Pintura Arq. Eduardo Moreira Santos, Lx (28.08.1904 - 23.04.1992)

quinta-feira, 2 de julho de 2020

Angola - Cinco candidatos disputam terminal multiusos do porto de Luanda

A DP World e a a ICTS estão entre os candidatos à concessão do terminal multiusos do porto de Luanda, Angola, cujas propostas foram hoje abertas

Quatro empresas estrangeiras e uma de origem angolana concorrem à concessão, exploração e gestão do terminal multiusos do porto de Luanda. São elas a angolana Multiparque Terminal Link e o Sifax Group (Nigéria), DP World (Dubai), ICTS International Container Terminal Services (Filipinas) e o consórcio SAS/MPLFI MSC.

Na abertura das propostas, o presidente da empresa pública portuária, Alberto Bengue, disse à imprensa que o vencedor será conhecido dentro de 60 dias.

Entre os requisitos obrigatórios de participação no concurso contam-se a exigência de um volume de negócios médio anual dos últimos três exercícios fiscais não inferior ao equivalente a 100 milhões de dólares (89 milhões de euros), um activo líquido não inferior ao equivalente a 100 milhões de dólares e capital próprio realizado não inferior ao equivalente a 25 milhões de dólares (22 milhões de euros).

O concurso para a concessão foi lançado em Dezembro do ano passado. O prazo inicial das entregas das candidaturas foi prorrogado por duas vezes devido à pandemia de Covid-19.

O terminal multiusos do porto de Luanda é uma infra-estrutura portuária que se dedica à operação simultânea de carga geral e contentores, possui um cais de 610 metros, com fundos de -12,5 metros e conta com uma área de 181 070 metros quadrados com capacidade para movimentar 2,6 milhões de toneladas por ano. In “Transportes & Negócios” - Portugal

Macau - Mandarina “desbrava” mercado da literatura infantil

Liderada por Catarina Mesquita, a “Mandarina books” lançou o terceiro livro infantil bilingue, reforçando a aposta num mercado que, apesar das “muitas possibilidades”, estava inexplorado em Macau. À Tribuna de Macau, a responsável da editora faz um balanço muito positivo do caminho “cimentado” desde o lançamento da primeira obra, em Setembro



Mandarina, segundo a tradição, é símbolo de felicidade e prosperidade, mas é também o nome da editora de livros infantis local. O nome rima com o da promotora da iniciativa, Catarina Mesquita, que à Tribuna de Macau resumiu um pouco da jornada que arrancou em Setembro com o lançamento da primeira obra da editora.

Quando chegou a Macau há cerca de sete anos, a madeirense já trazia uma experiência de cinco anos de trabalho numa editora infantil em Portugal.

“Em Macau, trabalhei enquanto jornalista e editora e percebi sempre que faltava alguma coisa. Mas, fui fazendo outras coisas por sobrevivência também, e fui-me envolvendo noutros projectos. Entretanto, tive um filho, e parei”, contou, ao confessar que foi nessa altura que surgiu a oportunidade de avançar com um projecto relacionado com os livros infantis.

Apesar de alguns “medos” e “períodos longos de dúvidas”, arriscou e, por conta própria, resolveu perseguir o sonho guardado na gaveta há, pelo menos, seis anos.

“Quis que a Mandarina books fosse um projecto pessoal. Por isso, nos primeiros livros não pedi nenhum subsídio e, nesta terra de apoios, isso é um risco”, afirmou, acrescentando que até agora entre “todos os cenários e mais alguns, tinha criado não sei quantos problemas e dramas que nunca surgiram”. “Tem tudo corrido de uma forma muito positiva”.

As obras infantis são todas bilingues e têm em comum Macau e as suas “particularidades”.

“Estou super entusiasmada e, às vezes, tenho um discurso um bocadinho ingénuo e muito apaixonado porque gosto muito do que estou a fazer”. Catarina Mesquita explicou que além dessa vontade, conta com a experiência profissional de saber, em termos práticos, o que exige a publicação de uma obra.

