Pintura Arq. Eduardo Moreira Santos, Lx (28.08.1904 - 23.04.1992)

sexta-feira, 2 de junho de 2023

França - Telhado de Notre Dame incendiado reconstruído com técnicas medievais

Se a viagem no tempo fosse possível, os carpinteiros medievais certamente ficariam surpreendidos ao ver como as técnicas de carpintaria que foram pioneiras na construção da Catedral de Notre Dame, há mais de 800 anos, estão a ser novamente utilizadas hoje para reconstruir o telhado devastado pelo fogo do monumento famoso em todo o mundo


Certamente o inverso é verdadeiro para os carpinteiros modernos que usam habilidades da era medieval. Trabalhar com machados de mão para moldar centenas de toneladas de vigas de carvalho para a estrutura do novo telhado de Notre Dame foi, para eles, como voltar no tempo. Isso deu-lhes uma nova apreciação do trabalho manual dos seus antecessores que empurrou o envelope arquitectónico para trás no século XIII.

“Às vezes é um pouco confuso”, confessa Peter Henrikson, um dos carpinteiros. Ele diz que há momentos em que está a bater martelo no cinzel que se vê a pensar em colegas medievais que cortavam “basicamente a mesma junta há 900 anos”

“É fascinante”, diz ele. “Provavelmente, de certa forma, estamos a pensar as mesmas coisas”.

O uso de ferramentas manuais para reconstruir o telhado que as chamas transformaram em cinzas em 2019 é uma escolha deliberada e ponderada, especialmente porque as ferramentas eléctricas sem dúvida teriam feito o trabalho mais rapidamente. O objectivo é homenagear o incrível artesanato dos construtores originais da catedral e garantir que a arte secular de moldar a madeira à mão viva.

“Queremos restaurar esta catedral como foi construída na Idade Média”, diz Jean-Louis Georgelin, o general aposentado do exército francês que está supervisionando a reconstrução. “É uma forma de ser fiel à (obra) de todas as pessoas que construíram todos os monumentos extraordinários da França.”

Enfrentando um prazo apertado para reabrir a catedral até Dezembro de 2024, carpinteiros e arquitectos também usam projectos de computador e outras tecnologias modernas para acelerar a reconstrução. Computadores foram usados no desenho de planos detalhados para carpinteiros, para ajudar a garantir que as vigas esculpidas à mão se encaixassem perfeitamente.


“Os carpinteiros tradicionais tinham muito disso na cabeça”, observa Henrikson. É “muito incrível pensar em como eles fizeram isso com o que tinham, as ferramentas e a tecnologia que tinham na época”.

O americano de 61 anos é de Minnesota. A maior parte dos outros artesãos que trabalham na estrutura de madeira são franceses.

A reconstrução do telhado atingiu um marco importante em Maio, quando grandes partes da nova estrutura de madeira foram montadas e erguidas numa oficina no Vale do Loire, no oeste da França.

A execução a seco assegurou aos arquitectos que o quadro é adequado para o propósito. A próxima vez que for montada será no topo da catedral. Ao contrário dos tempos medievais, ele será transportado de caminhão para Paris e levantado por um guindaste mecânico até a posição. Cerca de 1200 árvores foram derrubadas para a obra

“O objectivo que tínhamos era restaurar à sua condição original a estrutura de madeira que desapareceu durante o incêndio de 15 de Abril de 2019”, diz o arquitecto Remi Fromont, que fez desenhos detalhados da estrutura original em 2012.

A estrutura reconstruída “é a mesma estrutura de madeira do século 13”, refere. “Temos exactamente o mesmo material: carvalho. Temos as mesmas ferramentas, com os mesmos eixos que foram usados, exactamente as mesmas ferramentas. Temos o mesmo know-how. E em breve, voltará ao mesmo lugar.”

