Pintura Arq. Eduardo Moreira Santos, Lx (28.08.1904 - 23.04.1992)
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quarta-feira, 21 de fevereiro de 2024

Itália - Roma recupera imponentes colunas da Basílica Úlpia

O fórum mais sumptuoso da Roma Antiga recuperou a sua glória com a reconstrução parcial das imponentes colunas da Basílica Úlpia, financiada por um magnata russo.


O restauro parcial deste edifício romano, sede do Fórum de Trajano que governou a cidade italiana durante mais de mil anos, ajuda a reviver a grandeza e a magnitude do monumento original de mármore. A colunata coríntia de dois andares da basílica tem 23 metros de altura.

“Se os visitantes não perceberem a altura dos monumentos, não compreenderão o significado da arquitectura”, disse à AFP o responsável pelo património cultural de Roma, Claudio Parisi Presicce.

Sede do Fórum de Trajano, a Basílica Úlpia foi o último e maior dos fóruns imperiais, nomeada a partir do imperador Marco Úlpio Trajano, que governou entre 98 e 117 d.C. Inaugurada no século II, a maior parte deste fórum ruiu na Idade Média, mas foi desenterrada após escavações promovidas no início do século XIX e na década de 1930.

O projecto actual, iniciado em 2021, permitiu identificar três colunas de mármore verde que haviam permanecido “de lado” por quase 100 anos, esclareceu Parisi Presicce.

Os engenheiros recolocaram-nas no topo de quatro pilares de granito que marcam o perímetro externo da primeira nave da basílica. Entre os dois andares de colunas, arqueólogos e técnicos recriaram o entablamento com o seu friso decorativo, com a representação da mitológica deusa Vitória sacrificando touros.

O projecto foi viabilizado com uma doação de 1,5 milhão de euros de Alisher Usmanov, oligarca russo nascido no Uzbequistão. O magnata foi sancionado pela UE e pelos EUA após a invasão russa da Ucrânia, por ser considerado próximo do Presidente da Rússia, Vladimir Putin.

Com uma fortuna estimada pela Forbes em 14,4 mil milhões de dólares, Usmanov é um amante da Itália e também fez doações para outros projectos de restauração em Roma. Foi considerado pelo jornal britânico “Sunday Times” como o “doador mais generoso” em 2021, após conceder 4,2 mil milhões de dólares a diferentes instituições de beneficência ao longo de 20 anos.

As campanhas militares de Trajano, incluindo a quase aniquilação dos povos Dácios na actual Roménia, alargaram as fronteiras do Império Romano. As suas duas sangrentas guerras dácias são retratadas num baixo-relevo em espiral na Coluna de Trajano, localizada ao norte da basílica, monumento construído para glorificar as vitórias do imperador e os seus esforços de guerra.

De acordo com Parisi Presicce, Trajano “construiu um monumento com os materiais mais preciosos que podiam ser utilizados naquela época”, como o mármore colorido procedente da Ásia e África, sobretudo, do Egipto.

A imponente construção acolhia tribunais e outras entidades estatais e era composta por cinco corredores centrais separados por filas de colunas. Erguida pelo renomado arquitecto Apolodoro de Damasco, era coberta por um telhado de bronze. A fachada foi decorada com estátuas das conquistas em Dácia e painéis decorativos de estandartes militares.

Escavações anteriores encontraram o fórum e vestígios da sua basílica, cujos maciços pilares de granito ao seu redor foram restaurados e reerguidos. Contudo, a colunata não tinha um segundo andar.

Segmentos do mármore original do friso do entablamento, actualmente guardados em armazéns ou museus, foram reconstruídos em resina juntamente com as partes perdidas, embora com menos detalhes. Esta técnica permite que os visitantes percebam a diferença entre a arquitectura original e as suas aproximações, uma prática comum no restauro moderno.

As etapas finais do projecto incluem a reconstrução das escadas ao sul da basílica para incorporar antigas lajes de mármore amarelo encontradas no local.

Actualmente, Roma está a desenvolver 150 projectos arqueológicos até 2027, na sua maioria financiados por fundos europeus de recuperação após a pandemia. In “Jornal Tribuna de Macau” – Macau com “Agências Internacionais”

domingo, 22 de janeiro de 2023

França – Deputada do Parlamento português quer monumento na Gare d’Austerlitz para assinalar chegada dos emigrantes portugueses


A Deputada socialista Nathalie Oliveira propôs à Mairie de Paris a instalação de um monumento de homenagem aos milhares de portugueses que chegaram à Gare d’Austerlitz, a tempo das comemorações dos 50 anos da revolução do 25 de Abril.

