Pintura Arq. Eduardo Moreira Santos, Lx (28.08.1904 - 23.04.1992)

sábado, 25 de agosto de 2018

Internacional – O grafeno milagroso

A conta oficial de Twitter da Graphene Flagship conta com pouco mais de 4800 seguidores, muito longe dos 109 milhões de Katy Perry ou dos 106 milhões de Justin Bieber




Mesmo assim, a não ser que alguém tenha conhecido o amor da sua vida graças às notas de “Sorry”, ou que tenha descoberto uma vocação pela dança desconhecida até ao momento em que se viu mexer ao som de “Backpack Kid” (1,8 milhões de seguidores no Instagram), as ações do consórcio europeu dedicado à investigação do grafeno terão muito mais influência no seu futuro do que estas duas estrelas da música Pop. Coisas das redes sociais e da realidade, que apesar de parecerem espelhadas, tomam por vezes caminhos divergentes.

Com um orçamento de mil milhões de euros e 150 equipas de investigação dos 23 países envolvidos, Graphene Flagship é o maior projeto científico da União Europeia. O seu objetivo é abordar a partir de um enfoque multidisciplinar e eminentemente prático as utilizações do grafeno, “um novo material revolucionário, descoberto há apenas dez anos, formado por uma única camada de átomos de carbono”, explica Frank Koppens, diretor do grupo de nano optoelectrónica do IFCO (instituto de investigação dedicado à fotónica onde existe um departamento focado no estudo do grafeno).

Este material milagroso, isolado em laboratório pela primeira vez em 2003 pelos investigadores russos Konstantín Novosiólov e Andréy Gueim – trabalho com o qual receberam o prémio Nobel da Física em 2010 – ocupou manchetes de jornais e minutos televisivos. As suas propriedades – é fino, leve, forte, duro, condutor, transparente e dobrável – tornam-no o aliado perfeito para milhares de aplicações, com um único problema: não é suficientemente rentável. É precisamente nisso que andam a trabalhar os cientistas da Graphene Flagship: conseguir que o grafeno dê o salto definitivo e saia dos centros de investigação para chegar às nossas vidas. Apesar de isto acontecer ainda na forma de protótipos, o grafeno demonstrou uma versatilidade inigualável em relação a qualquer outro material. Enumerar todas as suas possíveis aplicações tendo em conta as suas qualidades seria demasiado complexo, mas basta mencionar algumas para ter uma ideia da sua importância: monitores de sinais vitais, tecidos inteligentes, circuitos eletrónicos, transístores ultrarrápidos, ecrãs táteis e flexíveis, diferentes tipos de sensores, câmaras de visão noturna, sequenciadores de ADN portáteis… Graças ao grafeno, a Internet será mais rápida e segura, a energia mais eficiente e limpa, a medicina mais eficaz e os transportes mais económicos e seguros. Koppens, que está a viver esta revolução na primeira pessoa, conclui que, “em qualquer caso, dentro de dez anos, o mundo será diferente” e, em parte, isto acontecerá se conseguirmos dominar este material milagroso. Álvarez Cedena – Espanha in “Diário de Notícias” Portugal

Entrevista e edição:  Azahara Mígel, Cristina López

Bolívia - Cientistas filmam uma rara onça preta

O animal foi filmado no norte do país andino depois que os moradores alertaram os pesquisadores sobre a existência desta espécie na área



Um grupo de cientistas filmou uma rara onça preta ou melânica (Panthera onca) numa área protegida localizada no departamento de Pando, no norte da Bolívia, de acordo com um vídeo enviado ao YouTube no mês passado pela Associação para Investigação e Conservação dos Ecossistemas Andino-Amazônicos (ACEAA).

"É uma observação muito rara, porque normalmente as onças presentes na Bolívia (e observadas até agora) não apresentam esta característica", explicou Nuno Negrões, coordenador do programa de monitoramento e pesquisa da ACEAA. Os negros explicaram que eles colocaram os dispositivos depois que os moradores da região lhes falaram sobre a existência de jaguares negros na área.

