Pintura Arq. Eduardo Moreira Santos, Lx (28.08.1904 - 23.04.1992)

segunda-feira, 7 de janeiro de 2013

Demolições


A tentativa de demolição de uma casa clandestina no passado dia 03 de Janeiro de 2013, em Achada Grande Frente, na cidade da Praia em Cabo Verde, ordenada pela Câmara Municipal da Praia e acompanhada por agentes da Polícia Nacional, levou à detenção do repórter fotográfico e realizador Paulo Cabral, que apercebendo-se de uma movimentação anormal para o local, decidiu fotografar o acontecimento.

A habitação inserida numa zona de casas clandestinas, pertencente ao cidadão cabo-verdiano Mário Lopes, que entretanto se ausentou para a Guiné Equatorial onde trabalha, estava a começar a ser demolida quando o fotógrafo Paulo Cabral, começou a testemunhar a ocorrência, tirando fotografias de um local público, a rua defronte da residência.

Depois de detido, mesmo após a apresentação da sua identificação, em que mostrava que estava devidamente credenciado para o exercício da actividade jornalística, o fotojornalista Paulo Cabral, segundo testemunhas oculares, foi agredido dentro da viatura policial, com um capacete de um dos elementos policiais.

A Associação dos Jornalistas de Cabo Verde (AJOC) através da sua presidente Carla Lima repudiou o comportamento das autoridades policiais, considerando que está em causa a democracia em Cabo Verde, por estar a ser recorrente este tipo de situações, em que os jornalistas, são impedidos de exercer a sua profissão. A AJOC apoiou o fotojornalista, através do advogado Odair Teixeira, que após uma detenção de 24 horas na esquadra de Achada Santo António, foi presente a tribunal, onde foi libertado após alguns minutos. A habitação foi demolida no dia seguinte, sexta-feira. Baía da Lusofonia

domingo, 6 de janeiro de 2013

CMLP

Realiza-se de 16 a 19 de Janeiro de 2013, sob o lema "Governação em Saúde: Compromisso para a Melhoria dos Cuidados", o VI Congresso da Comunidade Médica de Língua Portuguesa (CMLP), que reunirá cerca de duzentos médicos da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP).

Vão participar neste congresso que terá lugar na Universidade Piaget, na cidade da Praia em Cabo Verde, médicos de Angola, Brasil, Cabo Verde, Guiné Bissau, Macau, Moçambique, Portugal, São Tomé e Príncipe e Timor Leste, que irão partilhar experiências, através da apresentação de temas de interesses comuns.

Paralelamente os congressistas acompanharão o II Congresso da Ordem dos Médicos Caboverdianos e o VIII Congresso da Associação de Saúde Mental da Língua Portuguesa. Para um melhor acompanhamento destes congressos a organização criou um blogue congresso2012cv.blogspot.com onde todos os interessados poderão acompanhar a organização destes eventos.

Recorde-se que o V Congresso da CMLP decorreu no ano passado em Luanda, capital de Angola, nos dias 18 e 19 de Agosto de 2012 sob lema "Melhorar a Saúde no Espaço da CMLP: Um desafio com Múltiplas Especificidades". Na ocasião os congressistas, debateram aspectos relativos à saúde mental, à violência sexual contra crianças, às reformas psiquiátricas entre outros assuntos. Baía da Lusofonia

Comissão de Honra ao VI Congresso da Comunidade Médica de Língua     Portuguesa:

Sr. Presidente da República de Cabo Verde
Dr. Jorge Carlos Fonseca
Sra. Ministra-adjunta e da Saúde de Cabo Verde
Dra. Cristina Fontes Lima
Sr. Presidente da Câmara Municipal da Praia
Dr. Ulisses Correira e Silva
Srs. Embaixadores dos países membros da CMLP

Sr Bastonário da Ordem dos médicos Cabo-verdianos
Dr. Júlio Barros Andrade
Sr Representante da OMS
Dr. Barrysson Andriamahefazafazy

