Pintura Arq. Eduardo Moreira Santos, Lx (28.08.1904 - 23.04.1992)

sexta-feira, 9 de novembro de 2012

Rios


Por este rio acima

Por este rio acima
deixando para trás
a côncava funda
da casa do fumo
cheguei perto do sonho
flutuando nas águas
dos rios dos céus
escorre o gengibre e o mel
sedas porcelanas
pimenta e canela
recebendo ofertas
de músicas suaves
em nossas orelhas
leve como o ar
a terra a navegar
meu bem como eu vou
por este rio acima

Por este rio acima
os barcos vão pintados
de muitas pinturas
descrevem varandas
e os cabelos de Inês
desenham memórias
ao longo da água
bosques enfeitiçados
soutos laranjeiras
campinas de trigo
amores repartidos
afagam as dores
quando são sentidos
monstros adormecidos
na esfera do fogo
como nasce a paz
por este rio acima

Meu sonho
quanto eu te quero
eu nem sei
eu nem sei
fica um bocadinho mais
que eu também
que eu também
meu bem

Por este rio acima
isto que é de uns
também é de outros
não é mais nem menos
nascidos foram todos
do suor da fêmea
do calor do macho
aquilo que uns tratam
não hão-de tratar
outros de outra coisa
pois o que vende o fresco
não vende o salgado
nem também o seco
na terra em harmonia
perfeita e suave
das margens do rio
por este rio acima

Meu sonho
quanto eu te quero
eu nem sei
eu nem sei
fica um bocadinho mais
que eu também
que eu também
meu bem

Por este rio acima
deixando para trás
a côncava funda
da casa do fumo
cheguei perto do sonho
flutuando nas águas
dos rios dos céus
escorre o gengibre e o mel
sedas porcelanas
pimenta e canela
recebendo ofertas
de músicas suaves
em nossas orelhas
leve como o ar
a terra a navegar
meu bem como eu vou
por este rio acima

Fausto Dias – Portugal

quinta-feira, 8 de novembro de 2012

Noriegas


A história de Manuel António Noriega Moreno é conhecida mundialmente, devido à sua ascensão, golpe após golpe, até à presidência do Panamá, nome também da cidade que o viu nascer em 11 de Fevereiro de 1934.

Noriega em cada golpe que intervinha subia na hierarquia militar chegando a general em 1982 e tinha o poder absoluto do seu país o Panamá em 1983. O seu percurso ficou ligado ao narcotráfico sendo um abastecedor do mercado norte-americano de cocaína e marijuana, o que levou o presidente dos Estados Unidos, George Bush, a ordenar uma operação de captura de Noriega denominada “justa causa” que levou à sua prisão a 03 de Janeiro de 1990. Hoje Noriega após passar 17 anos nos calabouços americanos, está detido em França pela acusação de lavagem de dinheiro.

Mas outros Noriegas existem espalhados pelo mundo, um deles, encontra-se na outra margem do Atlântico, tem menos 21 anos pois nasceu a 20 de janeiro de 1955 em Encheia, Bissorá na Guiné Bissau e embora fisicamente não seja comparável com Noriega, tem tido um percurso bastante semelhante, sendo hoje tenente-general e Chefe do Estado Maior das Forças Armadas da Guiné Bissau.

A sua ligação ao narcotráfico é também conhecida. A diferença está no mercado alvo da distribuição das drogas, enquanto os Estados Unidos da América é uma federação de estados com um governo central, a União Europeia é um conjunto de países sem uma estratégia definida quanto a problemas internacionais, como é o caso do narcotráfico.

Filho de Wasna Injai e Quiritche Cofte o Noriega da Guiné Bissau, de seu nome António Injai, ou Indjai como também é conhecido, continua a dominar um pequeno estado da costa atlântica de África, inserido numa região em que o tráfico de droga tem caminho livre mas, a sorte de Injai não será diferente de Noriega e tudo não passa de uma questão de tempo. Baía da Lusofonia 

quarta-feira, 7 de novembro de 2012

Cidade Velha


O Sítio histórico da Cidade Velha, Património da Humanidade passou a partir de ontem, dia 06 de Novembro de 2012, a ser gerida por uma Alta Curadoria, cujos membros foram empossados no Convento de São Francisco pelo ministro da cultura cabo-verdiano Mário Lúcio Sousa.

