Pintura Arq. Eduardo Moreira Santos, Lx (28.08.1904 - 23.04.1992)

quinta-feira, 4 de agosto de 2016

Portugal – Dois jovens portugueses detidos em Auschwitz

Dois jovens portugueses de 17 anos habituados a verem no seu país a danificação dos monumentos nacionais com grafites e a destruição de simples objectos, resolveram inscrever os seus nomes na porta do museu, dentro do antigo campo de concentração de Auschwitz na Polónia.

Ao serem detidos justificaram os seus actos, como um registo das suas presenças em Auschwitz, enquadrados no âmbito da Jornada Mundial da Juventude durante a visita do Papa Francisco, que juntou milhares de peregrinos.



As autoridades polacas iniciaram de imediato um processo por danos causados a um importante marco da herança cultural da Polónia, considerando a atitude dos jovens portugueses um crime muito grave.

O Gabinete do Procurador da Cracóvia informou que os jovens consideraram-se culpados e que não passava de uma conduta irrefletida. O tribunal decidiu que os portugueses podem regressar a casa com uma condenação de um ano de prisão com pena suspensa por três anos. Baía da Lusofonia

Uma saída para o Brasil

SÃO PAULO – Entre os 15 maiores exportadores, 14 têm suas pautas de exportação concentradas em produtos manufaturados. O Brasil não está incluído nesse seleto grupo, ocupando apenas a 25ª colocação no ranking de 2015 elaborado pela Organização Mundial do Comércio (OMC), embora tenha o 9º Produto Interno Bruto (PIB) do planeta, o que mostra que teria tudo para estar entre os 15 maiores. O fato triste nessa constatação é que, até o final de 2016, de acordo com os resultados do primeiro semestre, o País deverá cair para a 29ª colocação.

O Brasil, a exemplo do que ocorria à época colonial, ainda é visto (e assim atua) como grande fornecedor de matérias-primas. Mas com o parque industrial de que dispõe – pouco inferior ao da Coréia do Sul –, a tendência seria que fosse também grande provedor de produtos manufaturados, o que não significa que teria de deixar de continuar sendo fornecedor de commodities. No entanto, a Coréia do Sul, que está em 14º no ranking dos maiores exportadores, pouco fornece matéria-prima aos seus compradores, mas vende seis vezes mais produtos manufaturados que o Brasil.

Depois de 13 anos de má administração que levou a economia nacional ao fundo do poço, até a nossa condição de provedor de commodities está ameaçada porque o fornecimento de matéria-prima está perdendo competitividade não só porque a China não vem mantendo seu crescimento em níveis elevados como as despesas provocadas por uma infraestrutura defasada e deficiente pesam cada vez mais sobre o custo do frete.

Hoje, por exemplo, o custo do frete sobre a soja exportada representa mais de 25% do valor do produto, mas há mercadorias, como o milho, em que esse custo ultrapassa a barreira dos 50%. Como as cotações de commodities continuam a oscilar e baixar, muitos produtos podem se tornar inviáveis economicamente.

Diante disso, como as obras de infraestrutura logística seguem em ritmo lento, a saída seria que as commodities exportadas viessem a passar por um processo de industrialização ou pelo menos de agregação de valores. Mas, desde já, essa possibilidade se torna inexequível com o atual sistema tributário, que adiciona e onera custo ao produto durante o processamento industrial.

Obviamente, nas atuais circunstâncias, o que menos as autoridades fazendárias querem ouvir são sugestões de medidas que possam reduzir a arrecadação tributária. Mas a verdade é que um modelo que desonerasse o produto exportado, eliminando compensações, acúmulos de crédito ou de ressarcimento aos exportadores, haveria de estimular a economia, a tal ponto que a importação também aumentaria porque o País cresceria como um todo, especialmente com a criação de empregos e a ativação do mercado interno. E, a médio prazo, a arrecadação tributária cresceria normalmente apenas em função do crescimento da própria economia. Milton Lourenço - Brasil


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Milton Lourenço é presidente da Fiorde Logística Internacional e diretor do Sindicato dos Comissários de Despachos, Agentes de Cargas e Logística do Estado de São Paulo (Sindicomis) e da Associação Nacional dos Comissários de Despachos, Agentes de Cargas e Logística (ACTC). E-mail: fiorde@fiorde.com.br. Site: www.fiorde.com.br

Portugal - Centro Nacional de Cultura Bolsas Criar Lusofonia 2016

Decorre entre 18 de agosto e 16 de setembro de 2016 o prazo para candidatura ao programa Bolsas Criar Lusofonia, gerido pelo Centro Nacional de Cultura com o apoio do Ministro da Cultura.


