Pintura Arq. Eduardo Moreira Santos, Lx (28.08.1904 - 23.04.1992)

sábado, 27 de setembro de 2025

Casamansa – Recordando a tragédia do naufrágio do barco "Le Joola" ocorrida há 23 anos

Na noite de quinta-feira, 26 para sexta-feira, 27 de setembro de 2002, o barco "Le Joola", que entrou em serviço em 1990, afundou-se na costa da Gâmbia . O saldo foi pesado: dos quase 2000 passageiros, 1864 morreram afogados. Apenas 66 pessoas foram salvas pelos socorristas. Em Dacar, Ziguinchor e no resto do país, houve consternação


A título de lembrete, em 10 de setembro do mesmo ano, após uma paralisação técnica de mais de um ano, o Joola, o famoso navio que fazia a ligação entre Ziguinchor e Dacar desde 1990, data de seu comissionamento, retomou as suas viagens. À primeira vista, essa foi uma boa notícia para os habitantes de Casamansa e outros comerciantes, forçados por mais de um ano a pegar aviões ou veículos de transporte para chegar à capital e vice-versa. De qualquer forma, organizada com grande repercussão mediática, a famosa viagem inaugural deste 10 de setembro assumiu a aparência de uma celebração. A bordo, além da imprensa, estavam técnicos responsáveis ​​por verificar as condições do navio, a marinha mercante e as autoridades políticas.

No final desta viagem em alto mar, que foi pelo menos fácil, ao contrário da versão oficial veiculada pelas autoridades públicas. Segundo fontes bem informadas, problemas técnicos pontuaram a viagem, o Joola finalmente atracou na costa de Ziguinchor. Youssouph Sakho e Youba Sambou, dois ministros da então república, com o sucesso nas suas mãos, foram recebidos por uma multidão exultante, encantada com esta tão esperada retomada das atividades do seu meio de transporte favorito. Missão cumprida para os dois ministros que, no entanto, retornarão a Dacar de avião. Porquê? Ninguém sabe. O facto é que a euforia das autoridades e a alegria do povo de Casamansa, no dia seguinte a esta viagem inaugural, contrastam com a consternação que se seguiu duas semanas depois. De facto, esperado em Dacar na madrugada de 27 de setembro, o Joola nunca chegará em segurança desta vez. E por um mau motivo, afundou-se algumas horas antes, mais precisamente por volta das 23h, na costa da Gâmbia. A bordo estavam quase 2000 passageiros, incluindo famílias inteiras, estudantes retornando de férias, jovens, mulheres e turistas; sem mencionar os tripulantes, que somavam uns bons quarenta. E Casamansa perdeu, assim, mais de cem dos seus filhos e filhas, arrastados pela tragédia.

No rádio, várias explicações foram dadas para explicar a tragédia. Além da sobrecarga — quase 2000 pessoas estavam a bordo do navio, embora a sua capacidade máxima fosse de 480 pessoas —, um dos dois motores do navio, reparado a um custo de 250 milhões de francos CFA, não estava em boas condições. Quanto às primeiras informações sobre o número de vítimas, elas estavam a chegar aos poucos; enquanto as autoridades ainda mantinham a esperança de salvar os passageiros. Mas as famílias das vítimas, algumas das quais haviam ido ao Porto Autónomo de Dacar antes da tragédia para receber os seus entes queridos, rapidamente perceberam as evidências. Acionados mais de 11 horas após o naufrágio, os primeiros socorros chegaram um pouco tarde demais. E dos 2000 passageiros que embarcaram, apenas 66 pessoas foram salvas pelos socorristas. Os outros, 1864 segundo dados oficiais, morreram afogados nas águas do Atlântico.

As ruas de Ziguinchor e quase todas as cidades de Casamansa transformaram-se, por um momento, numa espécie de muro das lamentações; a tristeza e o desânimo estampavam-se nos rostos de todos. Atingido pela tragédia, o ex-presidente da República do Senegal, Maître Abdoulaye Wade, manifestou-se e apelou à " introspecção coletiva ". Ao mesmo tempo, insistiu na necessidade de pôr fim à negligência e à complacência para que, segundo ele, esta tragédia nunca se repita.