“Já estava a fazer isso em Macau, mas destinado a adultos. A Mandarina acaba por ser um reflexo da minha personalidade que é o espírito de comunidade. Acho que Macau é um sítio pequeno e de oportunidades se as pessoas tiverem os olhos e o coração abertos. Foi essa questão de pensar como posso juntar o que eu gosto, com o que sei e quero fazer no meu dia a dia”, explicou.

A autora lamenta que actualmente não seja possível viver da venda de livros em Macau, mas espera que isso se trate de uma fase.

“Queremos começar a fazer livros sem ser sobre Macau, para podermos abrir um bocadinho mais o horizonte. Nós somos de Macau e estamos no mundo, não são só as editoras dos outros sítios. É preciso mudar esta ideia, que parece que só produz para dentro e que é só a cidade dos casinos”.

“O desafio foi fazer livros 100% de Macau. Tudo é feito em Macau, com a excepção da impressão que é feita na China Continental porque os preços são muito mais competitivos”, disse ao explicar que os cinco profissionais da equipa estão, de alguma forma, ligados ao território, incluindo “um ilustrador de Macau, que vive no Brasil, a tradutora chinesa com hábitos portugueses, um escritor chinês que se considera de Macau”.

A editora lançou na semana passada a terceira obra intitulada “Na Rua”. “Atrevo-me a dizer que a ideia para este livro surgiu na minha primeira semana em Macau, quando andava nas ruas e pensava: ‘isto é o cenário perfeito para um livro infantil’”, recordou ao revelar que o título está relacionado com a actual situação pandémica.

“Estamos em Macau numa altura em quase nos esquecemos que o mundo inteiro está fechado e que nós podemos andar na rua. O livro serve para preservar a memória daquilo que são e vão voltar a ser as ruas de Macau”, mencionou, referindo-se às habituais multidões.

“Este livro veio cimentar a nossa posição. Nós precisávamos de um livro de histórias, mas também de algum reconhecimento por parte da comunidade”, afirmou.

“Tivemos um processo evolutivo desde o primeiro livro. [O “Little Explores of Macau”] não foi um livro muito profundo ao nível de conhecimentos, mas também não era só um livro de autocolantes. Todas as páginas têm um texto que explicam o património de Macau, que é acompanhado de uma actividade ou um jogo” que desenvolve várias áreas cognitivas, salientou.

“Depois lançámos o “Como se diz?”, porque achei que as línguas são muito importantes, até porque são uma realidade em Macau. Faltava-nos um livro de histórias”.

O turbilhão de ideias

Segundo Catarina Mesquita, a editora foi feita um pouco à sua imagem, por isso, não estabelece prazos para futuros projectos. “Sinto que é preciso fazer e quero fazer. Sou um turbilhão e tenho milhares de ideias a cada microssegundo e o projecto da Mandarina é pequenino. Somos uma equipa muito pequena, está muito centrado em mim. Tenho as ideias, algumas são antigas, e depois ganham forma. No fundo, é pôr em prática aquilo que me vai na cabeça. Só não ilustro. De resto, edito e escrevo, além de todas as questões práticas”, contou.

Apesar de todos os aspectos positivos, não deixou de notar algumas dificuldades que tem vindo a sentir neste projecto que conta já com três obras publicadas antes do primeiro ano. “Há um problema logístico em Macau. Além disso, também há os ‘óculos’ que nós pomos de que não há livrarias infantis em Macau, quando há imensas. Por isso, quando há um volume de negócio um bocadinho maior não há canais de distribuição organizados”, notou.

Catarina Mesquita referiu ainda alguns entraves por parte das escolas, particularmente de língua chinesa. Em questão estará a barreira linguística e alguma resistência em receber livros que não conhecem.

Sobre a editora, a autora refere que sente que está a “desbravar” um território por explorar em Macau. “As pessoas não têm muito a cultura de livros infantis. Os pais não ofereciam livros às crianças, até uma dada geração. O que acontece agora é que os pais são pessoas que viajam e que também querem usar os livros infantis para ensinar outras línguas às crianças”, destacou.

“As coisas estão a mudar, mas Macau é muito particular. Nem sequer podemos comparar com a China, porque em termos de livros infantis está a crescer brutalmente. Macau é muito particular em termos de tudo, até nesta questão”.

