Pintura Arq. Eduardo Moreira Santos, Lx (28.08.1904 - 23.04.1992)

quarta-feira, 2 de novembro de 2022

Angola - Investidores interessados na Barra do Dande

O governo angolano já recebeu manifestações de interesse de investidores nacionais e estrangeiros para a concessão dos projetos da Barra do Dande, cuja primeira fase deverá estar concluída em 2027, anunciou a Sociedade de Desenvolvimento da Barra do Dande (SDBD), região a norte de Luanda

Joaquim Piedade, da SDBD, não quis quantificar quantas propostas foram recebidas para a gestão, execução e exploração de parte das componentes da Fase I da Zona Franca de Desenvolvimento Integrado da Barra do Dande nesta fase de qualificação prévia, que termina 15 de novembro.

A primeira fase engloba 860 hectares de uma área total de 5465 hectares e quatro componentes: terminal marítimo-portuário, refinaria de óleo alimentar, silos para a reserva estratégica alimentar e um parque fotovoltaico.

O presidente do Conselho de Administração da Sociedade de Desenvolvimento da Barra do Dande (SDBD) que falava numa sessão de apresentação pública do projeto, sublinhou que se pretende dar resposta a quatro questões: segurança alimentar, segurança energética, segurança dos combustíveis e desenvolvimento económico e industrial.

A região (província do Bengo, a norte de Luanda e junto ao rio Dande) foi escolhida para o desenvolvimento da zona franca por existirem já projetos âncora, nomeadamente o terminal oceânico, que está a ser desenvolvido pela Sonangol, e uma indústria de produção cerâmica de origem chinesa, que ocupa 400 hectares.

No concurso de qualificação prévia “os candidatos devem demonstrar que possuem qualificação técnica e financeira para desenvolverem projetos com esta envergadura”, disse Joaquim Piedade.

“Temos concorrentes, nacionais, maioritariamente, e também estrangeiros”, declarou, acrescentando que os nacionais estão à procura de parceiros internacionais para investimentos conjuntos na zona franca.

Quanto ao polo industrial, o objetivo é atrair quatro setores prioritários: indústria automóvel, alimentar, energias renováveis e materiais de construção.

O responsável da SDBD afirmou que estão atualmente focados em resolver as questões administrativas, nomeadamente as que se relacionam com os regimes especiais previstos na zona franca

“Apenas o [regime] fiscal está aprovado, temos ainda de tratar o regime cambial, o regime migratório, o regime laboral e outros que são de suporte para os investidores que estiverem na zona franca”, indicou, sublinhando que o projeto está a ser agora apresentado à comunidade nacional e internacional.

Adiantou ainda que vai ser criado um “guichet do investidor” com todos os serviços necessários para dar resposta às questões burocráticas, cuja sede vai ficar implantada na região do Dande.

Joaquim Piedade prevê que esteja implementada em 2025, ocasião em que estará já em curso a execução de várias infraestruturas.

“Se nós tivermos os investidores para o terminal marítimo portuário, que será a principal via de escoamento, isso irá automaticamente precipitar o avançar de todo o projeto de execução da obra”, cuja primeira fase deve estar concluída em 2027.

Sobre a questão das acessibilidades e fornecimento de energia e água, questões levantadas no debate em que foi apresentado o projeto, Joaquim Piedade adiantou que a SDBD está a pensar em alternativas.

Uma das possibilidades passa pela reabilitação e concessão de uma estrada nacional cujo investimento seria rentabilizado através do pagamento de portagens.

“Temos em carteira uma proposta concreta, que supõe um investimento de mais de 13 milhões de dólares, está a ser discutida”, indicou o presidente da SDBS, acrescentando que seria uma parceria público-privada.

“A diferença neste projeto é esta, conseguir atrair o privado para investimentos que tradicionalmente são elaborados pelo Estado”, realçou Joaquim Piedade, adiantando que estão em cima da mesa contratos de 30 anos + 25, no caso das infraestruturas para recuperar o investimento. In “África 21” – Brasil com “Lusa”


Portugal - Estudantes PALOP no ensino superior são quase 20 mil

Cerca de 20 mil estudantes dos países africanos de língua portuguesa estavam inscritos no ensino superior português no ano letivo 2021/22, um aumento de 170% em cinco anos, para o que contribuíram sobretudo os alunos guineenses.

