Pintura Arq. Eduardo Moreira Santos, Lx (28.08.1904 - 23.04.1992)

quinta-feira, 3 de outubro de 2013

Envelhecimento

A organização HelpAge International apresentou no passado dia 01 de Outubro de 2013, Dia Internacional das Pessoas Idosas, um estudo em que analisa e mede a qualidade de vida e de bem-estar dos idosos em quase todo o mundo.

O estudo que teve o apoio do Fundo para a População da ONU analisou em pormenor 91 países, dos quais, dois de língua portuguesa, Brasil e Portugal. Com o título de “Índice Global de Envelhecimento 2013” o estudo analisa diversos critérios para pessoas com mais de 60 anos, como o rendimento (pensões, níveis de pobreza), a saúde, o emprego e a educação, a adaptação ao meio ambiente (liberdade de escolha de viverem de forma independente, acesso aos transportes públicos, liberdade cívica, segurança).

Nesta classificação com dados referentes ao ano de 2012, o Índice Global de Envelhecimento 2013 é liderado pela Suécia (89,9), seguida da Noruega (89,8) e Alemanha (89,3). No critério do rendimento a liderança pertence ao Luxemburgo, na saúde é a Suíça que se encontra no primeiro lugar, no emprego e educação é a Noruega que lidera e quanto ao meio ambiente é a Holanda a melhor classificada entre 91 países.

O Brasil é o país melhor classificado de língua portuguesa, ocupando o 31º lugar com um índice global de 58,9.  No critério do rendimento o Brasil está no 12º posto com 85,7 em 100, o melhor comportamento, na saúde, 41º com 56,8, no emprego e educação, 68º com 31,5, o pior desempenho e na adaptação ao meio ambiente o Brasil encontra-se na posição 40ª com 66,7.

Portugal é o segundo e último país classificado de língua portuguesa, estando no 34º lugar com um índice global de 57,8. No critério do rendimento Portugal está na posição 17ª, também a melhor, com um índice de 83,4 em 100, na saúde, 29º posto com 67,4, no emprego e educação, 76º com 24,6, também o pior desempenho e na adaptação ao meio ambiente, 37º com 67,4.

O Brasil tem 92,7% de idosos com mais de 65 anos a receberem uma pensão e Portugal tem 117,0%, valor superior a 100, por haver pessoas mais novas a receberem pensão.

Os dados que este estudo apresenta e que abrangem todos os países de língua portuguesa são o número de pessoas com mais de 60 anos existentes em cada país no ano de 2012 e a projecção dessa mesma população para o ano de 2050.

Em 2012 Angola tinha 800 mil indivíduos com mais de 60 anos, o que corresponde a 4,0% da população, um país jovem, classificado no lugar 183 entre 195 países. Em 2050 estará com 7,9% da população com mais de 60 anos e na posição 179ª. Cabo Verde, 2012, 37 mil pessoas, 7,2% da população, 111º lugar, em 2050, 23,3% e em 99º. Guiné Bissau, 100 mil indivíduos em 2012, 5,5%, no 148º posto, em 2050, 8,3% e em 175º. Guiné Equatorial, 34 mil pessoas, 4,5%, no 170º lugar, em 2050, 9,1% e em 168º. Moçambique, 1,3 milhões de indivíduos com mais de 60 anos em 2012, o que corresponde a 5,2% da população e ocupa a 155ª posição, em 2050, continuará jovem, com 7,2% e na posição 184ª, entre, recorde-se, 195 países. São Tomé e Príncipe, 9 mil pessoas, 5,2%, na posição 154ª, em 2050, 12,6% e em 145º. Timor Leste, 100 mil indivíduos, 4,9% e no 162º posto, em 2050, 7,0% e a melhor classificação destes países, ocupando o 185º lugar.

Portugal é um dos países do mundo com mais população acima dos 60 anos, uma situação preocupante e uma das principais consequências das políticas de emigração, como acontece neste momento, com o governo a incentivar a saída para o exterior dos jovens. Portugal em 2012 tinha 2,6 milhões de indivíduos com mais de 60 anos, 24,4% da população, ou seja, quase um quarto das pessoas está neste escalão, ocupando a 8ª posição entre 195 países. Mas em 2050, se nada for alterado, estará pior, 40,4% da população terá mais de 60 anos e Portugal situar-se-á num 2º lugar que reflecte por um lado, a longevidade da população, mas por outro, uma inexistência, há já alguns anos, de uma política de natalidade.