Vinte e três anos depois, não temos certeza de que esse apelo do antigo chefe de Estado tenha sido ouvido pelos seus concidadãos e, especialmente, pelo seu sucessor Macky Sall e atualmente Bassirou Diomaye Faye, secundado pelo seu primeiro-ministro Ousmane Sonko.

Num documentário sobre o naufrágio do navio "Le Joola", exibido pela BBC pela primeira vez no sábado, 24 de setembro de 2022, o diretor denunciou as autoridades senegalesas por se recusarem a responder às suas perguntas. Isso não impediu o engenheiro aeroespacial aposentado da NASA , Pat Wiley, mo seu livro " The Sinking of MV Le Joola, Africa's Titanic" (O Naufrágio do MV Le Joola, o Titanic da África), de criticar duramente o governo senegalês por continuar a esconder a verdade e impedir que os culpados sejam levados à justiça.

Na Casamansa, as autoridades senegalesas estão visivelmente deixando a situação agravar-se, particularmente com o seu comportamento em relação à ponte Tobor, que apresenta um aspecto hediondo, desgastada pela idade; à ponte Emile Badiane, que foi "reparada" quando normalmente deveria ter recebido o mesmo tratamento que a de Saint Louis, que foi completamente reabilitada; sem mencionar o aeroporto da capital do sul, localizado no coração da cidade, que o Senegal gostaria de transformar num aeroporto internacional, com todos os riscos que isso acarretará para as populações locais; e à fábrica SUNEOR. Basta, é hora de tudo isto acabar. Emile Tendeng – Casamansa in “Journal du Pays”


Angola e Indonésia reforçam cooperação bilateral com assinatura de acordo

Angola e a Indonésia rubricaram, em Nova Iorque, um memorando de entendimento sobre o Estabelecimento de uma Comissão Conjunta para a Cooperação Bilateral


O instrumento jurídico foi assinado pelo chefe da diplomacia angolana, Téte António, e o seu homólogo da Indonésia, Sugiono, de acordo com uma nota do Ministério das Relações Exteriores.

Na ocasião, as partes manifestaram o interesse em expandir e fortalecer as relações e a cooperação bilaterais de forma duradoura e sustentada, estando convencidos da necessidade de uma cooperação mais e eficaz, com base em princípios de igualdade, benefício mútuo e pleno respeito pela soberania de cada país.

As Partes estabelecem por meio deste instrumento, uma Comissão Conjunta para a Cooperação Bilateral, para facilitar a consulta e cooperação entre os dois países em várias áreas de questões bilaterais, regionais e globais, que podem incluir os campos político, económico, comercial, cultural e técnico, bem como outros campos de interesse comum. In “Jornal de Angola” - Angola


São Tomé e Príncipe - Fundação Clarós leva cuidados especializados e esperança

Pela primeira vez em missão médica no país, uma equipa de especialistas da Fundação Clarós, sediada em Barcelona, Espanha, está a prestar assistência clínica e cirúrgica em diversas especialidades, no âmbito de uma iniciativa organizada a convite da Primeira-Dama santomense, Fátima Vila Nova.


Entre os beneficiários está Felquiela da Graça, jovem que há algum tempo padecia de intensas dores dentárias. Recorreu ao serviço de estomatologia do Hospital Dr. Ayres de Menezes, onde foi atendida pela equipa da Fundação. Durante a intervenção, foi extraído o dente responsável pelas dores, proporcionando-lhe alívio imediato.

“Tinha um pouco de medo, mas eles me deram força e consegui extrair o dente. Correu bem”, relatou Felquiela, visivelmente emocionada.

A jovem expressou gratidão pela assistência recebida e sublinhou a relevância de iniciativas médicas deste género para o país.

“Gostaria que continuasse sempre, que pudessem vir várias vezes para ajudar o povo santomense.”

A área de estomatologia continua a exigir um reforço significativo nas ações de prevenção e cuidados básicos, especialmente entre os mais jovens.

“Necessitamos de muito trabalho na área de prevenção para evitar a extração de tantos dentes. As crianças, em particular, apresentam muitos problemas de saúde dental”, alertou Pablo Altuna, médico estomatologista.

Os desafios, contudo, não se restringem à estomatologia. São transversais a várias especialidades médicas, incluindo a saúde mental.

