Pintura Arq. Eduardo Moreira Santos, Lx (28.08.1904 - 23.04.1992)
Mostrar mensagens com a etiqueta Nairobi. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Nairobi. Mostrar todas as mensagens

domingo, 30 de junho de 2024

Quénia – Universidade portuguesa vai tratar três mil pessoas

A primeira missão internacional da Universidade Egas Moniz prestará suporte básico de vida, especialmente saúde oral, a mais de 3000 pessoas da capital queniana, Nairobi, e da região de Samburu, disse à Lusa o coordenador do projeto


André Mariz de Almeida, professor na Egas Moniz School of Health & Science há 20 anos e médico dentista, é o coordenador desta primeira missão internacional da universidade, denominada “Mission Samburu”.

O docente já atua, em nome próprio, no Quénia, há cerca de 10 anos, em missões humanitárias, com o patrocínio da universidade, mas, desta vez, vai coordenar a missão em representação deste estabelecimento de ensino superior e com o seu financiamento, o que permite a obtenção de mais meios e materiais para atuar nesta nação africana, contextualizou à Lusa.

Segundo explicou, a missão humanitária, a ocorrer entre 29 de julho e 20 de agosto, vai estar dividida em duas fases: de 29 de julho a 15 de agosto em cinco aldeias da região de Samburu e de 15 a 20 de agosto em Nairobi.

Esta missão internacional realiza-se em parceria com organizações locais: a ADDHU – Associação de Defesa dos Direitos Humanos, criada pela portuguesa Laura Vasconcellos em 2006 e a Lion Conservation Fund.

“Há aproximadamente 10 anos comecei a trabalhar com a Laura no Wanalea Children’s Home, que é um orfanato que ela criou em Nairobi. Foi a primeira missão que tive, completamente a nível individual, mas sempre com o financiamento da Egas Moniz, e acabei por regressar três vezes à região”, explicou André Mariz de Almeida.

Foi numa dessas viagens, “há quatro ou cinco anos”, em que foi visitar a zona de Samburu, uma região mais a norte, para conhecer um dispensário médico, que se apercebeu “que estas pessoas estão completamente esquecidas no panorama geral do que é ser um cidadão no Quénia”, disse.

Os problemas ambientais, como as secas extremas, mas também mais recentemente as cheias, e a conjuntura internacional de guerras fizeram com que a população de Samburu se tornasse novamente “nómada, que parte à procura de água e de comida consoante o que existe”, referiu.

“Estima-se que, por dia, estão a morrer 1000 pessoas na região de Samburu, com fome severa e crónica, desidratação, uma série de patologias relacionadas com esta situação e a completa ausência de cuidados de saúde oral, o que pode impedir que as pessoas, mesmo que tenham acesso a alimentos, consigam comer”, lamentou.

Há cerca de dois anos pediram ao professor que regressasse à região e foi assim que a universidade foi envolvida nesta missão, dando fundos e proporcionando uma maior rede logística, que permitiu que a missão em si “se tornasse mais ampla”, explicou o docente.

“Temos o foco na saúde oral, mas com forte cariz humanitário, com uma equipa maior, que vai equipar o dispensário médico, vai também trabalhar a parte da nutrição e, devido à escassez de água, trabalhar na possível construção de um poço [na região de Samburu]”, anunciou.

Segundo o professor, cerca de 25000 pessoas vão ser diretamente ajudadas pelo dispensário médico na região de Samburu, mas este número pode ser maior se a construção do poço for efetivada.

“Neste momento, estamos focados na construção do poço porque sem água as pessoas têm de andar 30 quilómetros para recolherem” este bem essencial, e depois mais 30 quilómetros para regressarem, lamentou.

Todavia, segundo o professor, a construção do poço tem um valor estimado de 20000 euros e a missão precisa de donativos para alcançar este valor, estando toda a informação disponível no ‘sítio’: https://samburumission.pt/

Relativamente à logística de transporte, estão ainda a ser feitos pedidos de ajuda para se transportar o material de Lisboa para o Quénia, disse.

Em relação à logística já local, a Universidade Egas Moniz fechou um protocolo com a Universidade de Nairobi para conseguirem ter uma melhor ajuda em campo, sendo que em troca será dada e partilhada formação e informação, concluiu. In “Bom dia Europa” - Luxemburgo com “Lusa”


sexta-feira, 5 de julho de 2019

Quénia - Comunidade goesa ajuda a criar um conselho empresarial português

Facilitar contactos entre investidores, empresas e entidades governamentais e explorar oportunidades são alguns dos objetivos do recém-criado Conselho Empresarial Português do Quénia, que conta com um envolvimento significativo da comunidade goesa, disse à Lusa um dos membros fundadores.

João Ramos, que integra também a comissão instaladora do futuro ‘European Business Council’ que vai juntar câmaras de comércio e associações empresariais de 18 países europeus, incluindo Noruega e Suíça, adiantou que o Conselho Empresarial –, que foi lançado em Nairobi no Dia de Portugal (10 de junho) – deve chegar ao final do ano com 40 a 50 empresas aderentes.

Para já, conta com empresas portuguesas como a Mota-Engil e Anguloraso (construção e engenharia), a JAP (montagem de camiões), a RVE.Sol (energia solar), UVA (importadores de vinho), Salvador Caetano (veículos), Neuce (tintas) e Páginas Amarelas, bem como empresários goeses ligados aos setores de import/export, tecnologia, segurança e turismo.

“Apercebemo-nos de que havia necessidade de criar uma associação para falarmos a uma só voz”, explicou, em declarações à Lusa a partir de Nairobi.