Segundo dados do Ministério da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior (MCTES), o número total de estudantes dos países africanos de língua oficial portuguesa (PALOP) inscritos em Portugal era no ano letivo passado de 19930, quando em 2016/17 era de apenas 7355.

O país que mais contribuiu para este aumento foi a Guiné-Bissau, cujos estudantes aumentaram dez vezes em apenas cinco anos, tornando-se o segundo país mais representado entre todos os alunos estrangeiros nas universidades e politécnicos portugueses, apenas ultrapassado pelo Brasil.

Há cinco anos os alunos guineenses eram os menos representados, com 602 inscritos, mas são hoje o contingente mais volumoso entre os cinco PALOP (a Guiné Equatorial não é discriminada nos números do MCTES), com 6470, acima dos cabo-verdianos (5630), dos angolanos (4690), dos moçambicanos (2045) e dos são-tomenses (1095).

No ano letivo passado, os guineenses eram já 32% dos alunos dos PALOP nas instituições de ensino superior portuguesas.

Dificuldades

O número de estudantes dos países africanos de língua portuguesa no ensino superior em Portugal quase triplicou em cinco anos, mas muitos enfrentam dificuldades e há elevados níveis de abandono, alerta um docente da Universidade Nova de Lisboa.

Miguel Chaves, coordenador do departamento de Sociologia da Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa, está a fazer um levantamento sobre o universo de estudantes dos países africanos de língua oficial portuguesa (PALOP) matriculados no Ensino Superior Português e sobre o seu acolhimento nesse sistema.

Em entrevista à Lusa, o académico contou que em 2017/18 os docentes começaram a sentir um aumento do número de estudantes dos PALOP que chegavam ao ensino superior e a constatar que muitos desses estudantes apresentavam dificuldades em comunicar em português.

Os docentes aperceberam-se de que o aumento do número de estudantes africanos refletia um crescimento substancial do número de guineenses, o que explica as dificuldades na língua portuguesa, uma vez que os guineenses, de uma maneira geral, utilizam muito pouco o português para comunicar, dominando normalmente duas línguas, o crioulo e uma das línguas nativas.

Exemplificou com as dificuldades burocráticas para a obtenção de visto, que atrasam a chegada dos alunos durante meses ou até um ano letivo inteiro.

Isto acarreta dificuldades académicas, mas também financeiras, porque após a matrícula começam a ser cobradas as propinas, pelo que os alunos “já chegam com uma dívida muito considerável aos estabelecimentos”.

Outro problema, alertou, é que muitos alunos não recebem bolsas de estudo, vêm pelos seus próprios meios, pelo que muitas vezes têm de começar a trabalhar, normalmente em atividades sem horário fixo e que não lhes permitem exercerem os direitos de trabalhador-estudante.

“Face a uma situação em que já têm tantos ‘handicaps’, em termos linguísticos e de falta de apoios financeiros, têm ainda de começar a trabalhar e começar a trabalhar intensamente”, disse Chaves.

Complicações no acesso aos serviços públicos, nomeadamente ao Serviço Nacional de Saúde, e dificuldades de adaptação cultural – estudos indicam que os alunos africanos consideram os portugueses frios e distantes – juntam-se ainda a preconceitos racistas que existem na sociedade portuguesa e que também se refletem na academia.

“Experiências de uma certa discriminação, de uma certa exclusão acontecem, por exemplo, quando há formação de grupos de trabalho” e os alunos portugueses tendem a não aceitar os africanos, porque entendem que estes não dão o devido contributo para os trabalhos de grupo, exemplificou o docente, considerando tratar-se de “discriminação e uma forma de indiferença”.

Todos estes problemas têm um efeito que é “absolutamente dramático”: “A reprovação nas unidades curriculares nas disciplinas que estão a frequentar é maciça e, portanto, a possibilidade de transição de ano por maioria de razão, também é muito baixa”, lamentou. In “Mundo Lusíada” – Brasil com “Lusa”

 

Internacional - Projeto SPRING lança bases para implementação de plano europeu de monitorização de polinizadores

Um ano de amostragens de polinizadores em Portugal, realizadas no âmbito do projeto internacional SPRING, permitiu descobrir várias espécies de interesse e com distribuição limitada e reforçar a necessidade urgente de implementação de uma metodologia de amostragem universal para monitorizar estes insetos, essenciais, por exemplo, para a produção de alimentos.