O concurso Criar Lusofonia tem por objetivo a atribuição de bolsas no domínio da escrita para cidadãos de países da Comunidade dos Países de Língua Oficial Portuguesa.

Com estas bolsas pretende-se criar oportunidades de contacto aprofundado com outros países lusófonos aos escritores/investigadores de língua portuguesa, a fim de produzirem uma obra destinada à divulgação no espaço lusófono. Centro Nacional de Cultura


Mais informações e esclarecimentos:
Centro Nacional de Cultura
www.cnc.pt • alexandra.prista@cnc.pt
Tel: 213 466 722 • Fax: 213 428 250
R. António Maria Cardoso, Nº 68
1249-101 Lisboa

quarta-feira, 3 de agosto de 2016

Angola - Escola portuguesa de Saurimo ganha biblioteca

Projecto vai ser financiado pela Câmara de Vila Nova de Gaia, cidade que vai ser geminada com a capital da Lunda Sul.

A Escola Portuguesa da Lunda Sul, em Saurimo, vai ganhar uma biblioteca patrocinada pela Câmara de Vila Nova de Gaia, cidade portuguesa junto ao Porto, anunciou o presidente da câmara, Eduardo Vítor Rodrigues, à agência Lusa.

O projecto vai ser financiado com EUR 5000 (USD 5590) e o transporte de livros escolares e didácticos será garantido pela Porto Editora, no âmbito do acordo de cooperação assinado entre as três entidades: câmara, escola e editora.

A biblioteca, que vai chamar-se Vila Nova de Gaia, vai assim aumentar a qualidade de ensino na escola recentemente inaugurada e que conta com 121 alunos, entre os quatro e os 11 anos.

“Vila Nova de Gaia e Saurimo, capital da província de Lunda Sul, têm em curso um processo conducente à geminação das respectivas cidades, destinado a fortalecer os laços históricos, culturais e linguísticos que unem indelevelmente os povos angolanos e português”, afirmou o autarca, citado pela Lusa.

A geminação entre estes dois municípios contribuirá para fomentar e dinamizar o intercâmbio e a cooperação entre instituições das suas regiões, nomeadamente em projectos de educação e ensino visando a valorização recíproca e o progresso e bem-estar das populações, explicou. In “Rede Angola” (com Lusa) - Angola

Portugal - Câmara de Matosinhos quer carros eléctricos ao serviço do turismo

A Câmara de Matosinhos está disponível em discutir com a homóloga do Porto e a STCP a gestão das linhas de eléctrico, e interessada no restabelecimento da ligação com a Invicta.


















“O fundamental neste momento é uma manifestação concreta da vontade de todos os intervenientes de fazer deste um projecto estruturante no âmbito do transporte turístico entre Porto e Matosinhos”, afirmou à “Lusa” o vereador com o pelouro dos Transportes e Mobilidade na Câmara Municipal de Matosinhos, José Pedro Rodrigues.

De acordo com o vereador (eleito pela CDU), foi já estabelecido um acordo de princípio entre a Câmara de Matosinhos e a STCP, “com base no compromisso da Câmara de reservar, nos projectos presentes e no futuro, nas zonas de interesse do carro eléctrico, os corredores que permitam viabilizar a via-férrea”.

Neste momento, a STCP tem ao serviço três linhas de eléctrico, todas elas em funcionamento no Porto, sendo a relevante para Matosinhos a número 1, que liga o Infante, na Ribeira da cidade, ao Passeio Alegre, na Foz do Douro, ponto a partir do qual seria concebível a ligação a Matosinhos.

José Pedro Rodrigues realçou que os “traçados estão relativamente estabilizados”, havendo linha colocada em Matosinhos para que o eléctrico aceda ao concelho pela marginal e chegue ao Terminal de Cruzeiros de Leixões, faltando que a ligação seja completada do lado do Porto.

