Pintura Arq. Eduardo Moreira Santos, Lx (28.08.1904 - 23.04.1992)

terça-feira, 26 de agosto de 2014

França – Ferrovia

França concentra setor ferroviário numa única entidade pública

Depois de decisão do parlamento francês, terminou a separação entre a Sociedade Nacional dos Caminhos de Ferro (SNCF) e a RFF (Rede Ferroviária de França). As empresas estão agora juntas numa mesma entidade pública, dividida entre a SNCF Réseau (gestão da infra-estrutura) e a SNCF Mobilité (exploração dos comboios).

A nova empresa contará com 150 mil trabalhadores e permite poupanças de 550 milhões de euros anuais até 2020, sendo quase um regresso ao passado, antes de em 1991 uma directiva comunitária ter obrigado à separação da gestão da infra-estrutura e da exploração dos serviços de transportes.

A decisão surge um pouco no seguimento do que já havia sido feito na Alemanha, onde apesar de nunca ter sido criada uma entidade única para gestão de todo o setor, existe a DB Netz, congénere da portuguesa Refer, que faz parte da holding da estatal Deutsche Bahn (DB), sendo por esta detida em 100%. In “Cargo edições” – Portugal

Comboios turísticos em França - Foto Webrails.tv


Ciclo-rail em França - Foto Webrails.tv
Em Portugal a divisão da empresa pública CP em diversas entidades, levou ao avolumar da despesa, à rápida destruição do sistema ferroviário, levando ao abandono de muitas linhas férreas, com o desaparecimento do material das vias, esquecendo-se o que poderia ser um potencial turístico, o aproveitamento de linhas centenárias, com estações únicas, em desenvolvimento turístico, passou nalguns casos para percursos de ciclovias, ou para espaços repletos de mato. Para agravar a situação os decisores resolveram juntar a entidade das infraestruturas ferroviárias com a das estradas. Pior a emenda que o soneto.

Recordemos também as palavras do brasileiro Mauro Dias que há dias escrevia e passo a citar:Considerado uma das maiores invenções do setor portuário, o contêiner – também conhecido como contentor em Portugal e nos demais países de expressão portuguesa –, criado na década de 1930 nos Estados Unidos, é hoje responsável pela movimentação de 95% das cargas que são transportadas pelos mares do planeta. Seu aparecimento revolucionou não só o transporte por navio como requalificou o modal ferroviário que, no Brasil, na década de 1970, parecia com os dias contados, o que levou imprudentes gestores públicos a sucatear a malha que existia, a ponto de hoje várias antigas estações terem virado centros de convivência ou de exposição de artes populares.” Baía da Lusofonia

Macau – Plataforma Macau entrevista Gilvan Müller de Oliveira

A lei para o aprofundamento das relações com a lusofonia aprovada em maio na Galiza poderá facilitar eventuais integrações de Macau e Goa na Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP), defende o diretor executivo do Instituto Internacional de Língua Portuguesa (IILP), Gilvan Müller de Oliveira. Em entrevista ao Plataforma Macau, o responsável considera a cooperação económica como uma plataforma para a promoção do português, mas alerta para a necessidade de Portugal e Brasil superarem uma “disputa disfuncional” pela língua.



PLATAFORMA MACAU - De que forma é que a intenção da CPLP de apostar mais na cooperação económica poderá afetar as políticas de promoção da língua?

GILVAN MÜLLER DE OLIVEIRA – A cooperação económica é uma abertura que possibilita um crescimento da importância da promoção da língua portuguesa. Uma melhor inserção dos países de língua portuguesa nas suas regiões a partir da entrada em blocos económicos são evidentemente plataformas extraordinárias para a promoção e visibilidade da língua portuguesa.

P.M. – E como vê a entrada da Guiné Equatorial na CPLP?

G.M.O. – O que se exige a um país para ele entrar na CPLP é que ele tenha o português como língua oficial. Há países como a Guiné-Bissau e Timor-Leste, em que a parcela da população que fala português é bastante pequena e isso nunca foi um impedimento para que fizessem parte da Comunidade. A entrada da Guiné Equatorial na CPLP é uma possibilidade também muito interessante para a promoção do português. Por isso, o IILP vai organizar, com o Governo da Guiné Equatorial, em Malabo, entre os dias 1 e 3 de outubro, a primeira conferência sobre o português no âmbito das políticas linguísticas da Guiné Equatorial.