“O grupo de psicólogos atendeu muitos casos de depressão, alcoolismo e outras patologias. Em São Tomé e Príncipe é necessário dedicar muita atenção à saúde mental”, afirmou Pedro Clarós, Presidente da Fundação.

Além das consultas, foram realizadas diversas intervenções cirúrgicas, em resposta a casos clínicos complexos.

“Atendemos situações de lábios partidos, fissuras palatinas, tumores maxilares, tumores de parótida e outras lesões faciais”, enumerou Pedro Clarós.

A missão da Fundação Clarós representa um contributo relevante para o reforço dos cuidados de saúde especializados no arquipélago, num contexto marcado por carências estruturais e elevada procura por assistência médica qualificada. José Bouças – São Tomé e Príncipe in “Téla Nón”


Cabo Verde - Artista Voz Di Magua lança primeiro EP, “Super Mãi”

Segundo um comunicado de imprensa, este trabalho é uma homenagem à mãe do cantor e uma expressão de superação, resiliência e amor


Depois de lançar três singles, o artista maiense Voz di Magua lançou nesta terça-feira, 23, o seu primeiro EP intitulado “Super Mãi” nas plataformas digitais.

O EP é composto por quatro faixas, sendo três músicas inéditas e uma nova versão de uma canção gravada durante o período que esteve preso. “Dor di Mãi” – lançado no passado domingo 21, em parceria com as Batucadeiras Sempre Unidas – “Super Mãi”, “Vivi Vida” e “Mama ko Txora” são as músicas que compõem este trabalho.

“Super Mãi” é uma homenagem à mãe do artista e uma expressão de superação, resiliência e amor.

“As letras revelam vivências profundas, entre arrependimentos e aprendizagens, e traduzem a busca pela transformação através da música”, diz a mesma fonte.

O artista também é autor dos singles “Liberdadi” e “Silêncio” divulgados há alguns meses.

Durante os 7 anos de reclusão, o jovem natural da Calheta, ilha do Maio, integrou o projeto de reinserção social “Liberta Som”, idealizado pelo músico Alberto Koeing. O projeto culminou na gravação de um álbum coletivo em 2023, que envolveu 30 reclusos da Cadeia Central da Praia, com 16 faixas musicais, sendo uma delas do Voz Di Magua – o single “Mama Ko Txora”. Aline Oliveira – Cabo Verde in “Balai Cabo Verde”

sexta-feira, 26 de setembro de 2025

Guiné Equatorial - Os artistas Achana e Katrina participam na 17ª Semana Cultural da China e dos Países de Língua Portuguesa em Macau

Eles procuram fortalecer os laços culturais e promover a riqueza artística e cultural da Guiné Equatorial. A delegação inclui Antonio Rubén Obiang, Ponto Focal do Ministério do Turismo


Uma delegação da Guiné Equatorial do Ministério do Turismo viajou a Macau na terça-feira, 23 de setembro, para participar da 17ª Semana Cultural da China e dos Países de Língua Portuguesa. O evento visa fortalecer os laços culturais, turísticos e comerciais entre os países de língua portuguesa e a República Popular da China. Este ano, o evento será realizado em três regiões: Macau, Zhongshan e Pequim.

A delegação inclui Antonio Rubén Obiang, Ponto Focal do Ministério do Turismo, e os artistas Achana e Katrina, reconhecidos pela fusão da tradição musical da Guiné Equatorial com ritmos contemporâneos. A participação dos artistas visa destacar a riqueza cultural do país e divulgar o seu património artístico no cenário internacional. O convite foi feito pelo Fórum de Macau, a organização que organiza e coordena este evento anual de intercâmbio cultural.

A região administrativa de Macau, com a sua localização estratégica, tornou-se um importante centro de encontro e colaboração que promove o intercâmbio cultural e turístico entre os povos de língua portuguesa e a República Popular da China. Iniciativas como essa procuram não apenas destacar a diversidade cultural, mas também promover o turismo e o comércio entre os países participantes, dos quais a Guiné Equatorial é um membro ativo.