Segundo Nuno Santos, adjunto do presidente da Câmara Municipal do Porto, é prematuro avançar para a discussão de projectos deste teor antes da entrada em vigor do memorando de entendimento assinado entre o Estado, a STCP e as seis autarquias da Área Metropolitana do Porto que vão gerir a operação da empresa de transportes, a ser aplicado a partir de 2017.

No começo de Junho, o presidente da Câmara Municipal do Porto, Rui Moreira, reafirmou que, “neste momento, não há eléctrico” previsto para a Foz.

Desde 2012 que a STCP tem registado um crescimento na procura das linhas do eléctrico, atingindo 457 mil passageiros em 2015, mais 10,5% do que no ano anterior, embora represente 0,7% da procura global, de acordo com o relatório e contas da empresa de 2015.

Recorde-se que o serviço de eléctricos não foi incluído na concessão da STCP lançada pelo Governo anterior e revertida pelo actual. In “Transportes & Negócios” - Portugal

terça-feira, 2 de agosto de 2016

Namíbia - Planeia abertura das fronteiras a todos os africanos

A Namíbia quer abrir as suas fronteiras a todos os africanos como forma de mostrar que é possível assumir o pan-africanismo de alguns dos heróis do continente e erguer uma África liberta do peso dos golpes de estado e sustentada na dignidade dos seus líderes. E promete fazê-lo em breve.

A Namíbia vai abolir em breve a exigência de visto a todos os cidadãos africanos que se desloquem ao país, garantiu o Presidente Hage Geingob durante uma conferência sobre a política externa namibiana, dando cumprimento à denominada Agenda 2063 que determina a criação de um passaporte africano válido em todos os países até 2018. Sem apontar uma data precisa para a abolição do visto para todos os cidadãos africanos que atravessem a fronteira do país, o Presidente namibiano sublinhou que a intenção é integrar todos os africanos na disposição já assumida de não exigência de visto para todos os diplomatas e entidades oficiais dos estados africanos.

Citado pelo The Namibian, Hage Geingob afirmou que o primeiro passo é dar início à emissão de visas à chegada ao país e, posteriormente, abolir em definitivo a sua exigência para todos os africanos, porque a política externa de Windhoek estará centrada no pan-africanismo defendido e afirmado por lideres pan-africanistas como Kwame Nkruma, Patrice Lumumba, Julius Nyerere ou Sam Nujoma, ex-Presidente namibiano. Geingob enquadrou esta disponibilidade na perspectiva da “nova África”, uma África “onde os golpes de estado não são mais admissíveis e onde os lideres se retiram com dignidade, reflectindo a sua verdadeira narrativa”, considerando que “é esta África que queremos erguer a partir da Agenda 2063 da União Africana”. In “Txopela” - Moçambique

segunda-feira, 1 de agosto de 2016

Geni Guimarães: a cor da ternura da literatura negra

Escritora e poetisa, Geni versa sobre uma vida simples, bucólica e expõe conflitos raciais com potência























Mulher simples, da roça do interior de São Paulo, Geni Guimarães veio de família grande. Conversava com os bichos e ao se alfabetizar, começou a escrever sem um objeto específico e logo viu que escrevia. Descrevendo seus familiares negros, se firmou na literatura negra.

Histórias inventou para além do tempo, mas versar, não. Versar começou aos 8 anos. De lá para cá, tantas luas. Não sabe dizer que poesia gosta mais. “É o mesmo que perguntar para mãe qual filho gosta mais”, brinca. “Mas tem um poeminha chamado ‘Visão de Mim’ que me resume: Plantei árvores e poeta, fiz poemas redondos, do vento extrai minhas raízes saudáveis de negrume e altivez, no entanto isso tudo me indefine e o gosto do que fiz me incompleta, sou inacabada até que a morte me separe”.

A infância da escritora e poetisa foi colorida, barulhenta de ruído do mato e das vozes dos nove irmãos, pai, mãe, avó. Tem uma irmã mais nova especial que cuidava. “Eu me revoltei quando percebi que a Cema era diferente de mim, porque eu escrevia, lia e ela nada. Eu tinha uns 11 anos e só depois entendi que ela veio assim para me ensinar a humildade e simplicidade, que no fim as coisas são boas dependendo da sua visão”, relembra.