“É”, acrescenta, “uma verdadeira ressurreição”. In “Jornal Tribuna de Macau” – Macau com “Agências Internacionais”




Macau - País Basco convidado para torneio dos 40 anos da Associação de Patinagem

Uma selecção do País Basco deverá ser o cabeça-de-cartaz do Torneio Internacional de Hóquei em Patins de Macau, que decorrerá em Julho e constituirá o ponto alto das celebrações dos 40 anos da Associação de Patinagem. O presidente, António Aguiar, aguarda a confirmação dos espanhóis, “mas tudo aponta para que seja uma realidade o regresso ao território”, depois de aqui se ter deslocado em 2016. Simultaneamente decorrerá um torneio de hóquei em linha. Ao todo estarão na RAEM formações de nove países ou regiões, a maioria dos quais do continente asiático


O regresso do hóquei em patins do País Basco a Macau deverá constituir a principal atracção do Torneio Internacional, que decorrerá entre 28 e 30 de Julho próximo, no Pavilhão do Nordeste da Taipa. A competição é o ponto alto das comemorações dos 40 anos da Associação de Patinagem de Macau (APM).

Tal como aconteceu há 10 anos, aquando do torneio que serviu para celebrar o 30º aniversário da APM, também esta prova tem forte componente internacional e com mais selecções a deslocarem-se ao território. Segundo informações divulgadas pelo presidente associativo, António Aguiar, o torneio vai contar com equipas de nove países ou regiões, em várias categorias, tanto na modalidade de patim tradicional, como no de linha (inline), o que será sem dúvida uma grande festa daquelas duas modalidades.

No hóquei em patins e a nível de Sub-19, o Torneio Internacional de Macau deverá contar com uma formação do País Basco, que praticamente confirmou a sua presença. Mas, como ressalvou António Aguiar ao Jornal Tribuna de Macau, “houve eleições municipais no passado fim-de-semana e os que estavam no poder perderam, portanto, vamos aguardar que a equipa basca mantenha a sua participação no nosso torneio”.

Além do convite feito aos espanhóis, que já estiveram no território em 2016, noutro Torneio Internacional, mas com uma selecção sénior (venceram Macau na final por 4-3), a Associação de Patinagem terá no Pavilhão do Nordeste as formações da Índia, Japão, Nova Zelândia e Taiwan, isto para além da equipa da casa, “num mini-asiático”, como lhe chamou o dirigente da APM, meses antes de Macau participar no verdadeiro campeonato da Ásia, que vai decorrer no norte da China, em Outubro deste ano.

Para as competições feminina e de Sub-14, Macau recebe como adversários Índia e China. “Este torneio dos mais novos é uma novidade, uma vez que temos neste momento muitos miúdos de grande qualidade, que daqui a alguns anos já estarão a substituir os mais velhos na selecção principal”, frisa António Aguiar.

A nível de hóquei em linha, a RAEM, que não tem equipas seniores, vai receber os actuais campeões do Mundo de juniores, Sub-19, Taiwan, que é assim favorita para conquistar o troféu, numa prova com Macau, China e Irão, campeão asiático da categoria, estando esta formação ainda por confirmar. Em Sub-14, Macau, China e Hong Kong são as equipas em confronto.

Celebrações com dignidade é “pôr gente a jogar”

O torneio comemorativo dos 40 anos da Associação de Patinagem, fundada em 1983, terá três dias cheios, com desafios de manhã à noite no Pavilhão do Nordeste da Taipa, na antiga Universidade, que é a “casa” das duas modalidades, onde se têm realizado as competições anuais e todos os treinos das selecções.

“Vão ser cerca de 30 desafios nos três dias”, diz António Aguiar, para quem as celebrações “têm de ter alguma dignidade”, porque 40 anos “é muito tempo”. Nada melhor do que “colocarmos gente a jogar”, nomeadamente os mais jovens. “Não há melhor celebração do que esta”.

O dirigente tem-se “desdobrado” em contactos e pedidos de apoio financeiro para garantir os custos da prova. “Andamos à procura de dinheiro, porque antigamente o Instituto do Desporto subsidiava praticamente por inteiro, agora é menos de metade e por isso temos de arranjar quem nos ajude” a levar por diante uma organização desta envergadura. “Já tenho tudo a andar e agora já não posso parar”, reconhece o número um da APM.

O torneio terá também árbitros do exterior, da Índia, da Nova Zelândia e da China, a que se juntarão alguns juízes de Macau.

