Pintura Arq. Eduardo Moreira Santos, Lx (28.08.1904 - 23.04.1992)

terça-feira, 6 de maio de 2014

Porto de Aveiro quer avançar com os contentores

Porto de Aveiro conta com novos operadores para movimentar contentores

O presidente da Administração do Porto de Aveiro, José Luís Cacho, espera que, com a entrada de novos operadores portuários, o Porto de Aveiro esteja a movimentar contentores, dentro de um ano.

Em declarações à Lusa, José Luís Cacho considera que a situação de "quase monopólio" no negócio da movimentação de cargas contentorizadas tem prejudicado a execução do Plano Estratégico do Porto de Aveiro, cujas infraestruturas foram concebidas tendo em conta esse objetivo.

Com as obras realizadas na última década, o Porto de Aveiro passou a dispor de um cais de 450 metros, com 13 hectares de terraplenos, com um potencial de expansão em 500 metros e 38 hectares, mas "não tem havido interesse" dos operadores portuários instalados em operar contentores.

Enquanto isso, pequenas empresas exportadoras da região queixam-se dos elevados custos de terem de exportar através de Leixões, com um porto "ao pé da porta".

José Luís Cacho reconhece o problema, mas sublinha que apenas é da responsabilidade da administração portuária construir e gerir as infraestruturas, cabendo a operação aos privados.

"A movimentação de contentores está incluída no Plano Estratégico do Porto de Aveiro e é um objetivo importante para o Porto, que vai de encontro às expectativas das empresas exportadoras da região. Para exportar mais e melhor precisam de baixar os custos logísticos, e compreende-se que a proximidade de uma infraestrutura destas, pelo efeito de proximidade que tem, permitirá às empresas terem custos mais baixos, por estar perto das unidades de produção", diz.

O presidente do conselho de administração da APA atribui o facto de Aveiro ainda não estar a movimentar contentores a vários fatores, entre os quais o negócio dos contentores ser "um pouco fechado e ter uma cadeia de intervenientes em que não é fácil mudar os hábitos" porque os operadores portuários que estão em Aveiro operam as mesmas cargas em Leixões e Lisboa.

As imposições da troika obrigaram o governo a rever as concessões portuárias e anuncia-se a entrada de novos operadores no mercado, com o que o Porto de Aveiro pode beneficiar.

"Há aqui um problema de quase monopólio na movimentação dos contentores desde Leixões a Setúbal e isso tem prejudicado um pouco essa nossa estratégia, mas vão entrar novos operadores na movimentação de carga no Porto de Aveiro que têm manifestado esse interesse", adianta José Luís Cacho.

Aveiro dispõe de "uma infraestrutura nova, com qualidade, que reúne todas as condições" e na perspetiva do presidente da APA não invalida as apostas feitas por Leixões: "começando Aveiro a fazer contentores não quer dizer que se deixem de fazer em Leixões e noutros portos. O que é importante é haver mais alternativas, o que cria concorrência no mercado dos contentores, permitindo baixar os custos da operação portuária, com ganhos para todos". In “Porto de Aveiro” - Portugal

segunda-feira, 5 de maio de 2014

A Língua Geral Paulista

A linguista Fabiana Raquel Leite identificou, durante sua pesquisa de mestrado na Unicamp, uma nova fonte de estudos para a Língua Geral Paulista (LGP), principal idioma falado no Estado de São Paulo entre os séculos 16 e 18. Trata-se de um vocabulário com 1.311 entradas. O documento, único registro do século 19 desta Língua, foi publicado no século 20 e vinha passando despercebido por estudiosos do tema.

A LGP é originária do contato dos dialetos falados pelos índios tupis e colonizadores portugueses. O documento, intitulado Vocabulário Elementar da Língua Geral Brasílica, foi publicado em 1936 na Revista do Arquivo Municipal de São Paulo. “Apesar de trazer em seu título a denominação ‘Língua Brasílica’, o vocabulário de autoria de José Joaquim Machado de Oliveira constitui, efetivamente, uma fonte da LGP. Foi isso que demonstramos no estudo, essa é a descoberta”, esclarece Fabiana Leite.

O achado integrou pesquisa desenvolvida por ela junto ao Instituto de Estudos da Linguagem (IEL), sob a orientação do professor Wilmar da Rocha D’Angelis, um dos principais estudiosos da área de línguas indígenas do país. O trabalho contou com financiamento da Coordenadoria de Aperfeiçoamento de Pessoal de Ensino Superior (Capes).



