Pintura Arq. Eduardo Moreira Santos, Lx (28.08.1904 - 23.04.1992)
Mostrar mensagens com a etiqueta Hovione. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Hovione. Mostrar todas as mensagens

quarta-feira, 17 de abril de 2024

Macau - Hospitais têm 24 médicos vindos de Portugal

Os hospitais de Macau têm actualmente 24 médicos provenientes de Portugal, revelou ontem o Chefe do Executivo, que sublinhou a importância da cooperação com os países lusófonos.


Numa sessão do plenário da Assembleia Legislativa (AL), Ho Iat Seng disse que as autoridades de Macau têm mantido “contactos estreitos e intensos” com os países de língua portuguesa, especialmente com Portugal” em sectores como o financeiro, o turismo e a saúde.

Recorde-se que Elsie Ao Ieong, secretária para os Assuntos Sociais e Cultura, esteve no final de Maio em Portugal para tentar recrutar médicos portugueses. Em Dezembro, os Serviços de Saúde disseram à Lusa que iriam propor a contratação de dois dos 12 médicos portugueses que se candidataram. Segundo as autoridades, alguns desistiram do processo porque, como tinham estatuto de residente em Macau, seriam obrigados a realizar internato e exames.

As declarações de Ho Iat Seng surgiram em resposta a uma questão do deputado Eddie Wu sobre a sexta conferência ministerial do Fórum para a Cooperação Económica e Comercial entre a China e os Países de Língua Portuguesa. A conferência de três dias vai decorrer entre 21 e 23 de Abril e incluir a assinatura do novo plano de acção do organismo até 2027. Ho Iat Seng disse ontem no hemiciclo que está confiante que o documento vai “oferecer mais oportunidades de cooperação bilateral e também multilateral”.


Inicialmente prevista para 2019, a sexta conferência ministerial foi adiada para Junho de 2020, devido às eleições para a Assembleia Legislativa de Macau, mas com a pandemia da Covid-19 acabou por não se realizar.

Ho Iat Seng adiantou também ontem que a farmacêutica portuguesa Hovione, que se estabeleceu no território em 1986, pretende expandir-se para a Zona de Cooperação Aprofundada entre Guangdong e Macau em Hengqin. In “Ponto Final” - Macau





quinta-feira, 21 de dezembro de 2023

Macau - Duas portuguesas agraciadas pelo Governo

A farmacêutica portuguesa Hovione e a atual diretora do Jardim de Infância D. José da Costa Nunes, Felizbina Carmelita Gomes, estão entre os agraciados pelo Governo de Macau, nos 24 anos da Região Administrativa Especial


A Região Administrativa Especial de Macau (RAEM) assinala esta quarta-feira o 24.º aniversário, com a passagem do exercício da soberania de Portugal para a República Popular da China, em 20 de dezembro de 1999.

Na área educativa, a macaense Felizbina Carmelita Gomes vai ser uma das personalidades agraciadas este ano pelo executivo de Ho Iat Seng. A atual diretora do Jardim de Infância D. José da Costa Nunes, instituição de língua veicular portuguesa, disse à Lusa “estar muito grata e satisfeita”.

“Agradeço imenso aos serviços de educação e à APIM [Associação Promotora da Instrução dos Macaenses, que gere o jardim de infância] pelo reconhecimento do meu trabalho”, reagiu a macaense, que vai receber a Medalha de Mérito Educativo.

A antiga diretora da Escola Primária Luso-Chinesa da Flora, com “uma carreira com 39 anos de tempo de serviço na área da educação”, referiu ainda que o percurso profissional “junto das crianças e funcionários da educação” tem sido “uma missão bastante emotiva”.

Natural de Macau, Felizbina Carmelita Gomes estudou no então Liceu de Macau, tendo concluído o ensino superior em Ciências da Educação pela Universidade de Macau. Em Portugal, realizou várias formações complementares na área educativa na Universidade de Lisboa, disse à Lusa.

Outro nome português distinguido este ano é o da farmacêutica Hovione, fundada em 1959 e com laboratórios e fábricas em Portugal, na Irlanda, nos Estados Unidos e em Macau, onde se estabeleceu em 1986.

A Lusa contactou a empresa, que vai receber a medalha de Mérito Industrial e Comercial, mas até ao momento não foi possível obter uma reação da direção-geral em Macau.

A Medalha de Honra “Lótus de Prata”, a terceira mais alta condecoração do território, foi atribuída à atleta de artes marciais Li Yi, que recentemente conquistou o ouro na 19.ª edição dos Jogos Asiáticos em Hangzhou.

Juntamente com as Medalhas de Honra “Grande Lótus” e “Lótus de Ouro”, que este ano não tiveram destinatários, a “Lotus de Prata” tem como objetivo distinguir indivíduos ou entidades pelo “contributo notável para a imagem e o bom nome da RAEM” ou “pelo contributo, em qualquer domínio, de grande relevância para o desenvolvimento da RAEM”, referiu o Governo em comunicado.

A cerimónia de entrega das medalhas e títulos honoríficos realiza-se em 19 de janeiro, distinguindo-se perto de 30 personalidades, entidades e instituições. In “Bom dia Europa” - Luxemburgo com “Lusa”

quinta-feira, 23 de abril de 2020

Macau – Ivermectina a solução para o tratamento da covid-19?