A gravação, com apenas 20 segundos de duração, foi filmada na tarde de 29 de maio com a ajuda de armadilhas fotográficas, usadas para detectar espécies evasivas ou perigosas para os humanos. Nas imagens pode-se observar o impressionante animal caminhando à noite pela floresta de Santa Rosa del Abuná.

A onça preta tem uma variação genética que faz com que ela produza mais melanina - o que dá à pele a sua cor preta - do que o restante dos espécimes desta espécie, que está presente em vários países da América, como Argentina, Paraguai ou EUA, e é considerada uma espécie ameaçada mundialmente pela União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN). In “RT” - Rússia

sexta-feira, 24 de agosto de 2018

Canadá - A língua portuguesa tem que ser ensinada numa perspectiva de língua estrangeira

Ana Paula Ribeiro esteve cerca de oito anos à frente da Coordenação de Ensino Português no Canadá. Na hora da despedida, destaca as conquistas da Coordenação num país onde o ensino da língua portuguesa chega até mais de sete mil alunos, apenas nos ensinos básico e secundário, para além do ensino superior. A criação da Associação de Professores de Português, a grande aposta na formação de professores e no incentivo à leitura, a procura crescente pelos exames de certificação, são algumas das conquistas do ensino português no Canadá que enumerou nesta entrevista. Como desafios de futuro para a Coordenação de Ensino destaca o fortalecimento do programa de português no ensino secundário nas várias províncias. E defende que, a nível de ensino universitário, o português deve ser apresentado como língua de potencial económico e de potencial futuro a nível de trabalho

Esteve quanto tempo no Canadá? O que se orgulha de ter a Coordenação de Ensino conquistado nesses anos?

Iria fazer oito anos como coordenadora na última semana de outubro. Quando cheguei ao Canadá, o ensino do português era ministrado ainda como língua materna e isso mudou. Não foi fácil, no início, mas hoje não há duvidas, para nenhum professor no Canadá, de que a língua portuguesa tem que ser ensinada numa perspetiva de língua segunda/língua estrangeira. Temos que pensar que no Canadá estamos a ir da terceira para a quarta geração de lusodescendentes e que o português já não é falado em casa. E, muitas vezes, o contato com a língua portuguesa é um contato passivo: quando visitam Portugal, quando comunicam com os avós, etc. Mas a resposta que dão já é em inglês ou francês. Tive uma aluna, com vinte e tal anos, que me contatou porque queria aprender português no Centro de Língua Português (implantado na Universidade de Toronto). Perguntei-lhe se falava alguma coisa de português e disse-me que as frases que conhecia eram: “senta-te”, “come a sopa”, “cala a boca”… eram frases que ouvia da avó. Essa alteração de ensino de língua materna para língua segunda/língua estrangeira, foi a primeira conquista.

Fico contente também por tem conseguido criar uma relação muito positiva com todos os professores no Canadá. Foi estabelecida de uma forma mais fácil em Toronto, mas gradualmente estendeu-se aos outros docentes, que foram seguindo muitas das minhas sugestões e compreendendo que eu não estava a impor nada, até porque não poderia nunca fazê-lo, porque não são professores pagos pelo Instituto Camões.

Foi feita uma grande aposta na formação de professores, também na base do ensino do português como língua segunda/língua estrangeira. Uma formação que acontece maioritariamente nos grandes centros, Toronto, Otava, Montreal, e com menos frequência nas cidades mais distantes.

Fizemos também uma grande aposta no incentivo à leitura, não só com a distribuição de mini-bibliotecas por todas as escolas e até em bibliotecas públicas, mas também com a visita de escritoras infanto-juvenis a várias escolas em Toronto, Otava e Montreal. E tenho sido surpreendida de ano para ano com atividades fantásticas feitas pelos professores e pelos alunos em torno das obras dessas escritoras. Não é só um estímulo à leitura como também possibilita uma atividade fora da rotina normal da sala de aulas.