No que respeita a árbitros de hóquei em patins, vai arrancar no próximo sábado um curso para interessados locais, que se prolongará por mais dois fins-de-semana, estando já inscritas 11 pessoas. Provavelmente alguns farão o seu exame prático, em jogo, no Torneio Internacional.

A prova será o ponto alto das actividades programadas para o aniversário da Associação de Patinagem, mas há outras. “Um ‘summer camp’ de hóquei em linha, por exemplo, a realizar em Agosto durante uma semana, que contará com treinadores vindos da China Taipé”, acentua Aguiar. Um jantar de fecho do torneio, no dia 30, para distribuição de prémios, será outro momento de celebração.

António Aguiar não fez parte da fundação da APM, em 1983, mas pouco depois entrou para a “família” do hóquei em patins. Os únicos actuais dirigentes que fazem parte da criação da patinagem são Gentil Noras e Manuel da Luz. “Eu tenho cerca de 36 anos de ligação ao hóquei de Macau, em períodos em que fui secretário-geral, vogal e presidente. Como número um tenho 32 anos de actividade”.

António Aguiar faz um balanço dos últimos anos e sente satisfação ao afirmar que “depois de muita gente ter dito que o hóquei em patins iria morrer”, quando estava numa situação complicada, “eis que a modalidade está bem viva”. A quantidade de jovens que praticam as duas modalidades do hóquei “é uma prova disso mesmo”, explica.

Cerca de 500 atletas dão corpo ao hóquei em patins (300) e ao hóquei em linha (200). “Tem havido evolução e os miúdos que temos são bons”. O problema maior, continua, “é não termos tempo de pavilhão para os treinar”. Pode falar-se mesmo em “jovens que se estão a perder por falta de espaço, porque a procura é grande”.

Mesmo deparando-se com esta dificuldade, o hóquei, nas duas vertentes, “não vai parar e cada vez apostamos mais na prata-da-casa, porque só assim é que faz sentido, são desportos locais e continuarão a ser”, explica António Aguiar.

Em relação a novidades no corpo de treinadores, Nuno Antunes sucede, na selecção de hóquei em patins, a Hélder Ricardo, que regressou a Portugal. Já no inline é A Kit que orienta as equipas de Macau.

Hóquei a crescer no continente asiático

António Aguiar, também membro da Federação Internacional, a World Skate, e presidente do hóquei em patins para a Ásia e Oceânia, fez igualmente o ponto da situação da modalidade além-fronteiras: “O hóquei é um desporto que a nível internacional está extremamente desequilibrado, porque tem tido um desenvolvimento bastante grande em determinados países, nomeadamente em Portugal, uma vez que os clubes apostaram muito, e tem de facto o melhor campeonato do mundo, com os grandes jogadores, e noutros países não”.

O resto do mundo vai sobrevivendo, “ainda que se esteja a assistir a uma disseminação maior, ou seja, há mais países a praticar neste momento”, prossegue o número um da APM, acentuando que “em alguns países o hóquei em patins está a começar, ou, nalguns casos a recomeçar”. Portanto há mais países, há mais desenvolvimento, há mais competitividade, “a imprensa fala mais”, daí que haja um relançamento da modalidade, mas continua, como disse, “um desporto extremamente desequilibrado, que se vai notando ao nível das selecções”.

António Aguiar alega, no entanto, que no continente asiático tem crescido. “Irão, Nepal, Bangladesh, Indonésia são países que estão já a jogar hóquei em patins, embora a um nível muito fraco”. O principal problema é o material. “No Irão, por exemplo, eles usam o patim em linha, porque não têm outro equipamento, mas eu estou já a tratar disso…”

E concretiza, afirmando que há um projecto a ser criado na “World Skate”, para “enviar material e treinadores internacionais de vários sítios para irem dar apoio técnico nesses países”. Vitor Rebelo – Macau in “Jornal Tribuna de Macau”


Macau – Abertas candidaturas à bolsa de estudo “Uma Faixa, Uma Rota” pela Fundação Macau

A Fundação Macau, no âmbito das diversas bolsas de estudo para alunos do ensino superior da RAEM, acaba de abrir candidaturas à bolsa de estudo “Uma Faixa, Uma Rota”, disponibilizando 20 bolsas.