O Brasil que tinha em 2012, uma população de 198,7 milhões de pessoas, como na altura noticiámos, o Brasil já ultrapassou este ano de 2013, os 200 milhões, apresentava 21,6 milhões de indivíduos com mais de 60 anos, 10,9% do total e estava na posição 76ª. Em 2050, terá 29% e estará no lugar 67º.

A população mundial em 2012 com mais de 60 anos era de 809 milhões de pessoas, cerca de 11% do total. Em 2050, calcula-se que mais de 20% da população mundial tenha uma idade superior a 60 anos. Para conhecer o “Índice Global de Envelhecimento 2013” e analisar um dos 91 países apresentados, aceda aqui. Baía da Lusofonia

Escola Portuguesa

Exposição pode salvar escola

A decisão acordada entre Macau e Lisboa de organizar uma exposição de arquitectura portuguesa contemporânea aponta no sentido da classificação do edifício da Escola Portuguesa. É esta leitura do arquitecto Rui Leão, que nota um “silêncio desconfortável” dos dois governos em relação ao futuro do imóvel.

A realização de uma exposição de arquitectura portuguesa contemporânea em Macau foi o resultado mais concreto do compromisso assumido entre a RAEM e Portugal em reforçar a cooperação na área da cultura. A decisão foi tomada no âmbito da segunda reunião da Comissão Mista (os dois governos assinaram cinco novos protocolos na área da educação, Ambiente, Turismo e Direitos do Consumidor) e apanhou de surpresa Rui Leão, vice-presidente da Associação dos Arquitectos de Macau e do Conselho Internacional dos Arquitectos de Língua Portuguesa.



“Não sabia. É bom que haja este tipo de interesse e que se fomente o diálogo ao nível cultural entre as duas partes”, reage Rui Leão. Para o arquitecto, a decisão de organizar uma exposição de arquitectura portuguesa é sobretudo “um sinal” de que o edifício da Escola Portuguesa de Macau (EPM) será classificado como património. O imóvel foi desenhado em 1963 pelo arquitecto Raul Chorão Ramalho e é um dos ícones do modernismo no território. “Se houver coerência, preservar o edifício é o que faz sentido que aconteça”, reforça.

“É especialmente importante que os governos de Portugal e Macau dêem primazia à arquitectura, numa altura em que o património parece estar desprotegido”, destaca Rui Leão. O futuro do edifício da EPM está em aberto. O Executivo de Chui Sai On delegou em Portugal a decisão de manter ou não a escola nas actuais instalações.

Cheong U, secretário para os Assuntos Sociais e Cultura, reuniu-se em Lisboa com o ministro português da Educação, Nuno Crato, que prometeu dar uma resposta em breve. O Governo de Macau garante a continuidade do apoio à EPM, quer a escola permaneça no actual terreno, quer mude de localização – mas não foi dada qualquer garantia sobre a manutenção do edifício modernista, próximo do casino Grand Lisboa.

“Há um silêncio desconfortável sobre esta questão, não só para os arquitectos, como para a comunidade portuguesa e macaense”, nota Rui Leão, ao destacar que Portugal e Macau “nunca se referiram ao futuro de um edifício que tem um valor patrimonial incontestável”.



Língua política



O papel do português nas relações bilaterais entre Macau e Portugal saiu reforçado da reunião da Comissão Mista, com as duas partes a declararem, num comunicado conjunto, a “importância da cooperação no domínio da língua portuguesa”. O “crescente relevo internacional” do português e “o papel da RAEM enquanto plataforma de formação e difusão da língua portuguesa” foram aspectos destacados pelos dois governos.

Macau e Portugal acordaram “desenvolver a cooperação ao nível da qualidade do ensino superior, através do apoio das instituições portuguesas aos trabalhos” em marcha no território. As duas partes assinaram ainda um protocolo na área do ensino não superior, que “envolve o reforço na formação de professores de língua portuguesa em Macau”, com o apoio do Governo português.

