Pintura Arq. Eduardo Moreira Santos, Lx (28.08.1904 - 23.04.1992)
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quinta-feira, 9 de setembro de 2021

Macau - Investigação científica “está a dar frutos”

O Fundo para o Desenvolvimento das Ciências e da Tecnologia (FDCT) salientou que os esforços para impulsionar a inovação e investigação científica estão “a dar frutos progressivamente”. Em comunicado, o organismo governamental deu conta dos avanços na área e apresentou três exemplos.

Os esforços do Governo para impulsionar a inovação tecnológica e científica tem estado a “dar frutos progressivamente”, salientou o Fundo para o Desenvolvimento das Ciências e da Tecnologia (FDCT). Num comunicado divulgado ontem, o organismo diz estar “empenhado em promover a transformação dos resultados da investigação científica, impulsionar a inovação científica e tecnológica através do modelo de desenvolvimento da indústria-universidade-investigação orientado para atender às necessidades do mercado, a fim de promover o desenvolvimento da diversificação moderada da economia”.

O FDCT aponta que Macau já tem uma “base sólida” para a investigação nas áreas da medicina tradicional chinesa, na biotecnologia, microelectrónica e materiais aplicados, por exemplo. Por outro lado, “vários projectos da investigação científica realizados pela Universidade de Macau e Universidade de Ciência e Tecnologia de Macau produziram uma série de resultados que podem ser industrializados, os quais estão gradualmente a combinar com as indústrias relevantes”.

O organismo salienta depois três projectos, o primeiro dos quais desenvolvido pela Universidade de Macau: um sistema portátil de testes genéticos rápidos destinados ao combate à epidemia. A instituição desenvolveu um chip que pode detectar o novo tipo de coronavírus em 30 minutos. O projecto está agora a ser submetido a ensaios clínicos em hospitais do interior da China.

A equipa de investigação da Universidade de Macau responsável por este projecto espera que, através de mais investigação e desenvolvimento, se transformem grandes equipamentos médicos caros em pequenos dispositivos médicos baratos, a fim de contribuir para combater a epidemia e aplicar este resultado em diferentes equipamentos médicos.

Além disso, o FDCT aponta os resultados no que toca ao aumento da eficácia dos anticorpos PD1 no tratamento do cancro do pulmão de células não pequenas ajustando a microecologia intestinal. Este é um projecto de colaboração entre equipas da Universidade de Ciência e Tecnologia de Macau e do Hospital Kiang Wu e os resultados foram recentemente publicados na revista “Gut”.

Este projecto, explica o FDCT, “é uma descoberta original do mundo no campo da investigação básica de ginseng contra o cancro e um grande avanço na combinação de polissacarídeos da medicina tradicional chinesa e PD-1 no tratamento de tumores”. Os produtos desenvolvidos com base neste resultado para melhorar a flora intestinal e a imunidade já foram aprovados como suplementos dietéticos para venda e utilização em Macau. Estão a ser realizados actualmente ensaios clínicos para promover a comercialização deste resultado como um novo medicamento.

Por fim, o FDCT destaca o equipamento médico inteligente “Sistema de Circulação e Evacuação de Fumaça em Cirurgia”, desenvolvido pela Man Lei Lai (Grupo), Limitada em colaboração com equipas médicas e universitárias da investigação científica em Macau. Este equipamento pode absorver e filtrar resíduos cirúrgicos tais como fumaça gerada pela faca eléctrica e vapor gerado pela faca ultra-sónica durante a cirurgia abdominal.

Este produto, segundo explica o FDCT, pode isolar completamente o vapor e a fumaça gerados durante a cirurgia, impedindo assim infecções na sala de cirurgia, o que pode proporcionar um ambiente cirúrgico mais seguro e limpo para os profissionais de saúde durante a epidemia. Outra vantagem é o seu baixo custo, diz o FDCT.