O sentido de pertença

Tendo como cenário Macau, Catarina Mesquita pretende que, através destas obras, os mais pequenos conheçam de forma mais aprofundada a cidade onde nasceram, despertando assim o sentido de pertença numa comunidade.

“Queria chegar às escolas para que as crianças pudessem manusear os livros e que depois cheguem a casa e digam ‘Mãe, aprendi isto sobre Macau porque li num livro’ e se for num livro da Mandarina, excelente”, disse, convicta de que os mais pequenos “não sabem nada sobre Macau”.

Por isso, “se cada criança de Macau tiver um livro eu dou-me por muito contente, não pelo número de exemplares, mas porque significa que chegamos a elas”.

Por agora, Catarina Mesquita está muito satisfeita com os resultados, apesar de não serem suficientes para a subsistência financeira da editora. “Quando eu digo que já atingi 1000 crianças em Macau, para o número de crianças não é tão significativo, mas para nós já é bastante, até porque conheci quase todas as pessoas que compraram os livros. Consegui entregá-los em mão. Isso também é das coisas mais importantes”, acrescentou. Sofia Rebelo – Macau in “Jornal Tribuna de Macau”

Nações Unidas - Conselho de Segurança quer acção conjunta para resolver crise na Guiné-Bissau

O Conselho de Segurança da ONU lançou um forte apelo a todos os guineenses a respeitarem o roteiro da CEDEAO e a trabalharem juntos para implementá-lo “sem demora, inclusive com a nomeação de um primeiro-ministro e formação de um novo governo.”

De acordo com comunicado, divulgado esta quarta-feira, em Nova Iorque, as autoridades devem ser nomeadas “em total conformidade com as disposições da Constituição e com os resultados das eleições legislativas de Março de 2019”.

Eleições

A nota realça preocupação com os eventos que resultaram na crise política e institucional em curso.

Na segunda-feira, com o Parlamento dividido em dois blocos, que reivindicam a maioria, foi aprovado o programa de governo apresentado pelo primeiro-ministro Nuno Nabian. Ele foi nomeado por Umaro Sissoco Embaló, dado como vencedor das eleições presidenciais pelas autoridades eleitorais.

Segundo a mídia local, Sissoco Embaló proclamou-se presidente do país quando o Supremo Tribunal de Justiça ainda deliberava sobre o contencioso apresentado pela candidatura de Domingos Simões Pereira, do partido vencedor das eleições de março de 2019, o PAIGC.

O Conselho também toma nota do reconhecimento, em 22 de abril pela Autoridade de Chefes de Estado e de Governo da CEDEAO, de Sissoco Embaló como vencedor da segunda volta das eleições presidenciais de Dezembro de 2019.

No entanto, o apelo às autoridades guineenses é que tomem “medidas concretas para garantir a paz, a segurança e a estabilidade no país”, resolvendo a crise política através do diálogo inclusivo com todas as partes interessadas.

O Conselho apela ainda que ocorram reformas urgentes previstas no Acordo de Conacri, de Outubro 2016, e o roteiro de seis pontos da CEDEAO “agilizando a revisão da Constituição de maneira consistente com suas disposições” e com o apoio do bloco regional e de parceiros internacionais.

A nota saúda ainda a actuação da representante das Nações Unidas e o impacto positivo da Missão da CEDEAO na Guiné-Bissau, Ecomib, na paz e estabilidade no país.

Drogas

A declaração menciona ainda os “ganhos alcançados no combate ao tráfico de drogas na Guiné-Bissau”, recordando que apreensões significativas ocorreram em Março e Setembro de 2019 e os envolvidos sentenciados.

Mas o pedido feito às autoridades é que tomem medidas concretas para garantir paz, segurança e estabilidade, combatendo o narcotráfico e o crime organizado. Para o Conselho, o problema “pode ameaçar a segurança e a estabilidade no país e na sub-região.”

Em relação a “incidentes recentes”, o Conselho de Segurança da ONU pede às forças de defesa e segurança que não interfiram no processo político. A todas as partes interessadas o apelo é que “se abstenham de qualquer acção que possa pôr em risco a ordem constitucional e o Estado de direito”.

