Pintura Arq. Eduardo Moreira Santos, Lx (28.08.1904 - 23.04.1992)

sábado, 16 de março de 2013

PNUD

 
O Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento apresentou o seu Relatório do Desenvolvimento Humano 2013 com a classificação por países do Índice de Desenvolvimento Humano em 2012.
 
Numa primeira análise global, comparando as classificações de 2011 e 2012 do Índice de Desenvolvimento Humano, apenas um país conseguiu ter uma variação negativa de três lugares, esse país é europeu e chama-se Portugal!
 
Mesmo assim, Portugal consegue ser o país mais bem classificado de entre aqueles que têm a língua portuguesa como língua oficial, aparecendo no 43º lugar, entre os 47 países que estão no grupo de Desenvolvimento Humano Muito Elevado.
 
Na 85ª posição surge o Brasil, o segundo melhor dos países de língua portuguesa, no grupo dos países de Desenvolvimento Humano Elevado que agrupa os países do 48º ao 94º lugar.
 
No terceiro grupo de Desenvolvimento Humano Médio, encontramos Cabo Verde no 132º posto, piorando um lugar, Timor Leste na posição 134 e a Guiné Equatorial no 136º lugar.
 
No último agrupamento de países, os de Desenvolvimento Humano Baixo, estão São Tomé e Príncipe em 144º lugar, Angola na posição 148, Guiné Bissau no 176º posto e finalmente Moçambique num modesto 185 e antepenúltimo lugar.
 
Para uma análise mais pormenorizada, poderá aceder aqui ao relatório resumo do PNUD em língua portuguesa, ou se pretender o relatório exaustivo "A Ascensão do Sul: Progresso Humano num Mundo Diversificado" ambos, traduzidos e publicados com o apoio de Camões - Instituto da Cooperação e da Língua. Baía da Lusofonia


sexta-feira, 15 de março de 2013

Visitas


O ex-presidente do Brasil Luiz Inácio Lula da Silva iniciou na passada quarta-feira uma nova visita a África. O périplo começou na Guiné Equatorial, onde Lula da Silva foi recebido ontem, quinta-feira de manhã em Malabo, pelo primeiro vice-presidente Ignacio Milán Tang, em virtude da ausência na Tailândia em visita oficial do Presidente Obiang Nguema Mbasogo. Durante a sua estadia participou num evento empresarial cujo tema foi “O modelo brasileiro de desenvolvimento económico e inclusão social”.

Hoje, dia 15 de Março de 2013, Lula da Silva chegará a Accra, capital do Gana, para uma visita de dois dias, onde fará uma palestra a empresários, participará num debate sobre programas sociais na sede da FAO e encontrará o antigo presidente do Gana John Kufuor, ambos ganharam em 2011 o World Food Prize pelo trabalho realizado contra a fome.

Depois de visitar o Benim nos dias 17 e 18, Lula da Silva estará em Lagos, capital da Nigéria, no dia 19 de Março, onde participará no evento da revista “The Economist”, o Nigeria Summit 2013. Como na visita aos anteriores países, também em Lagos, Lula da Silva fará uma palestra para empresários e terá contactos com intelectuais e responsáveis da selecção nigeriana de futebol, que acabou de vencer o título de Campeã de África.

Estas visitas de Lula da Silva ao continente africano estão inseridas na estratégia de cooperação do Brasil com a África e América Latina. Em Novembro de 2012, visitou a África do Sul, Moçambique e Etiópia e já está prevista uma nova visita este ano aos países da África Oriental. Baía da Lusofonia

quinta-feira, 14 de março de 2013

Cinema


            Vai realizar-se na cidade de Maputo, capital de Moçambique, a 1ª Semana de Cinema Africano de Maputo, entre os dias 11 e 18 de Abril de 2013, com a apresentação de filmes de cineastas moçambicanos e de vários países, desde o vizinho Zimbabwé à Mauritânia no noroeste africano, num total de 16 películas.

            A 1ª Semana de Cinema Africano de Maputo tem a direcção do realizador moçambicano João Ribeiro, que terá o seu filme “O Último Voo do Flamingo” em actuação neste certame que é uma parceria entre a Universidade de Bayreuth na Alemanha, o Instituto Cultural Moçambique – Alemanha (ICMA) e um grupo de cineastas de Moçambique.

