação de O anjo de bronze e outros contos (Oficina do Livro, 1994). Desta vez, em O perfume que roubam de ti... e outras histórias (Synergia Editora, 2018), título assumidamente inspirado nos versos da famosa canção “As rosas não falam”, dos compositores cariocas Angenor de Oliveira, o Cartola (1908-1980), e Guilherme de Brito (1922-2006), reúne 26 contos que retratam personagens de diversos momentos da vida brasileira, desde  o Brasil Colônia até os dias atuais.

Aparentemente, estas histórias são o resultado de uma vida inteira dedicada ao vício da literatura, amor escondido a sete chaves até que, já na idade madura, o autor, arquiteto de talento reconhecido por suas obras no Rio de Janeiro e também celebrado como professor universitário, resolveu deixar o excesso de modéstia de lado e transformar-se também em escritor. Ganhou a literatura de Língua Portuguesa, pois, desde então, o autor passou a fazer parte de um seleto grupo de escritores cujas carreiras começaram tardiamente, o que não os impediu de alcançar a fama e o reconhecimento literário, de que bons exemplos são José Saramago (1922-2010),  Pedro Nava (1903-1984) e Cora Coralina (1889-1985).

Agora, Helio Brasil decidiu revirar o baú para dar a público histórias inéditas que reúnem todos os sentimentos humanos, os bons e os maus, como amor, violência, solidão, preconceito, heroísmo, conspirações, desejo, fé, traição, intrigas, sedução, mistério e outros. Ao mesmo tempo, reedita alguns contos que já haviam sido publicados anteriormente em coletâneas.

São narrativas que podem ter como cenário um trem lotado no subúrbio carioca ou os salões do palácio real ou ainda os quartos e salas de casas modestas ou apartamentos grã-finos do Rio de Janeiro. Assim, figuras históricas como o holandês Maurício de Nassau (1604-1679), Estácio de Sá (1520-1567), dom João VI (1767-1826) e Domitila de Castro Canto e Melo (1797-1867), amante de dom Pedro I (1798-1834), primeiro imperador do Brasil, são recriadas por Helio Brasil em alguns destes contos, que trazem também personagens populares como uma faxineira, “agridoce rosa suburbana”, que é assediada por um empresário, seu patrão, um padre às voltas com a volúpia carnal, um empreiteiro que enriquece com a construção de Brasília, participando do jogo sujo do poder, ou  um escritor ghost writer endividado e atormentado pela necessidade de entregar um livro a ser assinado por algum endinheirado.

                                               II
Em outros contos, o leitor vai encontrar as peripécias da vida de uma amazona de um circo decadente, um jovem assediado e atormentado pela atração física que lhe produz sua suposta tia, ou ainda uma viúva cinquentona “esquecida por Deus”, moradora numa casa de cômodos no  decadente bairro do Catumbi, que, de repente, é descoberta e escolhida por um jovem interessado apenas em alguns minutos de prazer.

Para se ter uma ideia do estilo conciso e direto, que, de certa maneira, lembra o de outro escritor carioca famoso, Machado de Assis (1839-1908), segue um trecho do conto “Um alguidar cheio de frutas”, que conta a história daquela viúva, que nunca imaginaria que um rapaz ainda pudesse querer se aproximar dela apenas pelo deleite carnal, sem nenhuma má-intenção :

(...) Ziza percebeu que o medo não chegava aos olhos. Espanto. Não era o medo que lhe acelerava o peito. Suspendeu a respiração ao sentir os lábios do rapaz sobre os seus, enquanto o corpo forte a prendia contra o colchão. A mulher enlaçou-o com os braços e as pernas. Entre estranhas névoas de desejo, entregou-se inteira.

Como observa o escritor, lexicólogo e tradutor Ivo Korytowski na apresentação que escreveu para este livro, a nova obra de Helio Brasil exala um metafórico cheiro que faz lembrar de O perfume (1985), romance de sucesso internacional do alemão Patrick Süskind. Diz: Além do “perfume que roubam de ti”, perpassam pelas narinas do leitor “o perfume forte dos abacaxis, das laranjas e o odor sensual dos pêssegos”, “o perfume do jasmin”, “o perfume de tia Celeste” e “a suave e perfumada mão de Dorothy”. Para Korytowski, desde o livro de Süskind, “não se escrevia uma obra literária tão... perfumosa!”. Pois bem, depois desta apresentação, não resta ao leitor outra alternativa que não seja a de abrir bem as narinas e sair à procura deste novo livro de Helio Brasil. Não irá se arrepender.