Preocupação

O Conselho adverte ainda que podem considerar a adopção de medidas apropriadas em resposta a desenvolvimentos futuros da situação na Guiné-Bissau.

A Covid-19 é um outro factor que preocupa o órgão da ONU em relação ao país, porque pode ameaçar ao povo guineense. O apelo às autoridades e todos os actores políticos e instituições estatais é que actuem juntos para mitigar a pandemia. ONU News – Nações Unidas

Acompanhe o vídeo sobre apreensões de drogas em 2019 na Guiné-Bissau:


quarta-feira, 1 de julho de 2020

China - Museu desenhado por Álvaro Siza abre ao público em novembro


O primeiro museu de educação artística da China, desenhado pelo arquiteto português Álvaro Siza, deverá abrir portas ao público em novembro, na província de Zhejiang.

As obras de construção do Museu de Educação Artística Huamao já terminaram, anunciaram no domingo as autoridades de Yinzhou, um dos distritos da cidade de Ningbo, no leste da China.

O museu, situado junto ao Lago Dongqian, tem uma área de mais de seis mil metros quadrados, revelou o Departamento de Informação do Comité Distrital de Yinzhou, do Partido Comunista Chinês.

Num comunicado publicado no portal oficial, o Departamento sublinha que, em vez de escadas, o edifício, com uma altura de 25 metros, tem uma rampa sem barreiras a ligar os cinco andares e é iluminado apenas por janelas situadas no rés-do-chão e no topo do museu.

O edifício, um projeto do grupo privado chinês Huamao Group, terá uma área interativa onde os visitantes poderão experimentar escultura, impressão a três dimensões e copiar pinturas famosas.

O Huamao já investiu mais de 2,5 mil milhões de yuan (314,6 milhões de euros) no projeto, que inclui um hotel, um centro de conferências e 22 estúdios para artistas, cinco dos quais foram também desenhados por Álvaro Siza Vieira.

O presidente do Huamao Group, Xu Wanmao, refere no comunicado que decidiu convidar Álvaro Siza Vieira a liderar o projeto após visitar o Museu de Arte Contemporânea, que o arquiteto desenhou para a Fundação Serralves, no Porto.

A primeira obra de Siza Vieira na China – um edifício de escritórios, desenhado em parceria com o arquiteto Carlos Castanheira – foi inaugurado em agosto de 2014, no leste do país.

Na altura, foi anunciada a adjudicação do projeto do museu ao arquiteto português. In “Mundo Português” - Portugal


Portugal - Descoberta em Mirando do Douro uma figura zoomórfica com mais de dois mil anos



Foi descoberta na freguesia de Duas Igrejas, concelho de Miranda do Douro, uma figura zoomórfica que representa um berrão (um porco) e que, segundo os arqueólogos, data entre os séculos IV e I a.C.

Esta é a sexta figura zoomórfica descoberta no território daquele concelho do distrito de Bragança. “Esta escultura zoomórfica, em pedra granítica, representa um porco, muito bem elaborado”, destaca o executivo autárquico num comunicado divulgado no sítio do município.

Os berrões surgem na região de Trás-os-Montes e no Ocidente da Meseta espanhola, coincidindo na sua maioria com o território atribuído aos Vetões.

“Existem várias teorias quanto ao significado/funcionalidade dos berrões: presentes na entrada dos castros, simbolizariam a defesa do povoado e do gado; assumiam posições dominantes em áreas de excelente pastagem e próximas a fontes de água, funcionando como marcadores paisagísticos; monumentos comemorativos; monumentos sepulcrais (época romana, reutilização)”, destaca ainda o comunicado.

Descoberta ao acaso

“A figura zoomórfica representativa de um berrão foi encontrada ao acaso quando se preparava um terreno agrícola em Duas Igrejas destinado à plantação de amendoeiras”, indicou à agência Lusa a arqueóloga do município, Mónica Salgado.

Esculpida em granito, a figura mede 1,60 metros, cerca de 80 centímetros de altura por 30 de espessura, e pesa cerca de uma tonelada.