P.M. – A CPLP não deveria exigir essa implementação da língua antes da adesão de potenciais novos membros?

G.M.O. – A Guiné Equatorial pediu a adesão à CPLP em 2006. Desde então foram feitas várias exigências, inclusive linguísticas, e só oficializou o português em 2011, pois sem isso não poderia entrar. É bastante compreensível que o país não fosse dar um passo de implementação do português sem ter sido aceite. No entanto, é preciso ter algo muito claro. É visto hoje como uma vantagem para um país ter mais do que uma língua oficial, porque significa possibilidade de conexões políticas, diplomáticas e económicas com mais blocos. Mas nós, na língua portuguesa, ainda vivemos no imaginário de Estado-nação do século XIX, em que um país tinha só uma língua e que se tivesse mais reprimiríamos os cidadãos. Neste século é uma grande oportunidade para a Guiné Equatorial ser o único país do mundo que tem as três grandes línguas românicas oficiais, o espanhol, o francês e o português, que conecta a Guiné Equatorial com mais de 800 milhões de falantes e com 56 países. Nessa perspetiva, o português, quando implementado, terá um certo lugar na Guiné Equatorial, mas a Guiné Equatorial não será um Portugal.

P.M. - Não faria também sentido que Goa e Macau, através da Índia e China, fizessem parte da CPLP?

G.M.O. - Temos uma oportunidade para esta perceção, porque foi aprovada a Lei Paz-Andrade na Galiza, que foi autorizada por Madrid e cria a seguinte perspetiva, que é interessante para Macau e Goa: a Galiza, como região, não pode entrar na CPLP, mas Espanha pode, e pode atribuir à Galiza a coordenação desta relação com a lusofonia. A Índia apresentou uma consulta poucos meses antes da cimeira de Díli, o que indica que pode haver a possibilidade de, em futuras cimeiras, vir a apresentar um pedido de adesão.

P.M. – Já houve alguma aproximação da Galiza e de Macau à CPLP?

G.M.O – Que eu saiba não.

P.M. - Qual o balanço que faz dos quatro anos que esteve à frente do IILP?

G.M.O. - Tive a sorte de ter em mãos o Plano de Ação de Brasília, que, com todas as suas limitações, é um plano interessante. Definimos e executámos dois grandes projetos, o Portal do Professor de Português como Língua Estrangeira, que supera esta ideia de uma gestão puramente nacional da língua e cria um ambiente de cooperação entre Brasil e Portugal, facto que consideramos essencial para que a língua portuguesa possa avançar, o Vocabulário Ortográfico Comum da Língua Portuguesa, que terá mais de 260 mil palavras e cria uma gestão internacionalizada da língua portuguesa, e vamos ainda elaborar as terminologias técnicas e científicas comuns previstas também no acordo ortográfico, pois os nossos livros técnicos têm uma dificuldade de circulação porque a terminologia foi toda, e muitas vezes intencionalmente, criada de forma divergente, e isso é um empecilho económico muito importante, desvaloriza a nossa língua no cenário competitivo internacional. Portanto, este projeto será o terceiro nesta perspetiva de uma gestão internacional, multilateral e comunitária da língua portuguesa, que, a meu ver, é a perspetiva para o século XXI, em que possamos superar as fraturas coloniais da relação Brasil-Portugal que ainda condicionam a nossa língua.

P.M. - Como responde às críticas de que o acordo ortográfico foi alvo, nomeadamente que pretenderia beneficiar o português do Brasil?

G.M.O. – É um acordo e houve cedências cá e lá. As pessoas olham muitas vezes mais para aquilo que se perdeu, para acentos e consoantes, como se isso fosse o mais importante. O mais importante são as perspetivas que o acordo abre para o futuro, é o modo de gestão da língua. Sem ele continuaríamos eternamente nesta briguinha do início do século XX que é infantil aos olhos de países que seriamente disputam a hegemonia e a geopolítica mundial. A partir de agora não se fala mais em Brasil e Portugal, todas as ações colocam-se na perspetiva de que todos os países se sentam à mesa e dão a sua posição.

P.M. – Que dificuldades enfrenta a sua implementação?

G.M.O. - Todos os países ratificaram o acordo, menos Angola e Moçambique. Em Moçambique, ele já foi aprovado pelo conselho de ministros e já foi mandado para o parlamento. Angola pediu à CPLP um tempo para tratar desta questão e há uma posição dentro do Governo contrária ao acordo. No entanto, o Vocabulário Ortográfico Comum foi financiado por Angola. É preciso ver que os países africanos nunca fizeram isso na sua história, então têm uma série de dúvidas. A minha impressão é que eles vão utilizando a nova ortografia por reflexo.

