Pintura Arq. Eduardo Moreira Santos, Lx (28.08.1904 - 23.04.1992)
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segunda-feira, 13 de maio de 2024

Universidade do Porto celebra centenário da primeira viagem aérea de Portugal a Macau

Inauguração de mostra na Casa Comum e concerto de Banda da Força Aérea na FEUP são dois dos eventos programados para a tarde/noite de 15 de maio



Em 1924, Portugal participou na grande aventura de voar, realizando, com êxito, o primeiro raide aéreo Portugal-Macau. A viagem, a bordo do “Pátria”, realizou-se entre 7 de abril e 20 de junho. Para assinalar este êxito, a Universidade do Porto vai promover um programa de atividades, a decorrer no dia 15 de maio e com entrada livre para toda a comunidade.

As celebrações vão abrir com a inauguração, pelas 16h30, na Casa Comum (à Reitoria), de Portugal na aventura de voar, uma mostra que reúne, entre outros objetos, a hélice do “Pátria”, alguns troféus que a viagem arrecadou e vários painéis com texto e fotografias da época que contextualizam a história deste marco da aviação nacional.

A inauguração da mostra será antecedida de uma atuação da Banda da Força Aérea. Segue-se um painel de conferências que contará com a presença de Isabel Morujão (Universidade do Porto- CITCEM), Carlos Mouta Raposo (Diretor do Museu do Ar), Cátia Miriam Costa (ISCTE – Instituto Universitário de Lisboa), Paulo Lage (FEUP) e Armando Malheiro da Silva (Universidade do Porto – CITCEM).

Pelas 21h30, haverá um concerto pela Banda da Força Aérea Portuguesa, no Anfiteatro da Faculdade de Engenharia da U.Porto (FEUP).

A mostra Portugal na aventura de voar ficará patente ao público até finais de junho.

A viagem de esmolas

Em 1922, o centenário da Independência do Brasil foi assinalado com a primeira travessia aérea do Atlântico Sul, protagonizada por Gago Coutinho e Sacadura Cabral. O sonho da aviação portuguesa era colocar Portugal no rumo da modernidade, competindo com as potências estrangeiras que, por essa altura, financiavam voos de longo alcance.

O voo de longo curso a Macau não teve financiamento do Governo. Brito Paes, Sarmento de Beires e o alferes mecânico Manuel Gouveia fizeram a viagem com um avião adquirido em segunda mão, em França. A compra foi custeada pelo dinheiro de um prémio oferecido a Beires e Paes por Charles Bleck (como resultado da primeira tentativa que fizeram de viagem aérea à Madeira, onde só não aterraram por causa do intenso nevoeiro sobre a ilha); e por uma subscrição pública aberta pelo Aeroclube de Portugal para completar o pagamento, a que se seguiram outras iniciativas para recolha de fundos: campeonatos de futebol, récitas, leilões, venda de livros, espetáculos de teatro e de música, etc.

O país mobilizou-se para apoiar esta viagem, numa altura política e socioeconomicamente adversa, o que levou os aviadores a classificarem este raide como uma viagem “de esmolas”. O avião escolhido foi um Breguet XVI, um antigo bombardeiro noturno de guerra, que transportava até 550 kg de bombas.

Já depois de dois terços do percurso percorrido, o “Pátria” sofreu um acidente ao aterrar de emergência na Índia. Para a sua substituição, foi, novamente, o povo português que pagou a compra do segundo avião na Índia, igualmente usado, que completaria a viagem até Macau.


Após o sucesso do raide, os três aviadores foram apoteoticamente recebidos pelas comunidades portuguesas de Macau, Hong Kong e Changai. No regresso para Portugal, de barco, fizeram diversas paragens em comunidades portuguesas na América, onde foram festejados. Em Lisboa, durante dias, os aviadores foram aclamados como heróis e condecorados com a Ordem de Torre Espada de Valor, Lealdade e Mérito pelo Presidente da República. Universidade do Porto - Portugal




sexta-feira, 29 de abril de 2022

Portugal - Um dos maiores poetas da América Latina vai estar na Universidade do Porto

Hugo Mujica vem à Casa Comum, no próximo dia 2 de maio, pelas 21h30, para uma conversa com José Rui Teixeira e Valter Hugo Mãe. A entrada é livre


Tem obra traduzida, antologiada e publicada em quinze países e é hoje um dos mais reconhecidos poetas contemporâneos no contexto ibero-americano. Hugo Mujica vai marcar presença na Casa Comum da U.Porto (edifício histórico da Reitoria), às 21h30 do dia 2 de maio, para uma conversa com os escritores Valter Hugo Mãe e José Rui Teixeira, com entrada livre para todo o público.

