Pintura Arq. Eduardo Moreira Santos, Lx (28.08.1904 - 23.04.1992)
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quinta-feira, 18 de janeiro de 2024

Portugal - Estudo apresentado em Bragança revela dificuldades dos alunos PALOP no ensino superior

Os estudantes oriundos dos países PALOP e de Timor-Leste em Portugal apresentam pior desempenho escolar, têm mais dificuldades financeiras e queixam-se da demora com a aquisição dos vistos de residência, segundo um estudo divulgado neste dia 15.

O estudo nacional foi apresentado no Instituto Politécnico de Bragança (IPB), a instituição de ensino que mais alunos de países de língua portuguesa tem captado, e visa o desempenho escolar e as condições de acolhimento dos alunos de língua oficial portuguesa.

Sobre os vistos, Pedro Nuno Teixeira, secretário de estado do Ensino Superior, que marcou presença na apresentação esta tarde com a ministra Elvira Fortunato, disse que a partir do próximo ano letivo será um processo mais ágil.

O estudo, com um grupo de trabalho nomeado pelo Governo e em parceira com o Instituto Universitário de Lisboa e o Instituto Camões, cruza dados da Direção-Geral de Estatísticas da Educação e Ciência (DGEEC) praticamente da última década com inquéritos feitos em 2023.

“Há, de facto, diferenças de desempenho grandes entre os estudantes PALOP e de Timor-Leste face aos portugueses. Identificamos isso pelo número de créditos que eles cumprem e das taxas de abandono no primeiro ano”, explicou aos jornalistas Ricardo Biscaia, do grupo de trabalho que apresentou o estudo, citando dados da DGEEC.

“Os estudantes portugueses, de acordo com os dados da DGEEC, cumprem, normalmente, 55 créditos em 60, em média [por ano]. Os estudantes PALOP e Timor-Leste estão na casa dos 35, 40, 45. E este é o desempenho daqueles que permaneceram”, detalhou Ricardo Biscaia.

Segundo dados da DGEEC, no ano letivo 2019/2020, mais de 50% dos alunos de Cabo Verde e da Guiné-Bissau desistiu dos estudos académicos contra 19% dos portugueses.

Para Ricardo Biscaia este é, contudo, um “resultado expectável”, porque há choque cultural “muito grande”, bem como com as bases do ensino secundário.

No contexto social, Ricardo Biscaia salienta outros fatores que explicam estes resultados.

“As dificuldades académicas e as financeiras estão lado a lado. Não só as dificuldades que os estudantes têm com o ensino secundário de base [que trazem] (…), mas porque vêm de um contexto onde, quer porque têm dificuldades financeiras e são forçados a trabalhar, o que atrapalha a frequência normal de curso, quer também, sobretudo nos estudantes da Guiné-Bissau, porque há um grande atraso na atribuição de vistos e muitas vezes os estudantes chegam tarde, a meio do semestre, e perde-se uma grande parte”, esclareceu Ricardo Biscaia.

Pedro Nuno Teixeira admitiu que o processo dos vistos para o estatuto de residência e permanência é “moroso” porque “as estruturas não estavam preparadas para o crescimento” da procura, mas avançou que no próximo ano letivo tudo vai ser mais rápido.

“No decreto regulamentar para entrada e permanência de estrangeiros em Portugal, propusemos uma agilização do processo”, disse o secretário de estado aos jornalistas, explicando que os estudantes já entregam documentação quando se matriculam que tinham que a replicar no antigo Serviço de Estrangeiros e Fronteiras (SEF), agora Agência para a Integração, Migrações e Asilo (AIMA).

Num futuro próximo, depois da matrícula presencial, a Direção-Geral do Ensino Superior vai passar os dados à AIMA, o que dispensa da entrevista confirmar a presença do estudante no país.

A dar ênfase a estas questões, Romana Brandão, presidente da Associação de Estudantes Africanos do IPB, considerou o estudo bem feito e destacou o sistema burocrático e o aumento do custo de vida como principais dificuldades dos seus pares.