“O achado está em boas condições estruturais, apenas apresenta pequenas fraturas na estrutura e está muito bem elaborado”, indicou a arqueóloga de Miranda do Douro.

Os berrões podem ser representações de touros e porcos, mas há algumas exceções. Apresentam um carácter sacro-religioso, assentes na força, virilidade e combatividade.

De acordo com Mónica Salgado, no caso do porco, pensa-se representar o território com virtudes de força e de fecundidade, evocando uma índole mágica religiosa, divina, em suma, representações de entidades guardiãs.

A arqueóloga adiantou que existem cerca de 400 figuras zoomórficas no território trasmontano e na meseta espanhola.

No Planalto Mirandês, no distrito de Bragança, estas figuras podem ser encontradas nos concelhos de Miranda do Douro e Mogadouro. In “Mundo Português” - Portugal

Timor-Leste - Compromete-se a eliminar violência contra mulheres

Díli – A Secretária de Estado para a Igualdade e Inclusão Social (SEII), Maria José da Fonseca, afirmou que o Governo de Timor-Leste assume o compromisso de eliminar todas as formas de violência contra as mulheres, jovens adolescentes e outros cidadãos em situação de vulnerabilidade no país.

A governante falava durante a inauguração da Unidade de Coordenação do programa Iniciativa Spotligth, onde se integram 21 elementos, representantes do Governo, sociedade civil, União Europeia (UE) e Organização das Nações Unidas (ONU).

“Precisamos, por isso, do envolvimento e apoio de entidades internacionais, como as agências internacionais, e dos parceiros de desenvolvimento”, disse hoje a governante, na primeira reunião da Unidade de Coordenação, em Caicoli, Díli.

Maria José Fonseca elogiou a ajuda da ONU e UE através do programa Iniciativa Spotligth e manifestou o desejo de que os 21 elementos da Unidade de Coordenação venham a implementar as atividades com vista a erradicar as várias formas de violência contra as mulheres e jovens adolescentes.

Durante o primeiro encontro, a Unidade de Coordenação discutiu a implementação e os progressos do Iniciativa Spotligth em Timor-Leste, após o seu lançamento ocorrido em março deste ano. Foi ainda aprovado o Plano Anual de Atividades de 2020.

A reunião teve como objetivo manter o programa no ativo para se alcançar um impacto positivo, fortalecer o papel dos principais prestadores de serviços a nível nacional e comunitário e do sistema de gestão efetiva.

Também o Embaixador da UE, Andrew Jacobs, incentivou os responsáveis a darem continuidade ao trabalho desenvolvido no sentido de eliminar qualquer forma de violência de género, sublinhando ainda que a Unidade de Coordenação pretende assegurar que as mulheres e meninas timorenses ganhem confiança e se sintam seguras e livres, enaltecendo o seu potencial.

“A União Europeia é atualmente uma das instituições que promove a igualdade de género no mundo e juntamente com os nossos parceiros lutamos pelos direitos das mulheres”, referiu.

Já o Representante da ONU em Timor-Leste, Roy Trivedy, lembrou as mulheres e jovens adolescentes que foram vítimas de violência durante a crise sanitária provocada pela covid-19.

“O risco elevado de violência contra as mulheres e jovens adolescentes tem também custos psicológicos e socioeconómicos e uma maior repercussão com a pandemia. Em Timor-Leste, as Nações Unidas cooperam com o Governo, sociedade civil, parceiros de desenvolvimento, mulheres e jovens adolescentes em resposta à violência contra as mulheres”, conclui. Maria Auxiliadora – Timor-Leste in “Tatoli”

Macau - Instituto Cultural acrescenta 55 manifestações ao património cultural intangível

Às doze manifestações já incluídas na lista do Património Cultural Intangível, o Instituto Cultural acrescentou ontem mais 55. Em declarações à Tribuna de Macau figuras relacionadas com a área cultural mostraram-se satisfeitas com as escolhas do Governo e esperam que a medida ajude efectivamente a salvaguardar as várias tradições portuguesas, macaenses e chinesas



O Instituto Cultural (IC) acrescentou 55 manifestações ao inventário do Património Cultural Intangível. As manifestações culturais estão subdivididas em várias categorias, nomeadamente expressões artísticas e manifestações de carácter performativo, práticas sociais e religiosas, rituais e eventos festivos e competências no âmbito das práticas e técnicas artesanais tradicionais.