“Língua Brasílica, denominação corrente nas crônicas jesuíticas, caracterizava estes dialetos falados a partir do contato dos colonizadores e índios. O termo ‘língua geral’ é utilizado para referir-se à língua indígena mais difundida na costa brasileira nos séculos XVI e XVII. A principal contribuição do estudo foi conhecer um pouco mais essa Língua Paulista e identificar uma nova fonte valiosa de registro e estudo. Com isso, novas perspectivas para a pesquisa poderão surgir. A LGP foi muito importante, era praticamente a língua oficial do nosso Estado”, fundamenta a pesquisadora da Unicamp.

Fabiana Leite explica que, ao contrário das outras línguas gerais existentes no país, a paulista está extinta. No Brasil, a partir da colonização, foram faladas três línguas gerais. Duas no domínio português: a Língua Geral Paulista e a Língua Geral Amazônica, falada no Norte, nos atuais estados do Maranhão e Pará. E outra, denominada Língua Geral Guarani, falada no Sul, na época em que o Estado estava sob o domínio espanhol.

“A Língua Geral Amazônica sobreviveu e hoje ela é conhecida também como Nheengatu. Foi documentada, existe gramática, dicionário e é uma língua viva. Já a LGP deixou de ser falada no início do século 20. Para as línguas amazônica e guarani existem muitas documentações, ao contrário da paulista. O principal documento de registro dessa língua conhecido até então era um dicionário de verbos compilado e publicado pelo naturalista alemão Carl Friedrich Philipp von Martius, que recebeu este documento de segunda mão”, contextualiza.

A língua paulista tem suas origens nos dialetos dos índios tupi de São Vicente e do alto do rio Tietê. Com a ação dos bandeirantes no Brasil colonial, ela foi disseminada também para os estados de Minas Gerais, Goiás, Mato Grosso e Paraná. “É uma língua de origem indígena, mas com elementos do português, espanhol e do guarani. Comparada à Língua Geral Amazônica, a paulista apresenta uma maior influência do idioma do colonizador português, espanhol e, também, do guarani. Por essa razão, autores como von Martius, a consideraram uma língua menos pura. Podemos dizer que a LGP era o idioma corrente das bandeiras paulistas”, descreve a pesquisadora.

Vocabulário

A linguista Fabiana Raquel Leite
Fabiana Leite concluiu sua dissertação em três anos. Boa parte do seu trabalho foi pesquisar se o “Vocabulário Elementar da Língua Geral Brasílica” era uma fonte de registro do Nheengatu, a língua falada no Norte, ou da Língua Geral Paulista. “Durante a pesquisa descobri que realmente este documento é um registro da língua paulista. Isso estava passando despercebido. Devido à escassez de documentação sobre a LGP, para a análise comparativa dos dados, foram utilizados critérios fonológicos e morfológicos. A insuficiência de documentação não nos permitiu a utilização de critérios gramaticais. Analisamos, ainda, as diferenças semânticas existentes entre o léxico tupi e o guarani”, justifica.


O Vocabulário Elementar foi publicado em 1936, 69 anos após a morte do seu autor, o militar e político José Joaquim Machado de Oliveira (1790 - 1867). Além da carreira política, Machado de Oliveira se destacou pela rica produção intelectual e cultural. A linguista da Unicamp acrescenta que ele foi sócio da Revista Trimestral do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro, instituição na qual publicou grande parte de seus trabalhos.

Foram, no total, 36 obras publicadas e diversos manuscritos inéditos. As publicações abarcam uma rica variedade de assuntos: etnografia, criação do bicho da seda, estatística, recrutamento militar, imigração, colonização, geografia, além de biografias e relatos de viagens. “O neto dele, José de Alcântara Machado, encontrou os manuscritos desse Vocabulário e publicou. Muitas respostas ficaram sem preencher porque, embora eu tenha procurado o manuscrito durante toda a pesquisa, tive que me basear apenas na publicação editada pela Revista do Arquivo Municipal de São Paulo”, reconhece.

Para a elaboração do Vocabulário, a estudiosa da Unicamp informa que o autor consultou obras de Luís Figueira (A Arte da Língua Brasílica, em especial), de António Ruiz Montoya e o manuscrito da segunda parte do Dicionnario Portuguez-Brasiliano e Brasiliano-Portuguez.

“O Vocabulário possui 1.311 entradas que ocupam as páginas de 129 a 171 da Revista do Arquivo Municipal de São Paulo. Na sequência delas, encontramos uma lista de 73 entradas denominada Vocabulário dos Índios Coroados. As entradas estão em língua geral, seguidas da tradução em português”, detalha.