Temos feito também uma aproximação dos professores do Instituto Camões que lecionam nas universidades, com as escolas comunitárias e públicas, de forma a que haja uma relação entre professores universitários e docentes dessas escolas. E que possam fazer atividades de incentivo à leitura, de desenvolvimento de escrita junto dos professores. Incluído no programa das universidades, há disciplinas que incentivam aqueles que querem vir a ser professores de português. No âmbito dessas disciplinas, os alunos do último ano das universidades vão às escolas fazer trabalho voluntário, desenvolvem atividades muito giras com as crianças e em colaboração com os professores.

Outra conquista da Coordenação foi a criação, este ano, da Associação de Professores de Português, com a professora Anabela Rato à frente da associação. Este foi um passo muito importante, porque é uma forma de unir os professores que estão dispersos pelo Canadá, mas também uma forma da Coordenação trabalhar juntamente com uma outra instituição para a formação de professores, para a promoção de atividades, numa perspetiva de trabalho em colaboração.

O ensino português no Canadá está ‘de saúde’?

Está ‘de saúde’, sim. Temos neste momento entre 7200 e 7300 alunos, desde o pré-escolar até ao final do ensino secundário, não contando com as universidades. O ensino da língua portuguesa é ministrado por várias escolas comunitárias e também através de diferentes direções escolares. As únicas que têm o português integrado no horário são as duas direções escolares de Toronto – a católica e a laica, ambas públicas. Na Direção Escolar laica temos menos alunos de português, porque as escolas católicas atraem mais os portugueses.

Na Direção Escolar católica, temos o português integrado em cerca de 12 escolas. Um programa que, na realidade, esteve em risco. É uma ‘guerra’ de há muitos anos, não só por falta de fundos, mas porque acham que o programa de línguas internacionais absorve os fundos necessários a outros programas. Há escolas que oferecem línguas estrangeiras e outras que não oferecem. Nestas últimas, os professores saem às 15h. Onde há língua internacional, os professores saem, todos, às 15h30 – e os professores regulares não recebem mais por isso.

Como disse, esta é uma situação entre professores, entre sindicatos. E, este ano, no final de junho, término do ano letivo, marcaram uma assembleia extraordinária dos trustees (responsáveis políticos eleitos em cada zona que têm o poder de decisão nestas assembleias públicas) – quando a maior parte dos professores de línguas internacionais, que são docentes de origem, já tinham as suas viagens de férias marcadas. Os professores das línguas internacionais e o próprio sindicato foram apanhados desprevenidos.

A reunião foi agendada para 12 de julho e tivemos até esse dia para conseguir mobilizar pessoas para irem à assembleia, porque havia inscrições para apresentações públicas. Acompanhei a assembleia toda, que terminou às 2h30 da madrugada, hora de Portugal. E fiquei muito contente porque as comunidades imigrantes uniram-se, mobilizaram-se de forma fantástica assim como o sindicato dos professores de línguas internacionais. A associação dos professores de língua portuguesa fez uma apresentação conjunta com a Coordenação de Ensino, houve imensas intervenções, muito emotivas e fortes. E os trustees decidiram que o programa de línguas internacionais não acabaria. A última palavra ainda vai ser da ministra da Educação. A nível diplomático houve vários contatos com a ministra e eu estou positiva, acredito que este programa está salvo por, pelo menos, mais um ano letivo.

E a Direção Escolar católica de Toronto interessa-nos muito porque só dentro deste programa temos 2900 alunos a estudar português com carácter obrigatório, nas suas escolas. E não são só alunos lusodescendentes.

No total, contando com o ensino integrado e o ministrado depois do horário escolar e aos sábados, temos cerca de 3800 alunos de português em Toronto. Representam mais da metade do total do país. Depois temos as escolas comunitárias. Por exemplo, na província do Quebeque, na cidade de Montreal, há a escola da Missão de Santa Cruz e a escola portuguesa do Laval. Na província de Manitoba, é na Associação Portuguesa de Winnipeg que temos a maioria dos alunos. Em Edmonton, na província de Alberta, há aulas na Escola Gil Vicente, que está a fazer um excelente trabalho. Em Vancouver, província da Colombia Britânica, temos duas escolas comunitárias, a Escola Portuguesa Nossa Senhora de Fátima e a Escola Portuguesa Santíssima Trindade.