Srs. Bastonários e presidentes das Associações da CMLP
Bastonário da Ordem dos Médicos de Angola
Prof. Dr. Carlos Alberto Pinto de Sousa
Presidente do Conselho Federal de Medicina do Brasil
Prof. Dr. Roberto Luiz D’ Ávila
Bastonário Ordem dos Médicos da Guiné Bissau
Dr. Agostinho N´Dumba
Bastonário da Ordem dos Médicos de Moçambique
Dr. Aurélio Zilhão
Bastonário da Ordem dos Médicos de Portugal
Prof. Doutor José Manuel da Silva
Presidente da Associação Médica Brasileira
Prof. Dr. Florentino Cardoso
Presidente da Associação dos Médicos de Língua Portuguesa de Macau
Dr. Rui Mota Furtado
Presidente da Associação Médica de Moçambique
Dr. Jorge Arroz
Presidente da Assembleia Geral da OMC e ex Ministro da Saúde
Dr. Ireneu Fileto Gomes
Ex-Presidente do Associação Médica Mundial
Prof. Doutor José Luiz Amaral
Srs. ex-Bastonários da Ordem dos Médicos Cabo-verdianos
Dr. Dario Dantas dos Reis
Dr. Luís Nobre Leite
Mag. Reitor da Unipiaget
Dr. Jorge Brito

Comissão Organizadora:

Dr. Daniel A. Silves Ferreira
Dr. Danielson P. Veiga
Dra. Dolores M. M. Vasconcelos
Dr. Hélder J. Almada
Dr. Hélder M.E. Tavares
Dra. Hélida Djamila L. Fernandes
Dr. Ildo A. S. Carvalho
Dr. José Luís L. Spencer
Dra. Maria do Céu T. Teixeira
Dra. Maria de Lurdes S. Monteiro
Dra. Maria da Luz Lima F. Mendonça
Dra. Nair S. Santos Lucas
Dra. Odete M. S. Cardoso
Dra. Samila E. Inocêncio
Dra. Sandra Lobo

sábado, 5 de janeiro de 2013

Exemplo

            Uma senhora de 53 anos, de seu nome Yu Youzhen, a viver na cidade de Wuhan no sudeste da China, quando jovem trabalhava na agricultura e colocava os produtos que cultivava no mercado local onde os vendia.

            Yu Youzhen sempre foi uma mulher poupada e com todo o dinheiro que amealhou, resolveu investir adquirindo terrenos pertencentes ao governo chinês e, começou a construir edifícios para depois alugar.

            Os seus edifícios, num total de 17, segundo parecer oficial, valem hoje 1,2 milhões de euros, mas a senhora Yu Youzhen prefere continuar a trabalhar, na limpeza das ruas da cidade, laborando seis dias na semana e auferindo um ordenado mensal de 170 euros, afirmando que o importante para ela, é ser um exemplo para os seus dois filhos, ambos assalariados, um rapaz de profissão motorista, com um vencimento de 230 euros, uma rapariga que recebe mensalmente 350 euros. Baía da Lusofonia

sexta-feira, 4 de janeiro de 2013

Historiador


“Nos idos tempos de minha juventude, o radicalismo político era indiscutivelmente vermelho, nas suas várias tonalidades; do rubro encarnado do livrinho de pensamentos do presidente Mao até o rosa choque da social-democracia. As velhas tias baianas desenvolveram uma sábia teoria, pela qual comunismo era como surto de sarampo. Era normal na infância e muito perigoso na maturidade! Hoje, o radicalismo mudou de cor. Ele é indiscutivelmente verde, em todas as suas tonalidades; do verde-oliva dos defensores da floresta, ao verde-musgo dos defensores das águas, até o verde- claro dos defensores do ar puro e do clima fresco.

Para que meus amigos verdes não fiquem verdes de raiva, devemos reconhecer que o radicalismo é da natureza dos movimentos sociais. Cada movimento existe em função de uma pauta específica, focada em uma questão que assegura a legitimidade e a militância de todos os seus simpatizantes. Por isso os movimentos sociais são sempre maximalistas. Assim é que os governos são de partidos políticos e não de movimentos sociais.

O mais grave é que os radicalismos nunca andam sós. Ao lado do verde infantil, anda o saudosismo senil. Nós todos, pós-sexagenários, sentimos bater em nossas mentes a saudade de nossa própria juventude. “No meu tempo tudo era melhor”. Ai que saudade tenho da Estância Hidromineral de Dias D’Ávila, veraneio de toda a minha infância. Nunca mais os banhos das milagrosas lamas preta e branca, nunca mais a cata de mangaba nos tabuleiros… ai que saudade! Mas nem por isso pretendo destruir o Polo Petroquímico, principal atividade industrial da Bahia. Esta patologia tem hoje um sintoma: a saudade da Itaparica do meu avô! Como diz o povo, amor que fica é amor de Itaparica!