“Nós precisamos de mais apoio de Portugal para a formação de professores de língua portuguesa. E Macau pode disponibilizar professores para ensinar mandarim. Há muita gente que quer aprender e nós temos pessoal”, resumiu Alexis Tam, porta-voz do Governo e chefe da delegação de Macau a Lisboa, em declarações ao Canal Macau.

“Este acordo é muito bom e vai ter resultados muito efectivos”, comenta Teresa Vong, directora do Centro de Pesquisa Educacional da Universidade de Macau. A professora concretiza: “Nós precisamos de falantes fluentes de português para fazer a ligação entre a China e os países de língua portuguesa e de especialistas de português que dominem a área do Direito”. “É uma oportunidade para as duas partes”, entende.

Teresa Vong defende ainda que os protocolos assinados por Macau em Lisboa devem também “ser interpretados como uma oportunidade para os estudantes locais”. “Devem ser vistos como um canal para os alunos poderem sair de Macau para estudarem na Europa”, diz. Os acordos, acrescenta, deverão também servir para aumentar a investigação na área do português.

Mas há uma condição prévia para que o plano possa funcionar, ressalva: “O Governo tem de ter uma política clara para língua portuguesa, que parece não ter”. A língua portuguesa também é futuro e desenvolvimento – será a nossa vantagem, daqui a uns dez, 20 anos, nas relações com o Brasil, por exemplo – e é língua oficial. É preciso incentivar o português enquanto língua política de Macau”, remata Vong. Sónia Nunes – Macau in “Ponto Final”

quarta-feira, 2 de outubro de 2013

Ciera

Em 2013 comemoram-se 250 anos do nascimento do notável matemático e astrónomo Francisco António Ciera, responsável pelos estudos preparatórios para a elaboração da primeira Carta Geral do Reino e pela introdução da telegrafia visual terrestre em Portugal.

Com o intuito de evocar dignamente este aniversário, e atendendo à relevância da obra de Francisco Ciera e às múltiplas competências reveladas ao longo da sua brilhante carreira – que vão desde a Matemática à Metrologia, passando pela Astronomia, pela Cosmografia, pela Geografia e pela Cartografia –, a Plataforma Intermunicipal para as Linhas de Torres (PILT) lançou a diversas entidades o desafio de levar a cabo um programa comemorativo concertado relativo à referida efeméride. O conjunto de entidades envolvidas neste programa, em que a PILT se constitui como plataforma de ligação, inclui as legítimas herdeiras de antigas instituições criadas ou dirigidas por Francisco Ciera, ou que desenvolvem a sua atividade nas áreas do conhecimento abarcado pela sua ação, ou que são, ainda, detentoras de relevante espólio documental e/ou museológico relacionado com a atividade do homenageado.

O referido programa, aberto à colaboração de todas as entidades interessadas, conta já com as seguintes participações: Exército e Marinha de Portugal, Comissão da História das Transmissões, CTT – Correios de Portugal, Direção Geral do Território, Sociedade de Geografia de Lisboa, Academia das Ciências de Lisboa, Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa, Centro de Estudos Geográficos da Universidade de Lisboa, Centro de Estudos de Geografia e Ordenamento do Território, Instituto Português da Qualidade e Santa Casa da Misericórdia de Lisboa.

Esse programa evocativo prolongar-se-á até 2014, data em que se perfazem também 200 anos sobre o falecimento de Francisco Ciera, e que coincide com o termo das comemorações do Bicentenário da Guerra Peninsular, acontecimento em que a sua ação, no âmbito das comunicações militares, foi de particular relevância.