P.M. - Cabo Verde é, para já, o único país africano lusófono onde o acordo está a ser implementado. O seu sucesso poderá estar minado?

G.M.O. - Não acredito porque todos os países assinaram o acordo.

P.M. - Era expectável esta demora na implementação?

G.M.O. – Não, porque havia um protocolo que dizia que ele seria implementado a partir de 1994 e isso não ocorreu. Acho que isto mostra como a nossa comunidade funciona e como algumas pessoas são apegadas ainda ao passado e à forma como era a relação política dos nossos países. O acordo é a base de uma nova gestão, mas o mais importante é o que virá, a criação efetiva de formas de cooperação linguística. Falamos muito de cooperação económica na CPLP, em concertação político-diplomática e a língua, que é o terceiro eixo, não tem ainda bem claro para os Estados-membros o conceito de cooperação linguística. Numa visão cooperativa somamos os nossos recursos e dividimos os nossos benefícios, que é o que a União Europeia tem feito com as suas línguas. Na língua portuguesa estamos um passo atrasados.

P.M. - No seio da CPLP, o valor económico do português não está então a ser bem explorado?

G.M.O. - Vários dos nossos países não têm muito clara a questão dos ganhos diplomáticos, políticos e económicos de uma promoção mais estratégica da língua portuguesa. É algo que nos falta. Diria que há uma visão da língua ainda impregnada de romantismo, que traz uma dose de menos pragmatismo e que dificulta ações concertadas com repercussões na vida do cidadão.

P.M. - Já a China tem tido essa visão pragmática…

G.M.O. - Sim, mas este interesse pelo português não é só da China, é mundial. Está superada essa ideia de que o inglês sozinho dominaria o mundo. O multilinguismo é a grande língua do século XXI e o português beneficia disso.

A China, pela posição de potência mundial que cada vez mais ocupa, atentou para estas vantagens e ganhará muitos benefícios, o que lhe permite uma visibilidade e interação com os países de língua portuguesa muito privilegiada.

P.M. - Que constrangimentos enfrenta o IILP na sua atividade?

G.M.O. - Recebemos quotas dos países membros e são diferenciadas de acordo com as possibilidades dos países. O Brasil dá a mesma proporção que Portugal, Angola dá metade, Moçambique e Cabo Verde dão metade da proporção de Angola e os demais dão metade da proporção de Cabo Verde e Moçambique, de modo que estas quotas precisam de uma revisão.

Fizemos ainda uma proposta que é a de criação de três escritórios regionais, um em Díli, um em Lisboa e outro em São Paulo. Em São Paulo tivemos a solicitação de que o IILP instalasse um escritório dentro do Museu da Língua Portuguesa, que recebe o maior número de visitantes diários naquela cidade, 4000 por dia. Poderíamos, assim, captar muitos recursos e financiar projetos com mais facilidade.

P.M. - Há muitos devedores de quotas?

G.M.O. - A Guiné-Bissau e São Tomé e Príncipe nunca pagaram as suas quotas, mas há outros países devedores. O orçamento do IILP é na ordem dos 247 mil euros anuais e as dívidas correspondem, no total, a aproximadamente dois orçamentos e meio, 650 mil euros. Acredito que muitos Estados-membros não atribuem a devida importância ao IILP.

Promoveríamos melhor o português se o fizéssemos de maneira conjunta e, sob esta perspetiva, evidentemente que esse papel modesto atribuído a uma entidade de coordenação é prejudicial à língua portuguesa. Se Brasil e Portugal pudessem combinar as suas políticas e atuar em áreas complementares e combinar uma metodologia para um trabalho conjunto, isso seria muito benéfico. A meu ver é hora de aplicar a diplomacia também à língua e chegarmos a uma forma permanente de superação desta disputa completamente disfuncional. Patrícia Neves – Macau in “Plataforma Macau”

segunda-feira, 25 de agosto de 2014

Moçambique – FACIM 2014

Tem início esta segunda-feira, 25 de Agosto de 2014, com a presença do Presidente da República Armando Guebuza, no distrito de Marracuene, concretamente em Ricatla, a 50ª edição da Feira internacional de Maputo (FACIM) 2014 que decorrerá até ao próximo dia 31 de Agosto.