      Esta iniciativa conta ainda  com o apoio do Centro Cultural Franco Moçambicano (CCFM), da Faculdade de Letras e Ciências Sociais da Universidade Eduardo Mondlane e do Instituto Nacional de Audiovisual e Cinema (INAC).

        Além do citado filme do realizador João Ribeiro, o cinema moçambicano estará presente com a ante estreia do filme de Licínio Azevedo, “Virgem Margarida”. Do Bourkina Fasso, virão filmes dos realizadores, Abduldaye Dao, Gaston Kaboré e Dani Kouyaté, do Mali, serão apresentados filmes de Souleymane Cissé e Cheick Oumar Sissoko. Estará ainda presente pelo Zimbabwé, um filme de Akin Omatoso, pelo Ruanda, Kivu Ruhorahoza, pela Rep. Dem. Do Congo, Djo Munga, Camarões, Jean-Pierre Bekolo, Senegal, Alain Gomis, Mauritânia, Med Hondo, Costa do Marfim, Roger M’Bala, entre outros.

            Os  filmes serão  apresentados  em diversas salas, Teatro Avenida, Centro Franco Moçambicano, Auditório da TIM, FCS no Campus da Universidade Eduardo Mondlane, no INAC. Baía da Lusofonia

quarta-feira, 13 de março de 2013

Treviño

            O Condado de Treviño é um território com uma área aproximada de 261 km2, situado no norte de Espanha, tendo a particularidade de ser um enclave de Castela e Leão em terras do País Basco.

            Quando Afonso VIII de Castela conquistou as terras de Álava por volta do ano de 1200, negociou a adesão do Condado de Treviño para as cortes castelhanas, situação que veio a ser confirmada, na reforma administrativa do território em Novembro de 1833.

            Agora, a população do Condado de Treviño, que já por duas vezes, tentou a sua integração no País Basco, a última a 08 de Março de 1998, pretende novamente a sua saída da região de Burgos, cuja cidade fica a mais de cem quilómetros e é território de Castela e Leão, para passar para a região de Álava, País Basco, cuja capital Victória dista apenas 20 Km deste condado e onde está inserido Treviño, que não tem ligação directa com Castela e Leão. O Alcaide de Treviño, Ignacio Portilla, pretende seguir todos os trâmites legais para a transferência do seu município de Castela e Leão para o País Basco.

        No momento em que a Catalunha está a estudar a melhor data para a realização do referendo para a independência que tudo indica será no mês de Maio de 2014 na altura das eleições europeias, outros conflitos de menor dimensão, estão a preocupar as autoridades centrais de Madrid, como é o caso do Condado de Treviño, situação que não é virgem em Espanha, como os casos de Trucios Villaverde e Ademuz Canto.


         Depois  de termos assistido na década  noventa do  século passado a grandes alterações no leste europeu, poderemos estar a presenciar um início de mudanças no ocidente da Europa, onde também não é assunto encerrado, o problema fronteiriço de Olivença entre Portugal e Espanha. Baía da Lusofonia

terça-feira, 12 de março de 2013

Candidatura



Na próxima quinta-feira, 14 de Março de 2013, o candidato a presidente do PAIGC, Domingos Simões Pereira, vai apresentar oficialmente a sua candidatura na cidade de Bissau.

A dois meses do início do Congresso do PAIGC, marcado para quinta-feira 08 de Maio na cidade de Cacheu, Domingos Simões Pereira, um engenheiro guineense natural de Farim, onde nasceu em 1963, com um trajecto técnico e político bastante preenchido, iniciando um percurso profissional em 1988 que culminou com dois mandatos como Secretário Executivo da CPLP (2008 – 2012), já tem equipas de colaboradores em contactos com a população, estando a ter apoio popular, que vê na sua pessoa, a possibilidade de uma mudança para um futuro diferente, mais construtivo, pelo respeito do ser humano.