Relativamente ao desenvolvimento desse programa comemorativo, estão previstos os seguintes eventos:

Criação de Imagem Gráfica do evento – 250 anos do nascimento de Francisco Ciera (1763-1814).
Edição de selo comemorativo enquadrado no tema ”vultos da História e da Cultura”.
Edição de lotaria comemorativa.
Atribuição do nome de Francisco Ciera a uma artéria da cidade de Torres Vedras.
Conferências sobre a obra de Francisco Ciera e áreas temáticas por ele abarcadas.
Exposição a realizar pela Comissão Cultural da Marinha, na Cordoaria Nacional.
Construção de uma réplica do telégrafo de ponteiros de Ciera.
Produção de publicação digital evocativa da pessoa e da obra de Francisco Ciera

De referir desde já que no âmbito destas comemorações, a Sociedade de Geografia de Lisboa promoveu, no passado dia 8 de maio, uma conferência sobre Francisco António Ciera, proferida por Maria Helena Dias. A Academia de Marinha tem igualmente programada uma conferência alusiva ao homenageado, para o próximo dia 26 de novembro, na qual será orador o Capitão-de-mar-e-guerra Carlos Oliveira e Lemos.

Já no próximo dia 14 de outubro terá lugar a 41ª extração da Lotaria Clássica, comemorativa do 250º aniversário de Francisco Ciera (mais informações sobre esta iniciativa podem ser consultadas no sítio da Santa Casa).

Francisco António Ciera nasceu em Lisboa, no ano de 1763. Seu pai, Miguel António Ciera, matemático italiano, cedo deixou o seu Piemonte natal, tendo-se fixado em Portugal, onde viria a prestar inúmeros serviços de relevo, nomeadamente na área da cartografia. Francisco Ciera deu continuidade aos trabalhos desenvolvidos pelo seu progenitor, com quem se iniciou nas áreas da matemática e da cartografia. Foi Doutor em Matemática, Lente da cadeira de Astronomia e Navegação na Academia Real de Marinha, e sócio da Academia Real das Ciências de Lisboa e da Sociedade Real Marítima, Militar e Geográfica, entidade que o viria a premiar em 1803.

Francisco Ciera iniciou a triangulação geral de Portugal, impulsionada por D. Rodrigo de Sousa Coutinho, com o objetivo de elaborar a Carta Geral do Reino de Portugal e a medição do grau do Meridiano. Os trabalhos geodésicos que dirigiu foram precursores da moderna cartografia portuguesa, tendo possibilitado a elaboração de mapas com maior rigor no posicionamento territorial e na representação do relevo.

Em 1803 Francisco Ciera foi encarregado de reformular o sistema semafórico da barra de Lisboa, tendo-lhe sido posteriormente confiada a missão de estabelecer a primeira Rede Portuguesa de Comunicações Telegráficas. Em 1810 foi nomeado primeiro Diretor do Corpo Telegráfico Português, integrado na engenharia militar, funções em que se manteve até 1814. Com essa responsabilidade, criou os telégrafos óticos portugueses de ponteiro, de postigos e de balões.

Durante a Guerra Peninsular, o sistema de comunicações português viria a ser amplamente utilizado, a par do telégrafo inglês “de balões”. Apesar do seu menor alcance, o telégrafo “de Ciera” revelou-se, todavia, mais económico, de mais fácil utilização e de maior eficácia. Gerson Ingrês – Portugal in “Local.pt”

Banco Mulher

Realiza-se hoje, dia 2 de Outubro de 2013, no número 84 da Rua Mário Esteves Coluna, na Cidade da Matola, a cerimónia de inauguração do Banco Mulher – Caixa de Poupança e Crédito, evento que contará com a participação do Governo, entidades reguladoras, parceiros, dentre outros convidados.

Vocacionada para o financiamento e apoio de iniciativas empreendedoras, com enfoque nas mulheres, esta instituição financeira resulta de um esforço empreendido pela Ntamu - uma associação de mulheres empreendedoras, apoiadas pela Gapi-SI e terá como principais produtos, os depósitos correntes; depósitos a prazo; pagamentos de salários e pensões; crédito ao Investimento; crédito ao agro-negócio; crédito ao comércio; e crédito ao consumo.

Por seu turno, a Gapi-SI envolveu-se nesta iniciativa por ter verificado que ela nascia da vontade de um grupo de mulheres empenhadas em apoiar outras mulheres a criarem e a desenvolverem negócios sustentáveis, através do financiamento e apoio de iniciativas empreendedoras. Assim, além de investir financeiramente, complementando os recursos próprios das mulheres, a Gapi-SI tem prestado assistência técnica na formação de quadros e na montagem de sistemas de gestão.

