Pintura Arq. Eduardo Moreira Santos, Lx (28.08.1904 - 23.04.1992)

segunda-feira, 28 de março de 2022

Macau - Bancos da Região preparam aliança com bancos lusófonos

A Associação de Bancos de Macau quer criar uma aliança com os bancos dos países de língua portuguesa, disse à Lusa o vice-presidente da ABM, Sam Tou

A nova direcção da Associação de Bancos de Macau (ABM) decidiu criar uma comissão dedicada aos serviços financeiros entre a China e os mercados lusófonos, liderada pelo Banco Nacional Ultramarino (BNU), que faz parte do grupo Caixa Geral de Depósitos.

A nova comissão inclui ainda a sucursal em Macau do Banco da China, que tem presença em Portugal, Brasil, Angola e Moçambique, o Banco Well Link, que incorporou o Novo Banco Ásia, e a sucursal em Macau do Haitong Bank, o sucessor do Banco Espírito Santo Investimento.

Sam Tou disse que a comissão tem dois principais objetivos: “melhorar as ligações de Macau com a China e os países de língua portuguesa e tornar-se uma plataforma de serviços financeiros”. Objectivos que passam pela criação de uma aliança que reúna os bancos de Macau e dos países de língua portuguesa, explicou o também director executivo do BNU.

A ABM está a preparar o terreno e em Fevereiro teve uma reunião online com o secretariado executivo da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa, adiantou Sam Tou.

O executivo disse que a associação “tem estado a trabalhar ativamente com as suas congéneres nos países de língua portuguesa e estabeleceu uma rede muito estreita de contactos e cooperação”. Sam Tou lembrou que a ABM assinou em maio de 2019 um acordo de cooperação com associações de bancos de Portugal, Moçambique, Guiné-Bissau e São Tomé e Príncipe.

O acordo previa a criação de uma aliança para apoiar o lançamento na China de produtos financeiros dos países de língua portuguesa e para oferecer serviços financeiros a empresas chinesas interessadas em investir em mercados lusófonos.

Apesar dos obstáculos criados pela pandemia, o interesse chinês na “cooperação comercial e económica e no investimento” nos países de língua portuguesa “não diminuiu”, disse à Lusa Cai Chun Yan.

O director-geral adjunto da sucursal do Banco da China em Macau disse que “há algumas décadas” que as empresas chinesas se aventuraram “sozinhas” em mercados como Portugal, Brasil e Angola. Mas actualmente, “mesmo alguns grandes grupos domésticos”, preferem ir através de Macau, aproveitando “o conhecimento sobre os países de língua portuguesa” na cidade, defendeu Cai Chun Yan.

Na direcção oposta, disse Sam Tou, países como Moçambique, Cabo Verde, Timor-Leste e São Tomé e Príncipe estão “cada vez mais atentos” à ajuda que Macau lhes pode dar a identificar “oportunidades de desenvolvimento” na China.

O BNU abriu em 2017 uma sucursal em Hengqin, que pode ajudar o banco a aproveitar o desenvolvimento da Zona de Cooperação Aprofundada entre Guangdong e Macau, disse o executivo. Sam Tou disse que o BNU quer ter uma maior presença na região da Grande Baía Guangdong-Hong Kong-Macau e está a ponderar abrir uma nova agência em Guangzhou ou Shenzhen. In “Ponto Final” - Macau


domingo, 27 de março de 2022

São Tomé e Príncipe - Conceição Lima vence 1ª edição do prémio de literatura dramática Isaura Carvalho


O texto ‘’Um Confronto Imaginado e uma Profecia’’, da autoria de Conceição Lima, jornalista, poetisa e cronista, foi o vencedor da primeira edição do Prémio de Literatura Dramática Isaura Carvalho, co-promovido pela Roça-Mundo e pela CACAU, Casa de Artes, Cultura, Ambiente e Utopias.

A cerimónia de entrega do prémio teve lugar na semana passada no espaço CACAU.

O texto vencedor ficciona um episódio real ocorrido antes do massacre de 1953, quando o então governador Carlos de Sousa Gorgulho foi à casa do engenheiro agrónomo e nacionalista Salustino Graça, considerado o líder dos forros, para o convencer a persuadir os filhos da terra a aceitarem o contrato nas roças do cacau e nas obras públicas, baseadas em trabalhos forçados. Esse propósito do governador chocou com a oposição em bloco dos forros e Salustino Graça colocou-se do lado destes, mantendo uma posição firmemente antagónica à do governador.