Este órgão com competência política e técnica passa a ser responsável pela gestão deste Património Mundial e é uma esperança para as gentes da Ribeira Grande de Santiago, que esperam ver chegar à sua terra mais turistas e com eles novas oportunidades de trabalho na área do turismo.

A Cidade Velha foi fundada em 1462, dois anos após a chegada dos navegadores portugueses à ilha de Santiago, a primeira das ilhas do arquipélago de Cabo Verde a ser descoberta, sendo o seu primeiro nome de Ribeira Grande.

Dos monumentos que fazem parte deste Património Mundial temos a Fortaleza Real de São Filipe mandada construir no reinado de Filipe I em 1587, para rechaçar os ataques dos corsários, entre eles do inglês Francis Drake. Esta Fortificação que fica a uma centena de metros de altitude tem três sistemas defensivos, barbacã, fosso seco e muralha com baluartes.

O Pelourinho no centro da cidade, com a data possível de 1512, a Sé Catedral, com início da construção em 1556, que se manteve intacta até ao início do século XVIII, o Convento de São Francisco que data do séc. XVII e a Igreja Hospital Nossa Senhora da Misericórdia começada a construir em 1555, são também monumentos que constituem o património da Cidade Velha.

Por fim, uma chamada especial de atenção para a Igreja de Nossa Senhora do Rosário, um dos edifícios mais antigos de Ribeira Grande, construída a partir de 1493. A chave da sua abóbada tem um selo que representa a cruz da coroa real portuguesa, foi ampliada em 1495 e recoberta de azulejos, apresentando no seu interior vários túmulos da nobreza local. De visita obrigatória a Igreja de Nossa Senhora do Rosário que se encontra num estado de conservação excepcional, continua nos nossos dias a celebrar a missa dominical. Baía da Lusofonia

terça-feira, 6 de novembro de 2012

Logística II


                             Uma rede de logística para o País
                                                                                                                         
                SÃO PAULO – Lançado em agosto pelo governo federal com grande aparato midiático, o Plano Nacional de Logística: Rodovias e Ferrovias (PNL), embora tenha estabelecido normas para o desempenho da atividade de motorista, inclusive horário de descanso obrigatório, entre outras providências, não levou em conta um dado fundamental para que a legislação seja cumprida: a falta de locais adequados para serviços de higiene, alimentação e descanso desses profissionais.

            Na verdade, o governo, antes de lançar o PNL, sequer se preocupou em fazer um mapeamento que estabelecesse a presença de condomínios logísticos ou postos de serviços ao longo da malha rodoviária nacional que possam oferecer boas condições de infraestrutura para que a legislação baixada seja cumprida. Quer dizer, faz-se uma legislação de primeiro mundo para um país que, em muitas de suas regiões, ainda é de terceiro mundo.

            Como se sabe, a maior parte dos condomínios logísticos que existem no Brasil está na região Sudeste (83%), enquanto a região Sul fica com 8,3% do total. O restante (menos de 10%) está dividido entre as regiões Nordeste, Norte e Centro-Oeste, segundo dados do Instituto de Logística e Supply Chain (Ilos), do Rio de Janeiro. Aliás, esta última região é a que menos infraestrutura oferece em termos de condomínios logísticos, talvez porque a sua produção esteja majoritariamente ligada ao agronegócio.

            Já o Nordeste, com 7% do total, de acordo com o estudo do Ilos, é pelo menos aquela parte do País que maior evolução apresenta no setor, o que significa que pelo menos há uma preocupação da iniciativa privada, diga-se de passagem, de suprir essa carência, obviamente em função do crescimento econômico da região que se reflete na movimentação de cargas.

            Portanto, está claro que o governo federal precisa também baixar outras medidas que venham a incentivar a criação de redes de armazenagem e logística ao longo da malha rodoviária brasileira para atender não só àquelas empresas que necessitam de estrutura para fazer a consolidação de cargas com vistas à redistribuição e outras operações bem como para atuar como área de apoio aos motoristas e outros profissionais, oferecendo inclusive segurança pessoal e patrimonial e serviços de alimentação. Hoje, esse tipo de infraestrutura só existe, praticamente, à beira dos grandes eixos rodoviários na região Sudeste, em função da proximidade com os grandes mercados consumidores e de alguns incentivos fiscais.

