Pintura Arq. Eduardo Moreira Santos, Lx (28.08.1904 - 23.04.1992)
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quarta-feira, 12 de agosto de 2026

China – Inteligência artificial agita concorrência de preços entre gigantes americanos

A inteligência artificial (IA) chinesa, eficaz e rentável, está a forçar os gigantes americanos a reduzir os seus preços, o que ameaça a sua lucratividade e gera animação entre os utilizadores, que aproveitam esta concorrência, como um bar em Pequim, que passou a oferecer acesso gratuito ao DeepSeek.


Para um uso intensivo da IA, as assinaturas com tarifa fixa já não são suficientes. A cobrança por uso, baseada em “tokens” — unidade que mede a quantidade de texto que a máquina processa e gera —, está a tornar-se cada vez mais comum. Para defender as suas cotas de mercado, os gigantes de Silicon Valley estão as ser obrigados a reduzir o preço do token: a OpenAI, criadora do ChatGPT, reduziu em 80% as tarifas de seu modelo “Luna”, e a Anthropic, desenvolvedora do Claude, apresentou um modelo semelhante ao seu sistema mais potente, mas pela metade do preço.

O DeepSeek, cujo modelo V4 Flash lidera o ranking de uso da plataforma técnica OpenRouter, anunciou na semana passada que prevê um “aumento significativo” dos preços para programadores.

Os utilizadores em Pequim têm outra opção: IA gratuita para os clientes no AGI Bar (Artificial General Intelligence), ponto de encontro para desenvolvedores, fundadores e investidores, decorado com referências à inteligência artificial e um cardápio repleto de piadas baseadas no jargão tecnológico. “É bastante comum que bares ofereçam wi-fi gratuito, então eu ofereço tokens gratuitos”, explicou à AFP o proprietário do bar, Song De.

O estabelecimento localizado em Zhongguancun, um bairro apelidado de “Vale do Silício chinês”, roda o V4 Flash em duas imponentes estações de trabalho da Nvidia, sem precisar pagar ao DeepSeek. Song De, desenvolvedor independente, é um dos utilizadores que deixou de lado os modelos mais caros, como o Fable 5 da Anthropic, para optar por alternativas mais leves.

“Muita coisa pode ser feita com modelos mais antigos, de menor complexidade ou com modelos de linguagem reduzidos”, afirmou o analista de tecnologia Jack Gold, fundador da J.Gold Associates. Novos modelos chineses de IA, do Kimi K3 da Moonshot AI à popular série Qwen da Alibaba, estão a chamar a atenção como concorrentes da liderança da Anthropic e da OpenAI.

As duas empresas americanas preparam-se para abrir capital, o que significa que “precisam começar a obter lucros”, explicou Gold à AFP. “Não ouso dizer que seja uma guerra de preços porque ainda não chegamos a esse ponto. Mas, sem dúvida, é uma competição de preços para tentar conquistar mais utilizadores”, acrescentou.

As empresas americanas também estão a alimentar uma competição feroz que pode transformar a IA numa ferramenta padronizada e intercambiável: a xAI, empresa de Elon Musk, reduziu o preço de alguns modelos do Grok, enquanto a Meta, empresa matriz do Facebook, acaba de lançar uma opção de baixo custo, o Muse Spark 1.2. Para Max Liu, co-fundador do sistema chinês de gestão de agentes LobeHub, “a forma mais barata de IA será encontrada no futuro na China (…) Isto sem dúvida pressionará os Estados Unidos a seguir a mesma direcção. Quanto mais barata for a IA, melhor”. In “Jornal Tribuna de Macau” – Macau com “Agências internacionais”