Domingos Simões Pereira afirma que é necessário encontrar consensos internos para colocar o país no caminho da estabilidade e da paz, repondo a ordem constitucional. Uma das metas a atingir é a inclusão na sociedade guineense das várias camadas sociais que têm sido marginalizadas, onde todos os guineenses tenham direito à cidadania. Baía da Lusofonia

segunda-feira, 11 de março de 2013

Vozes

“A perda de Línguas empobrece a humanidade – diz Irina Bokova, diretora-geral da UNESCO, que acrescenta – “O multilinguismo é nosso aliado na procura de garantir educação de qualidade para todos, na promoção da inclusão e no combate à discriminação. A construção de um diálogo genuíno é baseado no respeito pelas Línguas”.

“No dia 26 de fevereiro de 2013, realizou-se, no Instituto Superior Politécnico de São Tomé e Príncipe (ISP-STP), um encontro que teria como foco a discussão de políticas para a valorização e o ensino das línguas maternas de São Tomé e Príncipe, a meu ver, as línguas crioulas. No entanto, deparei-me com um engano: falou-se, sim – pouco –, sobre os crioulos. Mais precisamente, o senhor Caustrino Alcântara deu uma deliciosa aula de forro, um dos quatro crioulos falados em São Tomé e Príncipe (além do forro, fala-se o caboverdiano, o angolar e o lung’Iê, nesta ordem de ocorrência em números). Falou-se sobre o ensino da língua portuguesa – materna? para quem? (creio que seja uma boa ideia de pesquisa…) e também discorreu-se acerca da língua portuguesa “mal-falada” pelos são-tomenses.

O português europeu é língua oficial em São Tomé e Príncipe – e a própria nomenclatura, tendo-se em conta que estamos em continente africano, já me causa espanto –, língua de uma certa elite que supõe deter os poderes sobre os “subalternos”, “maus falantes” da língua do poder, repito, o português. O mais interessante é que este português que se impõe politicamente aqui é o mais distante que se pode imaginar da língua real, falada pela maioria dos são-tomenses, que não têm acesso aos meios “privilegiados” para o “domínio” efetivo desta, repito, distante e irreal língua que as instâncias de poder e os que se autodenominam “elite intelectual” insistem em “usar” para dominar, suavemente, os menos favorecidos – que são a maioria, como dita a regra.

Um povo calado é muito mais “maleável”. Penso que seja talvez por isso que o ensino da língua portuguesa neste país seja tão precário: o Ministério da Educação nunca se preocupou em, sequer, prestar atenção à língua real, falada no dia a dia do povo, isso sem mencionar as línguas crioulas, que ainda são faladas. Mas, afinal, os grandes culpados por esse “mau uso” da língua portuguesa são os professores dela – que também não a dominam, que ironia – porque o português europeu não é a sua língua. Nunca se pensou em avaliar ou em se questionar o estatuto do português europeu em São Tomé e Príncipe, país africano. O que a imposição, aqui, do português europeu como língua oficial oculta é, no mínimo, uma tragédia social e linguística. E me revolta ouvir são-tomenses falarem de desvios de usos de sua própria língua em relação a uma realidade que não lhes pertence.

É bem verdade que não sou linguista, e o que falo são especulações sobre a sócio-linguística são-tomense, baseada numa realidade linguística brasileira – em que não se discute mais, pelo menos na ciência chamada Linguística, questões como “certo” e “errado” no que diz respeito aos usos da língua “brasileira” pela esmagadora maioria da nossa população. Baseada, também, vale dizer, no convívio com a língua do povo de São Tomé, no contexto de produção textual dos alunos do curso de Letras do ISP, nas dificuldades que os mesmos alunos têm de decodificar um enunciado simples em sua suposta língua materna.

A verdade é que poucas vezes me deparo com estruturas agramaticais (me deparo, sim, com problemas de coesão e coerência internos, mas nunca com frases do tipo que misturam gêneros, como o artigo masculino e um substantivo feminino combinados – isso, sim, agramatical), e que não posso, devido ao meu amadorismo no que diz respeito a questões linguísticas, julgar ou explicar. Mas é certo que a ciência da língua tem uma explicação para os seus fenômenos.

O que me interessa, de fato, é provocar a discussão acerca desses fenômenos, que passam longe de serem “desvios do português” (que português? que padrão? quais são as referências científicas e os parâmetros lógicos para se designar este ou aquele português o padrão, o certo? seria o tempo? o espaço? o número de falantes?…) Não tenho resposta para todas essas questões, por isso divido-as aqui com meus caros interlocutores em potencial, para se pensar num ensino de língua portuguesa mais solidário e mais democrático em São Tomé e Príncipe.

