Pintura Arq. Eduardo Moreira Santos, Lx (28.08.1904 - 23.04.1992)

quarta-feira, 29 de outubro de 2014

Holanda - Portos de trânsito para os produtos japoneses na Europa

De acordo com um estudo recente realizado pela Statistics Netherlands, as importações de bens provenientes do Japão atingiram 8,4 mil milhões de euros em 2013. Três quartos destes bens foram quase de imediato reexportados. A Holanda é principalmente um país de trânsito para os produtos japoneses para a Europa.

O Japão é a terceira maior economia do mundo. O seu comércio internacional totalizou 1800 mil milhões de dólares em 2013. Os valores da Holanda são residuais. O Japão exportou 9,3 mil milhões de euros em bens e serviços para a Holanda em 2013, e importou bens e serviços no valor holandeses para 4,5 mil milhões de euros. Isso coloca a Holanda em décimo segundo como país de destino das exportações e perto do 30º lugar como país fornecedor.

Nos últimos vinte anos as importações japonesas subiram quase 70%, as reexportações representaram três quartos.

A Holanda é o décimo segundo parceiro de exportação mais importante do Japão, e - depois da Alemanha - o segundo na Europa. Os Estados Unidos e a China estão no topo da lista. A Holanda é principalmente um país de trânsito para os produtos japoneses para a Europa. Três quartos dos bens importados foram reexportados novamente quase de imediato. A Holanda importa do Japão principalmente máquinas de escritório, equipamentos de telecomunicações (incluindo partes) e máquinas de movimentação de terras, obras públicas e construção civil. Em 1996, o valor das importações do Japão era apenas 4,9 mil milhões de euros. O Japão é o nono maior fornecedor da Holanda de bens.

Importação e exportação de mercadorias do e para o Japão
Exportações: produtos farmacêuticos e tabaco

A Holanda exportou 3,2 mil milhões de euros de mercadorias para o Japão em 2013. Estas consistiram principalmente em produtos farmacêuticos e produtos do tabaco. O valor dos bens exportados para o Japão aumentou em 1,5 mil milhões de euros desde 1996. Apesar deste aumento, o Japão não é um grande mercado de destino das exportações holandesas. Em 2013, foi o vigésimo terceiro maior parceiro de exportações de bens.

Mais serviços exportados que importados

A Holanda exportou 1,4 mil milhões de euros de serviços para o Japão em 2013. As importações de serviços do Japão totalizaram 0,9 mil milhões de euros. CBS Statistics Netherlands - Holanda

Importação e exportação de serviços do e para o Japão


Brasil - Uma nova estratégia comercial

SÃO PAULO – Estudo preparado pela Confederação Nacional da Indústria (CNI), com base em dados da Organização Mundial de Comércio (OMC), levando em conta as correntes de comércio de 2008 e 2013 dos países que formam o G-20, apontou o Brasil na penúltima colocação no segmento de bens industriais, à frente apenas da Arábia Saudita. O déficit brasileiro no comércio de produtos manufaturados aumentou 150% entre 2008 e 2013. Outros 12 países também registraram déficit, ou seja, importaram mais do que exportaram, mas só a Arábia Saudita apresentou resultado negativo maior que o do Brasil.

Esses dados constituem um argumento irrespondível e refletem com fidelidade o que foi a política de comércio exterior colocada em prática pelos últimos governos. Em outras palavras: são o retrato fiel do fracasso de uma estratégia que está levando o País a uma situação de crise, que custará muitos anos de sacrifício para ser revertida, se o novo (velho) governo que saiu das urnas não reformular sua estratégia para o comércio exterior.

Os números da OMC mostram que o Brasil vem perdendo eficiência exatamente nos bens manufaturados, que têm maior valor agregado, em razão de um processo que já ficou consagrado como “desindustrialização”. Se já não exporta tanto bens manufaturados como antes, o Brasil ampliou o seu déficit de US$ 35 bilhões para US$ 88 bilhões no período de 2008 a 2013. Isto porque suas exportações também não acompanharam a tendência das nações mais desenvolvidas: enquanto as exportações mundiais de manufaturados chegaram a US$ 11,8 trilhões em 2013, registrando um crescimento de 13,4% em relação a 2008, as do Brasil caíram 1% no período.