O texto é uma sequência de argumentos e contra-argumentos acesos entre as duas personagens. Os dois são praticamente os únicos protagonistas da peça que termina com o engenheiro Salustino Graça a profetizar o massacre que viria a ter lugar em 1953, a proclamação da independência e também o rumo do país até aos nossos dias.

A vencedora do prémio, Conceição Lima, já galardoada no estrangeiro no género poesia, manifestou a sua emoção por ser distinguida na primeira edição de um prémio que ‘’grava a memória de uma amiga e de uma patrocinadora e activista empenhada da cultura e das artes.’’

«Isaura Carvalho cujo espectro benigno eu ainda vejo pairando nesta casa. Isaura Carvalho, uma saudosa amiga. Isaura Carvalho que foi uma militante cívica através das artes e da cultura», afirmou Conceição de Deus Lima. Destacou ainda, de forma particular, ter sido este o primeiro prémio que recebe em São Tomé e Príncipe e o quão isso a fazia feliz.

Conceição Lima, que agradeceu à Roça-Mundo e à CACAU a iniciativa de terem instituído o prémio que, em sua opinião, poderá vir a desempenhar um papel muito importante no impulsionar das artes dramáticas em São Tomé, estimulando a atenção dos jovens para este género literário.

Patrona da Associação Roça – Mundo, Isaura Carvalho, que nos deixou há alguns anos, foi, uma grande dinamizadora da criação da Casa das Artes Criação Ambiente e Utopia (CACAU), projecto liderado pelo escultor, ‘’cozinhador’’ e empresário cultural João Carlos Silva.

João Carlos Silva Presidente da CACAU prometeu que o texto “Um Confronto Imaginado e uma Profecia”, vai ser adaptado ao teatro, e também ao cinema.

«Muito provavelmente vai ser adaptado ao cinema. Estamos a trabalhar com os parceiros para isso…», garantiu João Carlos Silva.

Para o Presidente da CACAU, Isaura Carvalho «continua a estar aqui connosco, nos anima e nos estimula».

A vencedora da primeira edição do Prémio Literário Isaura Carvalho foi considerada por João Carlos Silva como sendo «uma das maiores vozes da poesia de língua portuguesa e entre nós, é uma mulher de alma cheia» precisou João Carlos Silva.

O Prémio de Literatura Dramática Isaura Carvalho, pretende estimular os escritores nacionais a enveredarem por este género literário.

Conceição Lima, chamou a atenção do país e das autoridades para a necessidade de se assumir a cultura e as artes como factores fundamentais de desenvolvimento, de auto-estima e de afirmação de São Tomé e Príncipe no mundo.

Para além de um diploma, a primeira edição do prémio literário Isaura Carvalho, atribuiu à vencedora um montante equivalente a 1000 euros. Abel Veiga – São Tomé e Príncipe in “ Téla Nón”


 

Canadá - Portugueses apoiam crianças em Moçambique

Uma família portuguesa no Canadá está a levar amor e a “melhorar a vida às crianças órfãs de Moçambique”, angariando donativos para lhes proporcionar uma melhor vida, disse um dos fundadores do projeto


“Tivemos a vontade de criar esta fundação sem fins lucrativos para ajudar os mais necessitados, neste caso as crianças, que são as menos afortunadas, tendo o básico, que é alimentação e ir à escola, já é um grande passo para as crianças em Moçambique”, afirmou Francisco Pacheco, de 55 anos, natural de Maputo.

No Canadá desde 1988, o luso-canadiano explica que a ASAM – Assistência Social Amor por Moçambique teve início há dois anos com o desejo de “ajudar as crianças em Moçambique”.

Neste momento o projeto está numa fase de legalização enquanto fundação sem fins lucrativos, mas já tem vários programas em andamento no distrito de Morrumbala, na província da Zambézia.

“A maioria dos donativos que recebemos são provenientes da minha família, que todos os meses contribuem financeiramente. É essencialmente desta forma que conseguimos os donativos, mas também temos um contacto em Portugal de pessoas que colaboram. É desta maneira que conseguimos manter esse trabalho”, contou.