A mais recente manifestação deste encontro de radicalismos é a oposição apaixonada ao projeto de construção da ponte Salvador-Itaparica. Este não é um projeto rodoviário isolado. Ele faz parte de todo um planejamento do Estado da Bahia para a reativação da Baía de Todos os Santos e seu entorno, o Recôncavo Baiano. Esta baía nunca foi um local bucólico de contemplação e sim um local de trabalho produtivo! O desafio do presente é a restauração do desenvolvimento articulado de toda a baía, com indústria naval, interligação de estradas com o sistema de portos e expansão da indústria automobilística e do Polo Petroquímico.

A baía bucólica é o triste resultado das mudanças econômicas dos anos 60, com o funcionamento da Rio-Bahia e com a implantação da economia do petróleo, que produziram um Recôncavo desenvolvido, chamado Região Metropolitana de Salvador, e um Recôncavo abandonado, chamado de Histórico. Nestes espaços abandonados, ficou uma população pobre, os nativos, sem acesso aos serviços de saúde, educação, sem emprego e sem rendas, indigentes das migalhas dos ricos veranistas e turistas do Recôncavo desenvolvido, que durante algumas semanas no ano, iam descansar as vistas com a pobreza alheia. Na Baía do século XXI, tanto nativos quanto veranistas tem o mesmo direito de acesso aos benefícios do desenvolvimento, pois são todos cidadãos baianos.

O grande remédio contra os radicalismos é a prática da democracia. Que todos os interessados sejam ouvidos! Que se defina a justa medida da preservação da cidade de Itaparica, cidade histórica e estância hidromineral, de modo a protegê-la dos impactos negativos da desfiguração urbana e da implacável especulação imobiliária. Queremos todos que a cidade de Itaparica continue a produzir milagres com a sua água fina, que faz velha virar menina.“

Com o título “Radicalismo e Desenvolvimento” escreveu Ubiratan Castro de Araújo no dia 07 do passado mês de Outubro o seu último texto no blogue que era o autor “Blog do Bira Gordo”. Aí podemos ler uma pequena biografia que passo a citar: “Nascido em Salvador, em 22 de dezembro de 1948, Professor Doutor Ubiratan Castro de Araújo exercia, desde 2007, o cargo de diretor-geral da Fundação Pedro Calmon, unidade da Secretaria de Cultura do Governo da Bahia.

Doutor em História pela Université Paris IV-Sorbonne, Mestre em História pela Université Paris X-Nanterre, Licenciado em história pela Universidade Católica do Salvador e Bacharel em Direito pela Universidade Federal da Bahia. É membro da Academia de Letras da Bahia, onde ocupa a cadeira 33, cujo patrono é o poeta abolicionista Castro Alves.

É professor da Faculdade de Filosofia e Ciências Humanas da Ufba. Foi diretor do Centro de Estudos Afro-Orientais da Ufba (CEAO), presidente do Conselho para o Desenvolvimento das Comunidades Negras de Salvador (CDCN) e é Irmão Professo da Venerada Ordem do Rosário de Nossa Senhora dos Homens Pretos a Portas do Carmo, localizada na Igreja do Rosário dos Pretos no Largo do Pelourinho.

No primeiro mandato do presidente Luís Inácio Lula da Silva (entre 2003 e 2006), Ubiratan Castro de Araújo trabalhou com o ministro da Cultura, Gilberto Gil, presidindo a Fundação Cultural Palmares. Desde 2007, integra o Governo Jaques Wagner, sendo diretor-geral da Fundação Pedro Calmon, unidade da Secretaria Estadual de Cultura.

Entre os prêmios e títulos que recebeu, destacam-se: a Medalha do Bicentenário da Restauração Portuguesa da Academia Portuguesa de História, o Troféu Clementina de Jesus da União dos Negros pela Igualdade (Unegro), a Medalha Zumbi dos Palmares da Câmara Municipal de Salvador e, a mais recente, a Comenda da Ordem Rio Branco, condecoração oferecida pelo Ministério das Relações Exteriores do Brasil. É autor dos livros: A Guerra da Bahia, Salvador Era Assim - Memórias da Cidade, Sete Histórias de Negro, o primeiro trabalho ficcional do autor e Histórias de Negro (versão ampliada).”