O que explica esse fracasso já se sabe há muito tempo. São causas que até já ganharam um termo apropriado: custo Brasil, que inclui dificuldades de logística, burocracia alfandegária e um elevado peso tributário que tornam os produtos brasileiros pouco competitivos, inclusive os do agronegócio, que precisam viajar dias e dias em cima de carretas por estradas nem sempre asfaltadas. Além disso, o Brasil, nos últimos tempos, insistiu em fechar-se para o mundo, deixando de firmar acordos de preferências com países e blocos, limitando-se a participar do Mercosul, que, até agora, não conseguiu fechar um tratado de livre-comércio com a União Europeia, depois de mais de uma década de negociações.

A rigor, a única conquista política no setor do governo que se encerra foi a eleição há um ano do brasileiro Roberto Azevêdo para a direção-geral da OMC, em Genebra. Mas, se Azevêdo tem se saído bem no desafio de lutar em favor do multilateralismo e da liberalização do comércio, razão de ser da OMC, o que lhe tem rendido elogios dos jornais econômicos do Primeiro Mundo, para o Brasil em termos práticos pouco significou até agora.

Em dezembro de 2013, em boa parte, graças aos esforços de Azevêdo, chegou-se na OMC ao acordo de Bali, que então foi considerado o relançamento da Rodada de Doha, que estabelece dezenas de medidas para facilitar o fluxo de bens nas alfândegas e para reduzir a burocracia. Mas, desde então, os países-membros não conseguiram aprovar um protocolo técnico, o que praticamente levou as negociações outra vez à estaca zero. Milton Lourenço - Brasil

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Milton Lourenço é presidente da Fiorde Logística Internacional e diretor do Sindicato dos Comissários de Despachos, Agentes de Cargas e Logística do Estado de São Paulo (Sindicomis) e da Associação Nacional dos Comissários de Despachos, Agentes de Cargas e Logística (ACTC). E-mail: fiorde@fiorde.com.br. Site: www.fiorde.com.br.

Moçambique - Elefantes a caminho da extinção

Conservacionistas nacionais estimam que nos próximos cinco anos não existirão mais elefantes no nosso país, caso os índices de abate ilegal de animais desta espécie se mantiverem altos, como acontece actualmente.

Um novo alerta foi lançado recentemente, em Maputo, no decurso de uma marcha em protesto contra a matança indiscriminada do elefante e do rinoceronte por caçadores furtivos, no território nacional.

O evento juntou cerca de três mil pessoas, entre representantes de diversas organizações da sociedade civil moçambicana, de instituições académicas, artistas e público em geral, preocupados com a crescente matança destes paquidermes.

Segundo os organizadores da marcha, caçadores furtivos matam, em média, entre quatro a cinco elefantes por dia nas diferentes áreas de conservação criadas no país ou fora destas.

Só no ano passado, estima-se que tenham sido abatidos entre mil e quinhentos a mil e oitocentos elefantes em todo o território nacional.

A informação foi avançada pelo biólogo, Carlos Lopes Pereira, da Agência de Conservação da Fauna Bravia (Wildlife Conservation Society), durante um seminário organizado pela Procuradoria-Geral da República (PGR), dias antes da realização da marcha contra a caça furtiva do elefante e do rinoceronte.

Nos últimos anos, a caça furtiva do elefante em Moçambique assumiu contornos alarmantes e provou ser uma acção do crime organizado, protagonizada por cidadãos nacionais e estrangeiros, tendo como fim último o comércio ilegal do marfim.

O mesmo acontece em relação ao rinoceronte, que não é somente caçado ilegalmente em Moçambique, como também na vizinha África do Sul. E neste país vizinho dezenas de pessoas, alguns dos quais moçambicanos, que se dedicavam à caça furtiva, foram mortos pelas autoridades policiais locais.