Qual é o próximo desafio do ensino português no Canadá?

Penso que o trabalho a fazer no futuro será a nível do ensino secundário, onde temos menos alunos. Porque os alunos começam a estudar português aos quatro anos e quando chegam aos 14 anos já têm muitas outras opções. Os próprios counselors de cada escola secundária não incentivam a opção de língua internacional e as famílias acabam também por não fazer grande pressão, visto que os miúdos já andam a aprender português desde os quatro anos.

É preciso fortalecer o programa de português no ensino secundário nas várias províncias. Mas estamos a falar no segundo maior país do mundo. A Coordenação de Ensino, que é uma pessoa, está em Toronto e torna-se muito complicado. Por exemplo, a cidade de Edmonton representa uma diferença horária de menos duas horas em relação a Toronto, uma viagem ‘grande’ de quatro horas de avião e uma deslocação que fica cara para o orçamento da coordenação. O que tenho conseguido é fazer uma dessas viagens ‘grandes’ por ano – a cada ano, uma província diferente. E o reforço no ensino secundário exige um trabalho de persistência, que deveria ser feito com a comunidade e que leva muitíssimo tempo. Acredito que no futuro tal possa vir a acontecer. Mas penso que tem de haver um maior investimento no Canadá.

Como está o projeto das escolas associadas?

Este foi outra das iniciativas da Coordenação de Ensino no Canadá: ter proposto, em anos diferentes, escolas associadas. Temos neste momento três escolas associadas do Instituto Camões. A primeira foi uma grande escola de Toronto, a First Portuguese, com a qual estamos a renovar o protocolo, que já completou três anos. A segunda foi uma escola que pertence à Direção Escolar católica de Otava – a escola Luís de Camões, cujos professores são pagos por essa direção escolar. E a terceira associada foi a escola de Winnipeg.

Estes protocolos com escolas associadas são iniciativas muito importantes. As escolas beneficiam não só por estarem em primeiro lugar na atribuição de manuais escolares, mas também na formação de professores. Por outro lado, têm que dar muito mais, têm que seguir os programas do Instituto Camões, têm que apresentar uma planificação anual das suas aulas e incentivar a que os alunos participem na certificação das aprendizagens… Penso que foi uma excelente iniciativa.

A certificação das aprendizagens veio valorizar o ensino do português. Como está a decorrer no Canadá?

A certificação das aprendizagens foi muito importante e tem acontecido todos os anos. Este ano já fizemos a certificação das aprendizagens em seis cidades, que no fundo são centros de exame: Toronto, Otava, Montreal, Waterloo (que abrange Cambridge e Kitchener), Winnipeg e Edmonton. Todas as provas são preparadas em Portugal pelo Instituto Camões e enviadas para as várias coordenações de ensino, que fazem a gestão de envio para as escolas, a preparação dos professores que vão vigiar as provas e os que vão fazer a avaliação das mesmas, etc. No Canadá, são aplicadas no mesmo dia em que o são noutros centros de exame na Europa. A avaliação é feita por professores do Instituto Camões colocados nas universidades do Canadá juntamente com a Coordenação de Ensino e os resultados são enviados para a sede do Instituto, em Lisboa, que depois emite os certificados. Coa, fazemos uma cerimónia de entrega muito bonita, de forma a valorizar esta certificação e o esforço feito pelos professores, pelos alunos e pelos pais. Este ano tivemos que fazer a cerimónia em duas sessões, porque havia muitas pessoas.

O português está implantado há muitos anos a nível universitário no Canadá, de que é exemplo a Universidade de Toronto onde é dinamizado há mais de 70 anos. O que há ainda a fazer?

Durante muito tempo, e ainda hoje se pensa no ensino do português a nível superior como um ensino dirigido aos filhos dos portugueses. Como já referi, no Canadá estamos na terceira e quarta gerações de descendentes e se continuamos com essa perspetiva, a língua portuguesa vai ‘morrer’.