O pastor local em Morrumbala, Mateus Felizardo, coordena os trabalhos no terreno, sinalizando as principais necessidades das mais de 320 crianças que recebem apoio social.

“Um pastor local comunica comigo as necessidades que mais têm, a alimentação que é a principal dificuldade que têm. Os donativos são divididos entre aquelas cinco comunidades”, explicou Francisco Pacheco.

Além dos donativos monetários, que são enviados para a aquisição de alimentos, a associação também está a adquirir roupa, material escolar e água potável para as crianças.

No final de 2021, a organização adquiriu uma habitação destinada a crianças órfãs onde podem “dormir e alimentar-se”.

Mais recentemente iniciou os trabalhos em duas habitações que serão o lar de duas famílias que “praticamente estavam na rua” e que devem ficar concluídas em breve.

“Agora vamos avançar para uma terceira habitação destinada também a uma família de baixo rendimento com muitas necessidades”, revelou. 

Num futuro próximo, o projeto pensa em expandir-se para outras regiões de Moçambique e para outros países, tendo já alguns pedidos de ajuda, nomeadamente do Uganda.

Sem nenhum objetivo financeiro até lá, Francisco Pacheco destacou ainda o sonho de construir um “prédio com dormitório para as crianças e com uma escola anexada”.

A organização construiu ainda naquela região de Moçambique um aviário e dois poços com água potável.  

A rede social Facebook tem sido importante para promover o projeto ASAM junto da comunidade no Canadá. In “Bom dia Europa” - Luxemburgo
 


Pode se entregar


 






Vamos aprender português, cantando

 

Pode se entregar

 

Cê já pode deitar agora eu vou cantar

nossa canção de amor

 

Enquanto o sol dormir eu estarei aqui

pra te conduzir

 

Fecha os olhos sinta o meu abraço aconchegar

a lua sobe sobe leve e leva tudo que te pesa

 

Me declaro e no escuro a gente se enxerga

 

Tanto faz a estação

ou onde estamos

 

Não tenha medo me abra os teus segredos, tuas histórias

guardo pra mim, levo até o fim

 

Pode se entregar

Pode se entregar

Pode se entregar

 

Tanto faz a estação

ou onde estamos

 

Não tenha medo me abra os teus segredos, tuas histórias

guardo pra mim, levo até o fim

 

Pode se entregar

Pode se entregar

Pode se entregar

 

Lado de Cá – Brasil

 

Composição:

Daniel Perotta – Brasil

Leandro Costa - Brasil


 

sábado, 26 de março de 2022

Cabo Verde - Steve Espírito Santo expõe em Portugal 30 esculturas que retratam a mulher cabo-verdiana na labuta diária


Lisboa – O retrato da mulher cabo-verdiana na labuta diária e as suas várias facetas é tema de uma exposição do artista plástico Steve Espírito Santo, patente no Centro Cultural de Cabo Verde (CCCV) em Lisboa, até 31 de Maio.

A exposição com o nome “Mulher cabo-verdiana e seus ofícios” foi inaugurada na noite desta sexta-feira, 25, no âmbito da programação “Março, mês da mulher” que a CCCV e a Embaixada de Cabo Verde em Portugal organizam anualmente, mais concretamente no âmbito da celebração do Dia da Mulher Cabo-verdiana, comemorado a 27 de Março.  

Em declarações à Inforpress, Steve Espírito Santo, natural de Santa Cruz, interior da ilha de Santiago, agora a residir em Portugal, contou que estava a pensar nesta exposição desde o início de 2021, com o objectivo de retratar só as mulheres cabo-verdianas e que depois de bater em várias portas, consegue agora expor no CCCV.

“Fiz um plano e agora estou aqui, no dia em que eu queria tanto apresentar o meu trabalho, retratando as mulheres de Cabo Verde. Trouxe todas as memórias que vejo na ilha de Santiago, desde mulheres a fazer trabalhos domésticos, mulheres a divertirem-se, a cantar, ou seja, tudo o que acho que a mulher tem força de expressão tentei colocar no meu trabalho”, explicou.

A exposição apresenta uma colecção de 30 esculturas que retratam a mulher cabo-verdiana na labuta diária, desempenhando inúmeras actividades de cariz familiar, profissional ou lúdica. 