O marfim e os cornos de rinocerontes gerados pela caça furtiva em Moçambique têm como principais mercados alguns países asiáticos.

A marcha em protesto contra o abate ilegal de elefantes e rinocerontes no território nacional surgiu no âmbito das celebrações do Dia Mundial do Animal, que se assinala a 4 de Outubro de cada ano.

No mesmo dia, eventos similares tiveram lugar em cerca de 100 cidades do mundo, com o objectivo de alertar aos cidadãos sobre o perigo de extinção do rinoceronte e do elefante africanos, devido à caça furtiva. In “Realmoz” - Moçambique

terça-feira, 28 de outubro de 2014

Macau - Ensino de português criticado em debate na Universidade de São José

A académica Maria José Grosso considerou ontem que os professores chineses que ensinam português em Macau têm um “baixo nível de proficiência” e ensinam a língua com métodos desactualizados, durante um debate na Universidade de São José em Macau.

A professora da Universidade de Lisboa e da Universidade de Macau participou num debate sobre “Políticas da Lusofonia, Políticas da Língua”, integrado numa conferência de dois dias em torno da Lusofonia.

Traçando um cenário sobre a situação e as dificuldades do ensino da língua portuguesa em Macau, Maria José Grosso alertou para o “baixo nível de proficiência dos professores” que não têm o português como língua materna. “Eu própria assisti a casos em que um professor pronunciava uma palavra mal e escrevia também mal no quadro, [palavra] que as crianças copiavam”, descreveu.

Além desta dificuldade, a académica chamou também a atenção para os métodos de ensino usados no território que “já são considerados pouco motivantes” e que “muitas vezes têm que ver com a representação que esse professor tem do que é aprender uma língua”.

Também a gramática é ensinada não tendo em conta “a experiência linguística da criança, a sua língua materna”, disse a professora.

Como resultado, a língua portuguesa, que é uma das duas oficiais no território, “é geralmente limitada à sala de aula”.

Crítica também para os professores portugueses

Agendado para participar no debate estava Carlos André, director do Centro Pedagógico e Científico de Língua Portuguesa do Instituto Politécnico de Macau, que acabou por não poder comparecer, mas fez-se ouvir através de uma comunicação lida pela professora Rosa Bizarro.

As características do ensino em Macau foram também alvo de críticas, desta vez igualmente dirigidas aos professores portugueses, com o académico a sublinhar que “não basta ser português e ter formação superior” para ensinar o idioma. “O ensino como língua estrangeira é um domínio de especialização. A lusofonia deve ter especialistas nessa área. Quantos existem em Macau? Certamente muito poucos”, referiu.

Carlos André destacou que o Governo de Macau “tem feito bastante pela língua portuguesa”, mas que “é a Portugal que esse papel cabe”.

Na sua comunicação, o académico defendeu que uma “política da língua” deve ir além da simples oferta do seu ensino em diferentes instituições – o que já acontece em Macau.

“É preciso um estudo de mercado competente, que permitisse saber qual é o interesse pelo português nos diferentes grupos etários, que tipo de português se procura, qual o nível de proficiência linguística de quem comanda o português”, explicou. In “Ponto Final” - Macau

Portugal – Terminal XXI em Sines inaugura scanner de contentores marítimos

O Terminal XXI do Porto de Sines, em colaboração com a Alfândega, estreou na semana de 20 de Outubro de 2014 um novo equipamento que permite detectar a presença de mercadoria contrafeita ou perigosa no interior de contentores movimentados para importação e exportação.

O novo equipamento (uma unidade móvel com scanner de RX), que será utilizado em parceria pela Autoridade Tributária e Aduaneira (AT) e Administração do Porto de Sines, destina-se a melhorar as atividades de controlo aduaneiro, reforçando o combate à fraude e evasão fiscais e aduaneiras.
 