A programação da competição inclui música, dança, gastronomia, exposições de arte e uma ampla variedade de atividades que permitem aos participantes uma imersão na cultura dos países de língua portuguesa. Este ano, para além da Guiné Equatorial o evento reúne representantes de Angola, Brasil, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Moçambique, Portugal, São Tomé e Príncipe, Timor-Leste, Goa (Índia) e Macau.

A presença da Guiné Equatorial neste evento contribui para a promoção da sua identidade artística e para o fortalecimento dos laços com a comunidade de língua portuguesa e a China. Marisa Okomo – Guiné Equatorial in “Real Equatorial Guinea”


Moçambique - Centro Cultural Português acolhe lançamento do livro “Quando desabam os céus”

A Massinhane Edições realiza, no próximo dia 30 de Setembro de 2025, às 17h30, no Centro Cultural Português em Maputo, o lançamento da obra Quando desabam os céus, de autoria de Fernando Absalão Chaúque.


O evento contará com a apresentação do escritor Eduardo Quive e com os comentários críticos do autor e ensaísta Daúde Amade, proporcionando ao público um espaço de reflexão literária e cultural em torno da nova publicação.

Quando desabam os céus é uma narrativa que atravessa as fronteiras entre o prosaico e o poético, explorando a água como personagem central e activa. A obra retrata homens, mulheres e crianças transformados em aves encurraladas em telhados, árvores e pequenas ilhas prestes a desaparecer. Entre perdas irreparáveis e a esperança sustentada na fé, os protagonistas buscam reinventar-se em meio à devastação causada pelos desastres naturais.

Para Daúde Amade, trata-se de uma verdadeira “narrativa hidropoética”, onde a água surge como motor criativo e também destrutivo, capaz de gerar vida e impor morte. Segundo o crítico, Chaúque capta com sensibilidade a “fenomenologia dos desastres” e as formas como estes reconfiguram hábitos, sonhos e modos de sobrevivência, revelando simultaneamente a fragilidade e a resiliência humanas.

Com esta publicação, a Massinhane Edições reforça a sua linha editorial comprometida em valorizar obras que aproximam literatura e sociedade, promovendo autores que ampliam as vozes da identidade cultural moçambicana. In “Moz Entretenimento” - Moçambique

Sobre o autor

Fernando Absalão Chaúque nasceu em Manhiça, Maputo, em 1996. Licenciado em Ensino de Língua Inglesa pelAa Universidade Pedagógica de Maputo, é professor de profissão; autor do livro “Âncora no Ventre do Tempo” (2021), Prémio Literário Alcance Editores, edição de 2019, e co-autor das seguintes obras: “Barca Oblonga” (editora Fundza, 2022), “Mazamera Sefreu” (editora Kulera, 2023) e “Atravessar a pele” (Oitenta Noventa, 2023). Fez parte dos livros “Os olhos Deslumbrados” (FFLC, 2021); “Um natal experimental e outros contos” (Gala-gala edições, 2021)


Timor-Leste - Parlamento aprova, na generalidade, projeto que revoga pensões vitalícias a deputados e ex-dirigentes

O Parlamento Nacional aprovou, na generalidade, o projeto de lei que revoga as pensões vitalícias atribuídas a deputados e ex-dirigentes políticos, após dias de protestos estudantis. A proposta reuniu consenso entre as principais bancadas, ao contrário de outra iniciativa que previa integrar os titulares dos órgãos de soberania no regime geral da segurança social, rejeitada pela maioria


O Parlamento Nacional aprovou, na generalidade, o Projeto de Lei n.º 11/VI (3.ª), que revoga a pensão mensal vitalícia atribuída a deputados e ex-titulares dos órgãos de soberania, bem como outros benefícios associados. A proposta, apresentada pelo Congresso Nacional para a Reconstrução de Timor-Leste (CNRT), pelo Partido Democrático (PD) e pelo partido Kmanek Haburas Unidade Nasional Timor Oan (Khunto), obteve 61 votos a favor, nenhum contra e nenhuma abstenção.

A aprovação surge na sequência de uma manifestação pacífica organizada pelos Estudantes Universitários de Timor-Leste (EUTL), que durante três dias exigiram a revogação da lei que garante pensões vitalícias a antigos deputados e dirigentes políticos. Em resposta, o Parlamento agendou para esta quinta-feira (25/09) o debate de dois projetos de lei relacionados com a segurança social e a eliminação destas pensões.