Nascido em Buenos Aires, em 1942, Hugo Mujica estudou Belas-Artes, Filosofia, Antropologia Filosófica e Teologia. Esta multiplicidade de saberes perpassa uma obra que abarca filosofia, antropologia, narrativa, mística, poesia e indagação estética e que tem colocado o autor como um dos perenes “candidatos” ao Prémio Nobel da Literatura.

Aproveitando uma deslocação do autor argentino a Madrid, o poeta, docente e investigador português José Rui Teixeira, doutorado em Literaturas e Culturas Românicas na Faculdade de Letras da Universidade do Porto, não quis deixar escapar esta oportunidade de trazer Hugo Mujica a Portugal. “É, talvez, a última vez que Mujica vem à Europa e esta será uma oportunidade única de o vermos e ouvirmos antes de voltar a Buenos Aires”. Do seu percurso “extraordinário” de salientar, talvez, o facto de ter vivido como artista plástico, em Nova York, na década de 1960, tendo depois ingressado numa congregação religiosa católica que deriva da Ordem de Cister, onde foi ordenado e presbítero e cumpriu o voto de silêncio por 7 anos. “É um homem para quem o ato de criar é entendido como um sucessivo renascimento. É um homem com uma grande atividade e discurso provocador”, reforça José Rui Teixeira.

“É um estudioso da poesia, com um discurso muito próximo da Filosofia”, acrescenta Valter Hugo Mãe. E “não faz favores”, adverte. “Diz o que tem a dizer sem fazer concessões. É sempre surpreendente ouvi-lo falar”. Seria como podermos ter “uma conversa franca com Eugénio de Andrade, ou António Ramos Rosa. É uma sorte!”, o que torna imperdível esta “raríssima presença de um dos maiores poetas da América Latina no Porto”.

Criar é o momento em que começamos a ser

“Sempre que escrevo, que é a minha forma de criar, descubro, ou talvez inauguro, algo de mim, de mim ou de todos (…)  como se a criação também me ensinasse isso: que criar é mais original do que saber, mais abismal do que compreender, mais definitivo do que agir.” disse Hugo Mujica no Colóquio Internacional Poesia e Transcendência, que se realizou no Centro Regional do Porto da Universidade Católica Portuguesa, em julho de 2015. “O que procuro dizer, o que procuro pensar poeticamente ou poetizar pensativamente, é que o ato criador, nele e com ele, revivemos o acontecimento mais original e revelador que cada um de nós viveu: o nascer, o momento sem sombra ou memória em que sem ser, nos recebemos, o momento criador que ao recebermos, começamos a ser”.

O escritor argentino considera que “cada ato criador nos coloca no sítio onde não há lugar: no nada de onde tudo chega, na escuta do que vem à procura de um nome que o nomeie no seu ser. É, sem dúvida, por esta razão que, uma e outra vez, na escrita destas páginas, eu estava a homologar a criação com o nascimento, o continuar a criar com a continuação do nascer…” Hugo Mujica considera que “Se um deus criou o homem à sua imagem e semelhança ou o homem imaginou esse Deus à sua semelhança, o certo é que quando o ser humano começou a contar a si mesmo o início do mundo em que se encontrava vivo, ele deu como um atributo primordial a esse deus o ser criador, ele disse, intuiu, que criar é o ato mais inicial que um humano ou um deus pode realizar, ou o ato em que um e o outro são o mesmo evento, a mesma fecundidade”. Daí que na “relação cara a cara ou nudez a nudez, com o ser da existência, a criatividade é a relação mais decisiva, tão decisiva, que não podemos descartá-la, tão decisiva que é gratuita. É um dom”.


Tudo o que arde morre iluminando

A antologia é uma “recolha breve, muito feliz e séria” do trabalho poético de Hugo Mujica, diz-nos Valter Hugo Mãe. O que transforma esta obra numa oportunidade “maravilhosa” de entrar no universo “de um dos maiores poetas da América Latina”.

A iniciativa é da Reitoria da Universidade do Porto e da Cátedra Poesia e Transcendência (Universidade Católica). A conversa entre José Rui Teixeira, Valter Hugo Mãe e o poeta argentino Hugo Mujica tem início marcado para as 21h30. Durante a noite será feita a apresentação da antologia da sua poesia: Tudo o que arde morre iluminando, publicada com a chancela Officium Lectionis, em edição bilingue, com tradução para português de Jorge Melícias. Anabela Santos – Portugal in “Universidade do Porto”