Trata-se da maior montra nacional, que é organizada anualmente, para mostrar a produção nacional a todos os níveis.

Nesta edição, segundo o presidente do Conselho de Administração do Instituto para Promoção de Exportações (IMPEX), João Macaringue, a feira conta com a presença de mais de três mil expositores nacionais e estrangeiros, que, durante uma semana, vão expor o que é produzido ao nível nacional e no estrangeiro, em diversos sectores de actividade económica.

A Feira também conta com a presença de 27 países de todo o mundo, com destaque para a Itália, por ser o país com maior número de empresas estrangeiras nesta feira.



Durante a feira, haverá bolsas de contactos entre os expositores e empresas, em os mesmos poderão firmar acordos de negócios e de parcerias.

Portugal, numa organização AICEP, terá uma participação prevista de 70 expositores distribuídos por uma área aproximada de 2000 m2. Os sectores com maiores potencialidades de forte implantação no mercado moçambicano, serão os que estarão presentes como é o caso dos materiais de construção, agroalimentar, metalurgia e metalomecânica, construção civil e consultoria, tecnologias de informação, material elétrico e eletrónico, artigos farmacêuticos e equipamento hospitalar, livros e material didático, mobiliário, entre outros. Moçambique ocupa a 19ª posição como cliente de Portugal, com uma quota de 0,5%, e enquanto fornecedor Portugal ocupa a 7ª posição com 4,9%. Baía da Lusofonia com a colaboração de Raimundo Moiane – Canal Moz - Moçambique

CPLP – Países lusófonos e a indústria de vídeo jogos

Segundo a empresa de estudos de mercado, a holandesa Newzoo, que analisa o mercado da indústria de vídeo jogos, Brasil, Portugal e Angola, os três países lusófonos que aparecem na tabela dos cem maiores consumidores de jogos, são um mercado que vale 1,6 mil milhões de dólares.

Deste valor, o Brasil, o 11º país classificado nesta tabela e o 3º do continente americano, atrás dos Estados Unidos da América que está no 1º lugar e Canadá no 8º posto, tem um mercado de 1,3 mil milhões de dólares, 85,6% do mercado lusófono, para uma população de 202 milhões de pessoas, das quais 118,6 milhões têm acesso à internet, ou seja 58,7% da população.

Portugal encontra-se na 28ª posição, com um mercado de 214,5 milhões de dólares, 13,7% do total do mercado lusófono, para uma população de 10,6 milhões, dos quais 8 milhões têm acesso à internet, o que corresponde a 75,2% da população.

Angola está no 94º lugar, com um mercado de 10,7 milhões de dólares, 0,7% do total do mercado lusófono, para uma população de 22,1 milhões, dos quais 4,7 milhões com acesso à internet, o que equivale a 21,3% da população. Angola é o 4º país da África subsaariana, depois da Nigéria (33ª), África do Sul (47ª) e Quénia (68º).

Poderá aceder à classificação organizada pela Newzoo aqui. Baía da Lusofonia

Portugal - Os espíritos malignos nos comentadores

Receio que como “as minas em Portugal estão dominadas por tais espíritos malignos”, também a maioria dos nossos comentadores o estão. Acontece desde sempre e ainda mais desde que a troika surgiu por aí, disseram que a culpa dos nossos males financeiros era bem nossa. Tínhamos gasto demais. Disseram. Não cuidávamos da nossa literacia financeira. Sublinharam. Não trabalhávamos como deve ser.

Censuraram. Acrescentaram que não aproveitávamos os restos dos nossos cozinhados e deram uma infinidade de receitas de culinária e não só. Foi muito os que nos enfiaram pelos olhos e ouvidos, usando a televisão, a rádio, os jornais, etc. Debitaram sem descanso desde manhã até à noite tanta sapiência, que esta até bastava para todos os exércitos pararem as guerras, mas só justificaram todas as mudanças de rumo da política nacional e um dia depararam-se com a refutação de tanta sabedoria propalada na televisão, rádio, jornais... Adiando a verdade, preparavam somente a desgraça final.