As candidaturas decorrerão no período de 1 a 30 de Junho e são uma “forma de encorajar uma melhor preparação, para que posteriormente esses estudantes possam prestar melhores serviços à comunidade”.

Apostada em apoiar a formação de talentos, a Fundação Macau criou a bolsa de estudos “Uma Faixa, Uma Rota”, destinada a estudantes de Macau, Guangdong, Fujian, e outros países e regiões que integram a iniciativa “Uma Faixa, Uma Rota”, “visando reforçar a internacionalização e o desenvolvimento diversificado do ensino superior de Macau e os intercâmbios entre estudantes, de modo a preparar recursos humanos qualificados para a concretização dos objectivos conjuntos dos países e regiões que integram a iniciativa ‘Uma Faixa, Uma Rota’”.

Os candidatos terão de ser residentes permanentes da RAEM e encontrarem-se a frequentar o último ano do ensino secundário, ou, residentes de Guangdong ou de Fujian que se encontrem a frequentar o último ano de um curso de licenciatura em instituição de ensino superior de Macau; que pretendam frequentar cursos de licenciatura ou de mestrado, em regime de frequência obrigatória e a tempo inteiro, em instituição de ensino superior de Portugal, Brasil, Malásia, Indonésia, Filipinas, Tailândia, Camboja, Vietname, Bangladesh, Hungria ou Mongólia. O montante da bolsa a atribuir varia entre as 60 mil e as 80 mil patacas, dependendo do local onde pretendam realizar os seus estudos.

A selecção dos alunos será efectuada com base em avaliação documental. As bolsas de estudo serão atribuídas aos 20 candidatos que obtiverem melhor classificação, ficando os quatro candidatos seguintes da lista, como suplentes. O resultado da avaliação e selecção será notificado aos candidatos, por escrito, na primeira quinzena de Agosto e a lista final será publicitada no website da Fundação Macau. In “Ponto Final” - Macau

 

quinta-feira, 1 de junho de 2023

Centro de Estudos Internacionais Iscte - América Latina Hoje, Seminário de Especialização


O Seminário de Especialização “América Latina Hoje” é um Curso intensivo e multidisciplinar que aborda as dinâmicas socioeconómicas, políticas e culturais da América Latina.

Tendo como objetivo geral a compreensão da presente realidade da região nas suas múltiplas dimensões, em particular na relação com o espaço transatlântico, apresenta um programa conformado por seminários concentrados nessas disciplinas assim como conferências de especialistas ou protagonistas.

Nesta edição renovada, o 13º Seminário de Especialização "América Latina Hoje" decorre entre 26 e 30 de Junho de 2023, no Iscte, com organização conjunta do Centro de Estudos Internacionais do Iscte (CEI-Iscte) e da Casa da América Latina (CAL).

O seminário tem a duração de 1 semana.

Data-limite de candidatura: 2 junho de 2023

Valor: 100€

Taxa de candidatura: 25€

Mais informações aqui.


 

Portugal – Museu do Tesouro Real celebra hoje um ano com atividades para crianças

O Museu do Tesouro Real, em Lisboa, celebra hoje um ano de existência com o lançamento de um programa de atividades intitulado “O Real mês de junho”, que inclui música, danças, e encenações históricas dirigidas a crianças e adultos


De acordo com a programação, ao longo do mês de junho decorrerão no museu localizado na ala poente do Palácio Nacional da Ajuda - com uma das mais importantes coleções mundiais de joias e ourivesaria da monarquia - teatralizações como o “beija-mão” ao rei, momentos musicais, e compassos de dança da corte portuguesa.

Para hoje, Dia Mundial da Criança, está prevista a iniciativa “Sparkle”, com uma visita ao museu, aulas dramáticas e performativas em língua inglesa para um grupo de crianças, dos 7 aos 10 anos, e no sábado haverá o "Beija-Mão no Tesouro Real” durante toda a manhã, com uma encenação histórica do século XVIII, na corte do rei José I.