Apesar da larga maioria estar relacionada com tradições chinesas, 11 dizem respeito a manifestações portuguesas e macaenses.

Segundo o IC, algumas manifestações foram objecto de um levantamento sistemático e de um processo de selecção ao longo dos últimos anos, através de trabalho de campo, entrevistas orais e avaliação de especialistas. Outras foram propostas por comunidades locais ou a título individual.

O organismo garantiu ainda que todas as manifestações cumprem os requisitos de inventariação nos termos da Lei de Salvaguarda do Património Cultural a nível das suas formas de expressão, estado de conservação e valor cultural, e que integraram a lista após o parecer do Conselho do Património Cultural.

Arlinda Frota, médica e pintora, vê esta decisão com natural agrado. “Não há dúvida da dimensão e importância da pegada cultural que Portugal aqui deixou e que por isso tem de ser salvaguardada”, começou por dizer, destacando o fabrico e a pintura de azulejo português como sendo “algo de notar”. “Ainda bem que Macau e o IC reconheceram isso e que isto possa ser apreciado por mais pessoas na medida em que o Instituto irá promover”, notou, em declarações à Tribuna de Macau.

A artista portuguesa espera que este reconhecimento possa trazer mais valias para a sua arte, nomeadamente no que diz respeito aos “poucos artistas de Macau”.

“Fico triste quando vejo azulejaria de características portuguesas que é feita de qualquer maneira em Macau, também”, não só empresas privadas, mas também com “índole público”, afirmou. Por isso, “acho que valeria a pena promover esta cultura, através de cursos de azulejaria no próprio âmbito do Instituto Cultural e dar formação às pessoas para que se conheça os vários tipos de azulejos”, disse, ao destacar as “belíssimas condições” da Casa de Portugal para esse efeito.

Além disso, Arlinda Frota lamenta que não haja qualquer divulgação do que é azulejaria portuguesa. Nesse sentido, seria importante contar com a participação activa do Governo de forma a promover e manter esta arte presente em Macau.

“E quando o fazem, mesmo nos casinos, mandam fazer à China porque é muito mais barato. Mas isso não é azulejo português, porque esse tem de ser feito à mão”, sublinhou.

Um quinto das tradições listadas tem matriz portuguesa

Carlos Marreiros mostrou-se igualmente bastante satisfeito com a decisão do IC de expandir a lista do Património Cultural Intangível, especialmente pelo facto de “destes 55, um quinto ser de matriz portuguesa e de Macau, porque somos uma minoria aqui”.

“Julgo que, de uma maneira geral, a população de Macau também vai amparar e apoiar esta nova listagem, e aplaudir”, afirmou o arquitecto, que entre as novas manifestações inscritas optou por destacar a procissão de Santo António que “hoje ficou circunscrita a uma voltinha na Praça Luís de Camões”.

O antigo presidente do IC recordou que, durante a infância, participava numa procissão dedicada ao santo que “cumpria as promessas”. Na ocasião, a Igreja das Flores enchia-se de fiéis que seguiam em procissão pelas ruas do centro histórico de Macau.

“Faziam-se grande peregrinações à zona de Santo António, por ser um santo muito respeitado. Chamavam-se ‘mamons’ porque se comia e bebia muito bem”, contou.

Também sobre os azulejos, o arquitecto reconheceu que, ao longo dos últimos 30 anos, tem havido um esforço para reabilitar os painéis presentes no território, dando como exemplo o painel no edifício do Leal Senado, sede do Instituto para os Assuntos Municipais. “O cerâmico vidrado dá um brilho aos dias cinzentos de Macau”, disse.

Entre as restantes manifestações, Carlos Marreiros destacou o Festival de Lanternas, “por razões óbvias”, e as “figurinhas de massa” da sua infância. No que toca às artes marciais, realçou o Wing Chun e o Choi Lei Fat.