“Eu já tinha passado muitas vezes pela Gare d’Austerlitz e perturbava-me o facto de não encontrar nada que aludisse à passagem de tantos imigrantes, milhares de portugueses, nesta estação. No final de agosto, voltei a passar por lá e senti uma presença muito forte dos nossos. Andei a procurar outra vez e nada, liguei ao historiador Vítor Pereira que me confirmou que não havia nada e eu disse: ‘Não pode ser assim’”, disse a Deputada, em declarações à Lusa.

Assim, esta semana, Nathalie Oliveira, a primeira eleita para o Parlamento português nascida em França, reuniu-se com Laurence Patrice, Maire Adjointe de Paris com o pelouro da Conservação da Memória, e propôs a criação de um monumento que assinale a passagem dos Portugueses na Gare d’Austerlitz.

“Tive algum receio que a ideia não tivesse muita atenção, mas não, a vereadora mostrou-se muito entusiasmada”, declarou a Deputada socialista.

Nos anos 1960 e 1970, muitos Portugueses, vindos a salto, chegavam à fronteira entre Espanha e França, mais precisamente à cidade francesa de Hendaye, fazendo depois o resto do caminho para Paris em comboio e chegando à emblemática Gare d’Austerlitz. Muitos instalavam-se nos 13º e 14º bairros, mais próximos desta estação, onde na altura havia muitas fábricas, enquanto outros partiam para a periferia da capital.

Chegavam tantos portugueses a Paris através desta estação, que desde 1966 o Comité Lyautey, especializado no atendimento a migrantes, tinha uma faixa em português para o acolhimento de quem chegava, e na década seguinte, o Consulado português instalou mesmo um posto de atendimento dos seus serviços sociais na gare. “A questão é de saber qual é a forma que vai tomar, muitas vezes encomenda-se uma obra a um artista e eu pensei no poema do Manuel Alegre, que acompanhou a minha vida, já que o meu pai fez a viagem a salto, e sugeri essa opção. Ainda estamos numa fase inicial de reflexão, partilha e de verificação para saber onde se vai instalar a homenagem”, explicou Nathalie Oliveira.

O poema que a Deputada sugeriu é “Portugal em Paris”, no qual o poeta português descreve como viu a sua “pátria derramada na Gare d’Austerlitz” nas ruas de Paris, aludindo à imigração portuguesa em França.

O projeto deve passar agora por uma fase de aprovação pelos autarcas de Paris, com Nathalie Oliveira a construir a proposta em parceria com os historiadores Vítor Pereira, investigador principal no Instituto de História Contemporânea da FCSH e um dos maiores especialistas na história da emigração portuguesa do século XX, e Yves Leonard, historiador francês especialista na História de Portugal que publicou recentemente o livro “Histoire de la nation portugaise” (edições Tallandier).

Para Nathalie Oliveira, a inauguração deve acontecer em 2024, integrando as comemorações oficiais dos 50 anos do 25 de Abril, já que muitas pessoas que chegaram a França vinham exiladas, forçadas a abandonar o seu país pelo regime de Salazar.

“Entramos agora nesta sequência da celebração dos 50 anos da democracia portuguesa e eu achei que era uma altura certíssima para fazer a ligação entre quem nasceu e cresceu sem esperança, liberdade, no silêncio e sem outra opção senão sair do país e vir para França”, explicou.

Para a inauguração, a Deputada pensa já em refazer o trajeto dos Portugueses que chegaram há 50 ou 60 anos, não só com emigrantes, mas também com altas figuras do Estado português de modo a prestar homenagem à Comunidade portuguesa em França. “Era bom que tanto as pessoas que fizeram há 50 ou 60 anos e altas figuras políticas portugueses fizessem juntas uma viagem simbólica entre Hendaye e a Gare d’Austerlitz, em Paris, mesmo que atualmente este já não seja um trajeto em uso. Eu acho isto imprescindível. Era injusto e triste não ter assinalado estas chegadas até agora”, concluiu. In “LusoJornal” – França com “Lusa”


 

quarta-feira, 30 de novembro de 2022

Portugal - Patrono da Marinha do Brasil é homenageado com monumento


Nesta terça-feira, dia 29, a Marinha do Brasil homenageou o Almirante Tamandaré com a inauguração de um monumento ao Almirante Joaquim Marques Lisboa, o Marquês de Tamandaré, em Famalicão da Nazaré, numa cerimônia que contou com diversas presenças, como o Embaixador do Brasil em Portugal, Raimundo Carreiro Silva, o Almirante da Marinha Brasileira André Macedo, o deputado do PS pelo circulo de Leiria na Assembleia da República Salvador Formiga, Presidente da Junta de Famalicão, José Filipe Ramalho, e Walter Chicharro, Presidente da Câmara Municipal da Nazaré.