Importa referir que a Gapi-SI é uma instituição financeira de desenvolvimento com capitais públicos e privados, incluindo organizações da sociedade civil, cuja missão é promover o empresariado nacional e contribuir para um sistema financeiro mais inclusivo. Neste âmbito, a Gapi concebe e implementa programas combinando o apoio ao estabelecimento de instituições e instrumentos financeiros estruturados de forma a melhorar o acesso das micro e pequenas empresas nacionais a serviços financeiros. in “Olamocambique” - Moçambique

terça-feira, 1 de outubro de 2013

Reabilitação

Timor-Leste: Quando um pequeno trecho de estrada faz a diferença

Num país onde 75 por cento da população vive em áreas rurais e 40 por cento vive abaixo do nível de pobreza, melhorar um pequeno percurso de estrada pode significar mais empregos e uma melhor qualidade de vida para os trabalhadores rurais e famílias.

Adriano Trindade Ximenes, 47 anos, vive na aldeia Hatugau, Ermera um distrito litoral na parte centro-oeste do Timor-Leste. Ele e sua esposa Pasquela têm sete filhos, algo que não é excepcional nas famílias deste país.

A família vive da agricultura de subsistência e dos poucos rendimentos com a venda de produtos agrícolas, como milho e batata-doce. O cultivo de café dá-lhes um acréscimo de 400 dólares por ano. Mas o caminho para o mercado é longo e difícil, e o dinheiro que eles ganham não é suficiente para pagar o material escolar e medicamentos para seus filhos.

Há oito meses atrás, Ximenes Trindade foi contratado por uma empresa de construção local para trabalhar na estrada entre as cidades de Letefoho Vila e Leimea Sorinbalu. É um caminho de 10,5 quilômetros que liga as aldeias da região com o mercado de Letefoho Vila. Ao todo, cerca de 1.500 famílias serão beneficiadas com a nova estrada. Embora seja um emprego a curto prazo, o dinheiro extra é muito importante para a família e a construção da nova estrada é duplamente vantajoso para eles. "Antes não tínhamos oportunidade de trabalho. Quando começou o projecto da estrada ficámos muito felizes em participar. O trabalho às vezes pode ser difícil, mas estamos felizes em fazê-lo. Uma estrada mais transitável facilita o transporte e agora sentimos que podemos ficar melhor ", disse Ximenes Trindade.

Segundo Graciano Soares, chefe da aldeia de Hatugau, uma estrada melhor significa mais negócios e uma melhor qualidade de vida.

"Facilitar o acesso para transportar as mercadorias fora e dentro de nossas comunidades tem produzido benefícios económicos diretos e imediatos para a nossa aldeia. Graças à estrada estar mais transitável, diminuiu o custo de transporte quase para metade e agora também temos acesso ao transporte de ambulância ", assinalou.

O projecto de estrada e o emprego de Ximenes Trindade foram possíveis graças ao “Projecto Enhancing Rural Access"(ERA, Melhorar o acesso às zonas rurais), financiado pela União Europeia, e ao “Projecto Roads for Development” (R4D, estradas para o desenvolvimento), financiado pelo Governo da Austrália.

O objectivo destes dois projectos de grande escala - implementados pela OIT em parceria com o Governo de Timor-Leste - é melhorar as infraestruturas rurais do país, através da formação e contratação de empresas locais para a construção e manutenção de estradas com o uso intensivo de mão-de-obra. As empresas contratam os membros da comunidade para trabalhar no programa de reparação de estradas.

Criação de postos de trabalho através do setor privado

Ambos os projetos contribuem para crias as tão necessárias oportunidades de trabalho para as pessoas que vivem nas áreas rurais de Timor-Leste. Pelo menos 30 por cento dos trabalhadores contratados são mulheres.

A OIT trabalha com a Secretaria de Estado para o apoio e promoção do sector privado (SEAPRI), através do projecto ERA para formar os empreiteiros timorenses na construção de estradas e na gestão de contratos.

"SEAPRI é uma nova instituição governamental responsável por apoiar e desenvolver o setor privado em Timor-Leste e estamos muito satisfeitos por trabalhar com a OIT para fortalecer a capacidade dos empresários locais e ajudá-los a alcançar seus objetivos" declarou Veneranda Lemos, Secretária de Estado para o apoio e promoção do sector privado.