Enquanto presidente da Fundação Cultural Palmares, Ubiratan Castro de Araújo projectou o Brasil na assunção  do debate sobre a diáspora africana, com a realização de diversos encontros históricos, como a II Conferência de Intelectuais da África e Diáspora (CIAD) e apoiando o presidente Lula da Silva nas viagens ao continente africano, a chave mestra na oportunidade para um maior relacionamento Brasil – África. Baía da Lusofonia

                Em memória de Ubiratan Castro de Araújo, Salvador (Brasil)

                                                   22.12.1948 – 03.01.2013

quinta-feira, 3 de janeiro de 2013

Cooperação


"AGLP - A Academia Galega da Língua Portuguesa acaba de assinar 2 novos protocolos de cooperação, com a Academia Internacional de Direito Linguístico - The International Academy of Linguistic Law, com sede em Montréal, Canadá, e com a Lusophone Society of Goa - Sociedade Lusófona de Goa, Índia.

A Academia Internacional de Direito Linguístico realizou recentemente, Chiang Mai, Thailândia, a sua 13 Conferência Internacional, de 13 a 17 de dezembro. A colaboração com esta entidade refere os âmbitos linguísticos e educacionais e científicos, bem como o relacionamento cultural. O protocolo foi assinado pelo presidente da ALW, Joseph-G. Turi, e o presidente da AGLP, José-Martinho Montero Santalha.

A Sociedade Lusófona da Goa mantém viva a herança lusófona nessa região da Índia, facilitando o relacionamento cultural e económico com os países de língua portuguesa.

Goa é um estado da União Indiana (República da Índia). Situa-se entre os estados de Maharashtra a norte e de Karnataka a leste e sul, na costa do mar da Arábia, a cerca de 400 km a sul de Bombaim. É o menor dos estados indianos em território, o quarto menor em população, e o mais rico em PIB per capita da Índia.

A língua oficial de Goa é o concanim, mas ainda existem segmentos da população que falam português, devido ao domínio de Portugal na região por 450 anos. Goa, a partir de 1510, foi a capital do Estado Português da Índia, tendo sido integrada na União Indiana em 1961. As suas principais cidades são Panaji também chamada de Panjim (ou Pangim, antigo nome português), Madgaon (Margão em português), a cidade de Vasco da Gama e a cidade de Mapusa (Mapuçá em português). Goa acolhera a terceira edição dos Jogos da Lusofonia em 2013, ano em que a língua portuguesa terá uma oportunidade para fazer valer o seu peso.

O protocolo de cooperação foi assinado pelo presidente da LSG, Aurobindo Xavier, e o presidente da AGLP, Montero Santalha, visando promover "as relações e o intercâmbio cultural, científico e educacional, nos domínios de interesse comum, acordando a divulgação das respetivas atividades, nomeadamente as relacionadas com a investigação, difusão e defesa da língua portuguesa e com a situação do português da Galiza e de Goa". A Academia Galega tem já assinados protocolos com entidades de Angola, da Argentina, do Brasil, da Catalunha, da Índia, de Macau, de Portugal e do Quebeque." Portal Galego da Língua - Galiza

quarta-feira, 2 de janeiro de 2013

Silêncio


Silêncio e tanta gente

Às vezes é no meio do silêncio
que descubro o amor em teu olhar
é uma pedra
ou um grito
que nasce em qualquer lugar

Às vezes é no meio de tanta gente
que descubro afinal aquilo que sou
sou um grito
ou sou uma pedra
de um lugar onde não estou

Às vezes sou também
o tempo que tarda em passar
e aquilo em que ninguém quer acreditar

Às vezes sou também
um sim alegre
ou um triste não
e troco a minha vida por um dia de ilusão
e troco a minha vida por um dia de ilusão

Às vezes é no meio do silêncio
que descubro as palavras por dizer
é uma pedra
ou um grito
de um amor por acontecer

Às vezes é no meio de tanta gente
que descubro afinal p'ra onde vou
e esta pedra
e este grito
são a história d'aquilo que sou

Maria Guinot - Portugal

terça-feira, 1 de janeiro de 2013

Pressupostos

Durante o ano de 1985 muitas vozes apregoavam que a iminente entrada na CEE Comunidade Económica Europeia iria trazer riqueza aos portugueses que num período de dez anos alcançariam os vencimentos auferidos pelos povos da europa central. É bom recordar, hoje, dia 01 de Janeiro de 2013, 27 anos passados da entrada efectiva nesta Comunidade, excertos do discurso do primeiro-ministro português da altura, em meados de Junho de 1985, pela ocasião da assinatura do Tratado de Adesão.