Liderado pelo centro alemão Helmholtz Centre for Environmental Research, em Portugal o projeto é coordenado por uma equipa de investigadores do Centre for Functional Ecology da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra (FCTUC) e conta com a participação do Instituto de Conservação da Natureza e Florestas (ICNF), da Associação BIOPOLIS – CIBIO, do Tagis - Centro de Conservação das Borboletas de Portugal, do Centro de Ecologia, Evolução e Alterações Ambientais da Universidade de Lisboa, do Município de Oeiras e da Universidade dos Açores.

O grande objetivo do SPRING é reforçar a capacidade de identificação taxonómica de insetos polinizadores dos Estados-membros em suporte à preparação do esquema de monitorização de polinizadores à escala Europeia (EU-PoMS).


No nosso país, a monitorização de polinizadores incide em 6 locais, 5 no continente e 1 no Arquipélago dos Açores. A implementação deste projeto piloto permite testar as metodologias básicas de monitorização de abelhas selvagens, borboletas e moscas-das-flores (ou sirfídeos), usando transectos padronizados, percorridos por cientistas e voluntários, e armadilhas coloridas (também designadas de “pan-traps”).

Segundo Sílvia Castro, investigadora da FCTUC, «a implementação de uma metodologia de amostragem universal à escala nacional e europeia vai seguramente levar a novas descobertas ao nível das espécies de insetos polinizadores e fornecer dados comparáveis de acompanhamento, até hoje inexistentes no nosso contexto».

Sónia Ferreira, investigadora na Associação BIOPOLIS – CIBIO enfatiza que «existem efetivamente ainda algumas espécies por descrever em Portugal e um número muito elevado de espécies sobre as quais sabemos muito pouco relativamente à sua biologia e ecologia».

Os insetos colhidos nas “pan traps” ainda estão a ser processados, mas as observações efetuadas nos transectos permitiram já encontrar várias espécies de interesse e com distribuição limitada. Albano Soares, entomólogo do Tagis, dá dois exemplos: «a Andrena foeniculae é um endemismo ibérico descrito pela primeira vez em 2020, ainda com poucos registos em Portugal e Espanha, e que já foi detetada durante os transectos. Também a espécie de abelha Lasioglossum buccale, contava apenas com três registos até à data em Portugal, e esta monitorização já permitiu detetá-la em novas localidades».

Por seu lado, Conceição Conde, da Divisão de Vigilância Preventiva e Fiscalização do Alentejo do ICNF, que está a testar a metodologia no Parque Natural da Serra de São Mamede, com o apoio do Tagis, afirma que «a diversidade, a importância dos insetos polinizadores e o desejo de os conhecer melhor são uma enorme motivação para continuarmos a participar no projeto SPRING».


Nos Açores, a monitorização está a cargo do Grupo de Biodiversidade dos Açores. Segundo o investigador Mário Boieiro, «a monitorização nos Açores permitiu analisar comunidades de polinizadores pouco diversas, mas com vários endemismos, sendo este o único local de todo o projeto SPRING representativo dos ecossistemas insulares».

Apesar de ainda se estar a dar os primeiros passos para o futuro plano de monitorização de polinizadores à escala europeia, «o envolvimento no projeto SPRING é extremamente importante para Portugal, pois, para além de contribuir com perspetivas diversas de implementação da metodologia, estimulará a formação de jovens entomólogos, tão necessários em Portugal», finaliza Sílvia Castro.

Concluído o primeiro ano de amostragens, os trabalhos de campo reiniciam em março de 2023, sendo que até lá irão decorrer várias ações de formação, assim como a identificação das amostras recolhidas em 2022. Além do processo de preservação e estudo das amostras, os participantes terão oportunidade de aprender a distinguir espécies de abelhas e de moscas-das-flores. Universidade de Coimbra - Portugal




terça-feira, 1 de novembro de 2022

Macau – Jornal Tribuna de Macau, 40 anos de grande felicidade


E de repente, a pessoa prepara-se para ir trabalhar e percebe que passaram 40 anos.

Foi realmente no Outono de 1982 que o dr Jorge Neto Valente (JNV) telefonou para o semanário Tempo, a convidar-me para almoçar e posteriormente para vir encabeçar este projecto a que chamámos de “Tribuna de Macau”.