Manuscrito da Biblioteca Nacional

Chegando ao final da pesquisa, durante o exame de qualificação, Fabiana Leite identificou outro documento de registro da Língua Geral Paulista. “Trata-se de um manuscrito da Biblioteca Nacional do Rio de Janeiro, provavelmente do século XVIII, intitulado Vocabulário da Língua Geral dos Índios das Américas. É um documento importante que consta de 440 entradas e não traz indicação de data e autor.”

O manuscrito já havia sido apresentado em 2001 durante comunicação proferida no II Colóquio sobre Línguas Gerais pelos estudiosos Aryon Dall’Igna Rodrigues, ex-docente da Unicamp, e Ruth Maria Fonini Monserrat, ambos pesquisadores atuais do Laboratório de Línguas e Literaturas Indígenas (LALLI) da Universidade de Brasília (UNB). Sílvio Anunciação – Brasil in “Unicamp”
  
Publicação
Dissertação: “A Língua Geral Paulista e o ‘Vocabulário Elementar da Língua Geral Brasílica’ ”
Autora: Fabiana Raquel Leite
Orientador: Wilmar da Rocha D’Angelis
Unidade: Instituto de Estudos da Linguagem (IEL)

Financiamento: Capes

domingo, 4 de maio de 2014

Você é real











Vamos aprender português, cantando


Nossa história começou de maneira original
você leu meu coração e me fez cantar
me leva em teu delírio, no teu sonho impossível
que eu já ouço teu desejo em milhões de canais

Você sabe quem eu sou quando estou sentimental
quando beijo tua flor nem me lembro mais
dos sonhos, dos terríveis, do metal, dos insensíveis
das batalhas pelas estrelas e nem dos heróis

Ah! onde você for eu vou te procurar
quando a saudade chega no lençol
o pensamento vai longe demais

Vem, chega pelo vento vem na minha voz
eu não aguento ver você me olhar
com esse jeito de quem me quer mais, quer mais...

Você sabe quem eu sou e eu já sei quem somos nós
qualquer chama de amor queima nossa voz
me leva o paraíso, tudo é vasto em teu sorriso
e eu já posso ter certeza: você é real

Simone - Brasil

Composição:

Fausto Nilo - Brasil



sábado, 3 de maio de 2014

Luta contra o paludismo

200 mortes no ano 2000  para zero em 2014

Até ao ano 2000 o paludismo matava mais de 200 pessoas por ano em São Tomé e Príncipe. Crianças menores de 5 anos eram as principais vítimas. Segundo o Programa nacional de luta contra a doença, o país que na altura tinha cerca de 120 mil habitantes, registava mais de 70 mil casos de paludismo por ano.

Na base de uma estratégia nacional de luta contra a doença que começou a ser implementada no ano 2004, implicando a pulverização das casas, a utilização dos mosqueteiros impregnados, a introdução de novos medicamentos para tratamento da doença, o cenário mudou.

Mudou tanto que a OMS e outros parceiros internacionais louvaram o país pelo êxito no controlo do paludismo.

Conquista importante que fez São Tomé e Príncipe sobre cumprir um dos objectivos do milénio, que é o de redução do paludismo em 50%. O país conseguiu reduzir a doença em mais de 80%.

O Programa Nacional de Luta Contra o Paludismo, anunciou que em 2014 ainda não foi registado qualquer óbito por paludismo. O número de casos continua a baixar, e as autoridades intensificam acções com vista a eliminação da doença. Abel Veiga – São Tomé e Príncipe in “Téla Nón”

sexta-feira, 2 de maio de 2014

Casamansa – Hedionda conspiração

Hedionda conspiração contra a Casamansa

O Senegal não quer fazer parar o seu jogo doentio e perigoso que consiste em instrumentalizar os irmãos e as irmãs casamanseses para atacar a Casamansa.

Tudo acaba por se saber. Esta regra, repetidamente verificada, é aplicável às duras provas que os casamanseses experimentaram desde 1960.

Depois de terem oposto os líderes políticos, os líderes da guerrilha e os combatentes, mas também as mulheres do MFDC e aquelas da dita “Plataforma”, desta vez a manobra visa dividir as comunidades cristãs e muçulmanas a pretexto do fiasco que acompanhou os diferentes pólos de sensibilidade do Movimento das Forças Democráticas de Casamansa (MFDC).