Libertemo-nos por isso dos espíritos malignos que nos impingem os caminhos da miséria tal como o fez a serpente, que enganou Eva e esta depois Adão, tendo como consequência a sua expulsão do paraíso. Fizeram-no para convencerem um povo inteiro da inevitabilidade dos sacrifícios, que foram e são os cortes dos salários e pensões e demais aumentos de impostos, acompanhados da destruição do Estado Social para que tudo ficasse bem ajustado. Prometiam só que tudo ficaria bem. Mas, aconteceu que depois de tanto sacrifício premiado com uma saída limpa da troika, surgiu mais um consumidor voraz dos dinheiros que esta nos tinha emprestado.

Notei então o ar de desconforto de um pregador da doutrina neoliberal travestida de doutrina católica. Este, vendo-se possuído por um espírito maligno que o tinha feito errar tanto, irritou-se com todos os que o tinham censurado por ter tanta prosápia sem fundo e sem fim. Parecia possesso. Esqueceu-se de pensar nos muitos pecadores à solta que continuaram a ter más práticas de gestão, provocando por desleixos novos desperdícios sem conta, que um dia nos surgiram como por magia má. Era tudo resultante de um espírito maligno deixado à solta por má cabeça dos que nos convenceram dogmaticamente de que tudo estava no bom caminho.

E não estava como se vê agora.

Demasiados continuaram a pecar enquanto os comentadores/analistas da economia e da finança se puseram a dizer que estava tudo melhor. Por isso, alguns homens de boa vontade, vendo tão má doutrina expendida por aquele tão mau profeta, pensaram: Graças a Deus que sou ateu e assim não tenho que acreditar em tão má e dolorosa prosa. Nada disso. Dirão muitos, sabendo que os sofismas deram muito dinheiro a ganhar e que ele e os outros estão bem calçados, deixando o povo descalço e de tanga.

Outros fazem mais que os comentadores vulgares, anunciam as novas medidas governamentais defendendo-as desde logo como necessárias. Transformam-se assim em profetas da desgraça. Os mais comedidos dos comentadores, que se destacaram na defesa da austeridade como remédio, estão agora na retranca e tentam fugir aos grandes temas da desonestidade/inabilidade/imprudência dos banqueiros. Ninguém quer discutir a lógica do capitalismo financeiro e influência/presença de comportamentos anómalos, desleixados e até criminosos. Ninguém parece querer falar verdade sobre as raízes da situação de catástrofe iminente, que parece rondar o país pois a destruição em marcha do sistema financeira não parece ser urna destruição criativa de uma realidade melhor. Na verdade, quando percorremos as ruas e as estradas de Portugal vemos horrorizados a destruição de empresas e de explorações agrícolas, o encerramento de serviços públicos como escolas, tribunais e qualquer dia serviços de finanças.

Só ganhámos com este jogo de enganos a consciência clara de que sem correção de más práticas e más políticas nunca nos libertaremos desta “crise” amesquinhante. Antunes Diniz – Portugal in “Terras da Beira”

domingo, 24 de agosto de 2014

Moçambique – Recordando Eduardo White

Condoída e profundamente combalida, a Associação dos Escritores Moçambicanos comunica a morte prematura de um dos maiores talentos da Literatura Moçambicana: Eduardo Luís de Menezes Costley-White.

Eduardo White, fundador da Revista Charrua, destacado membro da agremiação, encontrou a morte na madrugada de hoje, 24 de Agosto de 2014, no Hospital Central de Maputo.

O perecimento de Eduardo White, membro fundador da AEMO, representa uma perda irreparável para a Associação dos Escritores, deixando um vazio incomensurável na literatura moçambicana.

Eduardo White sempre se impôs como um poeta impar desde os primórdios da sua infância literária. Poeta notável e respeitado pela sua invulgar criatividade no seio dos amantes da literatura moçambicana, dos PALOP e da CPLP, onde foi agraciado com vários prémios.

Como legado à literatura, Eduardo White deixa uma vasta obra, tendo a sua poesia merecido destaque internacional, encontrando-se um poema seu exposto no museu Val-du-Marne em Paris desde 1989.

Com o livro O Libreto da Miséria, White venceu, em 2012, o Prémio BCI de Literatura. Eduardo Luís de Menezes Costley-White nasceu em Quelimane, a 21 de Novembro de 1963.