                                               III
Nascido no Rio de Janeiro em 1931, Helio Brasil, formado em 1955 em Arquitetura pela Faculdade Nacional de Arquitetura da Universidade do Brasil, hoje Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), trabalhou no Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico (BNDE), atual BNDES, de 1955 a 1984, tendo supervisionado o projeto de construção da nova sede da entidade, inaugurada em 1982. Projetou em equipe edifícios residenciais, comerciais e industriais no Rio de Janeiro e em outros Estados. Lecionou durante 20 anos a disciplina Projeto de Arquitetura na Universidade Santa Úrsula e foi professor-visitante na UFRJ e na Universidade Federal Fluminense (UFF).

Depois que se aposentou pelo BNDES, passou a se dedicar à literatura, tornando-se um dos mais importantes ficcionistas brasileiros da atualidade. Dedica-se à escrita ficcional desde 1958, tendo obtido menções em concursos de contos. Frequentou a Oficina Literária do professor e escritor Ivan Cavalcanti Proença, editor da Livraria José Olympio Editora, do Rio de Janeiro, na década de 1980, pela qual teve trabalhos publicados em coletâneas. 

Sobre o bairro de São Cristóvão escreveu uma trilogia, composta de um livro de não-ficção – São Cristóvão: memória e esperança (Prefeitura do Rio de Janeiro, 2004) – e dois romances: A última adolescência e Ladeira do Tempo-Foi, romance dramático que tem como fulcro uma ladeira imaginária do bairro de São Cristóvão, à época da redemocratização pós-Estado Novo (1937-1946).

É autor também de O Solar da Fazenda do Rochedo e Cataguases (Synergia Editora, 2016), em co-autoria com José Rezende Reis; Cadernos (quase) esquecidos (2016), edição artesanal; Tesouro: O Palácio da Fazenda, da Era Vargas aos 450 anos do Rio de Janeiro (Editora Pébola, 2015), em co-autoria com Nireu Cavalcanti; e Pentagrama acidental, novelas (Editora Ponteiro, 2014).

Participou também das coletâneas de contos Doze autores e suas histórias (2003); A Marquesa de Santos (2004); Tempos de Nassau (2005); Ásperos e Macios (2010); O feitiço do boêmio 2010 (comemorando 100 anos de Noel Rosa), publicadas pela Editora Bom Texto; e O Rei, o Rio e suas histórias (2013), publicada pela Editora 7 Letras. Adelto Gonçalves - Brasil


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O perfume que roubam de ti... e outras histórias, de Helio Brasil, com apresentação de Ivo Korytowski. Rio de Janeiro: Synergia Editora, 1ª edição, 220 páginas, R$ 40,00, 2018. E-mail:comercial@synergiaeditora.com.br 
Site: www.synergiaeditora.com.br
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Adelto Gonçalves é doutor em Letras na área de Literatura Portuguesa pela Universidade de São Paulo e autor de Gonzaga, um Poeta do Iluminismo (Rio de Janeiro, Nova Fronteira, 1999), Barcelona Brasileira (Lisboa, Nova Arrancada, 1999; São Paulo, Publisher Brasil, 2002), Bocage – o Perfil Perdido (Lisboa, Caminho, 2003), Tomás Antônio Gonzaga (Imprensa Oficial do Estado de São Paulo/Academia Brasileira de Letras, 2012),  Direito e Justiça em Terras d´El-Rei na São Paulo Colonial (Imprensa Oficial do Estado de São Paulo, 2015) e Os Vira-latas da Madrugada (Rio de Janeiro, Livraria José Olympio Editora, 1981; Taubaté-SP, Letra Selvagem, 2015), entre outros. E-mail: marilizadelto@uol.com.br