Metade do investimento realizado no equipamento (1,5 milhão e meio de euros) foi suportado por um programa europeu e a outra metade foi custeada pela administração do Porto de Sines. In “Portos de Portugal” - Portugal


segunda-feira, 27 de outubro de 2014

Cabo Verde – Casa dos Estudantes do Império, contributo de Tomás Medeiros

Já dizia o célebre escritor e pensador francês, Camus que “não existe a verdade. Só existem verdades” Comungo por inteiro desta forma de pensar e de raciocinar, pois tudo é relativo, e sujeito a diversas e variadas leituras, diferentes ângulos de abordagem e de interpretações.

Tomás Medeiros
Ora bem, tudo isto vem a propósito de ter ouvido aqui há dias numa estação de rádio, a entrevista dada pelo médico e poeta santomense, Tomás Medeiros, a pretexto e à volta das comemorações dos 70 anos da antiga e já há muito extinta, Casa dos Estudantes do Império em Portugal, CEI. (1944-2014).

O que se segue deverá ser lido como uma espécie de transcrição por outras palavras, daquilo que disse sobre o assunto, Tomás Medeiros, no alto dos seus experientes e sabedores anos de vida. Conhecido pensador, escritor e antigo poeta militante. Ele fez parte do núcleo inicial dos fundadores do MPLA, do MLSTP. Dirigente estudantil, e activista político, Medeiros participou, colaborou com os outros movimentos e grupos que surgiram em Portugal, após a II Grande Guerra Mundial, com aspirações independentistas das então Colónias e Províncias Ultramarinas portuguesas de África.

Esclareceu que a CEI foi fundada em 1944. Salazar tinha então como ministro da Educação, Vieira Machado e como Comissário da Mocidade Portuguesa Marcelo Caetano, estes dois últimos foram o executivo e o legislador da recém-institucionalizada CEI. Esta albergaria os estudantes universitários africanos em Portugal que deviam estar juntos e não, em reuniões separadas e assim melhor controlados, o que, ao fim e ao resto, era o pretendido pelo regime.

Tomás Medeiros foi um dos dirigentes da CEI.

Existiam na altura, e muito antes do aparecimento da CEI, várias e importantes Associações de jovens estudantes vindos de Angola, da Guiné, de Cabo Verde, de Moçambique, de São Tomé e da Índia.

As palavras conhecedoras de Tomás Medeiros, cujo conteúdo foi por ele vivido em directo, afirmaram que no que respeitava aos estudantes africanos, não todos, é certo, muitos andavam à procura, a indagar sobre quem eram? De onde provinham? E porque se sentiam diferentes? Estas questões existenciais sobre a procura da verdadeira identidade haviam sido começadas a debater, nas diferentes associações já referidas e em actividade, antes da CEI e continuariam nela a ser discutidas.

Daí que o entrevistado, considerou ser a Casa de Estudantes do Império, o verdadeiro aglutinador e um importante germinador de ideias e de estratégias para as lutas futuras pelas independências das Colónias portuguesas africanas. Por outro lado, a CEI foi também uma casa acolhedora, de convívio, de solidariedade, de tertúlias literárias que revelaram e descobriram poetas e escritores, os quais mais tarde, entre nós, consagrados.

O interessante, é que a determinada altura, a conversa radiofónica de Tomás Medeiros, foi muito esclarecedora quando afirmou que de entre os estudantes que – logo de início – frequentaram a CEI, exceptuaram-se os estudantes cabo-verdianos pois estes últimos – continuou Tomás Medeiros – viviam já e possuíam já plena consciência da sua caboverdianidade. Logo, da sua identidade e celebravam-na na Estrela (Bairro lisboeta) entre palestras, análises, “mornas e cachupa”…

Agora, volto a um dos últimos livros sobre A. Cabral. Este não havia ainda arribado a Lisboa. Tal só viria a acontecer em 1949. E por mão de Marcelino dos Santos, (moçambicano) ele entrou na Casa de Estudantes do Império. Nessa altura já faziam parte da direcção da CEI, dois outros ilustres estudantes universitários cabo-verdianos: Aguinaldo Veiga e Humberto Duarte Fonseca.