Recorde-se que a Lei n.º 7/2017 atribui pensões vitalícias e benefícios a ex-dirigentes políticos: o Presidente da República recebe 100% do salário base, o Primeiro-Ministro 90% após um mandato completo, e deputados, ministros e secretários de Estado entre 60% e 90%, conforme os anos de serviço. A lei garante ainda assistência médica gratuita no exterior, passaporte diplomático e, em caso de falecimento, pensão para familiares. A legislação anterior, de 2007, já previa regalias adicionais, como viatura, residência, gabinete, escolta e assistência médica para altos cargos do Estado. Os valores da pensão variam entre 975 e 2.025 dólares americanos por mês, consoante o cargo e a duração do serviço, acrescidos de outros benefícios.

A Frente Revolucionária de Timor-Leste Independente (FRETILIN) e o Partido da Libertação Popular (PLP) apresentaram o Projeto de Lei n.º 10/VI (3.ª), que cria o Regime Jurídico de Segurança Social dos Titulares dos Órgãos de Soberania. O objetivo é acabar com o regime especial das pensões vitalícias e integrar os titulares dos órgãos de soberania no Regime Geral de Segurança Social Contributiva. No entanto, a proposta obteve apenas 22 votos a favor, 38 contra e uma abstenção.

Em plenário, a deputada Nurima Alkatiri (FRETILIN) defendeu que o Projeto de Lei n.º 10 responde às reivindicações dos manifestantes. “Em vez da pensão vitalícia, todos — políticos e cidadãos — devem integrar um sistema de segurança social. Funciona como um fundo comum, em que todos contribuem mensalmente, para depois, na velhice ou no fim do trabalho, receberem apoio. Isto é justiça, igualdade e transparência. A pensão vitalícia tem de ser eliminada, não pode haver privilégios”, afirmou.

A deputada sublinhou ainda que a mudança exige responsabilidade: “Não se pode alterar uma lei sem considerar as suas consequências. A reforma deve garantir estabilidade. Ouvimos os jovens dizer basta de privilégios. Por isso, o sistema de segurança social é mais justo e transparente para todos”.

Já Maria Angelina Sarmento (PLP) lembrou que o artigo 56 da Constituição da República Democrática de Timor-Leste (C-RDTL) assegura a todos os cidadãos o direito à segurança e assistência social, cabendo ao Estado organizar um sistema adequado, dentro da sua disponibilidade. Citou ainda o artigo 16 (universalidade e igualdade), que garante os mesmos direitos e deveres a todos os cidadãos, e o artigo 95.º, n.º 2, que define a competência do Parlamento Nacional em legislar sobre o estatuto dos deputados e dos ex-titulares de órgãos de soberania.

“A política pública de Timor-Leste tem ampliado a desigualdade social, privando os cidadãos de direitos básicos. É preciso reformar leis que alimentam estas desigualdades, mas sem reduzir a proteção jurídica do Estado. É necessário equilibrar direitos e deveres entre cidadãos e ex-titulares”, defendeu.

Luís Roberto (Khunto) considerou a lei da pensão vitalícia “discriminatória”. “Durante a luta pela libertação, muitos timorenses perderam a vida, mas, depois da independência, apenas alguns grupos beneficiaram. Se falarmos de economia, devemos revogar totalmente esta lei e investir noutros setores produtivos. Muitos jovens querem emigrar porque não há recursos para os empregar aqui, enquanto nós continuamos a beneficiar do dinheiro do Estado”, afirmou.

Armando dos Santos (PD) reforçou que chegou o momento de mudar a lei. “Assim podemos estimular o crescimento económico, criar emprego e melhorar a sobrevivência do povo”, destacou.

Gabriel Soares (CNRT) manifestou apoio total à proposta n.º 11. “Devemos eliminar por completo a pensão vitalícia e todas as suas regalias, desde a primeira legislatura de 2002 até ao fim do mundo. Isto não pode voltar a acontecer no nosso país”, disse.

A discussão na especialidade do Projeto de Lei n.º 11/VI (3.ª) realizou-se hoje, 26 de setembro. Joana Silva – Timor-Leste in Diligente