Os imãs e bispos “orientados” pelo Senegal retomaram o mesmo discurso político e a mesma estratégia do Estado do Senegal visivelmente para meter a faca na ferida. Um ataque ordenado, sugerindo que dum lado estariam os bons, evidentemente o Senegal e o seu governo e do outro lado estariam os maus, todos aqueles que na Casamansa pretendem ser livres e independentes. Esta abordagem baseia-se na falsidade na acusação de ódio contra o outro como ser humano. Os últimos acontecimentos da blasfémia do culto católico em Ziguinchor esclarecem-nos.

Na Casamansa, todos nós sabemos, animistas, cristãos e muçulmanos vivem em harmonia e simbiose, mesmo antes da chegada dos colonizadores. O cemitério de Santhiaba em Ziguinchor, onde todos os mortos são enterrados independentemente da sua religião, é a grande e bela ilustração da vontade comum de viver juntos até à morte.

É necessário que estas acções visando semear a discórdia entre os muçulmanos, cristãos e animistas cessem imediatamente. O povo da Casamansa não o tolerará. Bintou Diallo - Casamansa

quinta-feira, 1 de maio de 2014

Brasil – Ferrovia em debate

A Estrada de Ferro Mauá, oficialmente denominada Imperial Companhia de Navegação a Vapor e Estrada de Ferro de Petrópolis, foi a primeira ferrovia a ser estabelecida no Brasil. Construída pelo Barão de Mauá, foi inaugurada em 30 de abril de 1854, ligando o Porto de Mauá a Fragoso, no Rio de Janeiro. O trecho de 14,5 km seguia da estação de Guia de Pacobaíba (A estação recebeu esse nome após ser arrendada pela EF Príncipe do Grão Pará), no atual município de Magé, até Fragoso, localidade de Inhomirim. A extensão até Raiz da Serra (Vila Inhomirim) se deu em 1856, onde se iniciaria a subida por cremalheira para Petrópolis, e Areal, somente 30 anos mais tarde. Por volta da década de 60 o tráfego entre Pacobaíba e Piabetá foi suprimido.

Hoje, 160 anos depois, ainda resta um pequeno trecho da primeira ferrovia do Brasil com tráfego de trens (trens de subúrbio operados pela Supervia, em uma extensão de sua linha que termina em Saracuruna) entre Piabetá e Vila Inhomirim. Mas o sistema ferroviário brasileiro não resistiu à opção do país pelo desenvolvimento de rodovias e do sistema de transporte baeado no automóvel.

No momento que o Brasil exige investimentos em sua logística, a situação dos trens na atualidade foi tema do debate “Sistema ferroviário brasileiro – Diagnósticos e propostas”, em comemoração ao aniversário da ferrovia no Brasil. A atividade ocorreu dia 25 de abril de 2014, na sede da Federação do Comércio do Rio de Janeiro (Fecomércio-RJ), promovida pela FNE e sua abertura do evento contou com a participação do governador do Rio de Janeiro, Luiz Fernando Pezão, que ressaltou a iniciativa da Federação. "Fico feliz em ver engenheiros, este país ficou 30 anos cuidando da moeda e esquecemos de sonhar. A gente sonha com engenheiros e arquiteto. Não havia projetos na área de infraestrutura no Rio. Este País parou. Perdemos essa memória e vemos o país precisando cada vez mais de bons projetos, embora tenha recursos", disse Pezão.

O presidente do SEESP e da FNE, Murilo Celso de Campos Pinheiro, ressaltou a necessidade de elaborar propostas para retomar investimentos na ferrovia com urgência. O governador, do Rio procurou prestar contas das iniciativas estaduais e disse que o governo publicou um edital de licitação do projeto para a expansão da linha do metrô, em um trajeto que ligará a Gávea ao Largo da Carioca. Além disso, ele prevê o lançamento de mais três editais para a criação de conexões metroviárias do Jardim Oceânico ao Recreio, da estação Uruguai ao Méier, e também a atualização da linha Estácio-Carioca. Ele falou ainda em lançar mais três editais para ligar o Jardim Oceânico ao bairro do Recreio, para ligar a estação Uruguai, na Tijuca, ao Méier, e também atualizar a linha Estácio-Carioca, que é um trecho importantíssimo para a cidade. Quanto à renovação de frotas de trens urbanos, Pezão disse que a previsão, até dezembro deste ano, é de 150 trens com ar-condicionado em circulação, toda a frota com sistema de climatização no primeiro semestre de 2015.