O herói brasileiro, como é chamado, tem origens no concelho da Nazaré, sendo filho de um natural da freguesia de Famalicão, Francisco Marques Lisboa, patrono de pilotagem no Brasil, razão pela qual foi instalado mais um monumento em sua homenagem junto ao Centro Escolar daquela povoação.

O Almirante Joaquim Marques Lisboa, Marquês de Tamandaré, é Patrono da Marinha Brasileira, a quem dedicou a sua vida num período crítico da História do país, tendo participado ativamente da formação do Brasil.

“As qualidades de Tamandaré, comprovadas por suas ações bem-sucedidas, são exemplos, não somente para os bons marinheiros, mas para os brasileiros de todos os tempos; relembrá-las é um exercício de patriotismo e inspiração. Após a Independência do Brasil, proclamada em 7 de setembro de 1822, foi preciso expulsar as tropas lusitanas fiéis às Cortes de Lisboa. Cedo se percebeu a necessidade de criar uma Esquadra brasileira, com homens leais, para projetar poder e obter a adesão da Bahia, do Maranhão, do Pará e da Cisplatina (atual Uruguai)”, informa a Agência Marinha de Notícias.

O Diretor do Centro de Comunicação Social da Marinha (CCSM), Contra-Almirante Carlos André Coronha Macedo, representando o Comandante da Marinha, Almirante de Esquadra Almir Garnier Santos, na cerimônia, destacou que a história do Almirante Tamandaré é também uma síntese da relação entre Brasil e Portugal. “O processo de independência do Brasil, cujo bicentenário comemoramos neste ano de 2022, nos impele a reconhecer toda a importância da nossa herança portuguesa, que tanto moldou os traços mestiços e sincréticos que nos engrandecem e nos diferenciam pela tolerância, bravura, receptividade e criatividade”, explicou.

Coordenado pela Marinha Brasileira, o evento faz parte do projeto de Valorização dos Vultos Navais, no ano do Bicentenário da Independência do Brasil. Além do monumento em Portugal, mais outras três estátuas de Tamandaré foram inauguradas este ano no Brasil: em Fortaleza (CE), em Maceió (AL) e em Florianópolis (SC).


O Marquês de Tamandaré

Nascido em 13 de dezembro de 1807, Joaquim Marques Lisboa, o Marquês de Tamandaré, patrono da Marinha, dedicou 66 anos de serviço à Marinha do Brasil e participou de episódios decisivos na formação do país, a exemplo das lutas pela independência do Brasil e a Guerra do Paraguai.

Além de militar exemplar e exímio marinheiro, o Almirante Tamandaré teve trajetória marcada pela honradez e pela extrema lealdade à Nação Brasileira, cujos interesses do Brasil sempre estiveram acima da sua própria vontade ou dos seus interesses pessoais.

Em virtude dos grandes feitos de Tamandaré, a Marinha lançou, neste ano, um sítio com detalhes sobre a vida do “velho marinheiro“, como também era conhecido. Fazem parte do acervo documentos alusivos ao herói nacional, como fotos, testamento, além do livro sobre a história do Almirante, informou a Agência Marinha de Notícias. In “Mundo Lusíada” - Brasil




 

domingo, 23 de agosto de 2020

Portugal - Monumentos ao Emigrante



A dimensão e relevância da emigração no território nacional, uma constante estrutural da sociedade portuguesa, têm impelido a construção nos últimos anos, um pouco por todo o país, de vários monumentos ao emigrante, com o objetivo de reconhecer e homenagear o contributo que prestam ao desenvolvimento das suas terras de origem.

Como observam as sociólogas Alice Tomé e Teresa Carreira no artigo Emigração, Identidade, Educação: Mitos, Arte e símbolos Lusitanos, este fenómeno de construção de monumentos ao emigrante “marca na atualidade a paisagem portuguesa”, sendo em grande medida o reflexo da “alma de um povo lutador, trabalhador, fazedor de mitos que, pelas mais variadas razões, não hesita em dobrar fronteiras”.