Ivermectina é o nome do princípio activo produzido pela Hovione Macau que, segundo uma equipa de investigadores de Melbourne, na Austrália, pode ser a solução no tratamento da Covid-19. É nos laboratórios de Macau que a empresa portuguesa produz para todo o mundo o fármaco usado principalmente como desparasitante, e que poderá servir também para travar o novo coronavírus



Há uma embalagem transparente com cinco gramas de um pó branco em exposição dentro de uma das caixas de luz de um dos laboratórios da Hovione Macau. É a ivermectina, e nem Eddy Leong, director-geral das operações de Macau da farmacêutica portuguesa, nem Philip Lee, líder da equipa de controlo de qualidade, se atrevem a adivinhar um preço para aquele pacote. “Quanto mais branco, mais puro”, diz apenas Philip ao Ponto Final.

No laboratório de cromatografia, que serve para os profissionais da Hovione Macau purificarem as substâncias com as quais trabalham, há dez aparelhos HPLC nas bancadas, ventiladores a sair do tecto e quatro cientistas de luvas, óculos e bata branca. Nesta sala, explica Philip Lee, confirma-se a qualidade das amostras e verifica-se o nível de impurezas. Aqui são analisadas amostras dos cerca de 15 fármacos produzidos pela Hovione Macau.

O laboratório imediatamente ao lado tem um propósito semelhante. Aqui, os aparelhos pousados nas bancadas chamam-se Mastersizer 3000 e servem para analisar o tamanho das partículas de cada amostra. “Para que, por exemplo, cada partícula tenha o tamanho certo para ser absorvida pelo corpo humano”, explica Philip Lee. Ao lado, há dois UV Spectrometer. “O da direita é novo, foi comprado já este ano”, frisa Philip. Estes aparelhos são usados para analisar a qualidade das partículas através da luz ultravioleta. Na sala, mais microscópios, balanças, fornos, tubos de ensaio, lâmpadas e tubos brancos vindos do tecto.



Esperança no tratamento da covid-19

O pó branco em exposição na caixa de luz tem estado em destaque nas últimas semanas porque uma equipa de investigadores da universidade australiana de Monash, em Melbourne, concluiu, através de testes ‘in vitro’, que a ivermectina pode eliminar o novo coronavírus em 48 horas. O estudo foi publicado pela revista científica Antiviral Research. As atenções voltaram-se, então, para Macau, já que grande parte da produção da ivermectina é assegurada no território.

A ivermectina é um princípio activo desparasitante, usado habitualmente em medicamentos para combater os piolhos, a rosácea e a Cegueira dos Rios, uma doença causada pela picada de moscas e cujas larvas acabam por provocar cegueira em humanos. As conclusões do estudo australiano para a aplicação em casos de infecção pela Covid-19 foram apenas feitas, até agora, ‘in vitro’, e ainda não há data para os testes em humanos.

De Loures para a Taipa

A Hovione foi fundada, em 1959, em Loures, Portugal, pelo francês Ivan Villax. O químico esteve na China no final da década de 1970. Em 1979, abriu um escritório em Hong Kong e, em 1983, abriu a fábrica de Macau. O empreendimento custou 30 milhões de patacas e reaproveitou as antigas instalações da fábrica de panchões Him Un Iec Kei Chan, na Taipa.

Hoje, a Hovione investiga e desenvolve novos processos químicos e dispositivos médicos. Além disso, produz princípios activos para a indústria farmacêutica mundial. Tem actualmente cinco fábricas, em Portugal, Macau, Nova Jérsia, nos Estados Unidos, em Taizhou, na China, e em Cork, na Irlanda. Até 2028, a empresa quer ser a principal fornecedora de soluções farmacêuticas a nível global, lê-se no site da empresa. Nas instalações de Macau, há cerca de 200 funcionários, 15 dos quais portugueses.



Eficácia da doxiciclina contra o antrax

Em 2001, o antrax começou a ser usado como arma biológica, principalmente nos Estados Unidos. Uma substância chamada doxiciclina provou ser eficaz no tratamento das infecções pulmonares, na pele e nos intestinos associadas ao antrax. Essa substância, à semelhança daquilo que acontece agora com a ivermectina, era produzida quase em exclusivo pela Hovione Macau.

De acordo com um comunicado divulgado a 31 de Outubro de 2001, pela própria Hovione, a fábrica de Macau registou, na altura, um aumento “dramático” nas vendas da doxiciclina. “A Hovione, com uma unidade de produção na ilha da Taipa, Macau, aumentou a produção de doxiciclina para atender à crescente procura por parte dos Estados Unidos, provocada pelos ataques bioterroristas com antrax”, lê-se na nota da empresa. Uma semana depois, a emissora norte-americana CNN noticiava que a doxiciclina era o fármaco escolhido pela Administração de George W. Bush para o tratamento das infecções. “As autoridades de saúde de Washington anunciaram que vão dar às pessoas que precisem de tratamento preventivo contra o antrax o antibiótico doxiciclina”. Na altura, a Hovione Macau exportou a substância para a América, Europa, Austrália, Paquistão, Índia e Irão, por exemplo. No total, foram mais de 30 países os que receberam a doxiciclina de Macau. André Vinagre – Macau in “Ponto Final”