Participaram da abertura e manhã de debates o presidente da Fecomércio, Orlando Diniz, o consultor no setor de transporte e logística, Marcelo Perrupato, e o vice-presidente da FNE, Carlos Bastos Abraham, em debare sobre o futuro da ferrovia no Brasil. Perrupato lembrou que o Plano Nacional de Logística e Transporte prevê R$ 428 bilhões de investimentos até 2023, sendo 47% só para ferrovias.

A primeira atividade da tarde foi dedicada às obras do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), com palestra do consultor da FNE, Carlos Monte, em mesa coordenada por Fernando Palmezan Neto, oordenador do projeto “Cresce Brasil + Engenharia + Desenvolvimento”

O evento seguiu com mesa redonda, com representação de ministérios, orgãos públicos e representativos do setor: Ministério dos Transportes/Secretaria de Política Nacional de Transportes (MT/SPNT); Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT); Associação Nacional de Transportes Ferroviários (ANTF);Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro (Firjan); Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp). A mesa foi coordenada pela diretora regional Sudeste da FNE, Clarice Aquino Soraggi.

As palestras seguintes apresentaram perspectivas da Ferrovia no século XXI, pelo Instituto Nacional de Pesquisa Ferroviária, com o consultor Wellington de Aquino Sarmento e o Museu Nacional Ferroviário, com Francisco Costa, da Secretaria Nacional de Política dos Transportes. O Presidente da Associação de Engenheiros Ferroviários (Aenfer) Luiz Euler Mello coordenou atividade. Federação Nacional dos Engenheiros - Brasil

Produção mundial de manufaturados

A indústria brasileira sofreu uma perda substancial de competitividade na fabricação de manufaturados nos últimos dez anos. A alta dos salários e dos preços da energia e a valorização do câmbio aumentaram fortemente os custos de produzir no Brasil, tendência não compensada por ganhos expressivos de produtividade. Em 2014, fabricar manufaturados no país era 23% mais caro do que nos EUA, um salto drástico em relação a 2004, quando o custo da indústria brasileira era 3% menor.

Os dados são de estudo do Boston Consulting Group (BCG). Segundo o relatório, os salários no Brasil mais do que dobraram na última década, período em que o câmbio teve valorização de 20% em relação ao dólar. A produtividade do trabalho, contudo, cresceu apenas 3%. O custo industrial de eletricidade subiu 90% e o do gás natural, cerca de 60%.

"O Brasil perdeu terreno em todas as dimensões", resume o estudo, que analisa o desempenho dos 25 maiores exportadores, responsáveis pelas vendas de cerca de 90% de manufaturados no mundo. O custo de produzir esses bens no Brasil se iguala ao da Bélgica e da Itália, e é apenas um pouco mais baixo que na França e na Suíça. Na Austrália, o custo é 30% superior ao dos EUA.

No relatório do BCG, o Brasil aparece como um dos países "sob pressão", ao lado de China, Rússia, Polônia e República Tcheca. O grupo é formado por economias "tradicionalmente de baixo custo", cuja deterioração da competitividade na última década se deve a um amplo conjunto de fatores, segundo o BCG. Os EUA e o México, por sua vez, são classificados como as "estrelas ascendentes". O crescimento moderado de salários, ganhos sustentados de produtividade, câmbio estável e vantagens no setor de energia explicam a crescente capacidade desses dois países em competir com os demais.

Ainda é mais barato produzir manufaturados na China do que nos EUA, mas a diferença encolheu nos últimos dez anos, segundo o BCG. Em 2004, o custo de fabricação na China era 14% menor do que nos EUA. Hoje, a diferença é de apenas 4%. Os salários e o preço da energia subiram com força no país asiático nesse período. Ajustados pela produtividade, os custos trabalhistas aumentaram 187%, enquanto os preços do gás natural tiveram alta de 138%. A energia elétrica ficou 66% mais cara.

Os EUA e o México são os países que mostram evolução mais favorável no estudo do BCG. Os salários americanos, por exemplo, subiram 27% de 2004 a 2014, bem abaixo dos 71% registrados pela média dos 25 países analisados. Os preços do gás natural, por sua vez, caíram 25% para os produtores americanos, ao passo que subiram em média 98% para os 25 maiores exportadores. A eletricidade teve alta de 30% nos EUA, variação bem inferior aos 75% da média dos países.

Esses fatores explicam por que muitos analistas falam num renascimento da indústria americana. A chamada revolução do xisto, que tem contribuído para aumentar a produção de gás e petróleo, derrubou os preços do custo de energia, ao passo que os salários estão contidos. No México, a situação também é favorável. Produzir manufaturados no país é 9% mais barato do que nos EUA. Sérgio Lamucci – Estados Unidos da América in “Valor Econômico”