As várias facetas da mulher de Cabo Verde são esculpidas em materiais invulgares como a palha de milho e a fibra de bananeira seca, matérias-primas que a própria natureza oferece ao artista, permitindo-lhe materializar a sua visão da mulher cabo-verdiana ao longo do tempo.

O estilo do artista é único, porque quando começou a participar nas feiras de artesanato constatou que muitos dos trabalhos apresentados eram idênticos, resolveu então criar uma arte que identificasse o seu estilo e fosse diferenciadora dos restantes trabalhos artesanais que via nas exposições.

Segundo Steve Espírito Santo, que está em Portugal a tentar fazer um curso de belas artes e criar um atelier para expôr a sua arte e dar formação para partilhar conhecimento, o seu próximo projecto é fazer uma exposição a 01 de Maio, para o Dia do Trabalhador, retratando, desta vez, “os ofícios dos homens”.

Presente na inauguração da exposição esteve Nha Balila, “personalidade lendária da cultura tradicional de Cabo Verde”, conforme o CCCV, que esteve à conversa com Steve Espírito Santo abordando o tema do “papel tradicional da mulher de origem cabo-verdiana”.

Isidora Semedo Correia, mais conhecida por Nha Balila, com os seus magníficos 92 anos de idade e uma mulher de “múltiplas vivências”, chegou a Portugal na sua primeira viagem ao estrangeiro, sob os cuidados e patrocínio da Associação das Mulheres Cabo-verdianas na Diáspora em Portugal (AMCDP), para participar nas comemorações do Dia da Mulher Cabo-verdiana.

“Nha Balila não vê com os olhos, só com o coração, mas também, seja homem ou mulher, é o coração que representa uma pessoa, porque é ele que entende, que compreende e que controla”, disse Nha Balila ao dirigir-se aos presentes, que ao seu estilo, contou a sua infância e a sua luta, numa conversa que serviu para dar conselhos tanto aos homens como às mulheres.

À margem da inauguração da exposição, com “casa cheia” e que esteve também presente Dino d’Santigo para homenagear Nha Balila, actuaram as batucadeiras do grupo Freireanas Guerreiras. In “Inforpress” – Cabo Verde

 


 

Galiza - “O alunado de português multiplicou-se por cinco desde a entrada em vigor da Paz Andrade” segundo Valentín García

Em 2021 fizérom-se 40 anos desde que o galego passou a ser considerada língua oficial na Galiza, passando a ter um status legal que lhe permitiria sair dos espaços informais e íntimos aos que fora relegada pola ditadura franquista. Para analisarmos este período, estivemos a realizar ao longo de todo 2021 umha série de entrevistas a diferentes agentes. Agora, já em 2022, queremos continuar a refletir sobre isto, mas focando um âmbito em particular, de importância estratégica: o ensino.

Uma das entrevistas previstas era a do Conselheiro de Educaçom, que no entanto delegou as suas respostas no secretário geral de Política Linguística, Valentín García, que já o ano passado tinha atendido o nosso questionário, dando portanto agora também a sua perspetiva sobre a situaçom do galego no ensino.

Que avaliaçom fás dos resultados do ensino do galego após 40 anos como matéria troncal?

A avaliaçom tem que ser necessariamente positiva. Incidiu tanto no prestígio como no conhecimento da língua e foi fundamental para estender a norma culta. Todos os inquéritos refletem uma melhoria no conhecimento do galego, sobretodo das competências escritas, na sequência da implantaçom da matéria de língua e hoje temos a geraçom melhor formada da história na língua própia da Galiza.

E da presença do galego como língua veicular no ensino público?

Pois o mesmo, incidiu tanto na melhoria das atitudes para a língua como no conhecimento. Tardou mais em chegar, mas à medida que se foi estendendo a focagem comunicativa no ensino de línguas e que mudou a nossa perspetiva sobre como se aprendem os idiomas, tornou-se evidente a sua necessidade. Para dominar uma língua há que usá-la, nom basta conhecer teoricamente a sua gramática. Isso é o que está na base da presença das duas línguas cooficiais da Galiza como veiculares no ensino.

Achas que esta presença guarda relaçom com a sua presença como língua ambiental nos centros educativos?