Obras de Eduardo White:

  •  Amar sobre o Índico (1984)
  •  Homoíne (1987)
  •  “País de Mim (1990); Prémio Gazeta revista Tempo
  •  Poemas da Ciência de Voar e da Engenharia de Ser Ave (1992); Prémio Nacional de Poesia
  • Os Materiais de Amor Seguido de O Desafio à Tristeza (1996)
  • Janela para Oriente (1999)
  • Dormir com Deus e um Navio na Língua (2001); bilingue português/inglês; Prémio Consagração Rui de Noronha (Editora Labirinto)
  •  As Falas do Escorpião (novela; 2002)
  • O Homem a Sombra e a Flor e Algumas Cartas do Interior (2004)
  • O Manual das Mãos (2004); Grande Prémio de Literatura José Craveirinha, Prémio TVZine para Literatura
  • Até Amanhã Coração (2007)
  • Dos Limões Amarelos do Falo, às Laranjas Vermelhas da Vulva (2009); Prémio Corres da Escrita
  • Nudos (2011), Antologia da sua obra poética
  • O Libreto da Miséria (2010-2012)
  • A Mecânica Lunar e A Escrita Desassossegada (2012)

Eduardo White faleceu quando estava a agendar o lançamento do seu último livro, BOM DIA, DIA, pela editora portuguesa Edições Esgotadas.


Maputo, 24 de Agosto de 2014 AEMO - Moçambique


Brasil - Comércio exterior: mudar é preciso

SÃO PAULO – O balanço sobre a movimentação de cargas nos portos e terminais portuários do Brasil, divulgado pela Agência Nacional de Transportes Aquaviários (Antaq) em agosto, é uma prova incontestável de que o comércio exterior brasileiro não vai bem e carece de uma diretriz política que o coloque no rumo certo. Segundo o relatório da Antaq, no primeiro semestre de 2014, o volume de cargas enviadas pelos portos e terminais portuários nacionais para o exterior recuou, quando o destino foram os tradicionais clientes. 

Na comparação com o mesmo período de 2013, as vendas para os Estados Unidos alcançaram 10,8 milhões de toneladas, registrando uma queda de 5%. Para o Japão, o volume caiu 8%, registrando 15 milhões de toneladas. Também sofreram redução as vendas para a Holanda (14%) e Coréia do Sul (9%). Isso mostra que o País não vem fazendo uma política de comércio exterior eficaz no sentido de não só abrir mercados como ampliar sua participação nas vendas para clientes já tradicionais.

Por outro lado, o Brasil importou 28% menos produtos da Argentina e 20% menos da Espanha, em consequência talvez da crise econômica que tem afetado esses dois países. Em compensação, as importações dos Estados Unidos cresceram 24%, o que denota um contrassenso. Afinal, os Estados Unidos são o maior mercado do planeta e o normal é que os demais países registrem superávit em seu relacionamento com aquela nação, ou seja, o comum é que vendam mais do que comprem.

Já o relacionamento  com a China só aumentou no semestre passado, o que deixa claro o viés ideológico adotado pelo atual governo em sua política comercial: o Brasil importou 31% mais e exportou um volume de carga 14% mais do que no primeiro semestre. O problema é que a China compra basicamente commodities, limitando-se a vender produtos manufaturados, enquanto os Estados Unidos tradicionalmente compram do Brasil mais produtos industrializados e de maior valor agregado. Nesse ritmo, o País corre célere para se tornar um fornecedor de matérias-primas, o que é um mau sinal para o parque industrial brasileiro.

Os números divulgados pela Antaq, portanto, atestam os erros da diplomacia econômica do País e, ao mesmo tempo, explicam em boa parte os problemas que a indústria enfrenta. Ou seja, atado a um Mercosul que não avança, o Brasil sofre as consequências das desastrosas administrações dos governos Kirchner na Argentina e de uma política vesga que, nos últimos 20 anos, privou o País de acordos comerciais com mercados mais desenvolvidos, o que limitou o intercâmbio  do setor industrial e estimulou a concentração das exportações nos mercados sul-americanos.

Em outras palavras: se o Brasil já vem perdendo espaço até com seus tradicionais clientes, a situação poderá piorar sensivelmente se Estados Unidos e União Europeia, os dois mais importantes mercados do mundo, concluírem as negociações para a formação de uma área de livre-comércio. Milton Lourenço - Brasil

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Milton Lourenço é presidente da Fiorde Logística Internacional e diretor do Sindicato dos Comissários de Despachos, Agentes de Cargas e Logística do Estado de São Paulo (Sindicomis) e da Associação Nacional dos Comissários de Despachos, Agentes de Cargas e Logística (ACTC). E-mail: fiorde@fiorde.com.br. Site: www.fiorde.com.br.