Retomando a entrevista escutada do poeta santomense, devo dizer que o que atraiu mais a minha atenção, foi a afirmação de que nos anos 30 e 40 do século XX – décadas de significativo número e de boa frequência de estudantes universitários cabo-verdianos, em Portugal – era já sólida e bem expressada e revelada, a consciência da caboverdianidade, entre esses mesmos estudantes oriundos destas ilhas, na antiga Metrópole. Embora se trate de matéria bem conhecida e de tese já há muito demonstrada, tornou-se-me em contexto, mais iluminadora por ter sido proferida por uma testemunha intelectualmente válida a todos os títulos, e coeva desses tempos. A pessoa e a voz do poeta Tomás Medeiros. Ondina Ferreira Cabo Verde in “Coral Vermelho”

Brasil – Índios botocudos com origem na Polinésia

Índios botocudos de Minas Gerais têm DNA de polinésios

Após análise de dois crânios encontrados em Minas Gerais, grupo de cientistas descobriu que eles tinham genôma totalmente polinésio, sem traços americanos.

Preservados desde o século 19 no Museu Nacional, no Rio, dois crânios de índios botocudos, encontrados em Minas Gerais, se tornaram um mistério para a ciência. A partir de uma análise genômica completa, um grupo internacional liderado por cientistas dinamarqueses e brasileiros descobriu que os dois botocudos tinham genoma inteiramente polinésio, sem nenhum traço de ancestrais das Américas.

O estudo foi publicado na última quinta-feira na revista Current Biology. Em 2013, os mesmos pesquisadores haviam encontrado trechos de DNA de populações da Polinésia no genoma dos dois indivíduos. Agora, com a análise do genoma completo, foi possível confirmar a ausência de assinaturas genéticas de povos nativos das Américas.

O estudo revelou ainda que os crânios eram mais antigos do que se pensava: os dois índios viveram antes do início do século 19. Os autores, no entanto, não sabem explicar como os polinésios chegaram ao Sudeste brasileiro.

— Com o novo estudo, o que já era surpreendente se tornou realmente intrigante. Os polinésios, em sua dispersão pelo Oceano Pacífico, navegaram para lugares distantes como a Nova Zelândia, o Havaí e a Ilha de Páscoa. Esse e outros de nossos estudos indicam que eles também chegaram à América do Sul. Mas como esses dois indivíduos vieram parar no Brasil realmente é um mistério — disse um dos autores do estudo, Eske Willerslev, da Universidade de Copenhague, na Dinamarca.

Segundo o autor principal, José Víctor Mayar, do Museu de História Natural da Dinamarca, o primeiro estudo tinha foco no DNA mitocondrial, muito usado em estudos de arqueologia molecular por apresentar centenas de cópias em uma única célula. Mas o novo estudo analisou o DNA nuclear, extraído dos dentes dos botocudos.

— O resultado é muito mais confiável, pois, enquanto o DNA mitocondrial tem apenas 16 mil pares de bases, o DNA nuclear tem cerca de 3 bilhões. Agora sabemos que esses botocudos eram quase 100% polinésios — conta Mayar.

Os cientistas levantaram algumas hipóteses para explicar a presença dos descendentes dos polinésios no Brasil: eles teriam sido trazidos como escravos da Polinésia para o Peru ou de Madagáscar diretamente para o Brasil; poderiam ainda ter vindo em navios europeus como tripulantes ou clandestinos.

— Mas com os dados sobre a idade dos indivíduos, nenhuma das hipóteses parece fazer sentido. Achamos mais plausível que os polinésios tenham navegado sozinhos até a costa oeste da América do Sul. Mas a "questão de um milhão de dólares" continua sendo como eles atravessaram os Andes e foram quase até o Atlântico — disse Willerslev.

Para Sérgio Pena, geneticista da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), um dos líderes dos dois estudos, nenhum cenário pode ser descartado, mas todos são improváveis.

— Pessoalmente, não creio que nenhum dos cenários seja convincente. Acho que vamos ficar com este achado empírico surpreendente muito bem trabalhado e esperar que, no futuro, o mistério se desfaça. In  “ZH” - Brasil