Temos que pensar que o português é uma língua de comunicação internacional, falada por mais de 250 milhões de pessoas no mundo, como língua materna, que tem interesse, por exemplo, para quem está a estudar Economia/Negócios.

Temos que fazer uma divulgação do português dentro dos vários departamentos das universidades e esse é um trabalho que está a começar a ser feito no Canadá. A vinda este ano, à Universidade de Lisboa, de um grupo de estudantes universitários de Toronto, de diferentes licenciaturas, para um curso de verão intensivo em língua portuguesa (durante todo o mês de julho), que lhes vai dar créditos correspondentes a uma disciplina anual, é disso prova. Mostra que estão a olhar para o português de uma forma diferente e, para mim, é um motivo de orgulho e de satisfação. Significa que estamos a ter muito mais visibilidade do que tínhamos há uns anos atrás.

O facto de termos transferido o Centro de Língua Portuguesa (do Consulado de Portugal em Toronto) para dentro da Universidade de Toronto é também importante. O seu objetivo não é concorrer com o Programa de Português (do Departamento de Espanhol e Português da Universidade), mas ser um complemento. O Centro de Língua Portuguesa dinamiza aulas, mas fora do Programa de Português. São alunos adultos, podem vir de outros cursos ou de fora da universidade. Aliás, a maioria dos alunos vem de fora da universidade e o facto é que temos muitos alunos que nos procuram e cujos apelidos não são portugueses.

Temos uma média de cem alunos por ano a estudar no Centro de Língua Portuguesa, o que é muitíssimo bom, mas achamos que podemos chegar muito mais longe por estarmos dentro da universidade. Não só vamos dar mais visibilidade ao Programa de Português, como também ao próprio Centro de Língua Portuguesa e à língua e cultura portuguesas.

Como se consegue, mantendo o ensino do português junto dos lusodescendentes, torná-lo também uma língua de interesse geral? Nota um interesse pela sua aprendizagem fora da comunidade portuguesa?

Há cada vez mais interesse, mas tem que ser feito um trabalho, como disse, a nível do ensino secundário. Depois de já ter sido dada visibilidade à língua portuguesa e ao Instituto Camões, o objetivo é agora dar mais visibilidade fora também da comunidade portuguesa e com um programa e atividades muito mais abrangentes. Penso que os primeiros passos estão dados. O português está na moda, viajar para Portugal também está na moda e tudo isso vai ajudar a abrir portas.

Ter um curso em língua portuguesa é importante também em termos de futuro profissional. Essa é a mensagem a transmitir?

É muito importante, esse é o discurso que temos feito e que teremos que fazer cada vez mais. Devemos valorizar os laços, as ligações emotivas, mas temos que valorizar o potencial económico da língua portuguesa e o potencial futuro a nível de trabalho. É uma língua de comunicação internacional cada vez mais valorizada e é essa a perspetiva que os pais têm que ter. Não é apenas por a família ser portuguesa, mas também porque, no futuro, os seus filhos vão falar uma segunda ou uma terceira língua, que poderá fazer a diferença no mercado de trabalho. In “Mundo Português” - Portugal

Açores – A descoberta do campo hidrotermal com características únicas está a atrair cientistas

O Campo Hidrotermal Luso, descoberto dia 16 de junho na ilha do Faial pela equipa científica da expedição organizada pela Fundação Oceano Azul em parceria com a Waitt Foundation e a National Geographic Pristine Seas, voltou a ser visitado por investigadores este mês para um estudo mais aprofundado



Localizado a 570 metros de profundidade, no monte submarino Gigante, a 60 milhas da ilha do Faial, o novo Campo Hidrotermal Luso é uma zona de elevada riqueza biológica e mineral. Poderá ser o primeiro de mais focos de hidrotermalismo na região do Gigante, mas só se saberá havendo mais oportunidades de explorar o mar profundo de Portugal.