O envolvimento da comunidade goesa ajudou a impulsionar a iniciativa, sobretudo tendo em conta que são escassas as empresas portuguesas com presença no Quénia, bem como o número de cidadãos registados (menos de cem), ao contrário do que acontece com os luso-goeses.

“São cerca de 5.000. É uma comunidade muito forte, muito unida e muito ativa na economia deste país, que mostrou grande vontade de participar” nesta “plataforma de contacto entre empresas, entidades institucionais e governos”.

Segundo João Ramos, muito destes empresários não falam português nem conhecem Portugal, mas “viram com bons olhos o envolvimento” no Conselho Empresarial que esperam vir a proporcionar “outros canais de acesso” a interlocutores portugueses.

Fim da dupla tributação é um objetivo

Embora o Conselho esteja ainda em fase inicial, tem já definidas algumas prioridades. “Atualmente, a principal preocupação é acabar com a dupla tributação”, revelou.

O acordo para eliminar a dupla tributação entre Portugal e o Quénia foi assinado em julho do ano passado, mas ainda “não está ativo”, o que penaliza fortemente a competitividade das empresas portuguesas face a outras congéneres internacionais, revelou João Ramos.

Além de contribuir para resolver os problemas dos empresários, o Conselho quer fomentar o acesso às instituições de Portugal e Quénia, para explorar oportunidades de investimento e comércio e promover contactos com outras organizações, através do ‘European Business Council’, que está em fase de instalação.

“Se nos focarmos nos países europeus isoladamente as trocas comerciais são muito reduzidas, comparativamente à China ou à Índia, mas como bloco a União Europeia é o segundo maior parceiro comercial do Quénia”, frisou o mesmo responsável, adiantando que, com esta entidade europeia, que deve estar constituída legalmente no decurso dos próximos três ou quatro meses, os empresário irão contar com “um grupo de ‘lobby’ mais forte”.

João Ramos, que se mudou para o Quénia há três anos depois de a empresa onde trabalhava ter decidido reagir à crise em Moçambique com a abertura de um novo escritório naquele país, fala de “um mercado extremamente atrativo em termos de serviços e facilidade da criação de empresas”, também muito favorável às trocas comerciais.

“O Quénia tem o maior porto africano da costa leste”, “infraestruturas assinaláveis” e um sistema de Internet “muito desenvolvido”, adiantou, descrevendo a “Silicon Savannah” de Nairobi como um polo de inovação tecnológica que concentra inúmeras empresas criativas.

Por outro lado, está assente numa “economia muito diversificada” criando oportunidades nos mais diversos setores para os produtos portugueses e empresas que se queiram internacionalizar. In “Mundo Português” - Portugal com “Lusa”

segunda-feira, 8 de maio de 2017

Macau - Despertar interesse pela “rica história” da Lusofonia

Entre os dias 13 e 14 de Maio de 2017 a Casa Garden vai ser palco do “Lusophone Film Fest 2017”, iniciativa que arrancou em Nairobi, em 2013, e se estreia agora em Macau. Inusso Jamal, um dos fundadores, espera que a passagem pelo território seja um “bom início para a construção de pontes” que aproximem as culturas dos diferentes cantos do mundo


Após a sua criação em Nairobi, no Quénia, e passagens por Zanzibar, Banguecoque, Sidney e Phnom Penh, o “Lusophone Film Fest 2017” chega à Casa Garden e a organização tem vários desejos em mente para esta primeira edição no território.

“Queremos que este seja um bom início para a construção de pontes que aproximem ainda mais as diferentes culturas dos vários cantos do mundo e despertar interesses pela rica história que a lusofonia abarca, de um modo global, mas em Macau em particular”, explicou Inusso Jamal um dos criadores da iniciativa ao Jornal Tribuna de Macau.

Nos dias 13 e 14 deste mês vão poder ver-se filmes como “Feral”, de Cabo Verde, “Macau sâm assi”, da RAEM, “A Ilha dos Espíritos”, de Moçambique, “Dodu, O Rapaz de Cartão” de Portugal e “A Guerra de Beatriz”, de Timor-Leste.

A escolha foi feita tendo por base a “representatividade geográfica dos países lusófonos”. “Obviamente que procuramos dar a conhecer o que se produz em Macau e da riqueza que é a ‘mestiçagem linguística’, como resultado da mistura de povos e culturas no extremo Oriente”, indicou Inusso Jamal.

A decisão de trazer o “Lusophone Film Fest” para Macau teve vários motivos. Em primeiro lugar, por fazer parte da Lusofonia e “possuir uma grande comunidade lusófona vinda dos vários cantos do mundo”. Também não é descurado “o papel que Macau desempenha como centro pivot dos vários interesses do Governo da República Popular da China de e para os Estados da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa”.

Já há alguns planos para uma próxima edição mas Inusso Jamal prefere não levantar o véu, referindo apenas que há um arquivo cinematográfico composto por várias películas que foi cedido à organização a título gratuito pelos vários realizadores e produtoras. A mostra é também gratuita.

A organização pretende que esta se torne numa iniciativa trimestral, mas isso está dependente de uma coordenação e acordo com a entidade local parceira, neste caso a Fundação Oriente, e a sua própria programação cultural, sublinhou o responsável.

O “Lusophone Film Fest” deve chegar ainda este ano a Lisboa mas Inusso Jamal pretende que ele se estenda também a Hong Kong, Malaca, Japão, Goa e Timor-Leste. Inês Almeida – Macau in “Jornal Tribuna de Macau”