Ainda no ginásio começou a publicar nos jornais da cidade e, quando viu, estava nascendo seu primeiro livro de poemas, “O terceiro filho”, publicado em 1979.



Leito do peito

A relação com a mãe, Sebastiana, está bem presente em seus versos e prosa. Ela era conectada com o abstrato, com as energias divinas. Benzedeira, ensinava simpatias, era conhecedora das ervas. “Ela era uma ternura. Muito bonita. Fazia repentes. O que tenho (o dom de escrever), herdei dela. Não é nada meu, me deram”, conta.

Na dedicatória de um dos seus livros, Geni agradece a sua mais velha: “Pelo útero, pelo leite, pela fé, pela paz, por essa herança poética que transcende.”

Em “Lei do Peito”, seu livro de contos autobiográficos publicado em 1988, a escritora conta que quando criança mamava em pé enquanto a mãe trançava seus cabelos. Vez ou outra perguntava: “Mãe, a senhora gosta de mim?”. Ela estendia os braços e mostrava a medida do amor. “Era o tanto certo do amor que precisava, porque eu nunca podia imaginar um amor além da extensão dos seus braços”, escreveu Geni.

Sebastiana tinha "A cor da ternura", nome que batiza o livro de Geni de 1989. Ela faleceu aos 87 anos. “Queria entrar dentro dela para partir com ela”, suspira. Sua mãe era cheia de fantasia. Mesmo cega no final da vida, pedia com ternura para Geni abrir a porta para que ela pudesse "ver" as flores que ficavam do lado de fora. “Ela olhava com o olho do coração…Várias pessoas me ensinaram a vida, mas ela e minha irmã Cema foram especiais”.

Racismo

Geni escreve de maneira simples e potente. Só na hora de combater o racismo, enrijece. “Não tenho meias palavras até por que meu passado não deixa. Não da para levar tudo com suavidade”, pontua.

Para ela, ser mulher negra no mundo exige “muita coragem e força”, principalmente por ter a função natural de ensinar o que é ser negro. “Tenho netos e netas e converso muito com eles e com todas as crianças, inclusive as brancas, para elas saberem que somos diferentes, mas não inferiores”, diz.

Afirmar a negritude, nesse contexto, é muito importante. “Eu gosto de ser negra, gosto de me mostrar negra, porque a gente chega a isso com muita dificuldade, é muito enfrentamento”. Pena mesmo, sente das pessoas negras que ainda não se conscientizaram. “Elas não sabem que vacilando a gente se torna escravo de novo”, opina.

Geni vê com alegria a busca por igualdade racial na sociedade, mas ainda teme que o racismo “aperte tanto” a população negra e que ela desista. “Nunca devemos deixar de ser negro, de levar a todos os meios possíveis a mensagem do negro, a vida negra. É da gente essa terra!”, afirma potente.

Entrevista com Geni Guimarães aqui.

Escritoras

Da sua casa em Barra Bonita (SP), acompanha a movimentação de jovens escritoras negras para quem Geni é uma referência. “Tem muita mulher escrevendo, muitas dessas terão seus filhos como seguidores”, fala ao se referir as escritoras Elizandra Souza, Raquel Almeida, Jenyffer Nascimento e tantas outras.

Com a literatura não se deslumbra. Gosta mesmo é de sentar na calçada todas as tardes com as outras mulheres do bairro e bater um bom papo. “Isso preenche minha vida e dá opção de escolha na minha literatura”, finaliza sorrindo. Juliana Gonçalves – Brasil in “Brasil de Fato”

Obras

Poesia

Terceiro filho - Bauru: Editora Jalovi, 1979

Da flor o afeto, da pedra o protesto - Barra Bonita: Ed. da Autora, 1981

Balé das emoções - Barra Bonita: Ed. da Autora, 1993

Contos

Leite do peito - São Paulo: Fundação Nestlé de Cultura, 1988; Belo Horizonte: Mazza Edições, 2001 (reedição revista e ampliada)

A cor da ternura - São Paulo: Editora FTD, 1989. 12 ed. 1998

Literatura infantil

A dona das folhas - Aparecida: Editora Santuário, 1995

O rádio de Gabriel - Aparecida: Editora Santuário, 1995

Aquilo que a mãe não quer - Barra Bonita: Ed. da Autora, 1998