Pouco conhecia de Macau. Anterior visita de pouco mais que uma semana para fazer dois filmes para um programa que tinha na RTP (na altura só com um canal), não me entusiasmara por aí além.

Em certa medida fora um sucesso. As cores de Macau saíram vibrantes, quiçá realçadas pelo facto de termos utilizado uma máquina de filmar, manuseada pelo saudoso Manuel Cardoso, o fotógrafo do GCS e o som ficou magnífico, pelo dedo de um homem que hoje é delegado do Ministério Público.

Já em termos da minha compreensão da realidade local, foi quase um desastre. O presidente da Assembleia Legislativa, Dr Carlos Assumpção fez o favor de me receber durante toda a tarde, entregando a presidência a Ho Yin, mas não tive direito a contraditório: o alegado contraparte nunca esteve disponível e o encontro com o Governador Almeida e Costa foi, no mínimo bizarro – recebeu-me na cama da casa de praia de Cheoc Van, alegando estar com “problemas na figadeira” (sic).

Mas voltemos a Lisboa. Fiquei surpreendido com o convite de pessoa que não conhecia pessoalmente. Comecei por amontoar razões para não aceitar, e lembro-me de ter dito que talvez pudesse indicar alguém que pudesse encabeçar tal projecto.

JNV insistiu e insistiu, só mais tarde percebi as razões.

Acabei por aceitar. Afinal a meia Lisboa que eu não conhecia, apreciava-o. A outra metade achava que era uma grande oportunidade.

Cheguei sozinho em Outubro, já encontrando montada uma infra-estrutura de off-set, bastante avançada. Em termos editoriais, o João Guedes, recém-saído da Polícia Judiciária, foi o meu primeiro colega local. No fim do mês, o jornal saiu para as bancas.

Nas conversas diárias que tive com JNV, rapidamente nos apercebemos que um jornal de Macau em Língua Portuguesa nunca podia ser “um projecto comercial”, tão reduzida era a atracção publicitária a um projecto de qualidade.

Percebemos imediatamente que era importante acrescentar-lhe um pendor cultural “lato sensu”, na defesa e vulgarização da Língua portuguesa que já então era Língua oficial, conjuntamente com a Língua Chinesa, mas também, divulgar o pendor humanista que está na tradição da cultura portuguesa, vulgarmente referido como “o modo de ser e estar dos portugueses no mundo”.

Gozaram-me quando o escrevi, mas mantive esse rumo até hoje, quase sete mil jornais depois, primeiro como semanário e depois de 1998, como jornal diário.

Do papel da Tribuna de Macau durante estas quatro décadas não me cumpre ser juiz em casa própria, mas alguma coisa fizemos de bom, segundo muitos dizem.

Os leitores de português em Macau e no resto do mundo, em especial os que se encontram nos países de Língua portuguesa, têm dado provas concretas do seu interesse, em especial depois do aparecimento da internet. Neste momento temos muitos mais fiéis leitores fora de Macau do que na Região.

Por mim, apenas me cumpre agradecer aos leitores, aos anunciantes, aos talentosos jornalistas que por aqui passaram, aos distribuidores que arrostaram com vento e chuva e aos críticos que ajudaram a fazer mais e melhor, 40 anos de grande felicidade.

E reforçar que, sem alterar a linha editorial, mantenho a mesma determinação de fazer todos os contributos para que o Português, que também é Língua Oficial da RAEM, continue a ter na Tribuna um jornal que apoie Macau e as suas gentes sem discriminação, que cultive de forma prestigiante a Língua Portuguesa e que continue a divulgar a realidade de Macau em todo o mundo que fala português.

E manter grande atenção à sempre trepidante situação socio-económico-política em Portugal, a Hong Kong e à República Popular da China, aos PLP – Países de Língua Portuguesa, aos países asiáticos que nos rodeiam e ao mundo em geral.

Afinal, Macau não vive numa “bolha” indiferente ao que se passa no resto do mundo… Rocha Diniz – Macau in “Jornal Tribuna de Macau”

José Rocha Diniz - Jornalista. Administrador do Jornal Tribuna de Macau


 

França - Festival Literário de Cognac dedicado à literatura portuguesa

Cognac será durante quatro dias a capital europeia da literatura. O LEC – Littératures Européennes Cognac – é um dos grandes festivais literários de França e dedica-se este ano à Literatura Portuguesa. O seu programa para 2022 acaba de ser anunciado.