Durante um mergulho de aproximadamente seis horas, conduzido pela equipa da Expedição Oceano Azul dedicada aos ecossistemas de profundidade em colaboração com a equipa científica da campanha francesa TRANSECT, foram recolhidas com um ROV, robot subaquático, 16 amostras biológicas, sete amostras geológicas, cinco amostras da estrutura das chaminés para identificação de microrganismos e várias amostras de água e fluídos hidrotermais para quantificar matéria orgânica e inorgânica.

A par destas amostragens para análise posterior, já foi possível recolher nova informação científica: duas grandes chaminés ativas, a par de várias inativas, com fluídos a registarem temperaturas entre 50.ºC e 65.ºC, sendo as chaminés constituídas por argilas ricas em metais (ferro e óxido de manganês).



Verificou-se, igualmente, que existem várias espécies de corais de profundidade e de crustáceos associados à chaminé mais ativa, assim como a presença de lava basáltica recente em zonas adjacentes.

Área muito rica em ferro

Segundo Telmo Morato, coordenador da equipa da Expedição Oceano Azul dedicada aos ecossistemas de profundidade, investigador do IMAR e da Universidade dos Açores e líder científico desta missão, "ainda há muito por desvendar sobre este campo hidrotermal e as comunidades que aqui vivem, mas para já ficámos a saber que esta zona é riquíssima em ferro".

"Este mineral é um adubo natural que estimula a produtividade, ou seja, o crescimento de seres fotossintéticos que consomem dióxido de carbono.  Aliás a comunidade científica discute neste momento se a fertilização do oceano com ferro será uma hipótese de reduzir o dióxido de carbono e mitigar as alterações climáticas", acrescenta.

A maioria dos campos hidrotermais localiza-se em zonas de fronteira de placas tectónicas divergentes, como é o caso da Dorsal Médio-Atlântica que separa o grupo ocidental do grupo central do Arquipélago dos Açores, precisamente onde se encontra o monte submarino Gigante. São verdadeiros oásis escondidos no oceano profundo, que normalmente são encontrados a quilómetros de profundidade e a centenas de milhas das zonas costeiras.

"Este campo hidrotermal é único. Para além de se encontrar a uma baixa profundidade, o que é raríssimo, apresenta também condições ambientais diferentes de outros campos hidrotermais conhecidos. Pode assim sustentar comunidades biológicas muito diferentes das que habitam outras fontes hidrotermais", refere Emanuel Gonçalves, líder da Expedição Oceano Azul e Administrador da Fundação Oceano Azul. Nuno de Noronha - Portugal In “Sapo Lifestyle”

Macau – Aeroporto vai ampliar terminal

A Companhia do Aeroporto de Macau espera que este projeto capacite o aeroporto a receber mais de 10 milhões de passageiros por ano



O Aeroporto Internacional de Macau lançou no dia 22 de agosto, o concurso para a ampliação do terminal de passageiros sul do aeroporto devido ao aumento recorde de passageiros, foi hoje anunciado.

“A fim de manter o desenvolvimento sustentável do aeroporto”, foi lançado um concurso para “realizar o projeto e obras de construção, incluindo uma extensão de espaço de três andares de aproximadamente 17 100 metros quadrados no lado sul do terminal de passageiros existente”, declarou a Sociedade do Aeroporto Internacional de Macau (CAM), em comunicado.

“Aumentar o espaço do terminal de passageiros do edifício do terminal, escritórios, área comercial, sala VIP e outras instalações, e construir três novas pontes de embarque”, é o objetivo da CAM, que espera que este projeto capacite o aeroporto a receber mais de 10 milhões de passageiros por ano.

Nos primeiros seis meses do ano, o aeroporto registou mais de quatro milhões de passageiros, um aumento de 20% em comparação com igual período do ano passado.

Em meados de julho, a CAM disse esperar receber mais de oito milhões de passageiros em 2018, mais de meio milhão do que o previsto no início do ano, estimativa revista em alta devido ao crescimento registado no primeiro semestre.