“(…) Estou aqui desde 2016. Cheguei a pagar um quarto a 70 euros, agora os meus colegas pagam 250.  Um documento que fazia em 30 minutos, agora tenho que passar dias atrás de papeladas (…)”, descreveu a aluna de São Tomé e Príncipe, dizendo ainda que há estudantes, sem dados para concretos, que estão em Bragança sem ter conseguido senha para ter o visto de residência e com o da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa caducado.

O IPB lidera o ranking de 15 instituições do país de ensino superior com mais alunos PALOP – 7839 desde 2015 até 2021.

Neste momento, dos perto de 10 mil estudantes do IPB, cerca de 2 mil são de Países PALOP, 700 entraram neste ano letivo.

“Essa é também uma dimensão importante do posicionamento de Portugal no mundo, estabelecer com África e com a Ásia uma relação privilegiada, que nos permita, de forma conjunta, afirmar-nos”, sublinhou Orlando Rodrigues, presidente do IPB. In “Mundo Lusíada” – Brasil com “Lusa”


sábado, 15 de setembro de 2018

Bangladesh – Fundação Maria Cristina encaminha 17 estudantes para o politécnico de Bragança

O Instituto Politécnico de Bragança (IPB) aguarda a chegada de 17 estudantes do Bangladesh, resultado de uma parceria solidária entre aquela instituição de ensino superior e a Fundação Maria Cristina



O vice-presidente do Instituto Politécnico de Bragança (IPB), Luís Pais, disse à Lusa que “já foram selecionados 17 candidatos” e que os estudantes aguardam apenas pelos vistos para viajarem para Bragança e frequentarem as três licenciaturas que o Politécnico tem integralmente em inglês: Gestão de Negócios Internacionais, Engenharia Informática e Engenharia Química.

A iniciativa partiu da Fundação Maria Cristina, criada há 13 anos pela portuguesa Maria da Conceição, e abrange alunos que fazem parte do programa de Educação Superior, inserido na missão de “quebrar o ciclo de pobreza de mais de cem famílias” do bairro de Gawair, em Dhaka, no Bangladesh.



A filantropa portuguesa confrontou-se com esta situação, em 2005, numa viagem ao serviço da Emirates Airlines, onde era hospedeira e, desde então, dedicou-se a esta comunidade com um programa para ajudar, sobretudo as mais de 600 crianças, como divulgou a fundação.

Maria da Conceição ficou conhecida pelas provas em que tem participado para angariar fundos para esta causa e que já lhe valeram oito recordes mundiais, tornando-se na primeira mulher portuguesa a conquistar o Evereste e a chegar ao último grau do Pólo Norte e Sul.

Falhou a travessia do canal da Mancha, mas alcançou mais um objetivo com as primeiras bolsas de estudo para os jovens agora aguardados no politécnico de Bragança.

O protocolo entre o IPB e a Fundação foi assinado há um ano e os candidatos estão selecionados à espera da avaliação dos requisitos e conclusão dos processos para a emissão de vistos junto das embaixadas, como explicou à Lusa o vice-presidente do Politécnico.

O ano letivo começa na segunda-feira e a receção oficial aos novos alunos está marcada para 09 de outubro, mas as partes ainda não sabem quando é que os estudantes do Bangladesh poderão viajar para Bragança.

O politécnico de Bragança tem a maior percentagem de estudantes estrangeiros a nível nacional, com 2000 entre os mais de 7000 alunos, e mais de 70 nacionalidades representadas.

Em anos anteriores, segundo Luís Pais, o IPB já teve estudantes do Bangladesh, mas não em tão grande número, nem nesta condição que resulta de uma ação solidária.

Estes 17 jovens são os primeiros a frequentar o Ensino Superior no âmbito deste apoio da Fundação Maria Cristina.

Falta agora assegurar os fundos para completar os estudos das oitenta e sete crianças que ainda se encontram no programa, tendo já quarenta e quatro completado os estudos secundários, segundo indicou à Lusa.

Além das ações da fundadora, a fundação aceita também donativos, nomeadamente para patrocinar os estudos de um aluno. In “Mundo Português” - Portugal