Até onde sabemos, nom há uma relaçom direta entre o número de horas de aulas que o alunado recebe em galego e o idioma que usa depois com os seus iguais, no pátio e na rua. Estou certo de que ajuda, porque sem conhecimento e sem prestígio da língua é difícil que se poda usar, mas há muitos outros factores que estám presentes nas decisões de uso linguístico dos rapazes: a língua familiar, a língua ambiental, os meios de comunicaçom, as atividades extraescolares… Por isso, para obter resultados, necessitamos trabalhar em diferentes âmbitos e de diferentes perspetivas; a partir da regulamentaçom das horas de aulas em galego, mas também a partir da dinamizaçom da língua, como fazemos com as equipas de dinamizaçom dos centros educativos ou diferentes programas.

Pensas que deveria mudar alguma cousa no ensino da matéria de Lingua Galega e Literatura?

Em Educaçom nunca paramos de mudar para melhorar. No ensino da língua galega leva-se feito muito trabalho na passagem de uma focagem centrada no ensino teórico da gramática para uma focagem comunicativa, e ainda continuamos nisso. O programa Nós tamén creamos!, que anima o alunado de Infantil e Primária a criar curtas de animaçom em galego com a ajuda do seu professorado, vai nessa linha, por exemplo. E também na de introduzir novas ferramentas relacionadas com o audiovisual e com a tecnologia nas aulas. Ademais, cuido que há que continuar a incrementar o trabalho com a oralidade e aprofundando no tratamento integrado de línguas.

Qual deve ser o papel do português no ensino? Ampliar a sua presença como segunda Língua Estrangeira? Ser lecionada dentro das aulas da matéria troncal de galego? Ambas?

A Junta realizou um esforço importante nos últimos anos para introduzir e estender a matéria de português nos centros de ensino e os resultados animam-nos a continuar a traballar nesta linha. O alunado de português multiplicou-se por cinco a partir da entrada em vigor da chamada Lei Paz Andrade e acho que isso tivo efeitos positivos sobre a valorizaçom do galego –que se vê como uma língua útil para aceder à Lusofonia-, sobre o próprio português –que antes nom se via como idioma igual de importante que o inglês e o francês- e sobre as relações entre ambos.

Pensas que implementar linhas educativas diferenciadas (uma com imersom linguística em galego) poderia ser útil para o galego voltar aos pátios?

A Lei de normalizaçom lingüística nom contempla esta possibilidade, senom que advoga pola convivência das duas línguas e de castelhanofalantes e galegofalantes nos mesmos espaços. Eu penso que esse convívio é importante numa sociedade bilíngue como a nossa. Por outro lado, o caso da Catalunha mostra que a imersom linguística nom garante a transferência da língua das aulas aos pátios.

O último relatório PISA constata que a Galiza é a Comunidade onde o alunado fala duas línguas com mais facilidade. De facto, 96% afirma falá-lo o bastante bem como para conversar com outras pessoas, por diante das outras comunidades autónomas com língua própria.

Além disso, o último estudo do IGE também evidencia que o número de galegofalantes cresce pola primeira vez desde que temos estatísticas que que o galego tem os índices de competência mais elevados de todas as Comunidades com línguas cooficiais.

Que papel atribuis ao modelo educativo inaugurado polas escolas Semente?

A Conselharia advoga pola liberdade dos pais e mães para escollerem o centro educativo cujo projeto esteja mais próximo dos valores e inquietações de cada família. Por isso, ao lado da escola pública, que aspira a acolher toda a diversidade que existe na sociedade, funcionam a escola concertada ou propostas centradas em usos linguísticos que respondem aos interesses dun determinado colectivo (ensino em inglês, em português…). Todas som positivas sempre que respeitem a legalidade vigente e contribuam para o convívio, para a coesom e para o avanço da sociedade. In “Portal Galego da Língua” - Galiza

 

Portugal - Tem o pior resultado no envelhecimento saudável num estudo com cinco países

Os idosos portugueses foram os que tiveram piores resultados num estudo que avaliou o envelhecimento saudável em pessoas com 70 anos ou mais de cinco países europeu


O trabalho, que recrutou em cinco países mais de 2000 idosos sem doenças crónicas incapacitantes e sem grandes limitações físicas e que na parte portuguesa foi coordenado pelo reumatologista José Pereira da Silva, do Centro Hospitalar Universitário de Coimbra, concluiu que os idosos mais saudáveis são os da Áustria e da Suíça.