Um programa que vai além da literatura – a arte gráfica, o cinema, a música e a gastronomia estarão bastante presentes – e que culminará no festival que durará quatro dias, entre 17 e 20 de novembro.

Criado em 1988 por ocasião do centenário do nascimento de Jean Monnet, o Salon de la Littérature européenne de Cognac – que se tornou Littératures Européennes Cognac e depois o Festival LEC – trabalha para promover as literaturas europeias e pretende ser um ponto de encontro entre os escritores europeus e o público leitor.

Nuno Gomes Garcia com bolsa de criação literária

O lançamento do Festival LEC, que tem então Portugal como país-convidado, começará, contudo, quase um mês antes com o acolhimento do escritor galardoado com a residência e a bolsa de criação literária Jean Monnet. E este ano o galardoado foi Nuno Gomes Garcia, autor português a residir em França que lançou há pouco “La Domestication”, obra traduzida pela tradutora Clara Domingues, ela própria lusodescendente, e que tem a particularidade de desmasculinizar a língua francesa, optando o autor e a tradutora por uma feminização total da linguagem, “de maneira”, referiu o autor, “a que o fundo e a forma se harmonizem, visto que este romance inverte os papéis e cria um mundo em que as mulheres detêm o poder absoluto”.

Ao longo do seu mês de Residência Literária, Nuno Gomes Garcia visitará vários liceus e bibliotecas de Pons, La Rochelle ou Cognac onde falará com os alunos e leitores sobre a Literatura Portuguesa, participará em discussões sobre cinema – o escritor escolheu “Tabu” do realizador Miguel Gomes – e marcará presença, claro, nos quatro dias de festival.

Vários autores portugueses presentes

De 17 a 20 de novembro, Nuno Gomes Garcia contará com a companhia de outros autores portugueses publicados em França, tais como Afonso Cruz, David Machado, Isabela Figueiredo, Miguel Szymanski (os autores portugueses selecionados para o Prix des Lecteurs), Pedro Garcia Rosado, Dulce Maria Cardoso, Valter Hugo Mãe, Sylvie da Silva, mas também a ilustradora Catarina Sobral, autora do cartaz do festival, e o grupo musical Madragoa.

A esta esquadra lusitana, juntar-se-ão vários autores franceses – nomeadamente o historiador Yves Léonard, especialista em História de Portugal, que conversará com Nuno Gomes Garcia, ele próprio arqueólogo, sobre a sua mais recente obra “Histoire de la nation portugaise”.

Tratando-se de literaturas europeias, o eixo luso-francês deste ano faz uma bifurcação e recebe o ucraniano Andrei Kurkov, autor do belíssimo “Abelhas Cinzentas”, lançado o mês passado em Portugal pela Porto Editora, e o islandês Jon Kalman Stefansson, vencedor do Prix Jean Monnet 2022, prémio já ganho pela portuguesa Lídia Jorge em 2000.

A duas horas de Paris, eis uma bela oportunidade para “viver” Portugal na Charente e visitar a histórica cidade de Cognac. In “LusoJornal” - França


Jornalista da rádio ONU defende capital político da língua portuguesa

“A língua portuguesa é inevitavelmente um activo político, cujas vantagens ainda passam despercebidas”, diz Monica Villela Grayley, autora de um livro baseado na estratégia de internacionalização da língua da CPLP.


Os actores políticos, económicos e culturais devem explorar devidamente o potencial do português, língua falada por cerca de 300 milhões de pessoas no mundo e bem representada nas redes sociais. O apelo é lançado pela académica brasileira e antiga jornalista da Rádio da ONU Monica Villela Grayley, autora do livro “A Língua Portuguesa Como Activo Político” apresentado em Lisboa, pelo secretário executivo da Comunidade dos Países de Língua (CPLP), Zacarias da Costa.

“A língua portuguesa, presente nos quatro cantos do mundo, é inevitavelmente um activo político, cujas vantagens ainda passam despercebidas”, afirmou Monica Grayley, em declarações à imprensa.

“A nossa língua portuguesa está presente das Américas a Ásia. Ela vai de Norte a Sul, de Leste a Oeste. Às vezes não nos damos conta disso, porque já nascemos com essa língua. Há uma tendência de achar que a língua não é tão importante porque a gente já está acostumada a ela”, lembra.