“A tarefa primordial que nos ocupará a partir de agora será a de reduzirmos cada vez mais a distância que ainda nos separa dos países desenvolvidos da Europa, criando para os Portugueses padrões de vida e de bem-estar verdadeiramente europeus. Para tanto, não há outro caminho. Precisamos de persistir na via que temos trilhado nos últimos dois anos, praticar uma política financeira de rigor e de verdade, lutar pela estabilidade política como elemento essencial de recuperação económica e de modernização e aprofundar as instituições democráticas, designadamente mediante a prática da solidariedade nacional, da concertação social e do diálogo. O povo português, na sua esmagadora maioria, sabe bem o que a democracia lhe trouxe no plano da cidadania e da dignidade no trabalho, mas também no das realizações materiais. Sabe que uma vivência democrática a nível local, regional e nacional representa um bem de inestimável valor que importa preservar e saber desenvolver em benefício das populações.”

Agora, os políticos daquela época passaram a comentadores e afirmam o oposto do que na altura diziam, que os vencimentos dos portugueses são muito elevados e por isso não somos competitivos, perante países com salários muito superiores. Mas continuemos a ler as palavras do discurso de adesão:

“A palavra será agora conferida às jovens gerações, a quem se abrem exaltantes perspectivas de realização pessoal e de progresso. Principais beneficiários da integração europeia, os jovens terão agora de saber mobilizar-se para a grande tarefa nacional do desenvolvimento e da modernização, por forma a que Portugal venha a ser não só terra de liberdade, de convivência cívica e de tolerância, mas também um espaço de prosperidade, de desenvolvimento científico e tecnológico e de justiça social.”

Que dirão hoje os jovens, se lerem estas palavras ditas quando ainda não tinham nascido? Que pensarão os jovens quando o actual primeiro-ministro os convida a emigrar, porque na terra que os viu nascer, não há trabalho para eles, apenas desemprego…. Mas continuemos:

“Gostaria que as minhas palavras fossem ouvidas pelo povo trabalhador de Portugal, para quem surgem novas perspectivas e potencialidades de progresso e justiça social. Nas mãos dos agricultores, dos operários, dos cientistas, dos homens de cultura, dos empresários, dos quadros, dos intelectuais, dos técnicos, dos artistas e sobretudo dos jovens, de todos os Portugueses em suma, mulheres e homens, está o futuro de Portugal, para cuja construção não faltarão a partir de agora os estímulos e as ajudas necessárias. Não estamos mais isolados. A solidariedade europeia não nos faltará, como hoje aqui ficou comprovado com a presença de qualificados representantes de todos os Estados da Comunidade dos Doze.”

As novas perspectivas e potencialidades foram, o abandono das terras, pois já não era preciso trabalhar na agricultura, havia excesso de produção nos outros países parceiros comunitários, o abate da frota pesqueira, já não havia necessidade de pescar, a oferta de pescado pelos outros membros era elevada, a destruição da indústria, o nosso mercado era pequeno e com custos elevados, passaríamos a ser um país de serviços, principalmente virados para o turismo. Entretanto os centros de decisão das principais empresas rumaram para Barcelona.

A 23 de Outubro de 2000, outro político, na área financeira, mais tarde promovido a um cargo internacional afirmava, entre outros dislates, sobre a entrada de Portugal na moeda euro, o seguinte:

“Sem moeda própria não voltaremos a ter problemas de balança de pagamentos iguais aos do passado. Não existe um problema monetário macroeconómico e não há que tomar medidas restritivas por causa da balança de pagamentos. Ninguém analisa a dimensão macro da balança externa do Mississipi ou de qualquer outra região de uma grande união monetária. Isto não significa que não exista uma restrição externa à economia. Simplesmente esta é o resultado da mera agregação da capacidade de endividamento dos vários agentes económicos. O limite depende essencialmente da capacidade de endividamento dos agentes internos (incluindo os bancos) perante o sistema financeiro da Zona Euro. Se e quando o endividamento for considerado excessivo, as despesas terão que ser contidas porque o sistema financeiro limitará o crédito. O equilíbrio restabelece-se espontaneamente, por um mecanismo de deflação das despesas, e não têm que se aplicar políticas de ajustamento. “


Na realidade, os pressupostos para a integração na União Europeia, já não existem. Na nossa história, as relações com os países europeus não têm sido amistosas para Portugal, começando no primeiro político português a passar os Pirinéus, El-Rei D. Afonso V, que precisou da ajuda do seu filho, o Príncipe João para regressar ao seu país. Está na altura de os portugueses começarem a pensar pela sua cabeça, qual o futuro que pretendem, sem serem influenciados por políticos ou comentadores, que comendo do mesmo tacho, se preocupam mais com eles próprios, do que a família de portugueses onde estão inseridos. Baía da Lusofonia