            Atraídos por esses incentivos e recursos a juros civilizados, os investidores poderiam em pouco tempo aumentar a oferta de condomínios logísticos no Brasil, o que, com certeza, iria se refletir positivamente não apenas na qualidade dos serviços como nos preços dos aluguéis cobrados por seu uso, hoje considerados excessivos. Tudo isso iria contribuir para o aumento da competitividade da logística brasileira.
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Milton Lourenço é presidente da Fiorde Logística Internacional e diretor do Sindicato dos Comissários de Despachos, Agentes de Cargas e Logística do Estado de São Paulo (Sindicomis) e da Associação Nacional dos Comissários de Despachos, Agentes de Cargas e Logística (ACTC). E-mail: fiorde@fiorde.com.br. Site: www.fiorde.com.br.

segunda-feira, 5 de novembro de 2012

Esperança


"Ninguém sabe, ninguém lembra, nosso livro falado com nossos códigos, foi queimado pelo esquecimento... Pouco a pouco o feísmo foi penetrando nas nossas mentes, ninguém repara já nos adornos das nossas casas de dantes... Nosso ser foi dominado, o dragão das nossas entranhas foi apagado... Reconheçamo-lo, mesmo que a dor seja insuportável, a nossa mente foi tatuada com outras palavras, a língua feliz da minha infância, mesmo sendo proibida na escola, pela que meu pai se batia como para defender sua mãe, com qualquer outro homem...essa língua deixou de ser amada, o auto-ódio instalou-se definitivamente em nosso jeito de olharmo-nos no espelho... E agora? O que fazer com tanta cinza? Com tanto incêndio? Que faço eu com este vulcão que me consome? Falo, tatuo o ar, limpo a minha mente colonizada... Mas já não posso esperar que alguém vivo possa entender esta minha linguagem..." Concha Rousia – Galiza in “Portal Galego da Língua”

domingo, 4 de novembro de 2012

Esfarrapada


Hoje, quando percorria uma estrada de um itinerário principal com ligação à fronteira, por isso uma rodovia com passagem de estrangeiros que visitam o país, deparei-me com uma bandeira nacional, desfraldada num edifício público pois era domingo, toda esfarrapada.

Ainda há um mês foi notícia o hastear da bandeira ao contrário, que a cobertura televisiva nacional deu um relevo que até passou fronteiras, mas mais grave é semana após semana uma bandeira rasgada ser colocada num mastro à vista de qualquer transeunte.

Certamente que o organismo público tem um dirigente máximo, que recebe além do vencimento remunerações acessórias de chefia com o fim de dirigir e zelar pela imagem da instituição que tem sob a sua responsabilidade.

Todos sabemos, ou quase todos, que vivemos um tempo de crise e que existem grandes dificuldades de gestão, não sobrando dinheiro para despesas que não foram orçamentadas, mas quando está em causa o símbolo nacional, compete ao dirigente máximo do organismo público, resolver de imediato a situação anómala, nem que para isso tenha que retirar dinheiro das remunerações acessórias que recebe para dirigir, pois se não respeita o símbolo nacional que é a bandeira do seu país, não terá certamente capacidades intelectuais para comandar o que quer que seja. Baía da Lusofonia

quinta-feira, 1 de novembro de 2012

Vida


A Vida Negra

Paguei bastante, esqueço quanto.
Contei estrelas e estrelas até esquecer,
dei tudo, mas não a lua e o vento,
vi a lua, vi o sol e tudo até aquecer.

A vida é negra, na rua durmo pronto,
no mar pesco, mas não para ser,
viajei, não chego o destino é distinto,
nos meus olhos está o destino, é vencer.

Na vida está a luta, é dar peito,
na sombra escore a vida, não é crescer,
na vida cresce a vitoria, é dar o espírito.

Voar só, sozinho nos mansos gritos,
rir, riso duma criança como uma flor a nascer,
mimando, alegrando como a caricia leve dos ventos.

Adilson Nancassa - Guiné Bissau