Contactado pela agência Lusa em maio sobre o balanço de um ano de existência do museu, o diretor executivo, Nuno Vale, considerou a estimativa global de visitantes "muito positiva", indicando que hoje deverão ser ultrapassados os 85000 visitantes.

Aquando da abertura, no ano passado, o diretor-geral do Turismo de Lisboa, Vitor Costa, disse que estava a ser preparada uma campanha de divulgação internacional deste museu e que a expectativa era a de receber uma média de 275 mil visitantes por ano, 60% dos quais estrangeiros.

Instalado numa caixa-forte de grandes dimensões construída para o efeito, na nova ala do palácio, o museu foi inaugurado a 1 de junho de 2022, resultado de um projeto museológico que envolveu a Direção-Geral do Património Cultural (DGPC), a Associação de Turismo de Lisboa (ATL) e a Câmara Municipal de Lisboa.

De acordo com Nuno Vale, em abril deste ano, passados 11 meses da abertura, o Museu do Tesouro Real atingiu os 80869 visitantes - numa média de cerca de 7083 visitantes/mês ou 234 visitantes/dia - recebeu 346 grupos organizados e efetuou 36390 vendas na loja.

Segundo o diretor executivo, numa resposta escrita a perguntas enviadas, por correio eletrónico, pela agência Lusa, a grande maioria dos visitantes é nacional, mas "o número de estrangeiros a visitar o museu tem-se acentuando significativamente ao longo do tempo, e o passado mês de abril foi o de maior proporção de estrangeiros desde sempre, com 34% das entradas, bem como o mês com maior diversidade de nacionalidades".

Até ao momento, e desde a abertura do museu, deram entrada 45 diferentes nacionalidades, e o Brasil, Reino Unido, França, Espanha, Estados Unidos, Itália, Japão e a Alemanha, por esta ordem, foram as nacionalidades mais representadas de visitantes, responsáveis por 85% das visitas de estrangeiros, indicou ainda.

A Nova Zelândia, a Austrália, o Peru, a Colômbia ou a Costa Rica são outras origens dos visitantes estrangeiros.

Questionado sobre o alargamento da coleção, Nuno Vale indicou que "o museu continua a apostar no enriquecimento, tendo sido adicionado o prato de 'água-às-mãos', peça que faltava para completar o conjunto das 23 de prata de aparato usadas nas cerimónias solenes da coroa portuguesa, e outras peças ainda serão adicionadas no decorrer do corrente ano".

Uma tiara com diamantes e safiras que pertenceu à rainha Maria II, e que foi vendida em maio de 2021, em leilão, em Londres, por 1,3 milhões de euros, foi uma das peças cedidas ao museu, onde esteve durante cerca de oito meses exposta ao público.

O Estado português tentou comprar a peça datada da década de 1840 no leilão, com uma "notável safira birmanesa no centro", na descrição da leiloeira, mas não conseguiu elevar as licitações além de 800 mil euros, disse, na altura, à Lusa, o diretor do Palácio Nacional da Ajuda, José Alberto Ribeiro sobre "a tiara mais antiga ligada à Casa Real portuguesa”.

Inaugurado na sequência das obras de acabamento da ala poente do Palácio Nacional da Ajuda, o Museu do Tesouro Real surgiu de um projeto trabalhado durante seis anos, e o seu acervo está instalado numa das maiores caixas-fortes do mundo, com 40 metros de comprimento, 10 metros altura e 10 de largura, num percurso de três pisos.

A caixa-forte está munida com sofisticados equipamentos de segurança e videovigilância, e as peças estão resguardadas por vitrinas com controlo de temperatura, humidade e vidros à prova de bala, protegidas com portas blindadas de cinco toneladas.

Além da exposição das peças, o museu gere um laboratório de conservação e restauro, um serviço educativo e um espaço polivalente. In “Sapo 24” – Portugal com “MadreMedia / Lusa”


Suécia – Empresa retalhista de moda bloqueia compradores por devoluções excessivas

A empresa de retalho de moda online Boozt AB afirma que os retornos excessivos são péssimos para os negócios e para o meio ambiente


A retalhista de moda online Boozt AB, com sede na Suécia, bloqueou 42000 clientes por devolverem muitos itens.