Eugénia Monteiro Turquel é a Directora da Promiamor, uma jovem empresa local que está responsável pela reabilitação de dois dos 10,5 km da estrada   Letefoho Vila - Leimea Sorinbalu.

"A minha empresa foi seleccionada para trabalhar nesta estrada. O programa proporcionou formação técnica para os meus técnicos e supervisores, e eu tenho participado em acções de formação em gestão de negócios e contratos. O pessoal da OIT está nos apoiando para garantir que tudo corra bem", explicou. Monteiro Turquel contratou 90 membros da comunidade local. O salário diário é de 4,5 dólares diários, que corresponde ao salário mínimo.

A sua empresa recebeu formação na utilização intensiva de mão-de-obra, como a maximização do uso dos recursos locais e equipamentos necessários para satisfazer as normas técnicas e de engenharia, bem como a organização e gestão de uma grande força de trabalho, garantindo por sua vez a rentabilidade das operações e a qualidade do trabalho.

Van Samsan, engenheiro da OIT em técnicas de trabalho intensivo, supervisiona o trabalho realizado pelas empresas.

"Oferecemos o nosso apoio às empresas através da assessoria técnica e de gestão. Nós controlamos a qualidade do trabalho e garantimos que as empresas respeitem os prazos. A maioria delas tinha alguma experiência em obras civis, geralmente em estradas, mas mesmo nestes casos, muitas vezes, não tinham os conhecimentos técnicos e necessitavam de actualizar as suas competências na gestão de contratos ", afirmou.

Mais de uma centena de empresas locais têm recebido a mesma formação através dos programas ERA e R4D e estão abrindo caminho através da rede de estradas rurais do país.

"Nas comunidades onde os ganhos efectivos são geralmente muito baixos, o programa ajuda a gerar rendimento adicional para as famílias nos meios rurais. E, graças à reabilitação das estradas, as comunidades locais têm acesso a um melhor sistema de transporte público e ao aumento da actividade económica ", concluiu Robert Pes, Chefe da missão da OIT em Timor-Leste. Organização Internacional do Trabalho - Suíça
Tradução Baía da Lusofonia


Banda Larga

Internet de Banda Larga

O último relatório, 2013, publicado pela União Internacional de Telecomunicações (ITU) apresenta o ranking mundial de penetração de internet de banda larga na grande maioria dos países. Na classificação para a banda fixa estão registados 183 países, enquanto para a banda móvel estão 170.

Na banda larga fixa, a classificação é liderada pela Suíça com 41,9 em cada cem pessoas, seguida da Holanda, 39,4 e da Dinamarca com 38,2. Dos países de língua portuguesa, Portugal está em 36º lugar com 22,3 em cada cem pessoas, é o mais bem classificado, desde que não se considere a região chinesa de Macau que está em 27º com 25,5. O Brasil no 72º posto com 9,2 é o segundo mais bem classificado, seguindo-se Cabo Verde em 99º, São Tomé e Príncipe em 134º, Angola no 147º lugar, Moçambique 153º, Timor Leste no 159º e a Guiné Bissau no 182º e penúltimo posto.

A banda móvel é liderada por Singapura, 123,3 em cada 100 pessoas, seguindo-se o Japão, 113,1 e Finlândia 106,5. O Brasil é o primeiro país de língua portuguesa nesta classificação, ocupando o 44º lugar com 36,6, estando Portugal na posição 52ª, 32,5 e Cabo Verde no 65º posto com 22,5.

Nesta ordenação para a banda móvel, não estão incluídos, Macau, São Tomé e Príncipe e Timor Leste, apresentando-se Moçambique no lugar 122º, Angola em 124º e a Guiné Bissau no 149º posto.

Neste relatório agora apresentado pela agência para as telecomunicações da ONU, constata-se que o crescimento da banda móvel é superior à fixa, sendo a móvel como "a tecnologia de crescimento mais rápido na história da humanidade".  

A ITU defende a ideia de que a universalidade deverá ser um objectivo primordial nas políticas de banda larga, chamando a atenção que em 2013, haverá 2,75 milhões de utilizadores de internet em banda larga, mas que dois terços da população do planeta ainda estará longe da utilização deste potente instrumento.