Ademais, sugiro a leitura da obra de Marcos Bagno, Preconceito linguístico, que aclarou as razões por que todo esse discurso sobre o português de São Tomé e Príncipe me incomoda. O que parecia mera suspeição, após ler o texto, tornou-se, para mim, óbvio.” Naduska Palmeira – Brasil – São Tomé e Príncipe in "Notícias do Além-Mar"


domingo, 10 de março de 2013

Escoamento

                                        Para desatar o nó logístico  
                                      
              Para atender à demanda externa, o escoamento da safra de grãos pelo Porto de Santos neste ano não só foi antecipado como passou a ser realizado em condições que estão acima da capacidade de operação dos terminais do complexo portuário. O resultado tem sido constatado diariamente na rodovia Cônego Domênico Rangoni e nas vias de acesso à zona portuária na Margem Esquerda, em Guarujá: intenso tráfego de caminhões, que vem provocando congestionamentos de horas e grandes transtornos à população e ao comércio e à indústria da região.
            Para piorar a situação, as partes envolvidas com a safra de grãos não adotaram nenhuma medida de prevenção nem criaram uma logística específica para a questão, o que exigiria pátios dentro das próprias empresas para que os caminhões pudessem aguardar o momento do descarregamento. Como não foram providenciados esses espaços, as vias urbanas e a rodovia acabam por fazer as funções de pátios reguladores. E o prejuízo é dividido com a sociedade.
            A conseqüência dessa imprevidência é um caos, contra o qual os agentes da Diretoria de Trânsito e Transporte Público (Ditran), da Prefeitura de Guarujá, pouco podem fazer. Basta ver que o próprio Ditran informou que o serviço de caminhões de grãos com destino aos terminais opera normalmente com 5 a 7% de sua capacidade, mas, nos últimos dias, esse número tem chegado a 25%.
            A saída para esse problema é conhecida de todos: é preciso que as concessionárias MRS Logística e a América Latina Logística (ALL) ampliem sua capacidade de acesso ao Porto de Santos, com a colocação de mais trens em funcionamento. Só assim será possível tirar o excesso de caminhões das vias públicas. Mas essa é uma solução que exige pesados investimentos e demanda tempo.
            Seja como for, é de ressaltar que a MRS tem feito esforços nesse sentido, investindo R$ 130 milhões em locomotivas com sistema especial de engrenagens e motores que permite a travessia da Serra do Mar, em direção ao Porto. Chamado de cremalheira, esse sistema, que freia as composições na descida e alavanca sua subida, quadruplica a capacidade de movimentação de cargas no trecho, passando de 7 milhões de toneladas anuais para 28 milhões.
            Por enquanto, o sistema vai operar apenas com parte de sua capacidade, à espera da conclusão das obras de implantação do Ferroanel, o que está previsto para 2015. Com o Ferroanel, a distância ferroviária entre a região de Campinas e Santos cairá dos atuais 280 quilômetros para 180 quilômetros. Além disso, a MRS não será mais obrigada a usar a mesma linha de trens urbanos nem terá limites de horários. Ou seja, poderá operar também no período diurno.
           Com o Ferroanel, um contorno ferroviário que evitará a entrada dos trens no centro da cidade de São Paulo, haverá conexão com quase todo o País, atraindo maior número de cargas, inclusive de contêineres, o que hoje é impossível, já que a concessionária utiliza a mesma linha de trens de passageiros.
           Pelos cálculos da MRS, o novo sistema cremalheira permitirá a retirada de dois mil caminhões das rodovias paulistas, beneficiando o transporte de produtos do agronegócio, como soja, milho, açúcar, farelo e celulose, além de contêineres. Com isso, será possível desatar o nó logístico que todos os anos por esta época se forma no Porto de Santos, em função do escoamento da safra. Mauro Dias - Brasil
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Mauro Lourenço Dias, engenheiro eletrônico, é vice-presidente da Fiorde Logística Internacional, de São Paulo-SP, e professor de pós-graduação em Transportes e Logística no Departamento de Engenharia Civil da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp). E-mail: fiorde@fiorde.com.br Site: www.fiorde.com.br