Ao anunciar a mudança, o retalhista disse que os retornos excessivos eram muito caros para a empresa e para o meio ambiente.

A loja online multimarcas vende roupas e produtos de beleza.

Os clientes que foram bloqueados indefinidamente devolveram os itens porque não serviam ou porque se arrependeram da compra, de acordo com o porta-voz da empresa, Ask Kirkeskov Riis.

Esses clientes "exploram repetidamente os altos níveis de serviço de frete grátis e devoluções às custas dos nossos negócios, de outros clientes e do meio ambiente", acrescenta.

Quanto custaram ao planeta os retornos?

Os clientes bloqueados representam menos de 2% dos mais de 3 milhões de clientes do Boozt, mas cerca de 25% do volume total de devolução, revela Ask.

“Ao cancelar estas contas e ao reduzir as devoluções desnecessárias, a Boozt economizou aproximadamente 791 toneladas de CO2 em 2022, o que eliminou a necessidade de aproximadamente 600 veículos de carga de entrega durante um ano”, diz ele.

A empresa de comércio eletrónico está registada na NASDAQ e possui mais de 1200 funcionários. A Boozt AB opera em vários países europeus.

O custo ambiental das compras online

Incapazes de experimentar ou testar itens online, é mais provável que os compradores peçam vários tamanhos e cores e depois devolvam os itens que não desejam.

As compras online, portanto, resultam num maior número de trocas ou devoluções do que as compras na loja.

Devoluções gratuitas tornaram-se a norma para os principais retalhistas online, o que incentiva este comportamento.

As devoluções são um grande problema na Europa?

Algumas nações europeias proibiram a destruição de produtos devolvidos utilizáveis, como eletrónicos e roupas. No entanto, os retalhistas online podem contornar isso transportando itens para países que não impõem uma proibição.

O maior retalhista de moda online da Europa, Zalando, entregou mais de 250 milhões de pedidos somente em 2021. Destes, cerca de metade foram devolvidos.

Uma investigação recente que rastreou itens durante o processo de devolução revelou que esses itens às vezes são enviados a milhares de quilómetros entre as instalações de devolução, com alguns terminando em aterros sanitários, apesar da promessa do retalhista de devoluções 'neutras para o clima'.

Cerca de 20 milhões de retornos acabam diretamente numa central de incineração de resíduos todos os anos, de acordo com um grupo de pesquisa da Universidade de Bamberg, na Alemanha.

Os compradores online europeus de 18 a 24 anos devolveram a maior proporção de itens comprados na web em 2021, de acordo com dados da Statista.

Dos seis países analisados ​​- Reino Unido, Espanha, Itália, França, Suíça e Alemanha - a Suíça teve a maior taxa de devolução online em mais de 20 por cento.

Uma pesquisa do Retail Technology Show com mais de 1000 compradores do Reino Unido descobriu que o cliente médio devolve 15% dos itens comprados online - com uma taxa próxima a 30% para devoluções de moda.

Também revelou que 6% dos entrevistados foram banidos por uma marca por devolução em série, enquanto 15% dos compradores da Geração Z enfrentaram proibições.  Euronews.green


Baía da Lusofonia – 11º Aniversário

Casa Materna

 

1.

Posso cantar, falar, escrever

Comunicar e trabalhar

Lembrar e esquecer

Alinhar sons como soldados a marchar

 

Posso dissertar e compreender

Ser suave cântico em vespertina missa

Ruminar sotaques e aprender

Ser frio mármore ou vela mortiça

 

Posso viajar e derreter

Sob aparente quietude

Ou em chão escaldante ser

Palavra magra e rude

 

Mas só na minha língua verdadeiramente sinto

Só nesta casa antiga divago, sonho e pinto

 

Só em português eu posso ser.

 

 

2.