A investigação científica é um dos sectores que o Governo pretende desenvolver no âmbito da diversificação económica. O Projecto geral de construção da zona de cooperação aprofundada entre Guangdong e Macau em Hengqin tem como objectivo promover também o desenvolvimento do sector das tecnologias de ponta. In “Ponto Final” - Macau

 

quinta-feira, 20 de junho de 2019

Macau – Abertas candidaturas para a cooperação com Portugal em assuntos marinhos

O acordo foi assinado em 2017 e é agora finalmente lançado o programa. O Fundo para o Desenvolvimento das Ciências e Tecnologia de Macau e a Fundação para a Ciência e Tecnologia de Portugal unem-se para co-financiar projectos sobre poluição ou biotecnologia marinha. As candidaturas podem ser apresentadas até 12 de Julho

O Fundo para o Desenvolvimento das Ciências e Tecnologia de Macau (FDCT) avançou detalhes sobre três programas de financiamento a projectos de investigação, que em conjunto envolvem 123 milhões de patacas. Entre eles encontram-se as bolsas de investigação financiadas em conjunto com a Fundação para a Ciência e Tecnologia de Portugal (FCT), cujas candidaturas estão abertas até ao próximo dia 12 de Julho.

O financiamento destina-se a projectos de investigação realizados em conjunto por investigadores de Macau e Portugal nas áreas da poluição e biotecnologia marinha. O montante máximo para cada projecto será de um milhão de patacas, a ser distribuído periodicamente e com um prazo máximo de três anos. O valor atribuído não apoia a construção de infra-estrutura ou a aquisição de equipamentos puros. Também não pode ser utilizado para pesquisa em ciências leves sobre políticas e gestão, nem projectos de promoção de mercado.

O FDCT vai avaliar os projectos que receber com base em três critérios. A componente com maior peso (40%) consiste no valor científico do projecto, nomeadamente a sua inovação, resultados de pesquisa e metodologia. As qualificações do candidato valem 30%, analisando a capacidade de pesquisa científica, qualificação e número dos membros, bem como o grau de complementaridade com o cooperado. Por fim, será considerada a viabilidade do projecto e o plano de trabalho (30%).

A partir dos projectos aprovados, o FDCT e a FCT seleccionarão depois em conjunto quais serão co-financiados. O acordo com Portugal foi assinado em 2017 e a cooperação devia ter começado em 2018, mas só no início deste ano ficaram concluídas as negociações. Durante uma conferência de imprensa foi indicado que a Universidade de São José poderá ter já projectos para se candidatar.

Apostas no futuro de Macau e Grande Baía

Outro dos projectos apresentados refere-se a bolsas de investigação científica financiadas em conjunto pelo FDCT e o Departamento de Ciência e Tecnologia da Província de Guangdong, para as quais se prevê uma contribuição de 20 milhões.

“Promover as cooperações entre indústrias, universidades e investigações entre as duas regiões, no sentido de avançar mais para a frente o nível de tecnologias nas indústrias emergentes estratégicas, elevando a competitividade internacional de Macau e Guangdong”, é o objectivo. Destina-se às áreas de informação electrónica, biomédica, protecção ambiental e economia de energia, cidades inteligentes, bem como oceanos.

Ainda sem data para as candidaturas, sabe-se que o montante máximo para cada projecto será de 1,3 milhões de patacas, com um prazo máximo de dois anos. Pelo menos uma das partes deve ser uma empresa. No caso da entidade recomendada por Macau ser empresarial, deve dispor do autofinanciamento em valor não inferior ao do financiamento atribuído pelo FDCT. O mesmo já não se aplica caso a entidade recomentada por Macau seja uma instituição de ensino superior ou de investigação científica.

Por último, foi apresentado um programa específico de apoio financeiro para projectos-chave de I&D. Como explicou Dominic Ip, do FDCT, consiste numa aposta nas “áreas prioritárias articuladas com o desenvolvimento de Macau”. Nesta edição, foca-se na medicina de precisão, inteligência artificial e medicina chinesa e controlo de qualidade, nas componentes de avaliação e desenvolvimento de medicamentos chineses. Espera-se que a data de lançamento seja conhecida ainda este mês.

O montante máximo de apoio para cada projecto no campo da Medicina Chinesa e Inteligência Artificial é de 15 milhões de patacas, e no campo da Medicina de Precisão ascende a 20 milhões.

Ainda é incerto o futuro destes três programas de financiamento. Por um lado, a FDCT ainda está em negociações com Portugal relativamente a edições futuras, uma vez que o país ainda tem de avaliar se tem orçamento para a manutenção do programa. Por outro, a continuidade dos projectos-chave está dependente de uma avaliação dos resultados deste ano. Apenas com Guangdong foi já assinado um protocolo. Salomé Fernandes – Macau in “Jornal Tribuna de Macau”