Os idosos portugueses, todos da região Centro, tiveram os piores resultados dos cinco países envolvidos, uma situação que o especialista, em declarações à agência Lusa, diz não ser surpreendente, embora sublinhe que “estas diferenças existem, mas são corrigíveis”.

“Não são uma consequência inelutável da idade. Seria importante haver um programa para perceber porquê e introduzir medidas corretivas (…). Temos de encontrar soluções à nossa capacidade [financeira]”, acrescenta.

O especialista diz também que o facto de terem sido recrutadas pessoas relativamente saudáveis e independentes “torna estes resultados mais alarmantes”.

“Todos [os países envolvidos] são reconhecidamente mais ricos, em média, do que Portugal, e o nível educacional é diferente [mais elevado], mas esta é a realidade. Por outro lado, estamos muito orgulhosos da nossa longevidade média, pois temos das esperanças de vida mais altas do mundo, mas não é com qualidade. E isto merece atenção e deve debater-se seriamente”, afirma.

As conclusões do estudo atribuem a Portugal uma prevalência de envelhecimento saudável na ordem dos 8,8%, em comparação com os 36,7% de França, 37,6% da Alemanha, 51,2% da Suíça e 58,3 da Áustria. Independentemente do país de origem, indicam ainda que os valores de envelhecimento saudável estão associados à idade, a mais baixos índices de massa corporal, ao sexo feminino e a uma melhor condição física.

Questionado sobre os motivos destas diferenças, que o estudo não analisou, José Pereira da Silva admite várias hipóteses. “Os recursos económicos individuais são muito importantes, a pessoa poder ir ao médico, comprar medicamentos, alimentar-se bem, ir ao ginásio (…)”.

“Há também a dimensão dos recursos técnicos da sociedade, como a que distância está a pessoa de um centro de exercício físico, ou quantos ginásios existem a custo acessível para um idoso, ou de que forma os serviços médicos promovem ou não os hábitos saudáveis”, acrescenta.

O especialista aponta igualmente a introdução do modelo das USF [Unidades de Saúde Familiar] na clínica geral, sublinhando que “representou um grande benefício”: “pela primeira vez passou a ser o médico e o serviço de saúde que vai atrás do cidadão, por exemplo, se ele não estiver vacinado”.

“São pontos muito positivos onde se pode ir mais longe, sem necessariamente representarem um enorme custo que enquanto povo não pudéssemos comportar”, refere.

Considera que estas diferenças também têm que ver com as tradições dos diversos países e lembra: “nós temos, de longe, a prevalência de carência de vitamina D mais elevada. Nos países com melhores resultados, as pessoas são suplementadas e nós não somos. Ainda que seja debatível a importância da vitamina D, é apenas um indicador da presença de promoção da saúde pelos serviços”.

Recorda que em todos os países que comparam com Portugal neste estudo a relação entre o estado de saúde geral e o nível educacional “é direta e significativa” e que é mais forte do que a relação poder económico/estado de saúde.

“As pessoas não sabem, não têm acesso e depois não fazem as melhores escolhas”, diz.

Por outro lado, sublinha a importância que o poder político devia dar ao tema, exemplificando: “Portugal tem uma secretaria de Estado da Juventude, mas não há nenhuma para a terceira idade. Somos cada vez mais um país de velhos, cada vez mais frágeis e continuamos a fazer questão de que só os novos tenham oportunidades de serem saudáveis”.

O especialista adianta ainda que os media também podem fazer a diferença, lembrando a importância dos programas de educação para a saúde nas televisões, “em vez de estarem meia hora a vender produtos que nem têm comprovação científica”.

Além do estudo agora publicado, o especialista aponta outros que espelham diferentes indicadores da saúde dos idosos portugueses, como um que mostra que estes são também dos que têm um estado de saúde mais frágil (prevalência de 13,7%, a Áustria teve 0%) ou o que indica uma maior prevalência (34,5%) de carência de ferro (que leva à anemia). O mínimo foi registado nos idosos franceses, com 24%. In “Sapo 24” – Portugal com “MadreMedia / Lusa”