O arquitecto espera que o IC possa acrescentar ao inventário do Património Cultural Intangível “a comida chinesa de Macau, que é diferente da comida cantonense”.

A lista integra ainda a sobremesa “Aluá”, um doce da Gastronomia Macaense. Luís Machado sublinha que apesar de a Gastronomia Macaense já constar da lista anterior, “é sempre bom” este destaque ao doce tradicional com influências indianas.

“Antigamente este doce comia-se muito nas festas, como o Natal ou baptizados, mas com o tempo foi caindo em desuso porque é um doce muito difícil de executar”, explicou o presidente da Confraria da Gastronomia Macaense.

“Ainda temos confreiras que fazem, mas é de louvar a perseverança para executar este bolo”, referiu, notando que, actualmente, há apenas “uma família, a Meadas, que mantém a tradição”.

Luís Machado espera que esta iniciativa do Governo estimule as pessoas a estarem mais atentas à gastronomia local.

No que toca a gastronomia, também os pastéis de nata passam a integrar a lista de Património Cultural Intangível de Macau, ao lado dos biscoitos de amêndoa, a confecção das frutas de conserva, de massas Jook-Sing ou os Bolos de Casamento Tradicional Chinês e dos Barcos de Dragão.

No total, o inventário do Património Cultural Intangível abrange agora 67 manifestações, incluindo o primeiro lote de itens inscritos em 2017. O IC garante que irá continuar a proceder ao levantamento e estudo do património cultural intangível de Macau e “à actualização do inventário, a fim de salvaguardar e difundir o valioso património cultural intangível da cidade”. Sofia Rebelo – Macau in “Jornal Tribuna de Macau”

55 Entradas na lista do património intangível

Expressões Artísticas e de Carácter Performativo

Dança do Dragão
Dança do Leão
Dança Folclórica Portuguesa
Canções da Água Salgada
Percussão Baatyam

Práticas Sociais e Religiosas, Rituais e Eventos Festivos

Procissão do Senhor Morte
Procissão de Santo António
Arraial de São João
Procissão de São Roque
Festa de São Martinho
Festa da Imaculada Conceição
Festival da Primavera
Festival das Lanternas
Oferenda de Sacrifícios ao Tigre Branco no Dia do Despertar dos Insectos
Cheng Ming (Dia de Finados)
Tung Ng (Festival de Barcos-Dragão)
Regata de Barcos-Dragão
Qixi (Festa das Raparigas Solteiras)
Yu Lan (Festa dos Espíritos Esfomeados)
Chong Chao (Festival do Bolo Lunar)
Chong Yeong (Culto dos Antepassados)
Festividades do Solstício de Inverno
Celebrações de Seak Kam Tong
Abertura da Tesouraria de Kun Iam
Celebrações de Tai Wong
Celebrações de Pao Kung
Festividades de Kun Iam
Celebrações de Pak Tai
Festividades do Dia do Buda
Celebrações de Tam Kong
Celebrações de Sin Fong
Celebrações de Lou Pan
Celebrações de Kuan Tai
Celebrações de Hong Chan Kan
Celebrações de Va Kong

Conhecimentos e Práticas relativos à Natureza e ao Universo

Artes Marciais de Tai Chi
Artes Marciais de Wing Chun
Artes Marciais de Choi Lei Fat

Práticas e Técnicas Artesanais e Tradicionais

Fabrico e Pintura de Azulejos Portugueses
Fabrico de Porcelana Cantonense
Microgravura em Porcelana
Escultura de Figuras em Massas
Fabrico de Pivetes
Carpintaria Seong Ká
Confecção do Cheongsam Chinês
Confecção de Vestidos de Casamento Chineses
Confecção de Pastéis de Nata
Confecção de Doces de Barba de Dragão
Confecção de Pastelaria Chinesa
Confecção de Biscoitos de Amêndoa
Confecção de Bolos de Casamento Tradicional Chinês
Confecção de Molhos Tradicionais Chineses
Confecção de Frutas em Conserva
Gastronomia Macaense – Confecção do Aluá
Confecção de Massas de Jook-Sing