São muitos e variados os exemplos de monumentos aos emigrantes que povoam a paisagem portuguesa, como facilmente se comprova através de uma simples pesquisa na Internet. No Minho, por exemplo, alfobre tradicional da emigração portuguesa, há dois anos foi inaugurada na freguesia de Belinho, concelho de Esposende, uma estátua que celebra os emigrantes da povoação, e cuja simbologia alarga-se ao município numa homenagem a todos aqueles que “deram novos mundos ao mundo”.

No concelho de Ourém, um município localizado na região do Centro que se construiu com a emigração, ergueu-se em 2011, na freguesia de Espite, num território que é conhecido como o “berço” dos franceses, um monumento ao emigrante. No Funchal, capital do arquipélago da Madeira, região indelevelmente marcada pelo fenómeno da emigração, desde a década de 1980 que subsiste um monumento ao emigrante madeirense, e que homenageia os emigrantes naturais da “Pérola do Atlântico” instalados por todo o mundo. Na mesma esteira, em Ponta Delgada, no Arquipélago dos Açores, existe desde o fim do séc. XX, um monumento aos emigrantes e que laureia o povo açoriano disperso pelo mundo.

Nesta última região autónoma, foi inaugurado no mês passado na Ribeira Grande, também na ilha de S. Miguel, a Praça do Emigrante, um espaço público urbano que homenageia os emigrantes açorianos que partiram em busca de melhores condições de vida, e cuja animação cultural passa a estar a cargo da AEA – Associação dos Emigrantes Açorianos, um organismo independente, com sede nas instalações do Museu da Emigração Açoriana.

Uma praça, cujo centro é ocupado por um imponente globo revestido a pedra de calçada portuguesa, com quatro metros de diâmetro, concebido por Luís Silva, e intitulado “Saudades da Terra”, expressão que Gaspar Frutuoso, personagem insigne do passado micaelense, utilizou no século XVI para resumir um sentimento maior, comum não só aos emigrantes açorianos, mas a todos os emigrantes portugueses.

Além do globo, a Praça do Emigrante é engrandecida por um desenho na calçada em redor, denominado “Shore To Shore”, da autoria do escultor canadiano Luke Marston, trineto do picoense Joe Silvey, um pioneiro da sociedade multicultural no Canadá. Assim como por uma “Calçada dos Mundos”, concebida por Liliana Lopes, e dois murais, um deles com bandeiras dos principais destinos da emigração açoriana (Bermudas, Brasil, Canadá, Estados Unidos da América, Havai e Uruguai). Daniel Bastos – Portugal in “Mundo Lusíada”

sábado, 18 de abril de 2020

Portugal - Classificação de túmulo megalítico de Santa Rita, no Algarve, deu primeiro passo

A abertura do procedimento de classificação do túmulo megalítico de Santa Rita, em Vila Real de Santo António, é o “primeiro passo” para reconhecer um sítio com 4500 anos de história, considerou a Diretora Regional de Cultura do Algarve.

Publicada ontem em Diário da República, a abertura deste procedimento tem como objetivo classificar como monumento nacional o túmulo megalítico de Santa Rita, na freguesia de Vila Nova de Cacela, concelho de Vila Real de Santo António, e representa também um “importante” desenvolvimento para a preservação deste monumento arqueológico, disse a diretora regional, Adriana Nogueira.

“Esta abertura é um passo importante, porque é um primeiro passo para a preservação desse património, que ainda está de pé e que nos poderá dar uma visão de como era uma necrópole de há 4000 anos, que teve utilização ao longo de milénios e é um sítio muto importante no sul de Portugal”, afirmou a diretora regional de Cultura do Algarve.

Adriana Nogueira contou que a “primeira intenção” de classificar este património, localizado no sotavento algarvio, junto à localidade de Santa Rita, remonta a 2017, mas foi recuperada passados dois anos, depois de ter tomado posse como diretora regional de Cultura, em dezembro de 2018, estando estabelecida, desde então, uma área de proteção de 50 metros em redor do local.

Com a publicação da abertura deste procedimento de classificação, abre-se um prazo de “cerca de um mês” para os interessados poderem apresentar reclamações e, “se ninguém reclamar, volta para a direção regional” algarvia para ser feita a instrução do processo de classificação, explicou a diretora de Cultura do Algarve. In “Mundo Português” - Portugal