Para poder analisar o relatório em pormenor poderá aceder aqui. Baía da Lusofonia

segunda-feira, 30 de setembro de 2013

Demarchi

              Demarchi, o artesão do verso antropofágico
                              

                                                           I

Datas redondas exigem balanços como forma de se perpetuar em papel a vida passada por entre os dedos ou, neste caso, por entre versos. Em tempos de Internet, nada disso é possível porque sites, blogs e facebooks criados há alguns anos costumam se desmanchar no ar ao sabor dos provedores e das circunstâncias. Sem contar que os responsáveis por revistas eletrônicas também envelhecem e morrem e com eles se vão essas aventuras intelectuais.

Com o papel, não. A perenidade é maior, embora não seja eterna, ainda mais em países úmidos em que o mofo, o bolor e a traça tudo devoram. Tivesse Jesus Cristo escolhido para apóstolos doze analfabetos – e não homens letrados, entre eles até publicanos, como Mateus, por exemplo, que sabia contar e anotar a coleta dos impostos –, hoje, por certo, ninguém saberia o que teria dito no Monte das Bem-Aventuranças para mais de cinco mil fieis, sem alto-falantes nem gravadores, valendo-se apenas da sonoridade natural da montanha à beira do Mar da Galileia. Basta dizer isto para se ressaltar a importância do papel e do pergaminho em que se registraram os manuscritos em comparação com os atuais e etéreos meios digitais.

Mas a que vêm estas reflexões de quem, um dia, descobriu na Ilha de Rhodes que os gregos antigos sabiam como construir um teatro de arena em que o ator podia falar e ser ouvido por toda a plateia, igualmente sem dispor de alto-falantes? Vêm a propósito da edição do livro Pirão de Sereia, do poeta Ademar Demarchi, que marca os 50 anos de vida de seu autor e 30 de lida com poesia, assinalados em 2010. E que, como denuncia o próprio título, constitui também uma homenagem à Antropofagia, movimento artístico brasileiro da década de 1920, fundado e teorizado pelo poeta paulista Oswald de Andrade (1890-1954), que costumava ironizar em suas obras a submissão da elite brasileira aos países desenvolvidos e propunha, em contrapartida, a deglutição cultural das técnicas importadas para reelaborá-las com autonomia, convertendo-as em produto de exportação.

Entendia Andrade que era preciso “devorar” o estrangeiro para adquirir suas qualidades espirituais e produzir algo novo – isso é o que faz Ademir Demarchi em Pirão de Sereia, seu 15º livro em que reuniu uma produção poética de três décadas publicada em obras anteriores acrescida de parte ainda inédita. O legado antropofágico, porém, está mais presente nos livros Os mortos na sala de jantar (2007), Passeios na floresta (2008), Palavras cruzadas e Preceitos da dúvida, que fazem parte deste volume comemorativo, ainda que apareçam de maneira eventual em outros. É de assinalar que estes dois últimos livros saem à luz pela primeira vez. Eis um exemplo desses versos em “Antropofagia consentida”, que estão em Os mortos na sala de jantar:
                        nervosa, a mídia ganiu
                       
                        um alemão comeu outro
                        em antropofagia consentida

                        longe de absurdo, normal
                       
                        pesquisa demonstra:
            para o consumo há à disposição
            oferecidas 500 novas pessoas
            dispostas a se darem
            ao deleite de serem comidas

De Os mortos na sala de jantar, o professor Raul Antelo diz que é um livro que se une à tradição de André Breton (1896-1966), Paul Claudel (1868-1955) e Roger Caillois (1913-1978) no gosto pelas pedras e pelas escrituras lapidares. Já na epígrafe de seu livro, Demarchi reproduz um epitáfio de Marcel Duchamp (1887-1968): além disso, é sempre os outros que morrem. E acrescenta outro de sua lavra, à guisa de dedicatória: aos cadáveres que a vida nos dá de comer. A propósito de epitáfios, o poeta dá a sua própria definição:
                                   epitáfios são epígrafes
                               de histórias que continuam
                                   túmulo adentro
Mais adiante, acrescenta:
                                         das velas e
                                      do morto o odor
                                   das vidas queimando