A língua não é apenas um instrumento de fala e de comunicação, reconhece a académica brasileira, que salienta a presença do português em muitos blocos regionais e políticos importantes, da União Europeia, passando pela União Africana até ao Mercosul, para citar apenas três. Todos estes blocos, acrescenta Monica Grayley, representam um enorme volume de comércio e de negócios. Além disso, sublinha, há um “grande activo político na presença demográfica nesses blocos de todas as pessoas que falam o português”.

Declarações para justificar o teor do seu livro “A Língua Portuguesa Como Activo Político”, apresentado na sede da CPLP. A obra, que resulta da tese de mestrado da autora, baseia-se na estratégia da CPLP de internacionalização da língua portuguesa, aprovada pelos Estados membros em 2008.

“De lá para cá houve muitos progressos, mas acho que agora a gente precisa pensar de uma maneira diferente. Eu acho que agora o nosso desafio é explorar devidamente esse activo político e para isso precisamos de políticas da língua por conta dos países, mas não somente. Eu costumo dizer que a política da língua é uma responsabilidade dos países, dos Estados. Mas a execução cabe a todos. É um esforço colectivo”, considera.

Redes sociais podem ser grandes aliadas

A académica brasileira dá uma “contribuição modesta” para uma percepção mais clara do valor político da língua portuguesa, ao lançar um repto à reflexão, quando se sabe que o português é a quinta língua mais falada no mundo e a terceira mais usada nas redes sociais.

Monica Grayley diz que, na era da comunicação e da informação, as redes sociais podem ser grandes aliadas na execução da referida estratégia. O potencial político da língua portuguesa pode gerar mais oportunidades e dividendos para todos, disse durante a sua intervenção.

Para o político guineense Domingos Simões Pereira, que prefaciou o livro, “esta é uma obra muito ousada, porque ela abandona a retórica muito simplista da forma como todos reclamamos a língua como nossa pertença”.

“A Monica vai à procura de elementos quantitativos, e é através desses elementos quantitativos que ela aborda a dimensão política, a dimensão económica e a dimensão cultural”, aponta.

A autora analisa o contexto geo-estratégico da língua portuguesa e, ao fazê-lo, segundo Simões Pereira, reclama um conjunto de reformas cuja execução peca por estar atrasada. “A circulação”, continua, “é o [exemplo] mais emblemático”.

Monica Grayley também aborda “a questão de uma espécie de ERASMUS CPLP, porque um dos grandes potenciais da língua é que qualquer novo estudante nos nossos países seja mais um falante da língua portuguesa”, explica Simões Pereira.

Segundo o antigo secretário executivo da CPLP, “se a questão da educação é vista como um dos principais entraves ao próprio desenvolvimento dos países lusófonos”, conforme argumenta Mónica Grayley no seu livro, o investimento nesse sector devia ser crucial. “Seria automaticamente também uma forma de promoção da língua. Ou seja, eu encontrei neste livro da Monica uma abordagem para lá das simples proclamações”, afirma.

O ex-primeiro ministro da Guiné-Bissau destaca a análise expressa no trabalho da autora que convida cada um dos países membros, as organizações e os cidadãos comuns da Comunidade lusófona a reflectirem sobre aquilo que cada um pode fazer para a valorização da língua portuguesa como factor de desenvolvimento. In “Jornal Tribuna de Macau” – Macau com “Agências Internacionais”


UCCLA - vai acolher jornada de Cabo Verde no domínio da promoção do Ecossistema Digital

O auditório da UCCLA será o palco, no dia 4 de novembro, do evento The Journey of a Tech Island, uma apresentação sobre a jornada de Cabo Verde no domínio da promoção do Ecossistema Digital de Cabo Verde, a partir das 18 horas. O evento é organizado pelo Governo de Cabo Verde, através do Ministério da Economia Digital.

A jornada contará com a presença do Vice-Primeiro Ministro de Cabo Verde, Ministro das Finanças e do Fomento Empresarial e Ministro da Economia Digital, Olavo Correia, acompanhado do Secretário de Estado da Economia Digital, Pedro Lopes, bem como das 10 startups selecionadas no âmbito do projeto GoGlobal - Web Summit 2022 e de instituições cabo-verdianas de referência, públicas e privadas.

Veja o programa aqui.