O mês de julho foi o mais movimentado de sempre no aeroporto internacional de Macau (MIA), de onde descolaram ou aterraram mais de 5700 aviões e 740 mil passageiros

“Prevê-se que o tráfego de passageiros e os movimentos aéreos avancem, ainda mais, durante o ‘pico’ da época alta, em agosto, mês em que se poderá alcançar um novo recorde”, pode ler-se num comunicado da CAM, do dia 2 agosto.

Até finais de julho, 30 companhias aéreas operavam naquele aeroporto, fazendo a ligação entre Macau e mais de 50 destinos no interior da China, Taiwan, Sudeste asiático e nordeste da Ásia.

De acordo com o comunicado divulgado hoje as empresas que se querem candidatar podem entregar os projetos para alargamento do terminal até ao dia 26 de setembro. In “Jornal Económico” – Portugal com “Lusa”

quinta-feira, 23 de agosto de 2018

Peru - Sepulturas e galerias subterrâneas milenares são descobertas

Com pequenos robôs equipados com microcâmeras, arqueólogos encontraram sepulturas de humanos e objetos de cerâmica da cultura Chavín, que floresceu entre os anos 1.300 e 550 antes de Cristo no atual Peru



Três galerias e sepulturas foram descobertas nas últimas semanas na zona do Monumento Arqueológico Chavín de Huántar, na região de Áncash, 462 km ao norte de Lima, informou o Ministério da Cultura.

"Foram encontradas três novas galerias subterrâneas que apresentam as primeiras sepulturas de humanos encontradas da época Chavín", referiu em comunicado.

Esta é a descoberta "mais importante dos últimos 50 anos no Monumento Arqueológico Chavín de Huántar", acrescentou.

No local foram encontradas peças de cerâmica, utensílios, as sepulturas intactas de uma pessoa adulta, enterrada de bruços, e de uma criança.



"As novas descobertas mostram-nos um mundo de galerias que têm a sua própria organização, com conteúdos distintos", disse à imprensa o arqueólogo americano John W. Rick, da Universidade de Stanford, que dirige esta investigação.

Rick explicou que no complexo de Chavín há 35 galerias construídas em distintos períodos e ainda restam dúzias delas por desenterrar.

"A hipótese com que se vem trabalhando é que aparentemente o adulto teria sido sacrificado como parte do encerramento da galeria", disse o vice-ministro do Património Cultural, Luis Felipe Villacorta, ao jornal La República.

Acrescentou que "aparentemente, estes lugares serviam para a preparação dos sacerdotes na época de Chavín".

Para a exploração, os arqueólogos usaram pequenos robôs com microcâmeras, que puderam entrar em lugares muitos pequenos e descobriram cavidades nos labirintos de Chavín.

"A descoberta das galerias tem uma dupla particularidade: o uso de novas tecnologias que revelaram espaços que permaneceram fechados desde a época Chavín, e a riqueza da informação arqueológica", destacou Villacorta.

O Monumento Arqueológico Chavín de Huántar, que foi o centro administrativo e religioso da cultura Chavín, é o primeiro grande centro religioso e de peregrinação da América do Sul. Em 1985 foi declarado Património da Humanidade pela Unesco. In “Sapo24” - Portugal

Guiné-Bissau - Porto de Bissau vai ser dragado

Mais de 50 anos volvidos, o porto de Bissau, capital da Guiné-Bissau, vai voltar a ser dragado. Os trabalhos arrancarão ainda este ano ou no próximo



Os trabalhos de dragagem do porto de Bissau serão financiados pelo Banco Africano para o Desenvolvimento (BAD), que para o efeito já desbloqueou um empréstimo de 15 mil milhões de francos CFA (cerca de 22 milhões de euros).

O ministro dos Transportes e Comunicações da Guiné-Bissau, Serifo Djaquite, que deu a notícia, acrescentou que no quadro deste projecto, serão igualmente realizados trabalhos de colocação de sinalização marítima na zona portuária para facilitar a atracagem de navios de maior porte.

O concurso para a selecção das empresas que serão encarregues de executar as obras deverá ser lançado a curto prazo.

A última dragagem do porto de Bissau ocorreu em 1960, em plena época colonial. In “Transportes & Negócios” - Portugal