                                               II

Nascido em Maringá, interior do Paraná, Demarchi vive há mais de 25 anos junto ao mar, em Santos, no litoral de São Paulo, experiência que está mais evidenciada em livros como Costa a Costa e do Sereno que enche o Ganges (2008), já traduzido para o espanhol e publicado no Peru em 2010, e ainda em Janelas para lugar nenhum (1993). Em Costa a Costa, lê-se esta homenagem às cidades siamesas de Santos e São Vicente:
                                   no alto do morro do itararé
                                   o vento aos olhos sussurra
                                   com aleivosia os sabores
                                   das carnes doces da baía
                                   salpicada de navios e contêineres
                                   azulada como um peixe
                                   sanguínea como uma sereia no cio
                                   subo para vê-la, desço para perdê-la.

Ainda que nos versos de Os mortos na sala de jantar ressoe certo tom poético da década de 1980, é em Maria, a cidade sem rosto (1985, edição mimeografada) que está mais clara essa percepção de um mundo que saía dos tempos de horror da ditadura militar (1964-1985). Como nestes versos de “Cemitério de estátuas de Moscou” em que o poeta demonstra também o seu precoce desencanto com a utopia soviética, que, naquele tempo, embora caminhasse célere para a desintegração, ainda seduzia a juventude contestadora:
                        no cemitério de estátuas de moscou
                                   não há silêncio
                        não esse que se conhece
            mudas e castradas, as estátuas estão russas
                        erigidas desde a revolução
                                    lá estão, humilhadas
                                    de lenin, pálida de estupor
                        de brejnev, impávida no uniforme
            de stalin, maneta depois de inúmeros braços
                        liderando um exército de outras
            formando uma corja sem fim de estátuas menores
            de comissários aprisionados na pedra e no tempo
            agora sem partido mas todos ainda disputando espaço
                                   com a grama
            num lugar desimportante que mereceria chinfrim
                        o nome de medusa cemitério jardim

Já em Preceitos da dúvida, Demarchi exercita versos curtos, nada líricos, que anseiam se tornar epitáfios ou máximas, na tradição dos dísticos gregos e romanos, rimados ou não, procurando constituir “uma saída para o lugar-comum em que se tornou a expressão poética contemporânea, tributária cordata e senil de modelos asfixiantes”, como diz o próprio autor, que aqui se mostra como um perfeito artesão do verso antropofágico. Eis alguns exemplos:
                        o jornalista
                        é o coveiro
                        do inesperado

                        o jornal
                        a cova
                        do deteriorado

                        quem não morre
                        envilece
                                               III

Ademir Demarchi (1960) é editor das revistas de poesia Babel – Revista de Poesia, Tradução e Crítica e Babel Poética, bem como do selo editorial de livros artesanais Sereia Ca(n)tadora. Formou-se em Letras na área de Francês pela Universidade Estadual de Maringá e cursou o mestrado em Literatura Brasileira na Universidade Federal de Santa Catarina, sob a orientação de Raul Antelo, um dos maiores especialistas acadêmicos na Antropofagia. É doutor em Letras pela Universidade de São Paulo na mesma área. Com numerosos poemas, artigos e ensaios publicados em livros e revistas impressos e em sites da Internet, mantém há mais de quatro anos uma coluna semanal no jornal O Diário do Norte do Paraná, de Maringá. Adelto Gonçalves - Brasil



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PIRÃO DE SEREIA, de Ademir Demarchi. Santos: Editora Realejo/Secretaria de Cultura de Santos, 268 págs., R$ 35,00, 2012. E-mail: editora@realejolivros.com.br

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Adelto Gonçalves é doutor em Literatura Portuguesa pela Universidade de São Paulo e autor de Gonzaga, um Poeta do Iluminismo (Rio de Janeiro, Nova Fronteira, 1999), Barcelona Brasileira (Lisboa, Nova Arrancada, 1999; São Paulo, Publisher Brasil, 2002), Bocage – o Perfil Perdido (Lisboa, Caminho, 2003) e Tomás Antônio Gonzaga (Rio de Janeiro, Academia Brasileira de Letras, 2012). E-mail: marilizadelto@uol.com.br