[Terá ficado alguma coisa por contar

Que as palavras abrem mundos; porém

Outras línguas me tomam como refém

Nelas não posso ser −mas posso estar]

 

Em francês vivo delírios −muitos, outros

Experimentando sempre novas sensações

Em tímidos avanços e empurrões

Cavalgando livre como um potro

 

Seria língua minha, adotada, se a bebesse

Por inteiro; acontece que EU lhe pertenço

E não o contrário: sou desse imenso

Rosário de amantes que em seu regaço floresce

 

[O espanhol deu-me as Américas]

De Espanha, o formalismo e a correção

Em Cuba sou Atlântico, desnorte e coração

Leio, canto e fico em personagens feéricas

 

Da literatura ao feijão, arroz ou plátano

Prazeres da mesma dimensão e natureza

Da música que acende espírito e palato

Nas mãos casca de fruta, gula e beleza

 

Do inglês guardei a norma e o rigor

Sou ferramenta e chave-mestra

Em língua molde que adestra

Desdobrando braços para o exterior

 

Mas guardo também o gosto pela poesia

Emily Dickinson é palavra redonda e serena

Contida, eclética −como as flores da verbena

Alguém-ninguém que ficou nas coisas que dizia

 

E o crioulo? Essa mescla tão inesperada de sentidos

Coisas que abarco com textura e medo

Sabores que provo e acrescento em segredo

Ingenuamente em acordes, sombras e ruídos

 

Essa língua que me rouba a paz e em tudo faz

Parecer parecida a outra que me traz ao colo

É uma língua que alimenta e satisfaz; um desconsolo

E um deslumbramento de fogo e chuva pertinaz

 

Restam-me as línguas viscerais; não são maternas

São naturais no sangue desde o começo dos tempos

Antes de nascer família, história e efémeros eventos

Eram internas raízes a aflorar à boca −sempiternas

 

Há um pudor maior em cantá-las; são uma vela

Que não soprei ainda −suguei açúcar das canas

Ouvi avós nos quintais e trauteei melodias angolanas

[Em kimbundo profundo, kikongo, lingala ou umbundo de Benguela].

 

Luísa Fresta – Portugal / Angola in “Casa Materna” Editorial Novembro


Onze anos é algum tempo, o suficiente para afirmar que os objetivos, para o qual o blogue “Baía da Lusofonia” foi criado, estão a ser alcançados. Os três países lusófonos que apresentam mais visitas ao blogue, Brasil, Moçambique e Portugal, representam 7% de um total superior a 1,5 milhão de visitantes. Os restantes, 93% estão distribuídos por quase duas centenas de países e territórios, dos quais salientamos na América, Canadá e Estados Unidos, na Europa a Alemanha, Áustria, Espanha, Finlândia, França, Irlanda, Itália, Países Baixos, Reino Unido, Rússia, Suécia e Ucrânia, em África, Angola, Cabo Verde, Costa do Marfim, Guiné-Bissau, Quénia, Senegal e Tanzânia, por fim na Ásia, China, Coreia do Sul, Hong Kong, Indonésia, Japão, Macau, Singapura e Turquia.

São os responsáveis dos países africanos de língua portuguesa que mais reivindicam que o idioma que nos une, tem de ser uma língua de ciência. Enquanto na área da cultura, assistimos diariamente a apresentação de literatura, poesia em língua portuguesa, na área da ciência verificamos estudiosos, investigadores, cientistas, a Academia apresentarem todos os documentos em língua inglesa, ficando para o português apenas as sinopses. A responsabilidade cabe aos sucessivos governantes do Brasil e Portugal que nada decidem para alterar o percurso que a língua portuguesa tem percorrido no âmbito da ciência, por serem os países com mais longevidade e com maior desenvolvimento. A Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP) poderia alocar no seu sítio, um espaço onde fosse obrigado a publicação dos artigos científicos em língua portuguesa e permitir que todos os cidadãos dos países lusófonos tivessem acesso a esses documentos.

Continua a haver visitas por artigos publicados no blogue “Baía da Lusofonia” nos anos de 2012 e seguintes, o que vem mostrar que está criado um acervo com mais de 10300 artigos que estará sempre presente para que os cidadãos acedam a informação que na comunicação social são voláteis. O blogue continua a existir com um princípio, não ter fins lucrativos. Baía da Lusofonia